quinta-feira, 31 de julho de 2014

"Como roubar e sair impune: roube muito e use gravata"


Quinta-feira 31 de Julho de 2014

«O PÚBLICO noticiou esta semana o caso de um ex-presidente da Junta de Freguesia de S. José, em Lisboa, João Miguel Mesquita, eleito pelo PSD, que foi condenado em Abril passado a quatro anos e meio de prisão por ter “gasto em benefício próprio”, entre 2005 e 2007, 12 mil euros pertencentes à autarquia. O Ministério Público tinha-o acusado de desviar 40 mil euros e de falsificação de documentos, mas o tribunal só considerou provado o desvio dos 12 mil euros. A pena de prisão de João Miguel Mesquita ficou suspensa na condição de que o condenado pagasse à autarquia os 12.000 euros de que se tinha “apropriado”, o que significa que não existiu qualquer sanção real para o crime e que o condenado apenas será obrigado a repor o que roubou, como se se tivesse enganado nas contas com a melhor boa-fé do mundo e fosse o mais impoluto dos autarcas.
A notícia chamou-me a atenção porque me recordou um episódio passado comigo. Há uns anos, ao sair de uma carruagem depois de uma viagem de metro, senti-me mais leve do que quando tinha entrado. Ao apalpar os bolsos, percebi que alguém me tinha palmado a carteira, com documentos e uns escassos euros. Apresentei queixa, substituí os documentos e, passados meses, recebi um telefonema da polícia anunciando-me que tinham prendido um carteirista e que, no meio do seu espólio, lá tinham encontrado os meus documentos. Fui testemunhar a tribunal, juntamente com outras vítimas, e o carteirista, que confessou os crimes, foi condenado a uns anos de cadeia. Não me recordo de o Ministério Público ter nessa altura proposto ao carteirista a devolução do dinheiro roubado em troca de uma pena suspensa e de uma libertação imediata, mas penso que o arranjo lhe deveria ter agradado, já que, no meu caso, a “indemnização” seria de vinte euros. A razão dos dois pesos da Justiça é evidente: o meu carteirista usava uma camisa aberta aos quadrados e um blusão de má qualidade, enquanto que os presidentes das juntas usam em geral fato e gravata. Para mais, o ex-presidente da junta pertencia a um partido do “arco do poder” e o meu carteirista provavelmente não teria actividade política.
Todos os casos que conheço reforçam a minha convicção de que existe uma aplicação do Código Penal para quem usa gravata e outra, infinitamente menos benévola, em Portugal e em todos os outros países do mundo, para quem não usa. Tomemos o exemplo daquele que é um dos maiores roubos da História: a manipulação da taxa Libor, ao longo de muitos anos, por um cartel de bancos que incluía instituições pretensamente tão respeitáveis como o Barclays Bank, UBS, Citigroup, The Royal Bank of Scotland, Deutsche Bank, JPMorgan, Lloyds Banking Group, Rabobank e outros. A manipulação de uma taxa interbancária de referência como a Libor, em benefício próprio, traduziu-se em perdas para muitos milhões de indivíduos e organizações em todo o mundo. Milhões de estudantes ingleses, de lojas francesas, de quintas italianas e de famílias portuguesas viram as mensalidades dos seus empréstimos aos bancos subir durante anos para que esses mesmos bancos e outros vissem os seus lucros crescer. Tratou-se, em linguagem corrente, de um roubo. Não um roubo como o do meu carteirista mas um roubo sistemático, generalizado, que defraudou milhões e que acumulou riquezas incalculáveis nos bolsos de quem já era imensamente rico.
O que aconteceu a estes bancos? Alguns pagaram multas, outros nem isso, porque denunciaram os cúmplices em troca de imunidade, mas ninguém foi condenado. Houve uns corretores expulsos de uns países, detenções para interrogatórios e foi tudo. Talvez uns quantos acabem por ser presos – os próprios bancos acusados tentarão encontrar bodes expiatórios –, mas nunca o castigo será proporcional ao crime. Todos usam gravata. Alguém espera que o imenso buraco do BES tenha responsáveis criminais? O ex-presidente da junta, apesar de tudo, foi condenado e a sua reputação saiu ferida, mas os bancos ladrões e os seus administradores e directores continuam a ser referidos na imprensa como entidades respeitáveis e os seus quadros são invejados nas revistas, bajulados pelos Governos e pagos (legalmente) a peso de ouro.
A crise moral que atravessamos traduz-se nisto: condenamos carteiristas à cadeia em nome da Justiça e tratamos com deferência e apresentamos como exemplo organizações criminosas que operam em grande escala, como os bancos. Não é uma novidade, mas o facto de não ser uma novidade e de continuarmos a tolerar a situação só a torna mais grave. Continuamos a tratar com respeito governos que se apropriam de património público para o vender ao desbarato e que destroem monopólios do Estado para beneficiar interesses privados obscuros – como o Governo português está a fazer com a lotaria. Por que respeitamos estes ladrões? Por que falamos de bancos e de organizações como a ONU, ou o FMI ou a FIFA ou tantas outras, como se fossem respeitáveis? Por que não exigimos que obedeçam aos padrões éticos e legais que exigimos aos outros? Apenas porque usam gravata e sabem usar talheres? Apenas porque ficaram ricos com o dinheiro que roubaram? Somos assim tão parvos?» – José Vítor Malheiros, no Público.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Desculpe, David Luiz *Por Cristovam Buarque



Senado Federal

Discurso do Senador Cristovam Buarque

Plenário do Senado Federal

09/Julho/2014




O Brasil é um País privilegiado. Sabemos do privilégio na natureza e nas características do povo, mas tem um privilégio na história: o fato de que não termos traumas que outros países têm nas suas histórias. Nunca perdemos uma guerra, nem nos nos rendemos. A Alemanha sofreu duas derrotas e rendições em um mesmo século. A França que foi invadida e ocupada durante quatro anos pelo exército alemão. Os Estados Unidos tiveram uma traumática guerra civil e presidentes assassinados. Nossos traumas se resumem ao suicídio de um presidente, e perda da Copa do Mundo para o Uruguai, no último minuto, 64 anos atrás.

Agora, neste 8 de julho de 2014, ficamos com a sensação de um grande trauma nacional por causa da desastrosa derrota por 7 a 1 que nossa seleção sofreu diante da Alemanha.

Por sermos o país do futebol, por termos este esporte entrando na alma de nosso povo, e por sermos atualmente bons, os melhores historicamente, nós temos a razão de sentirmos o trauma com a derrota da seleção ontem. O que surpreende é como não temos outros traumas.

Por exemplo, estamos profundamente abatidos no Brasil inteiro porque perdemos de 7 a 1 para a Alemanha, mas jamais nos lembramos de que a Alemanha teve 103 Prêmios Nobel e nós nenhum.

Com toda a tristeza que sinto pelo fato de termos sido derrotados, e com um escore tão grande, do ponto de vista do interesse nacional, do ponto de vista das consequências para o futuro, é muito mais grave para o futuro do País o fato de estarmos perdendo para a Alemanha de 103 a zero, no campeonato de Prêmio Nobel.

Nós não nos traumatizamos, no dia 14 de março de 2013, quando foi divulgado o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, que nos deixou em 85º lugar, entre 106 países analisados. Entre estes países estão alguns dos mais pobres do mundo, os 106 ficamos em 85º – quase lanterninha –, e não nos traumatizamos. E nós nos traumatizamos por sermos o quarto ou até o terceiro em futebol, dependendo do resultado do jogo no próximo sábado. O mundo inteiro disputou para ter seus times na COPA. Foram selecionados 31 e nós fomos disputar com eles. Apenas 32 foram selecionados como os melhores. Aos poucos foram sendo eliminados. O nosso chegou ao último estágio, que são os quatro finalistas. Não chegamos à finalíssima, mas chegamos à anterior. Na pior das hipóteses, sairemos dessa Copa como a quarta melhor seleção de futebol do mundo. E o Brasil está de luto, num sofrimento que dói na gente, sobretudo quando vemos as crianças que choraram no estádio e nas ruas pela derrota que elas não esperavam. Nem entendem.

Mas não nos traumatizamos no dia 3 de dezembro de 2013, quando foi divulgada a classificação do Brasil na educação, entre 65 países, e ficamos em

58º. Uma avaliação que analisa 65 países, feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, da Europa, deixa-nos em 58º, entre 65 e não houve nenhum trauma naquele 4 de dezembro, dia seguinte à divulgação do resultado. Este campeonato que não gerou qualquer tristeza, mas suas consequências para o Brasil são muito mais trágicas, do que o resultado do jogo contra a Alemanha.

Nós não tivemos o menor constrangimento, o menor trauma, a menor tristeza, quando, no dia 1º de março de 2011, a Unesco divulgou a sua classificação da educação para 128 países, e nos colocou em 88º. Ou seja, um dos piores.

E, quando falamos em 128 países, estamos incluindo os mais pobres do mundo, não nos comportamos apenas com países da elite educacional, não foram apenas os BRICS, nem apenas os emergentes: Temos toda a razão emocional de estarmos tristes por termos sido excluídos da finalíssima decisão de quem será o campeão deste ano. Temos toda a razão de estarmos tristes, porque ainda não foi este ano que ganhamos o hexa, mas também precisamos ficar tristes com as outras nossas classificações: na educação, na saúde publica, na violência, no quadro social.

Todo o direito à tristeza, mas não esqueçamos as outras razões para sofrer também, até porque são essas outras razões de sofrimento que nos levariam a superar os nossos problemas e construir um futuro que nos vem sendo negado há séculos.

