sábado, 9 de fevereiro de 2019

Os sociopatas e os seus seguidores



Por: José Goulão - 08 de Fevereiro de 2019 - AbrilAbril

Para os países alinhados com Washington já não se trata apenas de violar grosseiramente a democracia. Os governos que seguem de braço dado com a administração Trump enveredaram pela carreira do crime.

Houve ocasiões – raras – em que os principais governos da União Europeia se distanciaram do comportamento boçal, truculento e neofascista da administração norte-americana gerida por Donald Trump. É certo que as razões nem eram louváveis, uma espécie de escrever direito por linhas tortas porque contrapor à política de fortaleza comercial de Washington o neoliberalíssimo «comércio livre» global, que serve meia dúzia de grandes conglomerados económico-financeiros, não é propriamente um comportamento honroso.

Ainda assim, essa situação foi suficiente para os que fazem política e comunicação navegando à vista nas vagas do oportunismo situacionista tentarem fazer crer que entre Washington e alguns dos principais aliados existiam saudáveis divergências, recomendáveis pelo facto de «parecer mal» estarem associados aos desmandos trumpistas.

Porém, o que tem de ser tem muita força, a realidade impôs os factos, as máscaras caíram, o globalismo ditou as suas leis, embora já periclitantes, e deixou de haver lugar para disfarces.

A harmonia entre Washington e os aliados restabeleceu-se quando foi preciso por mãos à obra e cuidar do que interessa a quem manda: o domínio sobre as matérias-primas e a vantagem militar planetária para, em última instância, assegurá-lo.

Bastou o aparecimento de provas de que a superioridade militar da NATO e respectivas ramificações pode estar em causa; eis que entra na ordem da actualidade uma disputa mais cerrada pelas riquezas naturais do mundo – e logo a boçalidade e o desprezo militante de Trump por qualquer coisa que tenha a ver com democracia e direitos humanos deixaram de ser problema.
A harmonia chegou com os psicopatas

Esbateram-se os limites, desapareceu a vergonha. Se o caminho mais eficaz para garantir a sobrevivência do «nosso civilizado modo de vida» é o recurso à autocracia, então que seja, desde que o discurso oficial assegure as melhores intenções democráticas e humanistas.

Mesmo que a harmonia entre a NATO e a gestão do Pentágono, a comunhão de ideais entre quem manda na União Europeia e a administração de Washington se tenham restabelecido no momento em que, depois de muitos tumultos e convulsões, a equipa que traça a doutrina Trump seja agora um sólido núcleo de psicopatas.

John Bolton, o conselheiro de Segurança Nacional do presidente; Michael Pompeo, o secretário de Estado, por inerência o tutelar dos Negócios Estrangeiros; Michael Pence, o vice-presidente, formam um triunvirato de fascistas com provas dadas em carreiras onde o recurso ao terrorismo político, declarado ou clandestino, nunca foi um problema.

Se lhes associarmos as figuras de um comprovado assassino e fora-da-lei como Elliott Abrams, agora escolhido como enviado especial para gerir o golpe na Venezuela; e de um expoente da «supremacia branca» como Steve Bannon, que corre mundo unindo as hordas fascistas, xenófobas, populistas e nacionalistas para manter a pressão, de modo a que o neofascismo seja a solução e nunca um problema, teremos um quinteto de psicopatas à altura de Trump, de tal modo que torna o próprio presidente descartável.

Pois foi precisamente na hora da estabilização do fascismo e da sociopatia como doutrina norte-americana que a NATO e a União Europeia – com o governo de Portugal fazendo questão de destacar-se – decidiram prestar-lhe vassalagem. Certamente não foi para que o governo português encarreirasse na esteira do terrorismo político e da guerra nuclear que os portugueses votaram.

Para os devidos efeitos e para memória futura registemos o desprezo assumido pela equipa de António Costa em relação à democracia, aos direitos humanos, à paz e ao direito internacional. Não existe outra interpretação possível do apoio ao golpe contra a Venezuela; não há hipótese de concluir outra coisa do alinhamento pleno com a NATO nos caminhos da guerra nuclear que estão a ser abertos por Washington.
É terrorismo, não é democracia

Aquilo que está a acontecer na Venezuela, e que tem proactivamente a mão do governo de Portugal, é terrorismo, é tentação fascista, é jogar com a vida de milhões de pessoas.

Não se trata apenas da entronização como «presidente interino» de um arruaceiro que os Estados Unidos treinam e pagam há 15 anos para servir como instrumento numa operação de golpe de Estado. Juan Guaidó é um entre vários que se formaram numa escola de terrorismo na Sérvia financiada pelos Estados Unidos, conhecida como Otpor/CANVAS1, para organizar «revoluções coloridas» e mudanças de regime em geral, de que são exemplos casos como o da Ucrânia, Geórgia, Egipto, Líbia, Síria, Honduras, Paraguai, Brasil.

E não se trata igualmente do recurso ao pretexto das supostas «irregularidade» e «ilegitimidade» das eleições presidenciais de Maio do ano passado, que decorreram segundo normas democráticas comprovadas por entidades independentes e de reconhecida idoneidade que acompanharam todo o processo. Ao contrário do que fizeram, por exemplo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a alta comissária europeia, Federica Mogherini, que recusaram os convites para serem ou enviarem observadores, partindo do princípio de que as eleições seriam fraudulentas muito antes de se realizarem.

O que está verdadeiramente em causa como consequência do comportamento das personalidades, entidades e organizações que apoiam a estratégia de mudança de regime montada pela equipa de psicopatas de Trump é a tragédia que paira sobre todo o povo venezuelano – comunidade portuguesa obviamente incluída.

Uma tragédia anunciada, uma vez que os promotores da operação tiveram o cuidado de não deixar margem de recuo. A parada é alta e todo o processo foi montado de modo a que não haja outra saída que não seja a destruição da Revolução Bolivariana, sufragada em mais de uma vintena de consultas populares legítimas realizadas durante os últimos 20 anos.
Solução: banho de sangue

Ora a capitulação do governo de Nicolás Maduro – que não tem de se demitir ou de convocar eleições porque a Constituição, a única lei pela qual responde, não o obriga – só pode ser alcançada por estas vias: golpe militar interno, agressão estrangeira directamente pelos Estados Unidos ou por procuração (Brasil, Colômbia e Argentina estão prontos), ou colapso absoluto do Estado devido às sanções, extorsão e roubo de que os bens do povo venezuelano são vítimas – a começar pelas 31 toneladas de ouro de que entidades bancárias estrangeiras se apropriaram abusivamente, também com responsabilidade do Banco Central Europeu, para que conste.

Sejam quais forem os caminhos seguidos pelos responsáveis do golpe, o resultado será um banho de sangue com extensão imprevisível. Esse é o preço que Estados Unidos e aliados estão dispostos a pagar para deitarem as mãos aos 300 mil milhões de barris de petróleo venezuelano – as maiores reservas mundiais conhecidas – às poderosas reservas de ouro, nióbio, tântalo e outros elementos e metais preciosos.

Não há pretextos e máscaras que sirvam para a ocasião. O que, através do golpe, os Estados Unidos, a União Europeia e aliados puseram em andamento foi a compra que um valiosíssimo lote de riquezas naturais e estratégicas pago com sangue humano, na quantidade que for precisa. Afinal, tal como no Iraque, na Líbia, na Síria ou Afeganistão.
O caminho para a guerra nuclear

A fuga para a frente com o objectivo de garantir a sobrevivência do neoliberalismo, conduzida pelo gang de tiranos sociopatas de Washington, não hesita, como se vê, perante a repugnante e desumana traficância em curso na Venezuela.

Fuga essa que começa a adquirir velocidade própria numa outra direcção até aqui vedada pelos mais compreensíveis instintos de sobrevivência colectiva: a da guerra nuclear.

Não há outra leitura para a decisão norte-americana de abandonar o Tratado de Armas de Médio Alcance (INF2), assinado há 30 anos pelos Estados Unidos e a União Soviética.

Não há outra leitura do apoio a essa posição manifestado pela NATO e pelo sempre «bom aluno», o governo de Portugal.

Os pretextos invocados para o abandono do Tratado são falsos ou, no mínimo, desconhecidos. Nem os Estados Unidos nem a NATO apresentaram, até ao momento, qualquer prova de que a Rússia estaria a violar esse acordo. Em paralelo, também não se regista qualquer interesse, tanto dos dirigentes norte-americanos como da NATO – e da comunicação social com eles sintonizada – em aceitarem os convites de Moscovo para visitarem os locais onde supostamente estariam a ser construídas as armas que violam o Tratado.

Ao invés, a parte russa já divulgou provas de que os Estados Unidos estão a produzir armas proibidas pelo Tratado há pelo menos dois anos.

É objectivo dos Estados Unidos instalar os novos mísseis em países europeus como a Itália, a Alemanha e a Holanda, onde também está prevista a disponibilização de bombas nucleares de nova geração3.

Trata-se de engenhos ditos de potência reduzida, isto é, com uma capacidade de destruição calculada em metade ou mesmo menos dos largados sobre Hiroxima e Nagasaki. Este facto tem ajudado a consolidar a tese perigosíssima segundo a qual as novas bombas poderão ser utilizadas em conflitos limitados e sem provocarem respostas equivalentes, o que as torna uma vantagem decisiva.

Torna-se evidente que o recurso a essas bombas implica a existência de mísseis vocacionados para transportá-las – e daí a quebra do Tratado INF.

Deduz-se, pois, que pelas cabeças doentes e sanguinárias de figuras como Bolton – que pretende enviar Maduro para Guantánamo – Pence e Pompeo passa, de facto, a ideia de vir a utilizar essa nova combinação de mísseis de médio alcance com armas nucleares de «potência reduzida» e tendo a Europa como um dos cenários de operações. Pelo que os países europeus sintonizados com os tiranos sociopatas de Washington não desprezam apenas a vida dos venezuelanos, mas também a dos seus próprios povos4.

