quarta-feira, 2 de março de 2011
Não , a Rosário não morreu ! As pessoas de quem gostamos . . . não morrem nunca ! Nós não permitimos que "isso" aconteça . . .
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Depoimento para Bruxelas : Como as novas tecnologias fizeram TODA A DIFERENÇA NA MINHA VIDA !
Chamo-me Rosário Sarabando e sou portadora de uma doença neuro-degenerativa progressiva e rara, chamada Esclerose Lateral Amiotrófica (E.L.A.).
Convivo com a doença há onze anos, a idade do meu filho. O meu marido é um exemplo de dedicação e abnegação, com todo o amor que me dedica. Ambos são a pedra de toque da minha vida!
Esta doença deixa-nos completamente paralisados, à excepção da parte psicológica que, na minha opinião, fica muito mais apurada.
Tenho os problemas que toda a gente tem e uma casa para orientar. Como tal, recuso-me a ficar parada e deixar o barco andar à deriva. Nunca! Contudo, esta doença é implacável e somos obrigados a ir largando as coisas que as pessoas costumam pensar ter como adquiridas:
I - Larguei o carro, porque fiquei impedida de conduzir. Passei a ser conduzida por familiares, pelos muitos amigos que fui fazendo ao longo da minha vida e pelos soldados da paz, os nossos bombeiros que tão bem me tratam;
II – Disse adeus à cama de casal, passando a dormir numa cama articulada, o que é óptimo nas noites quentes de verão;
III- Deixei de poder abraçar, beijar ou fazer um carinho. Contudo, continuo a fazê-lo com os braços e os lábios da minha alma;
IV – Disse adeus ao telemóvel, porque já não conseguia manuseá-lo e depois, porque deixei de falar devido à traqueostomia, mas tinha o computador e comunicava através do e-mail.
Pedi sempre a Deus que nunca deixasse de poder comunicar com o mundo e Ele fez-me a vontade. Mais um milagre aconteceu! Fez-se MAGIA na minha vida! Colocou-me o MagicEye, o Magickeyboard, o MagicPhone e o MagicHome nas mãos. Sem eles não poderia continuar. São os meus anjos que não deixam que eu fique aprisionada no meu próprio corpo.
Comecei a namorar com o meu marido, passei a poder comunicar com o meu filho sempre que ele vai em visita de estudo e a resolver assuntos na escola do meu filhote, dou miminhos aos amigos, em tempo real, o que é Muito importante para mim, ganhei autonomia para tratar das férias do meu filho e resolver tantas outras coisas, mantendo a minha privacidade. Para certificar o que acabei de vos relatar, vou contar-vos o episódio mais recente que me aconteceu, para que tomem consciência do significado desta ferramenta na minha vida, poder comunicar através do telemóvel!
Repentinamente, a minha cuidadora foi operada a um descolamento da retina. O que era um novelo muito bem enroladinho, a minha casa, passou a ser um emaranhado de linhas soltas. A páginas tantas, são os amigos que surgem para ajudar. Isto para vos dizer que, em tempo real, eu consigo através de SMS, pedir compras sem a ajuda de terceiros, pedir auxílio ao meu marido, enfim, um infindável número de coisas que fazem parte da vida de qualquer pessoa. Com o MagicHome consigo utilizar a TV e a aparelhagem, usando as diferentes funções, tudo gestos banais para qualquer mortal, mas para pessoas com estas limitações, É UM MILAGRE! Sem a ajuda do MagicEye e do Magickeyboard não faria nada do que mencionei.
LAST BUT NOT LEAST
O Magickeyboard proporcionou-me uma velocidade de escrita fantástica. Estas ferramentas permitem-me uma enorme economia de tempo e redução do cansaço. Para fazer este depoimento levaria um dia inteiro, acrescido da exaustão que comportava. Assim, demoro o tempo que qualquer pessoa, minimamente habituada, leva a escrever no computador. O cansaço é mais reduzido, porque não preciso de usar o rato, pois todo o meu corpo está já paralisado, à excepção dos meus olhos. Através do MagicEye, acedo a todas as funcionalidades do PC e a minha vida é gerida por um precioso piscar dos meus olhos.
As potencialidades destas tecnologias têm permitido os contactos com a Comunidade E.L.A. (noseela.ning.com), fazendo parte, actualmente, da direcção da APELA (Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica), com a família e os amigos, a participação em várias redes sociais e o acesso fácil à informação e ao conhecimento através da Internet.
O empreendedorismo de algumas pessoas e a sua capacidade inovadora conjugada com um grande empenho e dedicação, tem possibilitado uma nova vida a pessoas com limitações físicas e psicológicas, através da implementação de tecnologias que revolucionam a as suas vidas, contribuindo para o renascimento de um novo ser.
Tudo isto só foi possível graças aos grandes amigos que tenho a sorte de ter.
Obrigada a todos quantos estiveram envolvidos neste projecto, para que a minha qualidade de vida fosse melhorada de forma altamente significativa.
Permitam-me aproveitar a oportunidade para exprimir um desejo muito forte:
Que seja facultado este programa a todas as pessoas que se encontram na mesma situação que eu, proporcionando-lhes uma melhor qualidade de vida.
Que Deus ilumine os investigadores para que eles continuem a expandir o seu conhecimento e, dessa forma, possam permitir mais vida a vidas tão frágeis como a minha.
Muito, muito obrigada a todos!
Bem hajam!
- Fundação PT
- IPG (Instituto Politécnico da Guarda – Portugal)
- APELA e Comunidade E.L.A.
- Amigos
…
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
J’ACCUSE ! (Eu acuso!) (Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes) « Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola)
Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).
A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.
Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.
No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.
Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos” e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito;
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição;
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos - clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.
A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”
Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.
Igor Pantuzza Wildmann
Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
O que significa ser pobre . . .
O menino passou 3 dias e 3 noites vivendo no campo.
No carro, voltando para a cidade, o pai perguntou:
Como foi sua experiência?
“Boa, responde o filho, com o olhar perdido à distância.
E o que você aprendeu? Insistiu o pai.
1 -Que nós temos um cachorro e eles têm quatro.
2 - Que nós temos uma piscina com água tratada, que chega até a metade do nosso quintal. Eles têm um rio sem fim, de água cristalina, onde tem peixinhos e outras belezas
3 - Que nós importamos lustres do Oriente para iluminar nosso jardim, enquanto eles têm as estrelas e a lua para iluminá-los.
4 - Nosso quintal chega até o muro. O deles chega até o horizonte
5 - Nós compramos nossa comida, eles cozinham.
6 - Nós ouvimos CD's ... Eles ouvem uma perpétua sinfonia de pássaros, periquitos, sapos, grilos e outros animaizinhos...
...tudo isso às vezes acompanhado pelo sonoro canto de um vizinho que trabalha sua terra.
7 - Nós usamos microondas. Tudo o que eles comem tem o glorioso sabor do fogão à lenha.
8 - Para nos protegermos vivemos rodeados por um muro, com alarmes... Eles vivem com suas portas abertas, protegidos pela amizade de seus vizinhos.
9 - Nós vivemos conectados ao celular, ao computador, à televisão.
