sexta-feira, 24 de julho de 2015
A Ordem Criminosa do Mundo
Excelente documentário exibido pela TVE espanhola, que aborda a visão de dois grandes humanistas contemporâneos sobre o mundo actual: Eduardo Galeano e Jean Ziegler.
Pode se dizer que há algo de profético em seus depoimentos, pois o documentário foi feito antes da crise que assolou os países periféricos da Europa, como a Espanha.
A Ordem Criminal do Mundo, o cinismo assassino que a cada dia enriquece uma pequena oligarquia mundial em detrimento da miséria de cada vez mais pessoas pelo mundo.
O poder se concentrando cada vez mais nas mãos de poucos, os direitos das pessoas cada vez mais restritos.
As corporações controlando os governos de quase todo o planeta, dispondo também de instituições como FMI, OMC e Banco Mundial para defender seus interesses.
Hoje 500 empresas detém mais de 50% do PIB Mundial, muitas delas pertencentes a um mesmo grupo.
Quem matou o carro eléctrico?
Em 1996, pensando em reduzir o efeito dos gases estufa, o Estado da Califórnia exigiu que as montadoras fabricassem uma pequena percentagem de carros que não emitissem poluentes, isso quer dizer, carro eléctrico.
As montadoras, então, se focaram em duas linhas de frente: 1-fazer o carro para cumprir a lei, 2-derrubar a exigência legal através de lobistas.
Conseguiram fabricar o carro, a exemplo dos EV1 da GM, que eram muito mais eficientes, duráveis, ágeis, silenciosos e sustentáveis que o velho carro de motor a combustão. Foi uma grande evolução para o meio-ambiente.
Mas conseguiram também derrubar a lei e, então, obrigaram os usuários (inclusive Tom Hanks e Mel Gibson) a devolver seus veículos eléctricos que estavam em leasing e... os destruíram!
Você tem ideia da razão de interesses estariam por trás de destruir os melhores carros até então construídos? O filme mostra esclarece, derrubando todos os mitos gerados pro interesses corporativos.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Celeiro Sustentável: Moringa, a árvore mágica que pode acabar com a fom...
Celeiro Sustentável: Moringa, a árvore mágica que pode acabar com a fom...: Mulher Karo retira folhas verdes dos talos da moringa para preparar refeição (Foto: © Haroldo Castro/Época) http://e...
domingo, 19 de julho de 2015
JORNALISMO, ÉTICA E NEUTRALIDADE
Carlos Braga
Diz o jornalista Bernardo Ferrão que muitos vêem, em Sampaio da Nóvoa (e neles certamente se inclui e revê) um homem carregado de "abrilismos vazios". Era bom que nos explicasse o que é que isto significa. E, já agora - acreditemos na dialéctica - que nos dissesse também o que significa, para si, a expressão "abrilismos cheios". Esta lengalenga dos "abrilismos", dos "abrilinos" e dos que em vez de dizerem 25 de Abril preferem dizer vinte e cinco barra quatro (25/4) é uma linguagem velha e revelha, típica da retórica da direita política, nomeadamente da sua ala mais conservadora.
Diz o jornalista Henrique Monteiro que odeia os que sublinham que o ministro das finanças alemão "anda numa cadeira de rodas", porque "nunca o fariam se ele fosse de esquerda". É pena que não nos diga como se comportaria a direita caso Schauble fosse de esquerda. E como não o diz, perpassa a ideia que conceitos como o de humanidade, ou o de tolerância, são atributos da direita. Assim se inverte a conhecida argumentação estalinista da pretensa "superioridade moral" da esquerda.
De Varoufakis (outro perigoso esquerdista...) diz ser alguém "cujo ego monumental lhe tolhe a lucidez". Olha quem fala! Quem assim perora é alguém que, há uns tempos, a pretexto de apoucar José Sócrates, resolveu encetar uma atrevida incursão na moral kantiana. Não hesitou mesmo em destapar alguns dos seus habituais frasquinhos de sabença, donde retirou algumas tiradas sobre Kant (do tipo "imperativo categórico" e outras que tais, assim como quem quer vincar bem a diferença entre quem sabe e quem julga que sabe).
Estes dois exemplos mostram bem como, a coberto duma enganadora neutralidade e objectividade jornalísticas, se proferem raciocínios vincadamente ideológicos. Mesmo quando se trata de raciocínios com a profundidade de uma tábua rasa.
Falamos de um tipo de jornalismo que utiliza de forma acrítica o discurso dos políticos e que por isso não passa de uma caixa de ressonância desses mesmos discursos. António Guerreiro retratou acertadamente essa forma de fazer jornalismo, nestas avisadas palavras: "jornalistas e políticos (...) pertencem à mesma classe, funcionam segundo a mesma lógica e falam a mesma linguagem".
São jornalistas. Umas vezes deselegantes e outras intolerantes. Intolerantes que lêem Kant, bem entendido.
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Sabes o que acontece se aplicares Vic VapoRub na planta dos pés? Um resultado milagroso!
Quase ninguém sabe disto, mas ficas agora a saber que a planta dos pés tem a capacidade de absorver vários géneros de óleos, levando-os para o interior do nosso corpo.
E como não te vais acreditar, então faz este teste rápido, coloca um alho pressionado pelo pé contra o chão, e aguenta assim algum tempo… Passados 20 minutos vai sentir o sabor a alho na boca (faça o teste e comprove).

Alguns de nós temos usado o Vick Vaporub durante muitos anos como remédio para muitas coisas, mas nunca se tinha ouvido falar nisto. O que é certo, é que funciona a 100% de todas as vezes que se faz, apesar de os cientistas nao conseguirem encontrar explicação para que isso aconteça.

Para deter a tosse noturna tanto de uma criança como de um adulto, espalhe Vick Vaporub generosamente sobre a planta dos pés, e cubra logo com meias! Mesmo a tosse mais persistente, forte e profunda, irá parar no máximo em 5 minutos, e vai lhe dar muitas horas de alívio!
Funciona a 100% de todas as vezes que se faz, e funciona melhor nas crianças, tendo um efeito mais rápido e longo.

Além disso, é extremamente calmante e reconfortante, enquanto se dorme profundamente.
É surpreendente ver que é mais eficaz que os medicamentos prescritos para as crianças para essa causa.
Se você tem filhos, netos, ou amigos, partilhe esta mensagem. E se estiver com tosse ou conhecer alguém que esteja, experimente este método e comprove como é uma verdade surpreendente. Irá ficar maravilhado quando ver que funciona e se sentir mais aliviado!
Revelar origem da dívida grega provocaria revolução financeira mundial, diz auditora
Membro da comissão que auditou parte da dívida pública grega, Maria Lúcia Fattorelli questiona: é 'rídiculo' culpar Atenas pela crise europeia
15/07/2015
Por Vanessa Martina Silva,
Do Opera Mundi

Foto: Reprodução
A pressão realizada pelos credores europeus para que a Grécia aceitasse o acordo para um resgate financeiro foi, na verdade, uma tentativa de impedir que se conheçam as origens “ilegais e ilegítimas” da dívida, uma vez que isso provocaria “uma revolução no sistema financeiro mundial”. É o que defende Maria Lucia Fattorelli, auditora aposentada da Receita Federal, que fez parte, no início do ano, das primeiras atividades da comissão internacional que realizou a auditoria da dívida grega, a convite da presidente do Parlamento grego, Zoe Konstantopoulou.
As conclusões iniciais a que o levantamento, do qual Fattorelli fez parte nas primeiras sete semanas de investigação, revelam que “os mecanismos inseridos nesses acordos [de resgate do país] eram para beneficiar os bancos e não a Grécia. (…) A questão é: por que eles [troika] têm que jogar tão pesado?”. Ela responde: “Porque a Grécia pode revelar o que está por trás. A tragédia da Grécia esconde o segredo dos bancos privados. Ela poderia colocar a nu as estratégias utilizadas para salvar bancos e colocar em risco toda a zona do euro, toda a Europa”, aponta a também fundadora do movimento “Auditoria Cidadã da Dívida” no Brasil.
Fattorelli explica que no mesmo dia em que foi criado, em 2010, o plano de suporte à Grécia, a Comissão Europeia criou uma empresa privada em Luxemburgo e os países europeus se tornaram sócios da mesma, colocando garantias na ordem de 440 bilhões de euros, e que um ano depois chegaram à soma de 800 bilhões. A empresa, explica Fattorelli, serviu para “fazer o repasse de papéis podres dos bancos para os países, utilizando o sistema da dívida”. Paralelamente, também no mesmo dia, o Banco Central Europeu anuncia um programa de compra de papéis no mercado para ajudar bancos privados: “Isso é um escândalo. É ilegal, mas é colocado como se isso tivesse sido feito para salvar a Grécia”, aponta a economista.
“Eles poderiam vir a público denunciando o que já foi descoberto, as irregularidades que já foram apuradas. Todos nós gostaríamos que a Grécia reagisse agora diante dessa camisa de força do euro, desse poder dado ao Banco Central Europeu, das instituições acima dos países e toda essa situação financeira de dependência”, comenta a auditora, fazendo referência ao fato de que o sistema do euro impede que os países-membros exerçam uma política monetária independente.
Questionada sobre a possibilidade de os termos do acordo com a Grécia serem uma “punição política” ao premiê grego e também um recado aos demais países em dificuldades na Europa - como Portugal, Irlanda, Itália e Espanha -, Fattorelli observa que essa é a estratégia que vem sendo adotada desde 2010. "A Grécia foi colocada sob os holofotes da grande mídia no mundo inteiro como se fosse a responsável pela crise Europeia. Isso é ridículo, porque quando você olha o tamanho da economia grega, em comparação com a europeia, o PIB da Grécia é em torno de 3% do europeu. Então, como 3% pode abalar 97%? Isso é uma criação e é absurdo que ninguém questione isso”, afirma.
Maria Lucia Fattorelli | Foto: Nilson Bastian/Câmara dos Deputados
Reestruturação da dívida
Apontada por Tsipras como uma vitória nas negociações com os credores, a reestruturação da dívida é, na opinião da auditora, contra indicada caso não tenha sido concluída a auditoria da dívida.
Fattorelli explica que se for feita neste momento, o país “vai reestruturar grande parte de uma dívida que deveria ser anulada. Antes de reestruturar, deveria ser concluída a auditoria para que se analise o que realmente deve ser reestruturado. Agora, como está, vão empacotar tudo junto: a parte ilegal e a ilegítima”, esclarece.
Entre a dívida ilegal, ela aponta os quase 50 bilhões de euros usados para salvar os bancos nos últimos anos. “Isso não é dívida pública, isso é outra coisa. Deveria ser considerado um empréstimo aos bancos privados, não uma dívida pública do país”, destaca.
Perda da soberania
Após a assinatura do acordo por Tsipras, analistas e mesmo setores da esquerda grega avaliaram que a adoção das medidas caracteriza uma perda da soberania do país. Fattorelli discorda. Para ela, Atenas perdeu a soberania já em maio de 2010, quando foi assinado o primeiro pacote de resgate e a troika [conjunto de credores gregos formado por FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia] "passou a mandar lá".
"Inclusive, a lei vigente sobre esses acordos é a lei inglesa, não é a grega. Além disso, se a Grécia tiver que ir a algum tribunal, ficará submetida ou ao tribunal de Luxemburgo ou ao de Londres”, acrescenta Fattorelli, que considera essa situação jurídica "um abuso".
Ela avalia, no entanto, que a oportunidade que os gregos tinham agora de retomar as rédeas sobre os rumos do país foi perdida. “O país está à venda desde que foram criados o fundo de estabilização para salvar os bancos e o fundo de privatização. Ambos determinados pelo FMI em 2010”.
