domingo, 29 de março de 2015

Quem é Paulo Núncio?


Antes de chegar ao Governo, o dirigente do CDS assessorou multinacionais no offshore da Madeira e o fabricante dos blindados no caso das falsas contrapartidas. No governo, destacou-se pela amnistia fiscal aos Espírito Santo que “lavou” as luvas dos submarinos e pela isenção milionária aos grandes grupos económicos.

20 de Março, 2015 - 15:13h

Foto Pedro Nunes/Lusa

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais pode mesmo vir a ser o único sobrevivente da vaga de demissões dos responsáveis pelo fisco português. Paulo Núncio foi o primeiro a desmentir a existência de uma “lista VIP” de contribuintes protegidos das consultas dos funcionários da administração fiscal, para depois se ver desmentido pelos factos. Mas esta polémica, em torno da proteção do cadastro fiscal de Passos Coelho, Paulo Portas, Ricardo Salgado, Cavaco Silva e muitos outros, não é a primeira em que o secretário de Estado está envolvido.

No seu currículo de advogado fiscalista tem as sociedades Morais Leitão, Galvão Teles & Associados (MLGTS) e Garrigues & Associados, desde 2007 até à entrada no Governo. Na primeira, esteve ligado ao ramo do escritório para o offshore da Madeira, sendo representante da MLGTS Madeira Management & Investment SA. Esta sociedade foi apontada no livro Suite 605 como a criadora de um grupo de 112 sociedades com o mesmo nome, operação de clonagem que levou a investigações judiciais com origem em Itália. Antes das eleições de 2011, foi chamado por Paulo Portas para as reuniões com a troika, na altura apresentadas como “negociações”.

A maior amnistia fiscal de sempre ao dinheiro escondido no estrangeiro

Logo no primeiro Orçamento de Estado, é criado o terceiro Regime Especial de Regularização Tributária (RERT III), que permitiu a quem escondeu dinheiro em contas no estrangeiro legalizar a situação e proteger-se de futuras condenações a troco de uma taxa de 7,5% sobre o montante declarado. Ao contrário dos dois RERT anteriores, sob o governo Sócrates, este não obrigou ao repatriamento dos capitais, servindo apenas para os amnistiar. A descoberta do esquema de fuga de capitais revelado pela investigação Monte Branco levou ao prolongamento do prazo de candidatura a esta amnistia fiscal. Foi um recorde: 3.4 mil milhões de euros legalizados, mais do que nos RERT I e II juntos.

Paulo Núncio também esteve ligado aos RERT anteriores, mas então no apoio aos beneficiários, ao serviço da Garrigues & Associados. Em 2010, explicava esse regime aos seus clientes como uma “amnistia fiscal” que garante "um escudo protetor (relativamente aos valores declarados) de todas as obrigações fiscais e mesmo de todas as infrações cometidas”.

Entre outros negócios obscuros, o RERT III serviu para ilibar os dirigentes do Grupo Espírito Santo de qualquer acusação a respeito das luvas recebidas pela compra dos submarinos ao consórcio alemão, permitindo ao Ministério Público dar por encerrada a investigação. Paulo Núncio também esteve ligado aos RERT anteriores, mas então no apoio aos beneficiários, ao serviço da Garrigues & Associados. Em 2010, explicava esse regime aos seus clientes como uma “amnistia fiscal” que garante "um escudo protetor (relativamente aos valores declarados) de todas as obrigações fiscais e mesmo de todas as infrações cometidas”. Dois anos depois, falando ao Expresso sobre o RERT III, que criara enquanto governante, garantia que "o Governo rejeita expressões como 'amnistia fiscal' ou 'perdão fiscal'".

A isenção fiscal às SPGS

Poucos meses depois de entrar no governo, um despacho assinado por Núncio isentou os grandes grupos económicos do pagamento de milhões de euros em impostos. "Na prática, uma empresa que pague um euro de uma sua subsidiária pode estar isenta de milhões de euros das sedes dessas empresas", explicou na altura o deputado bloquista Pedro Filipe Soares.

O despacho sobre a tributação dos dividendos dos grupos com sociedades gestoras de participações sociais (SGPS) resultou da polémica venda da empresa telefónica Vivo por parte da Portugal Telecom, cujas mais valias avaliadas em 6 mil milhões de euros não pagaram um cêntimo de imposto. O labirinto montado para as SGPS por empresas de advogados como a de Paulo Núncio, com recurso a sociedades offshore ou paraísos fiscais como o Luxemburgo, permitia-lhes escapar a esta tributação. O despacho assinado pelo Secretário de Estado ajudou ainda mais as grandes empresas a escapar ao pgamento de milhões de euros em impostos. Em 2014, uma auditoria do Tribunal de Contas acusou o Governo de esconder a concessão de benefícios fiscais às SGPS no valor de 1045 milhões de euros.

As contrapartidas dos negócios militares

Quando a Fabrequipa é pressionada a assinar contrapartidas que não queria, Pita recorda a presença de Paulo Núncio em representação da Steyr. Já nessa altura, a maioria PSD/CDS protegeu Paulo Núncio, impedindo a sua audição e esclarecimento do seu papel neste negócio.

Se foi com o RERT III de Paulo Núncio que os beneficiários donegócio dos submarinos escaparam à lei, o próprio Secretário de Estado teve um papel importante, enquanto representante da austríaca Steyr, no negócio-fantasma das contrapartidas pela aquisição de blindados para o exército. Na abertura do concurso, Paulo Portas era ministro da Defesa e coube também ao líder do CDS adjudicar a compra dos Pandur à empresa representada por Núncio. Essa decisão é tomada já depois de Jorge Sampaio ter demitido o seu governo e justificada com a promessa de que isso faria renascer a entretanto encerrada fábrica da Bombardier na Amadora. Sete anos depois, o acordo era denunciado por incumprimento de prazos e outras obrigações da Steyr, entretanto adquirida por um fabricante norte-americano. Só em 2014 houve acordo para terminar o litígio do Estado com a empresa.

Em declarações na comissão parlamentar de inquérito, em 2014, o empresário Francisco Pita, da Fabrequipa, empresa do Barreiro subcontratada para o fabrico dos blindados, afirmou ter sido “obrigado” a adquirir uma empresa sem qualquer atividade e que detinha os direitos das contrapartidas, a GOM. E quando a Fabrequipa é pressionada a assinar contrapartidas que não queria, Pita recorda a presença de Paulo Núncio em representação da Steyr. Já nessa altura, a maioria PSD/CDS protegeu Paulo Núncio, impedindo a sua audição e esclarecimento do seu papel neste negócio.

terça-feira, 24 de março de 2015

PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NÃO!... (glosa sobre o poema de Ary dos Santos intitulado “Poeta Castrado, Não!”)


Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
cabeçudo, dromedário,
fantoche de eleição,
parvónio, salafrário,
mestre-escola aldrabão,
oportunista, falsário
malabarista, cabrão.
Chamem-lhe o que quiserem:
Presidente da República, não!...

Os que sabem, como ele,
as linhas com que se cose
vêem o interesse dele em manter a sua pose:
egoísta, trambiqueiro
distorce a realidade,
ao escrever cada “Roteiro”,
para ter visibilidade!...

Os que sabem, como ele,
governar-se e encher a pança
aceitam que seja dele
tanta sede de vingança:
Político vingativo e que,
disso, não se cansa,
não quer saber do aflitivo caos
da actual governança!...

O tipo não faz história.
- Sua morte lenta é fatal!...

Irá ficar na memória
como um mesquinho banal!...

O seu fim poderá ser uma penosa agonia!...

O Povo irá fazer dele escárnio, em cada dia!...

Vai acabar por morrer,
ao parir a ninharia só descrita,
a bem dizer,
nos “Roteiros” da fantasia!...

Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Chamem-no até p’lo nome,
Cavaco, sem coração,
ao ver que se passa fome
e nada faz p’la Nação!...

Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Demagogo, mau profeta,
falso professor, ladrão,
um narcisista pateta,
quando calado ou não.
Será tudo o que disserem!...

PRESIDENTE DA REPÚBLICA É QUE NÃO!...

17/03/2015
Carlos Braga

terça-feira, 10 de março de 2015

I'm Little...But I'm a Great Winner HD 1080 Dolby surround 5.1

Gafes anedóticas em tribunais made in Portugal!!!


Estas são piadas retiradas do livro 'Desordem no tribunal'. São coisas que
as pessoas realmente disseram e que foram transcritas textualmente pelos
taquígrafos, que tiveram que permanecer calmos enquanto estes diálogos
realmente aconteciam à sua frente.
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Advogado : Qual é a data do seu aniversário?
Testemunha: 15 de Julho.
Advogado : Que ano?
Testemunha: Todos os anos.
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Advogado : Essa doença, a miastenia gravis, afecta a sua memória?
Testemunha: Sim.
Advogado : E de que modo ela afecta a sua memória?
Testemunha: Eu esqueço-me das coisas.
Advogado : Esquece... Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido?
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Advogado : Que idade tem o seu filho?
Testemunha: 38 ou 35, não me lembro.
Advogado : Há quanto tempo ele mora com você?
Testemunha: Há 45 anos.
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Advogado : Qual foi a primeira coisa que o seu marido disse quando acordou aquela manhã?
Testemunha: Ele disse, 'Onde estou, Berta?'
Advogado : E por que é que se aborreceu?
Testemunha: O meu nome é Célia.
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Advogado : Diga-me, doutor... não é verdade que, ao morrer no sono, a pessoa só saberá que morreu na manhã seguinte?
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Advogado : O seu filho mais novo, o de 20 anos...
Testemunha: Sim.
Advogado : Que idade é que ele tem?
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Advogado : Sobre esta foto sua...o senhor estava presente quando ela foi tirada?
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Advogado : Então, a data de concepção do seu bebé foi 8 de Agosto?
Testemunha: Sim, foi.
Advogado : E o que é que estava a fazer nesse dia?
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Advogado : Ela tinha 3 filhos, certo?
Testemunha: Certo.
Advogado : Quantos meninos?
Testemunha: Nenhum.
Advogado : E quantas eram meninas?
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Advogado : Sr. Marcos, por que acabou o seu primeiro casamento?
Testemunha: Por morte do cônjuge.
Advogado : E por morte de que cônjuge ele acabou?
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Advogado : Poderia descrever o suspeito?
Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba.
Advogado : E era um homem ou uma mulher?
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Advogado : Doutor, quantas autópsias já realizou em pessoas mortas?
Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas...
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Advogado : Aqui no tribunal, para cada pergunta que eu lhe fizer, a sua resposta
deve ser oral, está bem? Que escola frequenta?
Testemunha: Oral.
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Advogado : Doutor, o senhor lembra-se da hora em que começou a examinar o corpo da vítima?
Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30 h.
Advogado : E o sr. Décio já estava morto a essa hora?
Testemunha: Não... Ele estava sentado na maca, questionando-se por que razão eu estava a fazer-lhe aquela autópsia.
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Advogado : O senhor está qualificado para nos fornecer uma amostra de urina?
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******* Esta é a melhor! ********

Advogado: Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor verificou o pulso da vítima?
Testemunha: Não.
Advogado: O senhor verificou a pressão arterial?
Testemunha: Não.
Advogado: O senhor verificou a respiração?
Testemunha: Não.
Advogado: Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsia começou?
Testemunha: Não.
Advogado: Como é que o senhor pode ter a certeza?
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.
Advogado: Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e tirando o curso de Direito em algum lugar!!!

