quinta-feira, 4 de abril de 2019



A NATO e sete décadas de mentiras, guerra e sangue

Por: José Goulão - 04 de Abril de 2019 - AbrilAbril

A NATO não nasceu para responder a qualquer acção contrária, uma vez que o Tratado de Varsóvia só foi fundado quatro anos depois, nem para defender a democracia, porque integrou, à nascença, uma ditadura fascista – a portuguesa.

Para assinalar o significado do 70º aniversário da NATO talvez fosse suficiente passar os olhos pela guerra que há 18 anos destroça o Afeganistão, ou pelo caos em que a Líbia continua mergulhada ou pelas violações do direito internacional patrocinadas pela organização nos Balcãs, designadamente o aterrador desmembramento da Jugoslávia.

Talvez fosse suficiente… Mas estaríamos longe de fazer justiça à amplitude e longevidade de uma acção cada vez mais global e próxima de comportamentos gangsteristas como a que caracteriza a aliança. Sendo que a enxurrada de considerações épicas em torno dos mitos que a sustentam é de tal modo ameaçadora nestes dias que todas as oportunidades serão poucas para aprofundar o contraditório.

Não surpreende que a NATO seja o que é. O que poderá causar alguma perplexidade, sobretudo entre quem anda um pouco mais a par da realidade internacional e quem vai além da informação mainstream, é a desfaçatez com que dirigentes altamente posicionados em nações e no mundo tentam interligar os seus belos discursos sobre a aliança com as práticas sangrentas desta. Ou acreditam nas suas próprias mentiras ou confiam demasiado na propaganda e na consequente alienação do cidadão comum.

A NATO nasceu no meio de mentiras e de mitos propagandistas tão em vigor hoje como há 70 anos, apesar de serem facilmente desmontáveis. Mas os servidores da organização têm fé no efeito de repetição e num universo mediático reverente.

A NATO não nasceu para responder a qualquer acção contrária, uma vez que o Tratado de Varsóvia só foi fundado quatro anos depois. E também não veio para defender a democracia, porque fez questão de integrar, à nascença, uma ditadura fascista – a portuguesa – adoptando outras com o correr do tempo, como foi o caso da grega e da turca.
A «aliança defensiva»

Porém, o mito fundador que mais foi refinando com o tempo e a prática é o da «aliança defensiva», uma espécie de culto de Calimero a uma escala bastante viril.

A NATO nunca ataca; defende-se sempre de um qualquer inimigo, que trata de inventar quando não existe. Quando instala armamentos, cada vez mais exterminadores, é para defender-se; quando avança os seus meios militares pela Europa afora até às fronteiras russas, ou em África, ou agora na América Latina é em legítima defesa.

A melhor defesa é o ataque, argumenta-se em termos de táctica futebolística. A NATO adoptou-a ou vice-versa, é uma dúvida semelhante à do ovo e da galinha. O que interessa é saber-se que a NATO nunca ataca, defende-se.

Assim foi durante a Guerra Fria, por exemplo recorrendo a organizações terroristas clandestinas, como a Gládio, espalhando o sangue, o horror e o medo através de atentados sucessivos em Itália para impedir o acesso dos comunistas à esfera do poder, mesmo quando o povo assim o desejou em eleições legítimas e livres.

Ou não hesitando em conspirar para promover golpes de Estado e mudanças de regime, dentro e fora da guerra fria, como aconteceu em Portugal, na Grécia, na Turquia e mais recentemente na Ucrânia – não interessando, também neste caso, que o resultado seja um regime nazi-fascista. Sempre em nome da democracia e do mercado, a entidade que mexe os cordelinhos democráticos e sabe o que é melhor para os cidadãos, mesmo que estes desejem o contrário.
A NATO e o respeito pela própria palavra

A NATO tem uma relação complicada com a própria palavra. É o que acontece a quem vive da propaganda e não tem a coragem de assumir perante os povos as reais motivações da sua missão.

A NATO esboça a sua realidade virtual nos mapas e nas mensagens que transmite aos cidadãos; e depois procede em conformidade mas de uma maneira real, agressiva, muitas vezes sanguinária, espezinhando os direitos humanos.

A mentira que esteve na génese da organização – a necessidade de responder a uma entidade de sinal contrário que viria a nascer apenas quatro anos depois – vigorou até ao colapso da União Soviética e do Tratado de Varsóvia, no início da década de noventa do ano passado.

Agora é altura de a NATO se dissolver, deixaram de existir razões para continuar, argumentaram então os ingénuos e os que ainda acreditam na boa-fé dos discursos político-militares e das instâncias que os produzem.

Não é bem assim… respondeu o atlantismo. Reparem nos inimigos que ameaçam o «nosso civilizado modo de vida», o Irão, Saddam Hussein, Khaddafi, a Coreia do Norte, Cuba, Assad, Chávez, al-Qaida, Bin Laden, os Talibã, eixos do mal cruzando-se, entrecruzando-se, exigindo a presença vigilante, dissuasora, sempre defensiva da NATO, ainda que alguns tenham sido amigos ou mesmo criados para bem do mercado e preservação da democracia.

Portanto, nesta guerra «entre a civilização e a barbárie», a NATO não pode dissolver-se; mas podem estar certos de que não vai crescer uma polegada, em território e número de membros. Quem assim falou foi James Baker, secretário de Estado norte-americano de George Bush pai.

E se bem o disse melhor o fez; ele, os sucessores, o chefe e herdeiros, no fundo toda a fina flor Atlântica.

Num ápice a NATO estava em «tempestades no deserto» invadindo o Iraque, destruindo a Jugoslávia numa das mais selváticas guerras modernas, invadindo o Afeganistão dando o pontapé de saída na «guerra contra o terrorismo», no âmbito da qual foi dizimar a Líbia em aliança com os terroristas islâmicos que dizia estar a combater.

E foi assim que o «nem uma polegada» se transformou em muitos mais biliões de polegadas; que a “guerra contra o terrorismo” descambou no recurso a informais braços terroristas como o Estado Islâmico e a al-Qaida, por exemplo na participação clandestina do atlantismo na agressão à Síria e, mais recentemente, na interminável invasão do Afeganistão – onde o inimigo a derrotar – os Talibã – já controla dois terços do país.

E onde se ouviu James Baker dizer nem mais um membro deve ler-se duplicação da família dos aliados, porque em meia dúzia de anos a NATO engoliu a maior parte dos países do antigo Tratado de Varsóvia mais os Estados nascidos da ex-Jugoslávia, sem esquecer os que lhe eram adjacentes nos Balcãs, como a Albânia.

A família defensiva já vai em 30 membros e não fica por aqui, porque ao Atlântico Norte juntam-se agora o Mediterrâneo, os mares Adriático, Báltico e Negro e também o Atlântico Sul. Graças a imaginativas normas de integração temos a caminho da NATO não só o narco-Estado terrorista da Colômbia mas também o Brasil, uma vez reconvertido ao fascismo. Porque a NATO sente urgência em defender-se da sempre ameaçadora Cuba e, sobretudo, da temível Venezuela de Maduro.

Pelo que abundam razões para acreditarmos piamente no que a NATO e os seus porta-vozes dizem e prometem. Claro como água.
O mito da defesa solidária

Outro dos mitos fundadores e base de propaganda da NATO é o da defesa solidária. Ou seja, qualquer Estado membro pode contar com os restantes no caso de ser agredido por um Estado terceiro ou organização inimiga. Todos acorrerão a defendê-lo…

Desde que…

O Estado em questão, como qualquer outro dos membros, tenha abdicado previamente de parte da sua independência; os seus governos se tenham submetido à autoridade económico-militar do complexo militar, industrial e tecnológico que governa os Estados Unidos da América – e a NATO, por inerência; e estejam dispostos a que o seu território seja utilizado para que a NATO, isto é, os Estados Unidos da América, se defendam atacando.

Em boa verdade, os Estados membros da NATO são protectorados da estrutura imperial norte-americana, que tem a aliança como seu braço armado: são obrigados a abdicar de uma política de defesa independente, a colocar vultosos fundos orçamentais à disposição do Ministério da Defesa dos Estados Unidos, a envolver-se em guerras por razões que lhes são alheias, ou mesmo contrárias, a manter relações hostis com Estados porque assim o exigem os interesses norte-americanos e não os interesses nacionais.

Numerosos estudos demonstram que os Estados Unidos da América têm entre 800 a mil bases militares em territórios ocupados no estrangeiro. Nessas áreas, em bom rigor, os Estados hospedeiros abdicam da sua soberania, cedem-na a Washington.

Ora estes estudos pecam por defeito, porque não consideram muitas das instalações militares dos Estados membros da NATO.

Estas instalações, em última análise, estão ao serviço dos Estados Unidos, mesmo que tecnicamente não sejam consideradas bases norte-americanas. As suas actividades não são independentes ou autónomas da estratégia militar da NATO, logo dos Estados Unidos. Os Estados membros da aliança não possuem instalações militares verdadeiramente próprias porque não têm uma política de defesa por eles definida tendo em conta os verdadeiros interesses dos seus povos.