Precisamos ver, nessa derrota como jogador David Luiz no final do jogo, quando ainda dentro do campo, pela televisão, chorando, disse o seguinte: “Desculpa, por não ter feito vocês felizes nesta hora”. Veja a que grandeza: ele não disse que estava triste por não ser campeão do mundo. Estava triste por não ter feito a nós, os brasileiros, felizes nessa hora. E continuou “Mas aqui tem um cidadão disposto a ajudar a todos”, Ou seja, a derrota foi de um jogo, não foi a derrota de uma história. E continua: “Eu só

queria dar alegria para o meu povo que sofre tanto por tanta coisa”. Esse sentimento vindo dele confesso que me surpreendeu, quando ele lembra: “queria dar uma alegria para esse povo que sofre tanto por tanta coisa”. E ele diz: “Queria pedir desculpa”, “só queria fazer meu povo sorrir pelo menos no futebol”. Veja que sentimento esse rapaz teve. Sair daquela derrota chorando e lembrar-se do povo, lembrar-se do sofrimento do povo e lembrar-se, como ele diz, de o povo sorrir, pelo menos no futebol. “Porque já sofre tanto por tanta coisa”

O sofrimento não fica restrito ao futebol mas é o sofrimento do futebol que traumatiza. Os demais são tolerados, ignorados, por serem banalizados. Por isso não damos tanta importância aos demais sofrimentos e não fazemos o dever de casa para consertar o resto ganhar outras copas. Não estamos jogando para sermos campeões mundiais na educação, para sermos campeões mundiais no saneamento, para sermos campeões mundiais, por exemplo, na paz das cidades. Embora fracassada, fazemos o dever de casa, para sermos competitivos no futebol, mas não estamos fazendo o dever de casa para o Brasil ser melhor, mais eficiente, mais justo, e não percebemos este fracasso. Por isso não sofremos, diante dos males banalizados. Sofremos porque o Brasil não é campeão mundial de futebol este ano – já foi cinco vezes –, mas não sofremos porque não estamos fazendo um Brasil melhor.

Quando vi o David Luiz pedindo desculpas, pensei: quem devia estar ali pedindo desculpas éramos nós os Senadores, os Deputados, os Ministros, os Governadores, a Presidente da República, porque somos nós que estamos em campo para fazer um Brasil melhor. Nós somos a seleção brasileira da política para a definição dos rumos do País. E nem ao menos lembramos que o papel do político é eliminar os entulhos que dificultam o caminho das pessoas à busca de sua felicidade pessoal.

Eles estavam em campo para fazer o Brasil campeão. Nós estamos em campo para fazer um Brasil melhor e não estamos conseguindo chegar nem

ao quarto, nem ao décimo, nem ao vigésimo, nem ao quinquagésimo lugar. Estamos chegando ao octogésimo quinto no Índice de Desenvolvimento Humano, octogésimo oitavo na educação. Estamos perdendo de 103 a zero em Prêmio Nobel para a Alemanha.

O mais importante para o futuro do País não é o campeonato de futebol, embora esse toque mais na alma da gente, o maior campeonato que estamos perdendo são as condições sociais, as possibilidades de eficiência na economia, a educação, segurança, a saúde, a corrupção. Esses são os campeonatos que devem fazer com que nós brasileiros trabalhemos para superar.

O Davi Luís deu todo o seu esforço e nos colocou primeiro entre as seleções selecionadas para a Copa, porque muitas ficaram de fora; depois nos fez passar para oitava, para quarta e agora estamos nas finais, e apesar disso ele nos pede desculpas, “por não ter feito o povo sorrir, pelo menos no futebol” – como ele disse – pelo menos no futebol, mas não basta só o futebol. Pelo menos no futebol porque essa é a tarefa dele, mas aqui, nesta casa no congresso não basta o futebol.

Sofri ontem como qualquer brasileiro, mas eu quero agradecer aos jogadores que nos colocaram nessa posição.

Quero agradecer, ao David Luiz, quando ele nos deu esta lição: “Eu só queria fazer meu povo sorrir pelo menos no futebol.” Você não conseguiu, David Luiz, fazer o povo sorrir plenamente no futebol, mas você conseguiu nos despertar para o fato de que nós não estamos conseguindo fazer o povo sorrir pelas outras coisas das quais eu sou um dos responsáveis.

Por isso, desculpa, David Luiz.

Cristovam Buarque, Professor da UnB e Senador pelo PDT-DF.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Manifesto








Portugal tem 20 partidos políticos registados. Dois dos grandes partidos alternam no governo há quase quarenta anos, embora cada vez com menos votantes e com índices de abstenção eleitoral que rondam os 50%.

 Entretanto, a sociedade civil robusteceu-se e ganhou voz em numerosas organizações e movimentos que, desde 15 de setembro de 2012, têm vindo a exigir alternativas.

 Chegou a hora de um partido da cidadania dar voz a quem não se revê em partidos e governos que acumulam défices, sem terem limites legais. Défice Orçamental. Défice de Emprego. Défice de Justiça. Défice de Natalidade. Défice de Solidariedade. Défice de Transparência. Défice de Estratégia. Défice de Futuro. Não queremos estes défices, nunca mais.

Para reerguer Portugal em nome do bem comum, esse partido surgiu. Somos Nós, Cidadãos! Nós, Cidadãos! preencherá o espaço político onde se situa a maioria dos Portugueses revoltados com os crescentes constrangimentos financeiros e económicos.

 Estamos com todos quantos acreditam na Democracia, sobretudo com os que actualmente se abstêm mas que agora se revêem nas nossas propostas. Estamos com todos os que, em vez de sujeitar a democracia a pressões populistas e demagógicas, querem reformar o sistema político. Estamos com todos os atingidos pela crise que não sentem solidariedade em seu favor, em especial os idosos, os marginalizados, os deficientes. Estamos com os silenciosos que, por motivos culturais ou por pertença social, sofrem em silêncio o seu desemprego, a sua solidão, ou a sua doença. Estamos com os jovens, mais preparados que as gerações anteriores mas mais vulneráveis às escolhas de uma sociedade consumista e sem horizonte. Estamos com os pensionistas, despojados de direitos prometidos. Estamos, sobretudo, com a classe média que, com empregos privados ou públicos, contribui com o seu trabalho e dedicação para construir este grande e histórico país de vocação europeia e lusófona, em que todos acreditamos e que queremos ver forte, justo e livre.

Face à necessidade de reforma política, Nós, Cidadãos! combaterá pela criação de uma lei que responsabilize criminalmente os governantes e detentores de cargos públicos por atos de gestão danosa ou negligência grosseira, em prejuízo do País.

 Pugnaremos pela incompatibilidade entre função parlamentar e cargos privados; por tornar mais transparentes as nomeações para cargos estatais; para que o sistema judicial preste contas anuais da sua atividade ao Parlamento; para desenhar um sistema eleitoral que incorpore listas uninominais; para aumentar o grau de independência das autoridades reguladoras; para requerer orçamentos multianuais ao governo; para incentivar os partidos a apresentarem alternativas além da mera crítica fácil e destrutiva; para reduzir o número de parlamentares; pela transparência no financiamento dos partidos.

Contra a falta de justiça, e contra a morosidade, a corrupção, e as deficiências do Ministério Público, Nós, Cidadãos! combaterá para que as custas judiciais tenham em conta os rendimentos daqueles que se lhe dirigem; que os acórdãos sejam aligeirados; que os Juízes julguem e os serviços de apoio executem serviços complementares; que os agentes da Justiça, cumpram os prazos estipulados na Lei, sob pena de estagnação na carreira, entre outras possíveis sanções.

Contra o pântano fiscal, Nós, Cidadãos! irá propor um sistema fiscal equitativo com intervenção de fundo na simplificação do IRS e do IRC, e na reengenharia de processos da Administração Fiscal e na preparação de magistrados. O objectivo da fiscalidade deve ser ajudar a crescer famílias e empresas, distribuindo, pois enquanto a criação de riqueza não for acompanhada de políticas redistributivas contra a desigualdade, não conseguiremos alcançar o objetivo de uma sociedade mais justa, mais livre e mais solidária.

sábado, 26 de julho de 2014

Qualquer semelhança com os nossos políticos é erro de redacção.


HARRY TRUMAN foi um tipo diferente como presidente. Provavelmente tomou tantas ou mais decisões em relação à história dos EUA como as que tomaram os 42 presidentes que o precederam.
Uma medida da grandeza talvez permaneça para sempre: trata-se do que fez DEPOIS de deixar a Casa Branca.
A única propriedade que tinha quando faleceu era uma casa na qual morava, que se encontrava na localidade de Independence, Missouri. Sua esposa a havia herdado de seus pais e,
fora os anos em que moraram na Casa Branca, foi onde viveram durante toda a vida.
Quando se retirou da vida oficial em 1952, todos seus ingressos
consistiam numa pensão do Exército de $ 13.507 por ano. Ao saber o Congresso que ele custeava seus próprios selos de correio, lhe outorgou um complemento e mais tarde, uma pensão retroativa de $ 25.000 anuais.
Depois da posse do presidente Eisenhower, Truman e sua esposa voltaram a seu lar no Missouri dirigindo seu próprio carro... sem nenhuma companhia do Serviço Secreto.
Quando lhe ofereciam postos corporativos com grandes salários, os rejeitava dizendo: “Vocês não me querem a mim, o que querem é a figura do Presidente, e essa não me pertence.
Pertence ao povo norte-americano e não está a venda...”.
Ainda depois, quando em 6 de Maio de 1971 o Congresso estava se preparando para lhe outorgar a Medalha de Honra em seu 87°
aniversário, se recusou a aceitá-la, escrevendo-lhes:
“Não considero que tenha feito nada para merecer esse reconhecimento, venha ele do Congresso ou de qualquer outra parte”.
Como Presidente pagou todos seus gastos de viagem e comida com seu próprio dinheiro.

Este homem singular escreveu: “Minhas vocações na vida sempre foram ser pianista numa casa de putas ou ser político. E para falar a verdade, não existe grande diferença entre as duas!”.

O banqueiro, a sua Isabelinha e o senhor Presidente


Isabel Diana Bettencourt Melo de Castro Ulrich
______________________________________________

Era uma vez um banqueiro
À D. Isabel ligado.
Vive do nosso dinheiro,
Mas nunca está saciado.

Vai daí, foi a Belém
E pediu ao presidente
Que à sua Isabel, também,
Desse um job consistente.

E o burro do Dom Cavaco
Admitiu a senhora,
Arranjando-lhe um buraco
E o cargo de consultora.

O banqueiro é o Fernando,
Conhecido por Ulrich,
E que diz, de vez em quando,
«Quero que o povo se lixe!».

E o povo aguenta a fome?
«Ai aguenta, aguenta!».
E o que o povo não come
Enriquece-lhe a ementa.

E ela, D. Isabel,
Com Cavaco por amigo.
Não sabe da vida o fel
Nem o que é ser sem-abrigo.

Cunhas, tachos, amanhanços,
Regabofe à descarada.
É fartar, que nós, os tansos,
Somos malta bem mandada.

Mas cuidado, andam no ar
Murmúrios, de madrugada.
E quando o povo acordar
Um banqueiro não é nada.