Acórdão do Tribunal da Relação - Finalmente, uma decisão do caralho ...


Agora quando te apetecer mandar aquele teu amigo chato ou o teu chefe "para o caralho", com as letras todas, já existe jurisprudência a teu favor. E que ninguém venha com a tanga de que é crime...

Aqui vai a versão resumida:

Quartel da GNR, 4 de Agosto de 2009. O Cabo da Guarda solicita troca de serviço, mas o superior hierárquico opõe-se. O militar responde-lhe: "Vá pró caralho".
Acusado do crime de insubordinação, o cabo escapa a julgamento por decisão do juiz do Tribunal de Instrução Criminal. A hierarquia recorre. O Tribunal da Relação de Lisboa confirma aquela decisão com a seguinte argumentação:

«[...] A utilização da expressão não é ofensiva, mas sim um modo de verbalizar estados de alma [...] pois tal resulta da experiência comum, que caralho é palavra usada por alguns (muitos) para expressar, definir, explicar ou enfatizar toda uma gama de sentimentos humanos e diversos estados de ânimo. Por exemplo pró caralho é usado para representar algo excessivo. Seja grande ou pequeno de mais. Serve para referenciar realidades numéricas indefinidas: chove pra caralho..., o Cristiano Ronaldo joga pra caralho... [...] não há nada a que não se possa juntar um caralho, funcionando este como verdadeira muleta oratória.»·

Tanto o juiz-desembargador relator como o juiz militar adjunto consideraram tratar-se apenas de "virilidade verbal".


Eu concordo!

A Vida nos Corais

Slow Life from Daniel Stoupin on Vimeo.

O que poucos podem ver! Em busca das estrelas e montanhas, o suíço, Cristian Mulhsuser, subiu, entre Agosto e Outubro de 2012, três vezes à montanha mais famosa da Suíça, a Matterhorn, para fazer este BELO filme de 4,15 minutos. Ficou a dormir algumas noites a 2.700 metros de altura e com uma temperatura de menos de 12 graus centígrados. A essa altura, sem contaminação de luz, só céus deslumbrantes. A música é de Roberto Cacciapaglia.

the Peak from Christian Mülhauser on Vimeo.

ÚLTIMA MAMADA " The last feed by PAULA REGO


Um dos últimos quadros de Paula Rego. Quiçá como reação à extinção da Fundação Paula Rego, instalada na Casa das Histórias em Cascais, a pintora apresentou o trabalho intitulado The last feed (a última mamada).
Tendo sido apresentado em Londres, na sua última exposição (2013), representa a figura de umpalhaço rico (onde se reconhece perfeitamente o retrato de Cavaco Silva), com um pé no pedestal, a mamar nos seios de uma velha e decrépita República aperaltada com um chapéu.
O palhaço com a mão esquerda coça a "micose". A Velha pode representar a política, ou a Nação.
Apesar de ter tido algum eco nas redes sociais não há registo de grandes referências à exposição (ou ao quadro) na imprensa portuguesa.
Ainda não se sabe se/quando a exposição vier a Portugal e se o quadro fará parte dela.

Got Muck?

Got Muck? from Khaled Sultani on Vimeo.

Truca-Truca


O poema Truca-Truca foi escrito em 1982, durante o primeiro debate parlamentar sobre a interrupção voluntária da gravidez.

A sessão plenária já ia a meio quando João Morgado, deputado do CDS, afirmou que “o acto sexual é para fazer filhos”.

Natália Correia, que lutava pela despenalização do aborto, inspirada pelas declarações do deputado, escreveu o poema e pediu a palavra.

Provocou gargalhadas em todas as bancadas parlamentares e a sessão teve de ser interrompida.


Truca-Truca

Já que o coito – diz Morgado
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração!...
...uma vez. E se a função
faz o órgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

Natália Correia

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015


Os homens trabalham melhor , quando trabalham para o bem do Homem e não para obter a "mais elevada produção" ou "o aumento da eficácia" , que têm sido os objectivos quase exclusivos da agricultura industrial . . .

O objectivo final da agricultura , não é o crescimento das colheitas , mas sim o cultivo e a realização dos seres humanos . . .

A agricultura selvagem não precisa de máquinas nem de produtos químicos e . . . basta-lhe pouca monda . . .

Masanobu Fukuoka

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Carta aberta de Alexis Tsipras à Alemanha: O que nunca foi contado sobre a Grécia.



Redacção Noticias Online / 30/01/2015




A maior parte de vós, caros leitores do Handelsblatt, terá já uma ideia preconcebida acerca do tema deste artigo, mesmo antes da leitura. Rogo que não cedais a preconceitos. O preconceito nunca foi bom conselheiro, principalmente durante períodos em que uma crise económica reforça estereótipos e gera fanatismo, nacionalismos e até violência.

Em 2010, a Grécia deixou de conseguir pagar os juros da sua dívida. Infelizmente, as autoridades europeias decidiram fingir que o problema poderia ser ultrapassado através do maior empréstimo de sempre, sob condição de austeridade orçamental, que iria, com uma precisão matemática, diminuir drasticamente o rendimento nacional, que serve para pagar empréstimos novos e antigos. Um problema de insolvência foi tratado como se fosse um problema de falta de liquidez.

Dito de outro modo, a Europa adoptou a táctica dos banqueiros com pior reputação, que não reconhecem maus empréstimos, preferindo conceder novos empréstimos à entidade insolvente, tentando fingir que o empréstimo original está a obter bons resultados, adiando a bancarrota. Bastava bom senso para se perceber que a adopção da táctica “adiar e fingir” levaria o meu país a uma situação trágica. Em vez da estabilização da Grécia, a Europa estava a criar as condições para uma crise auto-sustentada que põe em causa as fundações da própria Europa.

O meu partido e eu próprio discordamos veementemente do acordo de Maio de 2010 sobre o empréstimo, não por vós, cidadãos alemães, nos terdes dado pouco dinheiro, mas por nos terdes dado dinheiro em demasia, muito mais do que devíeis ter dado e do que o nosso governo devia ter aceitado, muito mais do que aquilo a que tinha direito. Dinheiro que não iria, fosse como fosse, nem ajudar o povo grego (pois estava a ser atirado para o buraco negro de uma dívida insustentável), nem sequer evitar o drástico aumento da dívida do governo grego, às custas dos contribuintes gregos e alemães.

Efectivamente, passado menos de um ano, a partir de 2011, as nossas previsões confirmaram-se. A combinação de novos empréstimos gigantescos e rigorosos cortes na despesa governamental diminuíram drasticamente os rendimentos e, não só não conseguiram conter a dívida, como também castigaram os cidadãos mais frágeis, transformando pessoas que, até então, haviam tido uma vida comedida e modesta em pobres e mendigos, negando-lhes, acima de tudo, a dignidade. O colapso nos rendimentos conduziu milhares de empresas à falência, dando um impulso ao poder oligopolista das grandes empresas sobreviventes. Assim, os preços têm caído, mas mais lentamente do que ordenados e salários, reduzindo a procura global de bens e serviços e esmagando rendimentos nominais, enquanto as dívidas continuam a sua ascensão inexorável. Neste contexto, o défice de esperança acelerou de forma descontrolada e, antes que déssemos por ela, o “ovo da serpente” chocou – consequentemente, os neo-nazis começaram a patrulhar a vizinhança, disseminando a sua mensagem de ódio.

A lógica “adiar e fingir” continua a ser aplicada, apesar do seu evidente fracasso. O segundo “resgate” grego, executado na Primavera de 2012, sobrecarregou com um novo empréstimo os frágeis ombros dos contribuintes gregos, acrescentou uma margem de avaliação aos nossos fundos de segurança social e financiou uma nova cleptocracia implacável.

Recentemente, comentadores respeitados têm mencionado a estabilização da Grécia e até sinais de crescimento. Infelizmente, a ‘recuperação grega’ é tão-somente uma miragem que devemos ignorar o mais rapidamente possível. O recente e modesto aumento do PIB real, ao ritmo de 0,7%, não indica (como tem sido aventado) o fim da recessão, mas a sua continuação. Pensai nisto: as mesmas fontes oficiais comunicam, para o mesmo trimestre, uma taxa de inflação de -1,80%, i.e., deflação. Isto significa que o aumento de 0,7% do PIB real se deveu a uma taxa de crescimento negativo do PIB nominal! Dito de outro modo, aquilo que aconteceu foi uma redução mais rápida dos preços do que do rendimento nacional nominal. Não é exactamente motivo para anunciar o fim de seis anos de recessão!