Eis porque o Pentágono administra um império de instalações militares mundiais muito mais amplo que as cerca de mil unidades recenseadas.
Conflito constitucional

Na União Europeia entra-se mas não se sai ou, pelo menos, não se sai a bem, como estamos a perceber quotidianamente pelo caso do Reino Unido.

Acontece o mesmo com a NATO?

O assunto é académico, porque em relação à Aliança Atlântica apenas temos assistido a entradas, não a saídas ou tentativas de saída.

Na União Europeia ainda se realizam alguns referendos esporádicos para decidir o relacionamento entre as instituições centrais e Estados membros. Referendos, é certo, que têm sido repetidos quando não dão os resultados que deveriam dar – segundo a perspectiva da União – ou então sabotados.

Nada disso acontece na Aliança Atlântica. A NATO representa, em absoluto, a vontade dos povos, razão que torna qualquer consulta supérflua. Dir-se-ia um comportamento ditatorial, não soubéssemos nós que a NATO é a essência da democracia.

Portugal foi fundador da NATO com a ditadura de Salazar, continuou depois do 25 de Abril – que foi gravemente ferido no 25 de Novembro com a colaboração prestimosa da aliança – e continua a não questionar a presença, apesar da letra e do espírito da Constituição da República.

Em Portugal, a propósito da NATO, há um conflito constitucional latente, do qual todos os governos têm fugido como o diabo da cruz. Salazar dizia que “a pátria não se discute”; os governos de hoje assumem que a NATO não se discute ou, pelo menos, não se questiona.

Porque era isso que deveria fazer-se à luz da Constituição, que determina o envolvimento de Portugal nos esforços de paz e de dissolução dos blocos militares, isto é, da NATO.

Nada disso. O que fazem caças portugueses violando espaço aéreo da Finlândia, por exemplo? Nada contra este país, apenas uma sequela de uma presença agressiva, no âmbito da NATO, contra uma nação – a Rússia - com a qual Portugal poderia e deveria ter relações absolutamente naturais e normais, como acontece como tantas outras.

Essa presença em territórios bálticos, em si mesma, é uma agressão à Constituição da República.

Em termos de democracia, porém, a NATO sobrepõe-se à lei fundamental do país. A posição dos dirigentes nacionais de hoje em relação à aliança não é muito diferente da que há 70 anos era tão grata a Salazar: estão muito agradecidos pelo favor que a NATO faz em permitir que o país faça parte de tão grande e defensiva família.

Esqueçam a Constituição.

terça-feira, 2 de abril de 2019


Manuela D'Ávila

Caetano, eu sinto vontade de lhe abraçar e agradecer por ser um dos maiores brasileiros vivos. Lhe agradecer Por cada palavra em suas músicas, por cada Brasil descoberto em sua arte. Uma das coisas que mais me espanta nesses tempos terríveis que estamos vivendo é a vontade dessas forças das trevas de destruir tudo o que o nosso país tem de mais precioso. A expressão mais simbólica disso são os ataques contra vocês, nossos maiores artistas. Incrível eles lhe colocarem no centro dos ataques. Por outro lado, contraditoriamente, os ataques daquele bispo a você, Caetano, mostram a força incrível que as obras de arte tem. Como vivemos tempos tenebrosos, de cerceamento da liberdade, a música "É proibido proibir", a sua atitude à época e agora, a forma como você cantou em público na década de 70 e como enfrenta o obscurantismo agora fazem com que a música siga incomodando. Aquela canção já tem décadas mas está aqui, viva, em potência, e quando a a história a chama ela emerge novamente e bota raiva nos velhos novos donos do poder. Obrigada, Caetano, por ter sempre lutado pela sua liberdade. Pela nossa liberdade.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Snowy White Midnight Blues

Pink Floyd - Wish You Were Here Tradução Legendado


Pedro Barroso


ola Mario
Meu companheiro no TEC, colega, actor, cumplice, amigo e conterraneo. Partiste a 1 de Abril, como quem brincasse ao dia das mentiras. Isso faz-se, meu palerma?
Ainda hoje serias util. Tanto. Sempre. No teu dizer inimitável, no teu humor sarcástico, no teu destruir de barreiras e dogmas.
Um abraço, rapaz. Por aqui, sinceramente, tudo igual. A ironia continua a ser a arma. Como gostarias de continuar a apontar. E quantas vezes o fizemos juntos. Obrigado por teres dito a "aurora" q escrevi como nem eu proprio diria. https://www.youtube.com/watch?v=aByJ4wW-2V0&t=169s

E, já agora, no teu ramo e com a tua arte de dizer, nada de novo.





terça-feira, 26 de março de 2019


Desejo que respeitem minha liberdade,
sou incapaz de não respeitar a dos outros.
Nascemos para ser felizes,
não para ser perfeitos.

Françoise Sagan #SimplesmenteUmaRosa 🌹




sábado, 23 de março de 2019

JJ Cale - Stay Around (Official Music Video)


A PRIMAVERA

O pássaro chegou
e com ele a luz;
de cada trilo seu
nasce a água.


E entre água e luz que o ar desata
está a Primavera inaugurada já,
sabe a semente que já cresceu,
na corola desenha-se a raiz,
abrem-se por fim as pálpebras do pólen.

Tudo isto fez um simples pássaro
no alto dum verde ramo.

PABLO NERUDA

Há quem não me entenda.
Há quem nunca tentou.
Há quem sempre quis ler-me.
Há quem nunca se interessou.
Há quem leu e não gostou.
Há quem leu... e se apaixonou.
Há quem apenas busca em mim palavras de consolo.
Há quem só perceba teoria e objetividade.
Mas, tal como um livro, sempre trago algo de único: o melhor de mim."
(Desconheço autoria)

quarta-feira, 13 de março de 2019

A VERDADE SOBRE O COLESTEROL !


No
rasto das sombras
há um corpo
onde a tua boca mora


olhos que te fitam
e invocam
o teu rosto que brilha
entre as poeiras esmorecidas
e o fumo adormecido
da vontade (in)conformada de te sentir além

sou
(serei)
água turva
que respira a terra do teu ser
língua onde as palavras já não moram
silêncio presente na tua alma
a cruel existência dos meus dias

sem ti
o canto das aves permanece calado
como acorde errado...meu amor, meu amor!

Ⓜ mariAna

terça-feira, 12 de março de 2019


Um ventríloquo em turnê na Noruega

Um jovem ventríloquo está em turnê na Noruega e faz um show em uma pequena vila de pescadores.

Com seu boneco no colo, ele começa a fazer suas piadas idiotas e bobas.

De repente, uma loira na quarta fileira sobe na cadeira e começa a gritar:

"Já ouvi o suficiente de suas piadas estúpidas.

O que faz você pensar que pode estereotipar mulheres loiras norueguesas dessa maneira?

O que a cor do cabelo de uma mulher tem a ver com o seu valor como ser humano?


São homens como você que impedem que mulheres como eu sejam respeitadas no trabalho e na comunidade, e que alcancem todo o nosso potencial como pessoas.

Pessoas como você fazem os outros pensarem que todas as loiras são burras.

Você e sua espécie continuam a perpetuar a discriminação não apenas contra loiras, mas mulheres em geral, pateticamente, tudo em nome do humor!

O ventríloquo envergonhado começa a se desculpar, mas a loira interrompe gritando:

"Você fique fora disso ... estou falando com esse idiota no seu colo!"

Dono do Chelsea tem iate mais caro do mundo.

The Amazing iPad Magician

GIPSY KINGS "VOLARE " | Penelope Cruz






As 7 aldeias mais bonitas do Douro Vinhateiro

por VxMag



O Douro Vinhateiro é uma das mais belas paisagens de Portugal. Nas suas encostas produz-se um dos mais apreciados vinhos de Portugal, o vinho do Porto. O Douro é uma paisagem singular, notavelmente descrito por Miguel Torga nos seus poemas. Ao longo do vale deste rio, a população soube moldar e dominar as condições agrestes e proporcionar as melhores condições para que aqui nasça um produto com uma qualidade tão elevada como o vinho do Porto. É de facto notável este trabalho feito ao longo de vários séculos.

Douro

Nas encostas do Douro existem várias aldeias, pitorescas e tradicionais, cujas populações se dedicaram (e ainda dedicam) à produção do vinho. Estas aldeias, pela sua peculiaridade, foram recentemente catalogadas como aldeias vinhateiras e fazem agora parte de uma rede que pretende ser mais um motivo para visitar esta belíssima região. Além da beleza da paisagem com as suas vinhas em socalcos, um dos pormenores que melhor caracteriza estas aldeias vinhateiras são os seus solares, casas senhorias que pertenciam às grandes famílias que comercializavam o Vinho do Porto. Estas são as aldeias mais bonitas do Douro Vinhateiro.


