domingo, 26 de agosto de 2012

Indian Love Song

The power of THOUGHT. Love begins with our thoughts. We become what we think about. Loving thoughts create loving experiences and loving relationships. Affirmations can change our beliefs and thoughts about others and ourselves. If we want to love someone, we need to consider his or her needs and desires. Thinking about your ideal partner will help you recognise her when you meet her. The power of RESPECT. You cannot love anyone or anything unless you first respect them. The first person you need to respect is yourself. To begin to gain self-respect, ask yourself, What do I respect about myself? - To gain respect for others, even those you may dislike, ask yourself, What do I respect about them? - The power of GIVING. If you want to receive love, all you have to do is give it! The more love you give, the more you will receive. To love is to give of yourself, freely and unconditionally. Practice random acts of kindness. Before committing to a relationship ask not what the other person will be able to give to you, but rather what will you be able to give them. The secret formula of a happy, lifelong, loving relationship is to always focus on what you can give instead of what you can take. The power of FRIENDSHIP. To find a true love, you must first find a true friend. Love does not consist of gazing into each other"s eyes, but rather looking outward together in the same direction. To love someone completely you must love him or her for who they are and not for what they look like. Friendship is the soil through which love seeds grow. If you want to bring love into a relationship, you must first bring friendship. The power of TOUCH. Touch is one of the most powerful expressions of love, breaking down barriers and bonding relationships. Touch changes our physical and emotional states and makes us more receptive to love. The power of LETTING GO. If you love something, let it free. If it comes back to you, it's yours, if it doesn"t, it never was. Even in a loving relationship, people need their own space. If we want to learn to love, we must first learn to forgive and let go of past hurts and grievances. Love means letting go of our fears, prejudices, egos and conditions. Today I let go of all my fears, the past has no power over me - today is the beginning of a new life. The power of COMMUNICATION. When we learn to communicate openly and honestly, life changes. To love someone is to communicate with them. Let the people you love know that you love them and appreciate them. Never be afraid to say those three magic words: I Love You. Never let an opportunity pass to praise someone. Always leave someone you love with a loving word - it could be the last time you see him or her. If you were about to die but could make telephone calls to the people you loved, who would you call, what would you say and .. why are you waiting? The power of COMMITMENT. If you want to have love in abundance, you must be committed to it, and that commitment will be reflected in your thoughts and actions. Commitment is the TRUE test of love. If you want to have loving relationships, you must be committed to loving relationships. When you are committed to someone or something, quitting is never an option. Commitment distinguishes a fragile relationship from a strong one. The power of PASSION. Passion ignites love and keeps it alive. Lasting passion does not come through physical attraction alone; it comes from deep commitment, enthusiasm, interest and excitement. Passion can be recreated by recreating past experiences. When you felt passionate spontaneity and surprises produce passion. The essence of love and happiness are the same; all we need to do is to live each day with passion. The power of TRUST. Trust is essential in all loving relationships. Without it one person becomes suspicious, anxious and fearful and the other person feels trapped and emotionally suffocated. You cannot love someone completely unless you trust him or her completely. Act as if your relationship with the person you love will never end. One of the ways you can tell whether a person is right for you is to ask yourself. Do I trust them completely and unreservedly? - If the answer is no -, think carefully before making a commitment.

This Is The Best World Music - Native Americans - Peru

domingo, 5 de agosto de 2012

2012 - Mensagem dos Anciãos (Maias) / Message of The Elders (Legendado PT)

Acorda , Povo !


A POLITICA E OS ESCRAVOS...

Aqui vai a razão pela qual os países do norte da Europa estão a ficar cansados de subsidiar os países do Sul.

PORTUGAL

3 governos no continente e ilhas

333 deputados no continente e ilhas

308 câmaras

4259 freguesias

1770 vereadores

30000 carros

40000(?) fundações e associações

500 assessores em Belém

1284 serviços e institutos públicos

Para a Assembleia da República Portuguesa ter um número de deputados equivalentes à Alemanha, teria de reduzir em mais de 50%



O POVO PORTUGUÊS NÃO TEM CAPACIDADE PARA CRIAR RIQUEZA SUFICIENTE, PARA ALIMENTAR ESTA CORJA DE GATUNOS!

É POR ESTAS E POR OUTRAS QUE PORTUGAL É O PAÍS DA EUROPA EM QUE SIMULTÂNEAMENTE SE VERIFICAM OS SALÁRIOS MAIS ALTOS A NÍVEL DE GESTORES/ADMINISTRADORES E O SALÁRIO MÍNIMO MAIS BAIXO PARA OS HABITUAIS ESCRAVIZADOS.

ISTO É ABOMINÁVEL!!!

ACORDA, POVO!

ESTAS, SIM, É QUE SÃO AS GORDURAS QUE TÊM DE SER ELIMINADAS E NÃO AS QUE O GOVERNO FALA.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

DESACORDO ORTOGRÁFICO

Já não é só o Centro Cultural de Belém -- instituição de direito privado, sem tutela pública. Ou Serralves. Ou a Casa da Música. Já não são só a generalidade dos jornais que o ignoram -- Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, i, Diário Económicoe Jornal de Negócios, além da revista Sábado.

Já não só os angolanos que se demarcam, ou os moçambicanos. Ou até os macaenses. Sem excluir os próprios brasileiros.



Por cá também já se perdeu de vez o respeitinho pelo Acordo Ortográfico. Todos os dias surge a confirmação de que não existe o consenso social mínimo em torno deste assunto.

São os principais colunistas e opinadores da imprensa portuguesa. Pessoas como Anselmo Borges, António-Pedro Vasconcelos, Baptista-Bastos, Frei Bento Domingues, Eduardo Dâmaso, Helena Garrido, Inês Pedrosa, Jaime Nogueira Pinto, João Miguel Tavares, João Paulo Guerra, João Pereira Coutinho, Joel Neto, José Cutileiro, José Pacheco Pereira, Luís Filipe Borges, Manuel António Pina, Manuel S. Fonseca, Maria Filomena Mónica, Miguel Esteves Cardoso, Miguel Sousa Tavares, Nuno Rogeiro, Pedro Lomba, Pedro Mexia, Pedro Santos Guerreiro, Ricardo Araújo Pereira, Vasco Pulido Valente e Vicente Jorge Silva.

É o ex-líder socialista, Francisco Assis, que se pronuncia sem complexos contra este «notório empobrecimento da língua portuguesa».

É o encenador Ricardo Pais, sem papas na língua.

É José Gil, um dos mais prestigiados pensadores portugueses, a classificá-lo, com toda a propriedade, de «néscio e grosseiro».

É a Faculdade de Letras de Lisboa que recusa igualmente impor o acordo. Que só gera desacordo.

Um acordo que pretende fixar norma contra a etimologia, ao contrário do que sucede com a esmagadora maioria das línguas cultas. Um acordo que pretende unificar a ortografia, tornando-a afinal ainda mais díspar e confusa. Um acordo que pretende congregar mas que só divide. Um acordo que está condenado a tornar-se letra morta -- no todo ou em parte. Depende apenas de cada um de nós. Passe para todos os seus contactos
É preciso evitarmos ser destruídos por intelectualóides ignorantes e arrogantes que procuram a celebridade com palhaçadas à custa daquilo que Portugal tem de melhor. E os políticos com medo de os chamarem ignorantes (que são) alinham com qualquer fantasia que seja apresentada com ares de inteligência. COITADOS!!!

O estranho


Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu um estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade.
Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com este encantador personagem, e em seguida o convidou a viver com nossa família.
O estranho aceitou e desde então tem estado conosco.
Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.
Meus pais eram instrutores complementares:
Minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer.
Mas o estranho era nosso narrador.
Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias.

Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.
Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!
Levou minha família ao primeiro jogo de futebol.
Fazia-me rir, e me fazia chorar.
O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.
Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez, para que o estranho fosse embora).
Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las.

As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa… Nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse. Entretanto, nosso visitante de longo prazo, usava sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar.
Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente.
Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos.
Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos.
Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pelo estranho.
Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar.
Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era ao principio.
Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda o encontraria sentado em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia...
Seu nome?
Nós o chamamos Televisor...

Nota:

Pede-se que este artigo seja lido em cada lar.
Agora ele tem uma esposa que se chama Computador
e um filho que se chama Celular

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Alemanha... falta de memória (ainda bem que há Historiadores!)



Em 1953, a Alemanha de Konrad Adenauer entrou em default, falência, ficou
Kaput, ou seja, ficou sem dinheiro para fazer mover a actividade económica
do país. Tal qual como a Grécia actualmente.

A Alemanha negociou 16 mil milhões de marcos em dívidas de 1920 que
entraram em incumprimento na década de 30 após o colapso da bolsa em Wall
Street. O dinheiro tinha-lhe sido emprestado pelos EUA, pela França e pelo
Reino Unido.

Outros 16 mil milhões de marcos diziam respeito a empréstimos dos EUA no
pós-guerra, no âmbito do Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs (LDA),
de 1953. O total a pagar foi reduzido 50%, para cerca de 15 mil milhões de
marcos, por um período de 30 anos, o que não teve quase impacto na
crescente economia alemã.

