domingo, 8 de abril de 2018

Discurso histórico de LULA



Parte 1

"Em 1979, esse sindicato fez uma das greves mais extraordinárias. E nós conseguimos fazer um acordo com a indústria automobilística que foi talvez o melhor possível. E eu tinha uma comissão de Fábrica com 300 trabalhadores. O acordo era bom. E eu resolvi levar o acordo para Assembleia. E resolvi pedir pra comissão de fábrica ir mais cedo para conversar com a peãozada. Eu fazia assembleia de manhã pra evitar que o pessoal bebesse um pouquinho a tarde, porque quando a gente bebe um pouquinho, a gente fica mais ousado.
Mesmo assim não evitava, porque o cara levava litro de conhaque dentro da mala e, quando eu passava, tomava uma ‘dosinha’ para a garganta ficar melhor - coisa que não aconteceu hoje.
Pois bem, nós começamos a colocar o acordo em votação e 100 mil pessoas no Estádio da Vila Euclides não aceitavam o acordo. Era o melhor possível. A gente não perdia dia de férias, não perdia décimo terceiro e tinha 15% de aumento. Mas a peãozada 'tava' tão radicalizada que queria 83% ou nada. E não conseguimos. E passamos um ano sendo chamado de pelego pelos trabalhadores. A gente, Guilherme, ia na porta de fábrica… [Lula começa a fazer saudações diversas]. Então, companheiros e companheiras, nós conseguimos… os trabalhadores não aprovaram o acordo… [interrupção para atendimento médico a pessoa na multidão].
Eu ia dizendo pra vocês que nós não conseguimos aprovar a proposta que eu considerava boa e o pessoal então passou a desrespeitar a diretoria do Sindicato. Eu ia na porta da fábrica e ninguém parava.
E a imprensa escrevia: “Lula fala para os ouvidos moucos dos trabalhadores”.
Nós levamos um ano para recuperar o nosso prestígio na categoria. E eu fiquei pensando com ar de vingança: “Os trabalhadores pensam que eles podem fazer 100 dias de greve, 400 dias de greve, que eles vão até o fim. Pois eu vou testá-los em 1980”.
E fizemos a maior greve da nossa história. A maior greve. 41 dias de greve. Com 17 dias de greve, fui preso. Os trabalhadores começaram, depois de alguns dias, a furar greve. Eu sei que Tuma, eu sei que o doutor Almir e eu sei que o Teotônio Vilela iam dentro da cadeia e falavam assim pra mim: “Ô, Lula, cê precisa acabar com a greve, cê precisa dar um conselho para acabar com a greve”. E eu dizia: “Eu não vou acabar com a greve. Os trabalhadores vão decidir por conta própria”.
O dado concreto é que ninguém aguentou 41 dias porque, na prática, o companheiro tinha que pagar leite, tinha que pagar a conta de luz, tinha que pagar gás, a mulher começou a cobrar o dinheiro do pão, ele então começou a sofrer pressão e não aguentou. Mas é engraçado porque, na derrota, a gente ganhou muito mais sem ganhar economicamente do que quando a gente ganhou economicamente. Significa que não é dinheiro que resolve o problema de uma greve, não é 5%, não é 10%, é o que está embutido de teoria política, de conhecimento político e de tese política numa greve.
"Significa que não é dinheiro que resolve o problema de uma greve, não é 5%, não é 10%, é o que está embutido de teoria política, de conhecimento político e de tese política numa greve"
Agora, nós estamos quase que na mesma situação. Quase que na mesma situação. Eu tô sendo processado e eu tenho dito claramente: “O processo do meu apartamento, eu sou o único ser humano que sou processado por um apartamento que não é meu”. E ele sabe que o Globo mentiu quando disse que era meu. A Polícia Federal da Lava Jato, quando fez o inquérito, mentiu que era meu. O Ministério Público, quando fez a acusação, mentiu dizendo que era meu. E eu pensei que o Moro ia resolver e ele mentiu dizendo que era meu e me condenou a nove anos de cadeia.
É por isso que eu sou um cidadão indignado, porque eu já fiz muita coisa com meus 72 anos. Mas eu não os perdoo por ter passado para a sociedade a ideia de que eu sou um ladrão. Deram a primazia dos bandidos fazerem um pixuleco pelo Brasil inteiro. Deram a primazia dos bandidos chamarem a gente de petralha. Deram a primazia de criar quase um clima de guerra, negando a política nesse país. E eu digo todo dia: nenhum deles, nenhum deles, tem coragem ou dorme com a consciência tranquila da honestidade, da inocência que eu durmo. Nenhum deles. [Aplausos].


Parte 2

Eu não estou acima da Justiça. Se eu não acreditasse na Justiça, eu não tinha feito partido político. Eu tinha proposto uma revolução nesse país. Mas eu acredito na Justiça, numa Justiça justa, numa Justiça que vota um processo baseado nos autos do processo, baseado nas informações das acusações, das defesas, na prova concreta que tem a arma do crime.
O que eu não posso admitir é um procurador que fez um Powerpoint e foi pra televisão dizer que o PT é uma organização criminosa que nasceu para roubar o Brasil e que o Lula, por ser a figura mais importante desse partido, o Lula é o chefe e, portanto, se o Lula é o chefe, diz o procurador, “eu não preciso de provas, eu tenho convicção”. Eu quero que ele guarde a convicção dele para os comparsas deles, para os asseclas dele e não para mim. Certamente, um ladrão não estaria exigindo prova. Estaria de rabo preso com a boca fechada torcendo para a imprensa não falar o nome dele.
Eu tenho mais de 70 horas de Jornal Nacional me triturando. Eu tenho mais de 70 capas de revista me atacando. Eu tenho milhares de páginas de jornais e matérias me atacando. Eu tenho mais a Record me atacando. Eu tenho mais a Bandeirantes me atacando, eu tenho a rádio do interior me atacando. E o que eles não se dão conta é que, quanto mais eles me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro.
"E o que eles não se dão conta é que, quanto mais eles me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro"
Eu não tenho medo deles. Eu até já falei que gostaria de fazer um debate com o Moro sobre a denúncia que ele fez contra mim. Eu gostaria que ele me mostrasse alguma coisa de prova. Eu já desafiei os juízes do TRF4 que eles fossem prum debate na universidade que eles quiserem, no curso que eles quiserem, provar qual é o crime que eu cometi nesse país. E eu, às vezes, tenho a impressão - e tenho a impressão porque eu sou um construtor de sonhos. Eu há muito tempo atrás sonhei que era possível governar esse país envolvendo milhões e milhões de pessoas pobres na economia, envolvendo milhões de pessoas nas universidades, criando milhões e milhões de empregos nesse país. Eu sonhei, eu sonhei que era possível um metalúrgico, sem diploma universitário, cuidar mais da educação que os diplomados e concursados que governaram esse país. Eu sonhei que era possível a gente diminuir a mortalidade infantil levando leite feijão e arroz para que as crianças pudessem comer todo dia. Eu sonhei que era possível pegar os estudantes da periferia e colocá-los nas melhores universidades desse país para que a gente não tenha juiz e procuradores só da elite. Daqui a pouco vamos ter juízes e procuradores nascidos na favela de Heliópolis, nascidos em Itaquera, nascidos na periferia. Nós vamos ter muita gente dos Sem Terra, do MTST, da CUT formados.
Esse crime eu cometi.
Eu cometi esse crime e eles não querem que eu cometa mais. É por conta desse crime que já tem uns dez processos contra mim. E se for por esses crimes, de colocar pobre na universidade, negro na universidade, pobre comer carne, pobre comprar carro, pobre viajar de avião, pobre fazer sua pequena agricultura, ser microempreendedor, ter sua casa própria. Se esse é o crime que eu cometi eu quero dizer que vou continuar sendo criminoso nesse país porque vou fazer muito mais. Vou fazer muito mais. [Povo começa a gritar “Lula, guerreiro do povo brasileiro]
"Eu sonhei que era possível pegar os estudantes da periferia e colocá-los nas melhores universidades desse país para que a gente não tenha juiz e procuradores só da elite"
Companheiros e companheiras, eu, em 1986, fui o deputado constituinte mais votado na história do país. E, na época, havia uma desconfiança de que só tinha poder no PT quem tinha mandato.. Quem não tivesse mandato era tido… [começa a fazer saudações]. Então companheiros, quando eu percebi que o povo desconfiava que só tinha valor no PT quem era deputado, Manuela e Guilherme, sabe o que eu fiz? Deixei de ser deputado. Porque eu queria provar ao PT que ia continuar sendo a figura mais importante do PT sem ter mandato. Porque se alguém quiser ganhar de mim no PT só tem um jeito: é trabalhar mais do que eu e gostar do povo mais do que eu, porque, se não gostar, não vai ganhar.
Pois bem: nós agora estamos num trabalho delicado. Eu talvez viva o momento de maior indignação que um ser humano vive. Não é fácil o que sofre a minha família. Não é fácil o que sofrem meus filhos. Não é fácil o que sofreu a Marisa. E eu quero dizer que a antecipação da morte da Marisa foi a safadeza e a sacanagem que a imprensa e o Ministério Público fizeram contra ela. Eu tenho certeza. Essa gente eu acho que não tem filho, não tem alma e não tem noção do que sente uma mãe ou um pai quando vê um filho massacrado, quando vê um filho sendo atacado.
Eu então, companheiros, resolvi levantar a cabeça. Não pense que eu sou contra a Lava Jato não. A Lava Jato, se pegar bandido, tem que pegar bandido mesmo que roubou e prender. Todos nós queremos isso. Todos nós, a vida inteira, dizíamos: “A Justiça só prende pobre, não prende rico”. Todos nós dizíamos. E eu quero que continue prendendo rico. Eu quero. Agora, qual é o problema? É que você não pode fazer julgamento subordinado à imprensa. Porque, no fundo, no fundo, você destrói as pessoas na sociedade, na imagem da pessoas e depois os juízes vão julgar e vão dizer “eu não posso ir contra a opinião pública que tá pedindo pra caçar”. Quem quiser votar com base na opinião pública, largue a toga e vá ser candidato a deputado, escolha um partido político e vá ser candidato. Ora, a toga ela é o emprego vitalício. O cidadão tem que votar apenas com base nos autos do processo, aliás eu acho que ministro da Suprema Corte não deveria dar declaração de como vai votar. Nos EUA, termina a votação e você não sabe em quem o cidadão votou exatamente para que ele não seja vítima de pressão.


