sábado, 29 de janeiro de 2011

Darrell Issa , afaste-se das corporações ! Milhões de norte-americanos contraem doenças transmitidas por alimentos todos os anos.

OPINIAO | 29 JANEIRO, 2011 - 01:00 | POR AMY GOODMAN

Lembram-se das “freedom fries” ou “batatas-fritas da liberdade”? Esse foi o nome que os deputados republicanos, na última vez em que foram maioria, deram às batatas fritas (que em inglês se chama “french fries”), logo após a França negar o apoio à invasão do Iraque. Parece que renomear batatas será a única matéria que alguns no Congresso estão dispostos a apoiar, em termos de regulamentação alimentar.

A nova maioria republicana ameaça dar início a uma enxurrada de investigações. O congressista republicano pela Califórnia Darrel Issa é o novo presidente do Comité de Controlo e Reforma do Governo. Issa vem divulgando no seu twitter informações sobre os assuntos que pretende investigar: “Lista de investigações de controlo iniciais e contínuas: as fugas da WikiLeaks, a segurança alimentar e dos medicamentos dos Estados Unidos e a eficácia das retiradas de produtos do mercado por parte da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA na sigla em inglês)...”

O momento escolhido para anunciar que controlará a segurança alimentar foi impecavelmente oportuno. Exactamente um dia antes de o presidente Obama promulgar, segundo estava previsto, a Lei de Modernização da Segurança Alimentar da FDA, um dos últimos projectos de lei aprovados pela câmara baixa antes de o Congresso iniciar o recesso no final de Dezembro. A nova lei outorga à Administração de Alimentos e Medicamentos autoridade para ordenar a retirada de produtos do mercado, entre outras faculdades orientadas a proteger os cidadãos dos EUA de doenças transmitidas pelos alimentos. Ainda que duvidem, até ao presente momento, a FDA podia recomendar a retirada de mercado, mas não ordená-la.

A nova lei não vai chegar a tempo, no entanto, para ajudar a Shirley Mae Almer, que morreu em 21 de Dezembro de 2008, após ser infectada por salmonela, que contraiu ao consumir manteiga de amendoim. Almer e pelo menos outros oito morreram devido a uma doença provocada pela manteiga de amendoim King Nut e outros produtos feitos a partir de amendoins estragados da Peanut Corporation of America. Dois anos se passaram desde a morte de Almer, e a sua família acaba de conseguir entrar com uma acção no tribunal federal. Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, como sigla do seu nome em inglês) informam que ao menos 714 pessoas contraíram a enfermidade durante esse intervalo em 46 estados. A CDC disse que milhões de pessoas contraem doenças transmitidas por alimentos todos os anos, levando 128 mil a hospitais e matando outras três mil. É mais de oito pessoas por dia.

A Associação Americana de Saúde Pública, membro da coligação pela segurança alimentar Make Our Food Safe, celebrou a nova lei que, segundo diz: “Finalmente começará a ocupar-se dos perigosos vazios que tem deixado o lamentavelmente obsoleto sistema de segurança alimentar do nosso país.” Porém não é por um projecto ter sido promulgado e transformado em lei que será financiado. Os republicanos do Congresso ainda podem impedir o financiamento (como parece que vão fazer com alguns artigos da lei de reforma do sistema de saúde aprovada no ano passado). O congressista republicano Jack Kingston, da Georgia, membro do Subcomité de Gastos da Câmara de Representantes que financia a FDA, declarou ao The Washington Post: “Ninguém quer que as pessoas adoeçam, e deveríamos esforçar-nos sempre por garantir que os alimentos sejam seguros. No entanto, isso não é motivo para um gasto 1,4 mil milhões de dólares.”

Sério? É um consolo saber que Kingston não quer que ninguém adoeça, mas isso não altera o facto de que milhões de pessoas estão sim a adoecer. Quando se trata de segurança alimentar, assim como da segurança aérea, segurança mineira, ou de qualquer indústria, as regulamentações salvam vidas.

Mas, segundo informou o jornal Politico, Darrel Issa enviou cartas para 150 associações comerciais, companhias e grupos especializados pedindo que a aconselhem sobre quais regulamentações deve investigar. Um fragmento da carta, que foi publicada pelo NBC News, diz: “Solicito a sua colaboração para identificar aquelas regulamentações existentes ou propostas que tenham trazido um impacto negativo ao crescimento da taxa de emprego dentro da actividade industrial dos seus membros. Agradeço também sugestões para a reforma das regulamentações identificadas e do processo legislativo.”

O foco de Issa é parecido com o do novo chefe do Comité de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes, o congressista Spencer Bachus, do Alabama. Bachus declarou ao jornal The Birmingham News que: “Em Washington, a opinião é que se deve regulamentar os bancos; na minha opinião, Washington e os reguladores deveriam estar a serviço dos bancos.”

Deve estar claro agora porque a Câmara de Comércio dos Estados Unidos e as corporações que a integram puseram tanto dinheiro nas eleições. Uma nova pesquisa realizada pelo grupo Union of Concerned Scientists revela que muitos cientistas e pesquisadores do governo crêem que os interesses corporativos estão a minar a segurança alimentar no país.

Darrell Issa é o deputado mais rico da Câmara de Representantes e conta com um património líquido de pelo menos 160 milhões de dólares, que ganhou com o sistema de alarmes de carros Viper, esse que diz a todo volume (com a voz do próprio Issa): “Afaste-se do carro.”

Senhor Presidente do Comité Darrel Issa, proteja os norte-americanos, afaste-se das corporações.

6 de Janeiro de 2011

Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna.

Texto em inglês traduzido por Fernanda Gepe, editado por Gabriela Díaz Cortez y Democracy Now! em espanhol.

Texto em espanhol traduzido por Rafael Cavalcanti Barreto, revisado por Bruno Lima Rocha, blog Estratégia & Análise

Sobre o autor


Amy Goodman
Co-fundadora da rádio Democracy Now, jornalista norte-americana e escritora.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Liberdade : Uma Visão (1794) Robert Burns

Perto daquela torre descoberta
Onde a trepadeira perfuma o orvalhado ar
Onde o mocho se lamenta entre a hera
E conta à lua da meia-noite o seu pesar

Os ventos detiveram-se , o ar parou ,
As estrelas cruzavam o céu ,
A raposa no alto do monte uivou
E o eco de vales distantes respondeu .

O riacho , no seu caminho brumoso
Corria ao longo do muro em ruínas
Com pressa de se unir ao Nith impetuoso
Cujo marulhar , em ondas crescia e diminuía .

Do frio e azul North centelhas jorravam
Em fantástico estridor sibilado :
Pela paisagem saltavam , mudavam
Dons da Sorte , perdidos logo que achados .

Por sorte os olhos levantei ao céu ,
E tremi ao ver sob a lua brilhando
O espectro austero e firme que se ergueu
O fato dos menestréis envergando .

Uma estátua de pedra fora eu
E o seu olhar feroz me intimidaria
E , gravado , claro , no seu chapéu :
O sagrado moto - Liberdade !

A Liberdade anda por aí , num sítio qualquer , cintilando , quase visível , mas fora do alcance da nossa mão . No poema de Burns , a Liberdade é representada como uma presença espectral , apenas iluminada pelo luar , surgindo como um ideal a essa hora feiticeira que é a meia-noite , quando o "mundo real" diurno já recuou . As estrelas constituem um mistério tentador . E o que é melhor é que são de graça , não custa nada olhar para elas e podem ser vistas por toda a gente , em qualquer lugar . . .

Sob as estrelas sentimo-nos pequenos , mas , paradoxalmente , sentimo-nos mais nós próprios . Somos quem somos .

A contemplação dos céus , leva-nos para lá da fala e da linguagem , para outras paragens , para um sítio mágico , no sentido em que é misterioso , impenetrável e pleno de maravilha , e inspirar esta visão pode provocar-nos um arrepio de prazer , que tenho a maior dificuldade em descrever . Por isso , vou ceder o lugar a esse americano de uma sabedoria infinita , o grande poeta ocioso Walt Whitman :

Em horas mais lúcidas , há uma consciência , um pensamento que surge , independente , que se destaca de tudo o resto , calmo , como as estrelas , com um brilho eterno . É o pensamento da identidade - a sua , para quem quer que você seja , tal como a minha para mim . Milagre dos milagres , para além do dizível , mais espiritual e vago dos sonhos terrenos , e no entanto o facto básico mais sólido e única entrada para todos os factos . Em horas assim devocionais , por entre as significativas maravilhas do céu e da terra (significativa apenas por causa do EU que está no seu centro) , credos , convenções , desfazem-se e perdem qualquer relevância face a esta ideia simples . Sob a luminosidade da visão real , só ela toma posse , assume valor . Tal como o sombrio anão da fábula , uma vez liberta a vista , expande-se por toda a terra e estende-se até à cúpula do céu .
Paisagens Democráticas , 1871

Conselho aos Jovens de Portugal…

Se és um jovem português
Atravessa a fronteira do teu País
E parte destemido
Na procura de um futuro com Futuro


Porque no teu País
A Educação é como uma licenciatura
Tirada sem mérito e sem trabalho
Arquitectada por amigos docentes
E abençoada numa manhã dominical