O resgate alemão foi feito por um conjunto de países que incluíam a Grécia,
a Bélgica, o Canadá, Ceilão, a Dinamarca, França, o Irão, a Irlanda, a
Itália, o Liechtenstein, o Luxemburgo, a Noruega, o Paquistão, a Espanha, a
Suécia, a Suíça, a África do Sul, o Reino Unido, a Irlanda do Norte, os EUA
e a Jugoslávia.

As dívidas alemãs eram do período anterior e posterior à Segunda Guerra
Mundial. Algumas decorriam do esforço de reparações de guerra e outras de
empréstimos gigantescos norte-americanos ao governo e às empresas.
Durante 20 anos, como recorda esse acordo, Berlim não honrou qualquer pagamento
da dívida.

Por incrível que pareça, apenas oito anos depois de a Grécia ter sido
invadida e brutalmente ocupada pelas tropas nazis, Atenas aceitou participar
no esforço internacional para tirar a Alemanha da terrível bancarrota em
que se encontrava.

Ora os custos monetários da ocupação alemã da Grécia foram estimados em 162
mil milhões de euros sem juros. Após a guerra, a Alemanha ficou de
compensar a Grécia por perdas de navios bombardeados ou capturados, durante
o período de neutralidade, pelos danos causados à economia grega, e pagar
compensações às vítimas do exército alemão de ocupação.

As vítimas gregas foram mais de um milhão de pessoas (38 960 executadas, 12
mil abatidas, 70 mil mortas no campo de batalha, 105 mil em campos de
concentração na Alemanha, e 600 mil que pereceram de fome). Além disso, as
hordas nazis roubaram tesouros arqueológicos gregos de valor incalculável.

Qual foi a reacção da direita parlamentar alemã aos actuais problemas
financeiros da Grécia? Segundo esta, a Grécia devia considerar vender
terras, edifícios históricos e objectos de arte para reduzir a sua dívida.

Além de tomar as medidas de austeridade impostas, como cortes no sector
público e congelamento de pensões, os gregos deviam vender algumas ilhas,
defenderam dois destacados elementos da CDU, Josef Schlarmann e Frank
Schaeffler,
do partido da chanceler Merkel.
Os dois responsáveis chegaram a alvitrar que o Partenon, e algumas ilhas gregas
no Egeu, fossem vendidas para evitar a bancarrota.
"Os que estão insolventes devem vender o que possuem para pagar aos seus
credores", disseram ao jornal "Bild". Depois disso, surgiu no seio do
executivo a ideia peregrina de pôr um comissário europeu a fiscalizar
permanentemente
as contas gregas em Atenas.

O historiador Albrecht Ritschl, da London School of Economics, recordou
recentemente à "Spiegel" que a Alemanha foi o pior país devedor do século
XX. O economista destaca que a insolvência germânica dos anos 30 faz a
dívida grega de hoje parecer insignificante.

"No século XX, a Alemanha foi responsável pela maior bancarrota de que há
memória", afirmou. "Foi apenas graças aos Estados Unidos, que injectaram
quantias enormes de dinheiro após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial,
que a Alemanha se tornou financeiramente estável e hoje detém o estatuto de
locomotiva da Europa. Esse facto, lamentavelmente, parece esquecido",
sublinha Ritsch.

O historiador sublinha que a Alemanha desencadeou duas guerras mundiais, a
segunda de aniquilação e extermínio, e depois os seus inimigos perdoaram-lhe
totalmente o pagamento das reparações ou adiaram-nas.

A Grécia não esquece que a Alemanha deve a sua prosperidade económica a
outros países.

Por isso, alguns parlamentares gregos sugerem que seja feita a contabilidade
das dívidas alemãs à Grécia para que destas se desconte o que a Grécia deve
actualmente.

Sérgio Soares, jornalista português

domingo, 22 de julho de 2012

BPN-A Maior Burla de Sempre em Portugal

Este número é demasiado grande para caber nos jornais (9.710.600.000,00?)!!!

Além disso, reparem bem, nos nomes dos protagonistas!!! Tudo ?gente
fina?, bem posicionada e intocáveis!!!

Parece anedota, mas é autêntico: dia 11 de abril do ano passado, um
homem armado assaltou a dependência do Banco Português de Negócios, ou
simplesmente BPN, na Portela de Sintra, arredores de Lisboa e levou 22
mil euros. Tratou-se de um assalto histórico:

foi a primeira vez que o BPN foi assaltado por alguém que não fazia
parte da administração do banco.

O BPN tem feito correr rios de tinta e ainda mais rios de dinheiro dos
contribuintes.

Foi a maior burla de sempre em Portugal, qualquer coisa como
9.710.539.940,09 ?uros!!!

Com esses nove biliões e setecentos e dez milhões de euros, li
algures, podiam-se comprar 48 aviões Airbus A380 (o maior avião
comercial do mundo), 16 plantéis de futebol iguais ao do Real Madrid,
construir 7 TGV de Lisboa a Gaia, 5 pontes sobre o Tejo ou distribuir
971 euros por cada um dos 10 milhões de portugueses residentes no
território nacional (os 5 milhões que vivem no estrangeiro não seriam
contemplados).



João Marcelino, diretor do Diário de Notícias, de Lisboa, considera
que ?é o maior escândalo financeiro da história de Portugal. Nunca
antes houve um roubo desta dimensão, ?tapado? por uma nacionalização
que já custou 2.400 milhões de euros delapidados algures entre
gestores de fortunas privadas em Gibraltar, empresas do Brasil,
offshores de Porto Rico, um oportuno banco de Cabo Verde e a
voracidade de uma parte da classe política portuguesa que se
aproveitou desta vergonha criada por figuras importantes daquilo que
foi o cavaquismo na sua fase executiva?.

O diretor do DN conclui afirmando que este escândalo ?é o exemplo
máximo da promiscuidade dos decisores políticos e económicos
portugueses nos últimos 20 anos e o emblema maior deste terceiro
auxílio financeiro internacional em 35 anos de democracia. Justifica
plenamente a pergunta que muitos portugueses fazem: se isto é assim à
vista de todos, o que não irá por aí??

O BPN foi criado em 1993 com a fusão das sociedades financeiras
Soserfin e Norcrédito e era pertença da Sociedade Lusa de Negócios
(SLN), que compreendia um universo de empresas transparentes e
respeitando todos os requisitos legais, e mais de 90 nebulosas
sociedades offshores sediadas em distantes paraísos fiscais como o BPN
Cayman, que possibilitava fuga aos impostos e negociatas.

O BPN tornou-se conhecido como banco do PSD, proporcionando
"colocações" para ex-ministros e secretários de Estado
sociais-democratas. O homem forte do banco era José de Oliveira e
Costa, que Cavaco Silva foi buscar em 1985 ao Banco de Portugal para
ser secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e assumiu a presidência
do BPN em 1998, depois de uma passagem pelo Banco Europeu de
Investimentos e pelo Finibanco.

O braço direito de Oliveira e Costa era Manuel Dias Loureiro, ministro
dos Assuntos Parlamentares e Administração Interna nos dois últimos
governos de Cavaco Silva e que deve ser mesmo bom (até para fazer
falcatruas é preciso talento!), entrou na política em 1992 com
quarenta contos e agora tem mais de 400 milhões de euros.

Vêm depois os nomes de Daniel Sanches, outro ex-ministro da
Administração Interna (no tempo de Santana Lopes) e que foi para o BPN
pela mão de Dias Loureiro; de Rui Machete, presidente do Congresso do
PSD e dos ex-ministros Amílcar Theias e Arlindo Carvalho.

Apesar desta constelação de bem pagos gestores, o BPN faliu. Em 2008,
quando as coisas já cheiravam a esturro, Oliveira e Costa deixou a
presidência alegando motivos de saúde, foi substituido por Miguel
Cadilhe, ministro das Finanças do XI Governo de Cavaco Silva e que
denunciou os crimes financeiros cometidos pelas gestões anteriores.

O resto da história é mais ou menos conhecido e terminou com o colapso
do BPN, sua posterior nacionalização e descoberta de um prejuízo de
1,8 mil milhões de euros, que os contribuintes tiveram que suportar.

Que aconteceu ao dinheiro do BPN? Foi aplicado em bons e em maus
negócios, multiplicou-se em muitas operações ?suspeitas? que geraram
lucros e que Oliveira e Costa dividiu generosamente pelos seus homens
de confiança em prémios, ordenados, comissões e empréstimos bancários.

Não seria o primeiro nem o último banco a falir, mas o governo de
Sócrates decidiu intervir e o BPN passou a fazer parte da Caixa Geral
de Depósitos, um banco estatal liderado por Faria de Oliveira, outro
ex-ministro de Cavaco e membro da comissão de honra da sua
recandidatura presidencial, lado a lado com Norberto Rosa,
ex-secretário de estado de Cavaco e também hoje na CGD.