Permiti-me dizer-vos que esta lamentável tentativa de apresentar uma nova versão das “estatísticas gregas”, para declarar que a crise grega acabou, é um insulto a todos os europeus que, há muito, merecem conhecer a verdade sobre a Grécia e sobre a Europa. Com toda a frontalidade: actualmente, a dívida grega é insustentável e os juros não conseguirão ser pagos, principalmente enquanto a Grécia continua a ser sujeita a um contínuo afogamento simulado orçamental. A insistência nestas políticas de beco sem saída, e em negação relativamente a simples operações aritméticas, é muito onerosa para o contribuinte alemão e, simultaneamente, condena uma orgulhosa nação europeia a indignidade permanente. Pior ainda: desta forma, em breve, os alemães virar-se-ão contra os gregos, os gregos contra os alemães e, obviamente, o ideal europeu sofrerá perdas catastróficas.

Quanto a uma vitória do SYRIZA, a Alemanha e, em particular, os diligentes trabalhadores alemães nada têm a temer. A nossa tarefa não é a de criar conflitos com os nossos parceiros. Nem sequer a de assegurar maiores empréstimos ou, o equivalente, o direito a défices mais elevados. Pelo contrário, o nosso objectivo é conseguir a estabilização do país, orçamentos equilibrados e, evidentemente, o fim do grande aperto dos contribuintes gregos mais frágeis, no contexto de um acordo de empréstimo pura e simplesmente inexequível. Estamos empenhados em acabar com a lógica “adiar e fingir”, não contra os cidadãos alemães, mas pretendendo vantagens mútuas para todos os europeus.

Caros leitores, percebo que, subjacente à vossa “exigência” de que o nosso governo honre todas as suas “obrigações contratuais” se esconda o medo de que, se nos derem espaço para respirar, iremos regressar aos nossos maus e velhos hábitos. Compreendo essa ansiedade. Contudo, devo dizer-vos que não foi o SYRIZA que incubou a cleptocracia que hoje finge lutar por ‘reformas’, desde que estas ‘reformas’ não afectem os seus privilégios ilicitamente obtidos. Estamos dispostos a introduzir reformas importantes e, para tal, procuramos um mandato do povo grego e, claro, a cooperação dos nossos parceiros europeus, para podermos executá-las.

A nossa tarefa é a de obter um New Deal europeu, através do qual o nosso povo possa respirar, criar e viver com dignidade.

No dia 25 de Janeiro, estará a nascer na Grécia uma grande oportunidade para a Europa. Uma oportunidade que a Europa não poderá dar-se ao luxo de perder.

A versão original pode ser consultada aqui.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Mi l a g r e !


Uma solteirona descobre que uma amiga ficou grávida com apenas uma oração que fez na igreja de uma aldeia próxima.

Dias depois, a solteirona foi a essa igreja e disse ao padre:

- Bom dia, padre.
- Bom dia, minha filha. Em que posso ajudá-la?
- Sabe, padre, eu soube que uma amiga minha veio aqui há umas semanas atrás e ficou grávida só com uma Ave-Maria. É verdade, padre?
- Não, minha filha, não foi com uma Ave-Maria... Foi com um padre nosso...mas ele já foi transferido!

Pois . . .


Pois . . . pois . . .


André Rieu - Supercalifragilisticexpialidocious (Mary Poppins)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A ENCOMENDA PARA POUSAFOLES

Há muito tempo que não ia a Lamas, aldeia situada a 18 km de Coimbra, terra de meu pai. Foi o adeus á minha tia Caçilda que me levou a passar por aquelas paisagens já tão distantes da minha memória. Mas, antes do adeus, tive um momento quase de encantamento, que me fez esquecer o poder da morte e me levou a acreditar na força maior da vida, na solidariedade genuína, porque são os gestos simples, como os que vou contar, que ainda me surpreendem e me fazem emocionar. Cheguei a Coimbra às 13H00 e perguntei quando saía o autocarro para Lamas.
 - Às 13H25, disseram-me, - Linha 13.
 Esperei.13H25,13H30, na linha 13 não aparecia o autocarro. Aproximei-me de um grupo de motoristas e fiz novamente a pergunta.
 - É comigo, disse um deles, é aquele carro ali que vai para Pousafoles, e despediu-se dos outros. Segui-o, olhei á volta e não vi mais ninguém. Subi e instalei-me à vontade. Saímos da garagem, eu e o motorista. Depositei as flores no banco do lado, olhei para trás e pareceu-me um autocarro enorme. Foi apenas um momento de quietude porque na paragem seguinte, na portagem, os passageiros apareceram, ou melhor, as passageiras. Assim que o motorista abriu a porta, diz-lhe uma senhora:
 - Tenho aqui uma encomenda para lhe entregar, para Pousafoles, a rapariga que a deixou aqui disse que a mãe está lá na paragem, á espera, leva?
 - Não levo, disse o motorista. Gerou-se um pequeno alvoroço.
 - Então mas a mãe está lá á espera, a moça não podia cá ficar. Ó Maria, viste a rapariga não viste?
 - Vi, disse a Maria.
 - É amiga da Cristina não é?
 - É, são amigas coitadinhas, pois são. Começaram as pessoas a entrar e a senhora que tinha a encomenda perguntou da rua:
 - Está aí alguém que vá para Pousafoles? Não ia ninguém.
 - E agora? Não vou deixar a encomenda da rapariga na rua.
 - Olha lá, disse a Maria, há uma senhora que entra mais além, que é de Pousafoles, posso levá-la e ela entrega-lhe.
 - E se ela não está lá ?- disse a outra.
 - Há-de estar, pois se ela veio de manhã na camioneta, há-de voltar.
 - Pois é, disse a outra, e isto também não há-de ser nenhuma bomba, e espreitou para o saco. De facto não era uma bomba.
 - Pois isto há-de fazer falta à senhora, se a filha cá veio entregar, continuava. O motorista esperava pacientemente pela decisão do mulherio, se levavam ou não a encomenda.
 - Olha, diz a que estava na rua, se ela não estiver lá, guarda-a e dás-ma depois.
 - Pois claro, logo lha entregas, disse a Maria. Estava decidido! A encomenda seguia viagem. E não é que duas paragens mais á frente a tal senhora que ia para Pousafoles estava lá ?! ( Nem os serviços secretos fariam um controlo tão bem feito).
 - Eu não a conheço, disse a Maria, mas que ela é de Pousafoles é. A senhora entra e ela logo lhe pergunta:
 -Você não é de Pousafoles?
- Sou sim senhora.
 - Tenho aqui uma encomenda, que a filha mandou para a mãe, que está à espera na paragem, você não se importa de a levar?
 - Eu não conheço a pessoa mas o que é preciso é que esteja lá alguém para a receber.
 - Há-de estar, pois se a filha a veio trazer. . . custa-lhe muito?
 - Não custa nada.
 - Obrigada. Pronto! Estava entregue a encomenda e por momentos fez-se silêncio na camioneta, sossegaram aquelas almas solidárias que por nada deste mundo deixariam de entregar a bendita. Tão bonito, pensei eu, na minha cidade corro para o autocarro, que ainda está na paragem, mas com a porta fechada, bato no vidro para que o motorista abra, mas ele arranca sem olhar para mim. Porque será? Lá seguimos viagem e descobri coisas que ainda não tinha visto, porque também aqui o progresso vai chegando. Vi estradas novas, pontes, novos pinheiros, embora poucos, no lugar daqueles que foram queimados, mas o que mais me encantou foram as gentes, também elas diferentes. Numa paragem mais á frente entrou um senhor que disse:
 - Boas tardes para todos, e um coro de vozes respondeu:
 - Boa tarde.
 - Um bilhete para o Monte, por favor. Sentou-se atrás do motorista e quando chegámos ao Monte disse:
 - Não se importa de me deixar aqui? Não vem mais ninguém. A camioneta parou no sítio pedido, porque a paragem era um pouco mais abaixo e não dava tanto jeito subir a ladeira porque as pernas já não ajudavam.
 - Muito obrigado, disse.
 - De nada, respondeu o motorista.
 - Façam boa viagem, ainda se ouviu da rua. De dentro responderam:
 - Que Deus o acompanhe. Eu continuava maravilhada com aqueles pequenos diálogos, tão esquecidos, tão bonitos! Cheguei a Lamas. Na paragem, a minha tia Augusta esperava por mim. Desci. Dentro do autocarro apenas ficou a senhora que ia para Pousafoles, e eu tenho a certeza absoluta que a encomenda foi entregue ao destinatário. Gostaria muito de voltar a fazer a mesma viagem, não pelas razões que me levaram á terra do meu pai, e, dessa vez, se houver alguém que queira mandar uma encomenda para Lamas, não se preocupem, eu própria a entregarei.

 Carla Caetano
 3/10/06

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Stanley Myers "Cavatina"

Descubra porque consumir pimenta faz bem à saúde


Pesquisas científicas comprovam que a pimenta possui substâncias medicinais capazes de curar até cancros. O condimento picante ainda é considerado um vilão por muitas pessoas, que acreditam que seu uso pode trazer sérios problemas de saúde.

Seu consumo é essencial para quem tem enxaqueca. Essa afirmação pode cair como uma surpresa para muitas pessoas que, até hoje, acham que a pimenta deve ser evitada. Ela traz consigo alguns mitos, como por exemplo, o de que provoca gastrite, úlcera, pressão alta e até hemorróides. Por incrível que pareça, as pesquisas científicas mostram justamente o oposto.

Os benefícios da pimenta vêm sendo investigados a todo o momento por especialistas para comprovarem, cientificamente, que o uso contínuo e moderado da pimenta faz bem à saúde. A substância química que dá à pimenta o seu carácter picante é exactamente aquela que possui as propriedades benéficas à saúde.

ACÇÕES - A capsaicina e a piperina, substâncias picantes das pimentas, melhoram a digestão, estimulando as secreções do estômago. Elas possuem efeito carminativo (anti-flatulência) e estimulam a circulação no estômago, favorecendo a cicatrização de feridas (úlceras), desde que, outras medidas alimentares e de estilo de vida sejam aplicadas conjuntamente.