Eles estão "conectados" à vida, ao céu, ao sol, à água, ao verde do campo, aos animais, às suas sombras, à sua família.
O pai ficou impressionado com a profundidade de seu filho e então o filho terminou:
- “Obrigado, papai, por ter me ensinado o quanto somos pobres!
Cada dia estamos mais pobres de espírito e de observação da natureza, que são as grandes obras de Deus.
Nos preocupamos em TER, TER, TER, E CADA VEZ MAIS TER, em vez de nos preocuparmos em apenas "SER".
João Caupers - Um caso sórdido ao gosto de uma informação reles !
Não se lhe conhecia qualquer actividade social, intelectual, científica, artística ou política meritória ou, sequer, relevante. Era um personagem medíocre, de cujo perfil apenas pude recolher dois traços, que alguma comunicação social considerou merecedores de referência: era homossexual e era "cronista social".
O primeiro traço deveria ser completamente irrelevante, já que emerge da liberdade de orientação sexual, que apenas a cada um diz respeito. Todavia, considerada alguma prosa que a ocasião suscitou, terá tornado a vítima mais digna de dó – vá-se lá saber porquê!
O segundo, considero-o pouco menos que desprezível: significa que a criatura “ganhava” a “vida” a escrevinhar coscuvilhices e a debitar maledicências, chafurdando nos dejectos dos socialites.
A viagem que o levou a Nova Iorque tinha um óbvio móbil “romântico”, que a comunicação social preferiu apenas insinuar, não por pudor, mas porque a insinuação vende melhor do que a afirmação: tratava-se, simplesmente, de seduzir um jovem de 21 anos.
Quanto a este, também os seus motivos parecem evidentes: “pendurou-se” no idoso para, explorando as suas “inclinações”, beneficiar dos seus supostos contactos internacionais, iniciando uma carreira no mundo da moda.
Estavam, pois, bem um para o outro.
Nada me interessam os pormenores abjectos que rodearam o assassinato. Deixo-os aos media, lambendo os beiços com a sordidez da história, muito melhor do que o criador de qualquer reality show poderia inventar.
O que não posso deixar de lastimar é a falta de vergonha da nossa comunicação social, com destaque para as televisões: há uma semana que os noticiários das 8 abrem com dez ou quinze minutos da "tragédia". Não as imagens horríveis das cheias no Brasil – que ficaram sempre para depois – mas as imagens ridículas dos correspondentes em Nova Iorque, repetindo à exaustão o detalhe dos testículos cortados e a agressão com um televisor (?) – que deve ser um crime especialmente hediondo, aos olhos de quem trabalha para uma cadeia de televisão – e entrevistando em prime time advogados de sotaque extravagante e peritos forenses, para prognosticarem a acusação que irá ser feita ao homicida, ou recebendo no aeroporto os amigos, de ar compungido, do morto.
É para isto que serve a informação televisiva, incluindo a do canal público que nós pagamos: para preencher o espaço deixado vago pelo desaparecimento do jornal O crime.
Desculpem o desabafo: a informação televisiva tem mesmo de ser esta espécie de teledifusor de lixo? Que raio se ensina nos cursos de comunicação e de jornalismo?
E desculpem o excesso de aspas: servem para eu resistir à tentação do vernáculo menos próprio, chamando às coisas os nomes que às coisas são.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
BIG BROTHER BRASIL (Luiz Fernando Veríssimo)
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós.. , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
É hora de inverter as pirâmides do poder - 5 Fev 2011
Porto, Ribeira, hoje à tarde.
Foi distribuído um texto que acabava da seguinte forma:
A revolta, que é o estado natural da humanidade em situações de injustiça, é, neste momento, mais visível e mais aguda no Magrebe. Mas para quem, também por aqui, anda farto de pagar as crises dos outros e de contribuir para que os ricos prosperem, esta parece uma boa hora para perder o medo e ajudar os tunisinos e os egípcios a fazerem história. Porque, apesar de estarmos geograficamente distantes, a nossa luta é a mesma, a nossa dor é a mesma e a nossa liberdade é a mesma. E, se tocam num, tocam em todos. Sejamos solidários, apoiando-os nas suas lutas, desmascarando os seus (e, portanto, nossos) inimigos e, acima de tudo, trazendo o combate que nos une também para aqui.
Eis o texto completo do folheto distribuído:
Lições de dignidade
No Egipto, em 1991, por alturas da guerra do Golfo, foi imposto um devastador programa do FMI. As receitas habituais de desregulamentação dos preços dos alimentos, de privatização geral e de medidas de austeridade maciças levaram ao empobrecimento da população egípcia e à desestabilização da sua economia. O Egipto era louvado como um aluno bem comportado do FMI. Na Tunísia, o papel do governo de Ben Ali foi impor os mesmos remédios económicos mortais.
Tanto Hosni Mubarak como Ben Ali permaneceram no poder, porque os seus governos obedeceram e aplicaram efectivamente os princípios de organização económica que interessa ao mundo ocidental. Para muitos cidadãos dos Estados Unidos e da Europa, descobrir que a Tunísia ou o Egipto são ditaduras foi uma enorme surpresa. Os governos nunca nos avisaram sobre eixos do mal que incluíssem estes países, os média nunca nos inundaram com relatos de violações de direitos humanos, ainda hoje relatam mortes de manifestantes como meros danos colaterais, chatos mas óbvios, e não podemos senão especular sobre como seriam as notícias se isto se passasse, por exemplo, no Irão, e tudo se manteria assim se os tunisinos e os egípcios não tivessem tomado as ruas a denunciar essa situação e todas as outras decorrentes do modelo económico imposto.
Quando decidiram fazê-lo, foi com a força de vontade de quem está, real e genuinamente, farto. Apesar de todo o dispositivo de segurança, apesar de serem feridos aos milhares e assassinados às centenas, o povo egípcio continua a alimentar as ruas com vagas sucessivas de protestos. Fazem-no por liberdade, por dignidade, por um futuro melhor, pela educação das suas crianças, pelo direito a terem um lugar sentado à mesa da qual foram excluídos pelo colonialismo.
A mesma coragem que não foi demonstrada pelas operadoras de telecomunicações que cumpriram zelosamente as instruções governamentais para suspender os seus serviços em algumas áreas do Egipto. A lembrar que, por muita liberdade e direito à palavra que professem, as empresas esquecem rapidamente os seus spots publicitários e trocam com alegria os direitos humanos pela continuação da rentabilização das suas operações. Só para quem não se recordasse de que lado cavalgam empresas como a Vodafone, que, no caso egípcio, tem dado uma ajuda de facto a Mubarak.
O Ocidente olha as coisas com preocupação. Se, por um lado, não quer que os seus fiéis fantoches sejam derrubados, por outro, não pode ser visto a socorrê-los abertamente. O apoio generalizado a Mohamed Al-Baradei é uma saída. Com a sua reputação de dissidente rival do presidente Mubarak, possivelmente terá algum apoio entre a respeitável classe média do Egipto. E a sua ideologia não é "extremista". É segura, respeitável, confiável, liberal. Os telejornais de todo o mundo começarão a apresentá-lo como a alternativa lógica, se não começaram já.