1. Provesende

Provesende é uma encantadora freguesia localizada no belo concelho de Sabrosa, na fértil região demarcada do Douro, onde se produz o afamado vinho do Porto. Situada num pequeno plateau, com vista para o belo rio Pinhão , esta é uma região de grande beleza natural, pautada pela forte tendência rural que tem subsistido ao longo dos séculos, sobretudo desde a criação da região demarcada do Douro, no século XVIII. Este é um local de antiga ocupação humana, como atestam os vestígios de um Castro Lusitano, que ainda hoje vale a pena visitar pelo belo panorama que apresenta.

Provesende

Diz-se que o topónimo Provesende virá da antiga Lenda de Zaide. Zaide seria um Mouro, irmão de Jahia rei de Toledo, que habitaria no altaneiro Castelo de São Domingos, nas imediações de Provesende, antes conhecida como San Joanes. Certo dia o Castelo foi atacado pelas forças Cristãs, dando-se um massacre, perecendo todos os Mouros que ali habitavam, escapando-se o rei Zaide que, não obstante, foi apanhado mais à frente enquanto fugia, sendo torturado e assassinado. No momento de transe e sofrimento terá sido exclamado “Prove Zaide, prove Zaide!”, originando daí o topónimo “Provesende”. Vale a pena percorrer as típicas e calmas ruas de Provesende, onde encontramos o antigo Pelourinho, a barroca Igreja Matriz, a Fonte do século XVIII e as várias casas senhoriais e brasonadas, como as Casas da Praça, de Santa Catarina, do Campo, do Santo, dos Ribeiros, entre tantas outras que atestam o poderio económico dos férteis terrenos da região, que vêm na vinicultura a sua maior subsistência.


2. Favaios

Favaios é um aldeia pertencente ao concelho de Alijó, na região Norte do País, situada no sopé da bonita Serra do Vilarelho, tipicamente Transmontana. Esta aldeia de feição rural, de solos tão férteis, vê na viticultura a sua principal actividade, produzindo-se aqui um famoso vinho Moscatel que leva o nome da freguesia e desta região demarcada mais além. As origens desta freguesia são bem antigas e perdidas no tempo, pensando-se que aqui terá já existido durante os séculos I e II da nossa era uma comunidade Romana, provavelmente denominada de “Flavius”, tendo sido também povoada por Mouros, e posteriormente reconquistada nos inícios da formação da Nacionalidade Portuguesa.

Favaios

Esta aldeia orgulha-se do seu interessante Património, de onde se destacam o que resta ainda hoje do Castelo Romano, maioritariamente troços das muralhas, e também da Igreja Matriz de São Domingos do século XIX, das Capelas de São Paio do século XVII, da de Santo António também do século XVII, da do Senhor Jesus do Outeiro (século XIX), da de Santa Bárbara de onde se desfruta uma vista fenomenal, ou mesmo da Quinta de São Jorge que alberga uma interessante Capela Românica. De facto, na região de Favaios não faltam as muitas casas Brasonadas e Solares, marcando a importância dos terrenos férteis na economia da região, muitas delas pertencentes aos grandes produtores dos afamados vinhos. Na calmaria da Serra do Vilarelho, e respirando um ambiente puro e rural, Favaios é conhecida também pela produção de Pão de qualidade, a segunda principal actividade da aldeia, a seguir ao tão cotado Vinho.


3. Ucanha

Ucanha é uma aldeia pertencente ao concelho de Tarouca, e classificada em 2001 como Aldeia Vinhateira do Douro. O nome Ucanha deriva de Cucanha, forma usada até ao século XVII, e que significa casebre ou lugar de diversão. Ucanha foi vila e sede de concelho até 1836, quando foi integrada no concelho de Mondim da Beira. A integração no actual município de Tarouca data de 1898. A aldeia fica localizada numa encosta que desce até ao rio Varosa (ou Barosa). O vale limitado pelas colinas arborizadas da Serra de Santa Helena apresenta um bonito enquadramento paisagístico.

Ucanha

O principal ponto de interesse é a Torre de Ucanha, classificada desde 1910 pelo IPPAR como monumento nacional. A Torre proporcionava funções de defesa junto à ponte medieval, o controle de pessoas e bens e ainda a cobrança de portagens, cujos rendimentos beneficiavam o couto monegástico de Salzedas. As portagens foram contudo abolidas em 1504 e a torre perdeu grande parte da sua importância tendo o edifício entrado em declínio e usado como armazém de produtos. A ponte porém continuou a ser usada sendo um dos principais pontos de passagem do rio. Entre a antiga ponte e a nova existe uma praia fluvial.


4. Salzedas

Salzedas é uma freguesia portuguesa do concelho de Tarouca. O nome Salzedas provém do latim Saliceta que significa salgueiral, vegetação muito abundante nas margens do rio Varosa, que por ali corre. É de povoamento muito antigo. Por aqui passaram Lusitanos e Romanos, Suevos e Visigodos e, mais tarde, Muçulmanos.

Mosteiro de Salzedas, da Ordem de Cister

A génese da sua história remonta ao lugar a que hoje se dá o nome de Abadia Velha e a sua povoação cresceu em torno do Convento de Santa Maria de Salzedas. O grande ex-libris é o Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Salzedas mandado erigir por D. Teresa Afonso, mulher de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques. De estrutura românica, completamente remodelado no século XVIII e a sua igreja sagrada no século XIII, representa um dos mais ricos e emblemáticos mosteiros de Portugal.


5. Trevões

Localizada no concelho de São João da Pesqueira, distrito de Viseu, a aldeia de Trevões é uma povoação com cerca de 21,55 km² de área e 540 habitantes (2011) que faz parte do roteiro das Aldeias Vinhateiras do Douro. Este roteiro, lançado em 2001 teve como objectivo principal a regeneração e valorização das aldeias do Douro Vinhateiro, através da revitalização sócio-económica, da fixação da população e a aposta no turismo.

Trevões

Esta aldeia possui edifícios classificados como imóveis de interesse público e monumentos nacionais, como reflexo da sua outrora importância política na região, tendo sido sede de concelho entre o séc.XII e o séc. XIX, e constitui actualmente um interessante pólo turístico da região vinhateira do Douro, pela paisagem em que se insere e pela sua arquitectura que atravessa diversas épocas e estilos.


6. Barcos

Esta aldeia, famosa pelas suas belas vistas e pela igreja românica que ali existe, situa-se 10 km a sul do Douro e 5 km a oeste da sede do concelho, Tabuaço. Foi habitada desde tempos imemoriais, como comprova o castro de Sabroso, hoje dominado pela Capela de Nossa Senhora de Sabroso. Importante centro populacional na Idade Média, foi sede de concelho até ao século XIX e desse legado histórico guarda a Casa da Câmara, o Pelourinho e a Roda dos Expostos.

Barcos

A igreja matriz, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, é um dos melhores exemplos da arquitectura tardo-românica, apresentando interessantes pórticos, com especial relevo para aquele que se encontra virado a sul numa das fachadas laterais. Na Primavera, vale a pena apreciar a vista sobre os campos de cultura que descem para o Douro. A aldeia está abrangida pelo recente Programa das Aldeias Vinhateiras do Douro.


7. São Xisto

Situada no coração da região classificada pela UNESCO como Património Mundial, São Xisto é um local encantado sobre o rio Douro! Localizada em Vale de Figueira, concelho de São João da Pesqueira, a aldeia é dominada por uma paisagem de cortar a respiração! Para apreciar esta aldeia, bastaria olhar em redor para os montes e vales, o Douro ali tão perto, tradicionais muros de pedra e os socalcos típicos das vinhas nas margens deste rio. Mas os seus encantos não ficam por aqui…

São Xisto

Deixe-se deslumbrar, também, pelo património diverso desta bonita aldeia, que passam pela Capela de São Xisto, o Mirante Anjo Arrependido, a Fonte Centenária e as diversas casas típicas em xisto. Os locais a visitar, num passeio sem pressas, passam ainda pelos inevitáveis lagares de azeite e de vinho, ou não estivéssemos nas margens do Douro. O cais fluvial do Douro e a estação ferroviária de Ferradosa conferem ainda mais encanto a este local. A aldeia de São Xisto possui particularidades muito específicas ligadas à importância da vinha. Aqui domina, como o próprio nome indica, o xisto, a contrastar com o granito que toma conta da margem oposta.


Sheryl Crow & Eric Clapton - "Tulsa Time" (Live, 2007) with Albert Lee &...

Venice Carnival Grand Opening 2019 | Venezia Autentica

Quando um Juiz processa um país , é Carnaval !


