quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Apenas mais um "grito" da minha revolta . . .

   Li há pouco , penso que no "Diário de Notícias" , que os nossos (sim , porque somos nós que os "sustentamos" !) deputados têm andado a discutir por causa da água que consomem na Assembleia da República (afinal metem água também . . . para dentro !) . Os "PSD(s)" consideram que deve ser consumida água engarrafada e os "PS(s)" querem que se consuma água da torneira !
   Já não há pachorra para aturar esta gente (?) . . .
   Mas afinal porque é que eles não levam a garrafinha de litro e meio de água , engarrafada ou da torneira , não me interessa , mas de casa ?
   Só nos faltava mais esta . . .
   Mas será só sobre a água que eles têm discutido , ou será também sobre o vinho (Douro ou Alentejano !) , o whisky (12 ou 15 anos !) , aguardente (velha ou velhíssima !) , papel higiénico (simples , dupla ou . . . tripla folha !) ?
   Mas afinal o que é que esta gente (?) faz ao salário que lhes damos , aos subsídios de alimentação , alojamento , transporte e . . . outros ? Se não chegar , estiquem-no , façam-no chegar , poupem , como nós temos que fazer . . .
   Porque será que esta gente e . . . outros , também têm direito a subsídios de férias e . . . de Natal ?
   Subsídios só são justificáveis para "salários baixos" completamente "imorais" , abaixo de um determinado nível exigível (porque não . . . 1250 euros ?) .
   Respeitem ao menos a minha humilde inteligência e a minha . . . sanidade mental !

   E O POVO , PÁ ?

   Até quando vai continuar a "agachar-se" e a votar nessa "cambada" ?
   Organizem-se
   Unam-se
   Indignem-se
   Revoltem-se , PORRA !
 
   Sinto nojo , muito nojo mesmo desta sociedade onde vou sendo "obrigado" a viver . É um suplício cada vez maior para mim , todos os dias ter que me afastar deste "meu cantinho" , de onde saio apenas por necessidade absoluta . . .

   ESTOU CANSADO DE TODA ESTA GENTE ESTÚPIDA E . . . ESTUPIDIFICADA ! ! !

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quantas saudades . . .

. . . como eu gostava dos "mil-folhas" da Sírius ! Parecidos , só os do bar da Estação Nova da CP ! ! !
   Em 1970 , quando entrei para a minha primeira aula no D. Duarte , atrasado , como viria a acontecer habitualmente :
   - "Ó pá , olha que isso aqui não se usa !" . O "Corrécio" , com aquela voz de trovão , referia-se às sapatilhas , pois viria a saber que naquele Liceu , sapatilhas só para as aulas de Educação Física !
   Num dos meus primeiros dias de Coimbra , quase fui atropelado pelo combóio que se passeava ali pela Baixa ; quando ouvi aquele "buzinão" quase em cima de mim , instintivamente saltei para o lado e qual não foi o meu espanto , quando vi aquele "cavalo de ferro" com um grande holofote aceso na testa (era já noite !) , passeando-se autenticamente pelo centro da cidade !
   O primeiro colega que se dirigiu a mim e que de certa maneira me ajudou a desinibir e a integrar naquele novo ambiente , foi o pequenino Zé Baetas da Silva , AMIZADE que ainda hoje perdura e  . . . o Zé Baetas acabaria por se tornar o meu melhor amigo de sempre !
   Aquele abraço , Grande Zé Baetas , meu "irmão" ! ! ! Recordo com saudade o teu pai e a tua mãe Marina ( que grande Mulher e Amiga ! ) .
   Vivi em Coimbra de 1970 a 1983 , dos 15 aos 28 anos , talvez a melhor fase da minha vida .

   REFERÊNCIAS

   Liceu D. Duarte

   - A minha primeira paixão (será que algum dia conseguirás e quererás perdoar-me , Maria da Luz (Luzy)?
   - Abril / 74 . . . fantástico , inesquecível !
   - Café Miradouro (aquele abraço , sr Manel !)
   - Estádio e Pavilhão Universitários
   - Ti Júlia e Mobil
   - Ponte de Santa Clara
   - Café Arcádia , onde estudava . . .
   - Café a Brasileira , onde jogávamos bilhar e à "fodinha a 5 tostões" ! Zé Baetas , Zé Vitorino , Tó Ferreira , Toni Gonçalves , Pinto Ângelo , Victor Seco . . . será que se lembram ?
   - Primeiros namoricos e . . . os famosos "bailes de garagem" em Santa Clara ! Hein , Tó Amarante , Leston , Victor "das baterias" ? Não vou mencionar o nome das meninas , a sério que não me lembro da maior parte dos nomes . . . hehehehe !

   Universidade - Faculdade de Medicina
   Claro que só podia ter desistido , por falta de vocação !

   - Círculo dos Leitores (fui assistente durante cerca de 3 anos)
   - Café Trianon , Arco-Bar , Triana , Kuala , Atenas , Moçambique , Piolho , Luna (máquinas flippers) . . .
   - "OUI" , "ETC" , "LD" , Café Romano . . .
   - Uma ou outra paixão "assolapada" e mais algumas outras . . . referências !

   FORAM TEMPOS LOUCOS DE BONS ! ! !
  


   

  


Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua a mão que segura
outra mão que lhe é dada
nua a suave ternura
na face apaixonada
nua a estrela mais pura
nos olhos da amada
nua a ânsia insegura
de uma boca beijada.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nu o riso e o prazer
como é nua a sentida
lágrima de não ver
na face dolorida
nu o corpo do ser
na hora prometida
meu amor que ao nascer
nus viemos à vida.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua nua a verdade
tão forte no criar
adulta humanidade
nu o querer e o lutar
dia a dia pelo que há-de
os homens libertar
amor que a eternidade
é ser livre e amar.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"

(Jackson Pollock)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ana Drago desanca Duarte Marques



POEMA DA DESPEDIDA

Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal, só os mortos sabem morrer
Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo
Não é este sossego que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos
Agora
não resta de mimo que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca
Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo.

MIA COUTO

Da Micá recebi esta "coisa lindíssima" . . .

Para Ti Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Tu que cuidas de mim . . .

  " Tu que cuidas de mim , que vês ?
   Quando olhas para mim que pensas ?
   Sou uma velhota rabugenta e já meia demente , que se baba quando come e que nunca responde aos teus contínuos "vá ! tente !", parecendo que não presto atenção ao que dizes .
   Sou uma velhota que perde as meias e os sapatos , e que parece dócil à tua maneira de lhe dares banho e lhe ministrares as refeições . . .
   É isto que pensas ? É isto que vês ?

   Então abre os olhos , que eu , aqui sentada e tranquila , agarrada à minha bengala , vou dizer-te quem sou .

   Eu sou a última de dez irmãos . Tive um pai e uma mãe , e todos gostávamos muito uns dos outros .
   Fui donzela de dezasseis anos com asas nos pés , sonhando com um noivo que em breve encontraria .
   Casei aos vinte e o meu coração ainda rejubila de alegria com a lembrança desse belo dia .
   Tive um filho aos vinte e cinco .
   Vi-o crescer depressa demais , mas a quem ainda me prendem fortes laços de afeição .
   Quando cheguei aos quarenta e cinco , ele saiu do ninho , do lar , para construir o seu próprio ninho . . .
   Mas eu fiquei com o meu marido que velou por mim .
   Aos cinquenta anos , de novo bebés brincando ao meu lado ; são os meus netos e eu revejo-me nessas crianças . . .

   Mas eis que chegam os dias negros : o meu amado morreu .
   Olho para o futuro , tremendo de medo , pois o meu filho está muito ocupado a criar os seus .
   E eu penso nos anos passados e no amor que conheci .
   Penso : já sou velha e a natureza é muito cruel , pois diverte-se a passar a velhice por tola .
   O meu corpo definha-se , a beleza e a força abandonam-me , e há agora aqui uma pedra onde havia um coração .
   Mas nesta velha carcaça , há uma rapariguinha que sonhou muito e que muito amou .
   Lembro-me das alegrias , lembro-me das tristezas e, de novo , sinto a minha vida . E de novo amo .
   Repenso os anos curtos que passaram tão depressa , e aceito esta realidade implacável , de que tudo neste mundo é passageiro .

   Então , tu que cuidas de mim , abre bem os olhos para esta velha rabugenta e meio tola , e descobre não o que te parece ver , mas aquilo que eu sou realmente : uma história . . . que tu amanhã também podes ser . 
   Olha bem para mim , e ver-me-ás melhor . . ."

              - Texto encontrado no espólio de uma falecida num Lar de Terceira Idade e dirigido à funcionária que mais tratou dela .
   

Alma de mulher

   Nada mais contraditório do que ser mulher . . .
mulher pensa com o coração ,
age pela emoção e vence pelo amor .
   Vive milhões de emoções num só dia
e transmite cada uma delas , num único olhar .
   Exige de si a perfeição
e vive arranjando desculpas
para os erros daqueles a quem ama .
   Hospeda no ventre outras almas ,
dá à luz e depois fica cega ,
diante da beleza dos filhos que gerou .
   Dá as asas , ensina a voar
mas não quer ver partir os pássaros ,
mesmo sabendo que eles não lhe pertencem .
   Enfeita-se toda e perfuma o leito ,
mesmo que o seu amor
nunca perceba tais pormenores .
   Como uma feiticeira
transforma em luz e sorriso
as dores que sente na alma ,
só para ninguém notar .
   E ainda tem que ser forte ,
p'ra dar o ombro
a quem dele precise para chorar .
 
   Feliz do homem que ao menos durante um dia
soube entender a Alma da Mulher !

Só de pão podia viver o homem - Vida - Sol

Só de pão podia viver o homem - Vida - Sol

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

QUEM SOU EU ?