‘Sistema é inviável’
A crise grega abre a possibilidade de que se discuta a fundo a questão do sistema da dívida, defende Fattorelli. No país helênico, os "bancos privados criaram derivativos em cima de derivativos. Papéis podres que estavam inundando seus balanços. Ou seja, eles estavam quebrados, mas foram considerados grandes demais para quebrar e continuaram com seus patrimônios intocáveis”. Contudo, quem está assumindo esse ônus são os países, “e é um ônus que não tem fim”, aponta.
“O último dado conhecido do volume de derivativos tóxicos divulgado pelo BIS (Banco Central dos Bancos Centrais), em 2011, informava que o montante chegava a 11 PIBs mundiais. Então eu questiono: esse salvamento vai resolver alguma coisa? Não! Será somente o adiamento até uma nova crise. E aí o que vai ser feito depois?”, indaga.
Na verdade, esse sistema “além de não ter lógica está comprometendo o emprego real, está comprometendo a indústria, o comércio. Ou seja, toda a economia real está comprometida, assim como a vida das pessoas”. Ela ressalta, no entanto, que isso não ocorre só na Grécia: “olha no Brasil, o que está acontecendo [com o ajuste fiscal levado a cabo pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy]. É o mesmo esquema, o mesmo sistema da dívida atuando”.
Argentina e Equador
Para um melhor entendimento da crise grega, Fattorelli a comparou à que foi vivenciada pela Argentina em 2000: “depois de cumprir todas as privatizações que o FMI queria, o fundo deu as costas ao país e deixou espaço aberto para os bancos privados oferecerem o acordo. Eles colocaram juros equivalentes ao crescimento do PIB e como consequência, hoje a dívida argentina já é um problema novamente e não significou nenhum benefício aquilo [o receituário do FMI]. Além disso, o país também não fez a auditoria”.
Em 2008, o presidente equatoriano, Rafael Correa, anunciou que não pagaria parte da dívida externa do país, após a realização de uma auditoria, da qual Fattorelli participou. A diferença do pequeno país sul-americano para a Grécia, Argentina ou mesmo o Brasil é explicada pela economista: “Correa conseguiu enfrentar o sistema porque, como o Syriza, chegou ao poder sem financiamento privado, não chegou lá atrelado aos interesses dos financiadores. Se olharmos no site do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] do Brasil, quem financiou as campanha presidenciais e legislativas foram os bancos privados e as grandes corporações”, aponta.
Ela conta também que o processo completo no Equador durou um ano e quatro meses. Além disso, o relatório foi submetido a um crivo jurídico nacional e internacional para garantir sua legitimidade.
Outro ponto é que o Equador, que diminuiu em 70% o valor devido aos credores, tinha, segundo Fattorelli, dinheiro para recomprar a dívida: "Fez a proposta e honrou".
“O problema da Argentina [de 2000] é que não fez auditoria, chegou ao fundo do poço e quebrou. Já a Grécia, quando o Syriza chegou ao poder, já estava quebrada e dentro da camisa de força da estrutura da zona do euro, em que não tem moeda própria. Nesse aspecto, a situação grega é até pior do que a Argentina, que tinha moeda própria”, acrescenta.
Solução possível
Apesar das conclusões de Fattorelli, ela não considera que o acordo feito por Tsipras era o único possível: “Eles poderiam criar uma moeda paralela temporária — solução apontada por economistas famosos, inclusive — até resolver a situação. Se adotassem isso, fariam um bem a toda a humanidade. Mas prosseguir com este modelo suicida não tem futuro”.
segunda-feira, 13 de julho de 2015
O homem e a mulher
-O homem é a mais elevada das criaturas ; a mulher é o mais sublime dos ideais .
-O homem é a águia que voa ; a mulher o rouxinol que canta . Voar é dominar o espaço , cantar é conquistar a alma .
-O homem é o cérebro ; a mulher o coração . O cérebro produz luz , o coração faz amor . A luz fecunda , o amor ressuscita .
-O homem é génio ; a mulher é anjo . O génio é incomensurável , o anjo é indefinível . Contempla-se o infinito , admira-se o inefável .
-A aspiração do homem é a suprema glória ; a aspiração da mulher é a virtude extrema . A glória constrói o grande , a virtude o divino .
-O homem tem a supremacia ; a mulher a preferência . A supremacia significa a força , a preferência representa o direito .
-O homem é forte pela razão ; a mulher é invencível pelas lágrimas . A razão convence , as lágrimas comovem .
-O homem é capaz de todos os heroísmos ; a mulher de todos os martírios . O heroísmo enobrece , o martírio sublima .
-O homem tem um farol : a consciência ; a mulher uma estrela : a esperança . O farol guia , a esperança salva .
Enfim , o homem está colocado onde termina a terra ; a mulher , onde começa o céu !
-O homem é a águia que voa ; a mulher o rouxinol que canta . Voar é dominar o espaço , cantar é conquistar a alma .
-O homem é o cérebro ; a mulher o coração . O cérebro produz luz , o coração faz amor . A luz fecunda , o amor ressuscita .
-O homem é génio ; a mulher é anjo . O génio é incomensurável , o anjo é indefinível . Contempla-se o infinito , admira-se o inefável .
-A aspiração do homem é a suprema glória ; a aspiração da mulher é a virtude extrema . A glória constrói o grande , a virtude o divino .
-O homem tem a supremacia ; a mulher a preferência . A supremacia significa a força , a preferência representa o direito .
-O homem é forte pela razão ; a mulher é invencível pelas lágrimas . A razão convence , as lágrimas comovem .
-O homem é capaz de todos os heroísmos ; a mulher de todos os martírios . O heroísmo enobrece , o martírio sublima .
-O homem tem um farol : a consciência ; a mulher uma estrela : a esperança . O farol guia , a esperança salva .
Enfim , o homem está colocado onde termina a terra ; a mulher , onde começa o céu !
domingo, 12 de julho de 2015
"Na Grécia a dignidade venceu a cobiça"

Anabela de Araújo
Não resisti...
Na Grécia a dignidade venceu a cobiça
08/07/2015
"Há momentos na vida de um povo em que ele deve dizer Não, para além das possíveis consequências. Trata-se da dignidade, da soberania popular, da democracia real e do tipo de vida que se quer para toda a população.
Há cinco anos que a Grécia se debate numa terrível crise econômico-financeira, sujeita a todo tipo de exploração, chantagem e até terrorismo por parte do sistema financeiro, especialmente de origem alemã e francesa. Ocorria uma verdadeira intervenção na soberania nacional com a pura e simples imposição das medidas de extrema austeridade excogitadas, sem consultar ninguém, pela Troika (Banco Central Europeu, Comissão Européia e o FMI).
Tais medidas implicaram uma tragédia social, face à qual o sistema financeiro não mostrava nenhum sentido de humanidade. “Salve-se o dinheiro e que sofra ou morra o povo”. Efetivamente desde que começou a crise ocorreram mais de dez mil suicídios de pequenos negociantes insolventes, centenas de crianças deixadas nas portas dos mosteiros com um bilhete das mães desesperadas:”não deixem minha criancinha morrer de fome”. Um sobre quatro adultos estão desempregados, mais da metade dos jovens sem ocupação remunerada e o PIB caiu 27%. Não passa pela cabeça dos especuladores que atrás das estatísticas se esconde uma via-sacra de sofrimento de milhões de pessoas e a humilhação de todo um povo. Seu lema é “a cobiça é boa”. Nada mais conta.
Os negociadores do novo governo grego de esquerda, do Syriza, com o primeiro ministro Alexis Tsipras e seu ministro da fazenda um acadêmico e famoso economista da teoria dos jogos Yanis Varoufakis que quiseram negociar as medidas de austeridade duríssimas encontraram ouvidos moucos. A atitude era de total submissão:”ou tomar ou deixar”. O mais duro era o ministro das Finanças alemão Wolfgang Sträuble:”não há nada para negociar; apliquem-se as medidas”. Nem pensar numa estratégia do ganha-ganha, mas pura e simplesmente do ganha-perde. A disposição era de humilhar o governo de esquerda socialista, dar uma lição para todos os demais países com crises semelhantes (Italia, Espanha, Portugal e Irlanda).
A única saída honrosa de Tsipras foi convocar um referendo: consultar o povo sobre se diria um Não (OXI) ou um Sim (NAI). Qual a posição face à inflexibilidade férrea da austeridade que aparece totalmente irracional por levar uma nação ao colapso, exigindo uma cobrança da dúvida reconhecidamente impagável. O própro Governo propôs a consulta e sugeriu o Não. Os credores e os governos da França e da Alemanha fizeram ameaças, praticaram um verdadeiro terroismo nas palavras do ministro Varoufakis e falsificaram as informações como se o referundo fosse para ficar na zona do Euro ou sair, quando na verdade não se tratava nada disso. Apenas era de aceitar ou rejeitar o “diktat” das instituições financeiras européias. A Grécia quer ficar dentro da zona do Euroa.
A vitória de domingo dia 5 de julho foi espetacular para o Não: 61% contra 38% do Sim. Primeira lição: os poderosos não podem fazer o que bem entendem e os fracos não estão mais dispostos a aceitar as humilhações. Segunda lição: a derrota do Sim mostrou claramente o coração empedernido do capital bancário europeu. Terceiro, trouxe à luz a traição da Unidade Européia a seus próprios ideais que era a integração com solidariedade, com igualdade e com assistência social. Renderam-se à lógica perversa do capital financeiro.
A vitória do Não representa uma lição para toda a Europa: se ela quer continuar a ser súcuba das políticas imperiais norteamericanas ou se quer construir uma verdadeira unidade européia sobre os valores da democracia e dos direitos. O insuspeito semanário liberal Der Spiegel advertia que através da Sra. Merkel, arrogante e inflexível, a Alemanha poderia, já pela terceira vez, provocar uma tragédia européia. Os burocratas de Bruxelas perderam o sentido da história e qualquer referência ética e humanitária. Por vingança o Banco Central Europeu deixou de subministrar dinheiro para os bancos gregos continuarem a funcionar e os obrigou a fechar.
Uma lição para todos, também para nós: quando se trata de uma crise radical que implica os rumos futuros do país, deve-se voltar ao povo, portador da soberania política e confiar nele. A partir de agora os credores e as inflexíveis autoridades do zona do Euro terão pela frente não um governo que eles podem aterroizar e manpular, mas um povo unido que tem consciência de sua dignidade e que não se rede à avidez dos capitais. Como dizia um cartaz:”Se não morremos de amor, por que vamos morrer de fome”?
Na Grécia nasceu, pela primeira vez, a democracia mas de cunho elitista. Agora, nesta mesma Grécia, está nascendo uma democracia popular e direta. Ela será um complemento à democracia delegatícia. Isso vale também para nós no Brasil.
Um prognóstico, quiçá uma profecia: não estaria nascendo, a partir da Grécia, a era dos povos? Face às crises globais serão eles que irão às ruas, como entre nós e na Espanha e tentarão formular os parâmetros políticos e éticos do tipo de mundo que queremos para todos. Já não confiamos no que vem de cima. Seguramente o eixo estruturador não será a economia capitalista desmoronando, mas a vida: das pessoas, da natureza e da Terra. Isso realizaria o sonho do Papa Francisco em sua encíclica: a humanidade “cuidando da Casa Comum”.
Leonardo Boff
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Ladrões de Bicicletas: O novo caminho para a servidão
Ladrões de Bicicletas: O novo caminho para a servidão: Ao contrário do que os media dão a entender, o futuro da zona euro e da UE não se decide neste fim-de-semana. Já foi decidido no passado ...
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Viver Sustentável: Causa primária e prevenção do câncer , por Otto H....
Viver Sustentável: Causa primária e prevenção do câncer , por Otto H....: Foi este homem: Otto Heinrich Warburg (1883-1970). Prêmio Nobel 1931 para a sua tese "a causa primária e prevenção do câncer&quo...