É só um monte de sebo,
Bolorento gabiru.
Fora do banco é um gebo,
Um rei que passeia nu.

Cavaco, Fernando Ulrich,
Bancos, Troikas, Capital.
Mas que aliança tão fixe
A destruir Portugal!

"Lesboa": Marcelo e Ricardo Salgado



Henrique Raposo


A tempo e a desmodo

Henrique Raposohenrique.raposo79@gmail.com

"Lesboa": Marcelo e Ricardo Salgado

De vez em quando, meio a brincar, meio a sério, falo da existência de “Lesboa”, o bunker político-mediático da capital, a penthouseque abole as distâncias institucionais através de laços sociais. Este amiguismo é visível na relação entre instituições e na relação entre poder e comentadores. Exemplos? O caso BPN mostrou a natureza deste fenómeno em dois momentos. Em primeiro lugar, Vítor Constâncio e António Marta afirmaram que não desconfiavam de nada porque estavam a lidar com “pessoas distintas”. Como escrevi na altura, “Lesboa” é isto: os laços sociais entre “pessoas distintas” passam por cima de tudo, até do rigor institucional de um órgão regulador. Os laços de amizade ou de respeito social entre administradores do Banco de Portugal e administradores do BPN impediram uma audição séria. Afinal de contas, o social é mais importante do que as regras institucionais. Em segundo lugar, ficou sempre a ideia de que o meio jornalístico já conhecia as práticas ilegais do BPN. A pergunta, portanto, só pode ser uma: por que razão os média não fizeram fogo sobre o BPN na hora certa?

MARCELO REBELO DE SOUSA FEZ CARREIRA ENTRE LINHAS,

NUM TERRENO AMBÍGUO E ESCORREGADIO ENTRE JORNALISMO E POLÍTICA

A novela em redor do BES e demais barraquinhas financeiras do Grupo Espírito Santo volta a revelar “Lesboa” em todo o seu esplendor provinciano. Marcelo Rebelo de Sousa é amigo de Ricardo Salgado. Não interessa se passam férias no Mediterrâneo ou na Baixa da Banheira. O local do aconchego veraneante é uma irrelevância, a relevância está na amizade que une Marcelo e Salgado. Perante este facto, o entertainer da TVI só tinha dois caminhos legítimos na relação mediática com o imbróglio BES: ou estava calado, ou criticava Salgado. Sucede que Marcelo optou pelo único caminho que não podia tomar: elogiou em público as escolhas de Salgado (Morais Pires). Em nome da salubridade do debate, Marcelo Rebelo de Sousa não pode fingir que é um anjo neutral nesta questão. Até porque a sua companheira, Rita Amaral Cabral, é administradora do BES.

Marcelo Rebelo de Sousa fez carreira entre linhas, num terreno ambíguo e escorregadio entre jornalismo e política. Ao longo dos anos, transformou-se num vaporzinho de segredos palacianos. Mas, no caso do BES, já era tempo de o Dr. Marcelo acabar com os seus próprios segredinhos. No fundo, o Prof. Doutor e restantes donos de “Lesboa” têm de perceber uma coisa: isto não é tudo de Suas Excelências.

Jornal Expresso Quinta, 3 de Julho de 2014

​PORQUE É PRECISO IMAGINAR...​


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Alentejanices


Paragem dos comboios no Alentejo

Devido ao fim de algumas linhas férreas, um repórter num inquérito de rua no Alentejo, pergunta a um alentejano:
- O senhor é a favor ou contra a paragem dos comboios?
Responde o alentejano:
- A favor claro! Se os comboios não parassem, como é que a gente subia e descia?!


ALENTEJANO NA “BRINCADEIRA”

De sachola ao ombro, um alentejano ia caminhando quando a certa altura, ouviu uns murmúrios e risinhos vindos de trás de uma sebe.
Curioso, espreitou com muito cuidado e então viu um casal muito agarradinho, ele já de certa idade, ela uma bela moçoila.
Não sendo desmancha prazeres, recuou e seguiu o seu caminho.
Duas horas depois já de regresso a casa, ao passar pelo mesmo sítio, apercebeu-se que a ”brincadeira” ainda continuava.
Admirado, debruça-se na sebe e pergunta:
- Antão compadri, inda dura?!
Responde o outro:
-Nã sinhori… inda móli!


Porque não troca de lugar?

Estava um Alentejano sozinho no autocarro só mesmo com o motorista.
Chovia muito e o infeliz estava mesmo sentado por baixo de uma goteira.
O motorista ao parar num sinal vermelho, olha através do espelho, vê aquilo
e estranhando, pergunta ao alentejano:
- Mas porque é que não troca de lugar?
E responde o alentejano:
- Ê até trocava, mas com queim?


Bebé proveta

Dois alentejanos estavam passeando.
Diz um deles:
- Ó compadri, vocemecêi sabi dizer alguma coisa da manêra como são fêtos os bébés proveta?
Responde o outro:
- Sê sim sinhori, amigo Chico!
Olhi, até foi assim que a minha Maria e eu fizemos o nosso primêro filho!
Pergunta o primeiro muito interessado:
- Ah sim?!!!
- Antão, diga lá comé que foi?
Explica o segundo:
- Olhe, compadri, ela e eu íamos passeando pelo monti e a certa altura, ela parou à sombra duma olivêra, levantou a saia, baixou as cuecas e disse-me:
- ”Manéli, olha a provêta”…


ALENTEJANO VAI AO MÉDICO

Um alentejano entrou na sala de espera de um consultório médico.
Ao aproximar-se da mesa da recepção, a recepcionista dirige-lhe a palavra:
- Bom dia senhor, qual o seu problema?
Diz o alentejano:
- O mê problema é no pénis.
A recepcionista ao ouvir o alentejano, irritou-se e pregou-lhe uma descompostura:
- O senhor não devia dizer uma coisa dessas numa sala de espera tão cheia! Está a causar embaraço aos outros presentes!
São pessoas de fino porte, educadas…
O senhor devia ter dito por exemplo, que estava com um problema na orelha e depois já dentro do consultório, contava os detalhes ao doutor.
O alentejano sentindo-se humilhado, retirou-se da sala, voltou à rua, recompôs-se e regressou à sala de espera predisposto a corrigir a má impressão causada.
A recepcionista ao vê-lo de regresso sorriu e colaborante, perguntou:
- Muito bom dia senhor, qual o seu problema?
Diz o alentejano:
- Estou com um problema na orelha!
A recepcionista rejubilou num indisfarçável aceno de aprovação e sorrindo triunfante, prosseguiu:
- E diga-me, qual é o problema da sua orelha?
Responde o alentejano:
- Arde muito, quando mijo.


ALENTEJANO MÚSICO E OS ESPANHÓIS

Tinha acabado de chegar ao Alentejo uma excursão de espanhóis.
Ao verem um alentejano, o guia feito esperto, decide ir gozar com o alentejano. Então comunica aos passageiros:
- Ahora me voy hablar con ese portugues alentejano…
Vai ter com o alentejano e diz:
- Hola, como te llamas?
- Toino… – Responde o alentejano
Diz o espanhol:
- Yo también me llamo Antonio!
Cual és tu profesión?
- Sou músico… – Responde o alentejano
Diz o espanhol:
- Yo también soy musico… Y que tocas?
Desconfiado, o alentejano lá continua a responder:
- Toco trompete e tu?
Diz o espanhol:
- Yo también toco trompete. – e acrescenta – Una vez fue a la Fiesta de Nuestra
Señora de los Remédios y toqué tan bien, que a Señora bajó del andor y empezó a llorar.
O alentejano já a topar que o espanhol estava a gozar com ele, responde:
- E ê fui uma vez à Festa do Senhor dos Passos e toquei tan bem, tan bem, que o Senhor largou a cruz, agarrou-se a mim e disse-me:
- “Ah, g’anda Toino!
Tocaste melhor que o sacana do espanhol que fez chorar a minha mãezinha…

Ricardo Espírito Santo , Doutor Honoris Causa . Há um ano foi assim . . . A Academia rendida ao então "Dono de Tudo Isto" . Como será agora ?

Discurso de apresentação , do Padrinho do Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Técnica de Lisboa , a Ricardo Espírito Santo :

"Como é do conhecimento geral o ISEG completou recentemente os seus primeiros 100 anos de atividade. Contudo, estabelecemos desde cedo que o nosso centenário se estenderia até Outubro / Novembro de 2013, altura em que celebraremos os 100 anos de utilização deste espaço conventual ao serviço do ensino superior no campo da ciência comercial, da gestão e da economia. E por isso elegemos um conjunto de personalidades que desejávamos agraciar, no âmbito da Escola e da Universidade, com a distinção de doutor honoris causa. O plano inicial seria o de prolongar esta celebração até Outubro / Novembro de 2013. Porém, o feliz processo de fusão e de criação da nova Universidade de Lisboa entretanto iniciado, veio a revelar-se um catalisador deste processo, que queríamos ainda associado à velha “Universidade Técnica de Lisboa”. Atribuímos merecidamente o grau de doutor honoris causa a Eduardo Catroga, a António de Almeida, a Manuela Silva, e a António Mexia. E de que modo mais feliz do que concluir esta série de distinções do que conclui-la, na pessoa de alguém que, além de nos prestigiar, tem ainda associada uma ligação pessoal e de família a esta casa, e que publicamente se orgulha de se manter há três gerações?

Ricardo Espírito Santo Silva Salgado nasceu em Cascais a 25 de Junho de 1944. Bisneto de José Maria do Espírito Santo e Silva, fundador de um negócio de serviços financeiros com origem na “caza de câmbios” com estabelecimento na Rua Paulista, n.º 91 e cujos primeiros registos contabilísticos a datarem de 1869, se firmavam em atos de compra e venda de obrigações, títulos de crédito nacionais e estrangeiros, empréstimos de dinheiro, operações de câmbios, e revenda de lotaria espanhola, Ricardo Salgado frequentou o Ensino Secundário no Liceu Pedro Nunes e em 1969 concluiu a licenciatura em Economia no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa. Nos anos do Quelhas conviveu com distintos alunos e mestres. Foi contemporâneo de colegas dos cursos anteriores como os irmãos e professores Pinto Barbosa, Pereira Dias, Eduardo Catroga, Gregório Luís, foi do curso do Mário Cristina de Sousa, Proença Varão e Marques da Silva, e ainda recebeu como caloiros (terá praxado?), entre outros, Abel Mateus, Espinho Romão, Miguel Beleza, António Borges, Carlos Silva Ribeiro, ou Jorge Vieira Jordão.