Já não se trata apenas de violar grosseiramente a democracia. Os governos que seguem de braço dado com a administração Trump enveredaram pela carreira do crime.

1.
Estas e outras revelações podem ser lidas no esclarecedor artigo «Para saber tudo sobre o golpista Juan Gaidó», publicado numa tradução exclusiva para Portugal pelo jornal digital O Lado Oculto, que se apresenta como um «antídoto para a propaganda global» e é dirigido pelo nosso colaborador José Goulão.
2.
A sigla INF provém do nome do tratado em inglês, habitualmente designado, nessa língua, por INF Treaty (de Intermediate-Range Nuclear Forces Treaty). Esta entrada da Wikipédia refere 20 de Outubro de 2018 como o ponto de partida para a derrogação do tratado INF, quando Donald Trump acusou a Rússia de «violá-lo há muitos anos». Na verdade, desde o início de Fevereiro de 2018 que os EUA tinham revisto a sua postura estratégica sobre a utilização de armas nucleares (Nuclear Posture Review). Nesse documento os EUA não descartam um ataque nuclear inicial por sua iniciativa e designam a Rússia e a China como inimigo principal. Na altura, o nosso colaborador André Levy alertou para os riscos desta agressiva evolução, que recolocou o perigo de holocausto nuclear na ordem do dia («A dois minutos da meia-noite», 16 de Fevereiro de 2018). Recentemente, também o nosso colaborador António Abreu se pronunciou sobre o tema («A guerra nuclear limitada, de novo», 4 de Fevereiro de 2019).
3.
Um relatório do grupo de analistas militares Southfront, «INF Is Dead. Europe Is One Step Closer To Nuclear War», coloca como verdadeira razão para o abandono do INF não uma eventual ameaça russa ou chinesa mas a necessidade de a administração estado-unidense voltar a financiar massivamente o complexo militar-industrial americano, afim de este produzir avançados sistemas de mísseis e anti-mísseis que poderão vir a ser vendidos a alto preço no cenário europeu afectado pela «febre da ameaça russa». Pode ler e ouvir o relatório aqui.
4.
A prestigiada ONG International Campaign to Abolish Nuclear Weapons (ICAN), que recebeu em 2017 o Prémio Nobel da Paz, considerou que a retirada dos EUA do tratado põe, antes do mais, a Europa em grave risco, dada a natureza da aliança militar entre aquele país e a União Europeia, consubstanciada na NATO. Se a Rússia for atacada nuclearmente os seus sistemas de Mútua Destruição Assegurada (Mutual Assured Destruction, ou MAD, acrónimo que tem a particularidade de significar «louco», em inglês) dispararão em segundos. Os sistemas MAD prevêm o disparo automático de todos os mísseis e armas nucleares disponíveis contra os potenciais atacantes (previamente definidos) mesmo que os sistemas de comando e a direcção político-militar do país tenham sido completamente destruídos. Tanto os EUA como a Rússia dispõem de um arsenal nuclear para destruir várias vezes o planeta.


sábado, 2 de fevereiro de 2019


Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.

Vladimir Maiakóvski


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019


Fernando Horta


Foto Leonardo Benassatto/Reuters



O pior homem que já pisou neste país, por Fernando Horta

Na década de 50, nos EUA, no auge das perseguições políticas do Macarthismo, os “condenados” por suas posições políticas eram colocados nas mesmas prisões que os piores criminosos daquele país. Estupradores, assassinos, e criminosos cuja imaginação comum apenas tangencia seus feitos eram mandados para prisões de “segurança máxima” e conviviam lado a lado com professores, trabalhadores e mesmo advogados que eram “julgados” comunistas.


A bibliografia sobre o período está recheada de casos neste sentido. Um condenado a prisão perpétua por crimes de assassinato e estupro, por exemplo, ao receber a visita da mãe ouviu dela um inusitado conselho: “Não se misture com aquela gente”. “Aquela gente”, nas palavras da mãe do apenado, eram os “comunistas”. Pessoas cujo único “crime” era pensar um mundo diferente, econômica e socialmente mais justo. “Aquela gente”, aos olhos da matriarca do apenado, estava abaixo, na escala de pecados, de seu filho que havia matado e estuprado várias pessoas.

A postura desta senhora, nos anos 50, não era um caso isolado. De fato, o macarthismo, através de uma campanha midiática e mentirosa, transformava seus alvos em indivíduos que as massas conservadoras julgavam não deveriam ter o direito sequer de respirar. A bestialidade chegava a tal ponto que não são poucos os casos de linchamento de pessoas nos EUA “suspeitos” de ligação com o comunismo. A violência das massas, legitimadas pela campanha de ódio, não se restringia apenas a comunistas, mas, como mostram os casos de Emmett Louis Till e Harry Hay, a questão racial e de sexualidade também atraíam o ódio e o desprezo.

“Comunista” era ligado narrativamente ao “negro vagabundo e ladino” e ao “homossexual depravado”.

Em 1953, num dos primeiros atos de seu governo, Eisenhower assinou uma lei que bania do serviço público norte-americano pessoas com “condutas sexuais pervertidas”. A designação de Eisenhower durou por quase 20 anos.

Comunistas, negros e homossexuais eram os piores dentre todos os que tinham pisado na Terra. A eles não era permitido que pensassem, que vivessem, que trabalhassem ... A presença da URSS evitou que muitas destas pessoas fossem sumariamente mortas, porque a propaganda seria péssima para o “mundo livre”, como os EUA faziam questão de serem chamados.

Suzanne von Richtofen foi condenada por manda matar os pais para ficar com a herança. Ela e os executores do crime (os irmãos Cravinhos) foram condenados a 39 anos e seis meses de reclusão. Suzanne tem garantidas as saídas da cadeia no Natal e até mesmo no dia dos Pais. Os irmãos Cravinhos, também são receptores da letra da lei e saem da cadeia no dia das mães além de darem entrevistas a jornais e televisões.

O ex-goleiro Bruno Fernandes foi condenado por ser o mandante do assassinato e destruição do corpo da mãe de seu filho, Elisa Samudio. Bruno, em conluio com comparsas, teria não apenas matado Elisa, mas dado seu corpo despedaçado para cães comerem. Em 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão. Durante os mais de seis anos que esteve preso, tanto Bruno, quanto seu cúmplice imediato “Macarrão” tiveram seus direitos respeitados quanto à “saída temporária” e até quanto a serem colocados em “regime semi-aberto”.

Numa república, a lei deve ser cumprida e parece que tanto Bruno, quando Suzanne, a despeito do quanto achemos selvagens seus crimes, tiveram respeitada sua humanidade. Humanidade que não lhes é dada (ou retirada) em função de seus comportamentos, mas que é – desde o século XVIII – a base do que se chama de “liberalismo político”. O homem tem direitos naturais que lhe assistem, indiferente ao que possa fazer ou pensar em vida. A base da sociedade contemporânea ocidental é o respeito inalienável a tais direitos como a vida, a inviolabilidade do corpo, à liberdade de pensamento e à propriedade privada.

Contudo, um homem que vive entre nós está na condição de ser o pior dos homens que já pisaram a Terra desde Adão e Eva. Segundo as duas juízas-carcereiras, colocadas para vigiar as portas da prisão do “mal encarnado”, este homem não merece sequer o custo das grades que lhe confinam ou da comida que come. Desrespeitar os direitos de alguém é dizer aberta e claramente que este sujeito não tem humanidade. Carolina Lebbos e Gabriela Hardt decidiram, entre turnos, manter “o pior homem entre nós” trancafiado sem poder sequer comparecer ao velório de seu irmão.

Para o judiciário brasileiro, que tem em Moro o símbolo-esperança e modelo de ação, Luís Inácio Lula da Silva está abaixo, na escala dos pecados, do que Bruno ou Suzanne. Lula está abaixo de Carlinhos Cachoeira, de Pimenta Neves (que em 2000 assassinou a esposa), dos irmãos Cravinhos, de Guilherme de Pádua (assassino de Gabriela Perez), entre outros.

O que fez o “pior dos homens” para merecer este tratamento? Quais crimes cometeu? Certamente crimes de imoralidade e desumanidade absolutas, que indicariam uma repulsa social acima de qualquer argumentação razoável. Que poderes tem este indivíduo, que deve ser proibido visitas, entrevistas e falas à imprensa? Que maldade e pecados encerra o homem a quem o judiciário brasileiro não permite sequer o cumprimento das suas próprias leis?

Lula foi condenado a 12 e um mês de prisão. Não há uma conta com dinheiro ilícito em seu nome. Não há um imóvel, carro, lancha, avião, iate ou joia que tenha sido aprendido ou descoberto em seu nome ou de familiares. Não há um documento seu assinado, uma ligação ou uma gravação telefônica sua ou de familiares que o tenham colocado em posição de ter cometido ato criminoso.

Lula foi condenado baseado num “powerpoint” de um procurador que na argumentação final usou teorias de probabilidade (que ele desconhece) para “provar” que Lula “tinha que ser culpado”.

Lula foi condenado por um ex-juiz que, após oito anos de investigações conseguiu apenas uma única palavra contra Lula. Moro reduziu a pena imposta por ele próprio a Léo Pinheiro, de 26 anos de prisão para pouco mais de dez anos, após Léo ter “colaborado” para a condenaçõa de Lula. Em segundo grau, o desembargador Gebran reduziu novamente a pena do empreiteiro de dez para três anos e seis meses de cadeia. E, enquanto você lê este texto, Léo Pinheiro está em casa, em “prisão domiciliar”.