“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.” Albert Einstein

Criticar Neto de Moura não é uma faculdade, é uma obrigação, é um imperativo de cidadania. Conseguir fazê-lo, ante a fundamentação dos seus Acórdãos sobre violência doméstica, com humor, é pura arte.
Ser-se processado por Neto de Moura, por criticar a fundamentação dos seus Acórdãos sobre violência doméstica eivada de considerações preconceituosas, desrespeitosas para com as vítimas, atávicas, subjectivas, misóginas, por verterem concepções de comunhões conjugais que acomodam a normalização de episódios de “pancadaria” dignos da Ultimate Fighting Championship, entre o mais, não é mau. Outrossim, só significa que o putativo Demandado tem a capacidade de se indignar com aquilo que é motivo, justo e justificado, de indignação.
E, ao contrário do que, segundo se percebe, o Senhor Desembargador Neto de Moura acredita, o poder judicial não actua no vazio, as Setenças e os Acórdãos são direccionados a seres humanos (sim, ainda que Neto de Moura não tenha notado, as mulheres são seres humanos!), que reclamam a tutela de um direito ante um Tribunal.
O poder judicial tem uma vertente pedagógica junto da comunidade para quem administra Justiça. Pelo que, ao contrário do que Neto de Moura parece acreditar, as partes – e a comunidade onde estas se inserem - também julgam o Juiz, sempre que lhes chega à mão uma Decisão. Donde, o cidadão – que é Desembargador – Neto de Moura, sempre que prolata uma Decisão está vinculado à responsabilidade de expressão, dever esse inerente à correspondente liberdade, a qual também tem limites, mesmo quando se trata da liberdade de Neto de Moura.
Mas há mais e mais relevante: Neto de Moura também acreditava que estava acima da critica e que o caminho dos epítetos era uma via de direcção única. Mas não! Neto de Moura escreveu o que quis. Ora, como costuma acontecer nesses casos, ouviu as críticas que não queria ter ouvido.
É normal que assim seja nos Estados de Direito Democráticos. E nem há possibilidade para que o putativo Demandante, Neto de Moura, possa dizer que o desconhecia sem ter obrigação de conhecer, porque não há magistrados judiciais sem o curso de Direito e Direito Constitucional é lecionado logo no primeiro ano.
Neto de Moura deveria estar agradecido, porque vivemos num país de brandos costumes e as reacções à fundamentação dos seus Acórdãos sobre violência doméstica, a qual configura verdadeiras afrontas, surgiram, sobretudo, sob a forma de humor. Poderia ter-se dado o caso de os portugueses, que pagam os impostos com os quais é pago o vencimento do Senhor Desembargador, a fazer luz semelhante Jurisprudência, terem acatado a desvalorização que o próprio Neto de Moura fez, ao longo das páginas dos seus arestos, da violência sobre um seu semelhante.
Ainda assim, Neto de Mouro está ofendido.
Curiosamente, Neto de Moura diz que há uma diferença entre a critica e a ofensa. O mesmo Neto de Moura que nunca compreendeu, até hoje, a diferença entre ofender e fundamentar uma Decisão Judicial.
Se não, vejamos alguns exemplos:
Neto de Moura não respeita a autodeterminação sexual de cada um/a: divide as mulheres entre honestas e desonestas (as adúlteras), quando escreve num seu Acórdão “são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras”. Apanhar com uma moca, reclamar tutela judicial e acabar-se julgada, catalogada como adúltera e desonesta é ser-se ofendida na sua honra. Mas Neto de Moura não hesitou em subscrever estas ofensas, perpetradas contra uma mulher, vítima de violência doméstica.
Quando Neto de Moura conduzia sem chapas de matrícula e foi interceptado por uma patrulha da GNR, por não ter obedecido, voluntariamente, a uma ordem de paragem, foi denunciado ao Conselho Superior da Magistratura, acusado por de ter adoptado uma postura “provocatória, intimidatória e ofensiva”, ante aquelas forças da autoridade. Chama-se o caso à colação, porque seria nesse âmbito que Neto de Moura proferiria a espantosa generalização sobre a, por si alegada, tendência marginal - muito acentuada - para a mentira, por banda da polícia. Ora, Neto de Moura também não se apercebeu, nessa ocasião, que subscrevia uma ofensa à honra e à integridade moral e profissional dos polícias, ao afirmar que estes profissionais “geralmente” mentem.
Repristine-se, ainda, o caso em que as declarações da vítima, em juízo, são desconsideradas por Neto de Moura por não serem consideradas fidedignas já que se trata de declarações produzidas por uma mulher adúltera. Assim e como tal, o ser humano em causa é por este mesmo Juiz epitetada, numa sua Decisão, de “dissimulada, falsa, hipócrita, desleal, que mente, engana, finge. Enfim, carece de probidade moral”; “Não surpreende que recorra ao embuste, à farsa, à mentira para esconder a sua deslealdade e isso pode passar pela imputação ao marido ou ao companheiro de maus tratos.”. Mas uma vez mais o agora ofendido Neto de Moura não se apercebe que, com estas considerações, ofendeu a honra de alguém.
Que a conexão de Neto de Moura à realidade não era das melhores já todos/as tínhamos percebido, mormente porque os exemplos que supra se deixaram elencados davam conta disso mesmo, mas essa nossa convicção sai agora reforçada, quando percebemos que pretende amordaçar todo um país, que este Juiz considera que o ofende
Neto de Moura tem, obviamente, direito a lançar mão da via judicial, como qualquer cidadão/ã, conquanto não pretenda litigar de má fé, devido à sensibilidade que revela possuir em relação a si próprio, quando concomitantemente denota – nos seus Acórdãos - desprezar a daqueles que julga.
Não podendo negar que a sensibilidade existe, pelo menos a do primeiro tipo, resta desejar que, apesar da época ser carnavalesca, haja bom senso!

Ana Sofia de Sá Pereira
Advogada – Mestre em Direito
Porto, 04.03.2019

segunda-feira, 4 de março de 2019

Que vergonha , sotôra !


DIREITOS DAS MULHERES
A Mulher, o feminismo e a lei da paridade
Joana Bento Rodrigues
24/2/2019

Os movimentos feministas deviam inquietar-se com questões fundamentais, em especial as relacionadas com a vida laboral e a sua conciliação com o que é a natureza da mulher e as suas reais preocupações

A mulher dita feminista – a que integra as “tribos”, a que se deslumbra com as capas de revistas, a que se diz emancipada, a que não precisa de relações estáveis, a que não quer engravidar para não deformar o corpo nem perder oportunidades profissionais, a que frequentemente foge da elegância no vestir e no estar – optou por se objectificar, pretendendo ser apenas fonte de desejo em relações casuais, rejeitando todo o seu potencial feminino, matrimonial e maternal.

São estas três últimas, as características mais belas da mulher!

O potencial feminino refere-se a tudo o que, por norma, caracteriza a mulher. Gosta de se arranjar e de se sentir bonita. Gosta de ter a casa arrumada e bem decorada. Gosta de ver ordem à sua volta. Gosta de cuidar e receber e assume, amiúde, muitas das tarefas domésticas, com toda a sua alma, porque considera ser essa, também, a sua função.

O potencial matrimonial reside, precisamente, no amparo e na necessidade de segurança. A mulher gosta de se sentir útil, de ser a retaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem sucedido. Esse sucesso é também o seu sucesso! Por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário. Gosta, sim, que seja este a obtê-los, sendo para si um motivo de orgulho. Porquê? Porque lhe confere a sensação de protecção e de segurança. Demonstra-lhe que, apesar poder ter uma carreira mais condicionada, pelo facto de assumir o papel de esposa e mãe, a mulher conta com esse suporte e apoio do marido, para que nada falte. Por outro lado, aprecia a ideia de “ter casado bem”, como se fosse este também um ponto de honra. Naturalmente que o contrário não pode ser visto como menos meritório, em particular quando as oportunidades não são equivalentes. Assim, o casal, enquanto um só e actuando em uníssono, pode optar pela inversão destes papéis, que em nada diminuiu qualquer dos elementos, desde que movidos por objectivos comuns e focados no Amor.

O potencial da maternidade é algo biológico! A mulher é provida de um encanto, de uma ternura, que só se encontra na sua relação com os filhos. Ela é o porto de abrigo das crianças. Na maternidade, a mulher sente-se verdadeiramente realizada, pois percebe o que é o verdadeiro e incondicional Amor! Não espanta, pois, que não possa demitir-se dessa função e que a maternidade seja, por norma, um fortíssimo apelo, ainda que subconsciente. Mesmo quando não é mãe, a mulher é a “melhor tia do mundo”, a “melhor madrinha do mundo”. Nela reside a arte do cuidar e do mimar.

O feminismo, que lutou pela igualdade de direitos, pela possibilidade de a mulher poder votar, estudar e trabalhar fora de casa, deter iguais direitos laborais em relação ao homem, está longe de ser representado nos movimentos da atualidade. Pois, embora fazendo parte da natureza da mulher ser esposa e mãe, a “mulher moderna” revela também a necessidade de se completar com um papel social e de cidadania, que vê concretizado no trabalho e, se bem-sucedido, tanto melhor! Gosta de ver reconhecido o seu esforço e mérito profissionais, mas sabe também que poderá ter de fazer escolhas para cumprir com os restantes papéis.