Ladrões de Bicicletas: Memória (IX)
Ladrões de Bicicletas: Memória (IX): Pedro Delgado Alves (ontem, no Debate do Estado da Nação) « 1. O sujeito - Pedro Passos Coelho - que aumentou o IVA da restauração e ...
quarta-feira, 24 de junho de 2015
domingo, 14 de junho de 2015
sábado, 13 de junho de 2015
ÉVORA ESPERA POR ELES . . .
Se calhar alguns dos 700 e tal portugueses lá com conta na Suiça, é com dinheiro deste…
Mas os burros gostam…
Não sendo novidade para muita gente, é sempre bom lembrar...
Lá diz o povo, a verdade é como o azeite. Acaba sempre por vir à tona.
1- A partir de 2008 torna-se evidente que a operação Face Oculta foi redirecionada pela investigação e pelos média para passar a visar principalmente Sócrates. Era preciso derrubar Sócrates e mudar de governo, porque havia gigantescos interesses em jogo e, em particular, o caso BPN prometia dar cabo do PSD.
2. Das fraudes do BPN ignora-se ainda hoje a maior parte. Trata-se de uma torrente de lama inesgotável, que todos os nossos média evitam tocar.
3. O agora falado caso IPO/Duarte Lima, de que Isaltino também foi uma peça fulcral, nem foi sequer abordado durante o Inquérito Parlamentar sobre o BPN, inquérito a que o PSD se opôs então com unhas e dentes, como é sabido. A tática então escolhida pelo polvo laranja foi desencadear um inquérito parlamentar paralelo, para averiguar se Sócrates estava ou não a «asfixiar» a comunicação social! Mais uma vez, uma produção de ruído para abafar o caso BPN e desviar as atenções.
4. Mas é interessante examinar como é que o negócio IPO/Lima foi por água abaixo.
5. Enquanto Lima filho, Raposo e Cia. criavam um fundo com dezenas de milhões, amigavelmente cedidos pelo BPN de Oliveira e Costa, Isaltino pressionava o governo para deslocar o IPO para uns terrenos de Barcarena, concelho de Oeiras. Isaltino comprometia-se a comprar os terrenos (aos Limas e Raposo, como sabemos hoje) com dinheiro da autarquia e a «cedê-los generosamente» ao Estado para lá construir o IPO. Fazia muito jeito que fosse o município de Oeiras a comprar os terrenos e não o ministério da Saúde, porque assim o preço podia ser ajustado entre os amigos vendedores compradores, quiçá com umas comissões a transferir para a Suíça.
6. Duarte Lima tinha sido vogal da comissão de ética(!) do IPO entre 2002 e 2005, estava bem dentro de todos os assuntos e tinha ótimas relações para propiciar o negócio. Além disso, construiu a imagem de homem que venceu o cancro, história lacrimosa com que apagava misérias anteriores. O filho e o companheiro do PSD Vítor Raposo eram os escolhidos para dar o nome, pois ao Lima pai não convinha que o seu nome figurasse como interessado no negócio.
7. Em Junho de 2007 Isaltino dizia ainda que as negociações para a compra dos terrenos em causa estavam "em fase de conclusão" (só não disse nunca foi a quem os ia comprar, claro). E pressionava o ministro da Saúde: "Se se der uma mudança de opinião do governo, o cancelamento do projeto não será da responsabilidade do município de Oeiras."
8. Como assim, "mudança de opinião do governo"?
9. Na verdade, Correia de Campos apenas dissera à Lusa que o governo encarava a transferência do IPO para fora da Praça de Espanha e que estava a procurar um terreno, em Lisboa ou fora da cidade, para esse efeito. Nenhuma decisão tinha sido tomada, nem nunca o seria antes das eleições para a Câmara de Lisboa, que iam realizar-se pouco depois, em Julho de 2007.
10. No decorrer do ano de 2007, porém, a Câmara de Lisboa, cuja presidência foi conquistada por António Costa, anunciou que ia disponibilizar um terreno municipal para a construção do novo IPO no Parque da Bela Vista Sul, em Chelas, Lisboa. Foi assim que se lixou o projeto Lima-Isaltino: o ministro Correia de Campos não cedeu às pressões de Isaltino e a nova Câmara de Lisboa pretendia que o IPO se mantivesse em Lisboa. Com Santana à frente da autarquia e um ministro da Saúde do PSD teria tudo sido muito diferente. E os Limas e Raposos não teriam hoje as chatices que se sabe. E Duarte Lima até talvez já tivesse uma estátua no Parque dos Poetas do amigo Isaltino.
11. Sabemos como, alguns meses depois deste desfecho, o ministro Correia de Campos foi atacado por Cavaco no discurso presidencial de Ano Novo, em 1 de janeiro de 2008. Desgostado com as críticas malignas do vingativo Presidente, Correia de Campos pediu a sua demissão ainda nesse mês. Não sabemos o que terá levado Cavaco a visar dessa maneira um ministro do governo Sócrates, por sinal um dos mais competentes? Que Cavaco queria a pele de Correia de Campos, foi bem visível. Ele foi a causa do fracasso do projeto do IPO/Oeiras e dos prejuízos causados ao clan do seu amigo Duarte Lima e ao polvo laranja (ª). É bem possível que essa tenha sido a razão.
(ª) - É bom que se entenda que o polvo laranja tem como pai o Senhor Silva, hoje PR, que nunca falou sobre o BPN...
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Por que nós somos anarquistas?
Nós somos anarquistas, porque há vários séculos, temos sido vítimas de todos os tipos de governos, que ao longo dessa tirania, foi aparecendo mais um ladrão, mais um fanático, mais um assassino mais um déspota. Nós somos anarquistas porque nós achamos que não existem razões para ser explorado e para que tenhamos de trabalhar para que um grupo de sem vergonhas se tornem milionários. Nós somos anarquistas, porque não aceitamos nas leis que são inventadas para assassinar e sufocar o nosso grito de protesto. Nós somos anarquistas porque não acreditamos nas suas guerras, em suas pátrias, ou em seus deuses. Nós somos anarquistas porque detestamos sua polícia, os seus generais, reis e presidentes. Nós somos anarquistas, porque, ao contrário deles, sofremos com as desgraças humanas. Nós somos anarquistas, porque queremos vida livre, saudável, de respeito mútuo e igualdade para os nossos filhos e filhas. Nós somos anarquistas porque não agüentamos ver as lágrimas de tantas pessoas boas, humildes, que têm sido enganadas geração após geração. Nós somos anarquistas, porque estamos envergonhados desse sistema, em que vemos, não só morte, mas: fome, prisões, repressão, desigualdade, e alienação além de milhões de mentiras. Nós somos anarquistas porque conhecemos o seu poder, a sua força, seu terrorismo, a calúnia, vocês nos assassinam nos encarceram, nos difamam.
Chamamos de terroristas, algumas pessoas que dominam outras pessoas com bombas, tanques, armas, prisões,torturas e execuções, hospitais psiquiátricos e a mentira do inferno. Dizem que Anarquia é o caos, mas na sua sociedade capitalista é que vemos criminalidade, prostituição, desigualdade, destruição, ao mesmo tempo: excesso de comida e milhões de seres humanos morrendo de fome, bombardeios de povoados, cidades, países inteiros, arrasam tudo com sua ganância causando pânico geral.
Sua ambição, seu egoísmo, sua burrice, Sua cegueira e loucura pelo poder está destruindo a você mesmo, os seu filhos e seus netos não vão querer lembrar de você, seu sistema está em caos porque é sustentado por mentiras, terror, artigos, Códigos, leis, recompensas e punições. É por isso que somos anarquistas,somos anarquistas para mudar esta sociedade positivamente, para que você se cure dessa loucura perigosa, Nós somos anarquistas, porque é necessário que haja alguém para gritar suas atrocidades, porque não temos medo, como muitos não tiveram. Nós somos anarquistas nas ruas, na prisão, na cadeira elétrica, no julgamento e nos cemitérios.
Porque ser um anarquista é ser muitas coisas que você nem compreende nem tem capacidade de entender, e assim, nos assassinam desde séculos atrás, nos põem a culpa e nos aprisionam, alienam soldados e policias para que vos defendam, usam de todas as artimanhas para nos derrubar, mas, chegam a conclusão de que, para cada anarquista que vocês assassinam, nasce outro.
Não iremos lhes perdoar, não jogaremos o seu jogo, somos aqueles que não crêem em suas promessas, dói em vocês quando defendemos a liberdade e a igualdade, acreditamos na arte, no progresso, na educação, não precisamos nem de deuses, nem mestres, acreditamos nos seres humanos, na Natureza, nos direitos e deveres de cada um, queremos uma sociedade de paz, amor e respeito mútuo, uma sociedade que não parece ser nada igual a sua, queremos uma sociedade anarquista.
Definição de anarquia – Errico Malatesta
Anarquia é uma palavra grega que significa literalmente “sem governo”, isto é, o estado de um povo sem uma autoridade constituída.
Antes que tal organização começasse a ser cogitada e desejada por toda uma classe de pensadores, ou se tornasse a meta de um movimento, que hoje é um dos fatores mais importantes do atual conflito social, a palavra “anarquia” foi usada universalmente para designar desordem e confusão. Ainda hoje, é adotada nesse sentido pelos ignorantes e pelos adversários interessados em distorcer a verdade.
Não vamos entrar em discussões filológicas, porque a questão é histórica e não filológica. A interpretação usual da palavra não exprime o verdadeiro significado etimológico, mas deriva dele. Tal interpretação se deve ao preconceito de que o governo é uma necessidade na organização da vida social.
O homem, como todos os seres vivos, se adapta às condições em que vive e transmite , através de herança cultural, seus hábitos adquiridos. Portanto, por nascer e viver na escravidão, por ser descendente de escravos, quando começou a pensar, o homem acreditava que a escravidão era uma condição essencial à vida. A liberdade parecia impossível. Assim também o trabalhador foi forçado, por séculos, a depender da boa vontade do patrão para trabalhar, isto é, para obter pão. Acostumou-se a ter sua própria vida à disposição daqueles que possuíssem a terra e o capital. Passou a acreditar que seu senhor era aquele que lhe dava pão, e perguntava ingenuamente como viveria se não tivesse um patrão.
Da mesma forma, um homem cujos membros foram atados desde o nascimento, mas que mesmo assim aprendeu a mancar, atribui a essas ataduras sua habilidade para se mover. Na verdade, elas diminuem e paralisam a energia muscular de seus membros.
Se acrescentarmos ao efeito natural do hábito a educação dada pelo seu patrão, pelo padre, pelo professor, que ensinam que o patrão e o governo são necessários; se acrescentarmos o juiz e o policial para pressionar aqueles que pensam de outra forma, e tentam difundir suas opiniões, entenderemos como o preconceito da utilidade e da necessidade do patrão e do governo são estabelecidos. Suponho que um médico apresente uma teoria completa, com mil ilustrações inventadas, para persuadir o homem com membros atados, que se libertar suas pernas não poderá caminhar, ou mesmo viver. O homem defenderia suas ataduras furiosamente e consideraria todos que tentassem tirá-las inimigo.
Portanto, se considerarmos que o governo é necessário e que sem o governo haveria desordem e confusão, é natural e lógico, que a anarquia, que significa ausência de governo, também signifique ausência de ordem.
Existem fatos paralelos na história da palavra. Em épocas e países onde se considerava o governo de um homem (monarquia) necessário, a palavra “república” (governo de muitos) era usada exatamente como “anarquia”, implicando desordem e confusão. Traços deste significado ainda são encontrados na linguagem popular de quase todos os países. Quando essa opinião mudar, e o público estiver convencido de que o governo é desnecessário e extremamente prejudicial, a palavra “anarquia”, justamente por significar “sem governo” será o mesmo que dizer “ordem natural, harmonia de necessidades e interesses de todos, liberdade total com solidariedade total”.