Parte 3

"Quero dizer que a antecipação da morte da Marisa foi a safadeza e a sacanagem que a imprensa e o Ministério Público fizeram contra ela"
Imagina um cara sendo acusado de homicídio e não tenha sido ele o assassino. O que a família do morto quer? Que ele seja morto, que ele seja condenado. Então, o juiz tem que ter, diferentemente de nós, a cabeça mais fria, mais responsabilidade de fazer a acusação ou de condenar. O Ministério Público é uma instituição muito forte. Por isso, esses meninos que entram muito novo, fazem um curso direito e depois faz três anos de concurso porque o pai pode pagar, esses meninos precisavam conhecer um pouco da vida, um pouco de política, para fazer o que eles fazem na sociedade brasileira.
Tem uma coisa chamada responsabilidade. E não pense que quando eu falo assim [quer dizer que] eu sou contra. Eu fui presidente e indiquei quatro procuradores e fiz discurso em todas as posses. Eu dizia: “Quanto mais forte for a instituição, mais responsável os seus membros têm que ser”. Você não pode condenar a pessoa pela imprensa para depois julgá-la. Vocês estão lembrados de que, quando eu fui prestar depoimento lá em Curitiba, eu disse para o Moro: “Você não tem condições de me absolver porque a Globo tá exigindo que você me condene e você vai me condenar".
Pois bem, eu acho que tanto o TRF4, quanto o Moro, a Lava Jato e a Globo, eles têm um sonho de consumo. O sonho de consumo é que, primeiro, o golpe não terminou com a Dilma. O golpe só vai concluir quando eles conseguirem convencer que o Lula não possa ser candidato à presidência da república em 2018. Não é que eu não vou ser, eles não querem que eu participe porque existe a possibilidade de cada um se eleger. Eles não querem o Lula de volta porque pobre na cabeça deles não pode ter direito. Não pode comer carne de primeira. Pobre não pode andar de avião. Pobre não pode fazer universidade. Pobre nasceu, segundo a lógica deles, para comer e ter coisas de segunda categoria.
"Eles não querem o Lula de volta porque pobre, na cabeça deles, não pode ter direito"
Então, companheiros e companheiras, o outro sonho de consumo deles é a fotografia do Lula preso. Ah, eu fico imaginando o tesão da Veja colocando a capa comigo preso. Eu fico imaginando o tesão da Globo colocando a minha fotografia preso. Eles vão ter orgasmos múltiplos.
Eles decretaram a minha prisão. E deixa eu contar uma coisa pra vocês: eu vou atender o mandado deles. E vou atender porque eu quero fazer a transferência de responsabilidade. Eles acham que tudo que acontece neste país acontece por minha causa. Eu já fui condenado a 3 anos de cadeia porque um juiz de Manaus entendeu que eu não preciso de arma, eu tenho uma língua ferina, então precisa me calar, porque se não me calar, ele vai continuar falando frases como eu falei, "tá chegando a hora da onça beber água", e os camponeses mataram um fazendeiro e eles achavam que era a senha.
Eles já tentaram me prender por obstrução de justiça, não deu certo. Eles agora querem me pegar numa prisão preventiva, que é uma coisa mais grave, porque não tem habeas corpus. O Vaccari já tá preso há três anos. O Marcelo Odebrecht gastou R$ 400 milhões e não teve habeas corpus. Eu não vou gastar um tostão. Mas vou lá com a seguinte crença: eles vão descobrir pela primeira vez o que eu tenho dito todo dia. Eles não sabem que o problema deste país não se chama Lula, o problema deste país chama-se vocês, a consciência do povo, o Partido dos Trabalhadores, o PCdoB, o MST, o MTST, eles sabem que tem muita gente.
E aquilo que a nossa pastora disse, e eu tenho dito em todo discurso, não adianta tentar me impedir de andar por este país, porque têm milhões e milhões de Boulos, de Manuelas, de Dilmas Rousseffs neste país para andar por mim.

Não adianta tentar acabar com as minhas ideias, elas já estão pairando no ar e não tem como prendê-las.
Não adianta parar o meu sonho, porque quando eu parar de sonhar, eu sonharei pela cabeça de vocês e pelos sonhos de vocês.
Não adianta achar que tudo vai parar o dia que o Lula tiver um infarto, é bobagem, porque o meu coração baterá pelos corações de vocês, e são milhões de corações.
Não adianta eles acharem que vão fazer com que eu pare, eu não pararei porque eu não sou um ser humano, sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês. E eu tenho certeza que companheiros como os sem-terra, o MTST, os companheiros da CUT e do movimento sindical sabem. E esta é uma prova, esta é uma prova. Eu vou cumprir o mandado e vocês vão ter de se transformar, cada um de vocês, vocês não vão se chamar chiquinho, zezinho, joãozinho, albertinho… Todos vocês, daqui pra frente, vão virar Lula e vão andar por este país fazendo o que vocês têm que fazer e é todo dia! Todo dia!
Eles têm de saber que a morte de um combatente não para a revolução.
Eles têm de saber. Eles têm de saber que nós vamos fazer definitivamente uma regulação dos meios de comunicação para que o povo não seja vítima das mentiras todo santo dia.
Eles têm de saber que vocês, quem sabe, são até mais inteligentes que eu, e queimar os pneus que vocês tanto queimam, fazer as passeatas, as ocupações no campo e na cidade. Parecia difícil a ocupação de São Bernardo, e amanhã vocês vão receber a notícia que vocês ganharam o terreno que vocês invadiram.
"Não adianta parar o meu sonho, porque, quando eu parar de sonhar, eu sonharei pela cabeça de vocês e pelos sonhos de vocês"


Parte 4

Companheiros, eu tive chance, agora, eu estava no Uruguai, entre Livramento e Rivera, e as pessoas diziam assim, "ô, Lula, você finge que vai comprar um “uisquizinho”, e você vai para o Uruguai com o Pepe Mujica e vai embora e não volta mais, pede asilo político. Você pode ir na embaixada da Bolívia, do Uruguai, da Rússia, e de lá você fica falando…" Eu não tenho mais idade. Minha idade é de enfrentá-los com olho no olho e eu vou enfrentá-los aceitando cumprir o mandado.
Eu quero saber quantos dias eles vão pensar que tão me prendendo. E, quantos mais dias eles me deixarem lá, mais Lulas vão nascer neste país e mais gente vai querer brigar neste país, porque numa democracia, não tem limite, não tem hora para a gente brigar. Eu falei para os meus companheiros: se dependesse da minha vontade eu não ia, mas eu vou porque eles vão dizer, a partir de amanhã, que o Lula tá foragido, que o Lula tá escondido, e não! Eu não tô escondido, eu vou lá na barba deles pra eles saberem que eu não tenho medo, que eu não vou correr, e para eles saberem que eu vou provar minha inocência.
Eles têm de saber isso.
E façam o que quiserem. Façam o que quiserem. Eu vou pegar uma frase que eu peguei em 1982 de uma menina de 10 anos em Catanduva, e essa frase não tem autor:
Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais poderão deter a chegada da primavera.
E a nossa luta é em busca da primavera.
Eles têm de saber que nós queremos mais casa, mais escola. Nós queremos menos mortalidade, nós não queremos repetir a barbaridade que fizeram com a Marielle no Rio de Janeiro.
Não queremos repetir a barbaridade que se faz com meninos negros neste país.
Não queremos mais a mortalidade por desnutrição neste país. Não queremos mais que um jovem não tenha esperança de entrar numa universidade, porque este país é tão cretino, que foi o ultimo país do mundo a ter uma universidade. O último! Todos os países mais pobres tiveram, porque eles não queriam que a juventude brasileira estudasse.
"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais poderão deter a chegada da primavera. E a nossa luta é em busca da primavera"
E falavam que custava muito. É de se perguntar: quanto custou não fazer 50 anos atrás?
Eu quero que vocês saibam que eu tenho orgulho, profundo orgulho, de ter sido o único presidente da República sem ter um diploma universitário, mas sou o presidente da República que mais fiz universidade na história deste país, para mostrar para essa gente que não confunda inteligência com a quantidade de anos na escolaridade, isso não e inteligência, é conhecimento.
Inteligência é quando você tem lado, inteligência é quando você não tem medo de discutir com os companheiros aquilo que é prioridade, e a prioridade é garantir que este país volte a ter cidadania. Não vão vender a Petrobras! Vamos fazer uma nova Constituinte! Vamos revogar a lei do petróleo que eles tão fazendo! Não vamos deixar vender o BNDES, não vamos deixar vender a Caixa, não vamos deixar destruir o Banco do Brasil! E vamos fortalecer a agricultura familiar, que é responsável por 70% do alimento que nós comemos neste país.
E com essa crença, companheiros, de cabeça erguida, como eu tô falando com vocês, que eu quero chegar lá e dizer ao delegado: estou à disposição.
E a história, daqui a alguns dias, vai provar que quem cometeu crime foi o delegado que me acusou, foi o juiz que me julgou e foi o Ministério Público que foi leviano comigo.
Por isso, companheiros, eu não tenho lugar no meu coração pra todo mundo, mas eu quero que vocês saibam que se tem uma coisa que eu aprendi a gostar neste mundo é da minha relação com o povo.
Quando eu pego na mão de um de vocês, quando eu abraço um de vocês, quando eu beijo um de vocês… porque agora eu beijo homem e mulher igualzinho… Quando eu beijo um de vocês, eu não tô beijando com segundas intenções, eu tô beijando porque, quando eu era presidente, eu dizia:
"Eu vou voltar pra onde eu vim".
E eu sei quem são meus amigos eternos e quem são os eventuais. Os de gravatinha, que iam atrás de mim, agora desapareceram. E quem está comigo são aqueles companheiros que eram meus amigos antes de eu ser presidente da República. É aquele que comia rabada no Zelão, que comia frango com polenta no Demarchi, é aquele que tomava caldo de mocotó no Zelão, esses continuam sendo nossos amigos. São os que têm coragem de invadir terreno pra fazer casa, são aqueles que têm coragem de fazer uma greve contra a previdência, são aqueles que ocupam no campo pra fazer uma fazenda produtiva, são aqueles que, na verdade, precisam do Estado.
Companheiros, eu vou dizer uma coisa pra vocês: Vocês vão perceber que eu vou sair desta maior, mais forte, mais verdadeiro, e inocente, porque eu quero provar que eles é que cometeram um crime, um crime político de perseguir um homem que tem 50 anos de história política, e por isso eu sou muito grato.
Eu não tenho como pagar a gratidão, o carinho e o respeito que vocês têm dedicado a mim nesses anos todos. E quero dizer a vocês, Guilherme e Manuela, a vocês dois, que para mim é motivo de orgulho pertencer a uma geração, que está no final dela, ver nascer dois jovens disputando o direito de ser presidente da República neste país. Por isso, grande abraço, e podem ficar certos: esse pescoço aqui não baixa, minha mãe já fez o pescoço curto pra ele não baixar, e não vai baixar, porque eu vou sair de lá de cabeça erguida e de peito estufado, porque eu vou provar a minha inocência.
Um abraço companheiros, obrigado, mas muito obrigado, pelo que vocês me ajudaram, um beijo, querido, muito obrigado!"

sábado, 7 de abril de 2018

BOAVENTURA A LULA : VOCÊ BRILHA PARA SEMPRE NA HISTÓRIA



Mensagem do Boaventura de Sousa Santos ao Presidente Lula

Caro Presidente Lula:
Que tipo de magia você tem que faz você hoje o garante da democracia brasileira, um farol de esperança para milhões de brasileiros gritando seu nome em todo o país e em tantas cidades estrangeiras? Que tipo de magia lhe permite dar uma lição tão extraordinária de humanidade e dignidade sob tanto sofrimento pessoal? A resposta não podia ser mais fácil: a sua simplicidade, caro presidente, é tal que os seus carrascos subestimaram a grandeza que carrega. Pequenos para começar, eles se tornam minúsculos. É assim que a história vai ter, a mesma história em que você já brilha e vai brilhar para sempre.