Outro social-democrata com ligações ao banco é Duarte Lima, ex-líder
parlamentar do PSD, que se mantém em prisão preventiva por
envolvimento fraudulento com o BPN e também está acusado pela polícia
brasileira do assassinato de Rosalina Ribeiro, companheira e uma das
herdeiras do milionário Tomé Feteira. Em 2001 comprou a EMKA, uma das
offshores do banco por três milhões de euros, tornando-se também
accionista do BPN.

Em 31 de julho, o ministério das Finanças anunciou a venda do BPN, por
40 milhões de euros, ao BIC, banco angolano de Isabel dos Santos,
filha do presidente José Eduardo dos Santos, e de Américo Amorim, que
tinha sido o primeiro grande accionista do BPN.

O BIC é dirigido por Mira Amaral, que foi ministro nos três governos
liderados por Cavaco Silva e é o mais famoso pensionista de Portugal
devido à reforma de 18.156 euros por mês que recebe desde 2004, aos 56
anos, apenas por 18 meses como administrador da CGD.

O Estado português queria inicialmente 180 milhões de euros pelo BPN,
mas o BIC acaba por pagar 40 milhões (menos que a cláusula de rescisão
de qualquer craque da bola) e os contribuintes portugueses vão meter

ainda mais 550 milhões de euros no banco, além dos 2,4 mil milhões que
já lá foram enterrados. O governo suportará também os encargos dos
despedimentos de mais de metade dos actuais 1.580 trabalhadores (20
milhões de euros).

As relações de Cavaco Silva com antigos dirigentes do BPN foram muito
criticadas pelos seus oponentes durante a última campanha das eleições
presidenciais. Cavaco Silva defendeu-se dizendo que apenas tinha sido
primeiro-ministro de um governo de que faziam parte alguns dos
envolvidos neste escândalo. Mas os responsáveis pela maior fraude de
sempre em Portugal não foram apenas colaboradores políticos do
presidente, tiveram também negócios com ele.

Cavaco Silva também beneficiou da especulativa e usurária burla que
levou o BPN à falência.

Em 2001, ele e a filha compraram (a 1 euro por acção, preço feito por
Oliveira e Costa) 255.018 acções da SLN, o grupo detentor do BPN e, em
2003, venderam as acções com um lucro de 140%, mais de 350 mil euros.

Por outro lado, Cavaco Silva possui uma casa de férias na Aldeia da
Coelha, Albufeira, onde é vizinho de Oliveira e Costa e alguns dos
administradores que afundaram o BPN. O valor patrimonial da vivenda é
de apenas 199. 469,69 euros e resultou de uma permuta efectuada em
1999 com uma empresa de construção civil de Fernando Fantasia,
accionista do BPN e também seu vizinho no aldeamento.

Para alguns portugueses são muitas coincidências e alguns mais
divertidos consideram que Oliveira e Costa deve ser mesmo bom
economista(!!!): Num ano fez as acções de Cavaco e da filha quase
triplicarem de valor e, como tal, poderá ser o ministro das Finanças
(!!??) certo para salvar Portugal na actual crise económica. Quem
sabe, talvez Oliveira e Costa ainda venha a ser condecorado em vez de
ir parar à prisão....ah,ah,ah.

O julgamento do caso BPN já começou, mas os jornais pouco têm falado
nisso. Há 15 arguidos, acusados dos crimes de burla qualificada,
falsificação de documentos e fraude fiscal, mas nem sequer se sentam
no banco dos réus.

Os acusados pediram dispensa de estarem presentes em tribunal e o
Ministério Público deferiu os pedidos. Se tivessem roubado 900 euros,
o mais certo era estarem atrás das grades, deram descaminho a nove
biliões e é um problema político.

Nos EUA, Bernard Madoff, autor de uma fraude de 65 biliões de dólares,
já está a cumprir 150 anos de prisão, mas os 15 responsáveis pela
falência do BPN estão a ser julgados por juízes "condescendentes", vão
apanhar talvez pena suspensa e ficam com o produto do roubo, já que
puseram todos os bens em nome dos filhos e netos ou pertencentes a
empresas sediadas em paraísos fiscais.

Oliveira e Costa colocou as suas propriedades e contas bancárias em
nome da mulher, de quem entretanto se divorciou após 42 anos de
casamento. Se estivéssemos nos EUA, provavelmente a senhora teria de
devolver o dinheiro que o marido ganhou em operações ilegais, mas no
Portugal dos brandos costumes talvez isso não aconteça.

Dias Loureiro também não tem bens em seu nome. Tem uma fortuna de 400
milhões de euros e o valor máximo das suas contas bancárias são apenas
cinco mil euros.

Não há dúvida que os protagonistas da fraude do BPN foram meticulosos,
preveniram eventuais consequências e seguiram a regra de Brecht:
?Melhor do que roubar um banco é fundar um?.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

As novas (velhas) oportunidades de Relvas por Sérgio Lavos Um texto de Paulo Pinto: "a "escola da vida"




"Era o que se dizia, há muito tempo (ou, se calhar, não tanto como isso), de quem não tinha estudos mas perfazia uma vida cheia de experiência, prática, trabalho, o que equivalia a dificuldades, pobreza, percalços, infortúnios. Depois, já mais perto da actualidade, foi criada uma coisa chamada Novas Oportunidades, que dizia que uma experiência profissional era um curriculum que, até certo ponto e mediante certos limites, merecia equivalência ao ensino básico. Fazia algum sentido, era uma forma de conceder acreditação elementar a quem nunca tinha tido oportunidade de estudar e merecia reconhecimento. Mas para certas pessoas, algumas com um indisfarçável desprezo pelo trabalho suado e honesto, um desdém pela igualdade de oportunidades e uma profunda aversão pela justiça social, tudo isto era facilitismo, um sinal da desbunda de esquerda, um irreversível sintoma do caos cósmico-social. Ah! exames da 4ª classe do Salazar é que era, nesse tempo é que havia ensino a sério, professores capazes, alunos atenciosos e aplicados. Esta gente está hoje no poder. E vai daí, bye bye Novas Oportunidades, bem-vindos exames, avaliações, castigos à moda antiga. Acabou a palhaçada e o eduquês, as modernices dos planos individuais de recuperação, dos exames específicos para alunos com necessidades especiais, as avaliações contínuas.

Azar. Hoje soube-se que o ministro-padrão deste governo, aquele que ameaça jornalistas e que sai lampeirinho do caldo, fez a sua licenciatura apenas em um ano, pescou uma única cadeira de frequências anteriores (em Direito... e um 10) e o resto que falta... bom, o resto, como diz a notícia, justifica-se por uma lei de 2006, que "prevê que as universidades e politécnicos possam reconhecer “através da atribuição de créditos, a experiência profissional” de pessoas que já tendo estado inscritos no ensino superior pretendam prosseguir estudos". Um Novas Oportunidades Superiores, ao que vejo. Bem. Se Passos Coelho chamou ao Novas Oportunidades "um escândalo" e "um certificado à ignorância", o que chamaria a isto?"

domingo, 24 de junho de 2012

Também tenho os meus momentos "down"

   Tenho tudo , até mais do que o suficiente , para ser feliz ! Porque será então , que não me sinto assim ?! Será porque quando entro cá bem no meu fundo , me apercebo e tenho a consciência de que não contribuo para que as pessoas que comigo "co-habitam" , se sintam da mesma forma ?

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Paciência tem limites , né ?

   Já não nos é permitido "endividar" mais para satisfazermos as necessidades mais prementes , como é o caso da Habitação , da Alimentação , da Saúde . . . mas por outro lado , os nossos (des) governantes contraem empréstimos em nosso nome , a juros elevadíssimos , para sustentar Luxos da (falta de) classe política e . . . outras !
   Ora muito bem . . . se eu não tenho dinheiro para comprar/sustentar um carro , terei que andar a pé ; se não conseguir sustentar/aguentar a minha casa , terei que abdicar dela e ir para . . . "debaixo da ponte" ; se não for saudável , terei que aprender a suportar e conviver com a doença !
   Assim sendo . . . porque carga de água sou eu obrigado a endividar-me , para "sustentar/alimentar" o Bem Bom e os Luxos  dessa CORJA de ENGRAVATADOS , PESTILENTOS e FEDORENTOS . . . FILHOS da PUTA ?!?!?!

terça-feira, 12 de junho de 2012

A utopia é como o horizonte. Nós o vemos, ao longe, nunca o alcançaremos, mas serve para que continuemos sempre a caminhar.

“Foda-se” por Millôr Fernandes


  


(adaptado)



O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à

quantidade de "foda-se!" que ela diz.

Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?

O "foda-se!" aumenta a minha auto-estima, torna-me uma

pessoa melhor.

Reorganiza as coisas. Liberta-me.

"Não quer sair comigo?! - então, foda-se!"

"Vai querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então,

foda-se!"

O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição.

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos

extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário

de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos

mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua

língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que

vingará plenamente um dia.

"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a

ideia de muita quantidade que "comó caralho"?

"Comó caralho" tende para o infinito, é quase uma expressão

matemática.



A Via Láctea tem estrelas comó caralho!

O Sol está quente comó caralho!