Existem também estudos demonstrando a potente acção antioxidante (anti-envelhecimento) da capsaicina e piperina. A pimenta possui até propriedades anti-câncer.

Fonte da pesquisa: http://www.ecoengenho.org.br

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Para que a memória não se apague…



Fez no passado dia 27 de Fevereiro, 60 anos, o Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs . Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda.

O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essencial da dívida.

A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra. Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra, mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso.

Foi perdoada cerca de 50% (Entre os países que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado, e só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.

O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento. O acordo adoptou três princípios fundamentais:

1. Perdão/redução substancial da dívida;

2. Reescalonamento do prazo da dívida para um prazo longo;

3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.

O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida não poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %. A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida. O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983.

Entre 1953 e 1958 foi concedida a situação de carência durante a qual só se pagaram juros.

Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos países endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.

Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial, o que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de divisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.

EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.

Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais.


Marcos Romão, jornalista e sociólogo. 27 de Fevereiro de 2013.

Jump rope girl

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Humanidades . . .

. . . do que os Homens podem e deveriam ser capazes , sempre ! Por tudo "isto" , valeu a pena . . . "ter andado por cá" . . .

CONSEQUÊNCIAS DA CRISE NA GRÉCIA !


1. Zeus vende o trono para uma multinacional coreana.
2. Aquiles vai tratar o calcanhar na saúde pública.
3. Eros e Pan inauguram prostíbulo.
4. Hércules suspende os 12 trabalhos por falta de pagamento.
5. Narciso vende espelhos para pagar a dívida do cheque especial.
6. O Minotauro puxa carroça para ganhar a vida.
7. A Acrópole é vendida e aí é inaugurada uma Igreja Universal do Reino de Zeus.
8. Euro-zona rejeita Medusa como negociadora grega:"Ela tem minhocas na cabeça!".
9. Sócrates inaugura o Cicuta's Bar para ganhar uns trocados.
10. Dionísio vende vinhos à beira da estrada de Maratona.
11. Hermes entrega currículo para trabalhar nos correios. Especialidade: entrega rápida.
12. Afrodite aceita posar para a Playboy.
13. Sem dinheiro para pagar salários, Zeus libera as ninfas para trabalharem na Euro-zona.
14. Ilha de Lesbos abre resort hetero.
15. Para economizar energia, Diógenes apaga a lanterna.
16. O Oráculo de Delfos vaza números do orçamento e provoca pânico nas Bolsas.
17. Áries, deus da guerra, é pego em flagrante desviando armamento para a guerrilha síria.
18. A caverna de Platão abriga milhares de sem-abrigo.
19. Descoberto o porquê da crise: os economistas estão todos gregos!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Imaginem pinturas de Caravaggio, Tiziano , Rembrandt e muitos outros em movimento

As Cinquenta Sombras de Grey em versão Alentejana


Quatro alentejanos costumam ir pescar há muitos anos, sempre na mesma época, montando um acampamento para o efeito.

Este ano, a mulher do João bateu o pé e disse que ele não ia. Profundamente desapontado, telefonou aos companheiros e disse-lhes que, desta vez, não podia ir porque a mulher não deixava.

Dois dias depois, os outros chegaram ao local do acampamento e, muito surpreendidos, encontraram lá o João à espera deles e com a sua tenda já armada.

- Atão, João, comé que conseguisti convencer a tua patroa a deixar-te viri?

- Bêm, a minha mulheri tên estado a ler "As Cinquenta Sombras de Grey" e, ontem à nôte, depois de acabar a última página do livro, arrastô-me para o quarto. Na cama, havia algemas e cordas!
Mandô-me algemá-la e amarrá-la à cama e opois disse: Agora, faz tudo o que quiseres...

E ê ... VIM PESCARI !!!

Ravel: Boléro (Juanjo Mena conducts BBC Proms 2013) - Simplesmente extraordinário !

Strauss

Mozart in Moscow

KOHAR Symphony Orchestra

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

MOMENTOS DE MAGIA . . . À Beira Mar


   Do meu posto de vigia, junto ao mar, não vejo só cantores aflitos. Por vezes, também assisto a momentos de magia e nem sempre a minha leitura é um momento de concentração porque os sons que vêm da esplanada acabam por desviar a minha atenção para o que se passa à minha volta.
   Em frente ao banco onde me sento, existe um muro que protege a esplanada da falésia e aí costumam poisar as pombas que observam com algum desdém o voo picado e gracioso das gaivotas. Incapazes de maiores proezas preocupam-se em procurar alimento deixado ao acaso por quem passa.
   Atrás de mim, na esplanada, estava um casal com uma filha pequena e em cima do muro tinha pousado uma pomba que sem se atrever a voar, pelo espaço aberto que tinha à sua frente, como as destemidas gaivotas, se debruçou no muro de cabeça para baixo, em perfeito equilíbrio mas, para quem olhasse, numa posição de autêntico suicídio. Foi o que deve ter parecido à pequenita que disse aflita para o pai:
   -Pai, pai, olha, a pomba vai cair!
   O pássaro alheio à aflição da menina esticava o pescoço para fora do muro, espreitando, talvez, alguma lagartixa que por ali andasse a tomar banhos de sol.
   Numa atitude de puro divertimento o pai resolve brincar com a filha e diz num jeito teatral:
   Ó pomba, não! Não faças isso, pensa nos teus familiares, pensa nas pessoas que gostam de ti.
   A pomba recuou na sua posição e entreteve-se a procurar umas migalhas que estavam caídas por ali.
   A menina ria-se encantada e não tirava os olhos do animal. Regressei à leitura e passados alguns momentos voltou a menina ao seu chamamento aflito:
   Pai, pai, olha a pomba!
   E o pai voltou a brincar, vendo que o pássaro tinha voltado à sua posição suicida.
   Ó pomba, não! Não faças isso, há sempre uma solução, pensa nos teus amigos, não!
   E a ave voltava para trás, naturalmente, cansada da posição em que se encontrava, saltitando à procura de alimento.
   A menina ria-se agarrada ao braço do pai, a mãe sorria feliz e o mágico, esse, estava encantado com os momentos de alegria que proporcionava à sua filhota. Esta, provavelmente, iria guardar na sua memória, as palavras mágicas do pai, num certo passeio a Cascais.
   Eu, sorria para mim, pensando naquele momento de uma família em perfeita harmonia.
   E continuo a acreditar que são estes pequenos momentos que fazem de nós pessoas felizes.
   Todos os dias, à hora do almoço, do meu posto de vigia, eu vejo a vida acontecer!

   Carla
   Outubro 2007

O Trovador e . . . a Pequena "Manif"


   Ontem, pude sentir, ao vivo, pela 1ª vez, o verdadeiro sentido de uma manifestação de solidariedade por aqueles que julgando que nada têm, possuem um instrumento ( a voz) capaz de mover outras vozes e outras consciências, em sua defesa.

    Passo a explicar:

    Perto do sítio onde trabalho, há um recanto, junto ao mar, com várias esplanadas e onde normalmente venho ler, na minha hora do almoço. A clientela é, nesta altura do ano, maioritariamente estrangeira e aproveitando as mentes abertas desta gente, os vários tocadores de verão vão dando uso à sua criatividade. Mas este dia foi diferente.
    Entendeu a Autoridade Municipal que era preciso licença para tocar e queria, à força, que o tocador solitário que ali se encontrava, fosse embora dali.
    Ele, agarrado à sua viola, cantava: So, so you think you can tell….
    A polícia insistia para os acompanhar, coisa que ele não estava na disposição de fazer. A conversa começou a subir de tom e dizia o trovador: Não me calo! Só estou a cantar! E dedilhava a viola cantando: How I wish, how I wish you were here…. Está a ameaçar-me? Vai bater-me?
    E o agente de autoridade que falava ( eles eram 4) dizia: baixa a voz que eu não sou surdo.
    Nas esplanadas, à volta, começou a gerar-se uma certa movimentação de cadeiras e mesas, pessoas a levantarem-se, máquinas fotográficas prontas a disparar.
    A troca de palavras tornou-se mais feroz e um dos agentes afastou-se para ir buscar reforços, enquanto os outros tentavam imobilizar o trovador. Uma saraivada de assobios inundou a esplanada e as máquinas começaram a disparar. O nosso homem debatia-se como um leão e continuava a dizer: Eu sou livre de cantar! Está outra vez a ameaçar-me? Ouviram? Vocês são minhas testemunhas, ele disse que aqui não é lugar para apanhar porrada. Eles vão bater-me. E cantava, So, so you think you can tell….
    Nesse momento, sorri pela coragem do trovador, mas temendo por dentro, pelo que se ia seguir depois.
    Vieram reforços, com algemas nas mãos, que tentaram agarrar o infeliz que se tinha deitado no chão, agarrado à viola e a gritar. Das esplanadas vieram vendavais de uuuuhs e Shame on you! CNN, CNN, e as máquinas a disparar. Os agentes tentavam imobilizar o trovador e outro afastava a multidão que o apoiava. Um senhor de cabelos brancos, de dedo espetado na cara do polícia dizia: You can´t do this, he is just playing, he is just singing. Nice songs, dizia outro , shame on you.
    O agente dizia: Para trás! ( Nunca deve ter ouvido Pink Floyd)
    Levaram o homem de rastos, ao som de assobiadelas e mais uuuuhs. Passados uns segundos a nossa vida voltou à normalidade, e eu acho que a manifestação teria sido completa, se tivéssemos resgatado o trovador das mãos da autoridade e cantado com ele:
 …há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não!
    Olhei para o meu livro, que estava fechado, para ter a certeza que não estava a ler ficção. Não, não era, isto foi real, aconteceu ontem, em Cascais, na minha hora de almoço!
    Mas, hoje, fiquei feliz! De volta ao meu posto de vigia, reparei que o trovador tinha voltado. Não havia sinais de violência. Ele tinha um sorriso no rosto e cantava para a sua plateia: .. I wonna know,       Have you ever seen the rain, I wonna know…

    E assim, voltou a estar tudo no seu devido lugar!


