Quando a Paixão acontece não tem jeito mais de você ficar longe, é lá com ela que você quer estar, é lá que os seus pensamentos encontram abrigo. Você sente um aperto no peito, uma vontade imensa de gritar para os quatro cantos que você está completamente apaixonado, você sente necessidade de dizer a todos que ela chegou...
A Paixão é como uma dança de novatos, onde os passos estão sendo aperfeiçoados rumo a uma única direcção. A pegada, o toque, o cheiro, o olhar, a sedução e malícia, a segurança te envolvem de tal maneira que você permite ser levado pelo outro...
Você sabe que de onde veio não tem nada de novo, nada de tão bom quanto ao lado dessa prazerosa Paixão. P'ra que voltar se você sabe que era aqui que gostaria de estar... p'ra que recuar ou fingir que isto não aconteceu... se você é sincero o bastante e honesto contigo e sabe que cedo ou tarde você não vai aguentar e irá acabar confessando.
Se entregue a esse ritmo, se jogue sem medo e aprenda a dança! Quanto mais você se dedicar mais satisfatório sairá... quanto mais tempo você deixar livre para esse momento, mais você conhecerá as suas técnicas. Seu parceiro já sabe o que você quer, pois sente você antes mesmo de você dizer... quando uma Paixão intensa acontece ela não é de uma só parte não... ela é tão certeira que é capaz de pegar ambos ao mesmo tempo, na mesma veemência.
A Paixão chega toda cheia de cor, de calor, de carência e de egoísmo. Ela não admite ser deixada em segundo plano, ela não se satisfaz com um pouco, ela quer tudo ou nada... Não acredito que seja errado ela querer tudo isto para si, ela só está defendendo a sua existência. Não depende dela, do querer dela, ela é envolvida e manobrada por uma grande energia, uma grande força que a faz acreditar que tudo pode ser diferente.
Esta corrente a mantém viva, em grande quantidade de adrenalina. Quando você está apaixonado você fica mais acordado do que dormindo e a sua mente não encontra sossego. A Paixão é capaz de falar contigo em longa distancia... você ouve a sua voz, conversa com ela e ainda sorri, mesmo não estando ela presente.
Quem não é capaz de a sentir, irá te achar com certeza um bobo... Mas melhor ser bobo e feliz do que nada disso sentir. Nesse embalo, nesse passo, são reconhecidas afinidades, semelhanças, desejos em comum, lembranças e uma sensação de que tudo isso não está acontecendo pela primeira vez.
Ela chega, entra, exige atenção plena, é recente, louca e ao mesmo tempo prepotente, pois a Paixão verdadeira acredita no Amor... Na verdade a Paixão verdadeira vem acompanhada com uma dose de Amor. Você sabe que se você não acompanhá-la ela poderá se desviar, se perder.
A Paixão é imatura, irresponsável, ela precisa e depende somente de você p'ra que ela possa crescer e permanecer. Não adianta você fazer pouco caso, não dar tanta importância e depois reclamar que ela só te machucou, só te atrapalhou, pois essa não foi a sua intenção. Ela só precisava ser compreendida.
A Paixão não atende pelo nome de tesão, isto é outra coisa, tesão é tesão... a Paixão gosta de ser respeitada, admirada, apreciada, apalpada, acariciada, gosta de palavras doces e sinceras. Não é a Paixão, nem o Amor que se acabam, é a maneira como você se propõe, se permite, se atreve, a vivê-la que faz toda a diferença. Seja fria e ela será fria, seja quente, e ela será quente. Mostre o que você quer dela e ela se mostrará a você.
Thaís Fernanda








No dia 21 de Fevereiro de 2014, em entrevista ao JN (para que conste), o líder da bancada parlamentar do PSD, na véspera de um conclave partidário, fez doutrina. Pasmou analfabetos funcionais e cientistas sociais. O representante da Nação, porventura após uma noite mal dormida a construir uma bomba de carnaval mediático, lançou a frase do dia. Nem só Marques Mendes merece pôr-se em bicos de pés: A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor. Há quase um mês que a praça dos comentadores tem procurado espremer o paradoxo, digno de oráculos de Delfos e da missa dominical de Marcelo. Até agora, não deparei com uma descodificação que me resolvesse as perplexidades filosóficas, económicas, financeiras, geográficas. Deixei passar algumas semanas. Quis assentar a espuma das palavras. Fui rever os tratados. Consultei as hemerotecas. Colhi opiniões de largo espectro. Cheguei a pensar que Montenegro seria o pai do Acordo Ortográfico, que também não se percebe muito bem. De repente, fez-se luz. As orquestras da Comunicação excitaram-se com as listas da Forbes. Lá vinham os três portugueses mais ricos, apesar de tanta e tamanha austeridade. A vida deles está cada vez melhor. Pelo contrário, a das pessoas em geral está cada vez pior. Esclareçamos de vez o que Montenegro entende por pessoas e por país. Eis o que ele não teve coragem de concretizar, por óbvias e sensíveis razões: 