Portanto, estão errados aqueles que dizem que os anarquistas escolheram mal o nome, por ser esse mal compreendido pelas massas e levar a uma falsa interpretação. O erro vem disso e não da palavra. A dificuldade que os anarquistas encontram para difundir suas idéias não depende do nome que deram a si mesmos. Depende do fato de que suas concepções se chocam com os preconceitos que as pessoas têm sobre as funções do governo, ou o “Estado” com é chamado.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
" Quer dizer que nós portugueses, assim como espanhóis e os gregos, não deveríamos pagar a dívida?"
Resposta de Noam Chomsky, Filósofo e Activista político norte americano:
"Bem, uma grande parte da dívida é aquilo que na terminologia legal se
chama de "dívida odiosa", ou seja, uma dívida que não é da
responsabilidade das populações. Trata-se de um conceito da lei
internacional criado pelos EUA e que remonta há mais de um século.
Quando os EUA conquistaram Cuba, em 1898, não queriam pagar a enorme
dívida que Cuba tinha em relação a Espanha. Então os EUA determinaram
que a dívida não tinha sido contraída pelo povo cubano, mas pelos
ditadores, os colonizadores. Portanto, a dívida foi considerada
ilegítima e não teria de ser paga. Este é um conceito que tem sido
aplicado uma série de vezes. Se olharmos para as dívidas de países
como a Grécia, Portugal e Espanha, são contraídas por banqueiros,
governantes e elites. As populações não têm nada a ver com isso e
portanto não existe qualquer razão para pagarem".
(In E, revista do Expresso, de 16 de Maio de 2015)
"Bem, uma grande parte da dívida é aquilo que na terminologia legal se
chama de "dívida odiosa", ou seja, uma dívida que não é da
responsabilidade das populações. Trata-se de um conceito da lei
internacional criado pelos EUA e que remonta há mais de um século.
Quando os EUA conquistaram Cuba, em 1898, não queriam pagar a enorme
dívida que Cuba tinha em relação a Espanha. Então os EUA determinaram
que a dívida não tinha sido contraída pelo povo cubano, mas pelos
ditadores, os colonizadores. Portanto, a dívida foi considerada
ilegítima e não teria de ser paga. Este é um conceito que tem sido
aplicado uma série de vezes. Se olharmos para as dívidas de países
como a Grécia, Portugal e Espanha, são contraídas por banqueiros,
governantes e elites. As populações não têm nada a ver com isso e
portanto não existe qualquer razão para pagarem".
(In E, revista do Expresso, de 16 de Maio de 2015)
A origem da palavra “ejaculação”?
Não, não tem origem no latim, grego ou árabe, como muitas palavras portuguesas.
Aqui vai uma pérola da cultura oriental, mais propriamente chinesa.
... A origem da nobre palavra “ejaculação” é, de facto, chinesa e tem origem numa remota lenda chinesa que assim professa:
Um dia, ou melhor, uma noite, um casal chinoca entretinha-se no libidinoso prazer do sexo quando ela, já estafada do esforçado exercício coital, lhe pergunta:
- Amôle! Falta muito pala te viles?
Solícito, ele responde:
- É já, culação!
Naufragar é preciso?’ Texto de João Pereira Coutinho (escritor português) TEXTO PUBLICADO NA FOLHA DE SÃO PAULO DESTA TERÇA-FEIRA
Começa a ser penoso para mim ler a imprensa portuguesa. Não falo da qualidade dos textos. Falo da ortografia deles. Que português é esse?Quem tomou de assalto a língua portuguesa (de Portugal) e a transformou numa versão abastardada da língua portuguesa (do Brasil)?
A sensação que tenho é que estive em coma profundo durante meses, ou anos. E, quando acordei, habitava já um planeta novo, onde as regras
ortográficas que aprendi na escola foram destroçadas por vândalos extraterrestres que decidiram unilateralmente como devem escrever os
portugueses.
Eis o Acordo Ortográfico, plenamente em vigor. Não aderi a ele: nesta Folha, entendo que a ortografia deve obedecer aos critérios do Brasil.
Sou um convidado da casa e nenhum convidado começa a dar ordens aos seus anfitriões sobre o lugar das pratas e a moldura dos quadros.
Questão de educação.
Em Portugal é outra história. E não deixa de ser hilariante a quantidade de articulistas que, no final dos seus textos, fazem uma declaração de princípios: “Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia”.
A esquizofrenia é total, e os jornais são hoje mantas de retalhos. Há notícias, entrevistas ou reportagens escritas de acordo com as novas regras. As crônicas e os textos de opinião, na sua maioria, seguem as regras antigas. E depois existem zonas cinzentas, onde já ninguém sabe como escrever e mistura tudo: a nova ortografia com a velha e até, em certos casos, uma ortografia imaginária.
A intenção dos pais do Acordo Ortográfico era unificar a língua.
Resultado: é o desacordo total com todo mundo a disparar para todos os lados. Como foi isso possível?
Foi possível por uma mistura de arrogância e analfabetismo. O Acordo Ortográfico começa como um típico produto da mentalidade racionalista,
que sempre acreditou no poder de um decreto para alterar uma experiência histórica particular.
Acontece que a língua não se muda por decreto; ela é a decorrência de uma evolução cultural que confere aos seus falantes uma identidade própria e, mais importante, reconhecível para terceiros.
Respeito a grafia brasileira e a forma como o Brasil apagou as consoantes mudas de certas palavras (“ação”, “ótimo” etc.). E respeito porque gosto de as ler assim: quando encontro essas palavras, sinto o prazer cosmopolita de saber que a língua portuguesa navegou pelo Atlântico até chegar ao outro lado do mundo, onde vestiu bermuda e se apaixonou pela garota de Ipanema.
Não respeito quem me obriga a apagar essas consoantes porque acredita que a ortografia deve ser uma mera transcrição fonética. Isso não é apenas teoricamente discutível; é, sobretudo, uma aberração prática.
Tal como escrevi várias vezes, citando o poeta português Vasco Graça Moura, que tem estudado atentamente o problema, as consoantes mudas, para os portugueses, são uma pegada etimológica importante. Mas elas transportam também informação fonética, abrindo as vogais que as antecedem. O “c” de “acção” e o “p” de “óptimo” sinalizam uma correta pronúncia.
A unidade da língua não se faz por imposição de acordos ortográficos;
faz-se, como muito bem perceberam os hispânicos e os anglo-saxônicos, pela partilha da sua diversidade. E a melhor forma de partilhar uma língua passa pela sua literatura.
Não conheço nenhum brasileiro alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Fernando Pessoa na ortografia portuguesa. E também não conheço nenhum português alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Nelson Rodrigues na ortografia brasileira.
Infelizmente, conheço vários brasileiros e vários portugueses alfabetizados que sentem “desconforto” por não poderem comprar, em São Paulo ou em Lisboa, as edições correntes da literatura dos dois países a preços civilizados.
Aliás, se dúvidas houvesse sobre a falta de inteligência estratégica que persiste dos dois lados do Atlântico, onde não existe um mercado livreiro comum, bastaria citar o encerramento anunciado da livraria Camões, no Rio, que durante anos vendeu livros portugueses a leitores brasileiros.
De que servem acordos ortográficos delirantes e autoritários quando a língua naufraga sempre no meio do oceano?
terça-feira, 2 de junho de 2015
TEORIA DE MARC FABER
Curiosa teoria económica anunciada nos Estados Unidos. O tipo chama-se
Marc Faber. É analista e empresário. Em Junho de 2008, quando a
Administração Bush estudava o lançamento de um projecto de ajuda à
economia americana, Marc Faber escrevia na sua crónica mensal um
comentário com muito humor:
"O Governo Federal está a estudar conceder a cada um de nós a soma de
600,00 $. Se gastamos esse dinheiro no Walt-Mart, esse dinheiro vai
para a China.
Se gastamos o dinheiro em gasolina, vai para os árabes. Se compramos
um computador o dinheiro vai para a India. Se compramos frutas, irá
para o México, Honduras ou Guatemala. Se compramos um bom carro, o
dinheiro irá para a Alemanha ou Japão. Se compramos bagatelas, vai
para Taiwan, e nem um centavo desse dinheiro ajudará a la economia
americana. O único meio de manter esse dinheiro nos USA é gastando-o
com putas ou cerveja, considerando que são os únicos bens realmente
produzidos aqui. Eu já estou a fazer a minha parte..."
Resposta de um economista PORTUGUÊS igualmente de bom humor:
"Estimado Marc: Realmente a situação dos americanos é cada vez pior.
Lamento no entanto informá-lo que a cervejeira Budweiser foi
recentemente comprada pela brasileira AmBev. Portanto ficam somente as
putas. Agora, se elas (as putas), decidirem mandar o seu dinheiro para
os seus filhos, ele virá directamente para a Assembleia da República e
Governo de Portugal, aqui em Lisboa, onde existe a maior concentração
de filhos da puta do mundo".
quarta-feira, 20 de maio de 2015
NÃO TINHAM QUE ESTAR LÁ ! ! !
O Mundo e a Nação Benfiquista teriam merecido uma festa bonita , no passado domingo e assim teria acontecido , bastando para isso , que os "guardas-abéis" não tivessem imposto a sua tão dispensável quanto provocatória e asquerosa presença . . .
Era uma festa dos Benfiquistas e as "forças da Ordem" apenas seriam solicitadas , se a mesma fosse desrespeitada . . .
Os "guardas-abéis , únicos responsáveis pelo que se passou no Marquês , no passado domingo , deveriam ser responsabilizados e punidos severa e exemplarmente , por tudo !
Esses projectos de "Agentes da Segurança" , deveriam ter ficado no seu próprio canto , a cuidar e consolar a "sua gente" , essa sim , a precisar dos seus préstimos . . .
NÃO TINHAM QUE ESTAR NO MARQUÊS ! ! !
. . . mas esta é a humilde opinião de um louco , diametralmente oposta à dos srs drs inteligentes , pois , para esses . . . os objectivos foram absoluta e amplamente atingidos . . . superados até ! ! !
. . . CORJA .
Era uma festa dos Benfiquistas e as "forças da Ordem" apenas seriam solicitadas , se a mesma fosse desrespeitada . . .
Os "guardas-abéis , únicos responsáveis pelo que se passou no Marquês , no passado domingo , deveriam ser responsabilizados e punidos severa e exemplarmente , por tudo !
Esses projectos de "Agentes da Segurança" , deveriam ter ficado no seu próprio canto , a cuidar e consolar a "sua gente" , essa sim , a precisar dos seus préstimos . . .
NÃO TINHAM QUE ESTAR NO MARQUÊS ! ! !
. . . mas esta é a humilde opinião de um louco , diametralmente oposta à dos srs drs inteligentes , pois , para esses . . . os objectivos foram absoluta e amplamente atingidos . . . superados até ! ! !
. . . CORJA .
quarta-feira, 13 de maio de 2015
ESTA ERA A REFORMA DO DITADOR OLIVEIRA SALAZAR..

quinta-feira, 30 de abril de 2015
terça-feira, 28 de abril de 2015
Cinco postais para o governo (do sociólogo Boaventura Sousa Santos)
"É isso mesmo, e eu continuo a insistir na reposição do dinheiro em caso de corrupção e aí não seria só BPN.... e, já agora que reformas douradas há por aí (Banco de Portugal e quejandos) e que trabalham em cargos executivos altamente. Porque não rever este assunto? É demasiado melindroso? É verdade que a Presidente da Assembleia da República se encontra reformada de uma entidade pública e continua a prestar serviço numa entidade pública quando um médico e outros não o podem fazer? Estamos onde? Num país a várias velocidades?
Ainda acrescentava mais umas "coisitas" mordomias, fundações,...