O universo é antigo comó caralho!

Eu gosto do meu clube comó caralho!

O gajo é parvo comó caralho!

Entendes?

No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a

mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!".

Nem o "Não, não e não!" e tão pouco o nada eficaz e já sem

nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem.

O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto.

Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades

de maior interesse na tua vida.

Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te pedindo o carro

para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência.

Solta logo um definitivo:

"Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!".

O impertinente aprende logo a lição e vai para o Centro

Comercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema,

e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD (...)

Há outros palavrões igualmente clássicos.

Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu

correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente,

sílaba por sílaba.

Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito

assim, põe-te outra vez nos eixos.

Os teus neurónios têm o devido tempo e clima para se

reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um

merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.

E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua

maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"?

Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus

quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de

seu interlocutor e solta:

"Chega! Vai levar no olho do cu!"?



Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida, a tua auto-estima.

Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar

firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado

amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de

maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu-se!". E a

sua derivação, mais avassaladora ainda: "Já se fodeu!".

Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para

uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de

ameaçadora complicação?

Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor

num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo

assim como quando estás a sem documentos do carro, sem

carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a

mandar-te parar. O que dizes? "Já me fodi!"

Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada

funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a

saúde, a educação e … a justiça são de baixa qualidade, os

empresários são de pouca qualidade e procuram o lucro fácil e

em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo para a

desejada reforma tem que aumentar … tu pensas “Já me fodi!”

Então:

Liberdade,

Igualdade,

Fraternidade

e

foda-se!!!

Mas não desespere:

Este país … ainda vai ser “um país do caralho!” Atente no que lhe digo!

domingo, 3 de junho de 2012

Para reflectir . . .

       DISCURSO DO EMBAIXADOR MEXICANO

Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de
ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o
México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.

A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia,
Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente:
os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso
irónico, cáustico e historicamente exacto.

Eis o discurso:

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40
mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu
da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os
que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o
pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca
autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida
se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e
países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar
pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais"
que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de
Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata
provenientes da América.

Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria
pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!

Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer
que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.

Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos
caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que
afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se
devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de
prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América
destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a
existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a
devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.

Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o
início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da
Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos,
criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.

Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos
perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo
menos produtivo desses fundos?

Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de
Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas
de extermínio mútuo.

No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma
moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se
tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da
energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman,
segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos
obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos
juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para
cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de
nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30%
de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos,
acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300
anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta
base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso
informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de
ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à
potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir
o planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados
em sangue?

Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar
riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto
fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos
capitalistas.

Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a
nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de
intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação
do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de
forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como
primeira prestação de dívida histórica..."



Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da
Comunidade Européia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma
tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Há burros & burros

Comunicado:

1- Um corrupto, peidoso senil e furioso consumidor de viagra , aproveitou um dos raros momentos em que não está a corromper árbitros ou a intimidar adversários, para vomitar uns dichotes contra o o Benfica e o seu presidente, o que em si mesmo já não é notícia. Há pormenores que importa realçar, como o "ódio visceral, a injuria e a canalhice" pelos bons serviços prestados pela guarda pretoriana no "encaixa dragão", o que é elucidativo do carácter do corrupto, peidoso e senil, furioso consumidor de viagra e consiste em mais um forte apelo à violência no desporto o que já é hábito em Portugal. O mais incrível é que ninguém questionou ver nas imagens – supostamente do mesmo jogo – árbitros diferentes. Efectivamente quando não se sabe ser sério não se consegue jogar limpo em nada. Uma questão de genética.

2 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que só tiram a cabeça da toca quando a policia não os obriga a fugir para Espanha, ainda que avisados por outros policias e nunca são capazes de dar a cara nas repetidas chamadas a tribunal!

3 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que se deixam levar por textos a fingir de anjos e arcanjos, enquanto o passivo dos 30 anos de gestão do corrupto, peidoso senil e furioso consumidor de viagra atinge níveis estratosféricos, apesar das fabulosas vendas de jogadores.

4 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que permitem a quem sempre mostrou competência para corromper, poder alterar as regras às escondidas e também às claras, para que ninguém ouse disputar-lhe o poder e continuar a fecundá-los a todos.

5 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que se deixam contentar com vitórias compradas no super-mercado como afirma o prestigiado 'sir' Alex Fergusson, enquanto o corrupto, peidoso e senil, furioso consumidor de viagra enche o 'pneu' de viagra com os títulos de maior corrupto da história nacional e com o epitáfio de batoteiro internacional.

6 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que ainda levam a sério o corrupto, peidoso senil e furioso consumidor de viagra . Num ano qualquer: «Queremos este ano dedicar a vitória do campeonato a si (Pedroto já falecido) que vai ser campeão». No livro luzes e sombras de um dragão: «Não estou para viver num país onde a revolução de Abril acabou com a PIDE para agora a ver substituída pelo MP». Na casa dos corruptos em Lisboa: "Nós só queremos Lisboa a arder". Como consultor familiar de árbitros ou como GPS da casa da Madalena. Largos dias terão os anos passados na cadeia, assim a justiça comece a funcionar...

7 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que pela força do hábito não sabem lidar com a derrota. Podem continuar a ganhar um camião de campeonatos à nossa custa, mas continuarão a ver o Benfica a lutar pela transparência. E o camião ou os títulos são sempre roubados.

8 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que fecham os olhos à forma como o corrupto, peidoso senil e furioso consumidor de viagra enriqueceu. É o alpinismo social.

9 - Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que confundem risco com linha, ou que julgam que coca-cola só tem quatro letras (e não é que tem mesmo? C O L A) e procuram esquecer a rusga anti-droga na portagem dos carvalhos, que levaria à prisão de Mariano (antigo jogador do Porto), como bode expiatório, a troco de dinheiro.

PS: Aguardamos que a Procuradoria-Geral da República investigue o ataque à honra e à imparcialidade dos juízes e da polícia feito pelo corrupto, peidoso senil e furioso consumidor de viagra ao longo de 30 anos de roubos e impunidade.