    Carla
    Outubro 2007

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O ESCULTOR , OS BONECOS E O QUADRO


   Era uma vez um Escultor que não sabia pintar. Um dia resolveu fazer uns bonecos, mas, no final da obra, achou que eles não estavam perfeitos. Depois de muito pensar, o Artista, encontrou a solução. Deu-lhes corda! Mas, logo de imediato, deve ter-se arrependido da ideia pois destinou-lhes uma missão um pouco estranha. Tinham de partir para pintar um quadro. Pincelada aqui, rabisco acolá, o tema deixava-o à imaginação de cada um. Apenas punha uma condição, tinham um limite de tempo que não podia divulgar. Quando regressassem com a obra completa ficariam sujeitos à apreciação final.
   Os bonequitos lá partiram, saltitando alegremente, pelos trilhos da inocência, à procura das cores que melhor ilustrassem a tela que levavam debaixo do braço. Uns com melhor sorte, outros com maior dificuldade, foram experimentando as tonalidades de uma vida ainda sem côr, com mil promessas no olhar, cheios de esperança, cheios de ilusões.
   Passou-se o tempo e os bonecos cresceram. Nas telas já surgiam vários traços, daquilo que viriam a ser as obras encomendadas pelo Mestre. Eram sonhos de cristal, em corações de prata, aguarelas de mil cores, na constante mutação dos tons, eram o Sol em posição vertical!
   Lentamente, os anos foram passando. Os rabiscos inocentes deram lugar a traços complexos, a mistura de cores capazes de confundir a observação atenta de qualquer mestre. Alguns começavam a duvidar da sua capacidade para completar a pintura. Havia já pouco espaço na tela e pareciam dizer: Estamos perdidos!
   Um dia, muito suavemente para uns, de repente para outros, os bonecos deram conta de que a corda que o Escultor lhes dera estava a acabar e assustaram-se. Lembraram-se que Ele lhes tinha falado em limite de tempo. E agora? Era altura de olhar o quadro e rever os detalhes. Que côr deveriam ter posto ali? Que pincel utilizado acolá? Já não havia tempo, tinham de regressar e, de tela ao peito, os bonecos, enfrentaram o Escultor murmurando: Mestre, um dia pediste-nos para pintarmos um quadro. Aqui o tens! Foi o melhor que soubemos fazer.

   O Artista olhou-os um por um e disse: Não estão nada mal, cada um de vós trouxe-me um original. Vou ter de analisar obras de arte até à eternidade mas, até lá, vou continuar a fazer bonecos.

Carla Caetano
Outubro de 1999

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

CLARA


Bom dia, DIA!

   Este é o meu mantra diário, assim que me levanto. Para me dar energias, para me limpar a mente das poeiras que vão ficando acumuladas. E o caminho que faço desde casa até à entrada do Metro já conhece o meu ritual. Baixinho, vou recitando agradecimentos por tudo de bom que me possa acontecer nesse dia. Pelo Sol, pela minha boa disposição, pelas rosas que florescem num jardim por onde passo, etc,etc.
   De vez em quando , noto que algumas pessoas olham para mim e sorrio ao pensamento delas, que adivinho. Não, não estou doidinha, estou feliz, de bem com a vida, apesar de tudo.
   E as coisas boas acontecem!
   Entrei no Metro e sentei-me. Duas paragens mais à frente entrou uma senhora com uma criança que trazia um chupa-chupa. Para eu não ficar de pé com os meus sacos na mão, que nesse dia eram muitos, coloquei-os no chão e ofereci à criança , o meu colo.
   Ela aceitou e ajeitou-se começando a falar comigo muito bem disposta.
   Poisou a sua mãozita na minha e disse:
   - A minha mão é mais pequena do que a tua.
   - É verdade, a minha é muito grande.
   - A minha é castanha e a tua é branca.
   - Pois é, mas a tua é mais bonita, tens as unhas pintadas.
   - Foi a minha tia.
   -São da cor do teu chupa-chupa, cor-de-rosa.
   - E da cor dos meus collans e esticou a pernita para eu ver uns collans brancos com uns lacinhos cor-de-rosa.
   - Quantos anos tens? Contou pelos dedos.
   - 1,2,3
   Sabia as cores, sabia contar, sabia tudo.
   De repente abriu a boca num bocejo comprido.
   - Tanto soninho, disse eu.
   - Pois é, vou dormir no teu colo.
   - Então dorme.
   Virou-se de lado e ajeitou-se no meu regaço , deitando a cabecita no meu peito.
   Senti um calor dentro de mim. Ela, marota, levantou a cabeça e disse:
   - Estou a dormir no teu colo.
   - Que bom, faz ó-ó.
   Ela voltou a aconchegar-se.
   Ficámos assim alguns momentos, ela contente com o conforto do meu colo e eu feliz com o momento e com aquele abraço.
   Algumas paragens depois , a mãe chamou-a:
   - Anda, vamos embora.
   Saltou do meu colo e eu despedi-me.
   - Então adeus.
   - Adeus, depois vens outra vez?
   - Venho, amanhã venho outra vez.

   Chamava-se Clara a menina que gostou do meu colo. É pouco provável que voltemos a encontrar-nos, é pouco provável que ela se recorde deste dia , mas eu ficarei sempre com a imagem daquele sorriso maroto , a dizer-me: - vou dormir no teu colo.

   Dentro de mim voltei a murmurar baixinho: Bom dia, DIA!


Carla Caetano
12.05.2008

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Oh Susie !



Depois de um longo e agitado dia de trabalho, um homem sentou-se no comboio, recostou-se e fechou os olhos.

Quando o comboio saía da estação, a mulher que se sentara a seu lado, pegou no telemóvel e começou a falar alto:

-"Olá meu amor, aqui é a Susie, já estou no comboio... sim, eu sei, é o das seis e meia... não apanhei o das quatro e meia porque estive numa reunião que nunca mais acabava...

Nãooooo, não foi com o Leandro dos Recursos Humanos, foi com o meu chefe... Nãooooo amor, és o único da minha vida, tu sabes...... sim meu amor, amo-te tanto, bla, bla, bla, bla, bla,..."

Passados 15 minutos, a mulher continuava a falar, a falar, a falar, e sempre alto...

O homem, já cansado de a ouvir, aproximou-se dela, e com voz clara, disse quase encostado ao telemóvel:

- "Susie, desliga o telemóvel e volta para a cama!!!"

(Consta que Susie nunca mais usou o telemóvel na via pública...)

domingo, 25 de janeiro de 2015

JÁ LUTHER KING DIZIA QUE O SILÊNCIO DOS SENSATOS ERA A SUA GRANDE PREOCUPAÇÃO...


Uma perspectiva do Islão


O autor deste e-mail é dito ser o Dr. Emanuel Tanay, um conhecido e respeitado psiquiatra. Um homem cuja família pertencia à aristocracia alemã antes da segunda guerra mundial e era proprietário de uma série de grandes indústrias e propriedades.

Quando perguntado sobre quantos alemães eram verdadeiros nazis, sua resposta pode guiar nossa atitude em relação ao fanatismo: 'Muito poucas pessoas foram verdadeiras nazis', disse ele, 'mas muitos gostaram do regresso do orgulho alemão e muitos mais estavam demasiado ocupados para se importarem com isso?. Eu era um dos que pensavam que os nazis não eram mais que um bando de idiotas.

Assim, a maioria limitou-se a ficar sentada e a deixar tudo acontecer. E antes que nos apercebêssemos eles eram donos de nós, tínhamos perdido controlo da situação e tinha chegado o fim do mundo. Minha família perdeu tudo, eu acabei num campo de concentração e os aliados destruíram minhas fábricas.'

Tem-nos sido dito repetidas vezes por "especialistas" e "comentadores" que o Islão é uma religião de paz e que a grande maioria dos muçulmanos só quer viver em paz. Ainda que esta afirmação possa ser verdadeira, ela é totalmente irrelevante. É treta sem sentido destinada a nos fazer sentir melhor e a minimizar o fantasma do alvoroço mundial em nome do Islão. Porém o facto é que são os fanáticos que mandam no Islão neste momento da história.

São os fanáticos que conduzem, são os fanáticos que empreenderam todas as 50 pungentes guerras no mundo, são os fanáticos que sistematicamente trucidam grupos cristãos ou tribais através da África e estão gradualmente tomando conta de todo o continente numa onda islâmica, são os fanáticos que bombardeiam, decapitam, assassinam em nome da lei, são os fanáticos que se vão apoderando das mesquitas, são os fanáticos que zelosamente espalham a tradição do apedrejamento e enforcamento das vítimas de violação e dos homossexuais, são os fanáticos que ensinam seus filhos a matar e a tornar-se bombistas suicidas.

Os factos, rigorosos e quantificáveis demonstram que a maioria pacífica, a 'maioria silenciosa', é cobarde e irrelevante.

A Rússia comunista era formada de russos que apenas queriam viver em paz, contudo os comunistas russos foram responsáveis pelo massacre de cerca de 20 milhões de pessoas. A maioria pacífica era irrelevante.

A enorme população da China também era pacífica, porém os comunistas chineses conseguiram matar uns 70 milhões de pessoas.

O japonês médio antes da segunda guerra mundial não era um sádico belicista. Todavia o Japão fez um percurso de assassinatos através do Sudeste Asiático numa orgia de matança que incluiu o sistemático abate de 12 milhões de chineses civis, mortos à espada, à pá e à baioneta.

E quem pode esquecer o Ruanda, que colapsou numa carnificina. Não poderíamos dizer que a maioria dos ruandeses eram 'amantes da paz'?

As lições da história são incrivelmente simples e claras, porém apesar de todo o nosso poder de raciocínio, falhamos a percepção dos pontos mais básicos e simples.

Os muçulmanos amantes da paz tornaram-se irrelevantes através do seu silêncio. Os muçulmanos amantes da paz tornar-se-ão nossos inimigos se não marcarem posição, pois que, à semelhança do meu amigo alemão, eles irão acordar um dia e descobrir que os fanáticos são seus donos e que o fim do seu mundo terá começado.