FINALMENTE ALGUÉM QUE VEM AJUDAR PAULO PORTAS E DIZER O QUE SÃO AS PEQUENAS E MÉDIAS POUPANÇAS?
Os fazedores de opiniões (Expresso. etc) não falam destas alternativas? só daquelas que lhes convém?
A bem do esclarecimento (e da verdade a que todos temos direito !!!"
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Comunicado no âmbito das Comemorações Populares do 25 de Abril 2015
Comunicado/Declaração do Núcleo da Associação José Afonso Região de
Aveiro nas Comemorações Populares dos 41 Anos do 25 de Abril em Aveiro
A Associação José Afonso, Núcleo Região de Aveiro, fazendo jus ao
legado do cantor da liberdade, que foi perseguido e preso por lutar
contra a ditadura, contra a guerra, contra todo o tipo de
discriminações sociais, quis mais uma vez, participar na evocação do
dia da Liberdade, na revitalização do significado e do legado do 25 de
Abril de 1974, para cuja ocorrência muito contribuíram as canções do
Zeca, os poemas de tantos poetas, o sacrifício físico de muitos/as
portugueses/as anónimos/as e não anónimos/as.
Há 41 anos, os fascistas foram expulsos do Poder pelos militares
revolucionários e o movimento popular que, como uma onda gigante,
então eclodiu, de forma não planeada, espontânea, viva e verdadeira,
trouxe-nos a alegria de podermos sonhar uma vida nova e real, sem
fantasmas, com paz e liberdade. Muitos direitos sociais foram então
conquistados.O povo estava na rua, a Poesia estava na rua, porque os
portugueses sentiram nas suas próprias vontades, nas suas mãos, o
destino do nosso país.
(Era o dia inicial / inteiro e limpo … que inspirava Sophia de Mello Breyner)
Hoje assistimos à banalização histórica, traiçoeira e mentirosa, desse período.
Com intuito pejorativo, chamam-lhe o período do PREC, decerto
ignorando alguns, até, que o significado dessas letras é PERÍODO
REVOLUCIONÁRIO EM CURSO.
E foi um dos mais gloriosos e mais belos períodos da nossa história!
O que eles pretendem, de facto, é desvalorizar a revolução,
desvalorizar e desfazer as conquistas alcançadas, nomeadamente, logo
em primeiro lugar, a Constituição da República Portuguesa.
Assistimos à desvalorização do trabalho, ao desprezo pelas pessoas, à
miséria, às crianças com fome, às pessoas que não se tratam porque não
têm dinheiro para os medicamentos, ao desemprego e à emigração dos
jovens, aos trabalhadores que se deixam humilhar nas empresas porque
têm medo de perder o emprego, à vergonha de ser despejado pelos
Bancos. Que mundo é este, cheio de novos pequenos e grandes ditadores,
em que vivemos?
Resistir!Resistir sempre!Não se trata de resistir à mudança, como
acusam os Vampiros (os tais que comem tudo e não deixam nada),
trata-se de resistir ao que eles querem para nós, que é fazer de nós
meros serviçais, baratos, que se contentem com pouco.
Quando já não formos capazes de lhes ser úteis, eles terão outros para
nos substituir.
É por isso que criam exércitos de desempregados cuja função é somente
estarem à espera que eles os chamem a troco de uma côdea. Foi por isso
que foram alterando as leis laborais, cada vez para pior.
Mas foi também por isso que um extraordinário Inspector-geral do
Trabalho, quando foi alterada a Lei Geral do Trabalho, ainda no tempo
de José Sócrates, se demitiu dizendo:
Com esta lei já não sirvo para nada. Não estaria aqui a fazer nada. Os
patrões vão fazer o que quiserem, quando quiserem.
Esta foi uma reacção corajosa.O caminho é resistir à opressão, ao
roubo, à injustiça. Dizer Não! Dizer Não! Como dizia o poeta. Não!
Parem de roubar! Parem de mentir! Parem de matar a nossa paz! A nossa
felicidade! Os portugueses têm direito a viver confiantes! Têm direito
à saúde, à alimentação, à habitação!Têm direito ao trabalho, a não
serem discriminados! E bastaria que as desigualdades sociais se
atenuassem pela melhor distribuição da riqueza. Bastaria que houvesse
mais honestidade e menos ganância.
Não é por acaso que os pequenos ditadores caseiros tentam impedir que
o povo saia para a rua no 25 de Abril para gritar: Basta! É porque
estes são os servidores dos Senhores do Dinheiro, e têm medo que as
pessoas se juntem, têm medo da força colectiva daqueles/as que estão a
ser humilhados/as, desprezados/as, espoliados/as!
A Associação José Afonso - Núcleo Região de Aveiro, está aqui presente
para lembrar e enaltecer o exemplo de resistência moral e cívica de
tantos aveirenses imortais, não só José Afonso, mas outros, como
Joaquim José de Queiroz, Domingos Leite, José Estevão, Homem Cristo,
Mário Sacramento, etc. que deram exemplo de sacrifício, de ideais
humanos solidários e desprovidos de intuitos interesseiros. E para
dizer Não! À deriva que nos quer fazer voltar ao passado fascista.
Não! Aos Vampiros que nos comem tudo!
Viva o 25 de Abril!! Viva a Liberdade!!
O Núcleo da AJA Região de Aveiro
Aveiro, 25/04/2015
AJA Núcleo da região de Aveiro
Link para a página da AJA: http://www.aja.pt/
Link para ficha de inscrição e contacto AJA: http://www.aja.pt/?page_id=3253
Naia Sardo
Maria José Morgado A VERDADE SEM MEDOS
"A Verdade Sem Medos ... podem bloquear-me, denunciar-me, reportar-me como inimiga ou terrorista, ou raio que os parta a todos até me podem vir prender, mas uma coisa vos posso garantir, ninguém me vai calar, nem a mim nem a esta Grande Senhora.... a partir de hoje este vídeo vai ser a minha publicação diária, sem tréguas ....."
Morgana Vasconcelos
"O que chamamos democracia começa a assemelhar-se tristemente ao pano solene que cobre a URNA onde já está apodrecendo o cadáver.
Expresso da Meia-Noite 25-04-2014 em directo SIC-N
Tema: 25 de Abril, 40 Anos depois
Ricardo Costa com: - Maria José Morgado, Procuradora-geral Adjunta - Maria de Sousa, Cientista - Joana Amaral Dias, Psicóloga - Hélia Correia, Escritora.
Morgana Vasconcelos
"O que chamamos democracia começa a assemelhar-se tristemente ao pano solene que cobre a URNA onde já está apodrecendo o cadáver.
Expresso da Meia-Noite 25-04-2014 em directo SIC-N
Tema: 25 de Abril, 40 Anos depois
Ricardo Costa com: - Maria José Morgado, Procuradora-geral Adjunta - Maria de Sousa, Cientista - Joana Amaral Dias, Psicóloga - Hélia Correia, Escritora.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Fiambre Assado
Ingredientes :
1 mini-fiambre inteiro , de 1 kg
Sumo de 2 laranjas
Sumo de 1 limão
Cravos da índia
3 dl de vinho branco
4 colheres de sopa de mostarda
3 colheres de sopa de pickles de pimentos vermelhos picados
150 gr de fios de ovos
Tempo de preparação
1 hora
Com a ponta afiada de uma faca , faça uma quadrícula grossa a toda a volta de uma peça de fiambre . Em cada intersecção , espete fundo um cravinho da índia .
Numa terrina , coloque o fiambre , com o sumo das laranjas , do limão e o vinho branco . Deixe marinar de um dia para o outro , coberto com película plástica , no frigorífico .
Retire o fiambre da marinada e reserve-a .
Misture a mostarda com os pickles picados e unte o fiambre com este preparado .
Asse-o numa assadeira refractária , por cerca de 50 minutos , em forno pré-aquecido a 180 graus . Durante este processo , vire o fiambre por 2 ou 3 vezes e vá regando com um pouco da calda da marinada .
Disponha o fiambre numa travessa e coloque por cima , um pouco do molho com os pickles de pimento vermelho . À volta da travessa , disponha os fios de ovos .
Sirva com batata-palha e arroz branco .
É claro que , aqui e ali , cada um pode dar o seu cunho pessoal a este verdadeiro petisco !
Bom Apetite
sexta-feira, 3 de abril de 2015
segunda-feira, 30 de março de 2015
Gregos avançam com auditoria à divida, Portugueses continuam a pagar dividas alheias.
Posted: 28 Mar 2015 08:50 AM PDT

Há anos que se recolhem assinaturas, em Portugal para legitimar o avanço de uma auditoria à divida portuguesa. No entanto a tarefa é inglória, os anos passam e não se conseguem encontrar 30 mil portugueses interessados em saber quem e como esbanjaram o nosso dinheiro, e por isso não foi possível ainda recolher as 30 mil assinaturas necessárias, neste site. Os portugueses continuam desinteressados, alienados, desunidos e pouco activos.
A da Grécia "É a primeira comissão de auditoria da dívida a ser formada na Europa"
Nós portugueses somos um país muito preocupado e dedicado mas em encher o bolso ao Jorge Jesus e ao Pinto da Costa, mas muito desinteressado em travar quem nos esvazia os bolsos.
Basta um joguinho de futebol e rapidamente se reúnem milhares e milhares de portugueses dispostos a abrir a carteira e pagar dezenas de euros de bilhete para ver a bola e ajudar os pobres jogadores e treinadores de futebol a pagar os seus luxos. Mas para apoiar uma auditoria à divida, uma simples assinatura grátis, andam alguns voluntários, anos a fio para reunir 30 mil assinaturas? Tanta indignação e ódio contra os corruptos e os desfalques deles e quando alguém se propõe a pedir contas, através de uma entidade internacional, não conseguimos unirmos? Nem em algo que beneficiaria todos os cidadãos, menos os que roubaram o país?
Grécia cria comissão de auditoria da dívida coordenada por
Eric Toussaint.
Segundo esclareceu a presidente do parlamento grego, "o objectivo é determinar o eventual carácter odioso, ilegal ou ilegítimo das dívidas públicas contraídas pelo governo grego".
"É a primeira comissão de auditoria da dívida a ser formada na Europa", lembrou, por sua vez, a deputada do Syriza Sofia Sakorafa.
Em conferência de imprensa, Konstantopoulou afirmou que a Grécia deve auditar a dívida "para saber que parte desta dívida foi utilizada para o bem comum e, como tal, é legal e deve ser paga, e que parte foi mal gasta e, portanto, é ilegal".
A responsável, citada pela agência EFE, considerou ainda que a auditoria à dívida "é um dever para com as gerações futuras, porque vão ter de pagar sem terem nenhuma responsabilidade".
Éric Toussaint, porta-voz do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, explicou que os créditos contraídos para pagar contratos fraudulentos são um exemplo da chamada dívida ilegal e apontou os celebrados com a multinacional alemã Siemens depois de subornos a membros do governo socialista grego.
Segundo o conhecido politólogo, a comissão de auditoria vai ter também em conta "os relatórios da Comissão dos Direitos Humanos ou do Conselho da Europa sobre as consequências dos programas de resgate em matéria de direitos humanos na Grécia".
A comissão vai começar a trabalhar em abril e apresentará um relatório no final de junho, numa conferência internacional sobre a dívida.
Questionada sobre o procedimento a adotar se parte da dívida for considerada ilegal, Konstantopoulou afirmou que as conclusões serão postas à disposição "do Parlamento, do Governo e da Justiça", que "farão o seu dever".
Em conferência de imprensa, Zoe Konstantopoulou frisou que a Grécia deve auditar a dívida "para saber que parte desta dívida foi utilizada para o bem comum e, como tal, é legal e deve ser paga, e que parte foi mal gasta e, portanto, é ilegal".