Guachos Vermelhos

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Vale mesmo a pena ler



José António Barreiros, advogado

Isto que eu vou dizer vai parecer ridículo a muita gente.
Mas houve um tempo em que as pessoas se lembravam, ainda, da época da infância, da primeira caneta de tinta-permanente, da primeira bicicleta, da idade adulta, das vezes em que se comia fora, do primeiro frigorífico e do primeiro televisor, do primeiro rádio, de quando tinham ido ao estrangeiro.
Houve um tempo em que, nos lares, se aproveitava para a refeição seguinte o sobejante da refeição anterior, em que, com ovos mexidos e a carne ou peixe restante, se fazia "roupa velha". Tempos em que as camisas iam a mudar o colarinho e os punhos do avesso, assim como os casacos, e se tingia a roupa usada, tempos em que se punham meias-solas com protectores. Tempos em que ao mudar-se de sala se apagava a luz, tempos em que se guardava o "fatinho de ver a Deus e à sua Joana".
E não era só no Portugal da mesquinhez salazarista. Na Inglaterra dos Lordes, na França dos Luíses, a regra era esta. Em 1945 passava-se fome na Europa, a guerra matara milhões e arrasara tudo quanto a selvajaria humana pode arrasar.
Houve tempos em que se produzia o que se comia e se exportava. Em que o País tinha uma frota de marinha mercante, fábricas, vinhas, searas.
Veio depois o admirável mundo novo do crédito. Os novos pais tinham como filhos uns pivetes tiranos, exigindo malcriadamente o último modelo de mil e um gadgets e seus consumíveis, porque os filhos dos outros também tinham. Pais que se enforcavam por carrões de brutal cilindrada para os encravarem no lodo do trânsito e mostrarem que tinham aquela extensão motorizada da sua potência genital. Passou a ser tempo de gente em que era questão de pedigree viver no condomínio fechado, e sobretudo dizê-lo, em que luxuosas revistas instigavam em couché os feios a serem bonitos, à conta de spas e de marcas, assim se visse a etiqueta, em que a beautiful people era o símbolo de status como a língua nos cães para a sua raça.
Foram anos em que o Campo se tornou num imenso ressort de Turismo de Habitação, as cidades uma festa permanente, entre o cocktail party e a rave. Houve quem pensasse até que um dia os Serviços seriam o único emprego futuro ou com futuro.
O país que produzia o que comíamos ficou para os labregos dos pais e primos parolos, de quem os citadinos se envergonhavam, salvo quando regressavam à cidade dos fins de semana com a mala do carro atulhada do que não lhes custara a cavar e às vezes nem obrigado.
O país que produzia o que se podia transaccionar, esse, ficou com o operariado da ferrugem, empacotados como gado em dormitórios, e que os víamos chegar mortos de sono logo à hora de acordarem, as casas verdadeiras bombas-relógio de raiva contida, descarregada nos cônjuges, nos filhos, na idiotização que a TV tornou negócio.
Sob o oásis dos edifícios em vidro, miragem de cristal, vivia o mundo subterrâneo de quantos aguentaram isto enquanto puderam, a sub-gente. Os intelectuais burgueses teorizavam, ganzados de alucinação, que o conceito de classes sociais tinha desaparecido. A teoria geral dos sistemas supunha que o real era apenas uma noção, a teoria da informação substituía os cavalos-força da maquinaria pelos megabytes de RAM da computação universal. Um dia os computadores tudo fariam, o Ser-Humano tornava-se um acidente no barro de um oleiro velho e tresloucado que, caído do Céu, morrera pregado a dois paus, e que julgava chamar-se Deus, confundindo-se com o seu filho e mais uma trinitária pomba.
Às tantas, os da cidade começaram a notar que não havia portugueses a servir à mesa, porque estávamos a importar brasileiros, que não havia portugueses nas obras, porque estávamos a importar negros e eslavos.
A chegada das lojas-dos-trezentos já era alarme de que se estava a viver de pexibeque, mas a folia continuava. A essas sucedeu a vaga das lojas chinesas, porque já só havia para comprar «balato». Mas o festim prosseguia e à sexta-feira as filas de trânsito em Lisboa eram o caos e até ao dia quinze os táxis não tinham mãos a medir.
Fora disto, os ricos, os muito ricos, viram chegar os novos ricos. O ganhão alentejano viu sumir o velho latifundiário absentista pelo novo turista absentista com o mesmo monte mais a piscina e seus amigos, intelectuais, claro, e sempre pela reforma agrária, e vai um uísque de malte, sempre ao lado do povo, e já leu o New Yorker?
A agiotagem financeira, essa, ululava. Viviam do tempo, exploravam o tempo, do tempo que só ao tal Deus pertencia, mas, esse, Nietzsche encontrara-o morto em Auschwitz. Veio o crédito ao consumo, a Conta-Ordenado, veio tudo quanto pudesse ser o ter sem pagar. Porque nenhum Banco quer que lhe devolvam o capital mutuado, quer é esticar ao máximo o lucro que esse capital rende.
Aguilhoando pela publicidade enganosa os bois que somos nós todos, os Bancos instigavam à compra, ao leasing, ao renting, ao seja como for desde que tenha e já, ao cartão, ao descoberto-autorizado.
Tudo quanto era vedeta deu a cara, sendo actor, as pernas, sendo futebolista, ou o que vocês sabem, sendo o que vocês adivinham, para aconselhar-nos a ir àquele Balcão bancário buscar dinheiro, vendermos-nos ao dinheiro, enforcarmos-nos na figueira infernal do dinheiro. Satanás ria. O Inferno começava na terra.
Claro que os da política do poder, que vivem no pau de sebo perpétuo do fazer arrear, puxando-os pelos fundilhos, quantos treparam para o poder, querem a canalha contente. E o circo do consumo, a palhaçada do crédito servia-os. Com isso comprávamos os plasmas mamutes onde eles vendiam à noite propaganda governamental e, nos intervalos, imbelicidades e telefofocadas, que entre a oligofrenia e a debilidade mental a diferença é nula. E, contentes, cretinamente contentinhos, os portugueses tinham como tema de conversa a telenovela da noite, o jogo de futebol do dia e da noite e os comentários políticos dos "analistas" que poupavam os nossos miolos de pensarem, pensando por nós.
Estamos nisto.
Este fim-de-semana a Grécia pode cair. Com ela a Europa.
Que interessa? O Império Romano já caiu também e o mundo não acabou. Nessa altura, em Bizâncio, discutia-se o sexo dos anjos. Talvez porque Deus se tivesse distraído com a questão teológica, talvez porque o Diabo tenha ganho aos dados a alma do pobre Job na sua trapeira. O Job que somos grande parte de nós.

sábado, 19 de maio de 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Carta Aberta ao venerando chefe do estado a que isto chegou



Senhor Presidente,

Há muito, muito tempo, nos dias depois que Abril floriu e a Europa se abriu de par em par, foi V.Exa por mandato popular encarregue de nos fazer fruir dessa Europa do Mercado Comum, clube dos ricos a que iludidos aderimos, fiados no dinheiro fácil do FEDER, do FEOGA, das ajudas de coesão (FUNDO DE COESÃO) e demais liberalidades que, pouco acostumados, aceitámos de olhar reluzente, estranhando como fácil e rápido era passar de rincão estagnado e órfão do Império para a mesa dos poderosos que, qual varinha mágica, nos multiplicariam as estradas, aumentariam os direitos, facilitariam o crédito e conduziriam ao Olimpo até aí inatingível do mundo desenvolvido.
Havia pequenos senãos, arrancar vinhas, abater barcos, não empatar quem produzisse tomate em Itália ou conservas em Marrocos, coisa pouca e necessária por via da previdente PAC, mas, estando o cheque passado e com cobertura, de inauguração em inauguração, o país antes incrédulo, crescia, dava formação a jovens, animava a construção civil , os resorts de Punta Cana e os veículos topo de gama do momento.
Do alto do púlpito que fora do velho Botas, V.Exa passaria à História como o Modernizador, campeão do empreendedorismo, símbolo da devoção à causa pública, estóico servidor do povo a partir da marquise esconsa da casa da Rua do Possôlo. Era o aplicado aluno de Bruxelas, o exemplo a seguir no Mediterrâneo, o desbravador do progresso, com o mapa de estradas do ACP permanentemente desactualizado.
O tecido empresarial crescia, com pés de barro e frágeis sapatas, mas que interessava, havia pão e circo, CCB e Expo, pontes e viadutos, Fundo Social Europeu e tudo o que mais se quisesse imaginar, à sombra de bafejados oásis de leite e mel, Continentes e Amoreiras, e mais catedrais escancaradas com um simples cartão Visa.
Ao fim de dez anos, um pouco mais que o Criador ao fim de sete, vendo a Obra pronta, V.Exa descansou, e retirou-se. Tentou Belém, mas ingrato, o povo condenou-o a anos no deserto, enquanto aprendizes prosseguiam a sanha fontista e inebriante erguida atrás dos cantos de sereia, apelando ao esbanjamento e luxúria.
No início do novo século, preocupantes sinais do Purgatório indicaram fragilidades na Obra, mas jorrando fundos e verbas, coisa de temerários do Restelo se lhe chamou. À porta estava o novo bezerro de ouro, o euro, a moeda dos fortes, e fortes agora com ela seguiríamos, poderosos, iguais.
Do retiro tranquilo, à sombra da modesta reforma de servidor do Estado, livros e loas emulando as virtudes do novo filão foram por V.Exa endossados , qual pitonisa dos futuros que cantam, sob o euro sem nódoa, moeda de fortes e milagreiro caminho para o glorioso domínio da Europa.
Migalha a migalha, bitaite a bitaite, foi V.Exa pacientemente cozendo o seu novelo, até que, uma bela manhã de nevoeiro, do púlpito do CCB, filho da dilecta obra, anunciou aos atarantados povos estar de volta, pronto a servir.
Não que as gentes o merecessem, mas o país reclamava seriedade, contenção, morgados do Algarve em vez de ostras socialistas.
Seria o supremo trono agora, com os guisados da Maria e o apoio de esforçados amigos que, fruto de muito suor e trabalho, haviam vingado no exigente mundo dos negócios, em prol do progresso e do desenvolvimento do país.
Salivando o povo à passagem do Mestre, regressado dos mortos, sem escolhos o conduziram a Belém, onde petiscando umas pataniscas e bolo-rei sem fava, presidiria, qual reitor, às traquinices dos pupilos, por veladas e paternais palavras ameaçando reguadas ou castigos contra a parede.
E não contentes, o repetiram segunda vez, e V. Exa, com pungente sacrifício lá continuou aquilíneo cônsul da república, perorando homilias nos dias da pátria e avisando ameaçador contra os perigos e tormentas que os irrequietos alunos não logravam conter.
Que preciso era voltar à terra e ao arado, à faina e à vindima, vaticinou V.Exa, coveiro das hortas e traineiras; que chegava de obras faraónicas, alertou, qual faraó de Boliqueime e campeão do betão; que chegava de sacrifícios, estando uns ao leme, para logo aconselhar conformismo e paciência mal mudou o piloto.
Eremita das fragas, paroquial chefe de família, personagem de Camilo e Agustina, desprezando os políticos profissionais mas esquecendo que por junto é o profissional da política há mais anos no poder, preside hoje V.Exa ao país ingrato que, em vinte anos, qual bruxedo ou mau olhado, lhe destruiu a obra feita, como vil criatura que desperta do covil se virou contra o criador, hoje apenas pálida esfinge, arrastando-se entre a solidão de Belém e prosaicas cerimónias com bombeiros e ranchos.
Trinta anos, leva em cena a peça de V.Exa no palco da política, com grandes enchentes no início e grupos arregimentados e idosos na actualidade.
Mas, chegando ao fim o terceiro acto, longe da epopeia em que o Bem vence o Mal e todos ficam felizes para sempre, tema V.Exa pelo juízo da História, que, caridosa, talvez em duas linhas de rodapé recorde um fugaz Aníbal, amante de bolo-rei e desconhecedor dos Lusíadas, que durante uns anos pairou como Midas multiplicador e hoje mais não é que um aflito Hamlet nas muralhas de Elsinore, transformado que foi o ouro do bezerro em serradura e sobrevivendo pusilâmine como cinzento Chefe do estado a que isto chegou, não obstante a convicção, que acredito tenha, de ter feito o seu melhor.