Lula foi condenado por três desembargadores que, em suas sentenças finais, gastaram não mais do que cinco páginas para discutirem argumentos de acusação e defesa, e mais de quinze para elogiarem o colega ex-juiz Moro.

Lula foi condenado no processo mais rápido da história do TRF-4. Tempo suficiente para lhe retirar do pleito de 2018.

O pior dos homens entre nós, segundo o judiciário brasileiro, foi condenado por ter visitado um apartamento que lhe era oferecido para comprar. As provas se resumem a duas visitas e uma delação.

Este “monstro” precisa ficar enclausurado, longe da imprensa, da sociedade e do mundo, porque ele pode ser capaz das maiores insanidades sociais, como, por exemplo, chorar a morte do irmão ou, talvez, falar. E em falando, Lula pode vir a retirar o Brasil do coma induzido por nossas instituições. O perigo que representa a voz e o pensamento do homem que tirou 40 milhões de pessoas da pobreza, elevou o Brasil à sexta economia do mundo e deu escola e educação superior a mais gente do que todos os presidentes anteriores somados, é dele demonstrar a inaptidão, ignorância e incapacidade do atual governo. Este “inominável ser” deve ser mantido isolado, com focinheira e duas juízas especialmente designadas a ficarem monitorando as portas da cela.

Lula está preso sim ... se não estivesse o Brasil não estaria sendo governado por fascistas, exposto ao ridículo internacional e se submetendo aos desígnios da política externa de outros países.

Lula está preso sim e, graças às duas diligentes juízas, temos a certeza que a “pior criatura” que já pisou neste país não tem o direito sequer de velar seu irmão. E tudo isto pelo pavoroso crime de ter construído um Brasil mais justo e mais igual. Algo que a Justiça brasileira, a bem da verdade, nunca aceitou, em mais de 500 anos de história.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Venezuela – Como se fabrica um golpe de Estado.



Por: Lidia Falcón - 28 de Janeiro de 2019

Publicado por Pùblico em 28 de janeiro de 2019

Diz-se que na guerra a primeira vítima é a verdade, e na guerra do império norte-americano e da direita mundial contra o governo bolivariano da Venezuela a verdade foi assassinada traiçoeiramente na propaganda de todos os meios de comunicação fascistas e reacionários.

Estou a ver na televisão as manifestações de milhares de pessoas contra Maduro e a favor do autoproclamado presidente Guaidó, enquanto este organiza uma conferência de imprensa para dezenas de meios de comunicação internacionais em plena rua. E os porta-vozes da direita, incluindo alguns esquerdistas reconvertidos, não param de qualificar a Venezuela de ditadura. Como cada vez devemos ser menos os sobreviventes da ditadura franquista quase ninguém dá testemunho daquilo que é uma ditadura. Na Venezuela convocaram-se eleições periodicamente durante vinte anos e a elas apresentaram-se todas as formações políticas que quiseram; os meios de comunicação da oposição difundem todas as críticas ao governo que entendem, incluindo um monte de falsidades como pude comprovar pessoalmente nas minhas viagens à Venezuela; ninguém é denunciado nem detido por criar um partido político contrário ao governo ou por organizar um acto público, na rua ou num local para criticar o regime. E continua a dizer-se desde o altifalante ocidental que a Venezuela é uma ditadura.

Produziram-se três golpes de Estado contra o governo bolivariano desde que Hugo Chávez ganhou as eleições em 1998

Desde 2002, na Venezuela, quando se organizou o primeiro golpe de Estado contra o comandante Hugo Chávez o governo bolivariano foi vítima de todo o tipo de conspirações para o derrubar. E a partir da eleição de Maduro a oposição montou os antros, grupos de rufias e assassinos que se dedicaram a assaltar e assassinar os manifestantes chavistas, atentados que também provocaram vítimas entre a população civil. Os EUA impuseram-lhe o boicote económico, nomeadamente ao petróleo, da mesma forma que o faz com Cuba, o que está a conduzir o país à escassez de alimentos e medicamentos.

Os golpes de Estado organizados pelos EUA na América Latina têm tido diferentes origens. Desde os que se impuseram rapidamente pela invasão militar do país: República Dominicana a primeira vez em 1916-1924, a segunda em 1965, em que o Corpo de Fuzileiros Navais entrou na ilha e mudou o governo que atuava naquele momento.

O golpe de estado que abalou a Guatemala em 1954 foi o resultado da operação encoberta chamada PBSUCCESS (Criptónimo CIA). Esta foi organizada pela CIA para derrubar Jacobo Arbenz Guzmán, o presidednte da Guatemala democraticamente eleito, por se opor aos interesses da United Fruit Company e por permitir que os membros do minoritário partido comunista da Guatemala —Partido Guatemalteco do Trabalho— influissem nas decisões mais importantes do seu governo.

Nicaragua, Granada, Panamá, Cuba, sofreram invasões diretas e a ocupação do país pelo exército dos EUA, para mudar governos e regimes. Salvador Allende, presidente democraticamente eleito no Chile pelo seu povo, foi assassinado no dia 11 de setembro de 1973 pelo golpe de Estado do general Pinochet, financiado e organizado por Kissinger, Secretário de Estado dos EUA.

No dia 28 de junho de 2009 o presidente das Honduras, Manuel Zelaya, foi sequestrado em sua casa pelo exército do seu país, a meio da noite, e enviado, em pijama, num avião para a Costa Rica, numa operação organizada e financiada pelos EUA. Zelaya pretendia mudar a Constituição mediante um referendo popular.

Outros golpes foram arquitetados mediante a pressão económica e mediática, ou organizando uma oposição armada no interior do país ou nas suas fronteiras, como sucedeu na Nicarágua. A intervenção do Departamento de Estado dos Estados Unidos e da CIA nos países latinoamericanos, desde a guerra de Cuba em 1898, é uma constante na história de ambos os continentes.

O governo dos EUA não pode consentir que no seu “pátio traseiro” se possam criar regimes socialistas. E muito menos na Venezuela, que possui as reservas de petróleo mais importantes do mundo, e coltane, ferro, diamantes.

O personagem que acaba de ser nomeado novo enviado dos EUA para Venezuela como representante especial do Governo de Trump, com o objetivo de encabeçar a “restauração da democracia” na Venezuela, é Elliott Abrams, o que foi o arquitecto do golpe contra Chávez em 2002. Espera que Abrams coordene todos os esforços diplomáticos dos EUA para substituir o presidente Nicolás Maduro pelo autoproclamado presidente Juan Guaidar, que foi reconhecido por Trump meia hora depois da sua autoproclamação.

Este tal Elliot Abrams , foi secretário de Estado adjunto de direitos humanos da Administração Reagan na década de 1980. Abrams apoiou os ditadores respaldados pelos Estados Unidos em Guatemala, El Salvador e Honduras. Também participou no escândalo Irán-Contra: altos funcionários do Governo de Reagan, apesar da proibição do Senado, autorizaram a venda de armas ao Governo do Irão durante a guerra Irão-Iraque. Depois utilizaram a receita dessas vendas para financiar o movimento armado Contra nicaraguense, criado pelos EUA para atacar o Governo sandinista.

Abrams, finalmente, foi declarado culpado de mentir ao Congreso sobre o caso Irão-Contra, mas foi indultado de imediato pelo presidente George H.W. Bush. Na década de 1990 converteu-se em membro fundador do Projeto para o Novo Século Americano, um grupo de peritos neoconservadores com ideias belicistas. Em 2001, voltou ao Governo estadounidense e foi nomeado diretor do Conselho de Segurança Nacional do presidente George W. Bush. Abrams exercia uma influência fundamental na política dos EUA no Médio Oriente nesse momento, e foi um dos arquitectos da guerra do Iraque de 2003. Além disso, desempenhou um papel chave na tentativa de golpe de Estado de 2002 na Venezuela contra o presidente Hugo Chávez, prejudicando a relação entre Washington e Caracas após o fracasso do complot.

Esta, e não outra, é a radiografía do papel que o Departamento de Estado dos Estados Unidos está a desempenhar na Venezuela contra os governos bolivarianos, desde 1998. Nada tem que ver com os planos do governo norteamericano a defesa dos direitos humanos, a implantação da liberdade e a luta contra a pobreza, e outros falsos argumentos que tanto Trump como os seus aliados de direita na América e na Europa estão a esgrimir. Entre outros, os ilustres líderes do PP e Ciudadanos, que nada dizem dos governos tirânicos da Arabia Saudita, do Kuwait, dos Emiratos árabes, do genocídio palestiniano por parte de Israel, dos continuados massacres no Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, da guerra no Iémen.

Como se fabricam as condições para justificar o golpe de Estado na Venezuela.

Desde o fracasso do golpe de 2002, os EUA e os seus aliados, e ante as evidentes dificuldades para proceder a uma invasão militar, decidiram bloquear a economia do país. A primeira medida foi baixar repentinamente o preço do petróleo, com o que prejudicavam também o Irão e a Rússia. Boicotou-se a produção e importação dos produtos de primeira necessidade. Tendo em conta a permissividade do governo bolivariano com os seus inimigos, os cinco grandes setores de produção fundamentais para a sobrevivência do país permanecem em mãos privadas sem que tenham sido confiscados e socializados, entre as quais se encontram as grandes empresas norteamericanas.

A comida que produz, importa, processa e distribui a empresa venezuelana La Polar, mantendo o monopólio que sempre teve, permite-lhe esconder e retirar do mercado os abastecimentos alimentares, provocando carestia e mal-estar na população. A roupa, o calçado, os tecidos, que se fabricam ou importam por várias multinacionais, são também objeto de sequestro por parte dessas corporações. Os productos farmacêuticos, os cosméticos, de higiene e de limpeza. O telefone fixo e móvel. E o petróleo, que apesar de ter sido nacionalizado somente se pode comercializar quando extraiu, refinou e transportou. Tudo operações que estão em mãos das empresas estadounidenses.