Alemães, japoneses, chineses, russos, ruandeses, sérvios, afegãos, iraquianos, palestinianos, somalis, nigerianos, argelinos e muitos outros amantes da paz têm morrido porque a maioria pacífica não tomou posição até ser demasiado tarde. Quanto a nós que assistimos a todo este desenrolar, temos de prestar atenção ao único grupo que conta - os fanáticos que ameaçam nosso modo de vida.

Por último, quem quer que tenha dúvidas de que o problema é grave e simplesmente apague este e-mail sem o enviar, está contribuindo para a passividade que permite que o problema se intensifique. Por isso estique-se um pouco e retransmita esta mensagem uma e outra vez e ainda outra vez! Esperemos que milhares de pessoas em todo o mundo leiam isto, pensem nisto, e passem a mensagem.

Antes que seja tarde demais!

Império dos comentadores da TV


Não há crise para quem a comenta

«O império dos comentadores onde quem manda são os políticos» é o título de artigo de hoje no Público, que contém alguns números estonteantes.

Para começar este: «Se aos quatro canais generalistas se juntarem os canais de informação portugueses no cabo (RTP Informação, SIC Notícias e TVI24), é possível assistir a 69 horas de comentário político por semana. O equivalente a quase três dias completos em frente à televisão.» Que ninguém se queixe de falta de interesse das televisões pela política: mais do que isto só futebol!

Dos 97 comentadores com presença semanal na televisão, 60 são actuais ou ex-políticos. Sem espanto, em termos de número de comentadores, o primeiro lugar do pódio é ocupado pelo PSD, seguido pelo PS e pelo CDS. E embora o PCP tenha mais deputados na Assembleia da República do que o Bloco, este está quantitativamente melhor representado.

Mas os números de facto impressionantes, se verdadeiros, são alguns (poucos) que são divulgados quanto à maquia que estes senhores levam para casa. E se não me suscita qualquer aplauso o facto de José Sócrates ter querido falar pro boneco na RTP, considero um verdadeiro escândalo que Marcelo Rebelo de Sousa ganhe 10.000 euros / mês (mais do que 20 salários mínimos por pouco mais de meia hora por semana a dizer umas lérias), Manuela Ferreira Leite metade disso e que Marques Mendes tenha preferido passar para a SIC por esta estação ter subido a parada da TVI que só lhe propunha 7.000. Claro que estamos a falar de estações privadas, em guerras de concorrência. Mas algo de muito estranho e esquizofrénico se passa num país quando o valor de mercado destes senhores é deste calibre. Estaremos em crise, mas comentá-la compensa e recompensa . . . e de que maneira!

AINDA HÁ MAIS

Os programas desportivos (trio de ataque, o dia seguinte, prolongamento,

contra golpe, etc ) têm comentadores que defendem interesses instalados

e não fazem análises honestas e isentas.

A maioria dos comentadores estrategicamente colocados são medíocres, intelectualmente desonestos e incompetentes.

Pasme-se . . . auferem uma média de 1250 euros por programa de uma hora,

ou seja, 5000 euros por mês...

domingo, 18 de janeiro de 2015

Tratamento caseiro para a Tosse


Um óptimo tratamento caseiro para acabar com a tosse com catarro é chá de canela em pau. Seu potencial curativo é potencializado quando a canela é usada em conjunto com o cravo-da-índia, limão e mel, porque ele ajuda a eliminar as secreções.

No entanto é aconselhado beber bastante água em temperatura ambiente várias vezes ao dia para acalmar a garganta e aliviar a tosse. Evitar ficar no vento e com os pés descalços também são recomendações que devem ser seguidas durante o tratamento para tosse.


Receita do chá de canela para acalmar a tosse

Esta receita de chá de canela é simples de fazer e só deve ser tomada no mesmo dia.

Ingredientes
1 pau de canela
3 cravos-da-índia
1 rodela de limão
1/2 litro de água

Modo de preparo
Coloque todos os ingredientes num bule e deixe ferver por 5 minutos. Espere esfriar, coe, adoce com 1 colher de sopa de mel e beba 2 xícaras deste chá por dia.

A canela e o cravo-da-índia são bactericidas e ajudam a eliminar os micro-organismos causadores da tosse. Já o limão e o mel contêm propriedades expectorantes que ainda ajudam a fortalecer o sistema imune devido ao seu alto teor de vitamina C.

Este remédio caseiro só é contra-indicado para bebés com menos de 1 ano de idade, pois estes ainda não podem consumir o mel. Neste caso, pode-se recorrer à mesma receita, mas sem acrescentar o mel.


Remédio caseiro para tosse infantil

Um óptimo remédio caseiro para acabar com a tosse infantil, que persiste por mais algumas semanas após um episódio de gripe, é o suco puro da cenoura.

Ingredientes
1 cenoura de tamanho médio

Modo de preparo
Ralar a cenoura e colocá-la em um copo dentro da geladeira. Após alguns minutos, a cenoura irá largar um suco próprio. Coe e dê este suco à criança, misturado com a mesma quantidade de mel, várias vezes ao dia.

A cenoura contém altas doses de vitamina C e é antitússica, o que contribui para diminuir as crises de tosse na criança. Este é um excelente remédio caseiro para tosse nas crianças porque, além de ter propriedades anti-tússicas, é natural e tem sabor adocicado, sendo facilmente aceite pela criança.


Remédio caseiro para a tosse alérgica

A tosse alérgica é caracterizada por uma tosse seca persistente, que não está associada a gripes ou resfriados. Neste caso, um ótimo remédio caseiro para a tosse alérgica é o chá de urtiga.

Ingredientes
1 colher (de sopa) de folhas secas de urtiga
200 ml de água

Modo de preparo
Coloque a água em uma panela e deixe ferver, quando entrar em ebulição, apague o fogo e acrescente a urtiga. Tape a panela e espere amornar, coe e beba a seguir, podendo adoçar com 1 colher de mel. Tome 2 xícaras ao dia.

A urtiga é uma planta medicinal que contém propriedades anti-histamínicas e, por isso, combate as diversas alergias, sendo eficaz no combate à tosse seca, podendo ser utilizada até mesmo por crianças. No entanto, deve-se conversar com o pediatra antes de iniciar este tratamento, para se certificar de que se trata de uma tosse com fundo alérgico.


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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Das verdadeiras dificuldades da vida ninguém fala ! . . .


Isto sim é dificuldade . E ainda há quem se queixe . . .

Agora toda a gente fala de crise .

É crise para aqui . . . é crise para ali . . .

Mas das verdadeiras dificuldades da vida ninguém fala ! . . .

Homem sofre . . .



sábado, 10 de janeiro de 2015

Je ne suis pas Charlie


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Em primeiro lugar, eu condeno os atentados do dia do 7 de janeiro. Apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou um cara pacífico. A última vez que me envolvi em uma briga foi aos 13 anos (e apanhei feito um bicho). Não acho que a violência seja a melhor solução para nada. Um dos meus lemas é a frase de John Donne: “A morte de cada homem diminui-me, pois faço parte da humanidade; eis porque nunca me pergunto por quem dobramos sinos: é por mim”. Não acho que nenhum dos cartunistas “mereceu” levar um tiro. Ninguém merece. A morte é a sentença final, não permite que o sujeito evolua, mude. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem.

Após o atentado, milhares de pessoas se levantaram no mundo todo para protestar contra os atentados. Eu também fiquei assustado, e comovido, com isso tudo. Na internet, surgiu o refrão para essas manifestações: Je Suis Charlie. E aí a coisa começou a me incomodar.

A Charlie Hebdo é uma revista importante na França, fundada em 1970 e identificada com a esquerda pós-68. Não vou falar de toda a trajetória do semanário. Basta dizer que é mais ou menos o que foi o nosso Pasquim. Isso lá na França. 90% do mundo (eu inclusive) só foi conhecer a Charlie Hebdo em 2006, e já de uma forma bastante negativa: a revista republicou as charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten (identificado como “Liberal-Conservador”, ou seja, a direita européia). E porque fez isso? Oficialmente, em nome da “Liberdade de Expressão”, mas tem mais...

O editor da revista na época era Philippe Val. O mesmo que escreveu um texto em 2000 chamando os palestinos (sim! O povo todo) de “não-civilizados” (o que gerou críticas da colega de revista Mona Chollet – críticas que foram resolvidas com a saída dela). Ele ficou no comando até 2009, quando foi substituído por Stéphane Charbonnier, conhecido só como Charb. Foi sob o comando dele que a revista intensificou suas charges relacionadas ao Islã – ainda mais após o atentado que a revista sofreu em 2011.

Uma pausa para o contexto. A França tem 6,2 milhões de muçulmanos. São, na maioria, imigrantes das ex-colônias francesas. Esses muçulmanos não estão inseridos igualmente na sociedade francesa. A grande maioria é pobre, legada à condição de “cidadão de segunda classe”. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou. Já ouvi de pessoas que saíram de um restaurante “com medo de atentado” só porque um árabe entrou. Lembro de ter lido uma pesquisa feita há alguns anos (desculpem, não consegui achar a fonte) em que 20 currículos iguais eram distribuídos por empresas francesas. Eles eram praticamente iguais. A única diferença era o nome dos candidatos. Dez eram de homens com sobrenomes franceses, ou outros dez eram de homens com sobrenomes árabes. O currículo do francês teve mais que o dobro de contatos positivos do que os do candidato árabe. Isso foi há alguns anos. Antes da Frente Nacional, partido de ultra-direita de Marine Le Pen, conquistar 24 cadeiras no parlamento europeu...

De volta à Charlie Hebdo: Ontém vi Ziraldo chamando os cartunistas mortos de “heróis”. O Diário do Centro do Mundo (DCM) os chamou de“gigantes do humor politicamente incorreto”. No Twitter, muitos chamaram de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.