Quantas mulheres estarão dispostas a abdicar da maternidade e de um casamento feliz, em nome de uma carreira de sucesso? Dificilmente poderão estar em pé de igualdade com o homem, que mais facilmente dedica horas extra ao trabalho, abdicando do tempo em Família, em nome da progressão laboral e, está claro, daquilo que é um apelo mais masculino, o do sucesso laboral. É isto discriminação? Não, são escolhas!

A sabedoria popular bem o diz: “Não se pode ter tudo”! Não espanta, assim, que haja menos mulheres em cargos políticos e em posições de poder. A mulher escolhe-o naturalmente, ao dedicar menos tempo que o homem às causas partidárias e ao estudo da História e da actualidade, enquanto conhecimento necessário para defender e representar uma Nação.

É certo que é mais difícil ascender profissionalmente num meio masculino, consequência inevitável desta dinâmica social, mas que na sociedade ocidental tanto se tem esbatido nas últimas décadas, em resultado do esforço de muitas mulheres que mostraram, na prática, o que conseguem fazer e alcançar, com a sua enorme inteligência social e emocional. Prova disso é a representatividade feminina no ensino superior no nosso País, na medicina e na advocacia, que já ultrapassa de forma preocupante a masculina!

Por isso, os movimentos feministas deveriam inquietar-se, sim, com questões fundamentais, particularmente as relacionadas com a vida laboral e a sua conciliação com o que é a natureza da mulher e as suas reais preocupações. Contudo, o activismo feminista actual não procura satisfazer o que as mulheres precisam, mas apenas o que pretende uma poderosíssima minoria de mulheres. Este activismo tornou-se, inclusivamente, desprestigiante para a mulher. Priva-a da possibilidade de ascensão social e profissional pelo mérito. Retira-lhe a doçura e candura. Nega-lhe o papel fundamental do matrimónio e da maternidade. Objectifica a mulher, enquanto presa para sexo fácil e espaço de diversão. Promove paradas onde se expõe o corpo de forma grosseira e agreste à visão. Claramente, não representa a “mulher comum”!

A mulher é um ser belíssimo e extraordinário, que já provou conseguir alcançar sonhos e objectivos, sem necessidade de leis movidas por comiseração. A mulher não precisa de quotas obrigatórias para poder aceder à participação na vida política.

Por tudo isso, declaro-me anti-feminista e contra a nova Lei da Paridade!

Médica. Membro da TEM/CDS.
A autora escreve em português correcto, rejeitando a grafia do AO90.

domingo, 3 de março de 2019


"O Arthur foi um menino que sofreu muito bullying na escola, porque era neto do Lula. Por isso, eu tenho um compromisso com você, Arthur: vou provar a minha inocência e quando eu for para o céu, vou levando o meu diploma de inocente. Vou provar quem é ladrão neste país e quem não é. Quem me condenou não pode olhar nos olhos dos netos como eu olhava para você."

Lula, 02/03/2019







EX-GUITARRISTA DOS PINK FLOYD APOIA NICOLÁS MADURO
VENEZUELA 01-03-2019 10:33


O músico e ativista Roger Waters voltou a ser comentado nas redes sociais, depois de assumir o seu posicionamento em relação ao conflito político na Venezuela.

Roger gravou um vídeo, que publicou no Twitter, para o show «Hands Off Venezuela», organizado por Nicolás Maduro, numa resposta a um outro evento, em território colombiano, pelo autoproclamado presidente Juan Guaidó

«Quero dizer algo para vocês, povo da Venezuela. Admiro vocês desde 1998 e até antes disso. Sou um grande advogado das ideias de Simon Bolívar, um grande pensador, revolucionário, progressista, humanista, homem e líder. Daqui de longe, vejo-vos a resistir a todas as tentativas de poderes imperiais de destruir a revolução», disse Waters.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019



"Pegaram um dia um operário e disseram-lhe:
Senta-te no banco dos réus.
És acusado de haveres nascido com sonhos na cabeça. És acusado de teres os cabelos
encaracolados. És acusado de teres bigodes vastos, negros, provocativos.
És acusado de teres alguns pedaços de dedos a menos que o comum dos mortais, podados pelas engrenagens das máquinas.
És acusado de ficares pelas esquinas conversando em voz baixa com amigos enquanto a luz dos postes te ilumina o suor do rosto. És acusado de terem te visto no bar dando gargalhadas.
És acusado de tua casa ter um pequeno jardim com grama e flores.
És acusado de conheceres a sinfonia das sirenes das fábricas anunciando a aurora do primeiro turno. És acusado de seres reconhecido na portaria e todos te cumprimentarem, e te baterem levemente nas costas com alegria, e te dizerem: olá, meu chapa.
És acusado de inventares um partido que não é o único, mas não se confunde com siglas e teorias de alfarrábios envelhecidos.
És acusado de fazeres discursos de improviso com vigor e garra que nascem do fundo das vísceras do espírito.
És acusado de não seres magro nem raquítico como teus irmãos deviam ser.
És acusado de jogares baralho e dares dores de cabeça aos homens sérios deste país. És acusado de usares gravata em vez de macacão, vestindo-te com roupas só permissíveis no enterro do melhor amigo. És acusado de freqüentar reuniões e discutires com sábios e iluminados sem pedir licença nem apresentar diploma. És acusado de te haverem visto com ministros, criaturas importantes, e não te ocorrer submeter-se a elas.
És acusado de não teres te colocado no lugar cavado para o oprimido. És acusado de haveres gritado com toda a força de teus pulmões fuliginosos.
És acusado de teres filhos bonitos e uma mulher doce, que devia ser feia e talhada a foice.
És acusado de não seres rapaz comportado, meigo, gentil, acetinado.
És acusado de conheceres a prensa, e não te afugentar o ronco que ela faz na madrugada.
És acusado de quereres a pátria livre, e livre, também, o coração e os sentimentos do homem.
És acusado de rezares e de pôr a boca no trombone quando todos se calam e descrêem de Deus e
dos homens.
És acusado de teres o desplante de ser líder num país desnaturado onde quem levanta a fronte é triturado.
És acusado de haveres perdido a paciência de esperar pelo futuro que não chega nunca.
És acusado de usares sapatos 42, de couro, quando o normal é sandália havaiana.
És acusado de romperes as cadeias invisíveis que amarram teus braços peludos e tuas mãos penadas.
És acusado de atraíres os operários com tua voz, teu berro, teu silêncio, teu olhar, tua dor, tua ânsia, teu mistério, e saberes contar, sorrindo, tristes histórias recolhidas em barracos e cômodos-e-cozinhas.
És acusado de estares em pé, quando devias estar de bruços, de borco, exangue e vencido.
És acusado de não seres o que queriam que tu fosses.
Meu caro operário sentado no banco dos réus, por favor, recebe este recado:
Se existir mesmo essa senhora difusa e vaga a que chamam Justiça, confia nela.
Não creio que essa matrona seja cega."


* Texto de Lourenço Diaféria , publicado no Jornal Folha de São Paulo, no dia 15/09/80.

https://fpabramo.org.br/…/texto-ilustrativo-bilhete-pra-um…/






Dois! Eu e Tu, num ser indispensável! Como
Brasa e carvão, centelha e lume, oceano e areia,
Aspiram a formar um todo,--em cada assomo
A nossa aspiração mais violenta se ateia...


Como a onda e o vento, a lua e a noute, o orvalho e a selva
--O vento erguendo a vaga, o luar doirando a noute,
Ou o orvalho inundando as verduras da relva--
Cheio de ti, meu ser de eflúvios impregnou-te!

Como o lilás e a terra onde nasce e floresce,
O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,
O vinho e a sede, o vinho onde tudo se esquece,
--Nós dois, de amor enchendo a noute do degredo,

Como partes de um todo, em amplexos supremos
Fundindo os corações no ardor que nos inflama,
Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos,
Como se eu fosse o lume e tu fosses a chama...
*
António Feijó
Portugal, Ponte de Lima 1859 – Suécia, Estocolmo 1917
in “ Sol de Inverno “ seguido de vinte poesias inéditas
Introd. Álvaro Manuel Machado
Editor: Imprensa Nacional-Casa da Moeda
*
Arte: Richard Macneil..

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Desnudo






Poema inédito de Alice Coelho


Desnudo meu corpo
Pele salgada
Arrepiada
Nevoeiro esculpido
Delineado e lambido
Frágil
Desnudo minha alma
Em versos em brasa
Em noite fria e calma
Pássaros sem asa
Débil
Partidas sem contorno
Poemas com retorno.
Desnudo(me)

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Os sociopatas e os seus seguidores



Por: José Goulão - 08 de Fevereiro de 2019 - AbrilAbril

Para os países alinhados com Washington já não se trata apenas de violar grosseiramente a democracia. Os governos que seguem de braço dado com a administração Trump enveredaram pela carreira do crime.

Houve ocasiões – raras – em que os principais governos da União Europeia se distanciaram do comportamento boçal, truculento e neofascista da administração norte-americana gerida por Donald Trump. É certo que as razões nem eram louváveis, uma espécie de escrever direito por linhas tortas porque contrapor à política de fortaleza comercial de Washington o neoliberalíssimo «comércio livre» global, que serve meia dúzia de grandes conglomerados económico-financeiros, não é propriamente um comportamento honroso.