O poder ocidental sobre o Egipto, que começa, também ele, a ser desmascarado nas ruas do país, é apenas um dos pesos a considerar. As grandes multinacionais, que tanto têm prosperado no Magrebe, têm interesses convergentes e, como tal, são parte importante e fundamental do prato onde se aloja o Ocidente. Com capacidade para fazer pender a balança para outro lado estão, por exemplo, as forças não seculares que, apesar de não estarem na génese dos protestos, têm um campo fértil para se desenvolver, num Egipto de maioria islâmica, onde 85% dos crentes em Alá vê como positiva a influência do Islão na política do país.
A saída definitiva da rebelião não é clara. Da revolta, pode nascer um novo governo em que tudo mude para que tudo fique igual, uma solução em que o poder religioso se imponha ou uma revolução que signifique um ataque aos alicerces do sistema actual. A nossa esperança, no entanto, está com o povo egípcio e a capacidade que tem tido de, sob condições duríssimas, fechar a cortina à ditadura, recusar a deterioração do seu nível de vida e inventar formas de organização.
A revolta, que é o estado natural da humanidade em situações de injustiça, é, neste momento, mais visível e mais aguda no Magrebe. Mas para quem, também por aqui, anda farto de pagar as crises dos outros e de contribuir para que os ricos prosperem, esta parece uma boa hora para perder o medo e ajudar os tunisinos e os egípcios a fazerem história. Porque, apesar de estarmos geograficamente distantes, a nossa luta é a mesma, a nossa dor é a mesma e a nossa liberdade é a mesma. E, se tocam num, tocam em todos. Sejamos solidários, apoiando-os nas suas lutas, desmascarando os seus (e, portanto, nossos) inimigos e, acima de tudo, trazendo o combate que nos une também para aqui.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
O menino do restaurante - a realidade !
bem afastada do movimento, porque queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia, para comer e acertar alguns bugs de programação num sistema que estava a desenvolver, além de planear a minha viagem de férias, coisa que há tempos que não sei o que são.
Pedi um filete de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada e
um sumo de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime não é?
Abri o meu portátil e apanhei um susto com aquela voz baixinha
atrás de mim:
- Senhor, não tem umas moedinhas?
- Não tenho, menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, eu compro um.
Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mail.
Fico distraído a ver poesias, as formatações lindas, rindo com as
piadas malucas.
Ah! Essa música leva-me até Londres e às boas lembranças de tempos
áureos.
- Senhor, peça para colocar margarina e queijo.
Percebo nessa altura que o menino tinha ficado ali.
- Ok. Vou pedir, mas depois deixas-me trabalhar, estou muito
ocupado, está bem?
Chega a minha refeição e com ela o meu mal-estar. Faço o pedido do
menino, e o empregado pergunta-me se quero que mande o menino ir embora.
O peso na consciência, impedem-me de o dizer. Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição decente para ele.
Então sentou-se à minha frente e perguntou:
- Senhor o que está fazer?
- Estou a ler uns e-mail.
- O que são e-mail?
- São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet
(sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de
questionários desses):
- É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Senhor você tem Internet?
- Tenho sim, essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet ?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas
coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, sabendo com certeza que ele pouco vai entender e deixar-me-ia almoçar, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar,
apanhar, pegar... é lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Que bom isso. Gostei!
- Menino, entendeste o significado da palavra virtual?
- Sim, também vivo neste mundo virtual.
- Tens computador?! - Exclamo eu!!!
- Não, mas o meu mundo também é vivido dessa maneira...Virtual.
A minha mãe fica todo dia fora, chega muito tarde, quase não a
vejo, enquanto eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa, a minha irmã mais velha sai todo dia também, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, porque ela volta sempre com o corpo, o meu pai está na cadeia há muito tempo, mas imagino sempre a nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de natal e eu a estudar na escola para vir a ser um médico um dia.
Isto é virtual não é senhor???
Fechei o portátil, mas não fui a tempo de impedir que as lágrimas caíssem sobre o teclado.
Esperei que o menino acabasse de literalmente 'devorar' o prato
dele, paguei, e dei-lhe o troco, que me retribuiu com um dos mais belos
e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um
'Brigado senhor, você é muito simpático!'.
Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de
verdade e fazemos de conta que não percebemos!
Assunto: Ainda o Acordo Ortográfico...
Não é estar a ser xenófobo, nacionalista ou patriota, mas o que está neste
e-mail parece ser razoável e com alguma razão de ser...
*Assunto:* Ainda o Acordo Ortográfico.
São verdades o que aqui disseram. Que bem evidenciam o ridículo desta
mudança.Para além das perturbações nas pessoas e no balúrdio que se gasta em
tempo de crise.
Nos nossos sete, oito e nove anos tínhamos que fazer aqueles malditos
ditados que as professoras se orgulhavam de leccionar. A partir do terceiro
erro de cada texto, tínhamos que aquecer as mãos para as dar à palmatória. E
levávamos reguadas com erros destes: "ação", "ator", "fato" ("facto"),
"tato" ("tacto"), "fatura", " reação", etc, etc...
Com o novo acordo ortográfico, voltam a vencer-nos, pois nós é que temos que
nos adaptar a eles e não ao contrário. Ridículo...
Mas, afinal de onde vem a origem das pa da nossa Língua? Do Latim!! E desta,
derivam muitas outras línguas da Europa. Até no Inglês, a maior parte das
palavras derivam do latim.
Então, vejam alguns exemplos:
Em Latim
Em Francês
Em Espanhol
Em Inglês
Até em Alemão, reparem:
Velho Português (o que desleixámos)
O novo Português (o importado do Brasil)
Actor
Acteur
Actor
Actor
Akteur
Actor
Ator
Factor
Facteur
Factor
Factor
Faktor
Factor
bFator
Tact
Tacto
Tact
Takt
Tacto
Tato
Reactor
Réacteur
Reactor
Reactor
Reaktor
Reactor
Reator
Sector
Secteur
Sector
Sector
Sektor
Sector
Setor
Protector
Protecteur
Protector
Protector
Protektor
Protector
Protetor
Selection
Seléction
Seleccion
Selection
Selecção
Seleção
Exacte
Exacta
Exact
Exacto
Exato
Except
Excepto
Exceto
Baptismus
Baptême
Baptism
Baptismo
Batismo
Exception
Excepción
Exception
Excepção
Exceção
Optimum
Óptimo
Ótimo
Conclusão: na maior parte dos casos, as consoantes mudas das palavras destas
línguas europeias mantiveram-se tal como se escrevia originalmente.
Se a origem está na Velha Europa, porque é temos que imitar os do outro lado
do Atlântico.
Mais um crime na Cultura Portuguesa e, desta vez, provocada pelos nossos
intelectuais da Lingua de Camões.
Circulem este email até chegar aos intelectuais que fizeram
este acordo. Pode ser que eles abram os olhos.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Darrell Issa , afaste-se das corporações ! Milhões de norte-americanos contraem doenças transmitidas por alimentos todos os anos.