Porque no teu País
É mais importante a estatística dos números
Que a competência científica dos alunos
O que interessa é encher as universidades
Nem que seja de burros

Porque no teu País
A corrupção faz parte do jogo
Onde os jogadores e os árbitros
São carne do mesmo osso
E partilham o mesmo tempero

Porque no teu País
A justiça é ela própria uma injustiça
Porque serve quem é rico e influente
Com leis democraticamente pobres

Porque no teu País
As prisões não são para os ladrões ricos
Porque os ricos não são ladrões
Já que um desvio é diferente de um roubo

Porque no teu País
A Saúde é uma doença crónica
Onde, quem pouco tem
É sempre colocado na coluna da despesa

Porque no teu País
Se paga a quem nada faz
E se taxa a quem pouco aufere

Porque no teu País
A incompetência política
é definida como coragem patriótica

Porque no teu País
Um submarino é mais importante que tu
E o mar apenas serve para tomar banho
E pescar sardinhas

Porque no teu País
Um autarca condenado à prisão pela justiça
Pode continuar em funções em liberdade
Passeando e assobiando de mãos nos bolsos

Porque no teu País
Os manuais escolares são pagos
Enquanto a frota automóvel dos políticos
É topo de gama

Porque no teu País
Há reformas de duzentos euros
E acumulação de reformas de milhares deles

Porque no teu País
A universidade pública deixou cair a exigência
E as licenciaturas na privada
Tiram-se ao ritmo das chorudas mensalidades

Porque no teu País
Os governantes, na sua esmagadora maioria
Apenas possuem experiência partidária
Que os conduz pelas veredas do “sim ao chefe”

Porque no teu País
O que é falso, dito como verdade,
Sob Palavra de Honra !
São votos ganhos numa eleição

Porque no teu País
As falências são uma normalidade
O desemprego é galopante
A criminalidade assusta
O limiar da pobreza é gritante
E a venda de Porsches … aumenta

Porque no teu País
Há esquadras da polícia em tal estado
Que os agentes se servem da casa de banho
Dos cafés mais próximos

Porque no teu País
Se oferecem computadores nas escolas
Apenas para compor as estatísticas
Do saber “faz de conta” em banda larga

Porque no teu País
Se os teus pais não forem ricos
Por mais que faças e labutes
Pouco vales sem um cartão partidário

Porque no teu País
Os governantes não taxam os bancos
Porque, quando saírem do governo
Serão eles que os empregam

Porque no teu País
És apenas mais um número
Onde o Primeiro-Ministro se chama Alice
Que vive no País das Maravilhas
Mesmo ao lado do teu.

Foge !
E não olhes para trás !

Desconheço o autor .

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cansei de vez ! Que se danem todos !

Não serei "mais um" a dar o aval a esta "nobre e alegre cavacada" , e , por isso mesmo , mais uma vez me vou abster de exercer um dos meus direitos (que não , obrigação !) - VOTAR ! Claro que desta maneira , também estarei a exercer um outro direito , que , quanto a mim , me assiste também - NÃO VOTAR ! Ou será que esta democracia (?) não me permite este direito ?
Os "legítima e democraticamente eleitos" é que ainda não pensaram (ou será que pensaram ?) , em penalizar monetariamente , os cidadãos que , tal como eu (e não são poucos !) , se recusam a fazer parte desta carneirada , e . . . coelhada(*) , que , ao irem votar , estão a legitimar todas as actividades (e que actividades ! ! !) dos eleitos !
Preferirei sempre , pagar uma multa (se puder . . . se tiver dinheiro que me estorve , o que irá acontecer . . . nunca ! ! !) . Eu penso que , se todos ficássemos em casa e "não fôssemos lá" , dar-lhes toda a legitimidade , para nos f(.)d(.)r , eles acabariam por meter o rabinho entre as pernas , iriam para outras paragens , e , talvez assim , o povo tomasse consciência , de todo o poder que tem !
Não contem comigo , para continuar a branquear e legitimar este "fartar vilanagem" que se passa em Portugal , há mais de 30 anos , com este "sistema político" a que , alguns "projectos de gente" (que se julgam . . . iluminados !) , teimam em chamar . . . "democracia" !
É caso para dizer : eu sou louco . . . não sou estúpido !
É por isso que , depois de amanhã , dia 23 / jan / 2011 , dia de eleições presidenciais , eu não "arredarei pé" daqui , do meu cantinho ! Foi a maneira mais pacífica que eu consegui , para manifestar todo o meu repúdio e desprezo , por este sistema político , por todos os que se alimentam dele , e . . . por quem o alimenta ! ! !
A minha cruzada , neste momento , é contra esta "gentalha" , que não dignifica , ou mesmo respeita , pessoas , animais , e . . . nem sequer , a própria natureza , ou o ar que respira !
Cansei de vez ! Que se danem todos !

(*) Claro que "carneirada e coelhada" , é uma força de expressão , com a qual , eu não quero de modo algum , menorizar todos aqueles que decidem ir votar ! Até porque tenho o maior respeito , por todos esses animais que dão pelo nome de carneiros , coelhos e . . . outros que tais !

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Náuseas até ao vómito‏ !

Na mesma semana em que foi assassinado um cronista social faleceu um Capitão de Abril. Ao primeiro a comunicação social dedica horas, ao segundo dedicou minutos. Para o primeiro são ouvidas dezenas de "personalidades"; do segundo nada se diz. Do primeiro até temos de saber por onde vão ser distribuídas as cinzas; do segundo soube-se que o corpo esteve algures em câmara ardente. Do primeiro traça-se um perfil de grande lutador pelas liberdades; do segundo pouco mais se diz que era um oficial na reserva.

A forma como a comunicação social tem tratado o homicídio de um mero cronista social tem sido, no mínimo abusiva: são jornalistas, psiquiatras de renome, astrólogos, parapsicólogos e uma verdadeira procissão de personagens de um jet set rasca e, no meio, usa-se e abusa-se das imagens onde se vê o cronista a entregar um ramo de flores a Maria Barroso, imagens que já vi serem repetidas quase uma dúzia de vezes.

A forma trágica como terminou aquilo que o cronista descreveu aos amigos que iria ser uma lua de mel é apresentada por astrólogas, parapsicólogos e outros especialistas deste ramo como uma bela história de amor, um misto de um episódio da série "Morangos com Açúcar" e do clássico "Romeu e Julieta". Chegámos ao ridículo de ver astrólogas e parapsicólogos a tentarem demonstrar a culpa do jovem homicida, exibindo e-mails e insinuando que este teria conquistado com palavras o distraído apaixonado, dando a entender que, como noutros tempos, o enganou.

E anda este país com problemas gravíssimos distraído com um episódio sórdido da lumpen-burguesia deste nosso jet set miserável, como uma pequena seita de gente que se auto-elege como bonita, que vive de pequenos luxos obtidos à custa de papalvos, um meio onde se promovem personagens patéticas e decadentes a grandes figuras nacionais, onde autarcas financiam discotecas de astrólogas ou ajeitam as contas de idiotas, convidando-os para reis do Carnaval.

Todo este espectáculo mórbido que só serviu para os portugueses saberem um pouco mais sobre como se fazem e desfazem as paixões conseguidas com trocas de favores, começa a provocar-me náuseas. Já me custa assistir a um telejornal ou abrir as páginas dos jornais, enoja-me que estes jornalistas me queiram fazer pensar que os grandes problemas do país são como acabam as paixões dos nossos socialites, os sítios que querem poluir com as suas cinzas, ou os sms que trocaram para os seus engates.

Lá que insistam em dizer que crónica social é saber com quem namora uma qualquer Lili decrépita e decadente é uma coisa, agora "insinuar" que a sociedade portuguesa é o pequeno mundo dessa pobre gente é outra coisa. O país tem muito mais com que se preocupar do que com os engates de modelos, com as trocas de sms, com paixões à primeira vista entre jornalistas de 65 anos e modelos de 20. Chega!!! Começo a sentir vómitos...

in O Jumento

Obs.: Foram devidamente corrigidos os vários erros de concordâncias e outros, dados, por certo, num texto escrito de jacto, sob uma tensão nauseada. Mas vale a pena continuar a fazer circular tão veemente reacção!

«Ser alentejano não é um dote, é um dom.»

Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo,
o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que, à
semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar.

O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da
planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do
monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a
resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do
guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote,
é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.

Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem.
Guimarães é o berço da Nacionalidade; Évora é o berço do Império
Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em
Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras,
um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo,
um homem consegue ver ao longe.

Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino, depois de dobrar
o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia, para D. João II
perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o
peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que, para o homem
comum, fica muito longe, para um alentejano, fica já ali. Para um
alentejano, não há longe, nem distância, porque só um alentejano percebe
intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida
de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.

Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada
decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar… E, quando
regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama
respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da
esquina.

Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio
onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se
a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema
de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos

Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que
começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito.
Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.

D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário,
não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem
que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos
combatentes. É certo que o rei de Castela contava com um poderoso
exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis
tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se
estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o
tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção
numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os
alentejanos estão do nosso lado?»

Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para
as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente
dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a
mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve de fazer os
alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama
e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão
quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que
ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr,
não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher.
Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm.
Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia,
precisamente o dia que Deus tirou para descansar.

E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana
e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos
portugueses, os franceses dos argelinos… só os alentejanos contam e
inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso, ao mesmo
tempo que servem de espelho a quem as ouve.

Mas, para que uma pessoa se ria de si própria, não basta ser ridícula,
porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor.
Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama.

Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido
de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca
e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem
tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser
objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas,
enquanto a alarvice diminui-as. Se Hitler e Estaline se rissem de si
próprios, nunca teriam sido as bestas que foram.

E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas,
incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de
observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis.

Não resisto a contar a minha anedota preferida. Num dia em que chovia
muito, o revisor do comboio entrou numa carruagem onde só havia um
passageiro. Por sinal, um alentejano que estava todo molhado, em virtude
de estar sentado num lugar junto a uma janela aberta. «Ó amigo, por que
é que não fecha a janela?», perguntou-lhe o revisor. «Isso queria eu,
mas a janela está estragada.», respondeu o alentejano. «Então por que é
que não troca de lugar?» «Eu trocar, trocava… mas com quem?»

Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim.
O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é
castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer
alentejano anseia. E o pão… Mas há melhor iguaria do que o pão
alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo,
refeição e sobremesa. E é o único pão do mundo que não tem pressa de
ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou no fim da
semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o
mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!

É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente
de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou
graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção poderia um homem
almejar?

Saudações fraternas e inoxidáveis,


JCS

domingo, 16 de janeiro de 2011

UMA TRAGÉDIA NUM PARAÍSO

I
Tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro

J. Jorge Peralta

1. O Brasil possui verdadeiros paraísos, onde vivem e convivem pessoas “privilegiadas” de diversos níveis sociais e sócio-culturais. Um dos destaques é a região serrana do Rio de Janeiro, onde se situa o emblemático pico do Dedo de Deus. Um dos ex-libris do Brasil.
Petrópolis foi um refúgio da Família Imperial do Brasil e de muita gente de destaque nas artes, nas ciências e na política. A Família de Tom Jobim, grande compositor aí tem um sítio que sofreu com a tragédia. É apenas uma pequena amostra.

2. Alegra-nos dar boas notícias, mas dói ver o sofrimento dos irmãos, vítimas de tragédias.
Agora está sendo a vez do Brasil, com destaque para a belíssima região serrana do Estado do Rio de janeiro. Uma calamidade. Chuva torrencial, na madrugada do dia 12, trouxe destruição, tragédias e mortes. A tromba de água foi implacável. Deixou poucas alternativas de escapar, por onde passou.
Três cidades, Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis foram as regiões mais atingidas. Três regiões serranas de grande beleza, que abriga gente simples e casas e hotéis de alto luxo.
A tragédia não destruiu as cidades, mas fez grandes estragos.
A tragédia a todos tratou por igual, no sofrimento, na morte e na destruição. Deixou destroços, lama e dor.

II
Lição da Tragédia
3. Todos se igualaram na hora de prestar socorro às vítimas. A solidariedade desabrochou do sofrimento. Ainda bem.

Quem podia punha os pés na lama da rua, agora mar de lama, ou para atravessar o córrego, transformado em rio de lama, para socorrer alguém ilhado e em risco, do outro lado.
Gente pobre e gente rica, moradora de mansões serranas, a quem a enxurrada danificou as casas por igual, ilhados na serra, sem possibilidade de comunicação, devido à destruição das estradas, pediam água e comida: foram iguais na sorte e no desespero.
A morte e o sofrimento ronda, ainda, aquela região privilegiada pelas belezas naturais. Já se contam mais de 550 mortos. Há perdas irrecuperáveis de familiares. Uma tristeza que não se cura facilmente... Mas ainda há notícias de muita gente soterrada nas próprias residências que ruíram, levadas pela inesperada avalanche de água e lama.
Residências, empresas, hotéis... Nada foi poupado, por onde as águas torrenciais desceram.
Famílias inteiras morreram ou ficaram desfalcadas...

4. Mas a fé no futuro ainda se revelou pela voz de um menino de dez anos que, vendo o pai desesperado porque a água lhe levara a casa e tudo, o consolou:
“Pai, não fique triste, nós vamos começar tudo de novo...”
Sim, as pessoas não podem desistir. Ao menos lhes sobrou a vida.
Os sobreviventes, que são muitos milhares de pessoas, estão ou em casa de amigos, ou em abrigos de emergência. São muitos os feridos e mais de 12.000 desabrigados.
Um bebê foi resgatado nos escombros, onde ficou soterrado por mais de 12 horas. O pai o manteve protegido pelo próprio corpo. O pai também sobreviveu.



III
Monumento ao Herói Anônimo

5. Com meus botões fiquei pensando: heróis anônimos se revelam nessas horas. Heróis que a estatística humana nem registrará.
Fiquei pensando naquele marido que se lastimava pela sua mulher, que tudo fizera para lhe salvar a vida, e que não a pode salvar. Tendo as pernas quebradas não pode socorrê-la quando dele precisou. E a perdeu na lama...
Todo machucado, ele se salvou... Mas ela se foi...
Quantas mães e quantos pais morreram, tentando e se arriscando para salvar os filhos? Quanto maridos morreram tentando salvar as esposas? Quantas esposas morreram, tentando, num último esforço, salvar os maridos? Quantos irmãos morreram tentando salvar os irmãos? Quantos amigos morreram, tentando o último e derradeiro esforço para salvar os amigos?...
São heroísmos de verdade, que jamais alguém contará; heróis que a tragédia selou, mas a morte silenciou. Heróis anônimos, mas heróis de verdade. Não certos heróis, farsantes, fabricados que os políticos nos querem impingir.
Em algum lugar da Região atingida deveria, ser erigido um Monumento ao Herói Anônimo, através de uma alegoria em pedra granito. Será símbolo do caráter heróico do nosso povo... Perpetuará um paradigma.

IV
Há Responsáveis pela Tragédia

6. Diante da fúria da natureza cessa toda a arrogância e toda a ganância. Nessas horas trágicas, é fácil culpar a natureza ou culpar os imprudentes, como se não fosse próprio do ser humano ousar, arriscar sempre, em busca de melhores condições de vida, para si e para os seus. Faltou a formação de caráter. Faltou consciência cidadã.
As ousadias irresponsáveis de poucos, às vezes ceifam a vida dos próprios e de muitos inocentes.
Cabe as autoridades estabelecer limites de risco, e fiscalizar... As autoridades são pagas para garantir, na medida do possível os limites que previnem a tragédia.
No entanto, as políticas venais sedem aos seus correligionários, em troca do benefício eleitoral ou econômico. Esquecem que a natureza é drástica e implacável.
Há questões previsíveis e questões imprevisíveis. As inundações da Austrália, hoje com imensas áreas alagadas, é questão imprevisível, vinculada que está a “distúrbios” globais, ao que parece.

7. O esbarrancamento da região serrana do Rio de Janeiro , são previsíveis a longo prazo. São fenômenos que se sabe que podem ocorrer, só não se sabe nunca quando, ou se ocorrerão algum dia.
Casas em encostas da Serra do Mar são sempre expostas a risco, devido à pequena camada de solo.
A fúria das águas é aterrorizadora, e não pede licença. Cabe aos humanos agir com a razão e não só com a emoção.

8. A tragédia, enfim, chegou com força incontrolável em Teresópolis, em Friburgo e em Petrópolis. Onde passou deixou marcas de perdas de vidas, de patrimônio e muita dor.
Prejudicou uma pequena parte daquela região belíssima. Assim mesmo os prejuízos “contaminaram” toda a região. Os quase 200 hotéis e outras Instituições foram atingidos psicologicamente. Grandes investimentos feitos, previamente, para receber as pessoas, tudo correu, “ralo” abaixo, com a tragédia que os atingiu, quer bloqueando as estradas de acesso, quer desarticulando as pessoas psicologicamente, pelo que ocorreu em outros pontos da região. As reservas de férias foram canceladas e as de carnaval correm alto risco
O Brasil “perdeu”, temporariamente, um espaço nobre de descanso e de entretenimento.

V
Lições da Tragédia
9. Teremos de presenciar, estarrecidos, muitas outras tragédias humanas se não aprendermos a lição dos fatos.
Não é possível as pessoas, sob o silêncio e o fechar dos olhos das autoridades, continuarem a desmatar as encostas dos morros e das serras.
Não se admite que continue a se permitir construções em áreas de risco, a ricos ou a pobres. Quando o morro esbarranca, descem casas, pessoas, animais pela encosta passando por cima de quem mora mais abaixo, às vezes em condições regulares. Assim as vítimas descuidadas matam as vítimas inocentes.
Os mortos não falam. Os erros de alguns e o sofrimento de muitos são soterrados, juntos na avalanche destruidora.
Nem sempre funciona esta equação, pois a tragédia nem sempre é tão lógica.
No entanto, o que pode ser prevenido, que seja...