Ainda assim, essa situação foi suficiente para os que fazem política e comunicação navegando à vista nas vagas do oportunismo situacionista tentarem fazer crer que entre Washington e alguns dos principais aliados existiam saudáveis divergências, recomendáveis pelo facto de «parecer mal» estarem associados aos desmandos trumpistas.

Porém, o que tem de ser tem muita força, a realidade impôs os factos, as máscaras caíram, o globalismo ditou as suas leis, embora já periclitantes, e deixou de haver lugar para disfarces.

A harmonia entre Washington e os aliados restabeleceu-se quando foi preciso por mãos à obra e cuidar do que interessa a quem manda: o domínio sobre as matérias-primas e a vantagem militar planetária para, em última instância, assegurá-lo.

Bastou o aparecimento de provas de que a superioridade militar da NATO e respectivas ramificações pode estar em causa; eis que entra na ordem da actualidade uma disputa mais cerrada pelas riquezas naturais do mundo – e logo a boçalidade e o desprezo militante de Trump por qualquer coisa que tenha a ver com democracia e direitos humanos deixaram de ser problema.
A harmonia chegou com os psicopatas

Esbateram-se os limites, desapareceu a vergonha. Se o caminho mais eficaz para garantir a sobrevivência do «nosso civilizado modo de vida» é o recurso à autocracia, então que seja, desde que o discurso oficial assegure as melhores intenções democráticas e humanistas.

Mesmo que a harmonia entre a NATO e a gestão do Pentágono, a comunhão de ideais entre quem manda na União Europeia e a administração de Washington se tenham restabelecido no momento em que, depois de muitos tumultos e convulsões, a equipa que traça a doutrina Trump seja agora um sólido núcleo de psicopatas.

John Bolton, o conselheiro de Segurança Nacional do presidente; Michael Pompeo, o secretário de Estado, por inerência o tutelar dos Negócios Estrangeiros; Michael Pence, o vice-presidente, formam um triunvirato de fascistas com provas dadas em carreiras onde o recurso ao terrorismo político, declarado ou clandestino, nunca foi um problema.

Se lhes associarmos as figuras de um comprovado assassino e fora-da-lei como Elliott Abrams, agora escolhido como enviado especial para gerir o golpe na Venezuela; e de um expoente da «supremacia branca» como Steve Bannon, que corre mundo unindo as hordas fascistas, xenófobas, populistas e nacionalistas para manter a pressão, de modo a que o neofascismo seja a solução e nunca um problema, teremos um quinteto de psicopatas à altura de Trump, de tal modo que torna o próprio presidente descartável.

Pois foi precisamente na hora da estabilização do fascismo e da sociopatia como doutrina norte-americana que a NATO e a União Europeia – com o governo de Portugal fazendo questão de destacar-se – decidiram prestar-lhe vassalagem. Certamente não foi para que o governo português encarreirasse na esteira do terrorismo político e da guerra nuclear que os portugueses votaram.

Para os devidos efeitos e para memória futura registemos o desprezo assumido pela equipa de António Costa em relação à democracia, aos direitos humanos, à paz e ao direito internacional. Não existe outra interpretação possível do apoio ao golpe contra a Venezuela; não há hipótese de concluir outra coisa do alinhamento pleno com a NATO nos caminhos da guerra nuclear que estão a ser abertos por Washington.
É terrorismo, não é democracia

Aquilo que está a acontecer na Venezuela, e que tem proactivamente a mão do governo de Portugal, é terrorismo, é tentação fascista, é jogar com a vida de milhões de pessoas.

Não se trata apenas da entronização como «presidente interino» de um arruaceiro que os Estados Unidos treinam e pagam há 15 anos para servir como instrumento numa operação de golpe de Estado. Juan Guaidó é um entre vários que se formaram numa escola de terrorismo na Sérvia financiada pelos Estados Unidos, conhecida como Otpor/CANVAS1, para organizar «revoluções coloridas» e mudanças de regime em geral, de que são exemplos casos como o da Ucrânia, Geórgia, Egipto, Líbia, Síria, Honduras, Paraguai, Brasil.

E não se trata igualmente do recurso ao pretexto das supostas «irregularidade» e «ilegitimidade» das eleições presidenciais de Maio do ano passado, que decorreram segundo normas democráticas comprovadas por entidades independentes e de reconhecida idoneidade que acompanharam todo o processo. Ao contrário do que fizeram, por exemplo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a alta comissária europeia, Federica Mogherini, que recusaram os convites para serem ou enviarem observadores, partindo do princípio de que as eleições seriam fraudulentas muito antes de se realizarem.

O que está verdadeiramente em causa como consequência do comportamento das personalidades, entidades e organizações que apoiam a estratégia de mudança de regime montada pela equipa de psicopatas de Trump é a tragédia que paira sobre todo o povo venezuelano – comunidade portuguesa obviamente incluída.

Uma tragédia anunciada, uma vez que os promotores da operação tiveram o cuidado de não deixar margem de recuo. A parada é alta e todo o processo foi montado de modo a que não haja outra saída que não seja a destruição da Revolução Bolivariana, sufragada em mais de uma vintena de consultas populares legítimas realizadas durante os últimos 20 anos.
Solução: banho de sangue

Ora a capitulação do governo de Nicolás Maduro – que não tem de se demitir ou de convocar eleições porque a Constituição, a única lei pela qual responde, não o obriga – só pode ser alcançada por estas vias: golpe militar interno, agressão estrangeira directamente pelos Estados Unidos ou por procuração (Brasil, Colômbia e Argentina estão prontos), ou colapso absoluto do Estado devido às sanções, extorsão e roubo de que os bens do povo venezuelano são vítimas – a começar pelas 31 toneladas de ouro de que entidades bancárias estrangeiras se apropriaram abusivamente, também com responsabilidade do Banco Central Europeu, para que conste.

Sejam quais forem os caminhos seguidos pelos responsáveis do golpe, o resultado será um banho de sangue com extensão imprevisível. Esse é o preço que Estados Unidos e aliados estão dispostos a pagar para deitarem as mãos aos 300 mil milhões de barris de petróleo venezuelano – as maiores reservas mundiais conhecidas – às poderosas reservas de ouro, nióbio, tântalo e outros elementos e metais preciosos.

Não há pretextos e máscaras que sirvam para a ocasião. O que, através do golpe, os Estados Unidos, a União Europeia e aliados puseram em andamento foi a compra que um valiosíssimo lote de riquezas naturais e estratégicas pago com sangue humano, na quantidade que for precisa. Afinal, tal como no Iraque, na Líbia, na Síria ou Afeganistão.
O caminho para a guerra nuclear

A fuga para a frente com o objectivo de garantir a sobrevivência do neoliberalismo, conduzida pelo gang de tiranos sociopatas de Washington, não hesita, como se vê, perante a repugnante e desumana traficância em curso na Venezuela.

Fuga essa que começa a adquirir velocidade própria numa outra direcção até aqui vedada pelos mais compreensíveis instintos de sobrevivência colectiva: a da guerra nuclear.

Não há outra leitura para a decisão norte-americana de abandonar o Tratado de Armas de Médio Alcance (INF2), assinado há 30 anos pelos Estados Unidos e a União Soviética.

Não há outra leitura do apoio a essa posição manifestado pela NATO e pelo sempre «bom aluno», o governo de Portugal.

Os pretextos invocados para o abandono do Tratado são falsos ou, no mínimo, desconhecidos. Nem os Estados Unidos nem a NATO apresentaram, até ao momento, qualquer prova de que a Rússia estaria a violar esse acordo. Em paralelo, também não se regista qualquer interesse, tanto dos dirigentes norte-americanos como da NATO – e da comunicação social com eles sintonizada – em aceitarem os convites de Moscovo para visitarem os locais onde supostamente estariam a ser construídas as armas que violam o Tratado.

Ao invés, a parte russa já divulgou provas de que os Estados Unidos estão a produzir armas proibidas pelo Tratado há pelo menos dois anos.

É objectivo dos Estados Unidos instalar os novos mísseis em países europeus como a Itália, a Alemanha e a Holanda, onde também está prevista a disponibilização de bombas nucleares de nova geração3.

Trata-se de engenhos ditos de potência reduzida, isto é, com uma capacidade de destruição calculada em metade ou mesmo menos dos largados sobre Hiroxima e Nagasaki. Este facto tem ajudado a consolidar a tese perigosíssima segundo a qual as novas bombas poderão ser utilizadas em conflitos limitados e sem provocarem respostas equivalentes, o que as torna uma vantagem decisiva.

Torna-se evidente que o recurso a essas bombas implica a existência de mísseis vocacionados para transportá-las – e daí a quebra do Tratado INF.