Por favor, aceite as minhas saudações mais sinceras.

Boaventura de Sousa Santos

Coimbra, Portugal, 6 de abril de 2018

NÃO CONSIGO ACEITAR QUE UM HOMEM COMO O EX-PRESIDENTE LULA SEJA PRESO NESTAS CIRCUNSTÂNCIAS TÃO ABSURDAS.

Tudo isto é um absurdo. Tudo isso é muito absurdo.

É um absurdo jurídico, seja em face do Direito Penal, seja em face do Direito Processual Penal.


É um absurdo que um homem bom e de talento invulgar como o ex-presidente Lula seja encarcerado por um crime inexistente, pois não recebeu qualquer propina, não recebeu o famoso apartamento triplex.
A conduta criminosa é RECEBER e não outra.

É um absurdo que um Poder Judiciário e um Ministério Público tenham concretizado uma maldade como esta. Eles têm consciência do grande equívoco jurídico em que estão incidindo.

Este punitivismo ingênuo ou perverso precisa ser barrado ou jamais vamos dar um salto de qualidade em nosso processo civilizatório.

O obscurantismo está ganhando da lógica e da racionalidade.

O ódio está ganhando da generosidade.( Eu mesmo, no exato momento, estou sentido ódio de muitos dos jornalistas do sistema Globo de TV e da Rede Bandeirantes, que deturpam a realidade e estão a serviço de interesses mesquinhos. São despreparados, hipócritas e cínicos).

A truculência está ganhando do conhecimento e da cultura.
O capital está ganhando do trabalho.

Enfim, a bestialidade está ganhando da humanidade.

Sinceramente, não me sinto confortável em viver em uma sociedade como esta. Cada vez mais me sinto dela excluído ou dela me excluo.

Concluo repetindo: na minha avaliação, nós, seres humanos, efetivamente não demos certo !!!

Afranio Silva Jardim, professor de Direito da Uerj.

Momentos !



Molham-se teus momentos
Sussurras com teus beijos
Encharcas os pensamentos
Ardem os corpos de desejos
Besuntas a nudez descalça
Lambes a ternura em abraço
E o tempo em mim se realça
Molham-se teus momentos
Ensopam os dedos de magia
Chapinham rios sem acentos
Ouvem-se as leis da filosofia.


AC............... Alice Coelho

© All Rights Reserved




Resistência Popular


Zeitgeist Addendum 2008 HD Legendado Português

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Desobediência Civil

Mas o que é essa tal de desobediência civil?
Desobediência civil pacífica é uma forma de luta democrática
O direito de se opor a tirania e ao arbítrio vem de muito longe, como bem mostra a lenda de Robin Hood. A desobediência civil é uma forma de protesto pacífico ante a injustiça ou há formas de estado de exceção. Muitas vezes, ela é uma deliberada as regras impostas pelo Estado.
A desobediência civil tem como teóricos Henry David Thoreau e Hannah Arendt, que inclusive defendia que a resistência pacífica era necessária quando um grupo de cidadão percebe que o Estado não lhes ouvia e emprega mecanismos para surrupiar direitos e agir na ilegalidade.
As táticas de desobediência foram aplicadas por Gandhi na Índia e replicadas por Marthin Luther King e posteriormente na luta contra a guerra no Vietnã que levou muitos norte americanos se negar a servir o exercito por serem contra a guerra. Ou nos movimentos pacifistas que invadiram base americana contra a possibilidade de guerra nuclear.
Gandhi, por exemplo, defendeu táticas que levavam ao enfraquecimento do Império Britânico, que envolviam o não pagamento de impostos, boicote econômico e por exemplo, recuperou os teares indianos para que estes fabricassem sua própria roupa e não comprassem produtos ingleses.
Outra atitude de Gandhi foi um marcha com mais de 70 mil pessoas a uma praia pela extinção da taxação do sal. Ainda buscava pela luta pacífica denuncia a ação violenta e desumana das autoridades contra a luta justa por direitos.
A desobediência civil, enfim questiona decisões injustiças para que estas sejam revistas e visa com isto, manter de pé a democracia. Ou seja, questionar uma lei ou uma decisão é um direito do cidadão, pois ele paga impostos e tem o direito a não aceitar a injustiça.
A injustiça é a força motriz da desobediência civil, por exemplo, a existência de inúmeras casas vazias e enorme quantidade “sem tetos” levou ao uso da ocupação da propriedade privada e força que o governo busca soluções para esta estratégia. A ocupação de escolas públicas para se confrontar contra uma política de fechamento de escolas ou leis injustas é outra forma.
Quer dizer então que já se emprega táticas de desobediência civil no Brasil....Sim, mas no tempo atual do Estado de exceção, retrocessos e perda de direitos precisamos ampliar nossas ações quando ocorre “um julgamento politico” que ameaça o direitos de todos. O judiciário se fecha e não quer ouvir o clamor popular e julga para satisfazer a mídia e o grande capital. Tempos em que o povo perde direito e se vê quase escravizado. Tempos em que a esperança do pobre é surrupiada pelos poderosos e se quer aprofundar o desastre social que vivemos e nos levar a um cenário de mais miséria.
E tempo de dizer não a injustiça e seguir os passos de Gandhi e fazer as marchas de Luther King.
É Tempo de luta pela justiça que está sendo negada aos mais pobres.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Jesus não morreu pelos “nossos pecados” e sim por enfrentar o sistema


30 DE MARÇO DE 2018 POR MAURO LOPES
Cruz (detalhe), Arcabas (Jean-Marie Pirot), Igreja do Espírito Santo e de S. Alessandro Mártir, Arquidiocese de Portoviejo, Equador

Nesta Sexta-Feira da Paixão, Caminho Pra Casa publica artigo exclusivo de um dos maiores biblistas vivos, o frade italiano Alberto Maggi. A tradução é do biblista brasileiro padre Francisco Cornélio. No texto, Maggi demole duas ideias que estão na base do cristianismo falsificado que os integristas sustentam há séculos: 1) Jesus teria sido morto “pelos nossos pecados”; 2) essa seria “a vontade de Deus”. A versão é insustentável com um exame realista e honesto dos textos bíblicos. Os Evangelhos são claríssimos: Jesus morreu porque confrontou o Templo, um sistema de dominação e exploração dos pobres de Israel. Jesus não inaugurou o tempo da culpa, mas o da misericórdia e o da vida plena para os pobres. A íntegra do artigo a seguir.

Por Alberto Maggi | Tradução: Francisco Cornélio

Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados. Essa é a resposta que normalmente se dá para aqueles que perguntam por que o Filho de Deus terminou seus dias na forma mais infame para um judeu, o patíbulo da cruz, a morte dos amaldiçoados por Deus (Gl 3,13).

Jesus morreu pelos nossos pecados. Não só pelos nossos, mas também por aqueles homens e mulheres que viveram antes dele e, portanto, não o conheceram e, enfim, por toda a humanidade vindoura. Sendo assim, é inevitável que olhando para o crucifixo, com aquele corpo que foi torturado, ferido, riscado de correntes e coágulos de sangue expostos, aqueles pregos que perfuram a carne, aqueles espinhos presos na cabeça de Jesus, qualquer um se sinta culpado … o Filho de Deus acabou no patíbulo pelos nossos pecados! Corre-se o risco de sentimentos de culpa infiltrarem-se como um tóxico nas profundezas da psiquê humana, tornando-se irreversíveis, a ponto de condicionar permanentemente a existência do indivíduo, como bem sabem psicólogos e psiquiatras, que não param de atender pessoas religiosas devastadas por medos e distúrbios.

No entanto, basta ler os Evangelhos para ver que as coisas são diferentes. Jesus foi assassinado pelos interesses da casta sacerdotal no poder, aterrorizada pelo medo de perder o domínio sobre o povo e, sobretudo, de ver desaparecer a riqueza acumulada às custas da fé das pessoas.

A morte de Jesus não se deve apenas a um problema teológico, mas econômico. O Cristo não era um perigo para a teologia (no judaísmo havia muitas correntes espirituais que competiam entre si, mas que eram toleradas pelas autoridades), mas para a economia. O crime pelo qual Jesus foi eliminado foi ter apresentado um Deus completamente diferente daquele imposto pelos líderes religiosos, um Pai que nunca pede a seus filhos, mas que sempre dá.

A próspera economia do templo de Jerusalém, que o tornava o banco mais forte em todo o Oriente Médio, era sustentada pelos impostos, ofertas e, acima de tudo, pelos rituais para obter, mediante pagamento, o perdão de Deus. Era todo um comércio de animais, de peles, de ofertas em dinheiro, frutos, grãos, tudo para a “honra de Deus” e os bolsos dos sacerdotes, nunca saturados: “cães vorazes: desconhecem a saciedade; são pastores sem entendimento; todos seguem seu próprio caminho, cada um procura vantagem própria” (Is 56, 11).