“Uma dívida ilegítima viola direitos humanos fundamentais”
"Vamos estudar em detalhe a constituição da dívida nos últimos anos, desde o início da ação da 'troika', mas também ter em conta o período anterior a 2010 ", avançou o politólogo.
Se se concluir que uma parte da dívida é ilegítima, “o governo grego poderá então tomar a decisão soberana de não pagar”, afirmou Toussaint, acrescentando que “a comissão tem por objetivo fornecer argumentos sólidos e científicos para sustentar, de seguida, uma decisão política que cabe ao governo da Grécia".
VEJA AINDA ESTES LINKS
Quem é e como opera Eric Toussaint
Mais um caso de auditoria a dividas
85% da divida foi gerada pela corrupção de décadas. PS, PSD, CDS...
NESTE VIDEO EX DEPUTADO DO PS GARANTE QUE É FÁCIL PERCEBER QUE A NOSSA DIVIDA É IMPRODUTIVA, PORQUE FOI FEITA PELA CORRUPÇÃO
domingo, 29 de março de 2015
VÁ ...... TOCA A REZAR .................... Pese a crise, o povo não perde o bom humor!
APELO A SANTO ANTONIO
Fantástico Poema Popular
Ó meu rico Santo Antonio
Meu santinho Milagreiro
Vê se levas o Passos Coelho
Para junto do Sá Carneiro
Se puderes faz um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva o Durão Barroso
Para que tudo corra bem
E porque a viagem entristece
Faz uma limpeza geral
E leva também o PS
Para que não fiquem a rir-se
Os senhores do PSD
Mete-os no mesmo carro
Juntamente com os do PCP
Porque a viagem é cara
E é preciso cultivar as hortas
Para rentabilizar o percurso
Não deixes cá o Paulo Portas
Para ficar tudo limpo
E purificar bem a cousa
Arranja um cantinho
E leva o Jeronimo de Sousa
Como estamos em democracia
Embora não pareça às vezes
Aproveita o transporte
E leva também o Menezes
Se puderes faz esse jeito
Em Maio, mês da maçã
A temperatura está a preceito
Não te esqueças do Louçã
Todos eles são matreiros
E vivem à base de golpes
Faz lá mais um favorzinho
E leva o Santana Lopes
Para que não haja mais troça
E se de tal não te importares
Mete lá nessa carroça
Toda a família Soares
Isto chegou a tal ponto
E vão as coisas tão mal
Que só varrendo esta gente
Se salvará Portugal
Quem é Paulo Núncio?
Antes de chegar ao Governo, o dirigente do CDS assessorou multinacionais no offshore da Madeira e o fabricante dos blindados no caso das falsas contrapartidas. No governo, destacou-se pela amnistia fiscal aos Espírito Santo que “lavou” as luvas dos submarinos e pela isenção milionária aos grandes grupos económicos.
20 de Março, 2015 - 15:13h
Foto Pedro Nunes/Lusa
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais pode mesmo vir a ser o único sobrevivente da vaga de demissões dos responsáveis pelo fisco português. Paulo Núncio foi o primeiro a desmentir a existência de uma “lista VIP” de contribuintes protegidos das consultas dos funcionários da administração fiscal, para depois se ver desmentido pelos factos. Mas esta polémica, em torno da proteção do cadastro fiscal de Passos Coelho, Paulo Portas, Ricardo Salgado, Cavaco Silva e muitos outros, não é a primeira em que o secretário de Estado está envolvido.No seu currículo de advogado fiscalista tem as sociedades Morais Leitão, Galvão Teles & Associados (MLGTS) e Garrigues & Associados, desde 2007 até à entrada no Governo. Na primeira, esteve ligado ao ramo do escritório para o offshore da Madeira, sendo representante da MLGTS Madeira Management & Investment SA. Esta sociedade foi apontada no livro Suite 605 como a criadora de um grupo de 112 sociedades com o mesmo nome, operação de clonagem que levou a investigações judiciais com origem em Itália. Antes das eleições de 2011, foi chamado por Paulo Portas para as reuniões com a troika, na altura apresentadas como “negociações”.
A maior amnistia fiscal de sempre ao dinheiro escondido no estrangeiro
Logo no primeiro Orçamento de Estado, é criado o terceiro Regime Especial de Regularização Tributária (RERT III), que permitiu a quem escondeu dinheiro em contas no estrangeiro legalizar a situação e proteger-se de futuras condenações a troco de uma taxa de 7,5% sobre o montante declarado. Ao contrário dos dois RERT anteriores, sob o governo Sócrates, este não obrigou ao repatriamento dos capitais, servindo apenas para os amnistiar. A descoberta do esquema de fuga de capitais revelado pela investigação Monte Branco levou ao prolongamento do prazo de candidatura a esta amnistia fiscal. Foi um recorde: 3.4 mil milhões de euros legalizados, mais do que nos RERT I e II juntos.
Paulo Núncio também esteve ligado aos RERT anteriores, mas então no apoio aos beneficiários, ao serviço da Garrigues & Associados. Em 2010, explicava esse regime aos seus clientes como uma “amnistia fiscal” que garante "um escudo protetor (relativamente aos valores declarados) de todas as obrigações fiscais e mesmo de todas as infrações cometidas”.
Entre outros negócios obscuros, o RERT III serviu para ilibar os dirigentes do Grupo Espírito Santo de qualquer acusação a respeito das luvas recebidas pela compra dos submarinos ao consórcio alemão, permitindo ao Ministério Público dar por encerrada a investigação. Paulo Núncio também esteve ligado aos RERT anteriores, mas então no apoio aos beneficiários, ao serviço da Garrigues & Associados. Em 2010, explicava esse regime aos seus clientes como uma “amnistia fiscal” que garante "um escudo protetor (relativamente aos valores declarados) de todas as obrigações fiscais e mesmo de todas as infrações cometidas”. Dois anos depois, falando ao Expresso sobre o RERT III, que criara enquanto governante, garantia que "o Governo rejeita expressões como 'amnistia fiscal' ou 'perdão fiscal'".
A isenção fiscal às SPGS
Poucos meses depois de entrar no governo, um despacho assinado por Núncio isentou os grandes grupos económicos do pagamento de milhões de euros em impostos. "Na prática, uma empresa que pague um euro de uma sua subsidiária pode estar isenta de milhões de euros das sedes dessas empresas", explicou na altura o deputado bloquista Pedro Filipe Soares.
O despacho sobre a tributação dos dividendos dos grupos com sociedades gestoras de participações sociais (SGPS) resultou da polémica venda da empresa telefónica Vivo por parte da Portugal Telecom, cujas mais valias avaliadas em 6 mil milhões de euros não pagaram um cêntimo de imposto. O labirinto montado para as SGPS por empresas de advogados como a de Paulo Núncio, com recurso a sociedades offshore ou paraísos fiscais como o Luxemburgo, permitia-lhes escapar a esta tributação. O despacho assinado pelo Secretário de Estado ajudou ainda mais as grandes empresas a escapar ao pgamento de milhões de euros em impostos. Em 2014, uma auditoria do Tribunal de Contas acusou o Governo de esconder a concessão de benefícios fiscais às SGPS no valor de 1045 milhões de euros.
As contrapartidas dos negócios militares
Quando a Fabrequipa é pressionada a assinar contrapartidas que não queria, Pita recorda a presença de Paulo Núncio em representação da Steyr. Já nessa altura, a maioria PSD/CDS protegeu Paulo Núncio, impedindo a sua audição e esclarecimento do seu papel neste negócio.
Se foi com o RERT III de Paulo Núncio que os beneficiários donegócio dos submarinos escaparam à lei, o próprio Secretário de Estado teve um papel importante, enquanto representante da austríaca Steyr, no negócio-fantasma das contrapartidas pela aquisição de blindados para o exército. Na abertura do concurso, Paulo Portas era ministro da Defesa e coube também ao líder do CDS adjudicar a compra dos Pandur à empresa representada por Núncio. Essa decisão é tomada já depois de Jorge Sampaio ter demitido o seu governo e justificada com a promessa de que isso faria renascer a entretanto encerrada fábrica da Bombardier na Amadora. Sete anos depois, o acordo era denunciado por incumprimento de prazos e outras obrigações da Steyr, entretanto adquirida por um fabricante norte-americano. Só em 2014 houve acordo para terminar o litígio do Estado com a empresa.
Em declarações na comissão parlamentar de inquérito, em 2014, o empresário Francisco Pita, da Fabrequipa, empresa do Barreiro subcontratada para o fabrico dos blindados, afirmou ter sido “obrigado” a adquirir uma empresa sem qualquer atividade e que detinha os direitos das contrapartidas, a GOM. E quando a Fabrequipa é pressionada a assinar contrapartidas que não queria, Pita recorda a presença de Paulo Núncio em representação da Steyr. Já nessa altura, a maioria PSD/CDS protegeu Paulo Núncio, impedindo a sua audição e esclarecimento do seu papel neste negócio.
terça-feira, 24 de março de 2015
PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NÃO!... (glosa sobre o poema de Ary dos Santos intitulado “Poeta Castrado, Não!”)
Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
cabeçudo, dromedário,
fantoche de eleição,
parvónio, salafrário,
mestre-escola aldrabão,
oportunista, falsário
malabarista, cabrão.
Chamem-lhe o que quiserem:
Presidente da República, não!...
Os que sabem, como ele,
as linhas com que se cose
vêem o interesse dele em manter a sua pose:
egoísta, trambiqueiro
distorce a realidade,
ao escrever cada “Roteiro”,
para ter visibilidade!...
Os que sabem, como ele,
governar-se e encher a pança
aceitam que seja dele
tanta sede de vingança:
Político vingativo e que,
disso, não se cansa,
não quer saber do aflitivo caos
da actual governança!...
O tipo não faz história.
- Sua morte lenta é fatal!...
Irá ficar na memória
como um mesquinho banal!...
O seu fim poderá ser uma penosa agonia!...
O Povo irá fazer dele escárnio, em cada dia!...
Vai acabar por morrer,
ao parir a ninharia só descrita,
a bem dizer,
nos “Roteiros” da fantasia!...
Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Chamem-no até p’lo nome,
Cavaco, sem coração,
ao ver que se passa fome
e nada faz p’la Nação!...
Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Demagogo, mau profeta,
falso professor, ladrão,
um narcisista pateta,
quando calado ou não.
Será tudo o que disserem!...
PRESIDENTE DA REPÚBLICA É QUE NÃO!...
17/03/2015
Carlos Braga
terça-feira, 10 de março de 2015
Gafes anedóticas em tribunais made in Portugal!!!
Estas são piadas retiradas do livro 'Desordem no tribunal'. São coisas que
as pessoas realmente disseram e que foram transcritas textualmente pelos
taquígrafos, que tiveram que permanecer calmos enquanto estes diálogos
realmente aconteciam à sua frente.
_________________
Advogado : Qual é a data do seu aniversário?
Testemunha: 15 de Julho.
Advogado : Que ano?
Testemunha: Todos os anos.
______________________________________________
Advogado : Essa doença, a miastenia gravis, afecta a sua memória?
Testemunha: Sim.
Advogado : E de que modo ela afecta a sua memória?
Testemunha: Eu esqueço-me das coisas.
Advogado : Esquece... Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido?
__________________
Advogado : Que idade tem o seu filho?
Testemunha: 38 ou 35, não me lembro.
Advogado : Há quanto tempo ele mora com você?
Testemunha: Há 45 anos.
_____________________________________________
Advogado : Qual foi a primeira coisa que o seu marido disse quando acordou aquela manhã?
Testemunha: Ele disse, 'Onde estou, Berta?'
Advogado : E por que é que se aborreceu?
Testemunha: O meu nome é Célia.
______________________________________________
Advogado : Diga-me, doutor... não é verdade que, ao morrer no sono, a pessoa só saberá que morreu na manhã seguinte?