Dependente, portanto, o governo venezuelano do abastecimento e distribuição dos produtos de primeira necessidade por parte das empresas privadas, a contínua sabotagem e a ocultação de insumos causaram a pobreza e o mal-estar da população venezuelana, da mesma forma que no governo de Allende se sequestraram os alimentos, se confiscou o cobre e se mobilizaram certos setores, como os transportadores, contra o seu governo, antes de proceder ao golpe militar e assassinarem-no.

Ao mesmo tempo, faz-se uma campanha continuada contra o governo de Maduro em todos os meios de comunicação da oposição, imprensa escrita e digital, televisão, rádio, que ele nunca impediu, apesar do que transmitem as informações da direita.

A CIA organizou uma guerra de baixa intensidade na fronteira com a Colômbia com guerrilheiros sem ocupação, narcotraficantes e evasores de divisas, o que levou o governo a deslocar muitas forças armadas para os millares de quilómetros da fronteira com o país vizinho, provocando o desgosto das populações, da mesma maneira que organizou uma guerra na fronteira entre as Honduras e a Nicarágua que arruinou o governo sandinista.

Este é um resumo sumário e incompleto do papel do Departamento de Estado e da CIA estadounidenses no golpe de Estado que se está a perpetrar na Venezuela. Por isso é ainda mais infame o apoio que vários países europeus estão a dar ao usurpador Guaidó, e o ultimatum dado por Pedro Sánchez, absolutamente ridículo em termos de imposição sobre a soberania de outro país e que somente beneficia a direita do nosso país e a imposição imperialista.

Madrid, em 27 de janeiro 2019.

Texto disponível em https://blogs.publico.es/…/como-se-fabrica-un-golpe-de-est…/

Lidia Falcón é licenciada em Direito, em Arte Dramática e Doutora em Filosofia. Nomeada doutora Honoris Causa pela Universidade de Wooster, Ohio. É fundadora das revistas Vindicación Feminista, e Poder y Libertad, que atualmente dirige. Criadora do Partido Feminista de Espanha e da Confederação de Organizações Feministas do Estado Espanhol. Participou no Tribunal Internacional de Crimes contra a Mulher de Bruxelas, no congresso Sisterhood Is Global de Nova York, em todas as Feiras Internacionais do Livro Feminista e noutros Foruns Internacionais da Mulher.

É colaboradora de numerosos jornais e revistas de Espanha e dos Estados Unidos. Tendo 42 livros publicados, destacam-se no ensaio Mujer y Sociedad, La Razón Feminista, Violencia contra la mujer, Mujer y Poder Político e Los Nuevos Mitos del Feminismo e na obra narrativa Cartas a una idiota española, Es largo esperar callado, Los hijos de los vencidos, En el Infierno, El juego de la piel, Rupturas, Camino sin retorno, Postmodernos, Clara, Asesinando el Pasado, Memorias Políticas, Al Fin estaba Sola, Una Mujer de nuestro Tiempo, Ejecución Sumaria e o livro de poesias Mirar Ardiente y Desgarrado.

Seleção e tradução de Francisco Tavares

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019



Manuela D'Ávila



Meu querido amigo Jean,

Li sua entrevista para a Folha com o coração na garanta e os olhos molhados. Coração e lágrimas que marcam nossa amizade e militância comum. São anos de uma amizade linda marcada por nossas dores comuns: a dor da solidão em Brasília, a dor da violência das mentiras, do preconceito, do machismo, da homofobia. Da raiva que provocamos com nossa simples existência e luta nos vermes que tomaram a política em nosso país.
Leio essa notícia e me lembro de nossas mensagens recentes. Da felicidade de podermos existir - frações de segundo - sem a quantidade de ódio que projetam sob nos. Difícil explicar a eles porque não suportamos a pretensa segurança dos carros blindados, das escoltas. Eles não sabem como lutamos pela nossa liberdade! Como nossa existência é construída em cada vivência! Não sabem como o menino Jean “apanhou” pra brilhar e para não morrer de fome. Não sabem que, se tivermos que andar com o vidro fechado, sem tomar o vento na cara, já morremos um pouco. E não queremos morrer nada!!!
Você foi meu ombro amigo quando eu decidi voltar pra perto de casa, abrindo mão de Brasília. Eu vivia o meu limite e queria estar perto daquilo que amo.
Fico feliz que agora você tenha optado por cuidar de si diante da enxurrada de ameaças que sofre. Você, corajoso como sempre, ao decidir abrir mão do mandato e sair do Brasil desnuda por todos nós, meu amigo querido, o terror em que vivemos, o ambiente fascistoide que tomou conta da sociedade brasileira.


Fico Feliz que cuide De sua cabeça e de seu coração. De sua saúde. De sua sanidade. Só assim você brilhará com a intensidade que tem. E sua luz, meu amigo querido, deixa cego aqueles que carregam apenas ódio e preconceito dentro de si.

Te amo. Seguimos juntos.

Dedico a você “Ela e eu”, a música que você cantou lindamente para mim no lançamento de minha candidatura

Há flores de cores concentradas
Ondas queimam rochas com seu sal
Vibrações do sol no pó da estrada
Muita coisa, quase nada
Cataclisma, os carnaval
Há muitos planetas habitados
E o vazio da imensidão do céu
Bem e mal, e boca e mel
E essa voz que Deus me deu
Mas nada é igual a ela e eu
Lágrimas encharcam minha cara
Vivo a força rara dessa dor
Clara como a luz do sol que tudo anima
Como a própria perfeição da rima para amor
Outro homem poderá banhar-se
Na luz que com essa mulher cresceu
Muito momento que nasce
Muito tempo que morreu
Mas nada é igual a ela e eu




quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Robbie Williams - Angels

The Cranberries - When You're Gone

FC Porto na mira da PJ pela compra dos mails do Benfica 'Correio da Manhã' diz que há suspeitas de que os dragões foram os beneficiários directos do ataque informático a servidores do Benfica




Rui Pinto, Hacker do Benfica

Rui Pinto, pirata informático que esta quarta-feira foi detido na Hungria sob suspeita de ter acedido aos servidores do Benfica e vendido milhares de mails trocados pelos dirigentes encarnados, alguns deles com conversas que indiciam crimes de corrupção desportiva – algo que está a ser investigado noutro processo –, sempre esteve escondido em Budapeste, capital daquele país. A Polícia Judiciária fez a prova digital que liga o hacker de Vila Nova de Gaia, de 30 anos, ao roubo da informação – e tem em curso diligências cujo alvo é o FC Porto, sabe o Correio da Manhã, que está sob suspeita de ter sido comprador do material, por via direta ou indireta.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Bacalhau, batatas, grelos, ovos, cebola e muito azeite, fazem deste pão um verdadeiro pitéu.






Bacalhau com todos... na broa!

Ingredientes:

1 broa de pão caseiro
3 postas de bacalhau
6 batatas médias
3 cebolas
2 dentes de alho
1 folha de louro
1/2 molho de grelos
3 ovos
azeite q.b.
sal e pimenta de moinho.


Preparação:



Comece por levar ao lume brando um tacho com azeite. Coloque aí as postas de baclhau, os alhos socados e o louro. Tape e deixe ficar lentamente, cerca de 20 minutos, ou até o bacalhau estar macio e bom para lascar. Descasque as batatas e corte-as em rodelas grossas. Leve-as a cozer em àgua fervente com sal. Coloque os ovos a cozer. Arranje os grelos e junte-os às batatas. Deixe cozinhar, mas sem deixar cozer demais. Lasque o bacalhau, retire o alho e o louro e no azeite coloque a cebola. Quando a cebola estiver meio cozida junte o bacalhau. Tempere de pimenta de moinho. Retire a tampa ao pão e escave o interior de forma a retirar o miolo. Junte as batatas e os grelos ao bacalhau e envolva ligeiramente. Descasque os ovos, Coloque a mistura na caixa de pão, por cima as rodelas de ovos e regue com o azeite do tacho, Tape e leve ao forno pré aquecido, cerca de 10 minutos. O azeite sobre a broa dá-lhe um sabor maravilhoso!

Fonte original todos os direitos reservados a: http://www.7gramasdeternura.com

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Chá de folhas de oliveira




As folhas de oliveira são um dos melhores remédios naturais para a pressão alta pois através da ação dos seus polifenóis conseguem regular a pressão arterial e baixá-la, sem o risco de causar hipotensão, mesmo que consumidas em excesso.

Além disso, também causam um ligeiro efeito calmante e relaxante que ajudam a controlar os sintomas em pessoas que sofrem de ansiedade constante, por exemplo.

Ingredientes
2 colheres (de sopa) de folhas de oliveira picadas;
500 ml de água fervente

Modo de preparo

Coloque as folhas de oliveira em uma xícara com a água fervente e deixe repousar entre 5 a 10 minutos. Depois coe a mistura e deixe amornar. Por fim, beba 3 a 4 xícaras deste chá ao longo do dia.

Além do chá, também existe o extrato de folhas de oliveira à venda em lojas de produtos naturais sob a forma de cápsulas, que podem ser consumidas na dose de 500 mg, 2 vezes ao dia após as refeições.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019



. . . "roubado" do amigo Luíz Prestes . . .


Meu Deus!... Como é engraçado... Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... Uma fita dando voltas, se enrosca, mas não se embola; vira, revira, circula e pronto: está dado o abraço. É assim que é o abraço:coração com coração,tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço. E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando devagarinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. E na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço... Ah! Então é assim o amor, a amizade, tudo que é sentimento? Como um pedaço de fita? Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livres as duas bandas do laço? Por isso é que se diz:laço afetivo, laço de amizade E quando alguém briga, então se diz: - Romperam-se os laços! E saem as duas partes, que nem meu pedaço de fita-sem perder nem um pedaço. Então o Amor é isso...Não prende,não escraviza,não aperta,não sufoca. Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.