Deduz-se, pois, que pelas cabeças doentes e sanguinárias de figuras como Bolton – que pretende enviar Maduro para Guantánamo – Pence e Pompeo passa, de facto, a ideia de vir a utilizar essa nova combinação de mísseis de médio alcance com armas nucleares de «potência reduzida» e tendo a Europa como um dos cenários de operações. Pelo que os países europeus sintonizados com os tiranos sociopatas de Washington não desprezam apenas a vida dos venezuelanos, mas também a dos seus próprios povos4.

Já não se trata apenas de violar grosseiramente a democracia. Os governos que seguem de braço dado com a administração Trump enveredaram pela carreira do crime.

1.
Estas e outras revelações podem ser lidas no esclarecedor artigo «Para saber tudo sobre o golpista Juan Gaidó», publicado numa tradução exclusiva para Portugal pelo jornal digital O Lado Oculto, que se apresenta como um «antídoto para a propaganda global» e é dirigido pelo nosso colaborador José Goulão.
2.
A sigla INF provém do nome do tratado em inglês, habitualmente designado, nessa língua, por INF Treaty (de Intermediate-Range Nuclear Forces Treaty). Esta entrada da Wikipédia refere 20 de Outubro de 2018 como o ponto de partida para a derrogação do tratado INF, quando Donald Trump acusou a Rússia de «violá-lo há muitos anos». Na verdade, desde o início de Fevereiro de 2018 que os EUA tinham revisto a sua postura estratégica sobre a utilização de armas nucleares (Nuclear Posture Review). Nesse documento os EUA não descartam um ataque nuclear inicial por sua iniciativa e designam a Rússia e a China como inimigo principal. Na altura, o nosso colaborador André Levy alertou para os riscos desta agressiva evolução, que recolocou o perigo de holocausto nuclear na ordem do dia («A dois minutos da meia-noite», 16 de Fevereiro de 2018). Recentemente, também o nosso colaborador António Abreu se pronunciou sobre o tema («A guerra nuclear limitada, de novo», 4 de Fevereiro de 2019).
3.
Um relatório do grupo de analistas militares Southfront, «INF Is Dead. Europe Is One Step Closer To Nuclear War», coloca como verdadeira razão para o abandono do INF não uma eventual ameaça russa ou chinesa mas a necessidade de a administração estado-unidense voltar a financiar massivamente o complexo militar-industrial americano, afim de este produzir avançados sistemas de mísseis e anti-mísseis que poderão vir a ser vendidos a alto preço no cenário europeu afectado pela «febre da ameaça russa». Pode ler e ouvir o relatório aqui.
4.
A prestigiada ONG International Campaign to Abolish Nuclear Weapons (ICAN), que recebeu em 2017 o Prémio Nobel da Paz, considerou que a retirada dos EUA do tratado põe, antes do mais, a Europa em grave risco, dada a natureza da aliança militar entre aquele país e a União Europeia, consubstanciada na NATO. Se a Rússia for atacada nuclearmente os seus sistemas de Mútua Destruição Assegurada (Mutual Assured Destruction, ou MAD, acrónimo que tem a particularidade de significar «louco», em inglês) dispararão em segundos. Os sistemas MAD prevêm o disparo automático de todos os mísseis e armas nucleares disponíveis contra os potenciais atacantes (previamente definidos) mesmo que os sistemas de comando e a direcção político-militar do país tenham sido completamente destruídos. Tanto os EUA como a Rússia dispõem de um arsenal nuclear para destruir várias vezes o planeta.


sábado, 2 de fevereiro de 2019


Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.

Vladimir Maiakóvski


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019


Fernando Horta


Foto Leonardo Benassatto/Reuters



O pior homem que já pisou neste país, por Fernando Horta

Na década de 50, nos EUA, no auge das perseguições políticas do Macarthismo, os “condenados” por suas posições políticas eram colocados nas mesmas prisões que os piores criminosos daquele país. Estupradores, assassinos, e criminosos cuja imaginação comum apenas tangencia seus feitos eram mandados para prisões de “segurança máxima” e conviviam lado a lado com professores, trabalhadores e mesmo advogados que eram “julgados” comunistas.


A bibliografia sobre o período está recheada de casos neste sentido. Um condenado a prisão perpétua por crimes de assassinato e estupro, por exemplo, ao receber a visita da mãe ouviu dela um inusitado conselho: “Não se misture com aquela gente”. “Aquela gente”, nas palavras da mãe do apenado, eram os “comunistas”. Pessoas cujo único “crime” era pensar um mundo diferente, econômica e socialmente mais justo. “Aquela gente”, aos olhos da matriarca do apenado, estava abaixo, na escala de pecados, de seu filho que havia matado e estuprado várias pessoas.

A postura desta senhora, nos anos 50, não era um caso isolado. De fato, o macarthismo, através de uma campanha midiática e mentirosa, transformava seus alvos em indivíduos que as massas conservadoras julgavam não deveriam ter o direito sequer de respirar. A bestialidade chegava a tal ponto que não são poucos os casos de linchamento de pessoas nos EUA “suspeitos” de ligação com o comunismo. A violência das massas, legitimadas pela campanha de ódio, não se restringia apenas a comunistas, mas, como mostram os casos de Emmett Louis Till e Harry Hay, a questão racial e de sexualidade também atraíam o ódio e o desprezo.

“Comunista” era ligado narrativamente ao “negro vagabundo e ladino” e ao “homossexual depravado”.

Em 1953, num dos primeiros atos de seu governo, Eisenhower assinou uma lei que bania do serviço público norte-americano pessoas com “condutas sexuais pervertidas”. A designação de Eisenhower durou por quase 20 anos.

Comunistas, negros e homossexuais eram os piores dentre todos os que tinham pisado na Terra. A eles não era permitido que pensassem, que vivessem, que trabalhassem ... A presença da URSS evitou que muitas destas pessoas fossem sumariamente mortas, porque a propaganda seria péssima para o “mundo livre”, como os EUA faziam questão de serem chamados.

Suzanne von Richtofen foi condenada por manda matar os pais para ficar com a herança. Ela e os executores do crime (os irmãos Cravinhos) foram condenados a 39 anos e seis meses de reclusão. Suzanne tem garantidas as saídas da cadeia no Natal e até mesmo no dia dos Pais. Os irmãos Cravinhos, também são receptores da letra da lei e saem da cadeia no dia das mães além de darem entrevistas a jornais e televisões.

O ex-goleiro Bruno Fernandes foi condenado por ser o mandante do assassinato e destruição do corpo da mãe de seu filho, Elisa Samudio. Bruno, em conluio com comparsas, teria não apenas matado Elisa, mas dado seu corpo despedaçado para cães comerem. Em 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão. Durante os mais de seis anos que esteve preso, tanto Bruno, quanto seu cúmplice imediato “Macarrão” tiveram seus direitos respeitados quanto à “saída temporária” e até quanto a serem colocados em “regime semi-aberto”.

Numa república, a lei deve ser cumprida e parece que tanto Bruno, quando Suzanne, a despeito do quanto achemos selvagens seus crimes, tiveram respeitada sua humanidade. Humanidade que não lhes é dada (ou retirada) em função de seus comportamentos, mas que é – desde o século XVIII – a base do que se chama de “liberalismo político”. O homem tem direitos naturais que lhe assistem, indiferente ao que possa fazer ou pensar em vida. A base da sociedade contemporânea ocidental é o respeito inalienável a tais direitos como a vida, a inviolabilidade do corpo, à liberdade de pensamento e à propriedade privada.

Contudo, um homem que vive entre nós está na condição de ser o pior dos homens que já pisaram a Terra desde Adão e Eva. Segundo as duas juízas-carcereiras, colocadas para vigiar as portas da prisão do “mal encarnado”, este homem não merece sequer o custo das grades que lhe confinam ou da comida que come. Desrespeitar os direitos de alguém é dizer aberta e claramente que este sujeito não tem humanidade. Carolina Lebbos e Gabriela Hardt decidiram, entre turnos, manter “o pior homem entre nós” trancafiado sem poder sequer comparecer ao velório de seu irmão.

Para o judiciário brasileiro, que tem em Moro o símbolo-esperança e modelo de ação, Luís Inácio Lula da Silva está abaixo, na escala dos pecados, do que Bruno ou Suzanne. Lula está abaixo de Carlinhos Cachoeira, de Pimenta Neves (que em 2000 assassinou a esposa), dos irmãos Cravinhos, de Guilherme de Pádua (assassino de Gabriela Perez), entre outros.

O que fez o “pior dos homens” para merecer este tratamento? Quais crimes cometeu? Certamente crimes de imoralidade e desumanidade absolutas, que indicariam uma repulsa social acima de qualquer argumentação razoável. Que poderes tem este indivíduo, que deve ser proibido visitas, entrevistas e falas à imprensa? Que maldade e pecados encerra o homem a quem o judiciário brasileiro não permite sequer o cumprimento das suas próprias leis?

Lula foi condenado a 12 e um mês de prisão. Não há uma conta com dinheiro ilícito em seu nome. Não há um imóvel, carro, lancha, avião, iate ou joia que tenha sido aprendido ou descoberto em seu nome ou de familiares. Não há um documento seu assinado, uma ligação ou uma gravação telefônica sua ou de familiares que o tenham colocado em posição de ter cometido ato criminoso.