10. A grande lei auto-sustentável é o respeito às leis da natureza, que a arrogância ou a ganância de alguns, simplesmente desconhece.
Precisamos aprender que há valores muito mais fortes e necessários do que lucro; e que lucro, com prejuízo da natureza, é sempre lucro de alto, risco, que não compensa.
Áreas de risco desmatadas devem imediatamente ser recuperadas, com replantio de árvores. As construções em áreas de risco devem ser transferidas para lugares seguros.

11. Mas esta não é uma lição da tragédia a ser aprendida apenas pela área atingida, na Serra Fluminense. Todo o Brasil e todo o mundo precisa aprender com os erros alheios, antes que a tragédia passe, avassaladora, à sua porta.
A solidariedade lusófona não se mede apenas com apoio moral e/ou econômico. Devemos trocar experiência s para evitar desastres idênticos e evitar sofrimento e dor que poderiam ser evitados se soubéssemos aprender também com os erros dos outros. Vamos exigir a aplicação de políticas urbanas de segurança para todos, também contra as intempéries.
Na prosperidade, como na calamidade, os povos lusófonos devem ser sempre solidários, para buscar sempre o bem-estar de todo o nosso povo.
Postado por Tribuna Lusófona às 11:31

Stephen Hawking usa óculos de raios infra-vermelhos para se comunicar Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.

3 de setembro de 2005
O físico Stephen Hawking, do Reino Unido, deixará de usar o computador operado manualmente através de seus dedos, e instalado em sua cadeira de rodas. Para se comunicar ele passará a usar agora um par de óculos que emite raios infra-vermelhos.
Stephen William Hawking, 63 anos, é considerado um dos mais importantes físicos teóricos do mundo, apesar de sua doença degenerativa, ainda sem cura, com que convive há mais de 30 anos. Ele é autor do livro "Uma breve história do tempo".
Hawking usava um teclado acoplado a um computador para controlar um sintetizador de voz através do qual podia falar. Devido ao avanço da doença, seus dedos perderam a habilidade de digitar e a comunicação através do teclado de computador começou a tornar-se ineficiente.
O novo dispositivo utiliza raios infra-vermelhos e está acoplado na armação de um par de óculos. Através da movimentação dos músculos da face, Hawking pode desviar a direção dos raios e assim controlar quais letras aparecerão na tela de um computador. O ajudante de Hawking, David Pond, disse ao jornal Daily Mail que o físico gostou da novidade e que com ela consegue escrever mais rápido do que fazia antes.
Stephen Hawking sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Quando esteve em Genebra, em 1985, teve uma severa pneumonia. Médicos aconselharam a desligar a máquina que o mantinha vivo, mas sua esposa na época não acatou a sugestão. Ele foi depois removido para o Reino Unido e submetido a uma traqueotomia. O cientista se recuperou, mas perdeu a voz.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

SEGUNDA-FEIRA, 10 DE JANEIRO DE 2011

A RODA DA MISERICÓRDIA
OU ALFORRIA DOS INOCENTES
Uma Alternativa ao Aborto
J. Jorge Peralta

1. Foi divulgado na grande imprensa nacional, no Brasil, um acontecimento que faz pensar a quem tem responsabilidade social: uma jovem escondeu sua gravidez indesejada da família. Após dar à luz o seu filho, descartou-o jogando-o, embrulhado, em um terreno baldio, do outro lado de um muro, de quatro metros de altura, vizinho ao seu quintal. Pelo choro, alguém descobriu a criança e encaminhou-a às autoridades. Descoberta, a mãe tem contas a pagar à justiça. Este é um fato, triste e trágico, entre muitos milhares diários.

2. Até o ano de 1950 no Brasil, existia uma multissecular e benemérita instituição, denominada Roda da Misericórdia, também chamada Roda dos Enjeitados ou Roda dos Expostos
A Roda sempre esteve disponível nos Conventos Femininos e nos Hospitais – Santas Casas de Misericórdia. Na Roda da Misericórdia, as famílias depositavam doações anônimas de gêneros alimentícios, para a manutenção das religiosas.
Na mesma Roda da Misericórdia, as mulheres que engravidavam em condições não aprovadas socialmente, depositavam secretamente seus filhos não desejados, para lhes garantir um nome e cidadania, de alguém que viesse a adotá-los. “Proibidas” socialmente de mantê-los, as mães preservavam suas vidas, com a compreensão da própria sociedade, que lhes dava uma alternativa digna.

3. No nosso tempo destrambelado, hipócrita e desumano a instituição da Roda foi abolida.
As mulheres que, por algum descuido, engravidarem têm uma única saída criminosa: abortar, ou, depois que a criança nascer, descartá-la, como se fosse algo inanimado...
Para resolver o impasse, a nossa sociedade, hipócrita e sádica, propõe-se a legalizar o aborto. A mãe, sem cometer crime legal, pode matar o feto, para não ser incomodada...

4. Diante destas duas soluções antagônicas: A Roda da Vida ou o aborto: a Matança dos Inocentes, por longo tempo penso em uma saída humana para esta tragédia.
Depois de muito pensar, veio-me uma terceira saída, como opção digna: que a sociedade restaure a Roda da Misericórdia, em novas dimensões:
A toda a mulher, que venha a ter um filho “indesejado” e que não puder pagar médico para a assistir ou hospital para dar à luz, serão concedidos todos os direitos, em caráter de irrestrita privacidade, tais como: assistência médica gratuita, exames e orientação, pré-natal, parto assistido e acompanhamento pós-parto.
Esta solução poderia ter o nome de “Proteção dos Inocentes” ou “Roda da Vida”.

5. Deve ficará estabelecido em lei que o Estado assumirá a responsabilidade de cuidar dessas crianças, inclusive procurando uma família que a adote e cuide de sua saúde, educação e bem-estar.
O Estado deve acompanhar a vida dessa criança e o tratamento que a família adotiva lhe proporciona, até os 14 anos de idade, no mínimo.
O Estado deverá providenciar o surgimento e o apoio a instituições particulares, do tipo “Aldeias SOS”, financiadas e cuidadas por empresários, para possibilitar uma real socialização a essas crianças. Já existem outras instituições deste gênero.

PROJETO DE LEI
6. Proponho que algum Deputado Federal ou Estadual proponha um projeto lei deste molde.
Este projeto, de alta densidade humana, deveria estar preparado para atender algumas centenas de mulheres/jovens por mês.

7. O Projeto de Lei “Proteção dos Inocentes”, também deveria estimular a organização de casas especializadas por instituições particulares ou públicas, de preferência sem fins lucrativos, para atender condignamente essas mulheres, e cuidar de suas crianças.
As crianças não adotadas estariam à disposição das mães que poderiam retomá-las logo que pudessem cuidar delas.
Um projeto desta natureza, diminuiria em muito o número das crianças e malfeitores que têm a rua como escola do crime e da violência urbana.
Em contrapartida, dando às crianças uma educação de caráter adequada e um lar com dignidade, em cada criança teríamos mais um jovem ou adulto capaz de contribuir para o bem estar social e de ganhar o próprio pão com o suor do seu rosto, como fazem as pessoas dignas.

Leitor: Leve este esboço de sugestão para um deputado ou vereador seu amigo.
Você estará ajudando a criar uma sociedade mais justa.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Basta


Como cidadão português, tributário, atesto pela minha honra e pela honra dos meus filhos, ainda com sangue Galaico, dos meus avós e dos meus pais, acusar literalmente, o Senhor Aníbal e o Presidente da República pela teimosia do seu cego desaforo permanente.

Senhor candidato, quinze anos!... Que mais deseja a sua sequiosa natureza? Será que ainda não ganhou o suficiente para o pão? Comprar os medicamentos para a saúde e pagar a renda da casa?

Consta-se que teve um óptimo quinhão dos papéis da “SLN/BPN”?!... Calculo que tivesse dado uns trocos!?...

Porque não se dá por saciado? Porque não dá o lugar a outro? É óbvio, se me perguntarem a quem? Não faço a menor ideia! Efectivamente, não é este o meu paradigma de sociedade. Todavia, “Quem muda Deus o ajuda.” Não é o caso, infelizmente, o demónio assentou patrão.

Não lhe tomo os ares pelos erros e pelos defeitos, porque, águas passadas não esmaga moinho… mas é um facto, ainda existe dirigentes nesta República, herdeiros de práticas déspotas, inteligentes doutores, espertos porta-machados, que continuam a enxergar fugas à responsabilidade! Diz a história, que não é de estranhar, são vícios longinquamente frequentados! A minha admiração é o jeito como o candidato se relaciona com eles: são os quadriláteros, os perpendiculares e horizontais … são os obtusos, os triangulares, os quadrados e os losangos, são os conhecidos, amigos e os demais, religiosamente beatificados… são os “ Freeport”, que minguem é de minguem! O crime, “SLN/BPN e os 5 mil milhões de aflições, que os portugueses fatais têm de pagar”! São os “submarinos”, os carros blindados para combater a consciência da indignação! É a “face oculta”, as “escutas”, a promiscuidade do insucesso “Casa Pia” e a sua facciosa impunidade…

O silêncio é a alma do negócio. Tem fineza, a sua angélica e inconsequente candidatura.