Respeitoso e Suburbano, devidamente autorizado pela Sacrossanta Troika,

António Maria dos Santos
Sobrevivente (ainda) do Cataclismo de 2011

"Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente.


E pela mesma razão."

EÇA DE QUEIROZ

domingo, 15 de abril de 2012

Amigo . . . faz-nos bem . . .

   Para mim e para as pessoas que como eu  , vivem em permanente guerra aberta com o "mundo" , numa discordância quase total e seus inevitáveis conflitos , é muito bom quando "tropeçamos" com alguém que gosta de nós e nos ouve , quando por acaso temos alguma coisa para dizer , respeitando as nossas opiniões , por vezes . . . certezas/convicções !
   Quando isso acontece , o nosso ego (é verdade , também temos !) saltita de contente . . .

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Mas o que é que estes "espantalhos" farão ao dinheiro que "sugam" todos os meses ao povo ? Nem as multas se atrevem a pagar ?!?!?!

   Mário Soares foi apanhado pelo radar do destacamento de trânsito da G.N.R. de Leiria , a circular a 199 Km/hora , na A8 .
   O ex-presidente da República era conduzido pelo motorista , numa viatura oficial . Perante a opção de pagar  logo a multa de 300 euros ou o condutor ficar com a carta apreendida , Soares afirmou : "o Estado é que vai pagar a multa " . E então os militares da G.N.R. apreenderam a carta ao motorista . O Mercedes-Benz S 350 4 Matic estava em nome da Direcção Geral do Tesouro e Finanças . . .

quinta-feira, 15 de março de 2012

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS.

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do
que futuro.

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de cerejas. As
primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas,
rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em
reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos
tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos
e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
da idade cronológica, são imaturas.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário geral do coral. "As pessoas não debatem conteúdos,
apenas os rótulos".

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa…

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade…

Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial
faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!

Mário Coelho Pinto de Andrad (1928/1990), poeta, ensaísta e escritor angolano

quarta-feira, 14 de março de 2012

Enquanto se colocarem interesses de indivíduos e grupos de uma só espécie acima do bem comum da Terra e de todos os seres , enquanto não nos colocarmos no lugar do outro antes de qualquer pensamento , palavra ou acção que o afecta , continuaremos a ser velhos répteis , grotescamente sofisticados em termos científico - tecnológicos , mas 500 milhões de anos atrasados e em risco de extinção .

   Num livro recente , "Doze passos para uma vida solidária" , Karen Armstrong mostra que o grande desafio para vivermos hoje em harmonia numa comunidade global é aplicar a Regra de Ouro de toda a ética , comum às religiões da humanidade e imperativo laico : "Não fazer aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem" ; "Fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem" . Isso implica a experiência de se colocar no lugar do outro , a em-patia ou com-paixão , não o ter pena emocional e condescendente , mas o assumido abandono da gravitação em torno de si mesmo para ser capaz de ver e sentir o mundo como o outro o vê e sente . Uma experiência de descentramento , de desobstrução do espaço ocupado pelo ego , individual ou colectivo , para sentir em si o que o outro sente , dor ou alegria .
   A razão profunda da actual crise é que a rápida evolução científica e tecnológica não foi acompanhada de uma igual evolução ética e espiritual , fazendo com que indivíduos , grupos ou nações sujeitos aos mais primitivos instintos e emoções detenham sofisticados mecanismos de poder , exploração e destruição militar e económica . Temos uma civilização global , em termos económico-tecnológicos , mas não uma consciência ética global .
   Outra potencialidade reside todavia em nós , com o neocórtex e mais : o espírito ou natureza profunda da mente , cujas naturais qualidades são a consciência global e a empatia amorosa e compassiva . São elas que  nos permitem colocar-nos no lugar do outro , não só dos nossos familiares , amigos ou membros do mesmo grupo , clube , empresa , partido , nação , religião ou espécie . São eles que ao invés dos velhos répteis , nos permitem alargar progressivamente o círculo da nossa consideração e afecto , ao ponto de respeitar e amar os próximos como a nós mesmos , sem excluir inimigos nem membros de outras espécies . São elas que nos permitem a empatia com todos os que sofrem e são felizes e não sermos indiferentes aos pobres , doentes e sem abrigo , aos que padecem fome e sede , aos explorados , oprimidos e violentados , homens ou animais . É essa natureza profunda , à medida que se libertar de parcialidades , que nos permite sentir igualmente a dor do desempregado , do recluso na prisão ou do cão no canil  , do porco , frango ou vaca no matadouro e do touro na arena . Simplesmente porque é dor , independentemente de quem a sente . E é a nossa natureza profunda que nos permite sentir ainda compaixão por todos os que são responsáveis pelas dores dos outros , agindo sem ódio contra essas acções .
   Do cultivo de uma consciência ética global , abrangente de todas as formas de vida , depende sairmos desta crise para uma nova civilização . Só a cultura da visão global , do amor e da compaixão pode salvar o mundo . Desenvolvê-la em todas as esferas da vida pública e privada , a começar pela educação , é o maior imperativo e investimento de cada um de nós e de todo o governo que venha a ser digno desse nome . Enquanto se colocar a economia e as finanças acima da sabedoria , da compaixão e de leis que as expressem  , produzir riqueza será sempre para benefício de poucos e prejuízo da maioria . Enquanto se colocarem interesses de indivíduos e grupos de uma só espécie acima do bem comum da Terra e de todos os seres  , enquanto não nos colocarmos no lugar do outro antes de cada pensamento , palavra e acção que o afecta , continuaremos a ser velhos répteis , grotescamente sofisticados em termos científico-tecnológicos , mas 500 milhões de anos atrasados e em risco de extinção .

   Este texto foi publicado na revista CAIS do mês de Fevereiro e é da autoria de Paulo Borges , docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa , e director da revista Cultura entre Culturas .

sexta-feira, 2 de março de 2012

Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no Público


"Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas

esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.


Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo

epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da

Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No

último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença

psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas

perturbações durante a vida.


Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com

impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,

urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das

crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens

infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos

dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos

os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na

escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos

terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade

de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural

que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos,

criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.


Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze

anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100

casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo

das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres

humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas

sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém

maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa,

deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos

ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de

alimentos.


Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez

mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.

Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença

prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e

produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de

três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a

casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma

mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão

cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três

anos.


Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de

desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho

presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela

falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição

da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual,

tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.


Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar

que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês,

enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à

actividade da pilhagem do erário público.* Fito com assombro e

complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de

escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando

já há muito foram dizimados pela praga da miséria.


Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com

responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos

números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de

pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um

mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de

um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência

neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.


E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o

estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se

há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma

inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente".


Pedro Afonso

Médico psiquiatra

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Apenas mais um "grito" da minha revolta . . .

   Li há pouco , penso que no "Diário de Notícias" , que os nossos (sim , porque somos nós que os "sustentamos" !) deputados têm andado a discutir por causa da água que consomem na Assembleia da República (afinal metem água também . . . para dentro !) . Os "PSD(s)" consideram que deve ser consumida água engarrafada e os "PS(s)" querem que se consuma água da torneira !
   Já não há pachorra para aturar esta gente (?) . . .
   Mas afinal porque é que eles não levam a garrafinha de litro e meio de água , engarrafada ou da torneira , não me interessa , mas de casa ?
   Só nos faltava mais esta . . .
   Mas será só sobre a água que eles têm discutido , ou será também sobre o vinho (Douro ou Alentejano !) , o whisky (12 ou 15 anos !) , aguardente (velha ou velhíssima !) , papel higiénico (simples , dupla ou . . . tripla folha !) ?
   Mas afinal o que é que esta gente (?) faz ao salário que lhes damos , aos subsídios de alimentação , alojamento , transporte e . . . outros ? Se não chegar , estiquem-no , façam-no chegar , poupem , como nós temos que fazer . . .
   Porque será que esta gente e . . . outros , também têm direito a subsídios de férias e . . . de Natal ?
   Subsídios só são justificáveis para "salários baixos" completamente "imorais" , abaixo de um determinado nível exigível (porque não . . . 1250 euros ?) .
   Respeitem ao menos a minha humilde inteligência e a minha . . . sanidade mental !

   E O POVO , PÁ ?

   Até quando vai continuar a "agachar-se" e a votar nessa "cambada" ?
   Organizem-se
   Unam-se
   Indignem-se
   Revoltem-se , PORRA !
 
   Sinto nojo , muito nojo mesmo desta sociedade onde vou sendo "obrigado" a viver . É um suplício cada vez maior para mim , todos os dias ter que me afastar deste "meu cantinho" , de onde saio apenas por necessidade absoluta . . .