_____________________________________________
Advogado : O seu filho mais novo, o de 20 anos...
Testemunha: Sim.
Advogado : Que idade é que ele tem?
______________________________________________
Advogado : Sobre esta foto sua...o senhor estava presente quando ela foi tirada?
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Advogado : Então, a data de concepção do seu bebé foi 8 de Agosto?
Testemunha: Sim, foi.
Advogado : E o que é que estava a fazer nesse dia?
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Advogado : Ela tinha 3 filhos, certo?
Testemunha: Certo.
Advogado : Quantos meninos?
Testemunha: Nenhum.
Advogado : E quantas eram meninas?
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Advogado : Sr. Marcos, por que acabou o seu primeiro casamento?
Testemunha: Por morte do cônjuge.
Advogado : E por morte de que cônjuge ele acabou?
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Advogado : Poderia descrever o suspeito?
Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba.
Advogado : E era um homem ou uma mulher?
____________________________________________
Advogado : Doutor, quantas autópsias já realizou em pessoas mortas?
Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas...
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Advogado : Aqui no tribunal, para cada pergunta que eu lhe fizer, a sua resposta
deve ser oral, está bem? Que escola frequenta?
Testemunha: Oral.
____________________________________________
Advogado : Doutor, o senhor lembra-se da hora em que começou a examinar o corpo da vítima?
Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30 h.
Advogado : E o sr. Décio já estava morto a essa hora?
Testemunha: Não... Ele estava sentado na maca, questionando-se por que razão eu estava a fazer-lhe aquela autópsia.
___________________________________________
Advogado : O senhor está qualificado para nos fornecer uma amostra de urina?
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******* Esta é a melhor! ********
Advogado: Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor verificou o pulso da vítima?
Testemunha: Não.
Advogado: O senhor verificou a pressão arterial?
Testemunha: Não.
Advogado: O senhor verificou a respiração?
Testemunha: Não.
Advogado: Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsia começou?
Testemunha: Não.
Advogado: Como é que o senhor pode ter a certeza?
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.
Advogado: Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e tirando o curso de Direito em algum lugar!!!
Acórdão do Tribunal da Relação - Finalmente, uma decisão do caralho ...
Agora quando te apetecer mandar aquele teu amigo chato ou o teu chefe "para o caralho", com as letras todas, já existe jurisprudência a teu favor. E que ninguém venha com a tanga de que é crime...
Aqui vai a versão resumida:
Quartel da GNR, 4 de Agosto de 2009. O Cabo da Guarda solicita troca de serviço, mas o superior hierárquico opõe-se. O militar responde-lhe: "Vá pró caralho".
Acusado do crime de insubordinação, o cabo escapa a julgamento por decisão do juiz do Tribunal de Instrução Criminal. A hierarquia recorre. O Tribunal da Relação de Lisboa confirma aquela decisão com a seguinte argumentação:
«[...] A utilização da expressão não é ofensiva, mas sim um modo de verbalizar estados de alma [...] pois tal resulta da experiência comum, que caralho é palavra usada por alguns (muitos) para expressar, definir, explicar ou enfatizar toda uma gama de sentimentos humanos e diversos estados de ânimo. Por exemplo pró caralho é usado para representar algo excessivo. Seja grande ou pequeno de mais. Serve para referenciar realidades numéricas indefinidas: chove pra caralho..., o Cristiano Ronaldo joga pra caralho... [...] não há nada a que não se possa juntar um caralho, funcionando este como verdadeira muleta oratória.»·
Tanto o juiz-desembargador relator como o juiz militar adjunto consideraram tratar-se apenas de "virilidade verbal".
Eu concordo!
O que poucos podem ver! Em busca das estrelas e montanhas, o suíço, Cristian Mulhsuser, subiu, entre Agosto e Outubro de 2012, três vezes à montanha mais famosa da Suíça, a Matterhorn, para fazer este BELO filme de 4,15 minutos. Ficou a dormir algumas noites a 2.700 metros de altura e com uma temperatura de menos de 12 graus centígrados. A essa altura, sem contaminação de luz, só céus deslumbrantes. A música é de Roberto Cacciapaglia.
ÚLTIMA MAMADA " The last feed by PAULA REGO
Um dos últimos quadros de Paula Rego. Quiçá como reação à extinção da Fundação Paula Rego, instalada na Casa das Histórias em Cascais, a pintora apresentou o trabalho intitulado The last feed (a última mamada).
Tendo sido apresentado em Londres, na sua última exposição (2013), representa a figura de umpalhaço rico (onde se reconhece perfeitamente o retrato de Cavaco Silva), com um pé no pedestal, a mamar nos seios de uma velha e decrépita República aperaltada com um chapéu.
O palhaço com a mão esquerda coça a "micose". A Velha pode representar a política, ou a Nação.
Apesar de ter tido algum eco nas redes sociais não há registo de grandes referências à exposição (ou ao quadro) na imprensa portuguesa.
Ainda não se sabe se/quando a exposição vier a Portugal e se o quadro fará parte dela.
Truca-Truca
O poema Truca-Truca foi escrito em 1982, durante o primeiro debate parlamentar sobre a interrupção voluntária da gravidez.
A sessão plenária já ia a meio quando João Morgado, deputado do CDS, afirmou que “o acto sexual é para fazer filhos”.
Natália Correia, que lutava pela despenalização do aborto, inspirada pelas declarações do deputado, escreveu o poema e pediu a palavra.
Provocou gargalhadas em todas as bancadas parlamentares e a sessão teve de ser interrompida.
Truca-Truca
Já que o coito – diz Morgado
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração!...
...uma vez. E se a função
faz o órgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
Natália Correia
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Os homens trabalham melhor , quando trabalham para o bem do Homem e não para obter a "mais elevada produção" ou "o aumento da eficácia" , que têm sido os objectivos quase exclusivos da agricultura industrial . . .
O objectivo final da agricultura , não é o crescimento das colheitas , mas sim o cultivo e a realização dos seres humanos . . .
A agricultura selvagem não precisa de máquinas nem de produtos químicos e . . . basta-lhe pouca monda . . .
Masanobu Fukuoka
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Carta aberta de Alexis Tsipras à Alemanha: O que nunca foi contado sobre a Grécia.
Redacção Noticias Online / 30/01/2015

A maior parte de vós, caros leitores do Handelsblatt, terá já uma ideia preconcebida acerca do tema deste artigo, mesmo antes da leitura. Rogo que não cedais a preconceitos. O preconceito nunca foi bom conselheiro, principalmente durante períodos em que uma crise económica reforça estereótipos e gera fanatismo, nacionalismos e até violência.
Em 2010, a Grécia deixou de conseguir pagar os juros da sua dívida. Infelizmente, as autoridades europeias decidiram fingir que o problema poderia ser ultrapassado através do maior empréstimo de sempre, sob condição de austeridade orçamental, que iria, com uma precisão matemática, diminuir drasticamente o rendimento nacional, que serve para pagar empréstimos novos e antigos. Um problema de insolvência foi tratado como se fosse um problema de falta de liquidez.
Dito de outro modo, a Europa adoptou a táctica dos banqueiros com pior reputação, que não reconhecem maus empréstimos, preferindo conceder novos empréstimos à entidade insolvente, tentando fingir que o empréstimo original está a obter bons resultados, adiando a bancarrota. Bastava bom senso para se perceber que a adopção da táctica “adiar e fingir” levaria o meu país a uma situação trágica. Em vez da estabilização da Grécia, a Europa estava a criar as condições para uma crise auto-sustentada que põe em causa as fundações da própria Europa.
O meu partido e eu próprio discordamos veementemente do acordo de Maio de 2010 sobre o empréstimo, não por vós, cidadãos alemães, nos terdes dado pouco dinheiro, mas por nos terdes dado dinheiro em demasia, muito mais do que devíeis ter dado e do que o nosso governo devia ter aceitado, muito mais do que aquilo a que tinha direito. Dinheiro que não iria, fosse como fosse, nem ajudar o povo grego (pois estava a ser atirado para o buraco negro de uma dívida insustentável), nem sequer evitar o drástico aumento da dívida do governo grego, às custas dos contribuintes gregos e alemães.
Efectivamente, passado menos de um ano, a partir de 2011, as nossas previsões confirmaram-se. A combinação de novos empréstimos gigantescos e rigorosos cortes na despesa governamental diminuíram drasticamente os rendimentos e, não só não conseguiram conter a dívida, como também castigaram os cidadãos mais frágeis, transformando pessoas que, até então, haviam tido uma vida comedida e modesta em pobres e mendigos, negando-lhes, acima de tudo, a dignidade. O colapso nos rendimentos conduziu milhares de empresas à falência, dando um impulso ao poder oligopolista das grandes empresas sobreviventes. Assim, os preços têm caído, mas mais lentamente do que ordenados e salários, reduzindo a procura global de bens e serviços e esmagando rendimentos nominais, enquanto as dívidas continuam a sua ascensão inexorável. Neste contexto, o défice de esperança acelerou de forma descontrolada e, antes que déssemos por ela, o “ovo da serpente” chocou – consequentemente, os neo-nazis começaram a patrulhar a vizinhança, disseminando a sua mensagem de ódio.
A lógica “adiar e fingir” continua a ser aplicada, apesar do seu evidente fracasso. O segundo “resgate” grego, executado na Primavera de 2012, sobrecarregou com um novo empréstimo os frágeis ombros dos contribuintes gregos, acrescentou uma margem de avaliação aos nossos fundos de segurança social e financiou uma nova cleptocracia implacável.
Recentemente, comentadores respeitados têm mencionado a estabilização da Grécia e até sinais de crescimento. Infelizmente, a ‘recuperação grega’ é tão-somente uma miragem que devemos ignorar o mais rapidamente possível. O recente e modesto aumento do PIB real, ao ritmo de 0,7%, não indica (como tem sido aventado) o fim da recessão, mas a sua continuação. Pensai nisto: as mesmas fontes oficiais comunicam, para o mesmo trimestre, uma taxa de inflação de -1,80%, i.e., deflação. Isto significa que o aumento de 0,7% do PIB real se deveu a uma taxa de crescimento negativo do PIB nominal! Dito de outro modo, aquilo que aconteceu foi uma redução mais rápida dos preços do que do rendimento nacional nominal. Não é exactamente motivo para anunciar o fim de seis anos de recessão!
Permiti-me dizer-vos que esta lamentável tentativa de apresentar uma nova versão das “estatísticas gregas”, para declarar que a crise grega acabou, é um insulto a todos os europeus que, há muito, merecem conhecer a verdade sobre a Grécia e sobre a Europa. Com toda a frontalidade: actualmente, a dívida grega é insustentável e os juros não conseguirão ser pagos, principalmente enquanto a Grécia continua a ser sujeita a um contínuo afogamento simulado orçamental. A insistência nestas políticas de beco sem saída, e em negação relativamente a simples operações aritméticas, é muito onerosa para o contribuinte alemão e, simultaneamente, condena uma orgulhosa nação europeia a indignidade permanente. Pior ainda: desta forma, em breve, os alemães virar-se-ão contra os gregos, os gregos contra os alemães e, obviamente, o ideal europeu sofrerá perdas catastróficas.
Quanto a uma vitória do SYRIZA, a Alemanha e, em particular, os diligentes trabalhadores alemães nada têm a temer. A nossa tarefa não é a de criar conflitos com os nossos parceiros. Nem sequer a de assegurar maiores empréstimos ou, o equivalente, o direito a défices mais elevados. Pelo contrário, o nosso objectivo é conseguir a estabilização do país, orçamentos equilibrados e, evidentemente, o fim do grande aperto dos contribuintes gregos mais frágeis, no contexto de um acordo de empréstimo pura e simplesmente inexequível. Estamos empenhados em acabar com a lógica “adiar e fingir”, não contra os cidadãos alemães, mas pretendendo vantagens mútuas para todos os europeus.