   Nesta altura da vida já nem sei quem sou . . .

   Vejam só que dilema !

   Na ficha da loja sou CLIENTE ; no restaurante , FREGUÊS ; quando alugo uma casa , INQUILINO ; nos transportes , PASSAGEIRO ; nos correios , REMETENTE ; no supermercado , CONSUMIDOR .

   Para as Finanças sou CONTRIBUINTE ; se vendo algo importado , CONTRABANDISTA ; se não pago imposto , SONEGADOR .
   Para votar sou ELEITOR ; mas em comícios , MASSA ; em viagens , TURISTA ; na rua caminhando , PEDESTRE ; se sou atropelado , ACIDENTADO ; no hospital , PACIENTE .
   Se compro um livro sou LEITOR ; se ouço rádio , OUVINTE ; para apresentador de televisão , TELESPECTADOR ; no campo de futebol , TORCEDOR .

   Se sou Benfiquista sou SOFREDOR ; quando morrer . . . uns dirão FINADO , outros . . . DEFUNTO e outros . . . EXTINTO .

   E o pior de tudo é que para os governantes , sou apenas um IMBECIL .

   E pensar que um dia já fui . . . EU ! ! !

Isto é . . . "GLOBALIZAÇÃO" ! ! !

   Efectuou-se um Concurso para definir numa frase curta ou num facto , o conceito de globalização neste nosso mundo .
   O prémio foi atribuído à "MORTE DA PRINCESA DIANA" pelas seguintes razões :

   Diana era uma princesa inglesa que tinha um namorado egípcio . Teve um acidente de carro dentro de um túnel francês , num carro alemão com motor holandês , conduzido por um belga , bêbado com whisky escocês , que era seguido por paparazzis italianos , em motos japonesas . A princesa foi tratada por um médico canadiano , que usou medicamentos americanos . E isto é enviado a você por um brasileiro , usando tecnologia americana (Bill Gates) e provavelmente , você está lendo isto com um computador genérico que usa chips feitos em Taiwan e um monitor coreano montado por trabalhadores de Bangladesh , numa fábrica de Singapura , transportado em camiões conduzidos por indianos , roubados por indonésios , descarregados por pescadores sicilianos , reempacotados por mexicanos e , finalmente , vendido a você por chineses , através de uma conexão paraguaia .

   Isto é . . . "GLOBALIZAÇÃO" ! ! !

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Frei Betto


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?' Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação! Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa? Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais... A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose. O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse. Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas... Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald... Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:... "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser Feliz"!!!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Porque é que os Estados devem pagar 600 vezes mais do que os Bancos? Michel Rocard, antigo primeiro-ministro e Pierre Larrouturou, economista

A Federal Reserve tem secretamente emprestado aos bancos em dificuldade a soma fantástica de 1 200 mil milhões à taxa surpreendentemente baixa de 0,01%. Trata-se de valores incríveis. Já se sabia que, no final de 2008, George Bush e Henry Paulson tinham colocado em cima da mesa a astronómica quantia de 700 mil milhões (540 mil milhões de euros) para salvar os seus bancos. Uma soma colossal. Mas um juiz americano, recentemente, deu razão aos jornalistas da Bloomberg que pretendiam que o seu Banco Central fosse transparente quanto aos apoios financeiros concedidos ao sistema bancário. Depois de terem analisado perto de 20.000 páginas de documentos diversos, Bloomberg mostra que a Reserva Federal secretamente emprestou aos bancos em dificuldade 1.200 mil milhões à taxa surpreendentemente baixa de 0,01%. Ao mesmo tempo, em muitos países, as pessoas sofrem de planos de austeridade impostos pelos governos aos quais os mercados financeiros não aceitam emprestar alguns milhares de milhões, a taxas de juro inferiores a 6,7 ou mesmo a 9%! Asfixiados por estas taxas de juros, os governos são "obrigados" a bloquear as pensões, os apoios às famílias ou a cortar nos salários dos funcionários públicos e nos investimentos públicos, o que faz aumentar o desemprego e nos fará afundar, em breve, numa profunda e muito grave recessão. Será normal que em caso de crise, os bancos privados, que se financiam normalmente a 1% junto dos bancos centrais, possam beneficiar de taxas a 0,01%, mas que, na mesma situação de crise, alguns Estados-Membros sejam obrigados a pagar em vez disso taxas de 600 ou 800 vezes maiores? "Ser governado pelo dinheiro organizado é tão perigoso como ser governado pelo crime organizado," disse Roosevelt. E Roosevelt tinha razão. Estamos a viver uma crise do capitalismo desregulado que pode ser suicida para a nossa civilização. Como o escreveram Edgar Morin e Stéphane Hessel no seu livro Le Chemin de l'espérance (Fayard, 2011), as nossas sociedades devem escolher entre a metamorfose ou a morte? Vamos nós esperar até que seja tarde demais para abrir os olhos? Vamos nós esperar até que seja tarde demais para compreender a gravidade da crise e para escolher a metamorfose, antes que as nossas sociedades se autodestruam? Não temos nós a possibilidade aqui e agora para desenvolver as dez ou quinze reformas concretas que tornariam possível esta metamorfose? Nós queremos somente mostrar que é possível afirmar que Paul Krugman está errado quando este diz que a Europa está enfiada numa "espiral da morte". Como dar oxigénio às nossas finanças públicas? Como agir sem modificar os Tratados, o que exigiria meses de trabalho e se tornará impossível se a Europa é cada vez mais detestada pelos povos? Ângela Merkel tem razão quando diz que nada deve incentivar os governos a continuar a sua fuga para a frente. Mas a maior parte do dinheiro dos empréstimos que os nossos Estados têm estado a contrair nos mercados financeiros é de dívidas antigas. Em 2012, a França deve pedir cerca de 400 mil milhões: 100 mil milhões que correspondem ao défice do orçamento (que seria quase nulo se terminasse com os benefícios fiscais concedidos há dez anos) e 300 mil milhões que correspondem a dívidas antigas, que expiram e que seremos incapazes de reembolsar se nos não voltarmos a endividar nesses mesmos montantes horas antes de ter liquidado as somas em dívida até àquela data. Fazer pagar agora, a taxas de juros colossais, as dívidas acumuladas há cinco ou dez anos atrás não conduz a responsabilizar os governos, mas sim a asfixiar as nossas economias e para benefício exclusivo de alguns bancos privados: sob o pretexto de que há um risco, estes emprestam a taxas muito elevadas, embora sabendo que não há provavelmente nenhum risco real., uma vez que o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) tem como função assegurar a solvência dos Estados mutuários. É necessário acabar com dois pesos, duas medidas: tomando como referência o que fez o Banco Central Americano para salvar o sistema financeiro, propomos que a “dívida velha" dos nossos Estados possa ser refinanciada a uma taxa perto de 0%. Não é necessário modificar os tratados europeus, para implementar esta ideia: claro, o Banco Central Europeu (BCE) não está autorizado a emprestar aos Estados-Membros, mas pode emprestar sem limite aos organismos de crédito públicos (artigo 21.3 dos estatutos do sistema europeu de bancos centrais) e às organizações internacionais (artigo 23 dos mesmos estatutos). Pode, portanto, emprestar a 0,01% ao Banco Europeu de Investimento ou aos organismos públicos, que podem emprestar a 0,02% aos Estados que se endividam para pagar as suas dívidas antigas. Nada impede que se possa pôr em marcha estes financiamentos já, a partir de Janeiro! Não se fala sequer do que se devia falar: o orçamento da Itália mostra um excedente primário. Portanto, esta estaria em equilíbrio se a Itália não tivesse que pagar encargos financeiros cada vez mais elevados. Será necessário deixar afundar a Itália numa recessão e na crise política, ou deve-se aceitar que se deve colocar um fim nas “rendas” dos bancos privados? A resposta deve ser evidente e óbvia para que se possa agir imediatamente a favor do bem comum. O papel que os Tratados atribuem ao BCE é o de garantir a estabilidade de preços. Como se pode ficar indiferente quando alguns países veem o preço (o custo) dos seus títulos do Tesouro duplicar ou mesmo triplicar em poucos meses? O BCE também deve garantir a estabilidade das nossas economias. Como é que se pode ficar sem atuar quando o preço da dívida nos ameaça lançar numa profunda recessão "mais grave do que a de 1930", de acordo com o governador do Banco Central de Inglaterra? Mantendo-nos numa situação de respeito absoluto pelos Tratados, nada proíbe ao BCE de atuar com força de modo a fazer baixar o preço da dívida. Nada, mas mesmo nada, o proíbe de agir, e tudo o incita a que o faça. Se o BCE é fiel aos tratados, ele deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que diminua o custo da dívida pública. A opinião geral é a de que a inflação é mais preocupante! Em 1989, depois da queda do muro de Berlim, bastou um mês a Helmut Kohl e a François Mitterrand e a outros Chefes de Estado europeus, para decidirem criar a moeda única. Depois de quatro anos de crise, que esperam ainda os nossos dirigentes políticos para darem oxigénio às nossas finanças públicas? O mecanismo que propomos poderia aplicar-se imediatamente, tanto para reduzir o custo da dívida antiga como para financiar os investimentos fundamentais para o nosso futuro como, por exemplo, um plano europeu para economia de energia. Aqueles que pedem a negociação de um novo Tratado Europeu têm razão: com os países que o quiserem é necessário construir uma Europa política capaz de agir sobre a globalização; uma Europa verdadeiramente democrática como o propôs já Wolfgang Schäuble e Karl Lamers, em 1994, ou Joschka Fischer em 2000. É necessário um tratado de convergência social e uma verdadeira governação económica. Tudo isto é essencial. Mas nenhum novo Tratado pode ser adotado se o nosso continente se continua a enfiar numa "espiral da morte" e em que os cidadãos continuam a detestar tudo o que vem de Bruxelas. A urgência é então a de enviar um sinal muito claro aos povos europeus, às pessoas: a Europa não está nas mãos dos lobbies financeiros, a Europa está ao serviço dos cidadãos. Michel Rocard, antigo primeiro-ministro e Pierre Larrouturou, economista Michel Rocard é também o Presidente do Conselho de Orientação de Terra Nova, desde 2008. Pierre Larrouturou é também o autor de "Pour éviter le krach ultime" (Nova Editions, 256 p., 15€)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