Lembram-se das “freedom fries” ou “batatas-fritas da liberdade”? Esse foi o nome que os deputados republicanos, na última vez em que foram maioria, deram às batatas fritas (que em inglês se chama “french fries”), logo após a França negar o apoio à invasão do Iraque. Parece que renomear batatas será a única matéria que alguns no Congresso estão dispostos a apoiar, em termos de regulamentação alimentar.
A nova maioria republicana ameaça dar início a uma enxurrada de investigações. O congressista republicano pela Califórnia Darrel Issa é o novo presidente do Comité de Controlo e Reforma do Governo. Issa vem divulgando no seu twitter informações sobre os assuntos que pretende investigar: “Lista de investigações de controlo iniciais e contínuas: as fugas da WikiLeaks, a segurança alimentar e dos medicamentos dos Estados Unidos e a eficácia das retiradas de produtos do mercado por parte da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA na sigla em inglês)...”
O momento escolhido para anunciar que controlará a segurança alimentar foi impecavelmente oportuno. Exactamente um dia antes de o presidente Obama promulgar, segundo estava previsto, a Lei de Modernização da Segurança Alimentar da FDA, um dos últimos projectos de lei aprovados pela câmara baixa antes de o Congresso iniciar o recesso no final de Dezembro. A nova lei outorga à Administração de Alimentos e Medicamentos autoridade para ordenar a retirada de produtos do mercado, entre outras faculdades orientadas a proteger os cidadãos dos EUA de doenças transmitidas pelos alimentos. Ainda que duvidem, até ao presente momento, a FDA podia recomendar a retirada de mercado, mas não ordená-la.
A nova lei não vai chegar a tempo, no entanto, para ajudar a Shirley Mae Almer, que morreu em 21 de Dezembro de 2008, após ser infectada por salmonela, que contraiu ao consumir manteiga de amendoim. Almer e pelo menos outros oito morreram devido a uma doença provocada pela manteiga de amendoim King Nut e outros produtos feitos a partir de amendoins estragados da Peanut Corporation of America. Dois anos se passaram desde a morte de Almer, e a sua família acaba de conseguir entrar com uma acção no tribunal federal. Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, como sigla do seu nome em inglês) informam que ao menos 714 pessoas contraíram a enfermidade durante esse intervalo em 46 estados. A CDC disse que milhões de pessoas contraem doenças transmitidas por alimentos todos os anos, levando 128 mil a hospitais e matando outras três mil. É mais de oito pessoas por dia.
A Associação Americana de Saúde Pública, membro da coligação pela segurança alimentar Make Our Food Safe, celebrou a nova lei que, segundo diz: “Finalmente começará a ocupar-se dos perigosos vazios que tem deixado o lamentavelmente obsoleto sistema de segurança alimentar do nosso país.” Porém não é por um projecto ter sido promulgado e transformado em lei que será financiado. Os republicanos do Congresso ainda podem impedir o financiamento (como parece que vão fazer com alguns artigos da lei de reforma do sistema de saúde aprovada no ano passado). O congressista republicano Jack Kingston, da Georgia, membro do Subcomité de Gastos da Câmara de Representantes que financia a FDA, declarou ao The Washington Post: “Ninguém quer que as pessoas adoeçam, e deveríamos esforçar-nos sempre por garantir que os alimentos sejam seguros. No entanto, isso não é motivo para um gasto 1,4 mil milhões de dólares.”
Sério? É um consolo saber que Kingston não quer que ninguém adoeça, mas isso não altera o facto de que milhões de pessoas estão sim a adoecer. Quando se trata de segurança alimentar, assim como da segurança aérea, segurança mineira, ou de qualquer indústria, as regulamentações salvam vidas.
Mas, segundo informou o jornal Politico, Darrel Issa enviou cartas para 150 associações comerciais, companhias e grupos especializados pedindo que a aconselhem sobre quais regulamentações deve investigar. Um fragmento da carta, que foi publicada pelo NBC News, diz: “Solicito a sua colaboração para identificar aquelas regulamentações existentes ou propostas que tenham trazido um impacto negativo ao crescimento da taxa de emprego dentro da actividade industrial dos seus membros. Agradeço também sugestões para a reforma das regulamentações identificadas e do processo legislativo.”
O foco de Issa é parecido com o do novo chefe do Comité de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes, o congressista Spencer Bachus, do Alabama. Bachus declarou ao jornal The Birmingham News que: “Em Washington, a opinião é que se deve regulamentar os bancos; na minha opinião, Washington e os reguladores deveriam estar a serviço dos bancos.”
Deve estar claro agora porque a Câmara de Comércio dos Estados Unidos e as corporações que a integram puseram tanto dinheiro nas eleições. Uma nova pesquisa realizada pelo grupo Union of Concerned Scientists revela que muitos cientistas e pesquisadores do governo crêem que os interesses corporativos estão a minar a segurança alimentar no país.
Darrell Issa é o deputado mais rico da Câmara de Representantes e conta com um património líquido de pelo menos 160 milhões de dólares, que ganhou com o sistema de alarmes de carros Viper, esse que diz a todo volume (com a voz do próprio Issa): “Afaste-se do carro.”
Senhor Presidente do Comité Darrel Issa, proteja os norte-americanos, afaste-se das corporações.
6 de Janeiro de 2011
Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna.
Texto em inglês traduzido por Fernanda Gepe, editado por Gabriela Díaz Cortez y Democracy Now! em espanhol.
Texto em espanhol traduzido por Rafael Cavalcanti Barreto, revisado por Bruno Lima Rocha, blog Estratégia & Análise
Sobre o autor
Amy Goodman
Co-fundadora da rádio Democracy Now, jornalista norte-americana e escritora.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Liberdade : Uma Visão (1794) Robert Burns
Onde a trepadeira perfuma o orvalhado ar
Onde o mocho se lamenta entre a hera
E conta à lua da meia-noite o seu pesar
Os ventos detiveram-se , o ar parou ,
As estrelas cruzavam o céu ,
A raposa no alto do monte uivou
E o eco de vales distantes respondeu .
O riacho , no seu caminho brumoso
Corria ao longo do muro em ruínas
Com pressa de se unir ao Nith impetuoso
Cujo marulhar , em ondas crescia e diminuía .
Do frio e azul North centelhas jorravam
Em fantástico estridor sibilado :
Pela paisagem saltavam , mudavam
Dons da Sorte , perdidos logo que achados .
Por sorte os olhos levantei ao céu ,
E tremi ao ver sob a lua brilhando
O espectro austero e firme que se ergueu
O fato dos menestréis envergando .
Uma estátua de pedra fora eu
E o seu olhar feroz me intimidaria
E , gravado , claro , no seu chapéu :
O sagrado moto - Liberdade !
A Liberdade anda por aí , num sítio qualquer , cintilando , quase visível , mas fora do alcance da nossa mão . No poema de Burns , a Liberdade é representada como uma presença espectral , apenas iluminada pelo luar , surgindo como um ideal a essa hora feiticeira que é a meia-noite , quando o "mundo real" diurno já recuou . As estrelas constituem um mistério tentador . E o que é melhor é que são de graça , não custa nada olhar para elas e podem ser vistas por toda a gente , em qualquer lugar . . .
Sob as estrelas sentimo-nos pequenos , mas , paradoxalmente , sentimo-nos mais nós próprios . Somos quem somos .