Quando os escribas, a mais alta autoridade teológica no país, considerando o ensinamento infalível da Lei, vêem Jesus perdoar os pecados a um paralítico, imediatamente sentenciam: “Este homem está blasfemando!” (Mt 9,3). E os blasfemos devem ser mortos imediatamente (Lv 24,11-14). A indignação dos escribas pode parecer uma defesa da ortodoxia, mas na verdade, visa salvaguardar a economia. Para receber o perdão dos pecados, de fato, o pecador tinha que ir ao templo e oferecer aquilo que o tarifário das culpas prescrevia, de acordo com a categoria do pecado, listando detalhadamente quantas cabras, galinhas, pombos ou outras coisas se deveria oferecer em reparação pela ofensa ao Senhor. E Jesus, pelo contrário, perdoa gratuitamente, sem convidar o perdoado a subir ao templo para levar a sua oferta.

“Perdoai e sereis perdoados” (Lc 6,37) é, de fato, o chocante anúncio de Jesus: apenas duas palavras que, no entanto, ameaçaram desestabilizar toda a economia de Jerusalém. Para obter o perdão de Deus, não havia mais necessidade de ir ao templo levando ofertas, nem de submeter-se a ritos de purificação, nada disso. Não, bastava perdoar para ser imediatamente perdoado…

O alarme cresceu, os sumos sacerdotes e escribas, os fariseus e saduceus ficaram todos inquietos, sentiram o chão afundar sob seus pés, até que, em uma reunião dramática do Sinédrio, o mais alto órgão jurídico do país, o sumo sacerdote Caifás tomou a decisão. “Jesus deve ser morto”, e não apenas ele, mas também todos os discípulos porque não era perigoso apenas o Nazareno, mas a sua doutrina, e enquanto houvesse apenas um seguidor capaz de propagá-la, as autoridades não dormiriram tranquilas (“Se deixarmos ele continuar, todos acreditarão nele … “, Jo 11,48). Para convencer o Sinédrio da urgência de eliminar Jesus, Caifás não se referiu a temas teológicos, espirituais; não, o sumo sacerdote conhecia bem os seus, então brutalmente pôs em jogo o que mais estava em seu coração, o interesse: “Não compreendeis que é de vosso interesse que um só homem morra pelo povo e não pereça a nação toda?” (Jo 11,50).

Jesus não morreu pelos nossos pecados, e muito menos por ser essa a vontade de Deus, mas pela ganância da instituição religiosa, capaz de eliminar qualquer um que interfira em seus interesses, até mesmo o Filho de Deus: “Este é o herdeiro: vamos! Matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança” (Mt 21,38). O verdadeiro inimigo de Deus não é o pecado, que o Senhor em sua misericórdia sempre consegue apagar, mas o interesse, a conveniência e a cobiça que tornam os homens completamente refratários à ação divina.

_____________________________

Alberto Maggi, biblista italiano, frade da Ordem dos Servos de Maria, estudou nas Pontíficias Faculdades Teológicas Marianum e Gregoriana de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversos livros, como A loucura de Deus: o Cristo de João, Nossa Senhora dos heréticos

Francisco Cornélio, sacerdote e biblista brasileiro, é professor no curso de Teologia da Faculdade Diocesana de Mossoró (RN). Fez seu bacharelado no Ateneo Pontificio Regina Apostolorum, em Roma. Atualmente, está em Roma novamente, para o doutorado no Angelicum (Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino), onde fez seu mestrado

sábado, 31 de março de 2018

álcool de alecrim


O álcool de alecrim fornece vários benefícios nos seguintes problemas de saúde:

Celulite
Contra gripes e resfriados
Dor de pescoço
Golpes e contusões
Problemas circulatórios, peso das pernas, varizes
Previne a queda de cabelo
Dores musculares, entorses, dores nas articulações, lumbago, reumatismo

Aprenda como prepará-lo:

Você precisará:

1 raminho de alecrim fresco, folhas e flores, se possível
Álcool (de preferência 92% ou 96%)
1 recipiente de vidro

Instruções:

Você pode usar folhas secas e flores, mas os efeitos não serão os mesmos.

Se possível, pegue uma planta inteira e cortá-lo em pedaços pequenos. Em seguida, coloque no recipiente e cubra com álcool. Feche e deixe por 15 dias em um lugar escuro. Você pode deixá-lo assim até 40 dias, mas 15 são suficientes também.

Como usar:

Depois dos 15 dias coe-o e despeje no recipiente de vidro novamente e mantenha em um lugar escuro. Você deve aplicar essa mistura externamente nas pernas e partes do corpo antes de ir dormir, a fim de agir durante a noite. Os resultados são fantásticos.

sexta-feira, 23 de março de 2018


Ohh deuses . . . quanta lucidez . . . bom senso . . . sabedoria . . . valentia . . . sim , valentia ! ! !



Poesia,
Negação…
Loucura
E solidão!
Ver sentido…
Sem razão,
Olhando
A imensidão!
Ouvir gritos…
Aflitos,
Em silêncios
Circunscritos!
Querer dizer…
Ficar mudo,
Sem nada
Poder fazer!
Poesia…
Fantasia!
Realidade,
Brevidade,
Imensidão,
Ilusão…
Do coração!!!


Horácio Graça
Dezembro de 2010


quarta-feira, 21 de março de 2018


MULHER

Tu, Mulher-Mãe
mágica chave da vida,
raiz sonhadora
de todos os sonhos,
onde a injustiça dos tempos
é dor fustigada.

Tu, Mulher-Mãe coragem
flor e perfume
dos nossos sentidos,
semente futura
dos que estão por nascer,
grito renascido
do sobreviver.

Tu, Mulher-Mãe-Companheira e
Trabalhadora
NÃO TE DEIXES TOMBAR!
Porque Hoje e Sempre
És hino de luta,
dignidade e amor,
memória infinita
do nosso amanhã,
DE PÉ FICARÁS!
nesta Terra que é tua
(nossa)
e onde o sorriso do Sol,
te beijará cada dia.

APSilva (21-Março-2018)


Corpo acetinado
Bebido
E perfumado
Mãos perdidas
Famintas
E despidas
Boca atrevida
Arrepio
E lambida
Beijos de chegada
E despedida
Corpo acetinado
Esculpido
E delineado
Corpo sulcado
E tocado
Em pecado


AC............... Alice Coelho
© All Rights Reserved

segunda-feira, 19 de março de 2018

Pai e Filho - Lição de Vida


Era a tarde mais longa de todas as tardes
Que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas
Tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca,
Tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste
Na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhamos tardamos no beijo
Que a boca pedia
E na tarde ficamos unidos ardendo na luz
Que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto
Tardaste o sol amanhecia
Era tarde demais para haver outra noite,
Para haver outro dia.
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza.

Foi a noite mais bela de todas as noites
Que me acontecera
Dos noturnos silêncios que à noite
De aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois
Corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram.

Foram noites e noites que numa só noite
Nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
Que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles
Que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto
Se amarem, vivendo morreram.

Eu não sei, meu amor, se o que digo
É ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
E acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
Dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida
De mágoa e de espanto.
Meu amor, nunca é tarde nem cedo
Para quem se quer tanto!

Ary dos Santos

sexta-feira, 16 de março de 2018

Mãos vazias

Esmaga no corpo a magia
Estende a língua pela pele
Absorve o suor da loucura
O fumo exalado de fantasia
Encharca as mãos de vazio
Remenda poemas rasgados
Engasga com um beijo vadio
Solta os pássaros engaiolados
Tempo não apressa, adormece
Nas mãos vazias de sabedoria
Um sonho acorda e amanhece.
Na boca em gemidos de euforia

AC............... Alice Coelho
© All Rights Reserved

Sonhos e caminhos

Vesti a pele dos sonhos
e criei caminhos
de vontades, de ilusões
e de alvoradas,
por uma vida inteira…

Transformei-me percorrendo
e partilhando o labirinto
da diferença e dos iguais,
na infinita esperança
dos amanhãs solidários,
para além dos altos muros,
prisionáveis,
contra a besta repressiva
da vergonha…

Semeei flores de Abril
que em Maio floriram,
nascidas em subterrâneos
de liberdade e de angústias
sofridas e vencidas…
E cantei hinos de Primavera,
tão livres
como o esvoaçar
de uma gaivota,
que generosamente
ia saudando
os tempos de mudança…

Apsilva - Maio de 1974

   Ao contrário de muitos que , por santa ingenuidade , se julgam meus amigos , eu não me preocupo e muito menos me escandalizo com "rendimentos mínimos" , "bolsas família" e outras esmolas ! Antes me assustam e aleijam os . . . salários imorais , "perdões de dívida" , "auxílios moradia" e outras benesses que ultrapassam e em muito o salário de pessoas que , em boa verdade , trabalham e produzem alguma coisa . . .
   Que mania têm algumas pessoas , de olhar para baixo e para o seu próprio umbigo . . . em vez de para cima e para as estrelas !
   Parafraseando alguém inteli(G)ente . . . "apenas se deve olhar outra pessoa , de cima para baixo , se for para a ajudar a levantar-se !" . . .

domingo, 11 de março de 2018


Flores clitoriais - Yanna Lílian🌷🌷🌷

Suspense no teu olhar,
Suspeitos sentimentos, seus peitos...
Amamenta, acalenta,
libertá-os do sutiã, e da santa inquisição...
Ovário apedrejado, inferiorizado, por alguns, maternidade e ternura... Não é para qualquer um.
Clitoris
clima intenso
feminilidade, o que é então?
Apenas menstruação, batom mordaz, uma panela no fogão?
Fêmea no cio sim senhor!
Feminilidade é coragem de ser mulher, de salto ou não...
Fêmea que sangra, chora e canta...
Ser mulher vai além da maquiagem, da cor de sua pele, é coisa de alma mesmo, tem gente que nem vagina tem mais é mulher também... Sim! é essa coisa de alma, meu bem.
Submissão é medo, não educação...
De muita intuição, regas teu coração.

sábado, 10 de março de 2018


VIEIRA DÁ 'MURRO NA MESA': «ACABOU A PARÓDIA QUE TEM SIDO INSTALADA À CONTA DO BENFICA»

Presidente do Benfica anuncia criação de um gabinete de crise a partir de segunda-feira


Foto: Miguel Barreira

Luís Filipe Vieira surgiu na sala de imprensa do Estádio da Luz após o Benfica-Aves (2-0) deste sábado para comentar os casos judiciais que têm envolvido o clube. Os administradores da SAD, Domingos Soares Oliveira e Rui Costa, bem como o treinador Rui Vitória, assistiram 'in loco' à comunicação do presidente, que anunciou a criação de um gabinete de crise e lamentou que a "reputação do clube tenha sido manchada", deixando várias acusações.