Os seus tempos do Quelhas pronunciavam já tempos de profunda mudança no mundo e particularmente em Portugal… É possível que se recorde que, estando a acompanhar o Prof. Pereira de Moura, numa visita de estudo às instalações da, hoje extinta, Metalúrgica Duarte Ferreira no Tramagal no dia 4 de Abril de 1968, recebe a notícia que Martin Luther King acabara de ser assassinado em Memphis, Tennessee pelas mãos de um pesadelo que lhe ceifou o sonho. E é no final da sua passagem pelo Quelhas enquanto estudante, que assiste ao estalar da crise académica que eclode a 17 de Abril de 1969.

Terminada a licenciatura, cumpriu o Serviço Militar na Marinha de Guerra Portuguesa, no Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval (15º CFORN), após o qual se junta à equipa do então Banco Espirito Santo e Comercial de Lisboa onde, em 1972, assune a direção do Gabinete de Estudos Económicos e posteriormente a Direcção de Crédito, onde fica até 1975. Em paralelo e no mesmo período de tempo, assume já um lugar na administração da Companhia de Seguros Bonança.

Assim que assume funções em 1972 no BESCL, Ricardo Salgado assiste na entrada do ano de 1973 a outra das grandes alterações de liderança no grupo económico onde trabalhava. Com a morte de seu tio-avô Manuel Ribeiro Espírito Santo e Silva, o último dos três irmãos, filhos do fundador (a segunda geração) que durante cinco décadas manteve a gestão homogénea e contínua do Banco, abre-se então a fase de uma nova liderança sob os auspícios da geração subsequente e inicialmente assumida por Manuel Ricardo Pinheiro Espírito Santo Silva, filho do anterior presidente do Banco.

Nesta altura o capital do banco eram um milhão e duzentos mil contos e o total dos depósitos à ordem e a prazo 38 milhões e duzentos mil contos, o que significava já uma posição de liderança do BESCL no mercado nacional.

Com a nacionalização da banca em 1975 o BESCL torna-se um de muitos bancos públicos que mais tarde serão alvos do processo de privatização e Ricardo Salgado arranca para uma segunda fase da sua vida agora sediada momentaneamente no estrangeiro. Em 1976 funda e é Director Superintendente e Director Presidente do Banco Interatlântico de Investimento no Rio de Janeiro, cargo que mantém até 1982.

Em 1980 negocia com o Grupo Monteiro Aranha a cedência de 50% do capital do Banco Interatlântico, e em 1981 negocia a cedência de 50% da posição Luso-Brasileira no Banco Interatlântico ao J. P. Morgan. Em 1982 Integra a Comissão Executiva da Compagnie Financière Espírito Santo em Lausanne e em 1985 participa na transação de aquisição pelo Credit Agricole da posição de 50% do J. P. Morgan no Banco Interatlântico. Em 1986 a Espírito Santo Financial Group (ESFG) e o Crédit Agricole fundam o Banco Internacional de Crédito em Lisboa e a ESFG é admitida à cotação na Bolsa do Luxemburgo. Em 1990 assume a presidência do Conselho de Administração da Partran - SGPS, S.A. Portugal, holding que passa a deter a maioria do capital da Companhia de Seguros Tranquilidade que tinha sido entretanto reprivatizada.

Em 1991 é eleito Presidente do Conselho de Administração da ESFG - Luxemburgo e da Bespar - SGPS, S.A. Portugal, e em 1992, após a segunda fase da privatização do BESCL é nomeado Vice-presidente do Conselho de Administração e Presidente da Comissão Executiva do Banco Espírito Santo & Comercial de Lisboa (hoje BES).

É aqui necessário fazer um ponto de referência pela atividade até aqui desenvolvida pois foi ela que lhe permitiu granjear a confiança da sua numerosa família, mas acima de tudo, a confiança do mercado financeiro internacional e do mercado português, que viu nele a segurança e a estabilidade necessárias para o reassumir de funções à frente de um Banco, o que como sabem é sinal de prestígio e robustez curricular suficiente dada a normalmente exigente análise curricular que é imposta pela supervisão financeira bancária. Em 1993 a ESFG é admitida na Bolsa de Nova York.

Em 1996, Ricardo Salgado é admitido como membro do Instituto Internacional de Estudos Bancários (IIEB), e é nomeado para o seu Executive Committee em 2003, assumindo mesmo a sua presidência em 2006, onde logo nesse ano presidiu às reuniões de Budapeste e Atenas.

Em 1997 é eleito administrador não Executivo, para um mandato de três anos, do Banco Boavista Interatlântico, S.A. (Brasil) o qual foi posteriormente adquirido pelo Banco Bradesco, e em 1998 / 1999 participa no processo de segregação de funções entre as bolsas de Lisboa e Porto entre os negócios à vista e sobre derivados, levado a cabo sob o patrocínio da CMVM.

Mais tarde, e fruto do tempo que vivia de modernização da forma organizacional dos mercados organizados de bolsa, participou no processo de privatização das duas Bolsas, e na fusão das Bolsas de Lisboa e Porto (constituindo-se então a BVLP), sendo, em Dezembro de 1999, nomeado seu Presidente. Em 2002, associando-se ao irrevogável processo de internacionalização e integração de mercados, participa na integração da BVLP na Euronext, sendo nomeado para o Supervisory Board da Euronext NV (Amsterdão), e em 2006 participa na fusão da Euronext com o New York Stock Exchange (NYSE), tendo feito parte do seu Conselho como membro não Executivo até 2011.

Mais recentemente foi eleito Administrador não Executivo do Banco Bradesco (Brasil).

O seu prestígio tendo sido reconhecido não só em Portugal mas também além-fronteiras, tem sido agraciado com a atribuição de condecorações, das quais se destacam a ordem de Chevalier de L´Orde du Mérite National de France, o “Grau de Grande Oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul", pelo Presidente da República Federativa do Brasil, a de Chevalier de la Légion D´Honneur da República Francesa e a de Commander’s Cross Order of Merit da República da Hungria, atribuída pelo Primeiro Ministro da República da Hungria em 2012.

Na sua qualidade de cidadão e de economista, o Dr. Ricardo Salgado tem angariado vários prémios e distinções como sejam a de nomeado Economista do Ano, em 1992 pela Associação Portuguesa de Economistas, em 2001 foi nomeado Personalidade do Ano pela Câmara Portuguesa de Comércio do Brasil, em S. Paulo, em 2008 foi reconhecido pela Academia das Ciências de Lisboa pelos altos serviços prestados, em 2011 foi-lhe atribuído o Excellence Award in recognition of the visionary leadership and contribution to the Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida, e em 2012 foi distinguido com o prémio de Lifetime Achievment em Mercados Financeiros pelo júri do Investors’ Relation and Governance Awards, prémio nacional instituído pela Deloitte em parceria com o Diário Económico.

A sua relação com o ISEG, e por essa via com a academia, é longa e saudável. Em 1969 licenciou-se em Economia e a esta escola voltou em 2001 quando, a meu convite, aceitou ser o mentor da licenciatura em Finanças entretanto reaberta. Nessa altura tive a oportunidade de o conhecer, recolhendo nele a maior das disponibilidades para servir esta Escola onde se formou como economista.

Mais tarde, em 2008, a Associação de Antigos Alunos do ISEG distinguiu-o com a distinção de Vetus Alumnus Anno, podendo ler-se no diploma então lavrado: “Pela sua capacidade empreendedora e de liderança no desenvolvimento do projeto do Banco Espírito Santo (BES), após a reprivatização em 1992. O BES é notoriamente reconhecido como um caso de sucesso competitivo no sistema bancário português, tendo a sua quota de mercado passado de 9% em 1992 para 20% em 2007, com crescimento sustentado de criação de valor. O BES, em múltiplas iniciativas, é um parceiro do ISEG sob o estímulo de Ricardo Salgado, o que muito contribui, também, para o prestígio da Escola”

Em 2009 foi cooptado, por eleição, como membro do Conselho de Escola não vinculado à mesma, cargo que ocupa desde essa data.

Mas é pela sua vida profissional que penso ser merecido a atual distinção. O BES na forma como hoje se encontra e pela forma como tem evoluído é um exemplo de liderança e de visão de quem conhece o negócio, tem as relações nacionais e internacionais certas, que delas faz a gestão sensata, e zela pelo ativo mais preciso da atividade bancária: a confiança. Aliás, o título BES é amiúde, ao longo dos últimos anos, um dos títulos que se destacam na bolsa portuguesa pela baixa volatilidade, o que não é alheio à forma como discreta e serenamente o banco é dirigido.

O doutoramento honoris causa ("por causa de honra") é um título honorífico concedido pelas universidades a pessoas eminentes, que se tenham destacado em determinada área, pela sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições. Sem dúvida que este será o caso do Dr. Ricardo Salgado a quem se reconhecem as já citadas qualidades de liderança em tranquilidade, de visão, de antecipação, de decisão em serenidade, de conhecimento técnico e capacidade de gestão. A forma como conseguiu assegurar a transformação do BESCL em BES numa sadia alteração de carreiras, linhas estratégicas e práticas, sem conflitos, deram força a um processo de privatização em que, especialmente na área financeira a confiança é “o ativo” que se trabalha. E neste aspeto o saber gerir a transição sem ruturas dramáticas é um bem escasso que só se aprecia quando se perde. E nós portugueses, nos dias recentes que acabamos de viver bem sabemos os efeitos devastadores que as convulsões irrefletidas podem gerar.

Devo ainda uma última nota que me parece ser muito significativa do que quero referir com “confiança”. O BES, foi o único dos grandes bancos portugueses, que não necessitou do apoio estatal para poder aumentar o seu capital em resultado da revisão recente dos rácios de solvabilidade bancária, o que mais uma vez denota a elevada confiança que os acionistas sentem nessa liderança.

Magnífico Reitor,

Pelo que expus, tendo em conta as apreciações positivas quer em sede do Conselho Científico do ISEG, quer em sede do Senado da UTL, sou a transmitir essa voz coletiva e assim expressar que penso justificar-se a atribuição do doutoramento honoris causa pela Universidade Técnica de Lisboa ao Dr. Ricardo Espírito Santo Silva Salgado."