--- Maria Beatriz Marinho dos Anjos, ''O laço e o abraço''





segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

UM DOS GRANDES EQUÍVOCOS DAS ESQUERDAS EM NÍVEL MUNDIAL


Minha formação acadêmica sempre foi voltada para o conhecimento jurídico. Vale dizer, não sou um especialista na “ciência” política. Entretanto, tendo a idade que tenho, considerando a leitura diversificada que venho empreendendo de longa data e, principalmente, levando em linha de conta o meu “envolvimento” antigo com o chamado “pensamento de esquerda”, ouso fazer o comentário abaixo, não restrito à realidade brasileira. Julgo, ainda, que ele só é pertinente para os países do chamado “mundo ocidental”.
O crescimento da “direita”, em quase toda a Europa e as Américas, muito se deve aos erros dos governos ligados à “esquerda”, embora muitos não tenham chegado a implementar uma economia verdadeiramente socialista. Vale a pena ressaltar que vários foram os fatores que favoreceram essa “onda conservadora”. Entretanto, aqui nos interessa ressaltar apenas um deles.
Por outro lado, também foram vários os erros da esquerda ao logo destas últimas décadas, mas aqui nos interessa ressaltar também apenas um deles.
Entendo que um dos grandes erros da esquerda, em várias partes do planeta, foi acreditar na possibilidade de um “acordo sadio” com a elite econômica, fazendo concessões e alianças com a burguesia que, por definição, é gananciosa, retrógrada, preconceituosa e conservadora. Vale dizer, a esquerda acabou por negar o que lhe é essencial: a luta de classes (ainda que se entenda apenas como conflito de interesses entre as camadas da sociedade capitalista).
Certo que Karl Marx chegou a sugerir, de forma tópica, parcial e temporária, algumas alianças com a nova burguesia que se insurgia contra o absolutismo dos monarcas e contra a estrutura feudal que já agonizava, na época. Entretanto, segundo os melhores historiadores dos movimentos sociais, o empresariado jamais deixou de atender aos seus interesses de sua classe insurgente. Prestes e o antigo PCB também chegaram a crer neste tipo de aliança ...
Desta forma, acreditando em conciliações espúrias, a esquerda deixou de ser “marxista-leninista” e passou a agir para “melhorar o capitalismo”. A esquerda passou a governar como faria qualquer partido da burguesia tradicional, apenas procurando melhor distribuir a renda social e privilegiar as classes mais necessitadas da população. Lógico que não sabemos se a correlação de forças e as demais condições objetivas permitiriam que os governos de esquerdas pudessem fazer muito diferente ...
Sob certo aspecto, foi uma melhoria para os mais pobres, mas sob outro aspecto, foi um atraso para o desejável avanço das lutas sociais. Melhorar o capitalismo – ou melhor, torná-lo menos ruim - é prejudicar o caminhar em prol do verdadeiro socialismo.
Pode ter sido oportunismo. Pode ter sido ingenuidade. Pode até ser que os governos de esquerda não tivessem condições políticas para fazer diferente, como salientamos acima. Não importa, talvez fosse melhor que tais governos de esquerda fossem tirados autoritariamente do poder do que restassem desmoralizados ou desprestigiados.
Em outras palavras, não adianta chegar ao poder com alianças que desfiguram e descaracterizam os movimentos de esquerda.
Nesta perspectiva de desmoralização da esquerda mundial, talvez fosse até melhor o chamado “quanto pior melhor”. Ao menos cairia a máscara dos governos fascistas e estaria potencializada a “luta de classes”, condição necessária a uma real transformação social, condição necessária, mas não única, para a criação de um novo modelo de sociedade, de uma sociedade mais justa, fraterna e democrática.
Em suma, os governos ditos de esquerda acabaram por desmoralizar o correto pensamento de Marx, Engels, Lenin e tantos outros que o aperfeiçoaram e completaram. Hoje, ser de esquerda passou a ser sinônimo de incompetência, autoritarismo e corrupção.
A esquerda não poderia ter sido igual aos outros partidos políticos tradicionais, até porque era tudo o que desejava essa mídia empresarial e comprometida com o grande capital.
Agora, o que nos resta? Acho que, a curto prazo, nos resta muito pouco. Talvez um pouco de “romantismo” e saudosismo.
Entretanto, como tudo evolui dialeticamente, através das forças contrárias, as gerações futuras podem vir a ter gratas surpresas e manter acesa a indispensável utopia de um mundo melhor. Certamente, isto vai exigir conhecimento, estudo, inconformismo, rebeldia e muita luta social. Para isso, as novas gerações precisam conhecer a história das lutas pela emancipação das classe oprimidas.
Por causa destas espúrias alianças das esquerdas com o poder econômico mundial, ao menos, três gerações não poderão assistir à realização de seus sonhos: viver numa sociedade onde não haja explorados e exploradores, uma sociedade onde a competição seja substituída pela colaboração, onde o egoísmo seja substituído pela solidariedade. Enfim, uma sociedade onde o homem, e não o mercado, seja o centro e a razão de tudo.

Afranio Silva Jardim, professor associado de Direito da Uerj


" Hoje sei como se mede a verdadeira idade :
vamos ficando velhos quando não fazemos
novos amigos . Estamos morrendo a partir
do momento que não nos apaixonamos ."


Mia Couto

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018




ESTÁ TERMINANDO UM DOS ANOS MAIS TRÁGICOS DA MINHA VIDA. TEMO QUE O PRÓXIMO ANO SEJA AINDA PIOR.

O fato mais traumático que vivenciei, em toda a minha existência, foi a morte prematura da minha filha Eliete. Esta tragédia ocorreu no ano de 2014 e ainda não me recuperei desta irreparável perda ...

Revendo o meu passado, acho que posso afirmar que este ano de 2019, que ora se finda, foi o segundo ano mais danoso que vivi. Não vou aqui elencar as grandes decepções e perdas que me amarguraram no curso deste período. Vou ser mais genérico e sucinto.

Durante este ano de 2019, perplexo e atônito, assisti à derrocada de quase todos os valores pelos quais sempre pugnei. Foram décadas pregando a solidariedade e fraternidade, tudo no âmbito de uma sociedade mais justa, menos desigual, onde todos pudessem ter uma vida digna.

Lutamos contra o individualismo, a ganância, os preconceitos, a competição como fundamento de uma sociedade consumista (e vários outros aspectos negativos deste modelo de sociedade).

Entretanto, não posso deixar de consignar uma situação específica, qual seja, a injusta prisão do maior líder popular de toda a história de nosso país. Este absurdo jurídico, na minha opinião, maculou toda a trajetória do nosso sistema de justiça criminal. Esta prisão apequenou e apequena o nosso sistema de justiça criminal.

Agora, sou obrigado a reconhecer: perdemos, ainda que parcialmente e temporariamente. Eu perdi e acho que não tenho tempo de vida suficiente para ver surgir um verdadeiro socialismo democrático em nosso país...

Perdemos, porque a sociedade está submetida a um nefasto e longo obscurantismo. As pessoas estão ficando “infantilizadas” e a conjugação da ignorância com o fanatismo religioso transformou o nosso povo em “massa de manobra” de grupos empresariais que manipulam as redes sociais.

Não tenho mais dúvida de que vou deixar este mundo muito pior do que ele era quando, por uma incrível coincidência biológica, eu aqui nasci. Aqui vivi 68 anos e agora tenho de reconhecer que a “direita autoritária” chegou ao poder e, o que é pior, as pessoas elegeram para presidente um antigo militar que disse, pública e reiteradamente, que era favorável à tortura de seres humanos e ao extermínio de seus adversários ideológicos. Na verdade, todos perderam ou vão perder...

Perdemos, sim, para a truculência, para o ódio e para a ignorância. Entretanto, digo que detestaria estar no lugar dos que nos venceram, conforme célebre frase do grande Darci Ribeiro. Que falta está fazendo este grande escritor, político, acadêmico e intelectual inconformado !!!

De uma forma geral, o mundo está ficando muito pior. Quanto mais as pessoas se apegam às várias religiões, mais perversas e ignorantes elas se tornam. A ciência também está perdendo para as crendices. Invertendo a lógica das coisas, os “fiéis” se utilizam das suas religiões para disseminar os valores que, com elas, são incompatíveis. Não estamos mais na era da razão humana e, sim, na era da “confusão tecnológica”. A lógica está fora de moda !!!

Vejam a matéria cujo link coloco abaixo, publicada no site “The Intercept, Brasil”. Deprimente e nos cria um verdadeiro desassossego.

Não sei se conseguirei viver em um país governado pela extrema direita. Não sei se conseguirei permanecer “vivo entre tantos mortos”, como diz a bela música cantada pelo camarada argentino Victor Heredia, que tantas vezes coloquei aqui.

Vamos resistir. A cultura, o conhecimento, o companheirismo e a generosidade não podem perecer. Vamos resistir sem medo e sem perder a ternura jamais (Che).

Afranio Silva Jardim, ainda, professor associado de Direito da Uerj.

https://theintercept.com/…/benjamin-harnwell-socio-steve-b…/






Sobre este site

THEINTERCEPT.COM

Conversamos com o sócio de Steve Bannon

Escola na Itália quer guinar o mundo à direita.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018



Eu já te amava pelas fotografias.

Pelo teu ar triste e decadente dos vencidos,
Pelo teu olhar vago e incerto
Como o dos que não pararam no riso e na alegria.


Te amava por todos os teus complexos de derrota,
Pelo teu jeito contrastando com a glória dos atletas
E até pela indecisão dos teus gestos sem pressa.