Em horas mais lúcidas , há uma consciência , um pensamento que surge , independente , que se destaca de tudo o resto , calmo , como as estrelas , com um brilho eterno . É o pensamento da identidade - a sua , para quem quer que você seja , tal como a minha para mim . Milagre dos milagres , para além do dizível , mais espiritual e vago dos sonhos terrenos , e no entanto o facto básico mais sólido e única entrada para todos os factos . Em horas assim devocionais , por entre as significativas maravilhas do céu e da terra (significativa apenas por causa do EU que está no seu centro) , credos , convenções , desfazem-se e perdem qualquer relevância face a esta ideia simples . Sob a luminosidade da visão real , só ela toma posse , assume valor . Tal como o sombrio anão da fábula , uma vez liberta a vista , expande-se por toda a terra e estende-se até à cúpula do céu .
Paisagens Democráticas , 1871
Conselho aos Jovens de Portugal…
Atravessa a fronteira do teu País
E parte destemido
Na procura de um futuro com Futuro
Porque no teu País
A Educação é como uma licenciatura
Tirada sem mérito e sem trabalho
Arquitectada por amigos docentes
E abençoada numa manhã dominical
Porque no teu País
É mais importante a estatística dos números
Que a competência científica dos alunos
O que interessa é encher as universidades
Nem que seja de burros
Porque no teu País
A corrupção faz parte do jogo
Onde os jogadores e os árbitros
São carne do mesmo osso
E partilham o mesmo tempero
Porque no teu País
A justiça é ela própria uma injustiça
Porque serve quem é rico e influente
Com leis democraticamente pobres
Porque no teu País
As prisões não são para os ladrões ricos
Porque os ricos não são ladrões
Já que um desvio é diferente de um roubo
Porque no teu País
A Saúde é uma doença crónica
Onde, quem pouco tem
É sempre colocado na coluna da despesa
Porque no teu País
Se paga a quem nada faz
E se taxa a quem pouco aufere
Porque no teu País
A incompetência política
é definida como coragem patriótica
Porque no teu País
Um submarino é mais importante que tu
E o mar apenas serve para tomar banho
E pescar sardinhas
Porque no teu País
Um autarca condenado à prisão pela justiça
Pode continuar em funções em liberdade
Passeando e assobiando de mãos nos bolsos
Porque no teu País
Os manuais escolares são pagos
Enquanto a frota automóvel dos políticos
É topo de gama
Porque no teu País
Há reformas de duzentos euros
E acumulação de reformas de milhares deles
Porque no teu País
A universidade pública deixou cair a exigência
E as licenciaturas na privada
Tiram-se ao ritmo das chorudas mensalidades
Porque no teu País
Os governantes, na sua esmagadora maioria
Apenas possuem experiência partidária
Que os conduz pelas veredas do “sim ao chefe”
Porque no teu País
O que é falso, dito como verdade,
Sob Palavra de Honra !
São votos ganhos numa eleição
Porque no teu País
As falências são uma normalidade
O desemprego é galopante
A criminalidade assusta
O limiar da pobreza é gritante
E a venda de Porsches … aumenta
Porque no teu País
Há esquadras da polícia em tal estado
Que os agentes se servem da casa de banho
Dos cafés mais próximos
Porque no teu País
Se oferecem computadores nas escolas
Apenas para compor as estatísticas
Do saber “faz de conta” em banda larga
Porque no teu País
Se os teus pais não forem ricos
Por mais que faças e labutes
Pouco vales sem um cartão partidário
Porque no teu País
Os governantes não taxam os bancos
Porque, quando saírem do governo
Serão eles que os empregam
Porque no teu País
És apenas mais um número
Onde o Primeiro-Ministro se chama Alice
Que vive no País das Maravilhas
Mesmo ao lado do teu.
Foge !
E não olhes para trás !
Desconheço o autor .
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Cansei de vez ! Que se danem todos !
Os "legítima e democraticamente eleitos" é que ainda não pensaram (ou será que pensaram ?) , em penalizar monetariamente , os cidadãos que , tal como eu (e não são poucos !) , se recusam a fazer parte desta carneirada , e . . . coelhada(*) , que , ao irem votar , estão a legitimar todas as actividades (e que actividades ! ! !) dos eleitos !
Preferirei sempre , pagar uma multa (se puder . . . se tiver dinheiro que me estorve , o que irá acontecer . . . nunca ! ! !) . Eu penso que , se todos ficássemos em casa e "não fôssemos lá" , dar-lhes toda a legitimidade , para nos f(.)d(.)r , eles acabariam por meter o rabinho entre as pernas , iriam para outras paragens , e , talvez assim , o povo tomasse consciência , de todo o poder que tem !
Não contem comigo , para continuar a branquear e legitimar este "fartar vilanagem" que se passa em Portugal , há mais de 30 anos , com este "sistema político" a que , alguns "projectos de gente" (que se julgam . . . iluminados !) , teimam em chamar . . . "democracia" !
É caso para dizer : eu sou louco . . . não sou estúpido !
É por isso que , depois de amanhã , dia 23 / jan / 2011 , dia de eleições presidenciais , eu não "arredarei pé" daqui , do meu cantinho ! Foi a maneira mais pacífica que eu consegui , para manifestar todo o meu repúdio e desprezo , por este sistema político , por todos os que se alimentam dele , e . . . por quem o alimenta ! ! !
A minha cruzada , neste momento , é contra esta "gentalha" , que não dignifica , ou mesmo respeita , pessoas , animais , e . . . nem sequer , a própria natureza , ou o ar que respira !
Cansei de vez ! Que se danem todos !
(*) Claro que "carneirada e coelhada" , é uma força de expressão , com a qual , eu não quero de modo algum , menorizar todos aqueles que decidem ir votar ! Até porque tenho o maior respeito , por todos esses animais que dão pelo nome de carneiros , coelhos e . . . outros que tais !
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Náuseas até ao vómito !
A forma como a comunicação social tem tratado o homicídio de um mero cronista social tem sido, no mínimo abusiva: são jornalistas, psiquiatras de renome, astrólogos, parapsicólogos e uma verdadeira procissão de personagens de um jet set rasca e, no meio, usa-se e abusa-se das imagens onde se vê o cronista a entregar um ramo de flores a Maria Barroso, imagens que já vi serem repetidas quase uma dúzia de vezes.
A forma trágica como terminou aquilo que o cronista descreveu aos amigos que iria ser uma lua de mel é apresentada por astrólogas, parapsicólogos e outros especialistas deste ramo como uma bela história de amor, um misto de um episódio da série "Morangos com Açúcar" e do clássico "Romeu e Julieta". Chegámos ao ridículo de ver astrólogas e parapsicólogos a tentarem demonstrar a culpa do jovem homicida, exibindo e-mails e insinuando que este teria conquistado com palavras o distraído apaixonado, dando a entender que, como noutros tempos, o enganou.
E anda este país com problemas gravíssimos distraído com um episódio sórdido da lumpen-burguesia deste nosso jet set miserável, como uma pequena seita de gente que se auto-elege como bonita, que vive de pequenos luxos obtidos à custa de papalvos, um meio onde se promovem personagens patéticas e decadentes a grandes figuras nacionais, onde autarcas financiam discotecas de astrólogas ou ajeitam as contas de idiotas, convidando-os para reis do Carnaval.