"Quero dizer que nunca, tanto eu como a minha direção, manchámos a honra do Benfica. Tudo o que se tem passado nos últimos tempos é sobejamento conhecido e, infelizmente, fomos vítimas de um ataque sem precedentes em Portugal. Violaram o nosso espaço e privacidade, anos e anos de uma empresa com dimensão mundial. Até hoje nada sucede e nada sabemos. Também dizer que as denúncias anónimas funcionaram para o Benfica como um aparato muito especial de que esta instituição foi vítima. Não compreendo as visitas as nossas casas e isto é um aviso a todos os benfiquistas: têm de ter a noção do que nos fizeram. Não conseguem defrontar-nos pela competência da estrutura do Benfica e a única maneira de nos vencer foi manchar o nosso nome. O principal objetivo do Benfica de há 18 anos a esta parte é recuperar a sua credibilidade. Hoje temos a nossa marca manchada, porque no nosso país não há algo que permite defender-se. Qualquer cidadão tem direito do sigilo e isso não existiu no Benfica. Havia casos em que [os jornalistas] chegavam primeiro que as autoridades. Os benfiquistas devem estar unidos - alguns têm feito o jogo do nosso adversário. Estou muito determinado e nada tememos. Vamos enfrentar tudo até às últimas consequências", começou por dizer.

"Quem nos fez mal, está bem identificado e exigimos tratamento igual. Vão a casa de quem têm de ir. Não queremos o nosso nome manchado, queremos libertar-nos rapidamente do que está a acontecer. Todos os que mancharam o nosso nome têm de ser penalizados. O Benfica provoca muita inveja em Portugal. É o único clube que tem um futuro e um projeto em todas as vertentes. O Benfica cumpriu com todo o sistema financeiro ao longo destes 18 anos, respeitou prazos, nunca tivemos atrasos com quem quer que seja. No dia que em que sair entregarei o clube aos benfiquistas para que tenham orgulho no clube. Acreditamos na justiça mas na clubite não. Agiremos criminalmente contra quem puser em causa o nome do Benfica. Acabou a paródia que tem sido instalada à conta do Benfica! A partir de segunda o Benfica terá um gabinete de crise instalado. Os benfiquistas que estão a fazer o jogo do adversário deviam ter vergonha", finalizou Vieira.

Não existe motivo algum para eu ter orgulho de ser português . . .

Glen Hansard & Marketa Irglova- Falling Slowly @ Interface

quinta-feira, 8 de março de 2018

Mulheres - Martinho da Vila

Já tive mulheres de todas as cores
De várias idades de muitos amores
Com umas até certo tempo fiquei
Pra outras apenas um pouco me dei
Já tive mulheres do tipo atrevida
Do tipo acanhada, do tipo vivida
Casada carente, solteira feliz
Já tive donzela e até meretriz
Mulheres cabeças e desequilibradas
Mulheres confusas, de guerra e de paz
Mas nenhuma delas me fez tão feliz como você me faz
Procurei em todas as mulheres a felicidade
Mas eu não encontrei e fiquei na saudade
Foi começando bem mas tudo teve um fim
Você é o sol da minha vida a minha vontade
Você não é mentira você é verdade
É tudo que um dia eu sonhei pra mim.
Já tive mulheres de todas as cores
De várias idades de muitos amores
Com umas até certo tempo fiquei
Pra outras apenas um pouco me dei
Já tive mulheres do tipo atrevida
Do tipo acanhada, do tipo vivida
Casada carente, solteira feliz
Já tive donzela e até meretriz
Mulheres cabeças e desequilibradas
Mulheres confusas, de guerra e de paz
Mas nenhuma delas me fez tão feliz como você me faz
Procurei em todas as mulheres a felicidade
Mas eu não encontrei e fiquei na saudade
Foi começando bem mas tudo teve um fim
Você é o sol da minha vida a minha vontade
Você não é mentira você é verdade
É tudo que um dia eu sonhei pra mim.
Procurei em todas as mulheres a felicidade
Mas eu não encontrei e fiquei na saudade
Foi começando bem mas tudo teve um fim
Você é o sol da minha vida a minha vontade
Você não é mentira você é verdade
É tudo que um dia eu sonhei pra mim

terça-feira, 6 de março de 2018

Todos os dias



Todos os dias são um dia
Com bravura ou ousadia
Meus
Teus
Nossos
Inteiros ou pela metade
Serenos ou de tempestade
Em cada dia uma aventura
Encharcada de uma loucura
Num pensamento tão só meu
Por onde veraneias sem parar
Num tempo que se esmoreceu
Naquele poema por declamar
Todos os dias são um dia
De voar pelas nuvens a rasgar
Onde amor é como acrobacia
E as palavras fazem engasgar.

AC............... Alice Coelho
© All Rights Reserved

sábado, 3 de março de 2018


"Amaram o amor urgente.
As bocas salgadas pela maresia.
As costas banhadas pela tempestade..."

Chico Buarque


"Uma lagartixa nunca será um jacaré". Provérbio africano que escolhi para comentar a nota do Presidente da República a assinalar a morte. do coronel Varela Gomes cujo funeral se realizou hoje. A foto é Alfredo Cunha, 1975. Foi publicada nas redes sociais e por isso a reproduzo para ilustrar a rejeição do Estado - representado pelo seu chefe - a homens como Varela Gomes, homens de ideais, que lhe são estranhos.
A nota do presidente da República a propósito da morte de Varela Gomes é um desapiedado revelador da personalidade de Marcelo Rebelo de Sousa e do regime a que preside.
Diz a nota: “ o chefe de Estado envia condolências à família e invoca a militância cívica do coronel destacando, “em particular, a sua consistente luta contra a ditadura constitucionalizada antes do 25 de abril de 1974”.
O Estado Novo é, formalmente caraterizado como uma ditadura constitucionalizada. O acrescento “constitucionalizada” tem a óbvia intenção de adoçar a ditadura do Estado Novo e, fundamentalmente a de salientar que aquela era um regime de ordem, anti-caótico ao contrário do que sucedeu após o 25 de abril de 1974, data referida expressamente na nota, marcando uma fronteira. Marcelo é um homem de ordem.
Isto é, em 2 linhas, o que Marcelo afirma. Há o essencial que ele apaga. Nunca refere a liberdade. E Varela Gomes lutou pela liberdade. Mas não é a liberdade que interessa a Marcelo Rebelo de Sousa. Ele também nunca refere a palavra democracia. Varela Gomes lutou pela democracia. Mas não é a luta pela democracia de Varela Gomes que Marcelo quer salientar. Pelo contrário, quer silenciá-la. Para ele MRS só existe uma democracia.
Marcelo e Varela Gomes defendem conceitos de liberdade e de democracia muito distintos.
Para Varela Gomes a liberdade inclui os direitos sociais associados, a liberdade depende da possibilidade de a exercer, de ter tempo, de ter acesso à educação e à cultura, à saúde, a um nível de bem estar que permita educar os filhos, por exemplo. Varela Gomes tem um conceito de liberdade alargado e generoso. Marcelo tem da liberdade o conceito dos sistemas mercantis da liberdade de expressão a quem dispuser de poder para dominar os meios de comunicação. Marcelo não podia falar da luta pela liberdade de Varela, porque a liberdade de um – a de Varela – torna a liberdade de outro – Marcelo – uma caricatura de liberdade.A liberdade de Marcelo é restrita e condicionada económica e socialmente.
Quanto à democracia. Marcelo é um mecanicista (para não dizer que pensa como um mecânico). Democracia, para Marcelo, é uma máquina que funciona segundo as regras que foram estabelecidas pelo fabricante e dentro do regime inscrito no livro de instruções (uma constituição) – a democracia de Marcelo é um regime constitucionalizado, que difere da ditadura constitucionalizada apenas pelo numero de utilizadores.
A democracia para Varela Gomes é um regime participado e baseado no esclarecimento.
Os dois têm conceitos incompatíveis de democracia.
Para Marcelo, um homem de ordem e de hierarquização social (os afetos são populismo) a democracia é o regime de menor denominador possível, o oposto de Varela Gomes. Para Marcelo, a democracia é representativa, assenta no exclusivo da decisão nos aparelhos partidários, funciona através de um sistema de rodas bem engrenadas, hermeticamente fechado num contentor estanque (Assembleia da Republica, comissões politicas, pex).
Marcelo é um bispo de diocese, capaz de excelentes sermões, de largas bênçãos às multidões, mas que nunca sairá debaixo do palio, que nunca causará um estremeção de dúvida nos fiéis, que defenderá a doutrina da infalibilidade da cúria papal e da verdade revelada. Estará sempre do lado do clero contra o povo.
Será sempre uma lagartixa. É da sua natureza e ser assim parece que é do agrado geral. Os rebeldes, os altercadores, os que duvidam são pedras no sapato. Hoje desapareceu definitivamente mais uma dessas pedras. Para Marcelo ele já tinha desaparecido em 25 de Abril de 74. Andou a incomodar a sua democracia até agora, 44 anos! Eu já nunca mais lhe darei lume para acender o charuto. Até eu já deixei de fumar. Obrigado ao Alfredo Cunha pela foto.

4-tissimo Guitar Quartet plays Tico Tico no Fubá


Além do horizonte existe um lugar
bonito e tranquilo
pra gente se amar...

Jota Quest


quinta-feira, 1 de março de 2018


Numa madrugada

Atravessam-me as palavras cansadas
Arrastadas nos dedos nuas e devassas
Silêncio acordado e janelas apressadas
Vidros estilhaçados e atitudes escassas

No esvaziar demorado de suspiros e ais
Madrugada fria na escalada de loucuras
Pairam chilreadas e canções nos beirais
Sorrisos abertos e desvairadas aventuras

Transparência de caminhos sem destino
Numa madrugada
Pelo vento semeados ao som do violino.
Encruzilhada


Alice Coelho



E toda a noite a chuva veio
E toda a noite não parou,
E toda a noite o meu anseio
No som da chuva triste e cheio
Sem repousar se demorou.

E toda a noite ouvi o vento
Por sobre a chuva irreal soprar
E toda a noite o pensamento
Não me deixou um só momento
Como uma maldição do ar.

E toda a noite não dormida
Ouvi bater meu coração
Na garganta da minha vida.

Fernando Pessoa.

art"mikael sundberg"

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Etta James - I´ve Got Dreams To Remember


Não podem exterminar os agricultores para prevenir os incêndios



Por: João Dinis - 26 de Fevereiro de 2018 - AbrilAbril

A pretexto da «prevenção de incêndios florestais/rurais» prepara-se uma vasta manobra de autêntica espoliação do direito de propriedade a milhares e milhares de pequenos e médios proprietários rurais e de produtores florestais.