Te falei um dia fora da fotografia
Te amei com a mesma ternura
Que há num carinho rodeado de silêncio
E não sentiste quantas vezes
Minhas mãos usaram meu pensamento,
Afagando teus cabelos num êxtase imenso.

E assim te amo, vendo em tua forma e teu olhar
Toda uma existência trabalhada pela força e pela angústia
Que a verdade da vida sempre pede
E que interminavelmente tens que dar!...

--- Adalgisa Nery, ''Escultura''




Mas quanta honra eu tenho por , de vez em quando , "tropeçar" em Gente e Textos assim . . . fico de alma cheia ! Obrigado , professor Afrânio .





ACABO DE RECEBER MEU PRESENTE DE NATAL !!!

Amilton Bueno de Carvalho, escritor, jurista, pensador, magistrado, grande e velho amigo, me fez recordar memoráveis momentos que vivemos juntos. Recordei, ainda, do amigo comum: James Tubenchlak.. Foi ele quem nos apresentou e se despediu de todos nós prematuramente...
O texto que, com orgulho e vaidade, reproduzo abaixo, me comoveu e me marcou de forma muito significativa.
Amilton muito me influenciou em minha formação política e jurídica. Preciso estar com ele ainda este ano ... Amilton sempre foi de uma ética e uma dignidade a toda prova. Grande figura humana !!!

- Afranio Silva Jardim, o amigo do grande Amilton.


Texto que o Amilton publicou hoje, no facebook dele.

“Para Afranio Silva Jardim.
Amigo, precioso amigo, querido amigo – amigo!
É bem verdade que faz algum tempo que não nos encontramos. Ao que lembro a última vez que nos vimos faz, sei lá, uns oito anos, na Escola da Defensoria Pública do Rio. Lá palestramos eu e o grande Geraldo Prado, a convite da amiga Cláudia Thedin. A fala já tinha iniciado quando chegaste para nos assistir.
Mas isso amigo, o tempo distante de presença física, não quer dizer muita coisa – sempre estivemos próximos pela forte ligação afetiva que nos une: o tempo não conta para os afetos.
Somos amigos desde muito. Amizade que alcança nossos filhos. Nossos amigos em comum. Amizade forte. Parceria na luta em favor dos esgualepados. Irmãos de utopia.
Palestramos juntos muitas vezes no Rio – faculdades, eventos. Palestramos juntos em vários Estados. Para minha honra, prefaciaste um de meus livros. Para minha honra, em um de teus livros deixaste marcada a importância que tive na tua escritura. Para minha honra, sempre pude gritar que tenho a ti como uma das pessoas mais íntegras que conheci.
Andamos passeando por praias do nordeste – a primeira vez que recebi advertência por jogar bagana de cigarro na praia veio de ti. A única vez assisti espetáculo de rock pesado foi por tuas mãos na Floresta Urbana no Rio. Muitas vezes ficamos jogando papo até alta madrugada em bares. Através de convite teu ministrei aula para alunos teus na UERJ quando minha Gabinha era criança e estava presente na sala - interrompeu a fala porque queria ir ao banheiro. Contigo palestrei para promotores na região dos Lagos. Juntos estivemos em Curitiba, Vitória, Gramado, Belo Horizonte, Porto Seguro, Maceió, São Paulo. Sei mais lá onde ...
Mas o que de fato nos ligou? Não tenho dúvida meu irmão – foi a nossa forte postura ideológica comprometida com os espoliados de sempre. Jamais nos entregamos a favores fáceis do poder. Sempre mantivemos independência geradora de mal-estar nos servis de sempre.
Sempre fomos de esquerda – eu um pouco mais anárquico, tu um pouco mais ortodoxo. Nossa produção sempre teve o mesmo norte: compromisso com a vida digna de todos e para todos, compromisso com a vida e não com a morte, compromisso com forte postura ética – nos atacaram pelas nossas posições, por nossa ‘estética’, mas jamais por nossa atuação profissional.
Na suma: a radicalidade democrática é o que nos fez viver e muitas vezes sofrer porque a damas do poder – esquizofrênico como sempre – sempre estavam à espreita na esperança de que fossemos como elas para, assim, nos atacar.
Procuramos fazer do direito uma trincheira, um local de luta, uma espécie de guerrilha, um espaço em que pudéssemos servir aos débeis e tentar conter a fúria do poder. Sonhamos com justiça – não aquela que diz ser neutra, mas a comprometida com a maioria da população.
Sei lá, amigo, se conseguimos algumas vitórias, mas o certo é que fomos e somos o que somos porque não conseguimos ser diferentes do que somos. Lutamos e continuaremos lutando porque, repito, não logramos ser diferentes.
Por isso, meu irmão, meu querido irmão, ao saber que abandonarás o direito, tenho certeza que jamais te afastarás da luta que sonha com sociedade decente, digna, igualitária, democrática, libertária, fraterna. Outros locais encontrarás para manteres acesa a utópica que tanto nos anima. Eu continuarei no direito, nada sei fazer além disso, nada.
Amigo, nós continuaremos resistindo, seja onde for – somos o que somos e além de não conseguirmos ser diferentes, não queremos ser diferentes, não suportamos ser diferentes. A luta, irmão, continua e continuaremos juntos.
Receba um beijo neste fim de ano de tanto asco ao vermos que o rebanho chegou a Roma.

amilton
Natal de 2018”

domingo, 23 de dezembro de 2018



Enquanto eu trabalhava no Rio de Janeiro, Laura se divertia... foram muitas as vezes que ela me disse “Esse teu trabalho é muito divertido, mamãe”.

#ManuEm2018 #MemóriasDaCampanha

Foto: Cris Ely





Quando um Homem Quiser

Tu que dormes à noite na calçada do relento
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'






Até fins dos 1800, os festejos do Natal no Brasil eram feitos pelos Santos Reis. Nossa elite deslumbrada trouxe da França costumes de um natal com neve (lá é inverno, aqui é verão). Além disso, aos poucos, o verdadeiro sentido do renascimento do Cristo em nós, da renovação dos sonhos foi trocado por um consumo desenfreado onde se reverencia o novo deus do mundo: o dinheiro. Nada contra o Papai Noel, mas tudo contra o que ele tem representado em nossas vidas. Que o encontro seja dentro de nós. Feliz Natal!


sábado, 22 de dezembro de 2018



É PROIBIDO ESQUECER. VALE A PENA OUVIR NOVAMENTE. ISTO NOS ESTIMULA A CONTINUAR NA LUTA.

Fidel Castro foi o homem que mais admirei em minha vida.


Após lerem o livro "Fidel Castro, Biografia a Duas Vozes" do intelectual francês Ignacio Ramonet, vocês compreenderão esta minha confissão (obra que se encontra do site Estante Virtual).

https://www.youtube.com/watch?v=sFiarA-kMWs&t=19s



Neil Young – Fork in the Road

Fork in the Road es el trigésimo primer álbum de estudio del músico canadiense Neil Young, publicado por la compañía discográfica Reprise Records en abril de 2009.

Las canciones del álbum están inspiradas en el automóvil Lincoln 1959 de Young, que fue reconvertido para usar energías alternativas como combustible, y tiene como trasfondo principal el proyecto Lincvolt, en el que Young ha trabajado junto al mecánico Jonathan Goodwin. Un documental producido por Larry Johnson seguirá a la publicación de Fork in the Road en el viaje del híbrido hasta Washington, DC con el fin de presentarlo en sociedad como modelo alternativo al uso de los automóviles habituales. Sin embargo, el músico perdió el coche, además de archivos e instrumentos musicales por valor de 850 000 dólares, en un incendio que asoló un almacén de su propiedad en 2010. A pesar de los daños que sufrió el vehículo y de la muerte a comienzos de 2010 de su compañero Johnson, Young volvió a restaurar el coche.


La canción "Fork in the Road" fue nominada al Grammy a la mejor interpretación vocal de rock solista en la 52ª edición de los premios.

https://www.youtube.com/watch?v=xogiUUMy_RU

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018



Sabes …


Ele há dentro de mim
Uma ostra fechada
Uma ave marinha
Voando por dentro.


Ele há em mim
Uma cascata de água fria
Um mar imensamente ancorado.
Água e espuma
Um poema por nascer
Um sol do sul
No quente que há no peito.

… Ele há em mim
Um murmúrio sonolento de brisa
Um orvalho mágico a correr nas veias
Um mar afogueado com guelras
No cantar imperfeito de um búzio…

Um céu azul na distância
Um amor branco a velejar
Um vento levante vindo de sudeste
Uma maré forte
A bater na falésia dos sonhos.

Ele há dentro de mim e dentro de ti
Uma lágrima de sal a marulhar
Uma lua desmesurada
E um perfume a maresia lasso…

Um barco à deriva
Um queixume brando e doce
Uma voz de sereia
A ecoar nas águas mansas do sul.

Telma Estêvão




quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

“Estou me retirando deste mundo falso e hipócrita”: o desabafo do jurista Afrânio Silva Jardim depois da decisão de Toffoli




Afrânio Silva Jardim

PUBLICADO ORIGINALMENTE NO FACEBOOK DO AUTOR.

A MINHA DECEPÇÃO E DESGOSTO É MUITO GRANDE. COMO LECIONAR DIREITO COM UM SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COMO ESTE ? ESTOU ME RETIRANDO DESTE “MUNDO” FALSO E HIPÓCRITA.

APÓS QUASE 39 ANOS LECIONANDO DIREITO PROCESSUAL PENAL E 31 ANOS ATUANDO NO MINISTÉRIO PÚBLICO DO E.R.J., DIANTE DA NOTÓRIA PERSEGUIÇÃO DO NOSSO SISTEMA DE JUSTIÇA CONTRA O EX-PRESIDENTE LULA, CONFESSO E DECIDO:

1) Não mais acredito no Direito como forma de regulação justa das relações sociais.