Na parábola da sua última ceia, com Alegre, afirmou; “que é preciso respeitar aqueles que são nossos amigos, que nos emprestam o dinheiro! É preciso trata-los bem, beijar-lhes as mãos! É preciso ajudar os pobrezinhos e as pobrezinhas! É preciso apoiar as criancinhas com falta de pão, coitadinhas! É preciso amparar os idosos com reformas de fome! É preciso dar uma palavra de resignação aos desempregados, que são um milhão num lagar! - “Façam como eu; dou a mão às pessoas, falo com elas onde quer que elas estejam, nos cafés, nas ruas, nos centros de piedade, dou a mão a quem mais precisa”…

Viva os inocentes, viva os humildes, viva a caridadezinha, que são eles o reino de Deus.

Um homem que domina os mais fracos com promessas que não pode, não é um homem, mas sim uma metafórica - alegoria, a atarantar a realidade racional do pensamento de consciência.

Augusto Canetas

sábado, 8 de janeiro de 2011

Devo à Paisagem as Poucas Alegrias que Tive no Mundo

Devo à paisagem as poucas alegrias que tive no mundo. Os homens só me deram tristezas. Ou eu nunca os entendi, ou eles nunca me entenderam. Até os mais próximos, os mais amigos, me cravaram na hora própria um espinho envenenado no coração. A terra, com os seus vestidos e as suas pregas, essa foi sempre generosa. É claro que nunca um panorama me interessou como gargarejo. É mesmo um favor que peço ao destino: que me poupe à degradação das habituais paneladas de prosa, a descrever de cor caminhos e florestas. As dobras, e as cores do chão onde firmo os pés, foram sempre no meu espírito coisas sagradas e íntimas como o amor. Falar duma encosta coberta de neve sem ter a alma branca também, retratar uma folha sem tremer como ela, olhar um abismo sem fundura nos olhos, é para mim o mesmo que gostar sem língua, ou cantar sem voz. Vivo a natureza integrado nela. De tal modo, que chego a sentir-me, em certas ocasiões, pedra, orvalho, flor ou nevoeiro. Nenhum outro espectáculo me dá semelhante plenitude e cria no meu espírito um sentido tão acabado do perfeito e do eterno. Bem sei que há gente que encontra o mesmo universo no jogo dum músculo ou na linha dum perfil. Lá está o exemplo de Miguel Angelo a demonstrá-lo. Mas eu, não. Eu declaro aqui a estas fundas e agrestes rugas de Portugal que nunca vi nada mais puro, mais gracioso, mais belo, do que um tufo de relva que fui encontrar um dia no alto das penedias da Calcedónia, no Gerez. Roma, Paris, Florença, Beethoven, Cervantes, Shakespeare... Palavra, que não troco por tudo isso o rasgão mais humilde da tua estamenha, Mãe!

Miguel Torga, in "Diário (1942)"
Poema

Frustração

Foi bonito
O meu sonho de amor.
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais.

Miguel Torga, in 'Diário XV'

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Um médico italiano descobriu algo simples que considera a causa do cancro

Inicialmente banido da comunidade médica italiana, foi aplaudido de pé na Associação Americana contra o Cancro quando apresentou sua terapia. O médico observou que todo paciente de cancro tem aftas. Isso já era sabido da comunidade médica, mas sempre foi tratada como uma infecção oportunista por fungos - Candida albicans. Esse médico achou muito estranho que todos os tipo de cancro tivessem essa característica, ou seja, vários são os tipos de tumores mas têm em comum o aparecimento das famosas aftas no paciente. Então, pode estar ocorrendo o contrário - pensou ele. A causa do cancro pode ser o fungo. E, para tratar esse fungo, usa-se o medicamento mais simples que a humanidade conhece: bicarbonato de sódio. Assim ele começou a tratar seus pacientes com bicarbonato de sódio, não apenas ingerível, mas metodicamente controlado sobre os tumores.
Resultados surpreendentes começaram a acontecer. Tumores de pulmão, próstata e intestino desapareciam como num passe de mágica, junto com as Aftas. Desta forma, muitíssimos pacientes de cancro foram curados e hoje comprovam com seus exames os resultados altamente positivos do tratamento. Para quem se interessar mais pelo assunto, siga o link (em inglês): não deixem de ver o vídeo, no link abaixo. O médico fala em italiano, mas tem legenda em português. --> Http://www.curenaturalicancro.com/ .
Lá estão os métodos utilizados para aplicação do bicarbonato de sódio sobre os tumores. Quaisquer tumores podem ser curados com esse tratamento simples e barato.
Parece brincadeira? Mas foi notícia nos EUA e nunca chegou por aqui. Bem que o livro de homeopatia recomenda tratar tumores com bórax,que é o remédio homeopático para aftas. Afinal, uma boa notícia em meio a tantas ruins.

De novo, a pergunta que não quer calar: por que a grande imprensa não dá a menor cobertura a isso? Nem na TV, nem nas rádios, nem nos grandes jornais... Absolutamente nada. Quem os proíbe de noticiar? O médico teve que construir um site, para divulgar o seu trabalho de curar o cancro (ou, pelo menos, várias das suas formas), usando apenas solução de bicarbonato de sódio a 20%. Imaginem! Bicarbonato de sódio, coisa que a gente encontra até na loja 20 da esquina. Neste endereço, o vídeo, onde o médico italiano mostra a evolução do tratamento até à completa cura em 4 casos: Http://www.cancer-fungus.com/sub-v1pt/sub-pt.html .

Neste, o site em Português. Clicando-se nas bandeirinhas no alto da página, muda-se o idioma:

Http://www.cancerfungus.com/simoncini-cancro-fungo.php*

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Morreu Malangatana, pintor, pastor, aprendiz, curandeiro e mainato 05 de Janeiro de 2011, 11:33


Morreu esta madrugada, no Hospital Pedro Hispano em Matosinhos, Portugal, o artista moçambicano Malangatana, vítima de doença prolongada. Tinha 74 anos de idade. Malangatana estava internado naquela unidade hospitalar há vários dias.




Malangatana Valente Ngwenya nasceu a 06 de Junho de 1936 em Matalana, distrito de Marracuene. Em vida, fez de tudo um pouco: foi pastor, aprendiz de curandeiro, empregado doméstico mas viria a notabilizar-se no mundo das artes, tornando-se num dos mais famosos artistas moçambicanos.

Fez cerâmica, tapeçaria, gravura e escultura. Fez experiências com areia, conchas, pedras e raízes. Foi poeta, ator, dançarino, músico, dinamizador cultural, organizador de festivais, filantropo e até deputado, da FRELIMO, partido no poder em Moçambique desde a independência

Entre 1990 a 1994 foi deputado da FRELIMO e ao longo de décadas ligado a causas sociais e culturais. Foi um dos criadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique, dinamizador do Núcleo de Arte, colaborador da UNICEF e arquitecto de um sonho antigo, que levou para a frente, a criação de um Centro Cultural na "sua" Matalana.

Expôs em Moçambique e em Portugal mas também mundo fora, na Alemanha, Áustria e Bulgária, Chile, Brasil, Angola e Cuba, Estados Unidos, Índia... Tem murais em Maputo e na Beira, na África do Sul e na Suazilândia, mas também em países como a Suécia ou a Colômbia.

Contando com as obras em museus e galerias públicas e em colecções privadas, Malangatana vai continuar presente praticamente em todo o mundo, parte do qual conheceu como membro de júri de bienais, inaugurando exposições, fazendo palestras, até recebendo o doutoramento honoris causa, como aconteceu recentemente em Évora, Portugal.

Foi nomeado Artista pela Paz (UNESCO), recebeu o prémio Príncipe Claus, e de Portugal levou também a medalha da Ordem do Infante D.Henrique. Em Portugal morreria também o pastor, mainato e pintor.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Finalmente . . . um pai de carne !



Um dia , por volta de 1961 , teria eu seis anos , estávamos todos ( a minha avó , mãe do meu pai , a minha mãe , a minha irmã , e . . . eu ) no alpendre da nossa casa , a merendar uma malga de café com sopas de pão , ou boroa (não me recordo bem ! ) , eis que se abre o portão , e entra aquele homem , com uma mala em cada mão ; e aproximando-se de nós , disse : todos a comer , e . . . todos tão magrinhos ! ! ! ( recordo-me , como se fosse hoje . . . ) Não quero mentir , mas não me recordo , de ter havido um beijo , sequer !
Foram cinco semanas , que aquele homem viveu na nossa casa ! Durante esse tempo , recordo-me , que a nossa alimentação melhorou bastante , pois o meu pai , de vez em quando , ia ao talho comprar carne ( coisa rara , para nós , nesse tempo ! ) ; quando se "estrelavam" uns ovos , o meu pai fazia questão , que fossem dois para cada um ( coisa rara , antes ! ) .
Durante essas cinco semanas , só uma vez lhe chamei . . . "pai" , e , por azar , ele não ouviu ! Foi um dia em que ele acabara de sair de bicicleta , e eu pedi à minha mãe para ir com ele ; corri , corri atrás dele , para ver se o alcançava , para ele me dar uma boleia , no suporte da bicicleta , mas como não o consegui alcançar , chamei uma ou duas vezes : pai ! . . . pai ! Mas como ele não me ouviu , eu voltei para casa , muito triste , até porque tinha finalmente arranjado coragem , para lhe chamar "pai" , e . . . ele não me ouvira !
Quando eu me queria referir ao meu pai , dizia sempre : "ele" fez isto . . . "ele" fez aquilo ! "Ele" disse assim . . . ou assado ! Nunca por nunca , lhe chamei "pai" ! Não consigo entender porquê , mas foi assim que aconteceu !
Sei que , quando o meu pai regressou ao Canadá , foi bastante triste e desgostoso comigo , por isso mesmo , pelo facto de eu nunca lhe ter chamado . . . "pai" !
Ele mencionou o facto , várias vezes , nas cartas que ia enviando para a minha mãe !

domingo, 2 de janeiro de 2011

Poema

Há Palavras que Nos Beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Bled Island




Loucos e Santos


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer,mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.

Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústiase aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.

Quero os santos,para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios,daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,
mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos,
nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. (Oscar Wilde)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mãe



Você um dia sonhou comigo ... e me amou antes que eu existisse ; Você se alegrou com a minha chegada ao mundo , como alguém que recebe um lindo presente ; você me acolheu , me alimentou , me educou ...
Você acompanhou o meu crescimento ... e curtiu comigo a vida no dia a dia ...
Mãe , você é demais ...

Acredita no bem , na lealdade , na amizade .
De facto , os meus amigos são seus amigos . Você é exemplo de fé e esperança , que me dá muita força e coragem para vencer na vida .


Você foi a esposa dedicada , que faz sempre tudo por amor , os seus gestos de bondade , a sua prontidão em perdoar , a sua atitude sempre amável , enchem cada dia da minha vida de gratidão por você e num caloroso abraço , o meu coração lhe diz em oração :
Mãe, que Deus a abençoe e a proteja sempre , EU AMO-A ...

A minha priminha . . .


She ou E.L.A.

(1996- três anos antes da doença)

Uma das minhas músicas favoritas é "She", cantada pelo Charles Aznavour e sempre que falo na minha doença, apetece-me cantá-la...


Pois é... desde 1999 que convivo com E.L.A.!


Esclerose Lateral Amiotrófica
(Esclerose Lateral Amiotrófica significa, rigidez=esclerose, lateral porque geralmente ataca um dos lados primeiro e Amiotrófica porque provoca atrofia dos músculos. Na verdade o nome em si é um eufemismo porque com o tempo provoca a total paralisia do doente, incapacita a deglutição de alimentos e a capacidade de falar, por fim quando ataca os músculos respiratórios causa a morte do doente. A esperança de vida varia de individuo para individuo mas para mais de 60% dos doentes situa-se entre 2 a 5 anos. É talvez uma das doenças mais cruéis que existem porque o doente assiste impotente à semanal e progressiva perda das suas capacidades, sabendo que continua sem ser conhecida causa ou cura para a doença.)