NATAL / 2011

   No próximo domingo (25 de Dezembro) , faz 2011 anos que nasceu Jesus ; dizem , e eu acredito , claro . . .
   Mas quem foi Jesus ? Penso que , como outros , foi um menino que nasceu , cresceu e se fez homem ! Teve um pai e uma mãe , isso para mim , é uma certeza !
   Filho de Deus Pai ? Isso será um dos "livros" que eu ainda não tive oportunidade de ler . . .
   Jesus terá sido um menino igual a tantos outros , só que com uma "alma" enorme ! Bem cedo , leu , compreendeu e se incompatibilizou , demarcando-se de todo , da sociedade em que vivia ; é claro que os "poderosos" não gostaram , e . . . "apagaram-no" . . .
   Mas este mundo tem conhecido outros "meninos" com uma alma igual ou parecida , o mesmo percurso de vida , os mesmos ideais , e com o mesmo fim trágico , infelizmente : crucificados , queimados vivos , decapitados , envenenados , fuzilados , linchados , electrocutados , etc . . . etc . . .
   No próximo domingo , festejarei o Natal , sim ! Prestarei uma homenagem a todos esses "meninos" que nasceram e enquanto por cá os deixaram andar , tudo fizeram para que hoje todos vivêssemos num mundo mais alegre , justo e solidário , numa sintonia perfeita entre todos os elementos que  constituem este mundo , que é o nosso habitat natural .
   Evidentemente que eu não acredito nesse Deus todo poderoso , que vai assistindo impávido e sereno , a este completo disparate , que tem sido a evolução (?) deste mundo . . .
   O dia 25 de Dezembro , dia em que nasceu Jesus , será apenas e só , uma referência que simboliza o nascimento de todos esses "meninos" que eu aprendi a admirar , e de todos os outros que não cheguei a conhecer , mas que também "andaram por cá" , enquanto lhes foi permitido . . .

sábado, 10 de dezembro de 2011

Itálica Romana: Conímbriga

Itálica Romana: Conímbriga: La ciudad romana de Conímbriga, cerca de la actual localidad de Condeixa-a-Nova, Portugal, pertenecía a la provincia romana de Lusitania. Su...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A TODOS AQUELES :


- que , precisando de mim , "têm medo de incomodar" ;
- com os quais não me sinto à vontade o suficiente , para me dirigir se por acaso necessitar de ajuda ;
- que estão sempre cheios de pressa , quase não tendo tempo para parar e cumprimentar ;
- que embora vendo , não me vêem ;
- que me perturbam no mau sentido , fazendo-me mal ;
- que não sendo autênticos , não aceitam a minha autenticidade ;
- que teimam , insistindo em moldar-me e manipular as minhas "condutas" ;
- que não partilham os meus ideais e não respeitam as minhas "coisas" . Por favor , e porque é sentido de verdade , este pedido , quando me virem , ignorem-me ou . . . "mudem de passeio" ! Se por acaso passarem aqui à porta do "meu canto" , olhem em frente , empinem um pouco mais o nariz e acelerem o passo , pois o passeio aqui à minha porta , estará sempre desimpedido para vós !

 A TODOS OS OUTROS , amigos ou "pré-dispostos" a sê-lo , saberão que a campainha da minha porta , assim como o meu telefone , estão ligados 24 horas por dia (só não atendo chamadas não identificadas !) e que em momento algum me incomodariam . . .

 Já precisei urgentemente de "ajuda" . Fiz várias tentativas de ligação por telefone a um suposto . . . amigo , mas talvez devido ao adiantado da hora (2 ou 3 horas da madrugada !) acabei sempre por desistir , até que me lembrei do Adérito (Detito) , e qual não foi o meu espanto , quando não tive sequer um momento de hesitação , e nem por sombras , senti receio de incomodar ! A situação resolveu-se , e eu que sou um perdedor nato , nesse dia senti-me um vencedor e . . . muito feliz por isso !

 Um dia fiquei sem carro , por avaria . No dia seguinte , ao chegar a casa , tinha um carro estacionado no jardim ; uns minutos depois , tocou o telemóvel  . . . era o Detito : - "a chave da ignição está debaixo do tapete , usa enquanto precisares . . ."
 Será que alguém tem dúvidas de que sou uma pessoa feliz ?

 Aquele abraço , AMIGO , tu sabes que sempre que precisares de mim , eu . . . estarei por aqui !

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Redução de vencimentos: um texto lúcido do Prof. Luís Menezes Leitão, da Faculdade de Direito de Lisboa, a fazer furor na blogosfera...

Fico perfeitamente siderado quando vejo constitucionalistas a dizer que não há qualquer problema constitucional em decretar uma redução de salários na função pública. Obviamente que o facto de muitos dos visados por essa medida ficarem insolventes e, como se viu na Roménia, até ocorrerem suicídios, é apenas um pormenor sem importância. De facto, nessa perspectiva a Constituição tudo permite. É perfeitamente constitucional confiscar sem indemnização os rendimentos das pessoas. É igualmente constitucional o Estado decretar unilateralmente a extinção das suas obrigações apenas em relação a alguns dos seus credores, escolhendo naturalmente os mais frágeis. E finalmente é constitucional que as necessidades financeiras do Estado sejam cobertas aumentando os encargos apenas sobre uma categoria de cidadãos. Tudo isto é de uma constitucionalidade cristalina. Resta acrescentar apenas que provavelmente se estará a falar, não da Constituição Portuguesa, mas da Constituição da Coreia do Norte. É por isso que neste momento tenho vontade de recordar Marcelo Caetano, não apenas o último Presidente do Conselho do Estado Novo, mas também o prestigiado fundador da escola de Direito Público de Lisboa. No seu Manual de Direito Administrativo, II, 1980, p. 759, deixou escrito que uma redução de vencimentos importaria para o funcionário uma degradação ou baixa de posto que só se concebe como grave sanção penal. Bem pode assim a Constituição de 1976 proclamar no seu preâmbulo que "o Movimento das Forças Armadas [?) derrubou o regime fascista". Na perspectiva de alguns constitucionalistas, acabou por consagrar um regime constitucional que permite livremente atentar contra os direitos das pessoas de uma forma que repugnaria até ao último Presidente do Estado Novo. Diz o povo que "atrás de mim virá quem de mim bom fará". Se no sítio onde estiver, Marcelo Caetano pudesse olhar para o estado a que deixaram chegar o regime constitucional que o substituiu, não deixaria de rir a bom rir com a situação.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

EU JÁ VIVI O VOSSO FUTURO! Assunto: " Declarações do escritor e dissidente soviético, Vladimir Bukovsky, sobre o Tratado de Lisboa

"É surpreendente que, após ter enterrado um monstro, a URSS, se tenha construído outro semelhante: a União Europeia (UE). O que é, exactamente a União Europeia? Talvez fiquemos a sabe-lo examinando a sua versão soviética. A URSS era governada por quinze pessoas não eleitas que se cooptavam mutuamente e não tinham que responder perante ninguém. A UE é governada por duas dúzias de pessoas que se reúnem à porta fechada e, também não têm que responder perante ninguém, sendo politicamente impunes. Poderá dizer-se que a UE tem um Parlamento. A URSS também tinha uma espécie de Parlamento, o Soviete Supremo. Nós, (na URSS) aprovámos, sem discussão, as decisões do Politburo, como na prática acontece no Parlamento Europeu, em que o uso da palavra concedido a cada grupo está limitado, frequentemente, a um minuto por cada interveniente. Na UE há centenas de milhares de eurocratas com vencimentos muito elevados, com prémios e privilégios enormes e, com imunidade judicial vitalícia, sendo apenas transferidos de um posto para outro, façam bem ou façam mal. Não é a URSS escarrada? A URSS foi criada sob coacção, muitas vezes pela via da ocupação militar. No caso da Europa está a criar-se uma UE, não sob a força das armas, mas pelo constrangimento e pelo terror económicos. Para poder continuar a existir, a URSS expandiu-se de forma crescente. Desde que deixou de crescer, começou a desabar. Suspeito que venha a acontecer o mesmo com a UE. Proclamou-se que o objectivo da URSS era criar uma nova entidade histórica: o Povo Soviético. Era necessário esquecer as nacionalidades, as tradições e os costumes. O mesmo acontece com a UE parece. A UE não quer que sejais ingleses ou franceses, pretende dar-vos uma nova identidade: ser «europeus», reprimindo os vosso sentimentos nacionais e, forçar-vos a viver numa comunidade multinacional. Setenta e três anos deste sistema na URSS acabaram em mais conflitos étnicos, como não aconteceu em nenhuma outra parte do mundo. Um dos objectivos «grandiosos» da URSS era destruir os estados-nação. É exactamente isso que vemos na Europa, hoje. Bruxelas tem a intenção de fagocitar os estados-nação para que deixem de existir. O sistema soviético era corrupto de alto a baixo. Acontece a mesma coisa na UE. Os procedimentos antidemocráticos que víamos na URSS florescem na UE. Os que se lhe opõem ou os denunciam são amordaçados ou punidos. Nada mudou. Na URSS tínhamos o «goulag». Creio que ele também existe na UE. Um goulag intelectual, designado por «politicamente correcto».. Experimentai dizer o que pensais sobre questões como a raça e a sexualidade. Se as vossas opiniões não forem «boas», «politicamente correctas», sereis ostracizados. É o começo do «goulag». É o princípio da perda da vossa liberdade. Na URSS pensava-se que só um estado federal evitaria a guerra. Dizem-nos exactamente a mesma coisa na UE. Em resumo, é a mesma ideologia em ambos os sistemas. A UE é o velho modelo soviético vestido à moda ocidental. Mas, como a URSS, a UE traz consigo os germes da sua própria destruição. Desgraçadamente, quando ela desabar, porque irá desabar, deixará atrás de si um imenso descalabro e enormes problemas económicos e étnicos. O antigo sistema soviético era irreformável. Do mesmo modo, a UE também o é. (...) Eu já vivi o vosso «futuro»..." O carácter é a soma de milhares de pequenos esforços, para viver de acordo com o que de melhor há em nós. *** Alfred Montapert O que mais me impressiona nos fracos é que eles precisam humilhar os outros, para sentirem-se fortes. *** Ghandi