Todo este espectáculo mórbido que só serviu para os portugueses saberem um pouco mais sobre como se fazem e desfazem as paixões conseguidas com trocas de favores, começa a provocar-me náuseas. Já me custa assistir a um telejornal ou abrir as páginas dos jornais, enoja-me que estes jornalistas me queiram fazer pensar que os grandes problemas do país são como acabam as paixões dos nossos socialites, os sítios que querem poluir com as suas cinzas, ou os sms que trocaram para os seus engates.
Lá que insistam em dizer que crónica social é saber com quem namora uma qualquer Lili decrépita e decadente é uma coisa, agora "insinuar" que a sociedade portuguesa é o pequeno mundo dessa pobre gente é outra coisa. O país tem muito mais com que se preocupar do que com os engates de modelos, com as trocas de sms, com paixões à primeira vista entre jornalistas de 65 anos e modelos de 20. Chega!!! Começo a sentir vómitos...
in O Jumento
Obs.: Foram devidamente corrigidos os vários erros de concordâncias e outros, dados, por certo, num texto escrito de jacto, sob uma tensão nauseada. Mas vale a pena continuar a fazer circular tão veemente reacção!
«Ser alentejano não é um dote, é um dom.»
o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que, à
semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar.
O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da
planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do
monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a
resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do
guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote,
é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.
Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem.
Guimarães é o berço da Nacionalidade; Évora é o berço do Império
Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em
Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras,
um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo,
um homem consegue ver ao longe.
Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino, depois de dobrar
o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia, para D. João II
perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o
peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que, para o homem
comum, fica muito longe, para um alentejano, fica já ali. Para um
alentejano, não há longe, nem distância, porque só um alentejano percebe
intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida
de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.
Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada
decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar… E, quando
regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama
respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da
esquina.
Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio
onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se
a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema
de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos
Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que
começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito.
Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.
D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário,
não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem
que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos
combatentes. É certo que o rei de Castela contava com um poderoso
exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis
tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se
estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o
tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção
numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os
alentejanos estão do nosso lado?»
Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para
as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente
dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a
mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve de fazer os
alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama
e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão
quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que
ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr,
não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher.
Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm.
Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia,
precisamente o dia que Deus tirou para descansar.
E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana
e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos
portugueses, os franceses dos argelinos… só os alentejanos contam e
inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso, ao mesmo
tempo que servem de espelho a quem as ouve.
Mas, para que uma pessoa se ria de si própria, não basta ser ridícula,
porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor.
Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama.
Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido
de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca
e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem
tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser
objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas,
enquanto a alarvice diminui-as. Se Hitler e Estaline se rissem de si
próprios, nunca teriam sido as bestas que foram.
E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas,
incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de
observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis.
Não resisto a contar a minha anedota preferida. Num dia em que chovia
muito, o revisor do comboio entrou numa carruagem onde só havia um
passageiro. Por sinal, um alentejano que estava todo molhado, em virtude
de estar sentado num lugar junto a uma janela aberta. «Ó amigo, por que
é que não fecha a janela?», perguntou-lhe o revisor. «Isso queria eu,
mas a janela está estragada.», respondeu o alentejano. «Então por que é
que não troca de lugar?» «Eu trocar, trocava… mas com quem?»
Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim.
O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é
castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer
alentejano anseia. E o pão… Mas há melhor iguaria do que o pão
alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo,
refeição e sobremesa. E é o único pão do mundo que não tem pressa de
ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou no fim da
semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o
mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!
É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente
de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou
graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção poderia um homem
almejar?
Saudações fraternas e inoxidáveis,
JCS
domingo, 16 de janeiro de 2011
UMA TRAGÉDIA NUM PARAÍSO
Tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro
J. Jorge Peralta
1. O Brasil possui verdadeiros paraísos, onde vivem e convivem pessoas “privilegiadas” de diversos níveis sociais e sócio-culturais. Um dos destaques é a região serrana do Rio de Janeiro, onde se situa o emblemático pico do Dedo de Deus. Um dos ex-libris do Brasil.
Petrópolis foi um refúgio da Família Imperial do Brasil e de muita gente de destaque nas artes, nas ciências e na política. A Família de Tom Jobim, grande compositor aí tem um sítio que sofreu com a tragédia. É apenas uma pequena amostra.
2. Alegra-nos dar boas notícias, mas dói ver o sofrimento dos irmãos, vítimas de tragédias.
Agora está sendo a vez do Brasil, com destaque para a belíssima região serrana do Estado do Rio de janeiro. Uma calamidade. Chuva torrencial, na madrugada do dia 12, trouxe destruição, tragédias e mortes. A tromba de água foi implacável. Deixou poucas alternativas de escapar, por onde passou.
Três cidades, Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis foram as regiões mais atingidas. Três regiões serranas de grande beleza, que abriga gente simples e casas e hotéis de alto luxo.
A tragédia não destruiu as cidades, mas fez grandes estragos.
A tragédia a todos tratou por igual, no sofrimento, na morte e na destruição. Deixou destroços, lama e dor.
II
Lição da Tragédia
3. Todos se igualaram na hora de prestar socorro às vítimas. A solidariedade desabrochou do sofrimento. Ainda bem.
Quem podia punha os pés na lama da rua, agora mar de lama, ou para atravessar o córrego, transformado em rio de lama, para socorrer alguém ilhado e em risco, do outro lado.
Gente pobre e gente rica, moradora de mansões serranas, a quem a enxurrada danificou as casas por igual, ilhados na serra, sem possibilidade de comunicação, devido à destruição das estradas, pediam água e comida: foram iguais na sorte e no desespero.
A morte e o sofrimento ronda, ainda, aquela região privilegiada pelas belezas naturais. Já se contam mais de 550 mortos. Há perdas irrecuperáveis de familiares. Uma tristeza que não se cura facilmente... Mas ainda há notícias de muita gente soterrada nas próprias residências que ruíram, levadas pela inesperada avalanche de água e lama.
Residências, empresas, hotéis... Nada foi poupado, por onde as águas torrenciais desceram.
Famílias inteiras morreram ou ficaram desfalcadas...
4. Mas a fé no futuro ainda se revelou pela voz de um menino de dez anos que, vendo o pai desesperado porque a água lhe levara a casa e tudo, o consolou:
“Pai, não fique triste, nós vamos começar tudo de novo...”
Sim, as pessoas não podem desistir. Ao menos lhes sobrou a vida.
Os sobreviventes, que são muitos milhares de pessoas, estão ou em casa de amigos, ou em abrigos de emergência. São muitos os feridos e mais de 12.000 desabrigados.
Um bebê foi resgatado nos escombros, onde ficou soterrado por mais de 12 horas. O pai o manteve protegido pelo próprio corpo. O pai também sobreviveu.
III
Monumento ao Herói Anônimo
5. Com meus botões fiquei pensando: heróis anônimos se revelam nessas horas. Heróis que a estatística humana nem registrará.