Chamo-me Rosário Sarabando e desde Junho de 99 que convivo com uma doença neuromuscular.
É uma doença degenerativa, progressiva, rara, chamada Esclerose Lateral Amiotrófica (E.L.A.). Se não fosse tão grave, até tinha um nome simpático… ELA!!!
Até ao nascimento do meu primeiro filho (planeado e muito desejado), tive uma vida normal.
Estudei (11ºano), trabalhei numa perfumaria, pratiquei exercício físico num ginásio (para não engordar) … e desfrutava os pequenos prazeres da vida (felizmente que assim foi)!
Até ao dia…
20 de Junho 1999
O momento tão ansiado tinha chegado…
Durante 9 meses em «estado de graça», ia finalmente conhecer o meu filhote!
Durante 9 meses eu imaginei aquele momento (o milagre da vida), no qual o bebe é posto em cima da barriga da mãe…
Mas isso não aconteceu…
O João nasceu de cesariana com anestesia geral!
Mas esta era apenas uma contrariedade… o pior estava para vir!
15 dias depois…
Já não dormia desde o nascimento do João…
As dores nos músculos trapézios eram tão fortes e tão intensas que não aliviavam com nenhum analgésico.
Passei por um ortopedista no SAP de Aveiro…
Os sintomas confundiam-se, afinal, eu tinha acabado de ter um filho!
3 Meses depois
O meu andar tinha-se modificado (andava como os patos).
Subir ou descer escadas, escovar os dentes, abotoar uma blusa, calçar-me… nada disto era mais tarefa fácil!
Passei por mais um ortopedista, fiz fisioterapia… e piorava de dia para dia!
Janeiro 2000 (7 meses depois)
Com bastante dificuldade ainda fazia tudo…
As quedas aumentaram de frequência. O cansaço era inexplicável. Os tratamentos de fisioterapia não estavam a resultar! Porquê?!?
O meu bebé precisava de mim!
O meu marido trabalhava por turnos e quando trabalhava de noite, eu dormia no chão da sala (o meu quarto ficava no 1ºandar). E, para conseguir levantar-me, precisava de apoio…
Então, estando no chão arrastava-me até à banca da cozinha… aí agarrava-me à banca e levantava-me para preparar o biberão para alimentar o meu filho.
Ainda conduzia e apesar da dificuldade ainda caminhava sem apoio.
Foi em Janeiro de 2000 que tive a 1ªconsulta de Neurologia, em Aveiro, com o Dr. João Ramalheira.
Fevereiro 2000 (8 meses depois)
2ªconsulta com o Dr. João Ramalheira.
Após os inconclusivos exames, o Dr. João Ramalheira, encaminha-me para o Serviço de Neurologia do Hospital de Sto António, no Porto.
Março 2000 (9meses depois)
Fico internada para exames… dolorosos exames!
Punção lombar, biopsia do musculo, electromiografia, ressonância magnética, entre outros.
Dia 16/03/2000 (9 meses depois)
Neste dia o Sol já não brilhava e o Céu já não era azul…
A minha vida tinha viajado (só com bilhete de ida) e não me tinha avisado!!
Eu tinha uma doença altamente incapacitante e incurável, a ELA!
A esperança de vida era de 3 a 5 anos… e agora?
O meu pequenino e o meu marido… precisavam de mim!
Eu queria ver o meu filho crescer!
Eu não tinha o direito de «prender» o meu marido ao meu lado! Com o meu coração apertadinho, dei-lhe liberdade de escolha! Ou optava por refazer a vida dele ou ficava comigo, tendo a consciência de que eu iria chegar à dependência total num curto espaço de tempo…
A resposta veio através de um…
- Chiiiiuuu!
O abraço que se seguiu, não precisou de palavras…
Os dados estavam lançados!
Apesar de eu estar confusa, fragilizada e magoada com esta valente partida que a vida tinha resolvido pregar-me, só me restavam duas alternativas: ou «carpia» a minha mágoa e revoltava-me infernizando a minha vida e a dos que me rodeavam, ou LUTAVA!!!
Optei pela 2ª… o meu filho e marido mereciam que eu o fizesse.
Um excerto (entre outros) do livro Maktub do Paulo Coelho não saia da minha cabeça.
Vou partilha-lo convosco…
«Milton Eriksson é o autor de uma terapia que começa a ganhar milhares de adeptos nos E.U.A. Aos doze anos de idade, foi vítima de poliomielite. Dez meses depois de contrair a doença, ouviu um médico dizer aos seus pais:
- O vosso filho não passa desta noite.
Eriksson ouviu, imediatamente, o choro da sua mãe. Quem sabe, se eu passar desta noite, ela talvez não sofra tanto pensou.
E decidiu não dormir até ao amanhecer.
De manhã, gritou para a mãe:
- Eh, continuo vivo!
A alegria em casa foi tanta que, a partir daí, resolveu resistir sempre mais um dia, para adiar o sofrimento dos pais.
Morreu aos 75 anos, em 1990, deixando uma série de livros importantes sobre a enorme capacidade que o homem possui para vencer as suas próprias limitações.»
Para adiar o sofrimento dos «Meninos dos Meus Olhos», não ‘durmo’ há 7 anos!
Maio 2000 (10 meses depois)
Uso uma bengala como apoio
Arrasto pelo chão a cadeirinha-auto do meu filho para conseguir levá-lo para o infantário
Setembro 2000 (15 meses depois)
Mudamos de casa, pois as escadas tornam-se muito perigosas para mim e para o João que tinha começado a andar
Da bengala passo para as canadianas
Deixo de conduzir
Ano 2001 (2 anos depois)
Das canadianas para o andarilho foi um passo
O medo de cair em cima do João faz-me entrar em pânico, mas não o demonstro
Durante a tarde uma senhora assegura as lidas domésticas (limpeza da casa e roupa) e eu com um esforço sobre-humano, estou a cozinhar o jantar (para o fazer, demoro a tarde inteira… pudera, com o andarilho atrás de mim!!!)
Das 18h às 20h uma ama dá banho e jantar ao João
Ano 2002 (3 anos depois)
A cadeira de rodas começa a fazer-me companhia, não a encaro como uma ameaça mas sim como um mal necessário… imaginem-me sem cadeira!!! Impensável!
A parte respiratória ainda não está comprometida, pelo que o meu filhote ouve tudo o que lhe digo com muita atenção!
O João começa a perceber que algumas vezes tem que ficar sozinho comigo durante a noite (o que lhe provoca insegurança), para que o pai vá trabalhar. Houveram episódios que, pela sua carga dramática, me fazem sofrer e por conseguinte não os quero reviver.
Ano 2003 (4 anos depois)
Enquanto eu fico mais dependente, o João fica mais independente…
As despesas com «mão-de-obra», começam a pesar e o «pé-de-meia» desaparece…
Depois de escrever uma carta à G.N.R., expondo todas dificuldades, o meu marido passa a trabalhar; ou das 7h às 13h ou das 13h às 19h
A ama do João vai embora porque o pai, agora e felizmente, assegura esse serviço (fica a Sra. da limpeza da casa e da roupa, de 2ª a 6ª)
Aos fins-de-semana, no entanto, o João continua sozinho comigo uma vez que o pai vai trabalhar e o infantário fecha
Ano 2004 (5 anos depois)
As despesas da empregada mais a prestação da casa são incomportáveis
O meu marido sob a minha orientação, assegura agora o serviço todo
A minha fala vem ficando bastante alterada
Sinto-me a ficar «trancada», completamente encarcerada no meu corpo
Ano 2005 (6 anos depois)
Foi um ano muito difícil… o meu marido anda esgotado! (é Homem!!!)
Agora passo muito tempo sozinha e nem sequer posso ler… folhear um livro, falar ao telemóvel, alimentar-me… não são mais actos banais… são impossíveis, para mim
Ambos ficamos cada vez mais fragilizados e esgotados, mas… cada vez estamos mais fortes e unidos!
O João entra na escola
A parte respiratória começa a ficar comprometida e só o meu marido me entende a falar
O «Pai Natal» traz-nos um computador e eu fico a OLHAR para ele, com tristeza por não conseguir «teclar» (pensava eu!)SETE ANOS E MEIO DEPOIS…
Janeiro: Afinal consigo «teclar»! O meu indicad0r esquerdo fica em cima do botão esquerdo do rato e o indicador direito fica em cima do botão direito do rato…
Instalam-me um teclado virtual. Nem dou pelo tempo passar! Navego na Internet, leio, organizo a minha casa e (muito importante para mim) comunico com o meu filhote que passa para o 2ºano e já lê muito bem
O objectivo (a curto prazo, porque a longo, aprendi que não vale a pena) a que me propus, foi atingido – ver o Mundial de Futebol – E CONSEGUI! O anterior tinha sido o Euro 2004
A parte respiratória agravou bastante. Durante a noite durmo ligada a um ventilador
Já me é bastante penoso movimentar o rato (até aqui, já estou a escrever há 8 dias)
O NOSSO DIA
6h15m
O Paulo levanta-se (quando entra às 7h)
Faz a higiene pessoal e toma o pequeno-almoço
6h 40m
Muda-me de posição na cama (durante a noite já o fez 3 ou 4 vezes)
6h 50m
Sai de casa (o posto da GNR fica a 300m de nossa casa, felizmente!)
*Eu e o João ficamos sozinhos a dormir até às…
8h 20m
O Paulo vem a casa levantar e preparar o João para ir para a escola
Muda-me de posição mais uma vez
8h50m
Depois de saboroso beijo e de um ADORO-TE verbalizado pelo João e mimado por mim através do piscar de ambos os olhos, o João sai para a escola que começa às 9h (a escola também fica a 300m, invejável, não?!?)
Eu fico sozinha até…
11h/11h15m
Depois dos homens da casa é a minha vez de fazer a minha higiene pessoal que é assegurada pelo Serviço de Apoio Domiciliário da SCM de Ílhavo
12h 30m+-
Hora e meia depois, tenho a higiene feita e o pequeno-almoço tomado
Passei do cansaço ligeiro à exaustão extrema (um dos sintomas da doença)
Agora é hora de ir ver como vai o mundo…
18 de Agosto de 2007
Decorridos nove meses… não posso terminar “O Nosso Dia “, porque tudo mudou!!!
Nove meses antes…
Natal de 2006
Parei de escrever “A minha história”…
Sinto-me muito fraca!!!
Janeiro e Fevereiro de 2007
Emagreci bastante…
Comer torna-se bastante cansativo, além da falta de apetite!
Mas o pior é que quase não consigo beber líquidos!
Estou desidratada e bastante fraca!!!!
3 de Março de 2007
Sinto – me muito mal … é-me bastante difícil respirar …
Neste dia instalam-me um programa de voz …
No dia seguinte, o meu marido estava a trabalhar e através do computador, peço ao meu filhote para telefonar ao pai e dizer que eu não estava bem (valeu-me o programa de voz instalado no dia anterior).
6 De Março de 2007 (internamento no HGSA no Porto)
Depois de vários e complicados contratempos…
O INEM achou que a minha dificuldade respiratória aliada à ELA, não justificava a sua presença e mandaram vir os bombeiros!
Os bombeiros foram incansáveis… a ambulância não tinha uma ficha onde se pudesse ligar o ventilador (Bip-Bap), que por sua vez não tinha autonomia…
Pediram uma ambulância a Aveiro (esta sim, com ficha!!) e levaram-me na cadeira de rodas, em peso, escada abaixo com o ventilador ligado a uma extensão. Desceram quatro andares!
Destino: Hospital Geral de Santo António!);
E… de
Agora sei que não tinha chegado a minha hora!!
Quando cheguei ao hospital, logo de seguida entrei em coma!
Ou fazia uma traqueostomia ou não sobreviveria… o meu marido optou pela primeira hipótese.
Depois dos cuidados intensivos (onde fui muitíssimo bem tratada), passei para o Serviço de Medicina D.
A Equipa Médica, de Enfermagem e Auxiliar foram extremamente fantásticas comigo… carinho, simpatia e profissionalismo amenizaram o meu sofrimento (e como sofri, meu Deus!!!) xxx
Quarenta e quatro longos dias de dores físicas (as menos importantes);
A dor da saudade do “Meu Moranguinho” (a mais importante e dolorosa repente tenho que enfrentar que estou muda!!