João Duque

Professor Catedrático,

ISEG/UTL

terça-feira, 22 de julho de 2014

...sobre Vitor Bento...‏

Sabia que Vítor Bento, o actual presidente do BES, foi promovido por
mérito pelo Banco de Portugal, recebeu um aumento salarial pela
promoção, mas não estava a trabalhar no banco durante o período que a
promoção reconheceu? Sim, percebeu bem, Vítor Bento foi promovido e
aumentado pelo Banco de Portugal, apesar de não ter posto lá os pés
durante o ano cujo "mérito" lhe foi reconhecido.
Curiosamente, este é um dos tais queridérrimos que diz que os
portugueses andaram a viver acima das suas possibilidades.
Fofo, não é?
A história completa pode ser consultada no artigo do Diário de Notícias, aqui:
http://www.dn.pt/inicio/interior.aspx?content_id=999725&page=-1

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Uma lápide genial


MR. RUSSELL J. LARSEN, DE LOGAN (UTAH), Morreu sem saber que ganharia
o “Concurso da Lápide mais visitada”.

Em sua Lápide está escrito:

CINCO regras a seguir pelo homem para uma vida feliz:

1. É importante ter uma mulher que ajude em casa, cozinhe de tempos em
tempos, limpe a casa e tenha um trabalho;

2. É importante ter uma mulher que te faça rir;

3. É importante ter uma mulher em que possa confiar e não minta;

4. É importante ter uma mulher que seja boa na cama e que goste de
estar contigo;

5. É muito, mas muito importante que estas quatro mulheres não se
conheçam ou podes terminar morto como eu.

Concert In Glass

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Escândalo GES chega à Suíça – ou quando os ricos ficam pobres‏



Não foram só as Bolsas, outra razão apressou a sucessão no BES: antecipar-se ao iminente colapso do GES. Pois bem, ele começou. Como o Expresso hoje revela, já há “default” na Suíça. Há clientes que não estão a receber o dinheiro aplicado. Há uma minoria do país que vai deixar de ser silenciosa. Pobres ricos.

Não é mau agoiro, é boa informação. O barulho que se ouve não é sequer o da bomba, é ainda apenas o do rastilho. É curioso como o noticiário sobre a insolvência da ES International soou até aqui a coisa abstrata. Como se não tivesse consequências concretas. Tem, chama-se prejuízos. Muitos credores da ES International vão perder dinheiro. Muitos nem sabiam que eram credores.

A Portugal Telecom é um caso muito evidente, porque é uma empresa grande. Mas o veneno do papel comercial da ES International está disperso por centenas de carteiras de investimento. O Banco de Portugal cuidou do subgrupo que considerou mais vulnerável: os clientes de retalho em Portugal. De fora ficaram os clientes institucionais, que têm a obrigação de medir o risco do que andam a comprar. E de fora ficaram os clientes de retalho através de outros países. Através da Suíça. Muitos deles são… portugueses.

O Grupo Espírito Santo não é dono só um de banco, o BES. É dono também de um banco na Suíça, o Banque Privée Espírito Santo. É um banco que gere grandes fortunas e que tem muitos clientes portugueses. Nos últimos anos, o banco ganhou ainda mais clientes, porque muita gente teve medo do fim da moeda única e tirou dinheiro não só do país como da zona euro. E a velha Suíça, que inexplicavelmente tem boa fama embora preste os mais opacos serviços financeiros da Europa, acolheu fortunas imensas. E sim, também há fortunas imensas portuguesas. Onde investiu o Banque Privée esse dinheiro? Numa série de títulos. Incluindo em papel comercial do GES, que agora está em “default”. Em incumprimento. Chama-se calote.

Clientes do Banco Espírito Santo em Portugal transferiram dinheiro para o Banque Privée Espírito Santo na Suíça que foi investido na Espírito Santo International, que está falida.

Repare-se bem no emaranhado: clientes do Banco Espírito Santo em Portugal transferiram dinheiro para o Banque Privée Espírito Santo na Suíça que foi em parte investido em títulos de dívida da Espírito Santo International, que está falida.

Muita gente achará que é bem feito, os ricos que se lixem. É uma visão errada: a frase “a justiça deve ser igual para todos” também se aplica na lógica inversa à habitual. Mas não deixa de ser irónico que quem tenha querido fugir do risco de o euro desaparecer perca agora dinheiro; e que quem veja na Suíça um porto seguro perceba que a Suíça é uma casa onde senhoras de boa fama praticam atos de mulheres de má fama. Como dizia há mês e meio neste jornal Gabriel Zucman, autor do livro "A Riqueza Oculta das Nações", há €30 mil milhões de portugueses na Suíça. 80% desse dinheiro será, estima ele, de evasão fiscal. Se parte do dinheiro que agora for perdido por clientes do Banque Privée foi não declarado, então sim há um certo sentido de justiça: quem o perder nem vai poder reclamá-lo, pois é dinheiro que, para fugir aos impostos (se não a outra coisa), saiu por debaixo da mesa.

Talvez agora se comece a perceber a dimensão do que está a acontecer no GES, que vai avançar para um processo de reestruturação, que inclui a venda de ativos e a consolidação de passivos da ES International e da RioForte. O processo pode ser controlado, o dinheiro aplicado não vai ser todo perdido, mas sê-lo-á em grande parte, num processo que durará tempo. O caso só não é pior porque o Banco de Portugal protegeu os clientes que compraram papel comercial da ESI através do BES (nomeadamente da gestora de fundos ESAF). Senão, já teríamos bidões a arder na avenida da Liberdade. Assim, teremos processos judiciais. E teremos muitas famílias ricas a perder fortunas. Muitas não fizeram nada de mal. Apenas confiaram no nome Espírito Santo.

Ainda hoje não se sabe bem a totalidade do buraco do Grupo Espírito Santo, mas sabe-se que a dívida em papel comercial ultrapassa os seis mil milhões de euros. Os acionistas do GES (família mas não só) perderão muito dinheiro. Credores como a Portugal Telecom, a Venezuela e clientes do Banque Privée com títulos da ESI perderão dinheiro. Muitos ainda desconhecidos também. O próprio BES também perderá crédito concedido ao grupo, mas num valor suficiente para lhe resistir.

A sucessão vira a página no BES, mas a família Espírito Santo enfrenta muito mais que a desonra. Enfrenta prejuízos. No BES e no GES estamos a assistir uma mudança histórica, mas em fases diferentes. No BES é o fim do princípio, no GES é o princípio do fim. O BES gere pela vida, o GES luta contra a morte. Virou massa falida.

UMA FÁBULA CURTINHA E ACTUALÍSSIMA . . .

Era uma vez um rei que queria pescar.
Ele chamou o seu meteorologista e pediu-lhe a previsão do tempo para as próximas horas.

Este lhe assegurou que não iria chover.
A noiva do monarca vivia perto de onde ele iria e colocou sua roupa mais elegante para acompanhá-lo.

No caminho, ele encontrou um camponês montando seu burro que viu o rei e disse: "Majestade, é melhor o senhor
regressar ao palácio porque vai chover muito".
O rei ficou pensativo e respondeu:

"Eu tenho um meteorologista, muito bem pago, que me disse o contrário. Vou seguir em frente".

E assim fez. Choveu torrencialmente.


O rei ficou encharcado e a noiva riu-se dele ao vê-lo naquele estado.

Furioso, o rei voltou para o palácio e despediu o meteorologista.
Em seguida, convocou o camponês e ofereceu-lhe emprego.

O camponês disse: "Senhor, eu não entendo nada disso.
Mas, se as orelhas do meu burro ficam caídas, significa que vai chover".

Então, o rei contratou o burro.
E assim começou o costume de contratar burros para trabalhar junto ao Poder...

Desde então, eis a razão de burros ocuparem as posições mais bem pagas em qualquer governo.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Pepinos


 1. PEPINOS contém a maioria das vitaminas que tu precisas
 diariamente.

Só um pepino contém Vitaminas B1, B2, B3, B5, B6, C,
 Ácido Fólico, Cálcio, Ferro, Magnésio, Fósforo, Potássio e Zinco.

2. Sentes-te cansado à tarde, dispensa a cafeína e come um
Pepino.

Os Pepinos são óptimas fontes de Vitaminas B e Carboidratos que fornecem aquela '' animação'' que dura por horas.

 3. Cansado de ver o espelho da casa de banho embaceado depois do banho?
Tenta esfregar uma rodela de pepino no espelho, isto eliminará a neblina e produzirá uma tenra fragrância como no SPA.

 4. As lesmas e caramujos arruinam as tuas plantas?

Coloca algumas rodelas de pepino num pequeno prato ou forma de lata (não de ferro nem de alumínio , na tua horta ou jardim, e as pestes ficarão longe toda a temporada.

As químicas no pepino reagem com o alumínio para dar um cheiro indetetadopor humanos mas que deixam as pestes loucas e as fazem fugir da área.

5. Procuras uma rápida e fácil forma de remover celulite antes de ir à piscina ou praia?

Tenta esfregar uma rodela ou duas de pepino nas áreas afetadas por alguns minutos, os fitoquímicos no pepino forçam o colágeno de tua pele a encolher, firmando a camada de fora e reduzindo a visibilidade da celulite.

Funciona optimamente para as rugas também!

 6. Desejas evitar uma ressaca ou dor de cabeça?

Come algumas fatias de pepino antes de dormir e acordarás sem dor e sem ressaca.

Os Pepinos contêm bastante açúcar, Vitaminas B e electrolites para repor os nutrientes essenciais que o corpo perde, mantendo tudo em equilíbrio, evitando ambos a ressaca e a dor de cabeça!

7. Queres evitar aquela fome à tarde ou à noitinha com alguma coisa?
Pepinos têm sido usados por centenas de anos e usados por caçadores Europeus, exploradores e comerciantes como uma rápida refeição para evitar a fome.

 8. Tens uma importante entrevista de emprego e reparas que não tens tempo para engraxar os sapatos?

Simplesmente esfrega uma fatia fresca de pepino sobre o sapato, os químicos proverão rápida e durável brilho que não somente fica optimo como também repele água.

 9. Não tens em casa o WD-40 para consertar aquele barulhinho enjoado de uma porta a ranger? Pega numa fatia de pepino e esfrega no sítio problemático... e o rangido foi-se!