O Ministério da Agricultura, secundado pelo Ministério da Administração Interna e pelo Ministério das Finanças, com a ameaça de formas duras de coacção e mesmo de repressão, pretende acelerar toda uma vasta manobra de autêntica espoliação do direito de propriedade a milhares e milhares de pequenos e médios Proprietários Rurais e de Produtores Florestais.

O pretexto é a alegada «prevenção de incêndios florestais/rurais», alegadamente para evitar a ocorrência de violentos e extensos fogos como os que nos têm abrasado e arruinado.

Ao mesmo tempo se violentam, com ameaças idênticas, aspectos eminentemente democráticos da autonomia dos municípios face ao poder central, enquanto o governo central tenta desresponsabilizar-se dos problemas tremendos que, de facto, se põem à floresta nacional e às zonas rurais em geral.

São problemas de políticas florestais/rurais e de ordenamento territorial – incluindo o ordenamento florestal – que, em primeiro lugar, ao Governo e ao Estado compete perceber, enfrentar e controlar, com respeito pelos direitos e interesses dos pequenos e médios Agricultores e Produtores Florestais, e em respeito pela autonomia das autarquias.

Em síntese, são dois «crimes» autocráticos cometidos de um só «golpe»: espolia-se o direito de propriedade dos pequenos e médios proprietários e viola-se a autonomia municipal no âmbito de decisão e intervenção exclusivas dos Municípios.
O que está em causa no chamado «Regime Excepcional das Redes Secundárias de Faixas de Gestão de Combustível»

Veja-se aquilo que está em marcha no âmbito do chamado «Regime Excepcional das Redes Secundárias de Faixas de Gestão de Combustível» e outra legislação mais recente. A 15 de Março termina o prazo legal imposto para que os Proprietários Rurais, os Produtores Florestais e os órgãos de gestão dos baldios assegurem acções «de limpeza» das suas parcelas agro-florestais, em cumprimento daquele «Regime Excepcional».

Tais acções «de limpeza» devem incidir numa faixa de 100 metros ao redor das zonas urbanas de aldeias, vilas e cidades rurais, em 50 metros ao redor de habitações mais isoladas e também nos espaços de 10 metros a seguir a bermas de estradas e de zonas industriais, tudo isso alegadamente para prevenção de incêndios florestais e rurais.

A seguir, a 15 de Março e até 31 de Maio, as Câmaras Municipais estão obrigadas, por lei, a entrar nos terrenos a limpar, em substituição e ao arrepio dos respectivos (pequenos e médios) proprietários ou dos órgãos de gestão dos baldios. E quem, por qualquer motivo, «não cumpra», fica de imediato sujeito a «autos de contra-ordenação» e a pesadas coimas (multas), sejam eles os Proprietários Rurais, os Produtores Florestais ou os órgãos de gestão dos baldios. As pesadas penalizações por «incumprimento» podem também recair sobre os orçamentos das Câmaras Municipais, através de «cortes» – feitos à ordem do Governo – de até 20% das transferências do Orçamento de Estado.

No caso, trata-se de fazer aplicar, de forma «cegamente» autoritária e repressiva, o tal «Regime Excepcional» e outra legislação mais recente de matriz marcadamente tecno-burocrática. Note-se que, também nestes domínios, «os (alegados) fins não podem justificar todos os meios». Esta legislação é marcadamente coerciva/repressiva. Além do mais, esta legislação impõe condições inviáveis e práticas contraproducentes!

Ou seja, tal como já é hábito, através de um «golpe» legislativo faz-se passar as maiores vítimas dos incêndios – os pequenos e médios Proprietários Rurais e os Produtores Florestais – para o lugar de culpados, enquanto sucessivos governos se tentam desresponsabilizar e «sacudir a água, o fogo, o fumo e a cinza, dos seus pesados capotes». Nós contestamos, com toda a indignação, estes comportamentos oficiais, como perversos e desviantes!

Não, à coacção arbitrária! Sim, às intervenções de limpeza de parcelas rústicas a definir em espírito de livre colaboração!

Pois bem, melhor, pois mal: tendo em conta os prazos muito apertados que o Governo agora impôs; a grande dificuldade que, por todas as razões, se pode prever para a execução de tais obrigações legais; a extrema fragilidade em que se encontra a nossa floresta em consequência dos incêndios; e ainda a elevada descapitalização em que se encontra a larga maioria dos Produtores Florestais e dos (pequenos e médios) Proprietários Rurais; é certo e sabido que esta legislação não vai poder ser cumprida, mormente no Minifúndio, apesar de todas as ameaças de repressão em presença!

Com esta «engrenagem» a manter-se em marcha – o que, aliás, é necessário impedir que aconteça –, os Proprietários Rurais, descapitalizados e sem verdadeiros incentivos financeiros vêm a iminência dos prazos a cumprir inflacionar os custos com as acções mais sistemáticas dessa «limpeza». A seguir, inflacionadas (caras) vão sair as «facturas» que as Câmaras Municipais mais «zelosas» também façam chegar aos proprietários que identifiquem, pelos custos do «serviço de limpezas» que venham a fazer nas Parcelas em substituição desses mesmos proprietários. Entretanto, também o Governo já «inflacionou» – aumentou para o dobro – os custos das «coimas» (das multas) a aplicar por incumprimentos nas «limpezas» no âmbito deste «regime excepcional» de que vimos falando.

O resultado, em convergência, será que, por razões várias, de entre as quais as dificuldades financeiras dos seus legítimos donos ou usufrutuários, milhares e milhares de pequenas e até médias parcelas rurais virão a ser hipotecadas, a seguir leiloadas, por fim consumadamente espoliadas! Outros proprietários, sob a pressão crescente destes processos, vão procurar vender as suas parcelas ao desbarato.

E ainda nesse seguimento, como neste caso específico estamos a falar, por exemplo, de parcelas situadas dentro de uma faixa até 100 metros ao redor dos perímetros urbanos de aldeias, vilas e cidades nos concelhos rurais, a seguir virá a pressão imobiliária (entre outras) especular com os terrenos assim espoliados. Quer dizer, à pala desta legislação de pendor fortemente repressivo e a pretexto do justo objectivo de fazer prevenção de incêndios, todo o «sistema» especula à custa dos direitos e interesses dos descapitalizados pequenos e médios Proprietários Rurais!
Está em marcha a «máquina de triturar» direitos e interesses dos pequenos e médios Produtores Florestais e Proprietários Rurais

É uma «máquina de triturar» que já trabalha há décadas. A sua componente «florestal» foi «montada» com base nos «cálculos» economicistas que presidem ao interesse estratégico da grande indústria de transformação de madeira – das celuloses em especial mas não só das celuloses – «cálculos» consubstanciados através da aplicação prática do binómio «quanto mais madeira melhor… ao mais baixo preço possível à produção».

É este o (grande) interesse estratégico, mais do que dominante, que «desenhou» as linhas apertadas das políticas agro-florestais até hoje seguidas, em Portugal, há mais de três décadas, e a que se submeteram, «cantando e rindo», sucessivos governos e governantes, incluindo o Governo actual – apesar deste até dispor de condições político-institucionais que lhe permitiriam actuar de forma muito diferente.

A outra componente mais forte e «de sistema» radica na aplicação «a ceifar» da Política Agrícola Comum (PAC) nas suas várias versões, que muito tem contribuído para a ruína de centenas de milhar de pequenas e médias explorações agrícolas, o que por sua vez força o êxodo rural.

Num contexto destes, tipo «rolo compressor», mais do que falta de vontade política, o que vemos é má vontade política, da parte de sucessivos governos e da própria União Europeia, contra os pequenos e médios Agricultores e Produtores Florestais!

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

The Beatles - Hey Jude

DU - PETER MAFFAY - (1970)

Poema da curva


“Não é o ângulo recto que me atrai.
Nem a linha reta, dura, inflexível,
criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e
sensual.
A curva que encontro nas
montanhas do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas nuvens do céu,
no corpo da mulher amada.
De curvas é feito todo o universo.
O universo curvo de Einstein.”

Oscar Niemeyer

Desenho - " O Pássaro" de Oscar Niemeyer







domingo, 18 de fevereiro de 2018


(quando será?)

as mãos com os braços
quando
as memórias
de um passado recente
se tornarem insuportáveis
quando
o pensamento livre
de tristeza gritar sufocado
talvez os olhos deixem de olhar
as mãos pendentes dos nossos braços
caídas quase rendidas
a este tempo de quereres falsos
quando
de novo acordarmos
e em nós com firmeza acreditarmos
voltará a força que fará
erguerem-se as mãos
com os braços

ana vieira

pintura a óleo de Álvaro Cunhal

Era - Ameno live

Surround Me With Your Love ~ 3-11 Porter [HD]

Alice Capela


Alice Capela

N. 1941

Uma extraordinária história de vida clandestina na Resistência, que começou na infância e só terminou com a Revolução: décadas de coragem e dedicação ao trabalho clandestino nas tipografias do PCP e cinco anos passados na prisão de Caxias.

15 Outubro, 2017
Helena Pato

De cada vez que montavam uma casa clandestina, os funcionários do PCP tinham de inventar um novo perfil de vida familiar. Alice, levada para a clandestinidade com 12 anos, viu interpretar e assumiu muitos personagens. Com 13 anos viveu o primeiro duro golpe: o pai foi preso, muito torturado e condenado a nove anos de cadeia. Sozinha com a mãe, fugiram para um ponto de apoio do
partido e, pouco depois, tiveram de se separar. Sem descanso, Alice seguiu na luta, foi presa, muito torturada pela PIDE, impedida de contactar o filho e o marido e, por fim, condenada em Tribunal Plenário a anos de prisão. A vida de Alice está entrelaçada com a história das tipografias clandestinas do Partido Comunista Português. Alice Capela é uma mulher doce e forte.

Biografia


Maria Alice Diniz Parente Capela

Maria Alice Diniz Parente Capela nasceu (frágil) na Póvoa de Santa Iria, em 1941, filha e neta de militantes do PCP. O pai, operário, era militante, assim como a mãe e a avó. Apesar dos seus escassos meios de subsistência, tudo o que tinham era disponibilizado ao partido e a sua casa era um “ponto de apoio” para a luta clandestina. O pai de Alice entrou para a clandestinidade quando ela tinha 10 anos. A mulher e a filha segui-lo-iam um ano depois. Aos 12 anos, Alice já estava numa “casa do partido”:

Éramos três filhos e não pudemos ir todos. Como eu era fraquita dos pulmões fui eu, com grande dor da minha mãe”

A avó de Alice, também operária, ficou com os outros dois netos, de 13 e sete anos[1].