   ESTOU CANSADO DE TODA ESTA GENTE ESTÚPIDA E . . . ESTUPIDIFICADA ! ! !

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quantas saudades . . .

. . . como eu gostava dos "mil-folhas" da Sírius ! Parecidos , só os do bar da Estação Nova da CP ! ! !
   Em 1970 , quando entrei para a minha primeira aula no D. Duarte , atrasado , como viria a acontecer habitualmente :
   - "Ó pá , olha que isso aqui não se usa !" . O "Corrécio" , com aquela voz de trovão , referia-se às sapatilhas , pois viria a saber que naquele Liceu , sapatilhas só para as aulas de Educação Física !
   Num dos meus primeiros dias de Coimbra , quase fui atropelado pelo combóio que se passeava ali pela Baixa ; quando ouvi aquele "buzinão" quase em cima de mim , instintivamente saltei para o lado e qual não foi o meu espanto , quando vi aquele "cavalo de ferro" com um grande holofote aceso na testa (era já noite !) , passeando-se autenticamente pelo centro da cidade !
   O primeiro colega que se dirigiu a mim e que de certa maneira me ajudou a desinibir e a integrar naquele novo ambiente , foi o pequenino Zé Baetas da Silva , AMIZADE que ainda hoje perdura e  . . . o Zé Baetas acabaria por se tornar o meu melhor amigo de sempre !
   Aquele abraço , Grande Zé Baetas , meu "irmão" ! ! ! Recordo com saudade o teu pai e a tua mãe Marina ( que grande Mulher e Amiga ! ) .
   Vivi em Coimbra de 1970 a 1983 , dos 15 aos 28 anos , talvez a melhor fase da minha vida .

   REFERÊNCIAS

   Liceu D. Duarte

   - A minha primeira paixão (será que algum dia conseguirás e quererás perdoar-me , Maria da Luz (Luzy)?
   - Abril / 74 . . . fantástico , inesquecível !
   - Café Miradouro (aquele abraço , sr Manel !)
   - Estádio e Pavilhão Universitários
   - Ti Júlia e Mobil
   - Ponte de Santa Clara
   - Café Arcádia , onde estudava . . .
   - Café a Brasileira , onde jogávamos bilhar e à "fodinha a 5 tostões" ! Zé Baetas , Zé Vitorino , Tó Ferreira , Toni Gonçalves , Pinto Ângelo , Victor Seco . . . será que se lembram ?
   - Primeiros namoricos e . . . os famosos "bailes de garagem" em Santa Clara ! Hein , Tó Amarante , Leston , Victor "das baterias" ? Não vou mencionar o nome das meninas , a sério que não me lembro da maior parte dos nomes . . . hehehehe !

   Universidade - Faculdade de Medicina
   Claro que só podia ter desistido , por falta de vocação !

   - Círculo dos Leitores (fui assistente durante cerca de 3 anos)
   - Café Trianon , Arco-Bar , Triana , Kuala , Atenas , Moçambique , Piolho , Luna (máquinas flippers) . . .
   - "OUI" , "ETC" , "LD" , Café Romano . . .
   - Uma ou outra paixão "assolapada" e mais algumas outras . . . referências !

   FORAM TEMPOS LOUCOS DE BONS ! ! !
  


   

  


Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua a mão que segura
outra mão que lhe é dada
nua a suave ternura
na face apaixonada
nua a estrela mais pura
nos olhos da amada
nua a ânsia insegura
de uma boca beijada.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nu o riso e o prazer
como é nua a sentida
lágrima de não ver
na face dolorida
nu o corpo do ser
na hora prometida
meu amor que ao nascer
nus viemos à vida.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua nua a verdade
tão forte no criar
adulta humanidade
nu o querer e o lutar
dia a dia pelo que há-de
os homens libertar
amor que a eternidade
é ser livre e amar.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"

(Jackson Pollock)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ana Drago desanca Duarte Marques



POEMA DA DESPEDIDA

Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal, só os mortos sabem morrer
Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo
Não é este sossego que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos
Agora
não resta de mimo que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca
Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo.

MIA COUTO

Da Micá recebi esta "coisa lindíssima" . . .

Para Ti Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Tu que cuidas de mim . . .

  " Tu que cuidas de mim , que vês ?
   Quando olhas para mim que pensas ?
   Sou uma velhota rabugenta e já meia demente , que se baba quando come e que nunca responde aos teus contínuos "vá ! tente !", parecendo que não presto atenção ao que dizes .
   Sou uma velhota que perde as meias e os sapatos , e que parece dócil à tua maneira de lhe dares banho e lhe ministrares as refeições . . .
   É isto que pensas ? É isto que vês ?

   Então abre os olhos , que eu , aqui sentada e tranquila , agarrada à minha bengala , vou dizer-te quem sou .

   Eu sou a última de dez irmãos . Tive um pai e uma mãe , e todos gostávamos muito uns dos outros .
   Fui donzela de dezasseis anos com asas nos pés , sonhando com um noivo que em breve encontraria .
   Casei aos vinte e o meu coração ainda rejubila de alegria com a lembrança desse belo dia .
   Tive um filho aos vinte e cinco .
   Vi-o crescer depressa demais , mas a quem ainda me prendem fortes laços de afeição .
   Quando cheguei aos quarenta e cinco , ele saiu do ninho , do lar , para construir o seu próprio ninho . . .
   Mas eu fiquei com o meu marido que velou por mim .
   Aos cinquenta anos , de novo bebés brincando ao meu lado ; são os meus netos e eu revejo-me nessas crianças . . .

   Mas eis que chegam os dias negros : o meu amado morreu .
   Olho para o futuro , tremendo de medo , pois o meu filho está muito ocupado a criar os seus .
   E eu penso nos anos passados e no amor que conheci .
   Penso : já sou velha e a natureza é muito cruel , pois diverte-se a passar a velhice por tola .
   O meu corpo definha-se , a beleza e a força abandonam-me , e há agora aqui uma pedra onde havia um coração .
   Mas nesta velha carcaça , há uma rapariguinha que sonhou muito e que muito amou .
   Lembro-me das alegrias , lembro-me das tristezas e, de novo , sinto a minha vida . E de novo amo .
   Repenso os anos curtos que passaram tão depressa , e aceito esta realidade implacável , de que tudo neste mundo é passageiro .

   Então , tu que cuidas de mim , abre bem os olhos para esta velha rabugenta e meio tola , e descobre não o que te parece ver , mas aquilo que eu sou realmente : uma história . . . que tu amanhã também podes ser . 
   Olha bem para mim , e ver-me-ás melhor . . ."

              - Texto encontrado no espólio de uma falecida num Lar de Terceira Idade e dirigido à funcionária que mais tratou dela .
   

Alma de mulher

   Nada mais contraditório do que ser mulher . . .
mulher pensa com o coração ,
age pela emoção e vence pelo amor .
   Vive milhões de emoções num só dia
e transmite cada uma delas , num único olhar .
   Exige de si a perfeição
e vive arranjando desculpas
para os erros daqueles a quem ama .
   Hospeda no ventre outras almas ,
dá à luz e depois fica cega ,
diante da beleza dos filhos que gerou .
   Dá as asas , ensina a voar
mas não quer ver partir os pássaros ,
mesmo sabendo que eles não lhe pertencem .
   Enfeita-se toda e perfuma o leito ,
mesmo que o seu amor
nunca perceba tais pormenores .
   Como uma feiticeira
transforma em luz e sorriso
as dores que sente na alma ,
só para ninguém notar .
   E ainda tem que ser forte ,
p'ra dar o ombro
a quem dele precise para chorar .
 
   Feliz do homem que ao menos durante um dia
soube entender a Alma da Mulher !

Só de pão podia viver o homem - Vida - Sol

Só de pão podia viver o homem - Vida - Sol

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

QUEM SOU EU ?

   Nesta altura da vida já nem sei quem sou . . .

   Vejam só que dilema !

   Na ficha da loja sou CLIENTE ; no restaurante , FREGUÊS ; quando alugo uma casa , INQUILINO ; nos transportes , PASSAGEIRO ; nos correios , REMETENTE ; no supermercado , CONSUMIDOR .

   Para as Finanças sou CONTRIBUINTE ; se vendo algo importado , CONTRABANDISTA ; se não pago imposto , SONEGADOR .
   Para votar sou ELEITOR ; mas em comícios , MASSA ; em viagens , TURISTA ; na rua caminhando , PEDESTRE ; se sou atropelado , ACIDENTADO ; no hospital , PACIENTE .
   Se compro um livro sou LEITOR ; se ouço rádio , OUVINTE ; para apresentador de televisão , TELESPECTADOR ; no campo de futebol , TORCEDOR .

   Se sou Benfiquista sou SOFREDOR ; quando morrer . . . uns dirão FINADO , outros . . . DEFUNTO e outros . . . EXTINTO .

   E o pior de tudo é que para os governantes , sou apenas um IMBECIL .

   E pensar que um dia já fui . . . EU ! ! !

Isto é . . . "GLOBALIZAÇÃO" ! ! !