10. Cansado, stressado e sem tempo para uma massagem, facial ou visita ao S.P.S.A.?

Corta um pepino inteiro e coloca numa panela de água a ferver, os químicos e nutrientes do pepino reagem com a água a 100º e soltam-se no vapor, criando um relaxante cheirinho que tem sido mostrado que reduz o stress em novas mamães e estudantes durante exames finais.

 11. Acabaste de almoçar e vês que não tens "chewing gum" ou rebuçados de hortelã?

Pega numa fatia de pepino e espreme no céu da boca com a língua por 30 segundos para eliminar o sabor da comida, os fitoquímicos matarão as bactérias responsáveis por causar mau hálito.

12. Procuras algo ''verde'' para limpar as torneiras, pias ou aço
inoxidável?

Esfrega uma fatia de pepino na superfície que desejas limpar, isto não só remove anos de zinabre mas traz de volta o brilho, mas também não deixa marcas e não mancham nem prejudicam as tuas unhas e mãos enquanto limpas.

 13. Usas a caneta e cometes um erro?

Toma a casca do pepino ( o lado de fora ) e devagar usa-a para apagar o erro. Também funciona muito bem nos lápis que as crianças deixam nas
paredes!!!

domingo, 6 de julho de 2014

JOÃO QUADROS . NEGÓCIOS ONLINE (TEXTO ESCRITO EM COMPLETO DESACORDO ORTOGRÁFICO)


Não resisto a partilhar este maravilhoso texto de João Quadros:
"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE)
demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo
Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores
portugueses."
Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez
porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de
frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de
pescado e marisco.
Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico.
Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia,
sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji,
abrótea do Haiti?

Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado
que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do
Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que
fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso,
tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber
como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.
Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas
cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo.
Não é saudável ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer
compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra
que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz
vai. Não se faz. E é desagradável constatar que o tamboril (da
Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer
durante todo o ano.

Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém
interessante e viajado lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras.
Fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A
minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece que está num
supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das
compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.
Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo
marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: "tem polvo
marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. "Queria
quinhentos de polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e
rouca. Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço. Não
há nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl.
Eu, às vezes penso:

O que não poupávamos se Portugal tivesse mar.

sábado, 5 de julho de 2014

EDUcação - VASCO PULIDO VALENTE - 19/04/2014


Como um dos primeiros membros do GIS (Grupo de Investigações Sociais), fiquei estarrecido quando soube, por um artigo de uma autoridade, que existiam hoje em Portugal 30.000 sociólogos com licenciatura e, provavelmente, centenas com o mestrado e dezenas com o doutoramento.
Fazem eles parte da “geração mais bem preparada de sempre”?
O país precisa realmente deles?
Aparentemente, 86,6% têm trabalho e 63,8% acham a “formação” que receberam “adequada às tarefas que desempenham”.
Mas, como seria de esperar, o Estado é o grande empregador da maioria dos sociólogos, que trabalham na “investigação” (presumo que em “observatórios” disto ou daquilo), na administração pública e na Segurança Social. O sector privado não mostra o menor interesse por eles.

O que se compreende. O Estado criou profissionais que a economia não pedia e depois foi forçado a tapar o buraco, tratando ele de lhes dar um modo de vida. Só que o Estado, além de 30.000 sociólogos, também é com certeza obrigado a prover às necessidades de vários géneros de psicólogos, de politólogos (para quem não perceber: indivíduos licenciados em “Ciências Políticas”), da gente, em expansão, que se dedica à misteriosa disciplina de “Relações Internacionais”, a espécies indescritas de sábios com títulos que a lei reconhece e ao pequeno produto das Faculdades de Letras. O PS, o PSD e o CDS constantemente se gabam desta massa e a consideram a sua melhor obra e a maior riqueza do país. Educaram muitos milhares de inocentes para a inutilidade e, mais tarde ou mais cedo, para o desemprego e, agora, esfregam as mãos de orgulho e deleite.

Não passou pela cabeça de ninguém que, de caminho, também estavam a liquidar a universidade. A universidade educa alunos para uma dúzia de profissões de que uma sociedade moderna, como apesar de tudo a nossa, não pode prescindir. Mas fora isso, deve tomar o maior cuidado em admitir disciplinas que se proclamam novas (e que em geral não são coisa nenhuma) e apertar os critérios de admissão para as disciplinas tradicionais, que exigem uma qualidade superior a quem as pratica com alguma justificação. A mistura de curandeiros (as “ciências” que se dizem “humanas”) e de médicos (as ciências “duras”) só prejudica os médicos, baixa os critérios do ensino e desvaloriza os títulos. A trapalhada que aí anda é um erro e uma vergonha.

Aldeias da Europa

sexta-feira, 4 de julho de 2014

VELHOS HÁBITOS !!!... que se enraizaram


Nos tempos em que os reis mandavam, numa noite escura, à entrada de dezembro, o rei veio à varanda do seu iluminado palácio e reparou que a cidade estava escura como breu.

Chamou o seu primeiro-ministro e ordenou-lhe:
- Antes do natal quero ver a cidade toda iluminada. Toma lá uns cem contitos e trata já de resolver o problema.
O primeiro-ministro chamou o presidente da câmara e ordenou-lhe:
- O nosso rei quer a cidade toda iluminada ainda antes do natal. Toma lá 50 contos e trata imediatamente de resolver o problema.
O presidente da câmara chama o chefe da polícia e diz-lhe:
- O nosso rei ordenou que puséssemos a cidade toda iluminada para o natal.
Toma lá 20 contos e trata imediatamente de resolver o problema.
O chefe da polícia emite um edital a dizer:
“Por ordem do rei em todas as ruas e em todas as casas deve imediatamente ser colocada iluminação de natal. Quem não cumprir esta ordem será enforcado”.

Uns dias depois o rei veio à varanda e, ao ver a cidade profusamente iluminada, exclamou:
- Que lindo! Abençoado dinheiro que gastei. Valeu a pena.

Muitos , eu não conhecia . . .

quinta-feira, 26 de junho de 2014

PORTUGAL ENFORCADO





 Arselio Martins


Um poeta amigo chamou-me a atenção para um texto de Nuno Ramos de Almeida. Obrigado, Firmino. Aqui fica transcrição:

PORTUGAL ENFORCADO
Em Portugal a corrupção não é um desvio do sistema, é a própria normalidade, num regime em que os pobres pagam os prejuízos do bancos e os ricos têm o dinheiro na Holanda.
O responsável máximo da fundação do Pingo Doce, um think tank inteligente do neoliberalismo, declarou, ao jornal i, que os juízes do Tribunal Constitucional tinham mentalidade de funcionários públicos. Como se isso fosse um insulto, como se ser professor, médico, polícia, homem do lixo, funcionário de uma autarquia, bombeiro e enfermeiro desqualificasse as pessoas e significasse que andam a roubar o dinheiro dos outros.
Para certa gente, servir a população é um crime. Todos os serviços públicos e o Estado social são vistos como privilégios de madraços e coisas que em última instância estão a impedir algum negócio chorudo de um amigo privado.
No fundo o Sr. Garoupa tem alguma razão: neste país há duas atitudes mais pronunciadas, uma espécie de ideal de tipo weberiano, que resumiriam as atitudes em disputa: por um lado, temos a maioria da população, que tem "mentalidade de funcionário público", por outro lado, temos os governantes, as fundações, que justificam o nosso sistema, e as elites económicas, que têm mentalidade de banqueiro.
É essa atitude que permite o Sr. Ricardo Salgado ir ter com o primeiro-ministro, que ele ajudou a colocar no poder, e pedir 2500 milhões de euros para tapar um dos buracos no BES. Mentalidade de banqueiro é aquela que acha natural que os lucros da especulação sejam para os acionistas e os prejuízos dessa nobre atividade sejam pagos pelo contribuinte. Foi o que funcionou até agora. Nós pagamos os BPN, os BCP, as parcerias público-privadas e os swaps especulativos com os nossos ordenados, impostos e reformas. Infelizmente, para o líder do BES aproximam-se as eleições e nem mesmo Passos Coelho o pode salvar e tirar mais 2500 milhões de euros da cartola que alimentou tanto rico com o nosso dinheiro.
Mas não sejamos cegos, a crise continua a ser uma máquina ideológica que destrói a vida da maioria da população, aquela que tem a "mentalidade de funcionário público", e permite salvar os negócios da casta que manda neste país. No meio da maior crise que a Europa viu desde a Segunda Guerra Mundial, os mais ricos viram crescer a sua riqueza individual. É caso para usar uma expressão, do na altura primeiro-ministro Cavaco Silva, sobre alguns dos empreendedores portugueses dos anos 80: "Há milionários prósperos que são donos de empresas falidas."
Nos países da periferia da Europa a corrupção não é um acidente. Ela não é combatida pelo sistema porque é a própria garantia da manutenção das elites e da casta que manda e lucra. O capitalismo rentista, em que as fortunas são feitas à conta do Estado e do contribuinte, tem a desigualdade económica e política como condição de existência. Só uma sociedade em que a maioria da população é expulsa do campo da decisão política permite o seu roubo e empobrecimento continuado.
Mas de tanto puxar a corda, as coisas são cada vez mais voláteis. É por isso que ninguém pode dizer que o rei vai nu. Só assim se percebe que um estudante da Universidade do Algarve esteja a responder em tribunal por ter feito uma obra em que denunciava a situação no país. Como fez uma instalação em que enforcava a bandeira nacional, pode ir preso. Aqui em Portugal quem denuncia a pouca-vergonha pode acabar na cadeia, aqueles que na realidade enforcam o país e roubam a sua população ainda ganham medalhas de comendadores.


NUNO RAMOS DE ALMEIDA

(Texto publicado no «i» em 24/Junho/2014)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A incrível geração de mulheres...


Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:

“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, p'ra lá e p'ra cá.

Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projecto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.

Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.

Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”

Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.

O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens, homens e velhos homens.

O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?

Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.

Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exactamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.

Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro. Exactamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.

Mas, escuta, alguém lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco p'ra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?

Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.

“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”

Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual p'ra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risotto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.

O facto é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia p'ra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?

E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exactamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.

No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente colectivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos p'ra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar p'ra ganhar a gente de volta.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Dicas para fazer sexo , na 4ª idade :


1. Ponha os óculos.

2. Certifique-se de que sua companheira está realmente na cama.

3. Ajuste o despertador para tocar daí a 3 minutos, para o caso de adormecer durante a 'performance'.

4. Acerte a iluminação: apague todas as luzes.

5. Deixe o tlm programado para o número da EMERGÊNCIA MÉDICA.

6. Escreva na mão o nome da pessoa que está na cama, para o caso de não se lembrar.

7.Tenha um analgésico à mão, para o caso de conseguir cumprir a 'performance'.