Aos 16 anos, em 1957, começou a trabalhar numa tipografia clandestina. Em 1958, foi com a mãe para uma «casa» onde também vivia Joaquim Carreira[2]. Depois da prisão deste, foi viver sozinha com Adelino Pereira da Silva. Quando tinha 18 anos, Dias Lourenço, histórico dirigente do PCP, levou-a para viver numa casa com Adelino Pereira da Silva e disse-lhes que simulassem um casal. Ao fim de três meses eram companheiros de facto[3]. Seguiu-se o inevitável numa altura em que não havia ainda a pílula e a contracepção era bastante falível: Alice engravidou. Em 1960 teve o seu único filho, Alfredo. Um parto em casa, com grandes dificuldades.

Vida nas casas clandestinas

Nas casas clandestinas por onde passou, Alice (pseudónimo Olga, em homenagem à companheira de Carlos Prestes) teve como tarefas principais apoiar o trabalho dos camaradas da direcção do partido, dactilografando textos e colaborando com artigos para as edições “3 Páginas” e “A Voz das Camaradas”. Foram-lhe criadas condições especiais para estas tarefas. Os camaradas arranjaram-lhe uma máquina de escrever e fizeram uma caixa em madeira com tampa amovível e com um visor em vidro (acolchoada interiormente para evitar a propagação do barulho), onde se ajustava a máquina, ficando apenas de fora o teclado, assente numa base também acolchoada, e o manípulo para fazer correr o carrinho do teclado.

Outra das tarefas de Alice nas tipografias era a de revisora de provas, após a impressão da folha ou folhas de prova.

Em Janeiro de 1963, ela e o companheiro desconfiaram que estavam prestes a ser descobertos[4] e saíram precipitadamente da casa que habitavam, levando as roupas e os papéis importantes. Porém, chegados à casa nova, Adelino deu conta de que esquecera documentos importantes e, embora contrariado pela companheira, voltou atrás, sendo então preso. Após a prisão dele, durante todo o ano de 1963, Alice passou por várias casas “pontos de apoio”, até acabar por voltar a juntar-se à mãe numa casa que funcionava como tipografia [onde se imprimia a propaganda e a imprensa clandestina do PCP]. Nessa casa ilegal da Damaia residiram Alice, o filho de dois anos, a sua mãe, Aurora Piedade Diniz, e um camarada, Duarte Pinto.



Adelino Pereira da Silva, a mãe de Alice Capela, a funcionária do PCP Aurora Dinis e o filho

Em 1964 mudaram para a Charneca do Lumiar, onde funcionava uma outra tipografia clandestina e foi então que Alice ensinou Duarte a compor e imprimir. Ali ficaram nessas actividades – o filho, com quatro anos, “estava muito bem instruído, e muito cedo percebeu os cuidados que tinha de ter” – até que, em Dezembro de 1964, foram os três presos[5].

Prisão


Alice, na sede da PIDE, em Dezembro de 1964, quando foi presa

Levados para Caxias, ela e a mãe foram colocadas juntas, numa mesma cela e com o menino. Alice não largava o filho, levando-o até para os interrogatórios. Chegou o dia que ela receava: a PIDE avisou-a de que se não arranjasse ninguém para ficar com ele, o enviavam para um asilo. Alice não sabia a quem o entregar, já que todos os familiares próximos estavam presos: o pai da criança (Adelino), os avós maternos e os avós paternos. Contactou o irmão mais velho, já casado, pediu-lhe que ficasse com o pequeno e ele assentiu. Passados 15 dias o tio trouxe-o à visita, no parlatório, mas Alice não foi autorizada nem sequer a dar-lhe um beijo.


Alice Capela com o filho Alfredo

Disse-lhe que tinha muitas saudades e ele respondeu: Já conheço o paizinho. O paizinho é bonito”

O tio tinha-o levado a Peniche para conhecer o pai.

Torturam-na, mas Alice não falou, não disse nada.

Estive cinco dias e cinco noites na tortura do sono. Não me podia sentar, nem deitar, tinha alucinações, via uma carantonha a sair da parede e depois via o meu bebé e estava a embalá-lo. Desatei aos gritos e eles enfiaram-me uma toalha molhada na cabeça. Eu gritava “assassinos, assassinos” e eles esbofeteavam-me, davam-me murros, atiravam-me contra a parede, insultavam-me, “puta, cabra”, diziam que eu estava amantizada com fulano de tal e que já tinham dito ao meu companheiro. “Ao teu filho vais vê-lo morto” e eu pensava nele (…). Queria ficar louca para aquilo terminar. Depois mudaram de táctica, apareceu um tipo que era a cara do Adelino, eu sabia que era um pide, mas ele com muitas amabilidades, a ver se me fazia falar, [com aquela delicadeza era perigoso, com outras podia resultar, mas eu desde pequenina que tinha sido avisada daquilo tudo]. Sempre disse que tinha ideia de que se fosse presa não falaria nunca, que tinha a certeza que não ia falar. O que me dava força era ouvir aqueles gritos dos nossos camaradas presos em Caxias que viam que eu estava a sair e que não tinha falado”

O sofrimento de Alice deixou-lhe marcas profundas[6].

Estava presa no Forte de Caxias há um ano e meio quando, no dia 6 de Abril de 1966, casou com Adelino Pereira da Silva, então a cumprir pena na Cadeia do Forte de Peniche. A ditadura fascista não reconhecia como legítimos filhos gerados fora de um casamento, pelo que ou Alice e Adelino oficializavam a sua união ou não podiam ver o filho.

Tivemos que nos casar por procuração, ele na prisão de Peniche, eu na prisão de Caxias.”

Não se viram no dia do casamento. Só depois de casar puderam começar a corresponder-se. As cartas, entre a cadeia de Caxias, onde ela se encontrava presa e o Forte de Peniche, onde ele estava, eram quase exclusivamente sobre o filho, Alfredo, que foi andando de casa em casa, acolhido por familiares e amigos.

Depois, já em liberdade


Alice, o marido, Adelino, com quem casou por procuração, ela na prisão de Caxias, ele na prisão de Peniche, e o filho, Alfredo, só voltaria a juntar-se em 1970.

Alice esteve presa cinco anos, saiu em liberdade condicional em Setembro de 1969 e, só depois, Adelino[7]. Quando foi libertada o filho tinha quase 10 anos.

Foi muito estranho, não sabia o que fazer, apanhei um táxi para Entrecampos e de lá o comboio para a Póvoa de Santa Iria, e falava alto com as pessoas no comboio, era a hora a que regressavam do trabalho, dizia o que me tinha acontecido… Bati à porta, o Alfredo vem a correr e agarrámo-nos ao pescoço um do outro e rodámos, rodámos, rodámos, ele dizia: «mãezinha, mãezinha, há tanto tempo que eu não tinha mãezinha»”

Corriam os últimos meses de 1970 quando Alice, Adelino e o filho se juntaram novamente, agora na legalidade, e puderam ter uma vida normal. Após a sua libertação, Alice ficara a viver na Póvoa de Santa Iria e, após a libertação de Adelino, foram ambos residir para o Barreiro.

Deu-se o 25 de Abril quando iam passar de novo à luta clandestina. Já não foi preciso.












NOTAS

[1]

Como eu era fraquita dos pulmões fui eu, com grande dor da minha mãe. (…) Foi um grande sofrimento para os meus irmãos, na cabeça deles a minha mãe escolheu-me a mim. Compreendo-os muito bem, os meus irmãos e todos os filhos de funcionários que tiveram de ser separados dos pais foram jovens que sofreram muito.”

[2] Joaquim Augusto da Cruz Carreira foi provavelmente o homem que manteve, durante mais tempo, ininterruptamente, uma tipografia clandestina a funcionar. [Para além de muitos anos de clandestinidade, conheceu por várias vezes as agruras do cárceres fascistas, totalizando 9 anos de prisão, em Caxias e Peniche].

[3] Dias Lourenço tinha pedido a Adelino Pereira da Silva que montasse uma casa clandestina, e explicou-lhe que vinha morar com ele uma mulher. Quando chegou à rua combinada, Adelino Pereira da Silva viu ao longe Alice com Dias Lourenço. E ela, ao vê-lo, pensou “que não podia ser aquele rapaz, não devia ser, seria demasiada sorte” – achou-o bonito.

[4] O traidor que denunciou Adelino e outros membros do PCP estava ligado ao sector estudantil. A PIDE tê-lo-á enviado para uma das colónias.

[5] Era a madrugada de 13 de Dezembro de 1964 quando lhes batem à porta. À pergunta «quem é?», do lado de fora responderam que era o leiteiro, mas «Àquela hora não podia ser, percebemos logo do que se tratava e começámos a queimar os papéis. Nisto, nove homens arrombam a porta com um pé de cabra e apontam-me uma arma, “Mãos no ar, somos da PIDE”. Eu e a minha mãe começámos a gritar quem éramos e o que se estava a passar para os vizinhos ouvirem. Mas eu não queria fazer muito barulho para não assustar o meu pequenino, de olhos esbugalhados a olhar para aqueles homens armados».

[6]

Não gosto de me lembrar disto, são memórias muito duras. Eu preparei-o, fazia-lhe um grande teatro, dizia que nos íamos encontrar depressa. No momento da separação, nas escadarias de Caxias, (…) ele gritava, os olhos cheios de lágrimas, deu um pontapé ao pide, que lhe respondeu com uma bofetada e eu gritei “bata-me a mim, mas não bata ao meu filho” e (…) dizia-lhe: “a mãezinha adora-te, depois quando sairmos daqui vamos fazer uma festa e a mãe vai contar-te muitas histórias”. Era pelo meu filho que fazia aquilo. Subia a escada e ouvia os gritos do Alfredo ao fundo”

[7] Julgado em Tribunal Plenário foi condenado a 4 anos de pena e às famigeradas “medidas de segurança” (de seis meses a 3 anos, prorrogáveis), que tiveram início em 1967. Foram sete longos anos de prisão, no Aljube, em Caxias e em Peniche, até à sua libertação em 1969.