2) Não mais acredito em nosso Poder Judiciário e em nosso Ministério Público, instituições corporativas e dominadas por membros conservadores e reacionários.

3) Não vejo mais sentido em continuar ensinando Direito, quando os nossos tribunais fazem o que querem, decidem como gostariam que a regra jurídica dissesse e não como ela efetivamente diz.

4) Não consigo conviver em um ambiente tão falso e hipócrita. Odeio o ambiente que reina no fórum e nos tribunais. Muitos são homens excessivamente vaidosos e que não se interessam pelo sofrimento alheio. O “carreirismo” talvez seja a regra. Não é difícil encontrar, neste meio judicial, muito individualismo e mediocridades.

5) Desta forma, devo me retirar do “mundo jurídico”, motivo pelo qual tomei a decisão de requerer a minha aposentadoria como professor associado da Uerj. Tal aposentadoria deve se consumar em meados do ano que se avizinha, pois temos de ultrapassar a necessária burocracia.

6) Vou procurar outra “trincheira” para uma luta mais eficaz em prol de um outro modelo de sociedade. A luta por vida digna para todos é perene, pelo menos para mim.

7) Confesso que esta minha decisão decorre muito do que se tornou o Supremo Tribunal Federal e o “meu” Ministério Público, todos contaminados pelo equivocado e ingênuo punitivismo, incentivado por uma mídia empresarial, despreparada e vingativa.
Com tristeza, tenho de reconhecer que nada mais me encanta nesta área.

8) Acho que está faltando honradez, altivez, cultura, coragem e honestidade intelectual em nosso sistema de justiça criminal.

9) Casa vez menos acredito no ser humano e não desejo conviver com certas “molecagens” que estão ocorrendo em nosso cenário político e jurídico.

10) Pretendo passar o resto de meus dias, curtir a minha velhice em um local mais sadio…

Afranio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj. Mestre e Livre-Docente em Direito Processual Penal pela Uerj. Procurador de Justiça (aposentado) do Ministério Público do E.R.J.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Eu Sou


"...sou todos os fios que juntei
todos os laços que teci
todos os nós que desatei...
sou todas as músicas que ouvi
todos os versos que escrevi
todas as palavras que cantei...
Sou todos os ventos que passaram por mim
todas as mãos que entrelacei
todos os amores que amei...
Sou todos os fios que emaranhei...
todos os caminhos por onde andei
todas as marcas que deixei...
sou todos os abraços que recebi... e dei
todos os afagos e beijos que por aí deixei
todos os colos que neguei...
todas as lágrimas que enxuguei
todas as lágrimas que causei
todas as gargalhadas que dei
todos os risos que ouvi...
sou o caminho que sigo
sou a que caminha
sou todas as que passaram por mim
sou todas as que virão depois de mim...
e todas as que já se foram daqui...
aprendendo por essa trilha que se chama vida...
Estou por aqui...sendo... aprendendo...vivendo...
Estamos aqui...
Somos aqui..."


Carmem Khardana




segunda-feira, 17 de dezembro de 2018


Esta publicação desrespeitou os Padrões da Comunidade Facebook sobre discurso que incentiva o ódio e por isso mais ninguém a pode ver .

. . . a minha alma está parva ! ! !

FUMAR faz bem ao Ambiente . . . mata os homens !

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018


Permite-me…

Trepo na doçura ardente do silêncio
E vou abraçando o que me inunda.

Presa na beleza imutável
Da tua linguagem humedecida
Espalho sonhos na minha cabeça por instantes…

Permite-me imaginar-te luz
Desfolhar-te com as minhas pálpebras nuas
Fechar os olhos, ver cores primitivas
Incendiada, transparente abraçar-te
Cheia de belas imagens …

Envolto no íntimo rumor
Das minhas palavras perfumadas
Consente que pouse
O meu corpo esculpido
De desejo e movimento
No caminho das tuas mãos maduras.

Telma Estêvão




terça-feira, 11 de dezembro de 2018


POEMA AOS HOMENS CONSTIPADOS


«Três aspirinas, creme na pele Grito de medo, chamo a mulher. Ai Lurdes que vou morrer. Mede-me a febre, olha-me a goela, Cala os miúdos, fecha a janela, Não quero canja, nem a salada...»



Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.

Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.

Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo

Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.

Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.


De: António Lobo Antunes
(Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Bacalhau com batatas a murro





Ingredientes para o Bacalhau:

02 Postas de Bacalhau
03 dentes de alho picado
50 ml de Azeite

01 folha de louro
Tomilho fresco a gosto
01 colheres de café bem cheia de Colorau

Pimenta do reino a gosto
Salsa picada a gosto
Azeitonas Pretas a gosto

P.S – Se for fazer mais postas vá aumentando os ingredientes propocionalmente. mas cuidado com o colorau.

Modo de Preparo:

Dessalgar o bacalhau em água gelada por 48 horas na geladeira trocando a água duas a três vezes ao dia.

Ferva água numa panela, quando a água ferver coloque as postas de bacalhau tampe a panela, apague o fogo e deixe por 08 minutos. Retire,com cuidado e jogue água fria para interromper o cozimento.

Faça uma mistura com o azeite, o tomilho, o alho picado, o louro e colorau. Espalhe por cima das postas de bacalhau e leve ao forno alto, na parte de cima, apenas para dourar as postas. Retire e espalhe o Alecrim por cima.

Ingredientes para a Batata ao Murro:

Batatas pequenas (quantidade de sua preferêrencia)
50 ml de azeite
06 dentes de alho picados

01 colher de café bem cheia de colorau
Alecrim a gosto
Sal e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo das batatas:

Lave bem as batatas e cozinhe com as casca até ficarem ao dente (não cozinhe demais), depois de cozidas escorra em água fria para interromper o cozimento. Dê um ligeiro e leve murro de maneira que elas apenas abram.

Numa frigideira grande, coloque o azeite e refogue o alho picado. Junte o colorau e mexa bem para dilui-lo no azeite, coloque as batatas misturando bem, mas com cuidado para não desmancha-las. Tempere com sal e pimenta do reino. Prove e corrija o sal. Deixe até ficarem douradas sempre mexendo com cuidado para que o tempero se espalhe por toda batata.

domingo, 25 de novembro de 2018



EXTREMADAS PAIXÕES

O tempo passa a idade avança
Conserva-se a fé e a esperança
Perde-se o orgulho e a vaidade
Numa vida vazia de felicidade


E acompanhados pela solidão
Na triste demanda da tradição
Um povo que julga sem saber
E em censura só diz por dizer

Mantem-se imagem e fachada
O triste destino cheio de nada
Onde seu amor nunca singrou
Por quem o seu espirito lutou

Num instante de pura revolta
Pela frescura que já não volta
E já com a débil alma perdida
Surge aquela paixão proibida

Arrebatados são seus carinhos
Apertados abraços e beijinhos
E revivem-se os dias sonhados
De doces desejos apaixonados

Então volta a vontade de viver
Ainda há tempo de belo prazer
O pensamento só tem um fado
Na direcção do coração amado

A saudosa emoção permanece
O jeito de amar nunca esquece
Porque os resistentes corações
Preservam extremadas Paixões

By Dom

Extractos de "Escritos da vida"
http://escritos-da-vida1.webnode.pt/

https://www.facebook.com/Poesia.Dom/
-------------------------------------------------------
" Todos os Direitos Reservados
conforme o Código do Direito
de Autor e dos Direitos Conexos .
Cópias e publicações permitidas,
desde que acompanhadas
dos créditos ao autor. "


Chanfana à Senhor da Serra





INGREDIENTES

1,5 kg de carne de cabra nova ;
150 gr de toucinho fumado ;
120 gr de banha ;
10 dentes de alho ;
2 colheres (sopa) de azeite ;
Salsa ;
Louro ;
Sal ;
Pimenta ;
0,5 dl de vinho tinto ;
2 dl de água.

PREPARAÇÃO

Depois de limpa, corta-se a carne aos bocados, deita-se num tacho
de barro preto, tempera-se com os dentes de alho esmagados mas com a casca, a banha, o azeite, a salsa, o louro, o vinho, a água e o toucinho já cortado às tiras.
Deixa-se assim, de um dia para o outro.
A seguir assa-se no forno até à carne estar tenra.
Servir com batatas cozidas.

sábado, 24 de novembro de 2018


Álvaro Cunhal em Setúbal

17 DE NOVEMBRO DE 2018 - MANUEL AUGUSTO ARAUJO - SETÚBAL

Em Setúbal, na avenida Álvaro Cunhal a autarquia fez uma obra de requalificação para melhorar substancialmente as condições de circulação pedonal e de velocípedes e homenagear essa figura rara da história de Portugal pela sua dimensão de político e intelectual.

Fotografia Pedro Soares




Concretizou-se a homenagem recorrendo aos desenhos executados na prisão por Álvaro Cunhal colocados em painéis verticais na placa divisória central. O primeiro impacto ao olhar para cada uma das reproduções é verificar a resistência à alteração de escala. Nas grandes ampliações a que naturalmente foram sujeitos os originais, folhas de papel de dimensões aproximadas de 25 por 40 centímetros para reproduções com mais de dois metros, não se perde nenhum dos valores plásticos dos desenhos seleccionados o que evidencia a sua qualidade, o rigor do traço e das subtilezas das modelagens dos cinzentos todos feitos com lápis de grafite ou carvão com a mesma dureza. As alterações de escala, sobretudo as com um índice desse teor, podem ter efeitos desastrosos por perca dos pormenores ou por tornarem os pormenores grosseiros. Aqui o resultado é como se os desenhos tivessem sido feitos para se fixarem naquela dimensão final o que demonstra a desenvoltura e a segurança do traço do autor.