Caros leitores, percebo que, subjacente à vossa “exigência” de que o nosso governo honre todas as suas “obrigações contratuais” se esconda o medo de que, se nos derem espaço para respirar, iremos regressar aos nossos maus e velhos hábitos. Compreendo essa ansiedade. Contudo, devo dizer-vos que não foi o SYRIZA que incubou a cleptocracia que hoje finge lutar por ‘reformas’, desde que estas ‘reformas’ não afectem os seus privilégios ilicitamente obtidos. Estamos dispostos a introduzir reformas importantes e, para tal, procuramos um mandato do povo grego e, claro, a cooperação dos nossos parceiros europeus, para podermos executá-las.
A nossa tarefa é a de obter um New Deal europeu, através do qual o nosso povo possa respirar, criar e viver com dignidade.
No dia 25 de Janeiro, estará a nascer na Grécia uma grande oportunidade para a Europa. Uma oportunidade que a Europa não poderá dar-se ao luxo de perder.
A versão original pode ser consultada aqui.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Mi l a g r e !
Uma solteirona descobre que uma amiga ficou grávida com apenas uma oração que fez na igreja de uma aldeia próxima.
Dias depois, a solteirona foi a essa igreja e disse ao padre:
- Bom dia, padre.
- Bom dia, minha filha. Em que posso ajudá-la?
- Sabe, padre, eu soube que uma amiga minha veio aqui há umas semanas atrás e ficou grávida só com uma Ave-Maria. É verdade, padre?
- Não, minha filha, não foi com uma Ave-Maria... Foi com um padre nosso...mas ele já foi transferido!
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
A ENCOMENDA PARA POUSAFOLES
Há muito tempo que não ia a Lamas, aldeia situada a 18 km de Coimbra, terra de meu pai. Foi o adeus á minha tia Caçilda que me levou a passar por aquelas paisagens já tão distantes da minha memória. Mas, antes do adeus, tive um momento quase de encantamento, que me fez esquecer o poder da morte e me levou a acreditar na força maior da vida, na solidariedade genuína, porque são os gestos simples, como os que vou contar, que ainda me surpreendem e me fazem emocionar. Cheguei a Coimbra às 13H00 e perguntei quando saía o autocarro para Lamas.
- Às 13H25, disseram-me, - Linha 13.
Esperei.13H25,13H30, na linha 13 não aparecia o autocarro. Aproximei-me de um grupo de motoristas e fiz novamente a pergunta.
- É comigo, disse um deles, é aquele carro ali que vai para Pousafoles, e despediu-se dos outros. Segui-o, olhei á volta e não vi mais ninguém. Subi e instalei-me à vontade. Saímos da garagem, eu e o motorista. Depositei as flores no banco do lado, olhei para trás e pareceu-me um autocarro enorme. Foi apenas um momento de quietude porque na paragem seguinte, na portagem, os passageiros apareceram, ou melhor, as passageiras. Assim que o motorista abriu a porta, diz-lhe uma senhora:
- Tenho aqui uma encomenda para lhe entregar, para Pousafoles, a rapariga que a deixou aqui disse que a mãe está lá na paragem, á espera, leva?
- Não levo, disse o motorista. Gerou-se um pequeno alvoroço.
- Então mas a mãe está lá á espera, a moça não podia cá ficar. Ó Maria, viste a rapariga não viste?
- Vi, disse a Maria.
- É amiga da Cristina não é?
- É, são amigas coitadinhas, pois são. Começaram as pessoas a entrar e a senhora que tinha a encomenda perguntou da rua:
- Está aí alguém que vá para Pousafoles? Não ia ninguém.
- E agora? Não vou deixar a encomenda da rapariga na rua.
- Olha lá, disse a Maria, há uma senhora que entra mais além, que é de Pousafoles, posso levá-la e ela entrega-lhe.
- E se ela não está lá ?- disse a outra.
- Há-de estar, pois se ela veio de manhã na camioneta, há-de voltar.
- Pois é, disse a outra, e isto também não há-de ser nenhuma bomba, e espreitou para o saco. De facto não era uma bomba.
- Pois isto há-de fazer falta à senhora, se a filha cá veio entregar, continuava. O motorista esperava pacientemente pela decisão do mulherio, se levavam ou não a encomenda.
- Olha, diz a que estava na rua, se ela não estiver lá, guarda-a e dás-ma depois.
- Pois claro, logo lha entregas, disse a Maria. Estava decidido! A encomenda seguia viagem. E não é que duas paragens mais á frente a tal senhora que ia para Pousafoles estava lá ?! ( Nem os serviços secretos fariam um controlo tão bem feito).
- Eu não a conheço, disse a Maria, mas que ela é de Pousafoles é. A senhora entra e ela logo lhe pergunta:
-Você não é de Pousafoles?
- Sou sim senhora.
- Tenho aqui uma encomenda, que a filha mandou para a mãe, que está à espera na paragem, você não se importa de a levar?
- Eu não conheço a pessoa mas o que é preciso é que esteja lá alguém para a receber.
- Há-de estar, pois se a filha a veio trazer. . . custa-lhe muito?
- Não custa nada.
- Obrigada. Pronto! Estava entregue a encomenda e por momentos fez-se silêncio na camioneta, sossegaram aquelas almas solidárias que por nada deste mundo deixariam de entregar a bendita. Tão bonito, pensei eu, na minha cidade corro para o autocarro, que ainda está na paragem, mas com a porta fechada, bato no vidro para que o motorista abra, mas ele arranca sem olhar para mim. Porque será? Lá seguimos viagem e descobri coisas que ainda não tinha visto, porque também aqui o progresso vai chegando. Vi estradas novas, pontes, novos pinheiros, embora poucos, no lugar daqueles que foram queimados, mas o que mais me encantou foram as gentes, também elas diferentes. Numa paragem mais á frente entrou um senhor que disse:
- Boas tardes para todos, e um coro de vozes respondeu:
- Boa tarde.
- Um bilhete para o Monte, por favor. Sentou-se atrás do motorista e quando chegámos ao Monte disse:
- Não se importa de me deixar aqui? Não vem mais ninguém. A camioneta parou no sítio pedido, porque a paragem era um pouco mais abaixo e não dava tanto jeito subir a ladeira porque as pernas já não ajudavam.
- Muito obrigado, disse.
- De nada, respondeu o motorista.
- Façam boa viagem, ainda se ouviu da rua. De dentro responderam:
- Que Deus o acompanhe. Eu continuava maravilhada com aqueles pequenos diálogos, tão esquecidos, tão bonitos! Cheguei a Lamas. Na paragem, a minha tia Augusta esperava por mim. Desci. Dentro do autocarro apenas ficou a senhora que ia para Pousafoles, e eu tenho a certeza absoluta que a encomenda foi entregue ao destinatário. Gostaria muito de voltar a fazer a mesma viagem, não pelas razões que me levaram á terra do meu pai, e, dessa vez, se houver alguém que queira mandar uma encomenda para Lamas, não se preocupem, eu própria a entregarei.
Carla Caetano
3/10/06
- Às 13H25, disseram-me, - Linha 13.
Esperei.13H25,13H30, na linha 13 não aparecia o autocarro. Aproximei-me de um grupo de motoristas e fiz novamente a pergunta.
- É comigo, disse um deles, é aquele carro ali que vai para Pousafoles, e despediu-se dos outros. Segui-o, olhei á volta e não vi mais ninguém. Subi e instalei-me à vontade. Saímos da garagem, eu e o motorista. Depositei as flores no banco do lado, olhei para trás e pareceu-me um autocarro enorme. Foi apenas um momento de quietude porque na paragem seguinte, na portagem, os passageiros apareceram, ou melhor, as passageiras. Assim que o motorista abriu a porta, diz-lhe uma senhora:
- Tenho aqui uma encomenda para lhe entregar, para Pousafoles, a rapariga que a deixou aqui disse que a mãe está lá na paragem, á espera, leva?
- Não levo, disse o motorista. Gerou-se um pequeno alvoroço.
- Então mas a mãe está lá á espera, a moça não podia cá ficar. Ó Maria, viste a rapariga não viste?
- Vi, disse a Maria.
- É amiga da Cristina não é?
- É, são amigas coitadinhas, pois são. Começaram as pessoas a entrar e a senhora que tinha a encomenda perguntou da rua:
- Está aí alguém que vá para Pousafoles? Não ia ninguém.
- E agora? Não vou deixar a encomenda da rapariga na rua.
- Olha lá, disse a Maria, há uma senhora que entra mais além, que é de Pousafoles, posso levá-la e ela entrega-lhe.
- E se ela não está lá ?- disse a outra.
- Há-de estar, pois se ela veio de manhã na camioneta, há-de voltar.
- Pois é, disse a outra, e isto também não há-de ser nenhuma bomba, e espreitou para o saco. De facto não era uma bomba.
- Pois isto há-de fazer falta à senhora, se a filha cá veio entregar, continuava. O motorista esperava pacientemente pela decisão do mulherio, se levavam ou não a encomenda.
- Olha, diz a que estava na rua, se ela não estiver lá, guarda-a e dás-ma depois.
- Pois claro, logo lha entregas, disse a Maria. Estava decidido! A encomenda seguia viagem. E não é que duas paragens mais á frente a tal senhora que ia para Pousafoles estava lá ?! ( Nem os serviços secretos fariam um controlo tão bem feito).
- Eu não a conheço, disse a Maria, mas que ela é de Pousafoles é. A senhora entra e ela logo lhe pergunta:
-Você não é de Pousafoles?
- Sou sim senhora.
- Tenho aqui uma encomenda, que a filha mandou para a mãe, que está à espera na paragem, você não se importa de a levar?
- Eu não conheço a pessoa mas o que é preciso é que esteja lá alguém para a receber.
- Há-de estar, pois se a filha a veio trazer. . . custa-lhe muito?
- Não custa nada.
- Obrigada. Pronto! Estava entregue a encomenda e por momentos fez-se silêncio na camioneta, sossegaram aquelas almas solidárias que por nada deste mundo deixariam de entregar a bendita. Tão bonito, pensei eu, na minha cidade corro para o autocarro, que ainda está na paragem, mas com a porta fechada, bato no vidro para que o motorista abra, mas ele arranca sem olhar para mim. Porque será? Lá seguimos viagem e descobri coisas que ainda não tinha visto, porque também aqui o progresso vai chegando. Vi estradas novas, pontes, novos pinheiros, embora poucos, no lugar daqueles que foram queimados, mas o que mais me encantou foram as gentes, também elas diferentes. Numa paragem mais á frente entrou um senhor que disse:
- Boas tardes para todos, e um coro de vozes respondeu:
- Boa tarde.
- Um bilhete para o Monte, por favor. Sentou-se atrás do motorista e quando chegámos ao Monte disse:
- Não se importa de me deixar aqui? Não vem mais ninguém. A camioneta parou no sítio pedido, porque a paragem era um pouco mais abaixo e não dava tanto jeito subir a ladeira porque as pernas já não ajudavam.
- Muito obrigado, disse.
- De nada, respondeu o motorista.
- Façam boa viagem, ainda se ouviu da rua. De dentro responderam:
- Que Deus o acompanhe. Eu continuava maravilhada com aqueles pequenos diálogos, tão esquecidos, tão bonitos! Cheguei a Lamas. Na paragem, a minha tia Augusta esperava por mim. Desci. Dentro do autocarro apenas ficou a senhora que ia para Pousafoles, e eu tenho a certeza absoluta que a encomenda foi entregue ao destinatário. Gostaria muito de voltar a fazer a mesma viagem, não pelas razões que me levaram á terra do meu pai, e, dessa vez, se houver alguém que queira mandar uma encomenda para Lamas, não se preocupem, eu própria a entregarei.
Carla Caetano
3/10/06
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