Dados biográficos:

Público: Há vidas inteiras que contam a historia do país
Estudos sobre o Comunismo
Delas: Até Amanhã Mãe
Antifascistas da Resistência: Adelino Pereira da Silva

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Molho de tomate caseiro



Essa receita de molho de tomate caseiro é rápida e garante um alimento mais saudável, além de deixar o prato mais saboroso. Veja como preparar:
Ingredientes
3 a 4kg de tomates orgânicos bem maduros
- Água para bater
- 1 fio de azeite de oliva extra virgem
- 1 cebola picada
- Sal verde a gosto (receita no canal)
- 1/2 colher de sopa de açúcar mascavo ou demerara
Saiba mais: Tomate ajuda a prevenir o câncer de próstata
Modo de preparo

Corte grosseiramente os tomates e retire as sementes. Bata no liquidificador com um pouco de água, com pele e tudo. Refogue a cebola no azeite, adicione o sal verde e coloque o tomate batido.Pra tirar a acidez, adicione o açúcar.


Deixe refogar por 45 minutos em fogo baixo com a panela semi tampada, mexendo de vez quando. Se não for usar tudo logo, é só colocar em potinho e congelar.

VALIDADE: 3 meses no freezer -18ºC (geladeiras duas portas); 1 mês no congelador (geladeira uma porta); de 3 a 5 dias quando apenas refrigerado (geladeira).

O Sagrado Feminino


"Houve um tempo, em que todas as mulheres eram sagradas. E que eram vistas como deusas, como senhoras de seu próprio destino. Houve um tempo, em que o corpo era sagrado, em que o sexo era uma prece. Em que homens e mulheres respeitavam-se e reverenciavam-se. O Sagrado Feminino é uma tradição milenar, um estilo de vida que compartilha ensinamentos sobre nosso corpo, nossas emoções e nossos ciclos. Tais ensinamentos e muitas das suas práticas são realizados nos Círculos de Mulheres, que podem abranger todos esses temas ou se aprofundar em algum específico. Quando se fala em Sagrado Feminino, muitos já imaginam a exclusão do masculino. Pelo contrário, trata-se do Despertar da Consciência Divina, trazendo de volta a percepção de que toda forma de vida faz parte de um todo, inclusive o ser humano, homem e mulher. O Sagrado Feminino evoca a concepção de que a Divindade está também na vida manifesta, na matéria, nos animais, nos ciclos da natureza, nos seres humanos e na sexualidade. É um encontro de devoção para com a Vida. Coloque seus pés na terra, seu ventre para dançar, sinta os desejos do seu corpo, escute os desejos da sua alma..."


~ Marcella Nune
Att: Daniel Mirante


Momentos

Abri a janela
Bebi do teu sol
Estonteei
Estendi a mão
Não te cheguei
Cansei
No ar a leveza
E toda a certeza
Nas palavras ditas
Prescritas
Abri a janela
Apertei a fivela
Fechei a porta
Sem atritos
Momentos infinitos.


AC............... Alice Coelho
© All Rights Reserved



sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018


Foi tão curto o passeio
Pelas ruelas da cidade
Pisando um chão alheio
Dentro da tua fragilidade
Soltaram risos e sorrisos
Mãos atadas de instante
Motes soltos e improvisos
E gestos de luar aberrante
Foi um bocejo sem tempo
Estimulado pelo momento.


AC............... Alice Coelho
© All Rights Reserved

Leonard Cohen ♥ Lover, Lover, Lover ♥

Um achado sobre Maria Auxiliadora Lara Barcelos, a Dôra Postado por Gabriel Vasconcelos em 18/ago/2017



UM EMOCIONANTE FILME que trata de uma médica que participou da luta armada, buscando resistir à ditadura militar, na década de 1970. O seu impressionante drama acabou quando ela se suicida em Berlim, de forma absolutamente trágica.

Antes de assistir o filme, acho importante ler a resenha do jornalista Paulo Nogueira, que foi companheiro da guerrilheira Maria Auxiliadora L. Barcelos, conhecida por "Dora".




“Além de constituir o relato mais completo de que tenho notícia sobre a guerrilheira, o filme é uma peça paradigmática do cinema militante, porque não se detém ao personagem alegórico e adota estratégias de forma e conteúdo raras para o seu tempo”

Há dois anos, Paulo Nogueira (DCM) escreveu artigo comovente sobre como descobriu tardiamente Maria Auxiliadora Lara Barcelos, a Dôra, no documentário Brazil: A Report on Torture (1971), dos norte-americanos Haskell Wexler e Saul Landau. Indicação de sua filha, o filme foi realizado no Chile e reúne depoimentos sobre a tortura de integrantes do grupo de 70 militantes tro cados no sequestro do embaixador suíço pela luta armada na virada de 1970 para 1971.

Entre os “Setenta” estava a “jovem médica, bonita e articulada”, por quem Nogueira disse ter se apaixonado. Fisgado pela altivez com que Dôra denuncia as violações do regime militar, o jornalista fez rápida busca na internet para saber como ela estaria hoje. Descobriu, então, a sua tragédia. Cinco anos após aquelas filmagens, em junho de 1976, Dôra se atirou nos trilhos do metrô de Berlim Ocidental, pondo fim à própria vida. Tinha apenas 31 anos e sofria de depressão aguda.

Bem conhecida da militância por direitos humanos, a história penetra lentamente na memória coletiva. Gerações como a do jornalista e a de sua filha têm se deparado com Dôra em trechos de filmes, trabalhos acadêmicos, reportagens e perfis de vítimas da ditadura. Em 2010, durante congresso do Partido dos Trabalhadores, a última presidente eleita do país, Dilma Rousseff, homenageou a companheira de VAR-Palmares em discurso emocionado.

Ainda assim, chama atenção o desconhecimento do público sobre o filme Quando chegar o momento (1978), realizado pelo cineasta e amigo de Dôra Luiz Alberto Sanz.

Assim como ela, Sanz aderiu à luta armada (VPR), foi preso, torturado e banido como um dos “Setenta” para o Chile. Em 1973, após o golpe de Augusto Pinochet, enquanto Dôra seguiu para Bélgica, França e Alemanha, Sanz foi para a Suécia. No país escandinavo, trabalhou como estivador até conseguir um cargo técnico na cooperativa de cineastas Filmcentrum.

Como demonstrado na segunda parte do filme, Sanz teve sorte. Em geral, os exilados brasileiros só tinham acesso a atividades pouco intelectuais, porque suas formações não eram reconhecidas na Europa. Além disso, uma minoria conseguia acessar a universidade e voltar a estudar. Sem uma bolsa, precisavam trabalhar para sobreviver. No caso das mulheres, o trabalho mais comum era o de faxineira, como relatam as entrevistadas Célia Bona Garcia, em Paris, e Sandra de Souza, em Estocolmo.

Trabalhando com cinema, Sanz conheceu o sueco Lars Safstrom. Sensível à causa latino-americana, ele topou viabilizar Quando chegar o momento por meio de uma produtora que mantinha com o irmão. Menos de três meses após o suicídio, em setembro de 1976, o documentário começou a ser pensado junto a Reinaldo Guarany. Também exilado, Guarany foi o último namorado de Dôra e personagem quase onipresente no roteiro.

Além de constituir o relato mais completo de que tenho notícia sobre a guerrilheira, o filme é uma peça paradigmática do cinema militante, porque não se detém ao personagem alegórico e adota estratégias de forma e conteúdo raras para o seu tempo. É o caso do autor-personagem, que aparece diante das câmeras fazendo perguntas e construindo, ele mesmo, os fatos a serem filmados.

Em outras palavras, Sanz contrariou certa tendência dos cineastas políticos ao subjetivar Maria Auxiliadora em toda a sua história de fibra e dor, em vez de só mostrá-la como representante de um grupo maior, pretensamente homogêneo. Por outro lado, fez um filme moderno: sensível à fala das mulheres, esteticamente irrepreensível e formalmente próximo ao que Eduardo Coutinho faria cinco anos depois com Cabra Marcado para Morrer (1984) e, depois, Michael Moore levaria ao extremo a fim de popularizar o gênero.

Apoiado em arquivos filmados de Dôra, cartas escritas por ela e depoimentos de outros asilados, o filme conta a trajetória da militante desde a origem em Antônio Dias (MG) até o suplício em Berlim, esmiuçando as causas de sua depressão: embora tivesse ingressado na concorrida faculdade de medicina da Universidade de Berlim, ela continuava a ser perseguida, encarada como uma subversiva perigosa.

Durante a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, foi obrigada a comparecer três vezes por dia à polícia, o que prejudicou sua frequência no curso de alemão pago pela Igreja Evangélica. Caluniada na imprensa por membros da Democracia Cristã, foi processada por entrada ilegal no país, sendo defendida pela Anistia Internacional. Depois, em um contexto de crescente paranoia do Estado diante da intensificação de ações de grupos de extrema esquerda, como a Fração do Exército Vermelho (RAF, na sigla alemã), teve a circulação restrita. Foi proibida de sair de Berlim Ocidental ou mesmo morar em determinadas zonas da cidade. A suspensão do direito de ir e vir foi o gatilho definitivo para a depressão.

Um dos trechos revela sua paixão pela ginecologia e pela psiquiatria, especialidades que pretendia seguir. Neste ponto, parte de seus escritos são lidos, revelando toda a sua potência intelectual e reiterando a reflexão de gênero que o filme sutilmente propõe.
Diz Dôra: “Segundo Freud, a mulher é um homem castrado. O macho é soberano. Mas Freud ignora a origem da supremacia do macho. Engels mostra que a consciência da mulher não é definida unicamente pela sexualidade. Repete uma situação que depende da estrutura econômica da sociedade. O homem torna-se proprietário da mulher quando, na divisão do trabalho, a propriedade privada aparece. O destino da mulher está ligado ao socialismo”.

Com duração de 61 minutos, o filme foi pré-exibido em 1978, no XI Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Cuba. Depois, foi ao ar no Canal 1 da TV Sueca, às 20h do dia 30 de agosto daquele ano, uma quarta-feira. Bem recebido pela crítica, foi um sucesso de audiência. Liderou o ibope da noite a ponto de ser reprisado, dias depois, em pleno horário nobre. O título, conta Sanz, é homônimo a um verso da canção Apesar de você, de Chico Buarque.

Por óbvio, devido à censura do regime militar, ficou completamente desconhecido do público brasileiro por muitos anos, até que foi exibido pela primeira vez no país em 2014, durante a mostra “Arquivos da Ditadura”, no Centro Cultural da Justiça Federal (RJ). No ano passado, com a ajuda de seu filho, Sanz liberou o filme para o público na plataforma Vimeo. É uma obra importante, do tamanho da amizade de Dôra e Sanz.

———————————————————-
Assista Quando chegar o momento logo abaixo:
Quando chegar o momento (Dora) from Luiz Alberto Barreto Leite Sanz on Vimeo.