8. Não faça muito barulho:nem todos os seus vizinhos são surdos como você.

9. Se tudo der certo, telefone para seus amigos para contar as boas novas!

10. Nunca, jamais, pense em repetir a dose, mesmo sob efeito de VIAGRA.

11. Não esqueça de levar dois travesseiros para colocar sob os joelhos, para não forçar a artrose.

12. Se for usar camisinha, avise antes o pirilau 'que não se trata de touca para dormir', senão ele pode se confundir.

13. Não esqueça de tirar a parte de baixo do pijama, mas fique com uma camisolão para não apanhar gripe.

14. Não tome nenhum tipo de laxante nos dias anteriores; nunca se sabe quando se tem um acesso de tosse...

PS: (Estas dicas foram escritas com letras grandes para facilitar a leitura...!

Máquina que apanha gatunos


O grande Estaline


(Este artigo foi assinado pelo camarada Abel, no "Luta Popular" de Setembro de 1975. O camarada Abel era, à época, José Manuel Durão Barroso, militante do MRPP e agora militante do PSD, ex-primeiro-ministro e actual presidente da Comissão Europeia).



As obras teóricas do grande Estaline são contribuições valiosas. Por elas estudaram e estudam o marxismo-leninismo milhões de operários em todo o Mundo. Com elas o Partido Comunista da China e o Partido do Trabalho da Albânia educaram os seus quadros, com elas formaram milhares de bolcheviques na União Soviética. (...) O camarada Estaline está demasiado vivo nos corações de todos os explorados e oprimidos do mundo inteiro para que oportunista algum o possa fazer esquecer. A vida, a obra, a actividade do grande Estaline pertencem aos Comunistas de todo o mundo e não apenas aos soviéticos, pertencem à classe operária e não apenas ao povo da URSS. Na pátria do Socialismo, a União Soviética, o Socialismo vencerá, uma nova revolução surgirá tarde ou cedo. Os autênticos comunistas soviéticos já se organizaram e, juntamente com a classe operária e o povo da URSS, erguerão bem alto a bandeira vermelha de Estaline, instaurando de novo o poder proletário. Força alguma o poderá evitar. QUE VIVA ESTALINE!.

Nunca vi nenhuma assim !


quinta-feira, 19 de junho de 2014

UM
TESOURO!

CONHECE O VINHO QUE BEBE?

Um achado: uma enciclopédia resumida sobre vinhos. Vale a pena colocar entre os favoritos e consultar sempre que se quiser fazer boa figura.

Belos artigos, esclarecimentos gerais, etc., etc.. Que isto de tintos e tantos tem muito que se lhe diga!

http://www.tintosetantos.com/index.php/escolhendo/cepas

sábado, 14 de junho de 2014

A ÉTICA NA DEFESA E SEGURANÇA DOS DOENTES


Tomamos conhecimento, através da comunicação social, do projecto de despacho que o Ministério da Saúde está a elaborar e que visa a aplicação obrigatória de códigos de ética para clarificar as regras de conduta de gestores, dirigentes, demais responsáveis e colaboradores das unidades do Serviço Nacional de Saúde.

Entre outros aspectos que constam do documento, pretende-se estabelecer punições aos colaboradores e demais agentes que por sua iniciativa ou mediante solicitação dos doentes prestem declarações que possam afectar ou colocar em causa o interesse da respectiva organização. A proposta chega mesmo a recomendar “absoluto sigilo e reserva em relação ao exterior de toda a informação”.

Se este despacho se vier a concretizar nos moldes agora divulgados, a questão que se coloca é: se o interesse da organização se afastar do interesse dos doentes ou até se o lesar, deverá o médico, como testemunha, remeter-se ao silêncio e respeitar o “absoluto sigilo”? A resposta é evidentemente negativa. O médico é obrigado a fazer precisamente o contrário, no cumprimento do seu Código Deontológico.

Neste momento, cabe a todos os cidadãos portugueses mostrar aos legisladores que este projecto governamental não pode concretizar-se. Aos médicos resta, sem qualquer hesitação, a opção da fidelidade à nossa consciência denunciando aquilo que entendemos que põe em risco os doentes, mesmo que para tal seja necessário desobedecer à lei do “absoluto sigilo”. De resto, os médicos fazem o Juramento de Hipócrates há mais de 2000 anos e estão sujeitos a regras éticas e deontológicas exigentes e que têm a obrigação de cumprir.

Foi pelo silêncio e pela obediência de muitos, umas vezes por medo, outras por imposição, que tantas atrocidades foram cometidas ao longo da História.

O que qualquer código de ética e deontologia médica deve deixar claro é exactamente o oposto do que defende este projecto. Deverá sim, ser obrigatório que os médicos denunciem tudo aquilo que possa pôr em risco os doentes, seja por parte de alguém em particular, seja por parte de uma instituição pública ou privada, quer nela trabalhem ou não.

Apelamos a todos os portugueses, independentemente das suas convicções políticas ou religiosas, que não permitam este atentado à segurança dos doentes, à transparência das instituições e aos direitos fundamentais das pessoas. No limite, estarão colocados em causa os princípios fundadores de uma sociedade democrática.

É cada vez mais imperiosa uma verdadeira união de todos na defesa de duas das maiores conquistas sociais da nossa democracia: a liberdade de expressão e o acesso a um serviço de saúde público, universal e de qualidade. É o momento de dizer Basta!

Os Conselhos Distritais da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos

O Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos

António Sarmento
Presidente do Conselho Distrital do Porto

Anabela Correia
Presidente do Conselho Distrital de Braga

Nelson Rodrigues
Presidente do Conselho Distrital de Viana do Castelo

Margarida Faria
Presidente do Conselho Distrital de Vila Real

Marcelino Silva
Presidente do Conselho Distrital de Bragança

Miguel Guimarães
Presidente do CRN da Ordem dos Médicos

Porto, 19 de Maio de 2014

A velhinha e os 2 sacos

- Uma velhinha caminhava pela calçada arrastando 2 sacos de
lixo. Um estava rasgado e, de vez em quando, caía uma nota de 20 dólares pelo buraco.
O policia - que passava, parou e disse:
- Senhora, tem notas de 20 caindo desse saco plástico.
- Ai, sim? Que maçada! (respondeu a velhinha). É melhor eu voltar e ver se pego as que caíram... Obrigada por me avisar.
- Espere aí, senhora! Onde conseguiu todo esse dinheiro? Não andou a roubar; não?
- Não, sr. guarda, O meu quintal dá para um campo de golf. Os golfistas vêm urinar num buraco da minha cerca,em cima de um canteiro de
flores. Isso incomodava-me, matava as minhas flores... Então eu pensei:"por que não aproveitar da situação?".

Agora, fico bem quieta, atrás da cerca, com a tesoura de jardim. Toda as vezes que um enfia o instrumento na cerca, eu agarro-o e digo:
- "OK, amigo: ou paga 20 dólares, ou eu corto essa coisa".

- Parece justo (diz o policia, rindo da história). OK, boa sorte!
Mas, a propósito, o que é que a senhora tem no outro saco?

- Bem, você sabe... Nem todos pagam...

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Not to be missed! On May 2, 2011

Not to be missed! On May 2, 2011, the Copenhagen Philharmonic amazed commuters at the Copenhagen Central Train Station, as they created a kind of orchestral "flash mob" – performing Ravel's famed Bolero, with the musicians gradually assembling in place as the work progresses. The video – which shows not only the assembling orchestra, but also the delighted faces of the commuters – has generated overwhelming interest, and indeed has exceeded the orchestra’s expectations. We hope you enjoy it as much as we do!

If you post or see a video of such high quality and interest on YouTube, please let us know - your video may land on our home page!

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Bolo de vinho tinto com chocolate





Ingredientes

Bolo
240 g de manteiga;
240 g de açúcar;
4 ovos;
300 ml de vinho tinto;
240 g de farinha de trigo peneirada;
1 pitada de noz-moscada;
1 pitada de canela em pó;
2 colheres (sopa) de cacau em pó;
1 colher (sopa) cheia de fermento;
130 g de chocolate amargo ralado.

Calda
100 ml de água;
60 g de açúcar;
250 ml de vinho tinto.

Modo de fazer

Bolo
1 Pique a manteiga e espere até que ela atinja a temperatura ambiente. Leve-a à batedeira juntamente com o açúcar e misture até obter uma pasta lisa.
2 Adicione os ovos e continue batendo para que a massa fique homogénea.
3 Acrescente o vinho tinto, misturando levemente com um batedor manual.
4 Junte a farinha peneirada e bata até obter uma massa lisa.
5 Adicione as especiarias, o cacau e o fermento de uma vez só, batendo tudo à mão. Acrescente o chocolate ralado.
6 Despeje a massa numa forma média de furo no meio e leve ao forno a 170 °c /180 °c por aproximadamente 1 hora.

Calda
1 Numa panela, aqueça a água e o açúcar, misturando até ficar homogéneo.
2 Desligue o fogo e adicione o vinho. Espere até atingir a temperatura ambiente.
3 Deite a calda no bolo ainda morno e deixe esfriar para servir.

sábado, 7 de junho de 2014

Volta Salazar! Banqueiro Ulrich espera por ti… Brasilino Godinho


O ‘Diário Económico’ traz hoje, 04 de Junho de 2014, uma notícia que nos despertou a atenção, algum desfrute e grande frustração; o que, convenhamos, em conjunção de reacções, é raro acontecer-nos em simultâneo, num qualquer momento.

A notícia diz respeito à pessoa de Fernando Ulrich, presidente do Banco BPI e à sua extraordinária capacidade de produtor e coleccionador de pérolas cinzentas, de brilho pálido e mui ofuscante.

Trata-se de um cidadão que tem a interessante particularidade de cada vez que, gratuitamente, abre a boca em público, lhe saem pérolas muito apreciadas em certos sectores do Poder instituído.

Desta vez, para não fugir à sua identitária regra, voltou a acontecer o que de habitual se espera da criatura Ulrich.

Vejamos:

O jornal destaca em título:

«Ulrich chocado por haver juízes que decidam economia do país».