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Silva das vacas

Algumas das reminiscências da minha escola primária têm a ver com vacas. Porque a D.ª Albertina, a professora, uma mulher escalavrada e seca, mais mirrada que uva-passa, tinha um inexplicável fascínio por vacas. Primavera e vacas. De forma que, ora mandava fazer redacções sobre a primavera, ora se fixava na temática da vaca. A vaca era, assim, um assunto predilecto e de desenvolvimento obrigatório, o que, pela sua recorrência, se tornava insuportavelmente repetitivo. Um dia, o Zeca da Maria "gorda", farto de escrever que a vaca era um mamífero vertebrado, quadrúpede ruminante e muito amigo do homem a quem ajudava no trabalho e a quem fornecia leite e carne, blá, blá, blá, decidiu, num verdadeiro impulso de rebelião criativa, explicar a coisa de outra forma. E, se bem me lembro ainda, escreveu mais ou menos isto: "A vaca, tal como alguns homens, tem quatro patas, duas à frente, duas atrás, duas à direita e duas à esquerda. A vaca é um animal cercado de pêlos por todos os lados, ao contrário da península que só não é cercada por um. O rabo da vaca não lhe serve para extrair o leite, mas para enxotar as moscas e espalhar a bosta. Na cabeça, a vaca tem dois cornos pequenos e lá dentro tem mioleira, que o meu pai diz que faz muito bem à inteligência e, por não comer mioleira, é que o padre é burro como um tamanco. Diz o meu pai e eu concordo, porque, na doutrina, me obriga a saber umas merdas de que não percebo nada como as bem-aventuranças. A vaca dá leite por fora e carne por dentro, embora agora as vacas já não façam tanta falta, porque foi descoberto o leite em pó. A vaca é um animal triste todo o ano, excepto no dia em que vai ao boi, disse-me o pai do Valdemar "pauzinho", que é dono do boi onde vão todas as vacas da freguesia. Um dia perguntei ao meu pai o que era isso da vaca ir ao boi e levei logo um estalo no focinho. O meu pai também diz que a mulher do regedor é uma vaca e eu também não entendi. Mas, escarmentado, já nem lhe perguntei se ela também ia ao boi." Foi assim. Escusado será dizer que a D.ª Albertina, pouco dada a brincadeiras criativas, afinfou no pobre do Zeca um enxerto de porrada a sério. Mas acabou definitivamente com a vaca como tema de redacção. Recordei-me desta história da D.ª Albertina e da vaca do Zeca da Maria "gorda", ao ler que Cavaco Silva, presidente da República desta vacaria indígena, em visita oficial ao Açores, saiu-se a certa altura com esta pérola vacum: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Este homem, que se deixou rodear, no governo, pelo que viria a ser a maior corja de gatunos que Portugal politicamente produziu; este homem, inculto e ignorante, cuja cabeça é comparada metaforicamente ao sexo dos anjos; este político manhoso que sentiu necessidade de afirmar publicamente que tem de nascer duas vezes quem seja mais honesto que ele; este "cagarola" que foi humilhado por João Jardim e ficou calado; este homem que, desgraçadamente, foi eleito presidente da República de Portugal, no momento em que a miséria e a fome grassam pelo país, em que o desemprego se torna incontrolável, em que os pobres são miseravelmente espoliados a cada dia que passa, este homem, dizia, não tem mais nada para nos mostrar senão o fascínio pelo "sorriso das vacas", satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Satisfeitíssimas, as vacas?! Logo agora, em tempos de inseminação artificial, em que as desgraçadas já nem sequer dispõem da felicidade de "ir ao boi", ao menos uma vez cada ano! Noticiava há dias o Expresso que, há mais ou menos um ano e aquando de uma visita a uma exploração agrícola no âmbito do Roteiro da Juventude, Cavaco se confessou "surpreendidíssimo por ver que as vacas, umas atrás das outras, se encostavam ao robô e se sentiam deliciadas enquanto ele, durante seis ou sete minutos, realizava a ordenha"! Como se fosse possível alguma vaca poder sentir-se deliciada ao passar seis ou sete minutos com um robô a espremer-lhe as tetas!! Não sei se o fascínio de Cavaco por vacas terá ou não uma explicação freudiana. É possível. Porque este homem deve julgar-se o capataz de uma imensa vacaria, metáfora de um país chamado Portugal, onde há meia-dúzia de "vacas sagradas", essas sim com direito a atendimento personalizado pelo "boi", enquanto as outras são inexoravelmente "ordenhadas"! Sugadas sem piedade, até que das tetas não escorra mais nada e delas não reste senão peles penduradas, mirradas e sem proveito. A este "Américo Tomás do século XXI" chamou um dia João Jardim, o "sr. Silva". Depreciativamente, conforme entendimento generalizado. Creio que não. Porque este homem deveria ser simplesmente "o Silva". O Silva das vacas. Presidente da República de Portugal. Desgraçadamente. Luís Manuel Cunha in Jornal de Barcelos de 05 de Outubro de 2011.