Nem um som sai da minha boca!
Ouço o meu moranguinho falar no telemóvel e “grito desesperada dentro da minha prisão: Amo-te tanto filhinho querido! Estou aqui por ti, pelo pai!!!”
Mas… ninguém me ouve!!!
Só eu!
Quarenta e quatro longos dias a repetir mentalmente…
“O tempo não pára!... “
“O tempo não pára!...”
“O tempo não pára!...”
E não parou!!!
Quando…
A meio do internamento me foi diagnosticado…
CANCRO DA MAMA!!!
Não adiantava chorar…
Não adiantava martirizar-me com a ideia de que tinha um cancro…
Não adiantava fazer-me de vítima…
NADA… por muito que eu desejasse, iria alterar e inverter esta e outras situações!!!
A única coisa que eu queria: não fazer sofrer o meu marido!
Escondi de todos durante algum tempo.Mas por muito que eu quisesse esconder, era impossível, uma vez que tinha consentido fazer uma Mastectomia! Acabei por desistir da ideia, estava farta de sofrer! Acabei por me entregar nas mãos de Deus…
A adaptação à minha nova condição foi extremamente dolorosa e difícil!!
Nada era mais como dantes…
- Eu não falava…
Logo não podia responder ao meu filhote!
Nem conversar com ele…
UM ABRAÇO APERTADINHO não era mais possível, devido ao ventilador e traqueostomia!!
- Eu não saboreava a comida nem fazia as refeições à mesa…
Tinha feito uma gastrostomia (um tubo directamente ligado ao estômago), agora as minhas refeições eram liquidas e através de uma seringa alimentar “enfiadas” directamente no estômago…
Logo, não participava nas refeições familiares (um dos meus prazeres favoritos).
- Eu estava demasiadamente fraca para estar muito tempo sentada…
Logo, podia comunicar muito pouco tempo… só o tempo que eu estava no computador! Mais ou menos quatro horas… e a partir daí regressava novamente ao meu cárcere, um muro invisível erguido à minha volta… eu ouço, eu vejo e eu sinto, mas, eu FALO e NINGUÉM me ouve!!!
- A higiene diária e pessoal passou de prazer a tortura…
A água que corria deliciosamente pelo meu corpo através do chuveiro dentro da banheira, foi substituída por um por um par de bacias com água…
O banho agora é-me dado na cama… Banho?!?
Nada, nada, nada me dava prazer!
Uma tristeza profunda invadiu todo o meu ser e eu só desejava partir!!!
Testemunhos disto são os emails que escrevi à minha médica e amigas …
----- Original Mensagem -----
From: Rosário Sarabando
To: Dra. Elga
Sent: Sunday, April 29, 2007 1:17 PM
Subject: Por favor ajude-me
Olá Dra. Elga!
Dentro do possível, estou bem!
Mas... nada é como antes...
Estes tubos sempre agarrados a mim dão comigo em doida!
Não consigo estar muito tempo no computador, porque me canso rápido...
Dantes estava o dia inteiro, conseguia fazer muita coisa...
Agora não consigo escrever durante muito tempo, fico extremamente cansada!
O que me fazia continuar deixou de existir...
Ou seja...
Ser parte activa na educação do meu filhote... e da minha casa!
A falta de comunicação enlouquece-me!
Se eu não estiver no computador fico trancada no meu corpo!
E é muito difícil viver com traqueostomia... nunca pensei!
Já não é viver é sobreviver...
Por favor, ajude-me a morrer!
Todos os dias pela manhã, apetecia-me não ter acordado...
Viver passou a ser uma tortura...
Para cada movimento, preciso de ajuda...
Não como à mesa com os meus homens... nem saboreio a comida
Não consigo comunicar em tempo real... olho à minha volta e estou mais encarcerada do que nunca.
Estou desesperada! Por favor diga-me o que pode fazer por mim.
Por favor ajude-me… Beijinhos
Rosário Sarabando”
E esta foi a resposta...
"Rosário
Compreendo que a adaptação à nova situação seja muito difícil.
Contudo, a sua presença continua a ser importante para o seu filho e para o seu marido e estou certa que eles compreendem e aceitam.
Os motivos que a faziam continuar são os mesmos, quem mudou foi a Rosário. Contudo, continua a comunicar e estas mensagens são prova disso.
Pense nisto.
Beijos
Elga"
Um outro e-mail enviado à minha ex-fisioterapeuta e grande amiga, Ana Meirelles…
From: Rosário Sarabando
To: Ana Meireles
Sent: Friday, May 04, 2007 6:16 PM
Subject: ajude-me com os seus sábios conselhos...
D.Ana Maria
Como está?
Vou ver se consigo escrever durante algum tempo... o que está muitíssimo difícil!
Não consigo levantar o meu astral! E sabe Deus como tento...
Todos as manhãs desejo não ter acordado...
Estou a dar imenso trabalho para justificar a minha qualidade de vida... não consigo encontrar motivos que me deixem continuar...
O meu filho e o meu marido são dois bons motivos mas...
Já não consigo dar – lhes nada excepto trabalho e presença... e isso para mim não chega!
Acredite que estou a sofrer muito!
Por favor D.Ana Maria ajude-me com os seus sábios conselhos...
Beijinhos
Rosário Sarabando
Eis a resposta!
----- Original Mensagem -----
From: Ana Meireles
To: Rosário Sarabando
Sent: Saturday, May 05, 2007 1:24 PM
Subject: Coragem!
Olá Rosário!
Fiquei confrangida com a sua mensagem. Quem me dera ter o poder de a aliviar no seu sofrimento! Compreendo-a tão bem... toda a vida lidei com as deficiências e as limitações das outras pessoas e me dediquei a minorar as suas incapacidades.
Que fazer no seu caso? Há uma frase muito portuguesa que diz que o que não tem remédio remediado está. Quando não está na nossa mão o remédio para o nosso sofrimento temos de aprender a lidar com isso, o que não é nada fácil. Temos de aprender a aceitar e manter a calma nos momentos mais difíceis. A Rosário tem fé, sabe que Cristo a espera para lhe dar a recompensa por tudo o que está a passar, mas... é preciso não deixar que a revolta se apodere de si, diga baixinho para si que Cristo sofreu tanto...e era inocente, enquanto que nós não somos perfeitos, temos sempre algo para pedir perdão. Ofereça o seu sofrimento a Deus não só para perdão de algumas imperfeições suas, mas também pelos pecados de todos nós. Vai ver que isso vai dar algum sentido ao que está a passar.
Por outro lado, há que agradecer. Quantas pessoas amigas se têm manifestado disponíveis para a ajudar! E já não falo do Paulo, que se tem excedido nas suas habilidades para se adaptar à situação. E que apesar de todo o trabalho não quer encarar o dia que vai ter de passar sem si! Por ele, pelo João, tem de ser forte, e pensar que só lhe é pedido para se manter viva, pelo seu amor! Algum momento de desabafo do Paulo, só reflecte o cansaço de quem não tem uma noite de descanso completo.
Falei com a Rosa. Sei que os fins de dia são os momentos mais críticos. Hoje vou passar por aí por volta das 18 horas para ver o que é preciso. Tenho de ir à Missa às 19 porque amanhã vou passar o dia com o meu sogro, estamos “de serviço”.Mas depois da Missa vou outra vez aí para ajudar o Paulo nos cuidados que a Rosário precisa. Sei que a Ana não está e que a Rosa tem doces para fazer, então vou eu ajudar. Diga isto ao Paulo para ele gerir as tarefas.
Não quis deixar de lhe mandar esta mensagem, vá reflectindo e se tiver algo para me dizer escreva ou vamos até ao computador quando aí estiver.
Beijinhos da sua sempre Amiga
Ana Maria Meireles
Eu queria LEVANTAR_ME e não conseguia…
Até que uma oração e o 8ºaniversário do meu filhote me ajudaram a seguir em frente…
A ORAÇÃO…
“QUANDO TUDO PARECE PERDIDO”
Quando tudo parece perdido,E a esperança desaparece,Procure por mim, Estou a teu lado,Embora não me vejas.Quando lágrimas,Insistirem em cair de teus olhos,Lembra do sangue que derramei,Para que fosses feliz,
Quando o desejo de morrer,Tomar conta de teu ser,Lembra que tua morte será em vão,Eu morri para salvar os homens,E mesmo assim não consegui.Eu tenho meu tempo,Eu sou dono da vida e da morte,E só morrerás em meu tempo,
Quando tudo parecer breu,Os desamores,As descrenças,As desesperanças,Insistirem em tomar conta,De teu coração,Me busca, nunca abandoneiQuem de mim precisa,E não serás tu, que confias em mim,Que deixarei desamparada(o),
Vamos coloque um sorriso,Nesse rosto,Erga a cabeça e siga em frente,Logo, logo, sentirás minha presença,E tudo se resolverá.
Tristezas, não cabem em meu mundo,E se te provo em coisas da vida,É porque sei, Tens força suficiente,Para enfrenta-las. Eu sou teu Deus,Jamais te abandonarei... Portanto filha (o),Espera, e confia... Em meu tempo...Tudo resolverei. Entrega-te a mim sem medo...
Pai nenhum deste mundo,Abandona um filho,Aceite então as provações a que te submeto,Estas só servirão, para engrandecer teu espírito,E te tornares, Mensageira(o) de minhas palavras,e de meus atos em tua vida.Será testemunha viva,Do meu poder, E do meu amor,Por aqueles que confiam em mim!
“Eu sou a luz do mundo, aquele que me segue jamais andará nas trevas.”
EU TE AMO!
Jesus Cristo
Este email enviado à minha médica e Amigos são o testemunho e o resumo da minha Luta e da minha Vitória (depois de muito sofrimento)
----- Original Mensagem -----
From: Rosário Sarabando
To: Dra. Elga
Sent: Monday, July 02, 2007 7:11 PM
Dra. Elga
Finalmente estou de volta!!!
Já me adaptei à minha nova condição... foi difícil, mas consegui "levantar-me "!
Graças ao amor do meu marido e filhote complementado pela dedicação dos grandes amigos que tenho a sorte de ter... a minha "obrigação " era e é LUTAR !!!!
A minha cuidadora é fantástica... sinto – me bem e a minha ansiedade em relação ao ventilador passou... consigo estar sem ele mais ou menos quatro horas seguidas!
Durmo toda a noite, e acordo agradecendo a Deus todas as bênçãos que tenho recebido!!!!!
Pelo oitavo aniversário do meu filhote (veja fotografias que mando em anexo) senti remorsos por querer partir...a alegria dele ao apresentar-me aos amiguinhos foi imensa...
Mas o importante é que estou de volta e para ficar!!!
Obrigada por tudo Dra. Elga...
Beijinhos à Equipa de Enfermagem e Médica
E para a Dra. Elga um beijinho muito especial
Rosário Sarabando
A resposta…
----- Original Mensagem -----
From: Elga Freire
To: Rosário Sarabando
Sent: Thursday, July 05, 2007 7:02 AM
Rosário
Foi com muita alegria que li o seu mail e vi a fotografia da família.
A Rosário e a sua família são um exemplo de coragem e amor.
Para mim é um privilégio poder compartilhar um pouco da vossa vivência.
Beijinhos
Elga
Quando finalmente venci, tudo voltou a ser como antes, com duas diferenças…
Mais força
Mais vontade de Viver
Agora, passado um ano depois de ter sido internada…
Oriento, através do computador, a minha casa…
As refeições…
O meu filhote…
Faço questão que tudo passe por mim…
A escolha da minha roupa é e sempre foi feita por mim…
“Os Meninos dos Meus Olhos” são orientados por mim…
Estou VIVA!!!
Sinto-me Abençoada!!!
Sinto-me rodeada de Amor e Carinho!!! Pelos meus dois Amores e pelos meus Grandes Amigos!!!
Apesar de tudo, sou muitíssimo Feliz…
Assisti e orientei a Primeira Comunhão do meu filhote…
Quero e vou assistir ao 9º Aniversário dele …
Amanhã é outro dia… Objetivo???
QUERO VER O MEU FILHO CRESCER!!!
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Publicada por Rosarinho em 4:37 PM