Depois, o jornal cita as declarações do presidente do Banco BPI, proferidas ontem em Leiria. Vamos cingir-nos às partes (as pérolas) que mais nos sensibilizaram…

Ei-las, as pérolas de Ulrich:

- Primeira pérola. “A mim choca-me um bocadinho que um grupo, (…) de 13 pessoas (…)”

- Segunda pérola. “(…) as questões de gestão da economia deviam poder ser decididas pelo parlamento.”

- Terceira pérola. “(…) preferia que os governos apoiados em maiorias pudessem funcionar com mais liberdade, (…)”.

Nossos comentários:

Iniciámos este texto com a anotação de que a notícia nos tinha despertado atenção. Devemos acrescentar que atenção habitualmente desperta sempre que nos deparamos com as pérolas do cidadão Fernando Ulrich.

Desfrute, porque as pérolas do famoso banqueiro nos proporcionam gozo de natureza estética face à sua representação em letra de forma. Gozo aqui e agora exposto ao público.

No caso em apreço, surgiu, inopinadamente, a frustração que decorreu da confissão feita por Ulrich, de ter ficado “chocado um bocadinho”. E a frustração centrou-se na expectativa que nos é sugerida com a expressão utilizada: um bocadinho chocado. É que somos levados a imaginar como ficaria Ulrich chocado um bocadão. Todavia, cumpre-nos dar nota da nossa fraca imaginação. Mais: não atinamos quais seriam as formas e os efeitos, provavelmente tenebrosos para ele, quiçá para Portugal e suas gentes, se Ulrich tivesse ficado muitíssimo chocado. Decerto, graças à Divina Providência (cautelar...) valeu-nos e à maioria dos portugueses famintos, humilhados, ofendidos e maltratados, ter Ulrich sido chocado pela dose mínima. Outra curiosidade não menos importante é a de se saber que factos, motivações ou pretextos, e as respectivas modalidades de ocorrência, poderão, no futuro, ocasionar tão dramática, transcendente, situação de abalo físico e espiritual de Fernando Ulrich. Se é que nem nos podemos esquivar ao vaticínio de que tal hipótese existencial, se concretizada, poder causar irreparáveis danos no funcionamento e nos resultados de gestão financeira do banco que dirige… até pondo, eventualmente, em risco o lugar de presidente do Banco BPI.

Ademais, agora, cabe-nos manifestar estranheza pelo facto de Ulrich ter mencionado o grupo de 13 pessoas e não se ter apercebido da natureza aziaga do número treze e logo não haver tomado as precauções adequadas que evitassem chocar-se um bocadinho. Choque que, pelos vistos, apesar de diminuto não deixou de produzir grossa mossa e infernizar a sua delicada mente. Será que tal falha de discernimento poderá atribuir-se a seus poucos cuidados no que concerne à salutar prática de higiene mental?

Quanto à segunda pérola figurada nas questões de economia deverem ser decididas pelo parlamento, enaltecemos a bondade do propósito em sede dos interesses de Ulrich, na condição de presidente duma instituição bancária e nas conveniências da banca. Banca que está fortemente associada ao Poder e bastante relacionada, em comunhão de proveitosas vantagens, com o pessoal que assenta na Assembleia da República. Por tudo isto, ajuizamos onde se focam as dores e os aborrecimentos de Ulrich; umas e outros causados pelas intervenções cirúrgicas dos operadores do Poder Judicial Constitucional.

Relativamente à terceira pérola: “Preferia que os governos apoiados em maiorias pudessem funcionar com mais liberdade”, ela pode ser classificada como: a coisa excelente do momento da elocução aqui posta em causa; a cápsula gelatinosa de matéria algo opaca; uma das peças de adorno político mais brilhantes da produção de Ulrich; acima de tudo: um brado de alma angustiada e sofredora que carrega o pesadelo de, permanentemente, ansiar pelo retorno de tempos e modos da História recente, de sua predilecta afeição.

Assim manifestando o seu pesadelo, Ulrich com primária subtileza está a evocar Salazar e a intimá-lo que regresse ao seu convívio, à sua mesa e ao seu reconfortante agasalho.

Pela nossa parte e fazendo o desagradável papel de nos colocarmos na posição de Ulrich, diremos que o seu pensamento tem alguma parcela de lógica no que toca aos desempenhos do parlamento.

Pois que no tempo de Salazar e parafraseando Ulrich, o governo era apoiado na maioria parlamentar e funcionava com mais liberdade – com o supremo requinte de não haver oposição e a máxima consolação de nunca uma lei ter sido chumbada pela Assembleia Nacional e nem, sequer, ter sido apresentada qualquer moção de censura. Mais: até se registava a singularidade insólita de o governo e Salazar, apoiarem a maioria parlamentar - o que se traduzia no funcionamento dos poderes executivo e legislativo em regime de harmonia, reciprocidade e cumplicidade assaz colaborante. Esta era uma singularidade muitíssima proveitosa para ambas as partes (governo e assembleia) que em fraterna colaboração dispensavam a existência de fiscalização de um hipotético tribunal constitucional.

Aliás, importa anotar que, no nosso tempo, algo de semelhante no domínio da arbitrariedade e do poder incontrolado sucede em legislaturas de maiorias absolutas. Estas mais não são que envergonhadas e cínicas ditaduras de um ou de dois partidos coligados. Ou seja: a hipocrisia em formato de indecente máscara circense, contemplada em todo o seu esplendor no seio de uma democracia meramente formal.

Governos apoiados em maiorias absolutas fazem o que lhes apetece e as suas actuações pautam-se pelo autoritarismo mais perverso e por continuados abusos repulsivos do Poder. Tal e qual consta da história portuguesa desde o século XIX. Também, como acontece actualmente em Portugal. Embora a nação ainda disponha da activa vigilância do Tribunal Constitucional.

Tribunal Constitucional que se afirma cada vez mais como uma reserva moral da nação portuguesa. O qual nos últimos dias tem sido objecto de inqualificáveis chantagens e duma escandalosa campanha de soezes ataques de governantes e dos seus agentes de serviço e de vergonhosa imagem pública.

Finalizando, deixamos uma última observação. As pérolas de Ulrich configuram um apelo nos seguintes termos:

-Volta Salazar! Banqueiro Ulrich espera por ti…

terça-feira, 3 de junho de 2014

Este mundo dominado por imbecis esquizofrénicos , só pode mesmo terminar assim . . .




sábado, 31 de maio de 2014

Café Alentejano

Café feito em lume de chão!
Também conhecido como café da velha,
café da brasa, café da borra, etc...

Antigamente, quando o café começava a ferver
colocava-se uma brasa dentro!

Estes são os verdadeiros sabores de Portugal!


O sabor!... Irresistível!!!!!

foto de Feliciano Cupido
http://www.facebook.com/cupidofeliciano

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O Sexo comanda a Vida

Professora Coragem !




Como é que ele faz isto ?!?!?!

Dedicatória musical‏



Exmo.Senhor Primeiro Ministro
Pedro Passos Coelho

Exmo. Senhor Presidente da República
Anibal Cavaco Silva



Esta é uma dedicatória daquilo que o povo Português esperava de Vªs.Exas. após tomarem posse.

Dedicada ao Primeiro Ministro, por ser o principal responsável do estado de pobreza do povo português.
Dedicada ao Presidente da República, porque jurou defender a Cnstituição. E também porque o cargo que ocupa, apesar de inútil, consome aos contribuintes mais de 45 000 euros por dia, ou 1 350 000 euros por mês!
(Crise, é palavra que não existe no Palácio - Isto sou eu a pensar).

O autor era argentino, mas poderia ser português.
Pedi a um amigo que me traduzisse para português, para ajudar Vªs. Exas. a terem a percepção daquilo que o povo fala nos cafés,nas ruas, nos mercados,porque ninguém do poder parece saber como vivemos e o que pensamos.
Há quem gostasse de dedicar a Vªs. Exas., a nova canção dos "Mão Morta", mas eu ainda prefiro esta, que tem por finalidade fazer Vªs.Exas. levar as mãos à consciência.

Cordialmente,
A.Costa


https://www.youtube.com/watch?v=a8VLXlFpyzs

"SENHOR PRESIDENTE
Eu sou um Cidadão comum, só tenho 1 Voto
Que por si me foi pedido, como a tanta gente a quem convenceu,
E que lhe outorguei confiado que chegasse esse dia
Em que visse cumprido, ao pé da letra, o que prometeu.

Sei muito bem que não é fácil Governar todo um Povo sem ter problemas;
Repartir as Riquezas e levar o Pão a todas as Mesas;
Vamos esperar que o consiga fazer sem conceder Excepções
eEque ao Cárcere vão parar todos os que devem pagar as suas Corrupções.

Que se imponha a Lei, não queremos perder a nossa forma de ser;
Somos gente de Paz que não tem como ganhar ao Ladrão,
Por nos ter Jurado proteger a Nação.

Vieram perguntar-me por quererem saber o que esperar de si:
Que a insegurança, que tem que acabar, é uma Prioridade;
Continuamos igual ou mesmo pior, tem que entrar a razão;
Isto tem que mudar, venha Governar com Firmeza e Acção.

Está protegido por Luzes e Motos da Polícia
E nós estamos expostos ao Crime de noite e de dia;
Não se pode sair, não se pode viver de uma forma decente,
Já não somos Nação agora somos o Reino do Delinquente.


Que se imponha a Lei, não queremos perder a nossa forma de ser;
Somos gente de Paz que não tem como ganhar ao Ladrão,
Por nos ter Jurado proteger a Nação.

Quando chegue ao Governo não deverá ajudar só os do seu Partido,
Não queira ficar para toda a vida como para sempre eleito;
Não se deixe levar por essa Tentação de Mudar a Nação
E regular a seu jeito e conveniência a Constituição.

Agora lhe peço que o meu Voto não caia no Vazio;
Quando assuma o Poder que obtenha a Glória de entrar para a História;
NÃO NOS MINTA MAIS e que não seja a Demagogia a mandar na gente.
Cumpra com Honra mas com todo o Respeito, SENHOR PRESIDENTE!"
MULHER OU PAPAGAIO?

Observe com atenção.

O papagaio é na realidade uma mulher, que posou para Johannes Stötter.

O artista italiano passou semanas planeando a transformação.

Repare que uma das pernas da mulher formou a cauda da ave e, a outra, uma asa.

Um braço da modelo, originou a cabeça e o bico.

Verdadeira obra de arte.