sábado, 15 de outubro de 2011

CALDO VERDE EVITA O CANCRO! Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Muita gente sabe que o caldo verde é uma sopa de couve portuguesa, tipicamente do norte de Portugal Continental, mas muito divulgada por todo o país. Couve é o nome genérico que se usa para descrever uma grande família de hortaliça caracterizada por folhas largas, esverdeadas e muito ricas em nervuras, fibra e vitaminas. Existe uma variedade de couves: couve galega, couve lombarda, couve crespa, couve penca, couve tronchuda, couve bastarda, couve repolho, couve bróculo roxo, couve bróculo branco e até couve flor! Mas a couve preferida para se fazer o caldo verde, como deve ser, é a couve chamada galega, muito cultivada na Província do Minho em Portugal. Na Nova Inglaterra os nossos emigrantes cultivam nos seus quintais a couve galega, depois de usar vários truques para passarem, contra a lei, na alfândega as sementes desta couve preferida. Na América há uma couve semelhante à galega que tem o nome de: "collards". Devido às temperaturas negativas as couves galegas não se aguentam ao relento durante os meses de inverno e assim a nossa gente usa um tipo de couve crispada chamada "kale". Mas o caldo feito de "Kale" não é genuinamente caldo verde. Perde a sua característica, não pelo tipo diferente de couve, mas sim pelos ingredientes que as cozinheiras imigrantes lhe adicionam e que não devem fazer parte da receita do caldo verde. Sucede que a composição da "kale soup" é muito complexa: além da couve ou "kale", leva carne de vaca, carne de porco, chouriço, ou linguiça, feijão, batata, cenoura, água, sal e mais não sei quê. Gostosa? Sim, senhor, mas é tão concentrada, é tão forte que até faz lembrar cimento armado ou entulho!... Em contrapartida a receita do caldo verde é muito simples: água, sal, batata ralada, couves cortadas às tiras fininhas, azeite português e mais nada! No entanto há muitas donas de casa que não sabem cozinhar o caldo verde como deve ser. Não fazem caldo verde para os seus familiares por que dá muita maçada a cortar as couves às tiras muito fininhas... Mas talvez a razão principal seja por as cozinheiras portuguesas na América pensarem que o caldo verde por ter tantas couves não tem nenhum valor nutritivo, não presta para nada! Como estais enganadas, minhas senhoras! Se vos disser que de todos os cozinhados tipicamente portugueses o caldo verde é o melhor para a nossa saúde?! Que pensais se vos disser, como médico, que o caldo verde evita o cancro?! E se vos disser que o caldo verde evita os ataques do coração por reduzir no sangue o colesterol, pensais que é fantasia!? E se vos disser mais: que o caldo verde evita as pedras na vesícula e evita as hemorróidas?! É caso para perguntardes: se isso é verdade, porque é que levou tanto tempo a descobrir que o caldo verde é tão milagroso?! DOUTOR BURKITT Na década de setenta o famoso médico inglês Burkitt chefiou um grupo de médicos da Grã Bretanha que foram para a África Central estudar as diferenças entre as doenças que existem na selva e na zona metropolitana de Londres. Depois de estudos muito apurados o Dr. Burkitt veio a descobrir que existe no continente africano um tipo de cancro diferente que é causado por um vírus. Esta descoberta foi sensacional porque provou-se, pela primeira vez, que certos tipos de cancro podem ser causados por vírus. Em honra desta descoberta o mundo médico mundial passou a chamar a este tipo de cancro: Linfoma não-Hodgkin de Burkitt. Revelo esta informação médica a respeito do Dr. Burkitt para os leitores melhor apreciarem o calibre das observações que a equipa do Dr. Burkitt veio a registar no que diz respeito às diferenças que existem entre a dieta dos nativos africanos e a dieta do povo londrino. Primeiro os médicos ingleses verificaram que os nativos nunca tinham prisão de ventre, não contraiam cancro do recto, não tinham ataques do coração, não sofriam de hemorróidas, nem apendicite aguda! Surpreendidos com estes factos os médicos britânicos constataram que os nativos africanos defecavam ou obravam, durante 24 horas, um volume, QUATRO VEZES maior do que qualquer cidadão inglês! Admirados com este achado, os mesmos médicos prosseguindo com as suas pesquisas concluíram que a diferença dramática de saúde entre o povo inglês e os nativos em África se devia ao facto dos africanos comerem NOVENTA POR CENTO de ALIMENTOS RICOS em FIBRAS VEGETAIS, que não chegam a ser absorvidos no intestino e saem nas fezes praticamente intactos, aumentando assim o volume fecal, evitando portanto a prisão de ventre! Nos últimos anos mais de mil especialistas em todo o mundo têm publicado artigos em jornais e revistas médicas sobre as observações da equipa médica do Dr. Burkitt, CONFIRMANDO que os alimentos melhores para a nossa saúde são aqueles que têm mais fibras vegetais não-reabsorvíveis e que nos obrigam a visitar mais vezes a retrete.... Eu tive oportunidade de ouvir uma conferência sobre este assunto pelo Dr. Burkitt, há vários anos, no Hospital de Roger Williams, em Providence, Rhode Island, na qual o famoso médico usou esta frase bombástica: "É MAIS IMPORTANTE SABERMOS O VOLUME DA MERDA DIÁRIA DUMA PESSOA DO QUE O VALOR DO SEU AÇÚCAR OU DO SEU COLESTEROL!" BENEFÍCIOS DO CALDO VERDE Para apreciarmos as maravilhosas qualidades do caldo verde temos que primeiro analisar o nosso aparelho digestivo. Qual é o comprimento do nosso tubo digestivo? Qual é a distância que vai da boca até ao ânus? Resposta: O comprimento do nosso tubo digestivo é quase SETE vezes a altura de cada pessoa! Deste modo se um homem tem de altura um metro e meio, o seu tubo digestivo possui DEZ METROS de comprimento! É igual à mangueira de regar o quintal!... Agora compreendemos melhor porque é que a Natureza exige que a nossa alimentação contenha 90 por cento de alimentos com fibras vegetais que não sejam reabsorvidas. É preciso que a nossa alimentação contenha substâncias que não desapareçam, que não sejam reabsorvidas, no percurso do tubo digestivo, porque de contrário não chegará nada ao fim do canal que tem em média mais de dez metros de comprimento... Analisemos agora o conteúdo do caldo verde: COUVES - As couves são a parte mais importante do caldo verde porque são muito ricas em fibras não-reabsorvíveis. Além disso as couves são muito ricas em vitamina A e complexos B (tiamina, riboflavina e niacina). Possuem também cálcio, ferro, fósforo, potássio, mas têm poucas calorias. AZEITE -- O azeite deve ser português porque é muito rico em ácidos não-saturados que fazem baixar o colesterol mau. BATATA -- serve para amaciar, tornar mais homogéneo o sabor do caldo verde e o seu valor calórico não está fora de ordem. ÁGUA QUENTE -- A água quente do caldo verde é muito importante, porque faz funcionar muito melhor os sucos digestivos e os fermentos ou enzimas do aparelho digestivo. A água quente faz descontrair os esfíncteres ou válvulas do aparelho digestivo, estimula a contracção normal da vesícula biliar e relaxa o estômago e os intestinos delgado e grosso, tornando a nossa digestão agradável e saudável. SAL-- Não deve ser exagerado. Só o preciso! CHOURIÇO -- O chouriço - para ser cortado às rodelas e pôr no caldo verde -- deve ser cozido à parte para se deitar fora a água porque esta contem os produtos cancerígenos do chouriço devido ao processo de ter sido defumado. BROA -- A broa deve ser à moda portuguesa feita com o farelo e farinha de milho como se coze na nossa terra. Quem comer uma malga de caldo verde todos os dias não tem prisão de ventre! Quem não tem prisão de ventre não tem hemorróidas! Por outro lado uma pessoa fazendo as suas necessidades diariamente, o fígado é obrigado a produzir mais bílis e a vesícula a expelir mais sais biliares para untar a tripa por dentro para que os alimentos deslizem melhor. Deste modo saindo mais bílis (rica em colesterol) para o exterior através das fezes, dá-se uma baixa de colesterol no sangue, diminuindo os riscos de ataques cardíacos e de pedras da vesícula (compostas por colesterol)! O caldo verde faz também com que a pessoa emagreça e se torne mais saudável e mais feliz. CANCRO DO CÓLON Tem-se verificado uma relação directa entre a prisão de ventre e o cancro do cólon ou do intestino grosso. Porquê? Porque quando há prisão de ventre as fezes ficam paradas no intestino grosso, ou cólon e assim os produtos tóxicos contidos nas FEZES RETIDAS bombardeiam as células da mucosa intestinal de tal maneira que com a REPETIÇÃO deste processo desencadeia-se o princípio do cancro do cólon ou do intestino grosso que é uma doença terrível! Como contra prova dos estudos que a equipa do Dr. Burkitt observou em África, deram-se aos nativos africanos dietas iguais à que os ingleses e americanos usam com McDonalds, "ice cream" ou sorvetes, pizzas, lasanhas, batatas fritas, etc. Inverteu-se a dieta: em vez de 90 % de dieta com vegetais os nativos africanos passaram a ter uma dieta de SÓ DEZ por cento de vegetais. Resultados: Os nativos começaram a engordar, o colesterol começou a subir, passaram a ter prisão de ventre e a desenvolver hemorróidas como os ingleses e os americanos! Parece incrível, mas é verdade! No fim do século XX são os povos primitivos a ensinar ao homem civilizado, ao homem dos produtos sintéticos e das pastilhas qual é a alimentação mais saudável! Há mais de 40 anos visitei as Termas de Melgaço no Norte de Portugal. Estas termas são especialmente dedicadas a doentes diabéticos, cardíacos e renais. Observei então que fazia parte do tratamento obrigatório, a todas as refeições diárias, um grande prato de caldo verde. E todo o doente que quisesse comer fora das três refeições só podia comer mais outro prato de caldo verde! O certo é que todos os doentes melhoravam das suas enfermidades! Ainda hoje em Coimbra quando os estudantes fazem uma farra ou há uma reunião de curso e se come e se bebe exageradamente... depois duma bela guitarrada, à meia noite, serve-se sempre um caldo verde -- bem quente -- para "limpar e acalmar as entranhas"... Quando tiver uma festa grande em sua casa faça o mesmo: ofereça aos seus convidados um caldo verde para despedida e para terem boa viajem!... RECEITA DO CALDO VERDE À MODA DE VALENÇA DO MINHO Dois litros de água; 4 colheres de sopa de azeite português; 750 gramas de batatas; 1 ou 2 couves galegas conforme o tamanho; sal; 1 chouriço (cozido à parte); broa. TÉCNICA: Deita-se a água numa panela com o azeite e as batatas descascadas cortadas em 4 pedaços. Põe-se sal quanto baste e deixa-se ferver. Quando as batatas estiverem cozidas, tiram-se e passam-se por um passador. Voltam à panela para apurar. Entretanto cortam-se as couves em tiras o mais fino possível. Lavam-se e deitam-se na panela QUINZE minutos antes da sopa ser servida, deixando a panela fever DESTAPADA. Serve-se o caldo verde em tigelas de barro, com uma rodela de chouriço e um bocadinho de broa. Como já se encontram à venda na Nova Inglaterra as deliciosas sardinhas portuguesas congeladas, pode ser que algum dia algum comerciante se lembre de fazer coisa semelhante e nos mande as couves galegas já cortadas às tirinhas em caixinhas congeladas, prontas a meter na panela, para saborearmos, mesmo durante o Inverno severo na América, o nosso genuíno caldo verde!

domingo, 9 de outubro de 2011

Mando como recebi... de um católico - Assunto: O Padre Vítor Melícias reformou-se... E tudo em nom de DEUS!


AQUELE FRANCISCANO AMOROSO QUE IMPEDIU QUE TODAS AS AGENTES EM GEREATRIA(AJUDANTES DE LAR) DA SANTA CASA DA MISERICORDIA DE SETÚBAL E OUTRAS FOSSEM CONSIDERADAS TECNICAS E VIRAM O SEU VENCIMENTO REDUZIDO PARA MENOS DE METADE.
E tudo em nom de DEUS!
      E TUDO EM NOME DE DEUS, CLARO...    


mais um pobrezinho...    


Padre Melícias com pensão de 7450 euros 

O padre Vítor Melícias, ex-alto comissário para Timor-Leste e ex-presidente do Montepio Geral, declarou ao Tribunal Constitucional, como membro do Conselho Económico e Social (CES),umrendimento anual de pensões de, e só, 

104 301 euros . 

Em 14 meses, o sacerdote, que prestou um voto de obediência à Ordem dos Franciscanos, voto de pobreza a que aOrdem Franciscana obriga, tem uma pensão mensal de 7450 euros. O valor desta aposentação resulta, segundo disse ao CM Vítor Melícias, da "remuneração acima da média"auferida em vários cargos. 

Com 71 anos, Vítor Melícias declarou, em 2007, ao Tribunal Constitucional um rendimento total de111 491 euros, dos quais 104 301 euros de pensões e 7190 euros de trabalho dependente.
'Eu tenho uma pensão aceitável, mas não sou rico', diz o sacerdote. 

Melícias frisa que exerceu funções com 'remuneração ligeiramente acima da média", que corresponde a uma responsabilidade na Misericórdia de Lisboa, no Serviço Nacional de Bombeiros.   


E eu a julgar que esta gente praticava o " espírito de missão " e o "trabalho de voluntariado, digo eu, Guinaldo Chagas..

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Isto dava um filme . . .