Fiquei pensando naquele marido que se lastimava pela sua mulher, que tudo fizera para lhe salvar a vida, e que não a pode salvar. Tendo as pernas quebradas não pode socorrê-la quando dele precisou. E a perdeu na lama...
Todo machucado, ele se salvou... Mas ela se foi...
Quantas mães e quantos pais morreram, tentando e se arriscando para salvar os filhos? Quanto maridos morreram tentando salvar as esposas? Quantas esposas morreram, tentando, num último esforço, salvar os maridos? Quantos irmãos morreram tentando salvar os irmãos? Quantos amigos morreram, tentando o último e derradeiro esforço para salvar os amigos?...
São heroísmos de verdade, que jamais alguém contará; heróis que a tragédia selou, mas a morte silenciou. Heróis anônimos, mas heróis de verdade. Não certos heróis, farsantes, fabricados que os políticos nos querem impingir.
Em algum lugar da Região atingida deveria, ser erigido um Monumento ao Herói Anônimo, através de uma alegoria em pedra granito. Será símbolo do caráter heróico do nosso povo... Perpetuará um paradigma.
IV
Há Responsáveis pela Tragédia
6. Diante da fúria da natureza cessa toda a arrogância e toda a ganância. Nessas horas trágicas, é fácil culpar a natureza ou culpar os imprudentes, como se não fosse próprio do ser humano ousar, arriscar sempre, em busca de melhores condições de vida, para si e para os seus. Faltou a formação de caráter. Faltou consciência cidadã.
As ousadias irresponsáveis de poucos, às vezes ceifam a vida dos próprios e de muitos inocentes.
Cabe as autoridades estabelecer limites de risco, e fiscalizar... As autoridades são pagas para garantir, na medida do possível os limites que previnem a tragédia.
No entanto, as políticas venais sedem aos seus correligionários, em troca do benefício eleitoral ou econômico. Esquecem que a natureza é drástica e implacável.
Há questões previsíveis e questões imprevisíveis. As inundações da Austrália, hoje com imensas áreas alagadas, é questão imprevisível, vinculada que está a “distúrbios” globais, ao que parece.
7. O esbarrancamento da região serrana do Rio de Janeiro , são previsíveis a longo prazo. São fenômenos que se sabe que podem ocorrer, só não se sabe nunca quando, ou se ocorrerão algum dia.
Casas em encostas da Serra do Mar são sempre expostas a risco, devido à pequena camada de solo.
A fúria das águas é aterrorizadora, e não pede licença. Cabe aos humanos agir com a razão e não só com a emoção.
8. A tragédia, enfim, chegou com força incontrolável em Teresópolis, em Friburgo e em Petrópolis. Onde passou deixou marcas de perdas de vidas, de patrimônio e muita dor.
Prejudicou uma pequena parte daquela região belíssima. Assim mesmo os prejuízos “contaminaram” toda a região. Os quase 200 hotéis e outras Instituições foram atingidos psicologicamente. Grandes investimentos feitos, previamente, para receber as pessoas, tudo correu, “ralo” abaixo, com a tragédia que os atingiu, quer bloqueando as estradas de acesso, quer desarticulando as pessoas psicologicamente, pelo que ocorreu em outros pontos da região. As reservas de férias foram canceladas e as de carnaval correm alto risco
O Brasil “perdeu”, temporariamente, um espaço nobre de descanso e de entretenimento.
V
Lições da Tragédia
9. Teremos de presenciar, estarrecidos, muitas outras tragédias humanas se não aprendermos a lição dos fatos.
Não é possível as pessoas, sob o silêncio e o fechar dos olhos das autoridades, continuarem a desmatar as encostas dos morros e das serras.
Não se admite que continue a se permitir construções em áreas de risco, a ricos ou a pobres. Quando o morro esbarranca, descem casas, pessoas, animais pela encosta passando por cima de quem mora mais abaixo, às vezes em condições regulares. Assim as vítimas descuidadas matam as vítimas inocentes.
Os mortos não falam. Os erros de alguns e o sofrimento de muitos são soterrados, juntos na avalanche destruidora.
Nem sempre funciona esta equação, pois a tragédia nem sempre é tão lógica.
No entanto, o que pode ser prevenido, que seja...
10. A grande lei auto-sustentável é o respeito às leis da natureza, que a arrogância ou a ganância de alguns, simplesmente desconhece.
Precisamos aprender que há valores muito mais fortes e necessários do que lucro; e que lucro, com prejuízo da natureza, é sempre lucro de alto, risco, que não compensa.
Áreas de risco desmatadas devem imediatamente ser recuperadas, com replantio de árvores. As construções em áreas de risco devem ser transferidas para lugares seguros.
11. Mas esta não é uma lição da tragédia a ser aprendida apenas pela área atingida, na Serra Fluminense. Todo o Brasil e todo o mundo precisa aprender com os erros alheios, antes que a tragédia passe, avassaladora, à sua porta.
A solidariedade lusófona não se mede apenas com apoio moral e/ou econômico. Devemos trocar experiência s para evitar desastres idênticos e evitar sofrimento e dor que poderiam ser evitados se soubéssemos aprender também com os erros dos outros. Vamos exigir a aplicação de políticas urbanas de segurança para todos, também contra as intempéries.
Na prosperidade, como na calamidade, os povos lusófonos devem ser sempre solidários, para buscar sempre o bem-estar de todo o nosso povo.
Postado por Tribuna Lusófona às 11:31
Stephen Hawking usa óculos de raios infra-vermelhos para se comunicar Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
O físico Stephen Hawking, do Reino Unido, deixará de usar o computador operado manualmente através de seus dedos, e instalado em sua cadeira de rodas. Para se comunicar ele passará a usar agora um par de óculos que emite raios infra-vermelhos.
Stephen William Hawking, 63 anos, é considerado um dos mais importantes físicos teóricos do mundo, apesar de sua doença degenerativa, ainda sem cura, com que convive há mais de 30 anos. Ele é autor do livro "Uma breve história do tempo".
Hawking usava um teclado acoplado a um computador para controlar um sintetizador de voz através do qual podia falar. Devido ao avanço da doença, seus dedos perderam a habilidade de digitar e a comunicação através do teclado de computador começou a tornar-se ineficiente.
O novo dispositivo utiliza raios infra-vermelhos e está acoplado na armação de um par de óculos. Através da movimentação dos músculos da face, Hawking pode desviar a direção dos raios e assim controlar quais letras aparecerão na tela de um computador. O ajudante de Hawking, David Pond, disse ao jornal Daily Mail que o físico gostou da novidade e que com ela consegue escrever mais rápido do que fazia antes.