   Efectuou-se um Concurso para definir numa frase curta ou num facto , o conceito de globalização neste nosso mundo .
   O prémio foi atribuído à "MORTE DA PRINCESA DIANA" pelas seguintes razões :

   Diana era uma princesa inglesa que tinha um namorado egípcio . Teve um acidente de carro dentro de um túnel francês , num carro alemão com motor holandês , conduzido por um belga , bêbado com whisky escocês , que era seguido por paparazzis italianos , em motos japonesas . A princesa foi tratada por um médico canadiano , que usou medicamentos americanos . E isto é enviado a você por um brasileiro , usando tecnologia americana (Bill Gates) e provavelmente , você está lendo isto com um computador genérico que usa chips feitos em Taiwan e um monitor coreano montado por trabalhadores de Bangladesh , numa fábrica de Singapura , transportado em camiões conduzidos por indianos , roubados por indonésios , descarregados por pescadores sicilianos , reempacotados por mexicanos e , finalmente , vendido a você por chineses , através de uma conexão paraguaia .

   Isto é . . . "GLOBALIZAÇÃO" ! ! !

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Frei Betto


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?' Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação! Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa? Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais... A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose. O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse. Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas... Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald... Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:... "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser Feliz"!!!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Porque é que os Estados devem pagar 600 vezes mais do que os Bancos? Michel Rocard, antigo primeiro-ministro e Pierre Larrouturou, economista

A Federal Reserve tem secretamente emprestado aos bancos em dificuldade a soma fantástica de 1 200 mil milhões à taxa surpreendentemente baixa de 0,01%. Trata-se de valores incríveis. Já se sabia que, no final de 2008, George Bush e Henry Paulson tinham colocado em cima da mesa a astronómica quantia de 700 mil milhões (540 mil milhões de euros) para salvar os seus bancos. Uma soma colossal. Mas um juiz americano, recentemente, deu razão aos jornalistas da Bloomberg que pretendiam que o seu Banco Central fosse transparente quanto aos apoios financeiros concedidos ao sistema bancário. Depois de terem analisado perto de 20.000 páginas de documentos diversos, Bloomberg mostra que a Reserva Federal secretamente emprestou aos bancos em dificuldade 1.200 mil milhões à taxa surpreendentemente baixa de 0,01%. Ao mesmo tempo, em muitos países, as pessoas sofrem de planos de austeridade impostos pelos governos aos quais os mercados financeiros não aceitam emprestar alguns milhares de milhões, a taxas de juro inferiores a 6,7 ou mesmo a 9%! Asfixiados por estas taxas de juros, os governos são "obrigados" a bloquear as pensões, os apoios às famílias ou a cortar nos salários dos funcionários públicos e nos investimentos públicos, o que faz aumentar o desemprego e nos fará afundar, em breve, numa profunda e muito grave recessão. Será normal que em caso de crise, os bancos privados, que se financiam normalmente a 1% junto dos bancos centrais, possam beneficiar de taxas a 0,01%, mas que, na mesma situação de crise, alguns Estados-Membros sejam obrigados a pagar em vez disso taxas de 600 ou 800 vezes maiores? "Ser governado pelo dinheiro organizado é tão perigoso como ser governado pelo crime organizado," disse Roosevelt. E Roosevelt tinha razão. Estamos a viver uma crise do capitalismo desregulado que pode ser suicida para a nossa civilização. Como o escreveram Edgar Morin e Stéphane Hessel no seu livro Le Chemin de l'espérance (Fayard, 2011), as nossas sociedades devem escolher entre a metamorfose ou a morte? Vamos nós esperar até que seja tarde demais para abrir os olhos? Vamos nós esperar até que seja tarde demais para compreender a gravidade da crise e para escolher a metamorfose, antes que as nossas sociedades se autodestruam? Não temos nós a possibilidade aqui e agora para desenvolver as dez ou quinze reformas concretas que tornariam possível esta metamorfose? Nós queremos somente mostrar que é possível afirmar que Paul Krugman está errado quando este diz que a Europa está enfiada numa "espiral da morte". Como dar oxigénio às nossas finanças públicas? Como agir sem modificar os Tratados, o que exigiria meses de trabalho e se tornará impossível se a Europa é cada vez mais detestada pelos povos? Ângela Merkel tem razão quando diz que nada deve incentivar os governos a continuar a sua fuga para a frente. Mas a maior parte do dinheiro dos empréstimos que os nossos Estados têm estado a contrair nos mercados financeiros é de dívidas antigas. Em 2012, a França deve pedir cerca de 400 mil milhões: 100 mil milhões que correspondem ao défice do orçamento (que seria quase nulo se terminasse com os benefícios fiscais concedidos há dez anos) e 300 mil milhões que correspondem a dívidas antigas, que expiram e que seremos incapazes de reembolsar se nos não voltarmos a endividar nesses mesmos montantes horas antes de ter liquidado as somas em dívida até àquela data. Fazer pagar agora, a taxas de juros colossais, as dívidas acumuladas há cinco ou dez anos atrás não conduz a responsabilizar os governos, mas sim a asfixiar as nossas economias e para benefício exclusivo de alguns bancos privados: sob o pretexto de que há um risco, estes emprestam a taxas muito elevadas, embora sabendo que não há provavelmente nenhum risco real., uma vez que o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) tem como função assegurar a solvência dos Estados mutuários. É necessário acabar com dois pesos, duas medidas: tomando como referência o que fez o Banco Central Americano para salvar o sistema financeiro, propomos que a “dívida velha" dos nossos Estados possa ser refinanciada a uma taxa perto de 0%. Não é necessário modificar os tratados europeus, para implementar esta ideia: claro, o Banco Central Europeu (BCE) não está autorizado a emprestar aos Estados-Membros, mas pode emprestar sem limite aos organismos de crédito públicos (artigo 21.3 dos estatutos do sistema europeu de bancos centrais) e às organizações internacionais (artigo 23 dos mesmos estatutos). Pode, portanto, emprestar a 0,01% ao Banco Europeu de Investimento ou aos organismos públicos, que podem emprestar a 0,02% aos Estados que se endividam para pagar as suas dívidas antigas. Nada impede que se possa pôr em marcha estes financiamentos já, a partir de Janeiro! Não se fala sequer do que se devia falar: o orçamento da Itália mostra um excedente primário. Portanto, esta estaria em equilíbrio se a Itália não tivesse que pagar encargos financeiros cada vez mais elevados. Será necessário deixar afundar a Itália numa recessão e na crise política, ou deve-se aceitar que se deve colocar um fim nas “rendas” dos bancos privados? A resposta deve ser evidente e óbvia para que se possa agir imediatamente a favor do bem comum. O papel que os Tratados atribuem ao BCE é o de garantir a estabilidade de preços. Como se pode ficar indiferente quando alguns países veem o preço (o custo) dos seus títulos do Tesouro duplicar ou mesmo triplicar em poucos meses? O BCE também deve garantir a estabilidade das nossas economias. Como é que se pode ficar sem atuar quando o preço da dívida nos ameaça lançar numa profunda recessão "mais grave do que a de 1930", de acordo com o governador do Banco Central de Inglaterra? Mantendo-nos numa situação de respeito absoluto pelos Tratados, nada proíbe ao BCE de atuar com força de modo a fazer baixar o preço da dívida. Nada, mas mesmo nada, o proíbe de agir, e tudo o incita a que o faça. Se o BCE é fiel aos tratados, ele deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que diminua o custo da dívida pública. A opinião geral é a de que a inflação é mais preocupante! Em 1989, depois da queda do muro de Berlim, bastou um mês a Helmut Kohl e a François Mitterrand e a outros Chefes de Estado europeus, para decidirem criar a moeda única. Depois de quatro anos de crise, que esperam ainda os nossos dirigentes políticos para darem oxigénio às nossas finanças públicas? O mecanismo que propomos poderia aplicar-se imediatamente, tanto para reduzir o custo da dívida antiga como para financiar os investimentos fundamentais para o nosso futuro como, por exemplo, um plano europeu para economia de energia. Aqueles que pedem a negociação de um novo Tratado Europeu têm razão: com os países que o quiserem é necessário construir uma Europa política capaz de agir sobre a globalização; uma Europa verdadeiramente democrática como o propôs já Wolfgang Schäuble e Karl Lamers, em 1994, ou Joschka Fischer em 2000. É necessário um tratado de convergência social e uma verdadeira governação económica. Tudo isto é essencial. Mas nenhum novo Tratado pode ser adotado se o nosso continente se continua a enfiar numa "espiral da morte" e em que os cidadãos continuam a detestar tudo o que vem de Bruxelas. A urgência é então a de enviar um sinal muito claro aos povos europeus, às pessoas: a Europa não está nas mãos dos lobbies financeiros, a Europa está ao serviço dos cidadãos. Michel Rocard, antigo primeiro-ministro e Pierre Larrouturou, economista Michel Rocard é também o Presidente do Conselho de Orientação de Terra Nova, desde 2008. Pierre Larrouturou é também o autor de "Pour éviter le krach ultime" (Nova Editions, 256 p., 15€)