A revista Sábado que ontem chegou às bancas dedica oito páginas a Duarte Lima, desde o tempo em que, órfão de pai aos 11 anos, ajudava a mãe a vender peixe em Miranda do Douro.
À beira de completar 56 anos (Novembro), Duarte Lima tornou-se um homem imensamente rico. A investigação de António José Vilela e Maria Henrique Espada está recheada de detalhes picantes.
Na sua casa da Av Visconde de Valmor, em Lisboa, Duarte Lima dava jantares impressionantes, confeccionados in situ por Luís Suspiro; no fim do ágape, o chef vinha à sala explicar aos convidados  --  entre outros, Manuel Maria Carrilho, Ricardo Salgado, João Rendeiro, Horácio Roque, Adriano Moreira e José Sócrates  --  a génese das suas criações.
Ângelo Correia, que o lançou na política em 1981, nunca foi convidado para esses jantares.
O andar da Visconde de Valmor foi decorado por Graça Viterbo: a decoradora cobrou 705 mil euros.
Quando entrou para a Universidade Católica, graças a uma bolsa que o isentou das propinas, foi ignorado pelos colegas: era pobre, vestia-se mal e vinha da província. Só Margarida Marante se aproximou dele. Duarte Lima oferecia-lhe alheiras confeccionadas pela mãe.
Em 1980 já era maestro do coro da Católica. Pacheco Pereira e Santana Lopes assistiam embevecidos aos seus concertos de órgão.
O estágio de advocacia foi feito no escritório do socialista José Lamego, então casado com Assunção Esteves, actual presidentada AR.
O primeiro casamento (1982) foi celebrado pelo bispo de Bragança.
Em 1983 chegou a deputado e, em 1991, a líder parlamentar e vice-presidente do PSD. Nos anos 1980-90 era das poucas pessoas a quem Cavaco atendia o telefone a qualquer hora.
Até que, em 1994, o Independente, então dirigido por Paulo Portas, obrigou o Ministério Público a investigar as suas contas. Demitiu-se de cargos políticos e aguardou a conclusão do processo.
Com o assunto arrumado, candidatou-se em 1998 à Distrital de Lisboa do PSD. Ganhou, derrotanto Passos Coelho e Pacheco Pereira. A leucemia afastou-o do cargo.
Volta ao Parlamento por dois mandatos: 1999-2002 e 2005-2009.
Segundo a revista, Sábado (da semana passada 30SET11), Duarte Lima depositou nas suas contas, entre 1986 e 1994, mais de cinco milhões de euros, parte considerável (25%) em cash.
É membro da Comissão de Ética do Instituto de Oncologia de Lisboa e fundou a Associação Portuguesa Contra a Leucemia.
Agora é o principal suspeito do assassinato de Rosalina Ribeiro.

Nada disto me impressiona, excepto o facto de Duarte Lima ter obtido do BPN, em 2008, pouco antes da nacionalização do banco, um empréstimo de 6,6 milhões de euros, «contraído sem a apresentação de qualquer garantia».
affaire Duarte Lima é um caso de polícia. Mas o affaire BPN, sendo também um caso de polícia, é sobretudo um assunto de Estado. E nenhum jornal ou revista investiu ainda o bastante para o dilucidar.

Carta Aberta ao venerando chefe do estado a que isto chegou


Senhor Presidente Há muito muito tempo, nos dias depois que Abril floriu e a Europa se abriu de par em par, foi V.Exa por mandato popular encarregue de nos fazer fruir dessa Europa do Mercado Comum, clube dos ricos a que iludidos aderimos, fiados no dinheiro fácil do FEDER, do FEOGA, das ajudas de coesão e mais liberalidades que, pouco acostumados, aceitámos de olhar reluzente, estranhando como fácil e rápido era passar de rincão estagnado e órfão do Império para a mesa dos poderosos que, qual varinha mágica, nos multiplicariam as estradas, aumentariam os direitos, facilitariam o crédito e conduziriam ao Olimpo até aí inatingível do mundo desenvolvido. Havia pequenos senãos, arrancar vinhas, abater barcos, não empatar quem produzisse tomate em Itália ou conservas em Marrocos, coisa pouca e necessária por via da previdente PAC, mas, estando o cheque passado e com cobertura, de inauguração em inauguração, o país antes incrédulo, crescia, dava formação a jovens, animava a construção civil , os resorts de Punta Cana e os veículos topo de gama do momento. Do alto do púlpito que fora do velho Botas, V.Exa passaria à História como o Modernizador, campeão do empreendedorismo, símbolo da devoção à causa pública, estóico servidor do povo a partir da marquise esconsa da casa da Rua do Possôlo. Era o aplicado aluno de Bruxelas, o exemplo a seguir no Mediterrâneo, o desbravador do progresso, com o mapa de estradas do ACP permanentemente desactualizado. O tecido empresarial crescia, com pés de barro e frágeis sapatas, mas que interessava, havia pão e circo, CCB e Expo, pontes e viadutos, Fundo Social Europeu e tudo o que mais se quisesse imaginar, à sombra de bafejados oásis de leite e mel, Continentes e Amoreiras, e mais catedrais escancaradas com um simples cartão Visa. Ao fim de dez anos, um pouco mais que o Criador ao fim de sete, vendo a Obra pronta, V.Exa descansou, e retirou-se. Tentou Belém, mas ingrato, o povo condenou-o a anos no deserto, enquanto aprendizes prosseguiam a sanha fontista e inebriante erguida atrás dos cantos de sereia, apelando ao esbanjamento e luxúria. No início do novo século, preocupantes sinais do Purgatório indicaram fragilidades na Obra, mas jorrando fundos e verbas, coisa de temerários do Restelo se lhe chamou. À porta estava o novo bezerro de ouro, o euro, a moeda dos fortes, e fortes agora com ela seguiríamos, poderosos, iguais. Do retiro tranquilo, à sombra da modesta reforma de servidor do Estado, livros e loas emulando as virtudes do novo filão foram por V.Exa endossados , qual pitonisa dos futuros que cantam, sob o euro sem nódoa, moeda de fortes e milagreiro caminho para o glorioso domínio da Europa. Migalha a migalha, bitaite a bitaite, foi V.Exa pacientemente cozendo o seu novelo, até que, uma bela manhã de nevoeiro, do púlpito do CCB, filho da dilecta obra, anunciou aos atarantados povos estar de volta, pronto a servir. Não que as gentes o merecessem, mas o país reclamava seriedade, contenção, morgados do Algarve em vez de ostras socialistas. Seria o supremo trono agora, com os guisados da Maria e o apoio de esforçados amigos que, fruto de muito suor e trabalho, haviam vingado no exigente mundo dos negócios, em prol do progresso e do desenvolvimento do país. Salivando o povo à passagem do Mestre, regressado dos mortos, sem escolhos o conduziram a Belém, onde petiscando umas pataniscas e bolo-rei sem fava, presidiria, qual reitor, às traquinices dos pupilos, por veladas e paternais palavras ameaçando reguadas ou castigos contra a parede. E não contentes, o repetiram segunda vez, e V. Exa, com pungente sacrifício lá continuou aquilíneo cônsul da república, perorando homilias nos dias da pátria e avisando ameaçador contra os perigos e tormentas que os irrequietos alunos não logravam conter. Que preciso era voltar à terra e ao arado, à faina e à vindima, vaticinou V.Exa, coveiro das hortas e traineiras; que chegava de obras faraónicas, alertou, qual faraó de Boliqueime e campeão do betão; que chegava de sacrifícios, estando uns ao leme, para logo aconselhar conformismo e paciência mal mudou o piloto. Eremita das fragas, paroquial chefe de família, personagem de Camilo e Agustina, desprezando os políticos profissionais mas esquecendo que por junto é o profissional da política há mais anos no poder, preside hoje V.Exa ao país ingrato que, em vinte anos, qual bruxedo ou mau olhado, lhe destruiu a obra feita, como vil criatura que desperta do covil se virou contra o criador, hoje apenas pálida esfinge, arrastando-se entre a solidão de Belém e prosaicas cerimónias com bombeiros e ranchos. Trinta anos, leva em cena a peça de V.Exa no palco da política, com grandes enchentes no início e grupos arregimentados e idosos na actualidade. Mas, chegando ao fim o terceiro acto, longe da epopeia em que o Bem vence o Mal e todos ficam felizes para sempre, tema V.Exa pelo juízo da História, que, caridosa, talvez em duas linhas de rodapé recorde um fugaz Aníbal, amante de bolo-rei e desconhecedor dos Lusíadas, que durante uns anos pairou como Midas multiplicador e hoje mais não é que um aflito Hamlet nas muralhas de Elsinore, transformado que foi o ouro do bezerro em serradura e sobrevivendo pusilânime como cinzento Chefe do estado a que isto chegou, não obstante a convicção, que acredito tenha, de ter feito o seu melhor. Respeitoso e Suburbano, devidamente autorizado pela Sacrossanta Troika António Maria dos Santos Sobrevivente (ainda) do Cataclismo de 2011

domingo, 18 de setembro de 2011

Repensando o colesterol - Cirurgião Cardíaco admite enorme erro! Por Dr. Lundell Dwight, MD