O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. (Isso gera situações interessantes, como o filme A Mensagem – Ar Risalah, de 1976 – que conta a história do profeta sem desrespeitar esse dogma – as soluções encontradas são geniais!). Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a estátua de Nossa Senhora para atacar os católicos. O Charlie Hebdo publicou a seguinte charge:



Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. Ok, o catolicismo foi banalizado. Mas isso aconteceu de dentro pra fora. Não nos foi imposto externamente. Note que ele não está falando em atacar alguns indivíduos radicais, alguns pontos específicos da doutrina islâmica, ou o fanatismo religioso. O alvo é o Islã, por si só. Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista. Na época das primeiras publicações, diversas associações islâmicas se sentiram ofendidas e decidiram processar a revista. Os tribunais franceses – famosos há mais de um século pela xenofobia e intolerâmcia (ver Caso Dreyfus) – deram ganho de causa para a revista. Foi como um incentivo. E a Charlie Hebdo abraçou esse incentivo e intensificou as charges e textos contra o Islã.

Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência (quantos trocadilhos com “matar” e “explodir”...). Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam...



E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). A piada tem esse poder. Se a piada é preconceituosa, ela transmite o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu vizinho muçulmano, a relação de identificação-projeção é criada mesmo que inconscientemente. Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas.

No artigo do Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira diz: “Existem dois tipos de humor politicamente incorreto. Um é destemido, porque enfrenta perigos reais. O outro é covarde, porque pisa nos fracos. Os cartunistas do jornal francês Charlie Hebdo pertenciam ao primeiro grupo. Humoristas como Danilo Gentili e derivados estão no segundo.” Errado. Bater na população islâmica da França é covarde. É bater no mais fraco.

Uma das defesas comuns ao estilo do Charlie Hebdo é dizer que eles também criticavam católicos e judeus. Isso me lembra o já citado gênio do humor (sqn) Danilo Gentilli, que dizia ser alvo de racismo ao ser chamado de Palmito (por ser alto e branco). Isso é canalha. Em nossa sociedade, ser alto e branco não é visto como ofensa, pelo contrário. E – mesmo que isso fosse racismo – isso não daria direito a ele de ser racista com os outros. O fato do Charlie Hebdo desrespeitar outras religiões não é atenuante, é agravante. Se as outras religiões não reagiram a ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado.

“Mas isso é motivo para matarem os caras!?”. Não. Claro que não. Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça francesa tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar”.

“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados – como o racismo ou a homofobia – isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim.

Por coincidência, um dos assuntos mais comentados do dia 6 de janeiro – véspera dos atentados – foi a declaração do comedianteRenato Aragão à revista Playboy. Ao falar das piadas preconceituosas dos anos 70 e 80, Didi disse: “Mas, naquela época, essas classes dos feios, dos negros e dos homossexuais, elas não se ofendiam.”. Errado. Muitos se ofendiam. Eles só não tinham meios de manifestar o descontentamento. Naquela época, tão cheia de censuras absurdas, essa seria uma censura positiva. Se alguém tivesse dado esse toque nOs Trapalhões lá atrás, talvez não teríamos a minha geração achando normal fazer piada com negros e gays. Perderíamos algumas risadas? Talvez (duvido, os caras não precisavam disso para serem engraçados). Mas se esse fosse o preço para se ter uma sociedade menos racista e homofóbica, eu escolheria sem dó. Renato Aragão parece ter entendido isso.

Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale”. É “Fale, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis.

Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada” (grifo meu). Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até... charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados – um deles com granadas! - nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos” – e ela sabe disso).

Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro de ontem, eu não sou Charlie. No twitter, um movimento – muito menor do que o #JeSuisCharlie – começa a surgir. Ele fala do policial, muçulmano, que morreu defendendo a “liberdade de expressão” para os cartunistas do Charlie Hebdo ofenderem-no. Ele representa a enorme maioria da comunidade islâmica, que mesmo sofrendo ataques dos cartunistas franceses, mesmo sofrendo o ódio diário dos xenófobos e islamófobos, repudiaram o ataque. Je ne suis pas Charlie. Je suis Ahmed.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A vida na floresta

Bande démo Isabelle Dailly from Asso des Amis de l'IFFCAM on Vimeo.

Eheheheh . . . eheheheheh . . .


Um homem bem-sucedido morreu e deixou tudo à sua dedicada esposa.

Ela era uma bela mulher e determinada a conservar a herdade enorme que o seu marido lhe deixara, mas sabia muito pouco das actividades da herdade, por isso, decidiu colocar um anúncio no jornal para contratar um empregado.

Dois homens candidataram-se ao emprego. Um era homossexual, o outro, um bêbado. Ela pensou muito seriamente sobre o assunto, e, como mais ninguém se candidatou, decidiu contratar o candidato homossexual, pensando que seria mais seguro tê-lo perto de casa do que o bêbado.

Ele demonstrou ser um excelente trabalhador, que fazia longas horas de trabalho por dia e sabia imenso do trabalho da herdade.

Durante semanas a fio, ambos trabalharam muito e a herdade estava muito bem. Então, um dia, a viúva disse ao empregado:

- Fizeste um óptimo trabalho e está tudo impecável. Já é tempo de ires até à cidade e divertires-te um bocado.

O empregado concordou e no sábado à noite foi até à cidade. No entanto, já eram 2 da manhã e ele não voltava. 3 da manhã, e o empregado, nada! Finalmente, pelas 4, lá regressou, e à sua espera, sentada à lareira, com um copo de vinho na mão, estava a viúva.

Chamou-o para junto dela e disse-lhe.

- Desabotoa a minha blusa e tira-a - disse ela.

A tremer, ele fez o que ela pediu.

- Agora, tira as minhas botas.

Ele fez o que ela disse, muito lentamente.

- Agora, tira as minhas meias.

Ele removeu cada uma com gentileza e colocou-as junto às botas...

- Agora, tira a minha saia.

Lentamente, ele desabotoou-a, observando constantemente os olhos dela à luz do fogo da lareira.

- Agora, tira o meu soutien.

Novamente, com as mãos a tremer, ele fez o que lhe era dito e deixou-o cair no chão.

- Agora... tira as minhas cuecas.

À luz da lareira, ele puxou-as suavemente para baixo e tirou-as.

Então, ela olhou bem para ele e disse-lhe:

- Se voltares a usar as minhas roupas para ir à cidade, DESPEÇO-TE!

sábado, 3 de janeiro de 2015

TTIP, tirem as mãos da comida! Uma ameaça paira sobre as políticas agroalimentares na Europa. Trata-se do Tratado de Livre Comércio entre os EUA e a UE. Como vampiros em busca de sangue, as multinacionais do agronegócio esperam lucrar, e muito, com estas novas medidas de liberalização comercial.


1 de Janeiro, 2015 - 23:16h
Esther Vivas

Uma ameaça paira sobre as políticas agroalimentares na Europa. Trata-se do Tratado de Livre Comércio entre os Estados Unidos e a União Europeia, mais conhecido como TTIP, a sua sigla em inglês, a longa sombra do agronegócio que se estende do campo ao prato. Como vampiros em busca de sangue, as multinacionais do setor esperam lucrar, e muito, com estas novas medidas de liberalização comercial.

Mas o que é o TTIP? Trata-se de um tratado negociado em segredo durante meses, escondido do público, pendente de aprovação pelo Parlamento Europeu, com uma campanha de marketing em marcha, e que tem como objetivo final igualar em baixa as legislações de ambos os lados do Atlântico em benefício único das grandes empresas. As suas consequências: mais desemprego, mais privatizações, menos direitos sociais e ambientais. Em resumo, servir numa bandeja os nossos direitos ao capital.

E, em matéria agrícola e alimentar? As empresas do setor, desde as companhias de sementes passando pela indústria biotecnológica, de bebidas, pecuária, alimentar, de rações… são as que mais têm pressionado a seu favor, à frente inclusive do lóbi farmacêutico, automobilístico e financeiro. Está muito em jogo para multinacionais como Nestlé, Monsanto, Kraft Foods, Coca Cola, Unilever, Bacardi-Martine, Cargill, entre outras. Dos 560 encontros consultivos da Comissão Europeia para a aprovação deste Tratado, 92% realizaram-se com grupos empresariais, 26% com instituições de interesse público. Como indica um relatório do Corporate European Observatory: “Por cada reunião com um sindicato ou um grupo de consumidores, houve 20 com empresas e federações industriais”.

Se o Tratado de Livre Comércio entre os Estados Unidos e a União Europeia for aprovado, que impacto terá na nossa mesa?

Mais transgénicos

A entrada massiva de transgénicos na Europa será uma realidade. Apesar de hoje já importarmos um número considerável de alimentos transgénicos, em particular rações para o gado e muitos produtos transformados que contêm derivados de soja e milho transgénico, como lecitina, óleo e farinha de soja, xarope e farinha de milho, a aprovação do TTIP significará um aumento dessas importações, especialmente das primeiras, e inclusive a entrada de transgénicos que na atualidade não são autorizados pela União.

Há que ter em conta que a legislação norte-americana é muito mais permissiva que a europeia tanto no cultivo como na comercialização de Organismos Geneticamente Modificados. Nos Estados Unidos, por exemplo, a rotulagem que identifica um alimento como transgénico é inexistente, ao contrário da Europa, onde apesar das limitações, as leis obrigam teoricamente a essa identificação. Além disso, na União apenas se cultiva um único alimento transgénico com fins comerciais: o milho MON 810 da Monsanto, apesar do impacto negativo no meio ambiente que este tem com a contaminação de outros campos de milho, tanto convencional como ecológico. Ainda que 80% de sua produção seja levada a cabo em Aragão e na Catalunha, a maior parte dos países europeus vetam-no. Nos Estados Unidos, pelo contrário, o número de culturas é muito mais alto. De aqui que a Europa seja um pedaço apetecido para multinacionais como Monsanto, Syngenta, Bayer, Dupont… e o TTIP pode tornar isso numa realidade.