Stephen Hawking sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Quando esteve em Genebra, em 1985, teve uma severa pneumonia. Médicos aconselharam a desligar a máquina que o mantinha vivo, mas sua esposa na época não acatou a sugestão. Ele foi depois removido para o Reino Unido e submetido a uma traqueotomia. O cientista se recuperou, mas perdeu a voz.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
A RODA DA MISERICÓRDIA
OU ALFORRIA DOS INOCENTES
Uma Alternativa ao Aborto
J. Jorge Peralta
1. Foi divulgado na grande imprensa nacional, no Brasil, um acontecimento que faz pensar a quem tem responsabilidade social: uma jovem escondeu sua gravidez indesejada da família. Após dar à luz o seu filho, descartou-o jogando-o, embrulhado, em um terreno baldio, do outro lado de um muro, de quatro metros de altura, vizinho ao seu quintal. Pelo choro, alguém descobriu a criança e encaminhou-a às autoridades. Descoberta, a mãe tem contas a pagar à justiça. Este é um fato, triste e trágico, entre muitos milhares diários.
2. Até o ano de 1950 no Brasil, existia uma multissecular e benemérita instituição, denominada Roda da Misericórdia, também chamada Roda dos Enjeitados ou Roda dos Expostos
A Roda sempre esteve disponível nos Conventos Femininos e nos Hospitais – Santas Casas de Misericórdia. Na Roda da Misericórdia, as famílias depositavam doações anônimas de gêneros alimentícios, para a manutenção das religiosas.
Na mesma Roda da Misericórdia, as mulheres que engravidavam em condições não aprovadas socialmente, depositavam secretamente seus filhos não desejados, para lhes garantir um nome e cidadania, de alguém que viesse a adotá-los. “Proibidas” socialmente de mantê-los, as mães preservavam suas vidas, com a compreensão da própria sociedade, que lhes dava uma alternativa digna.
3. No nosso tempo destrambelado, hipócrita e desumano a instituição da Roda foi abolida.
As mulheres que, por algum descuido, engravidarem têm uma única saída criminosa: abortar, ou, depois que a criança nascer, descartá-la, como se fosse algo inanimado...
Para resolver o impasse, a nossa sociedade, hipócrita e sádica, propõe-se a legalizar o aborto. A mãe, sem cometer crime legal, pode matar o feto, para não ser incomodada...
4. Diante destas duas soluções antagônicas: A Roda da Vida ou o aborto: a Matança dos Inocentes, por longo tempo penso em uma saída humana para esta tragédia.
Depois de muito pensar, veio-me uma terceira saída, como opção digna: que a sociedade restaure a Roda da Misericórdia, em novas dimensões:
A toda a mulher, que venha a ter um filho “indesejado” e que não puder pagar médico para a assistir ou hospital para dar à luz, serão concedidos todos os direitos, em caráter de irrestrita privacidade, tais como: assistência médica gratuita, exames e orientação, pré-natal, parto assistido e acompanhamento pós-parto.
Esta solução poderia ter o nome de “Proteção dos Inocentes” ou “Roda da Vida”.
5. Deve ficará estabelecido em lei que o Estado assumirá a responsabilidade de cuidar dessas crianças, inclusive procurando uma família que a adote e cuide de sua saúde, educação e bem-estar.
O Estado deve acompanhar a vida dessa criança e o tratamento que a família adotiva lhe proporciona, até os 14 anos de idade, no mínimo.
O Estado deverá providenciar o surgimento e o apoio a instituições particulares, do tipo “Aldeias SOS”, financiadas e cuidadas por empresários, para possibilitar uma real socialização a essas crianças. Já existem outras instituições deste gênero.
PROJETO DE LEI
6. Proponho que algum Deputado Federal ou Estadual proponha um projeto lei deste molde.
Este projeto, de alta densidade humana, deveria estar preparado para atender algumas centenas de mulheres/jovens por mês.
7. O Projeto de Lei “Proteção dos Inocentes”, também deveria estimular a organização de casas especializadas por instituições particulares ou públicas, de preferência sem fins lucrativos, para atender condignamente essas mulheres, e cuidar de suas crianças.
As crianças não adotadas estariam à disposição das mães que poderiam retomá-las logo que pudessem cuidar delas.
Um projeto desta natureza, diminuiria em muito o número das crianças e malfeitores que têm a rua como escola do crime e da violência urbana.
Em contrapartida, dando às crianças uma educação de caráter adequada e um lar com dignidade, em cada criança teríamos mais um jovem ou adulto capaz de contribuir para o bem estar social e de ganhar o próprio pão com o suor do seu rosto, como fazem as pessoas dignas.
Leitor: Leve este esboço de sugestão para um deputado ou vereador seu amigo.
Você estará ajudando a criar uma sociedade mais justa.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Basta
Como cidadão português, tributário, atesto pela minha honra e pela honra dos meus filhos, ainda com sangue Galaico, dos meus avós e dos meus pais, acusar literalmente, o Senhor Aníbal e o Presidente da República pela teimosia do seu cego desaforo permanente.
Senhor candidato, quinze anos!... Que mais deseja a sua sequiosa natureza? Será que ainda não ganhou o suficiente para o pão? Comprar os medicamentos para a saúde e pagar a renda da casa?
Consta-se que teve um óptimo quinhão dos papéis da “SLN/BPN”?!... Calculo que tivesse dado uns trocos!?...
Porque não se dá por saciado? Porque não dá o lugar a outro? É óbvio, se me perguntarem a quem? Não faço a menor ideia! Efectivamente, não é este o meu paradigma de sociedade. Todavia, “Quem muda Deus o ajuda.” Não é o caso, infelizmente, o demónio assentou patrão.
Não lhe tomo os ares pelos erros e pelos defeitos, porque, águas passadas não esmaga moinho… mas é um facto, ainda existe dirigentes nesta República, herdeiros de práticas déspotas, inteligentes doutores, espertos porta-machados, que continuam a enxergar fugas à responsabilidade! Diz a história, que não é de estranhar, são vícios longinquamente frequentados! A minha admiração é o jeito como o candidato se relaciona com eles: são os quadriláteros, os perpendiculares e horizontais … são os obtusos, os triangulares, os quadrados e os losangos, são os conhecidos, amigos e os demais, religiosamente beatificados… são os “ Freeport”, que minguem é de minguem! O crime, “SLN/BPN e os 5 mil milhões de aflições, que os portugueses fatais têm de pagar”! São os “submarinos”, os carros blindados para combater a consciência da indignação! É a “face oculta”, as “escutas”, a promiscuidade do insucesso “Casa Pia” e a sua facciosa impunidade…
O silêncio é a alma do negócio. Tem fineza, a sua angélica e inconsequente candidatura.
Na parábola da sua última ceia, com Alegre, afirmou; “que é preciso respeitar aqueles que são nossos amigos, que nos emprestam o dinheiro! É preciso trata-los bem, beijar-lhes as mãos! É preciso ajudar os pobrezinhos e as pobrezinhas! É preciso apoiar as criancinhas com falta de pão, coitadinhas! É preciso amparar os idosos com reformas de fome! É preciso dar uma palavra de resignação aos desempregados, que são um milhão num lagar! - “Façam como eu; dou a mão às pessoas, falo com elas onde quer que elas estejam, nos cafés, nas ruas, nos centros de piedade, dou a mão a quem mais precisa”…
Viva os inocentes, viva os humildes, viva a caridadezinha, que são eles o reino de Deus.
Um homem que domina os mais fracos com promessas que não pode, não é um homem, mas sim uma metafórica - alegoria, a atarantar a realidade racional do pensamento de consciência.
Augusto Canetas