A selecção dos desenhos foi feita a partir das duas séries conhecidas, uma feita na Penitenciária e outra no Forte de Peniche. É necessário sublinhar que esses desenhos são feitos em condições inenarráveis que condicionam a sua feitura, transformam a folha de papel branco numa janela da liberdade de que Álvaro Cunhal estava violentamente subtraído para aí, no tempo suspenso que estava a viver, inscrever a imaginação de memórias vividas e inventadas a partir da realidade. Há grandes diferenças entre as duas séries de desenhos condicionadas pela luz que iluminava o papel. Na primeira série, feita sob luz artificial invariável, não existem grandes contrastes na vasta gama de cinzentos o que surge na segunda, feita no ciclo normal da luz do dia, em que se verifica uma gradação do negro ao branco. Em todos nunca se sente a presença de traço rápido. Constroem-se com lentidão serena e intensa.

Os desenhos de Álvaro Cunhal são narrativas em que o protagonista é colectivo, é o povo. O povo a trabalhar, a lutar, a sofrer, o povo a enfrentar as suas misérias mas também a viver alegrias, festas, danças. Sempre o povo mesmo quando as personagens são individualizadas em raras figuras isoladas que são colocadas em diálogo connosco pelo autor que lhes insufla a ternura firme que é a sua. As movimentações dos protagonistas em espaços abertos, só em dois desenhos há referências ao território, num deles uma torre uma provável referência ao Forte de Peniche, remetem-nos para o Trecentto italiano e para Giotto. A fortíssima dinâmica que imprime aos movimentos dos personagens a Pietr Brueghel, o Velho, recuperados para um contexto neo-realista onde são evidentes as influências de Portinari, dos muralistas mexicanos, sobretudo Orozco e Siqueiros, em que frequentemente o ponto de vista do pintor por vezes é elevado e colocado no meio da acção. As anatomias dos protagonistas e dos instrumentos de trabalho são alteradas, exageradas para sublinhar emocionalmente a história que está a ser registada e contada e que é tão forte que todos os desenhos dispensam títulos antecipando o que Álvaro Cunhal escreverá em A Arte, o Artista e a Sociedade: “o significado social não precisa de ser explicitado para ser suficientemente expressivo”. No caso é tão expressivo que dispensa rótulos.

Estes desenhos remetem-nos para outra questão: que artista teria sido Álvaro Cunhal se “o absorvente empenhamento noutra direcção de actividade” como refere no prefácio ao ensaio referido não tivesse adiado até tornar inviável o “aprofundamento ulterior do estudo que acompanhasse a evolução das ideias e das obras de arte no quadro das realidades sociais no mundo em mudança (…) Por razões óbvias o que não foi possível já não o será. Entretanto se o projecto ficou adormecido, nunca o ficou a reflexão.” Também nunca terá deixado de desenhar e pintar mas também aqui sem ter tempo nem espaço para aprofundar e evoluir esteticamente o que se anunciava nos desenhos editados. Em paralelo com as suas reflexões sobre a arte e a sociedade devemos interrogar qual poderia teria sido a sua contribuição para a evolução das artes em Portugal mesmo sem o impacto do seu pensamento político e ideológico que corre mundo e o coloca na primeira linha dos pensadores e revolucionários marxistas-leninistas de sempre. “O que não foi possível já não o será” mas deixa-nos o imenso prazer de ver e rever os seus desenhos, agora revelados em grandes formatos, a evidenciarem a qualidade de um artista que nunca se afirmou enquanto artista por nunca, por opção política militante, desenhar e pintar numa sequência normal de trabalho com uma perspectiva de evolução. O que fica e é inapagável é a sua ímpar dimensão de político e intelectual que continua e continuará a ser uma fonte inesgotável de ensinamentos e de estudo.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A pobreza da riqueza


Por Cristóvam Buarque

"Em nenhum outro país os ricos demonstram mais ostentação que no Brasil. Apesar disso, os brasileiros ricos são pobres. São pobres porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos ônibus de subúrbio. E, às vezes, são assaltados, seqüestrados ou mortos nos sinais de trânsito. Presenteiam belos carros a seus filhos e não voltam a dormir tranqüilos enquanto eles não chegam em casa. Pagam fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por arquitetos de renome, e são obrigados a escondê-las atrás de muralhas, como se vivessem nos tempos dos castelos medievais, dependendo de guardas que se revezam em turnos.

Os ricos brasileiros usufruem privadamente tudo o que a riqueza lhes oferece, mas vivem encalacrados na pobreza social. Na sexta-feira, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não conseguiriam freqüentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que ali por perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando terminam de comer escondidos, são obrigados a tomar o carro à porta, trazido por um manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um cinema ou teatro, depois continuar até um bar para conversar sobre o que viram. Mesmo assim, não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de terminar o jantar, ou depois, na estrada a caminho de casa. Felizmente isso nem sempre acontece, mas certamente, a viagem é um susto durante todo o caminho. E, às vezes, o sobressalto continua, mesmo dentro de casa.

Os ricos brasileiros são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem no presente, são pobres na falta de segurança para usufruir o patrimônio no futuro. E vivem no susto permanente diante das incertezas em que os filhos crescerão. Os ricos brasileiros continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocam: em insegurança e ineficiência.

No lugar de usufruir tudo aquilo com que gastam, uma parte considerável do dinheiro nada adquire, serve apenas para evitar perdas. Por causa da pobreza ao redor, os brasileiros ricos vivem um paradoxo: para ficarem mais ricos têm de perder dinheiro, gastando cada vez mais apenas para se proteger da realidade hostil e ineficiente.

Quando viajam ao exterior, os ricos sabem que no hotel onde se hospedarão serão vistos como assassinos de crianças na Candelária, destruidores da Floresta Amazônica, usurpadores da maior concentração de renda do planeta, portadores de malária, de dengue e de verminoses. São ricos empobrecidos pela vergonha que sentem ao serem vistos pelos olhos estrangeiros.

Na verdade, a maior pobreza dos ricos brasileiros está na incapacidade de verem a riqueza que há nos pobres. Foi esta pobreza de visão que impediu os ricos brasileiros de perceberem, cem anos atrás, a riqueza que havia nos braços dos escravos libertos se lhes fosse dado direito de trabalhar a imensa quantidade de terra ociosa de que o país dispunha. Se tivesse percebido essa riqueza e libertado a terra junto com os escravos, os ricos brasileiros teriam abolido a pobreza que os acompanha ao longo de mais de um século. Se os latifúndios tivessem sido colocados à disposição dos braços dos ex-escravos, a riqueza criada teria chegado aos ricos de hoje, que viveriam em cidades sem o peso da imigração descontrolada e com uma população sem miséria.

A pobreza de visão dos ricos impediu também de verem a riqueza que há na cabeça de um povo educado. Ao longo de toda a nossa história, os nossos ricos abandonaram a educação do povo, desviaram os recursos para criar a riqueza que seria só deles, e ficaram pobres: contratam trabalhadores com baixa produtividade, investem em modernos equipamentos e não encontram quem os saiba manejar, vivem rodeados de compatriotas que não sabem ler o mundo ao redor, não sabem mudar o mundo, não sabem construir um novo país que beneficie a todos. Muito mais ricos seriam os ricos se vivessem em uma sociedade onde todos fossem educados.

Para poderem usar os seus caros automóveis, os ricos construíram viadutos com dinheiro de colocar água e esgoto nas cidades, achando que, ao comprar água mineral, se protegiam das doenças dos pobres. Esqueceram-se de que precisam desses pobres e não podem contar com eles todos os dias e com toda saúde, porque eles (os pobres) vivem sem água e sem esgoto. Montam modernos hospitais, mas tem dificuldades em evitar infecções porque os pobres trazem de casa os germes que os contaminam. Com a pobreza de achar que poderiam ficar ricos sozinhos, construíram um país doente e vivem no meio da doença.

Há um grave quadro de pobreza entre os ricos brasileiros. E esta pobreza é tão grave que a maior parte deles não percebe. Por isso a pobreza de espírito tem sido o maior inspirador das decisões governamentais das pobres ricas elites brasileiras.

Se percebessem a riqueza potencial que há nos braços e nos cérebros dos pobres, os ricos brasileiros poderiam reorientar o modelo de desenvolvimento em direção aos interesses de nossas massas populares. Liberariam a terra para os trabalhadores rurais, realizariam um programa de construção de casas e implantação de redes de água e esgoto, contratariam centenas de milhares de professores e colocariam o povo para produzir para o próprio povo. Esta seria uma decisão que enriqueceria o Brasil inteiro - os pobres que sairiam da pobreza e os ricos que sairiam da vergonha, da insegurança e da insensatez.

Mas isso é esperar demais. Os ricos são tão pobres que não percebem a triste pobreza em que usufruem suas malditas riquezas".



Clique a seguir para ler outra matéria de Cristóvam Buarque - Internacionalização da Amazônia

Os (5) sentidos

Sinto (te) o cheiro
Pelas ruas pisadas
E pedras por inteiro
Olhares tão perdidos
E palavras embutidas
Em paredes escorridas
Sinto (te) o sabor
Nos beijos inventados
E nos gestos em flor
Com portas fechadas
Com janelas abertas
E bocas descobertas
Sinto (te) o tacto
De mãos frias e suadas
No olhar e no impacto
Na pele lisa e macia
E na tua prosa poesia
Sinto (te) na voz
Num timbre rouco
Numa expressão feroz
O cântico ensurdecedor
Que o coração algema
Ao segredar um poema
Sinto (te) o olhar
Tão vago e distante
Nas noites a espreitar
Como segredo estonteante
De quem fala com a mente
Num corpo que consente.

AC............... Alice Coelho

© All Rights Reserve



quinta-feira, 1 de novembro de 2018