Porco, vaca e leite com hormonas

O veto à carne e aos produtos derivados de animais tratados com hormonas e promotores de crescimento, até ao momento proibidos na Europa, será levantado, assim como o uso aqui dessas substâncias, com o consequente impacto na nossa saúde.

Nos Estados Unidos, os porcos e o gado bovino podem ser medicados com ratopamina, um fármaco usado como aditivo alimentar para conseguir uma maior engorda do animal, e maior lucro económico para a indústria pecuária. Na União, a utilização deste produto e a importação de animais tratados com o mesmo está proibida, tal como em outros 156 países como China, Rússia, Índia, Turquia, Egito, ao se considerar que não há dados suficientes que permitam descartar riscos para a saúde humana. Noutros 26 países, como Estados Unidos, Austrália, Brasil, Canadá, Indonésia, México, Filipinas, pelo contrário ele é utilizado.

O mesmo vai acontecer com o uso da hormona somatotropina bovina empregada, principalmente, em vacas leiteiras para aumentar a sua produtividade, e conseguir entre 10% e 20% mais leite. No entanto, vários são os efeitos secundários associados à sua utilização em animais (esterilidade, inflamação dos úberes, aumento da hormona do crescimento…) e o seu impacto nos humanos (alguns estudos ligam-no a um incremento do risco de cancro da mama ou da próstata e ao crescimento das células cancerosas). Por isso, a União Europeia, o Canadá e outros países proibiram o seu uso e a importação de alimentos de animais tratados com ela. Mesmo assim, outros países, principalmente os Estados Unidos, utilizam-na. O que é certo é que a empresa norte-americana Monsanto, a número um das sementes transgénicas, é a única do mercado que comercializa essa hormona, com o nome comercial de Posilac. Que coincidência.

Frangos clorados

A carne de frango “desinfetada” com cloro chegará também à nossa mesa. Se na Europa se utiliza um método de controlo de doenças das aves, desde a cria passando pelo seu desenvolvimento e sacrifício até à sua comercialização, com carácter preventivo, nos Estados Unidos optaram por otimizar custos baixando os padrões de segurança alimentar. Deste modo, as aves criadas e sacrificadas são desinfetadas unicamente no final da cadeia, submergindo-as numa solução química antimicrobiana geralmente à base de cloro ou, o que é o mesmo, dando-lhes simplesmente “um banho de cloro”. Assim os frangos ficam “limpos”, sem bactérias, bem branqueados, e o seu tratamento sai muito mais barato. Uma vez mais, tudo pelo dinheiro.

Mas que consequências pode ter isto para a nossa saúde? Na União, desde 1997, proíbe-se a entrada de carne de aves de capoeira dos Estados Unidos, devido a esses tratamentos e aos resíduos de cloro ou outras substâncias químicas empregadas para a sua desinfeção que podem persistir na carne que depois consumimos. Além disso, a indústria pecuária norte-americana afirma que estes tratamentos permitem eliminar os microrganismos patogénicos, no entanto as infeções não diminuem significativamente e inclusive o uso continuado de desinfetantes pode acabar por provocar resistências.

Dizem-nos que os padrões de segurança alimentar norte-americanos são dos mais seguros. Não apontam na mesma direção alguns relatórios que constatam que uma em cada quatro pessoas, 76 milhões, por ano nos Estados Unidos adoecem com doenças provocadas pelo consumo de alimentos. Destas, 325 mil são hospitalizadas e 5 mil morrem. Os peritos assinalam que a maioria dos casos poderia ser evitado com melhorias no sistema de controlo alimentar. Tirem as vossas conclusões.

Já vai sendo hora de dizermos ao TTIP: tirem as vossas mãos sujas da comida!

Artigo publicado em publico.es em 31 de dezembro de 2014. Tradução de Carlos Santos para esquerda.net

SYMPHONY FOR PALESTINE

Eu também creio . . . Um lindo "CREDO" para 2015 !


"Creio nos anjos que andam pelo mundo,
creio na deusa com olhos de diamantes,
creio em amores lunares com piano ao fundo,
creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;
creio num engenho que falta mais fecundo
de harmonizar as partes dissonantes,
creio que tudo é eterno num segundo,
creio num céu futuro que houve dantes,
creio nos deuses de um astral mais puro,
na flor humilde que se encosta ao muro,
creio na carne que enfeitiça o além,
creio no incrível, nas coisas assombrosas,
na ocupação do mundo pelas rosas,
creio que o amor tem asas de ouro. amém."

Natália Correia

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

PAVLOVA DE FRAMBOESAS


4 claras
225g de açúcar
1 colher de chá de farinha maisena
1 colher de chá de vinagre de vinho branco
Para a cobertura:
200ml de natas de bater
Raspa de 1 limão
1 colher de chá de extracto de baunilha
300g de framboesas (mas podem usar outros frutos silvestres congelados. Eu tinha as framboesas congeladas pró natal )
Açúcar em pó para polvilhar

Ligue o forno a 180º com ventilação.

Bata as claras em castelo. Quando estiverem bem firmes junte a pouco e pouco o açúcar (cerca de duas colheres de sopa de cada vez) deixando envolver bem antes de adicionar mais e sem nunca parar de bater. Depois de esgotar o açúcar continue a bater durante mais uns 3 a 4 minutos ou até o merengue ficar bem robusto e brilhante, fazendo picos.

Junte a maisena e o vinagre e bata só para envolver.

Há quem coloque nesta fase umas gotas de extracto de baunilha - é opcional. Eu só as usei para a cobertura, para aromatizar o chantilly.

Coloque o merengue sobre uma folha de papel vegetal não untado e com a espátula espalhe, rodando, para fazer um círculo de cerca de 20cm de diâmetro. Faça uma cavidade ligeira no centro para facilitar a colocação posterior da cobertura.

Coloque no forno, baixe imediatamente a temperatura para 120º ventilado e deixe cozinhar durante 1 hora e 30 minutos.

Desligue o forno e deixe o merengue arrefecer totalmente no interior (se o fizer no dia anterior deixe-o durante a noite).

Depois de frio retire o papel vegetal com cuidado e coloque a Pavlova num prato de servir. Ela estala com facilidade, por isso faça este trabalho com "dedinhos de lã".

Junte numa taça as natas acabadas de sair do frigorífico, bem frias, junte a raspa de limão e o extracto de baunilha e bata em velocidade média até ficar chantilly - atenção que para o chantilly sair bem, não se pode bater com velocidade muito forte.

Cubra a pavlova com este chantilly, coloque a fruta por cima e polvilhe com açúcar em pó.

BOM APETITE !


domingo, 28 de dezembro de 2014

A Abstenção é a única forma de fazer a Revolução . . .


Há muito que aprendi a lição
e cheguei à conclusão
de que a melhor decisão
seria aderir à abstenção .

Esta nossa Nação
está precisada de uma revolução
e a solução é a implosão
da actual governação .

Se queres acabar com a exploração
e a corrupção
desta má-criação
põe fim a esta confusão .

Na próxima eleição
toma a inteligente decisão
adere à abstenção
para que assim se faça a revolução .

Tudo o resto é pura ilusão . . .

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Marques, mentes? O Dr. Marques Mendes tem muito azar.





Joana Amaral Dias
Professora universitária

23.12.2014 00:30

Onde está uma empresa duvidosa, ele está. São vistos gold, imobiliárias, ações. Às vezes não se lembra muito bem de ter colaborado. Noutras ocasiões, explica que esteve mas pouco. Também já aconteceu ganhar milhões mas não saber como. A sua vida está cheia de mal- -entendidos, águas passadas. Trivialidades para um comum mortal. Pelo meio, só se pode concluir que há muitas sociedades recheadas de sócios importantes mas sem atividade ou muitos sócios importantes que se deixam associar porque acham que as sociedades estão inativas e, embora possam gerir a coisa pública, disso de sociedades não percebem nada. Isto é pessoal? Não, é político. O sistema está cheio de marqueses mentes, alimenta e alimenta--se deles, da casta que circula no triângulo das Bermudas que eclipsa o nosso dinheiro – governo, negócios e comunicação social (para defender os dois anteriores). Não, não é pessoal. É mais ou menos como o título do livro do próprio ex-ministro: É o estado em que estamos. pensaalto@gmail.com

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/joana_amaral_dias/detalhe/marques_mentes.html

NATAL / 2014


Amanhã , 25 de Dezembro , faz 2014 anos que nasceu Jesus ; dizem , e eu acredito , claro . . .
Mas quem foi Jesus ? Penso que , como outros , foi um menino que nasceu , cresceu e se fez homem ! Teve um pai e uma mãe , isso para mim , é uma certeza !
Filho de Deus Pai ? Isso será um dos "livros" que eu ainda não tive oportunidade de ler . . .
Jesus terá sido um menino igual a tantos outros , só que com uma "alma" enorme ! Bem cedo , leu , compreendeu e se incompatibilizou , demarcando-se de todo , da sociedade em que vivia ; é claro que os "poderosos" não gostaram , e . . . "apagaram-no" . . .
Mas este mundo tem conhecido outros "meninos" com uma alma igual ou parecida , o mesmo percurso de vida , os mesmos ideais , e com o mesmo fim trágico , infelizmente : crucificados , queimados vivos , decapitados , envenenados , fuzilados , linchados , electrocutados , etc . . . etc . . .
Amanhã , festejarei o Natal , sim ! Prestarei uma homenagem a todos esses "meninos" que nasceram e enquanto por cá os deixaram andar , tudo fizeram para que hoje todos vivêssemos num mundo mais alegre , justo e solidário , numa sintonia perfeita entre todos os elementos que constituem este mundo , que é o nosso habitat natural .
Evidentemente que eu não acredito nesse Deus todo poderoso , que vai assistindo impávido e sereno , a este completo disparate , que tem sido a evolução (?) deste mundo . . .
O dia 25 de Dezembro , dia em que nasceu Jesus , será para mim , apenas e só uma referência que simboliza o nascimento de todos esses "meninos" que eu aprendi a admirar , e de todos os outros que não cheguei a conhecer , mas que também "andaram por cá" , enquanto lhes foi permitido . . .