Nós os médicos com todos os nossos treinamentos, conhecimento e autoridade, muitas vezes adquirimos um ego bastante grande, que tende a tornarmos difícil admitir que estamos errados. Então, aqui está. Admito estar errado... Como um cirurgião com experiência de 25 anos, tendo realizado mais de 5.000 cirurgias de coração aberto, hoje é meu dia para reparar o erro de médicos com este fato científico.Eu treinei por muitos anos com outros médicos proeminentes rotulados como "formadores de opinião." Bombardeado com a literatura científica, sempre participando de seminários de educação, formuladores de opinião que insistiam que doença cardíaca resulta do fato simples dos elevados níveis de colesterol no sangue. A terapia aceita era a prescrição de medicamentos para baixar o colesterol e uma severa dieta restringido a ingestão de gordura. Este último é claro que insistiu que baixar o colesterol e doenças cardíacas. Qualquer recomendação diferente era considerada uma heresia e poderia possivelmente resultar em erros médicos. Ela não está funcionando! Estas recomendações não são cientificamente ou moralmente defensáveis. A descoberta, há alguns anos que a inflamação na parede da artéria é a verdadeira causa da doença cardíaca é lenta, levando a uma mudança de paradigma na forma como as doenças cardíacas e outras enfermidades crônicas serão tratados. As recomendações dietéticas estabelecidas há muito tempo ter criado uma epidemia de obesidade e diabetes, cujas consequências apequenam qualquer praga histórica em termos de mortalidade, o sofrimento humano e terríveis consequências econômicas. Apesar do fato de que 25% da população tomar caros medicamentos a base de estatina e, apesar do fato de termos reduzido o teor de gordura de nossa dieta, mais americanos vão morrer este ano de doença cardíaca do que nunca. Estatísticas do American Heart Association, mostram que 75 milhões dos americanos atualmente sofrem de doenças cardíacas, 20 milhões têm diabetes e 57 milhões têm pré-diabetes. Esses transtornos estão a afetar pessoas cada vez mais jovens em maior número a cada ano. Simplesmente dito, sem a presença de inflamação no corpo, não há nenhuma maneira que faça com que o colesterol se acumule nas paredes dos vasos sanguíneos e cause doenças cardíacas e derrames. Sem a inflamação, o colesterol se movimenta livremente por todo o corpo como a natureza determina. É a inflamação que faz o colesterol ficar preso. A inflamação não é complicada - é simplesmente a defesa natural do corpo a um invasor estrangeiro, tais como toxinas, bactéria ou vírus. O ciclo de inflamação é perfeito na forma como ela protege o corpo contra esses invasores virais e bacterianos. No entanto, se cronicamente expor o corpo à lesão por toxinas ou alimentos no corpo humano, para os quais não foi projetado para processar, uma condição chamada inflamação crônica ocorre. A inflamação crônica é tão prejudicial quanto a inflamação aguda é benéfica. Que pessoa ponderada voluntariamente exporia repetidamente a alimentos ou outras substâncias conhecidas por causarem danos ao corpo? Bem, talvez os fumantes, mas pelo menos eles fizeram essa escolha conscientemente. O resto de nós simplesmente seguia a dieta recomendada correntemente, baixa em gordura e rica em gorduras poli-insaturadas e carboidratos, não sabendo que estavam causando prejuízo repetido para os nossos vasos sanguíneos. Esta lesão repetida cria uma inflamação crônica que leva à doença cardíaca, diabetes, ataque cardíaco e obesidade. Deixe-me repetir isso. A lesão e inflamação crônica em nossos vasos sanguíneos é causada pela dieta de baixo teor de gordurarecomendada por anos pela medicina convencional. Quais são os maiores culpados da inflamação crônica? Simplesmente, são a sobrecarga de simples carboidratos altamente processados​​(açúcar, farinha e todos os produtos fabricados a partir deles) e o excesso de consumo de óleos ômega-6 (vegetais como soja, milho e girassol), que são encontrados em muitos alimentos processados. Imagine esfregar uma escova dura repetidamente sobre a pele macia até que ela fique muito vermelho e quase sangrando. Faça isto várias vezes ao dia, todos os dias por cinco anos. Se você pudesse tolerar esta dolorosa escovação, você teria um sangramento, inchaço e infecção da área, que se tornaria pior a cada lesão repetida. Esta é uma boa maneira de visualizar o processo inflama tório que pode estar acontecendo em seu corpo agora. Independentemente de onde ocorre o processo inflamatório, externamente ou internamente, é a mesma. Eu olhei dentro de milhares e milhares de artérias. Na artéria doente parece que alguém pegou uma escova e esfregou repetidamente contra a parede da veia. Várias vezes por dia, todos os dias, os alimentos que comemos criam pequenas lesões compondo em mais lesões, fazendo com que o corpo responda de forma contínua e adequada com a inflamação. Enquanto saboreamos um tentador pão doce, o nosso corpo responde de forma alarmante como se um invasor estrangeiro chegasse declarando guerra. Alimentos carregados de açúcares e carboidratos simples, ou processados ​​com óleos omega-6 para durar mais nas prateleiras foram a base da dieta americana durante seis décadas. Estes alimentos foram lentamente envenenando a todos. Como é que um simples bolinho doce cria uma cascata de inflamação fazendo-o adoecer? Imagine derramar melado no seu teclado, ai você tem uma visão do que ocorre dentro da célula. Quando consumimos carboidratos simples como o açúcar, o açúcar no sangue sobe rapidamente. Em resposta, o pâncreas segrega insulina, cuja principal finalidade é fazer com que o açúcar chegue em cada célula, onde é armazenado para energia. Se a célula estiver cheia e não precisar de glicose, o excesso é rejeitado para evitar que prejudique o trabalho. Quando suas células cheias rejeitarem a glicose extra, o açúcar no sangue sobe produzindo mais insulina e a glicose se converte em gordura armazenada. O que tudo isso tem a ver com a inflamação? O açúcar no sangue é controlado em uma faixa muito estreita. Moléculas de açúcar extra grudam-se a uma variedade de proteínas, que por sua vez lesam as paredes dos vasos sanguíneos. Estas repetidas lesões às paredes dos vasos sanguíneos desencadeiam a inflamação. Ao cravar seu nível de açúcar no sangue várias vezes por dia, todo dia, é exatamente como se esfregasse uma lixa no interior dos delicados vasos sanguíneos. Mesmo que você não seja capaz de ver, tenha certeza que está acontecendo. Eu vi em mais de 5.000 pacientes que operei nos meus 25 anos que compartilhavam um denominador comum - inflamação em suas artérias. Voltemos ao pão doce. Esse gostoso com aparência inocente não só contém açúcares como também é cozido em um dos muitos óleos omega-6 como o de soja. Batatas fritas e peixe frito são embebidos em óleo de soja, alimentos processados ​​são fabricados com óleos omega-6 para alongar a vida útil. Enquanto ômega-6 é essencial - e faz parte da membrana de cada célula controlando o que entra e sai da célula - deve estar em equilíbrio correto com o ômega-3. Com o desequilíbrio provocado pelo consumo excessivo de ômega-6, a membrana celular passa a produzir substâncias químicas chamadas citocinas, que causam inflamação.Atualmente a dieta costumeira do americano tem produzido um extremo desequilíbrio dessas duas gorduras (ômega-3 e ômega-6). A relação de faixas de desequilíbrio varia de 15:1 para tão alto quanto 30:1 em favor do ômega-6. Isso é uma tremenda quantidade de citocinas que causam inflamação. Nos alimentos atuais uma proporção de 3:1 seria ideal e saudável. Para piorar a situação, o excesso de peso que você carrega por comer esses alimentos, cria sobrecarga de gordura nas células que derramam grandes quantidades de substâncias químicas pró-inflamatórias que se somam aos ferimentos causados por ter açúcar elevado no sangue. O processo que começou com um bolo doce se transforma em um ciclo vicioso que ao longo do tempo cria a doença cardíaca, pressão arterial alta, diabetes e, finalmente, a doença de Alzheimer, visto que o processo inflamatório continua inabalável. Não há como escapar do fato de que quanto mais alimentos processados e preparados consumirmos, quanto mais caminharemos para a inflamação pouco a pouco a cada dia. O corpo humano não consegue processar, nem foi concebido para consumir os alimentos embalados com açúcares e embebido em óleos omega-6. Há apenas uma resposta para acalmar a inflamação, é voltar aos alimentos mais perto de seu estado natural. Para construir músculos, comer mais proteínas. Escolha carboidratos muito complexos, como frutas e vegetais coloridos. Reduzir ou eliminar gorduras omega-6 causadoras de inflamações como óleo de milho e de soja e os alimentos processados ​​que são feitas a partir deles. Uma colher de sopa de óleo de milho contém 7.280 mg de ômega-6, de soja contém 6.940 mg. Em vez disso, use azeite ou manteiga de animal alimentado com capim.As gorduras animais contêm menos de 20% de ômega-6 e são muito menos propensas a causar inflamação do que os óleos poli-insaturados rotulados como supostamente saudáveis. Esqueça a "ciência" que tem sido martelada em sua cabeça durante décadas. A ciência que a gordura saturada por si só causa doença cardíaca é inexistente. A ciência que a gordura saturada aumenta o colesterol no sangue também é muito fraca. Como sabemos agora que o colesterol não é a causa de doença cardíaca, a preocupação com a gordura saturada é ainda mais absurda hoje. A teoria do colesterol levou à nenhuma gordura, recomendações de baixo teor de gordura que criaram os alimentos que agora estão causando uma epidemia de inflamação. A medicina tradicional cometeu um erro terrível quando aconselhou as pessoas a evitar a gordura saturada em favor de alimentos ricos em gorduras omega-6. Temos agora uma epidemia de inflamação arterial levando a doenças cardíacas e a outros assassinos silenciosos. O que você pode fazer é escolher alimentos integrais que sua avó servia (frutas, verduras, cereais, manteiga, banha de porco) e não aqueles que sua mãe encontrou nos corredores de supermercado cheios de alimentos industrializados. Eliminando alimentos inflamatórios e aderindo a nutrientes essenciais de produtos alimentares frescos não-processados, você irá reverter anos de danos nas artérias e em todo o seu corpo causados pelo consumo da dieta típica americana. O ideal é voltarmos aos alimentos naturais e muito trabalho físico (exercícios). [Ed. Nota: Dr. Dwight Lundell é ex-Chefe de Gabinete e Chefe de Cirurgia no Hospital do Coração Banner, Mesa, Arizona. Sua prática privada, Cardíaca Care Center foi em Mesa, Arizona. Recentemente, Dr. Lundell deixou a cirurgia para se concentrar no tratamento nutricional de doenças cardíacas. Ele é o fundador da Fundação Saúde dos Humanos, que promove a saúde humana com foco na ajuda às grandes corporações promover o bem estar. Ele é o autor de "A Cura para a Doença Cardíaca e A Grande Mentira do Colesterol"

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Confissão de um terrorista!

Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista
Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista
Legislaram leis fascistas
Praticaram odiada apartheid
Destruíram, dividiram, humilharam
E me chamaram de terrorista
Assassinaram minhas alegrias,
Seqüestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbáries
Eles...mataram um terrorista!

Mahmud Darwish

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O Plano . . .

"Dividir o mundo em grupos regionais , é um estádio de transição para um Governo Mundial . As populações abdicarão mais rapidamente das suas lealdades nacionais para uma autoridade regional do que para uma autoridade mundial . Mais tarde , as regiões podem ser transformadas . . . numa ditadura Mundial .
Aqui está o plano em quarenta e quatro palavras , e está a desenvolver-se num ritmo cada vez mais crescente !"

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Homem morto trabalha durante uma semana (Notícia do New York Times)


Os
Gerentes de uma Editora estão a tentar descobrir
porque é que ninguém notou que um dos seus
empregados estava morto, sentado à sua mesa há CINCO
DIAS.

George
Turklebaum, 51 anos, que trabalhava como Revisor de Texto
numa firma de Nova Iorque há 30 anos, sofreu um ataque
cardíaco no andar onde trabalhava (open space, sem
divisórias) com outros 23 funcionários. Ele morreu
tranquilamente na segunda-feira, mas ninguém notou até ao
sábado seguinte pela manhã, quando um funcionário da
limpeza o questionou, porque ainda estava a trabalhar no
fim de semana.

O seu
chefe, Elliot Wachiaski, disse:

'O
George era sempre o primeiro a chegar todos os dias e o
último a sair no final do expediente e ninguém achou
estranho que ele estivesse na mesma posição e não dissesse
nada.

Ele
estava sempre envolvido no seu trabalho e fazia-o muito
sozinho.'

A
autópsia revelou que ele estava morto há cinco dias,
depois de um ataque cardíaco.


SUGESTÃO:

De
vez em quando acene aos seus colegas de
trabalho.

Certifique-se de que eles estão
vivos e mostre que você também está
vivo.




MORAL DA HISTÓRIA:

Não trabalhe
demais. Ninguém repara!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Memórias de uma aula de Zeca Afonso em Setúbal



Barreiro, 4 de Outubro de 1967
(Quarta-feira)

Segundo dia de aulas. Continua o desassossego, com o pessoal a trocar beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram 3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no 1º andar e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser mais do que velho. Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º 34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é o lugar dos mais altos.

Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal, dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política. Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e contente porque dizem que ele é um fadista afamado. Tenho realmente uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inês contou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza. Quando entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:

- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também não vos vou chatear
Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto, rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala, impecavelmente limpas.

Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se, efectivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia. Depois, veio o mais surpreendente:

- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo dizer-vos que não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu.
Gargalhada geral.

- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em palhaçadas.
Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele ficou impávido e sereno. Continuava a mostrar um semblante discreto, calmo, simpático.

- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.
Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha passado pela frente um professor com tamanha ousadia.

- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse, como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que nos governa é uma ditadura desumana e cruel.

Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o sorriso e estavam agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente como uma nuvem de fumo branco, que se sente mas não se apalpa.

- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria. Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque, no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês tem que fazer. Estudar. Para serem homens e mulheres cultos para puderem combater, cada um onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que lutar por um novo país.

Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha, basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida, mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão, educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei. Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país, carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e cultural.

Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem os vossos mais altos objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas. Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam?

Bem, por hoje é tudo, podem sair. Vemo-nos na próxima aula.
Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que fenómeno é este que aterrou em Setúbal?
Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de Organização Política, chama-se Zeca Afonso.

Hélida Carvalho Santos


comentários

nome: José Palácio Marques
comentario: Sem mais comentários, e para quê?

nome: Jorgete Teixeira
comentario: Recomendo vivamente! Fez-me lembrar um professor meu de Filosofia que chegou ao Liceu de Vila Real para ensinar OPAN, era o Dr. Limpinho, o primeiro nome não me lembro. Tomou a mesma posição que o Zeca. No ano seguinte tinha sido dispensado de dar aulas. Vozes incómodas que formaram uma geração e a despertaram para as lutas por um país melhor, mais justo e solidário.Tantos anos depois, que falta que nos fazem homens assim!

nome: manueldominguez.es
comentario: ¿por que me facedes chorar?, que lindo mensaje, que belas palabras os meus parabens , gracias obrigado.-a25abril.org

nome: Eduardo Cunha
comentario: Epá mais alguem que se lembra do Limpinho! Era muito correcto e interessado, lembro-me de uma cicatriz estranha no pescoço nunca lhe vi essa posição anti qualquer coisa agressiva, mas era desalinhado, não de roupa mas com o sistema, o substituto dizia sempre: -silêncio! postura de cantor do S. Carlos, lenço ao pescoço e tudo, muitissimo afectado: Viva o Limpinho! abaixo a politica, viva a introdução!

nome: Herminio(Agueda)
comentario: Quem foi contemporaneo do Zeca e o conheceu pessoalmente, ou de outra forma, nao tem duvidas que este relato e autentico, e mesmo do Zeca, do saudoso Zeca. Tenho a certeza que se o "trovador da liverdade" fosse vivo hoje ,Portugal seria diferente, nao estaria onde esta! Onde estiveres, ZECA, recebe um abraço meu

nome: Maria Eduarda
comentario: Ter sido o pai espiritual de uma geração, não foi coisa que reconhecesse (talvez nem acreditasse). Mas, foi! Obrigada querido Zéca, por TUDO.

nome: Leono Vieira
comentario: As lágrimas vieram aos meu olhos...

nome: Mário Afonso
comentario: Tenho muita pena de não ter estado nessa aula. Foi um raro momento, previlégio de uns felizardos. Obrigado prof. Zeca Afonso

nome: Ana Santos
comentario: Também tive um professor em OPAN que só nos dizia: "atenção está no livro, mas não escrevam isto no exame!". Devo ter escrito o que não devia, porque tive um 11!!!! quando quase todos tinham de 16 para cima!!!! Mas tive 15 a Filosofia!

nome: Manuela Fonseca
comentario: Claro que, pouco tempo depois dessa aula, "Era de noite e levaram Quem naquela cama dormia, Dormia, dormia." - o Zeca foi preso e não chegou a fazer a avalialção dos alunos. (Ainda há quem tenha saudades de ditaduras e ditadores? Fraco gosto.

nome: Hélida Carvalho Santos
comentario: Depois de tanta gente ter mostrado interesse por este texto que tive guardado durante mais de 40 anos no meu baú de memórias, acho que devo aos leitores que se continuam a interessar pela figura deste homem ímpar, uma nota final. Zeca Afonso só conseguiu ser nosso professor durante um período. Prenderam-no, se a memória não me falha, no início de 68. Deixou de ser nosso professor e passou a ser o nosso héroi. Os anos passaram, a morte levou-o, nós crescemos, hoje já somos quase todos avós, mas ele continua dentro nós, como a nossa primeira e única grande referência de integridade absoluta, no mundo da política. E quando os professores nos marcam desta maneira, não existe morte que os derrube porque os seus ensinamentos, os seus códigos e os seus valores irão continuar sempre vivos, através dos rapazes e raparigas que tão elevadamente ajudaram a formar e a crescer. Hoje tenho 62 anos mas continuo a recordar, como se fosse hoje, a figura do Zeca Afonso em cima do estrado da velhinha sala de aulas, com os olhos dele nos nossos, dizendo: temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Por esses alunos, aqui fica, publicamente, a expressão do nosso eterno reconhecimento.

nome: Rosário Vaz
comentario: Ainda bem que o texto saíu a público! Tal como a Manuela Fonseca, tinha tido acesso a essa preciosidade, pela mesma via, a amiga comum, Hélida Pais. Comentei, na altura, com a autora, que ter beneficiado destas "não aulas" terá sido um privilégio que deixou marcas. Que falta nos faz este homem nos dias tortuosos de hoje! Mais uma vez, obrigada, Hélida e parabéns pela excelência do texto!

nome: manuel santos
comentario: Zeca Afonso foi alguem que nao conheci pessoalmente; mas foi um homem que atravez da sua musica das suas palavras do seu portuguesismo de todas as coisas que lutou para mudar este Pais , jamais passara ao lado da historia que ele mesmo ajudou a criar, bem haja Zeca por toda a eternidade.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Amizade

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

- Machado de Assis

Nódoas


Quem escuta quem?
Quem manda quem?
Quem tem o fio da navalha?
O senhor ministro?
O Papa?
O Taxista?
O Evaristo?
Ou é um grito do Nirvana!...

Quem divulga quem?
Quem determina quem?
Uma inglória vã de viver?
Uma boca da Somália?
Um feto da Nigéria?
Uma placenta do Quénia?
Num saco de Karmas
Que pula e salta aos gritos
Numa euforia de malária,
De fome e de morte,
Por causa dos proveitos das armas?!...

Quem guarda quem?
Quem partilha quem?
As molas do colchão
Do segundo andar
Escutadas pelo vizinho
Do rés-do-chão?!...
Ou sou eu
Que estou a sonhar
Que tenho a sensação
Que me estão a escutar a matar?!...

Publicada por Augusto Canetas em Segunda-feira, Agosto 08, 2011