Lula foi condenado baseado num “powerpoint” de um procurador que na argumentação final usou teorias de probabilidade (que ele desconhece) para “provar” que Lula “tinha que ser culpado”.

Lula foi condenado por um ex-juiz que, após oito anos de investigações conseguiu apenas uma única palavra contra Lula. Moro reduziu a pena imposta por ele próprio a Léo Pinheiro, de 26 anos de prisão para pouco mais de dez anos, após Léo ter “colaborado” para a condenaçõa de Lula. Em segundo grau, o desembargador Gebran reduziu novamente a pena do empreiteiro de dez para três anos e seis meses de cadeia. E, enquanto você lê este texto, Léo Pinheiro está em casa, em “prisão domiciliar”.

Lula foi condenado por três desembargadores que, em suas sentenças finais, gastaram não mais do que cinco páginas para discutirem argumentos de acusação e defesa, e mais de quinze para elogiarem o colega ex-juiz Moro.

Lula foi condenado no processo mais rápido da história do TRF-4. Tempo suficiente para lhe retirar do pleito de 2018.

O pior dos homens entre nós, segundo o judiciário brasileiro, foi condenado por ter visitado um apartamento que lhe era oferecido para comprar. As provas se resumem a duas visitas e uma delação.

Este “monstro” precisa ficar enclausurado, longe da imprensa, da sociedade e do mundo, porque ele pode ser capaz das maiores insanidades sociais, como, por exemplo, chorar a morte do irmão ou, talvez, falar. E em falando, Lula pode vir a retirar o Brasil do coma induzido por nossas instituições. O perigo que representa a voz e o pensamento do homem que tirou 40 milhões de pessoas da pobreza, elevou o Brasil à sexta economia do mundo e deu escola e educação superior a mais gente do que todos os presidentes anteriores somados, é dele demonstrar a inaptidão, ignorância e incapacidade do atual governo. Este “inominável ser” deve ser mantido isolado, com focinheira e duas juízas especialmente designadas a ficarem monitorando as portas da cela.

Lula está preso sim ... se não estivesse o Brasil não estaria sendo governado por fascistas, exposto ao ridículo internacional e se submetendo aos desígnios da política externa de outros países.

Lula está preso sim e, graças às duas diligentes juízas, temos a certeza que a “pior criatura” que já pisou neste país não tem o direito sequer de velar seu irmão. E tudo isto pelo pavoroso crime de ter construído um Brasil mais justo e mais igual. Algo que a Justiça brasileira, a bem da verdade, nunca aceitou, em mais de 500 anos de história.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Venezuela – Como se fabrica um golpe de Estado.



Por: Lidia Falcón - 28 de Janeiro de 2019

Publicado por Pùblico em 28 de janeiro de 2019

Diz-se que na guerra a primeira vítima é a verdade, e na guerra do império norte-americano e da direita mundial contra o governo bolivariano da Venezuela a verdade foi assassinada traiçoeiramente na propaganda de todos os meios de comunicação fascistas e reacionários.

Estou a ver na televisão as manifestações de milhares de pessoas contra Maduro e a favor do autoproclamado presidente Guaidó, enquanto este organiza uma conferência de imprensa para dezenas de meios de comunicação internacionais em plena rua. E os porta-vozes da direita, incluindo alguns esquerdistas reconvertidos, não param de qualificar a Venezuela de ditadura. Como cada vez devemos ser menos os sobreviventes da ditadura franquista quase ninguém dá testemunho daquilo que é uma ditadura. Na Venezuela convocaram-se eleições periodicamente durante vinte anos e a elas apresentaram-se todas as formações políticas que quiseram; os meios de comunicação da oposição difundem todas as críticas ao governo que entendem, incluindo um monte de falsidades como pude comprovar pessoalmente nas minhas viagens à Venezuela; ninguém é denunciado nem detido por criar um partido político contrário ao governo ou por organizar um acto público, na rua ou num local para criticar o regime. E continua a dizer-se desde o altifalante ocidental que a Venezuela é uma ditadura.

Produziram-se três golpes de Estado contra o governo bolivariano desde que Hugo Chávez ganhou as eleições em 1998

Desde 2002, na Venezuela, quando se organizou o primeiro golpe de Estado contra o comandante Hugo Chávez o governo bolivariano foi vítima de todo o tipo de conspirações para o derrubar. E a partir da eleição de Maduro a oposição montou os antros, grupos de rufias e assassinos que se dedicaram a assaltar e assassinar os manifestantes chavistas, atentados que também provocaram vítimas entre a população civil. Os EUA impuseram-lhe o boicote económico, nomeadamente ao petróleo, da mesma forma que o faz com Cuba, o que está a conduzir o país à escassez de alimentos e medicamentos.

Os golpes de Estado organizados pelos EUA na América Latina têm tido diferentes origens. Desde os que se impuseram rapidamente pela invasão militar do país: República Dominicana a primeira vez em 1916-1924, a segunda em 1965, em que o Corpo de Fuzileiros Navais entrou na ilha e mudou o governo que atuava naquele momento.

O golpe de estado que abalou a Guatemala em 1954 foi o resultado da operação encoberta chamada PBSUCCESS (Criptónimo CIA). Esta foi organizada pela CIA para derrubar Jacobo Arbenz Guzmán, o presidednte da Guatemala democraticamente eleito, por se opor aos interesses da United Fruit Company e por permitir que os membros do minoritário partido comunista da Guatemala —Partido Guatemalteco do Trabalho— influissem nas decisões mais importantes do seu governo.

Nicaragua, Granada, Panamá, Cuba, sofreram invasões diretas e a ocupação do país pelo exército dos EUA, para mudar governos e regimes. Salvador Allende, presidente democraticamente eleito no Chile pelo seu povo, foi assassinado no dia 11 de setembro de 1973 pelo golpe de Estado do general Pinochet, financiado e organizado por Kissinger, Secretário de Estado dos EUA.

No dia 28 de junho de 2009 o presidente das Honduras, Manuel Zelaya, foi sequestrado em sua casa pelo exército do seu país, a meio da noite, e enviado, em pijama, num avião para a Costa Rica, numa operação organizada e financiada pelos EUA. Zelaya pretendia mudar a Constituição mediante um referendo popular.

Outros golpes foram arquitetados mediante a pressão económica e mediática, ou organizando uma oposição armada no interior do país ou nas suas fronteiras, como sucedeu na Nicarágua. A intervenção do Departamento de Estado dos Estados Unidos e da CIA nos países latinoamericanos, desde a guerra de Cuba em 1898, é uma constante na história de ambos os continentes.

O governo dos EUA não pode consentir que no seu “pátio traseiro” se possam criar regimes socialistas. E muito menos na Venezuela, que possui as reservas de petróleo mais importantes do mundo, e coltane, ferro, diamantes.

O personagem que acaba de ser nomeado novo enviado dos EUA para Venezuela como representante especial do Governo de Trump, com o objetivo de encabeçar a “restauração da democracia” na Venezuela, é Elliott Abrams, o que foi o arquitecto do golpe contra Chávez em 2002. Espera que Abrams coordene todos os esforços diplomáticos dos EUA para substituir o presidente Nicolás Maduro pelo autoproclamado presidente Juan Guaidar, que foi reconhecido por Trump meia hora depois da sua autoproclamação.

Este tal Elliot Abrams , foi secretário de Estado adjunto de direitos humanos da Administração Reagan na década de 1980. Abrams apoiou os ditadores respaldados pelos Estados Unidos em Guatemala, El Salvador e Honduras. Também participou no escândalo Irán-Contra: altos funcionários do Governo de Reagan, apesar da proibição do Senado, autorizaram a venda de armas ao Governo do Irão durante a guerra Irão-Iraque. Depois utilizaram a receita dessas vendas para financiar o movimento armado Contra nicaraguense, criado pelos EUA para atacar o Governo sandinista.

Abrams, finalmente, foi declarado culpado de mentir ao Congreso sobre o caso Irão-Contra, mas foi indultado de imediato pelo presidente George H.W. Bush. Na década de 1990 converteu-se em membro fundador do Projeto para o Novo Século Americano, um grupo de peritos neoconservadores com ideias belicistas. Em 2001, voltou ao Governo estadounidense e foi nomeado diretor do Conselho de Segurança Nacional do presidente George W. Bush. Abrams exercia uma influência fundamental na política dos EUA no Médio Oriente nesse momento, e foi um dos arquitectos da guerra do Iraque de 2003. Além disso, desempenhou um papel chave na tentativa de golpe de Estado de 2002 na Venezuela contra o presidente Hugo Chávez, prejudicando a relação entre Washington e Caracas após o fracasso do complot.

Esta, e não outra, é a radiografía do papel que o Departamento de Estado dos Estados Unidos está a desempenhar na Venezuela contra os governos bolivarianos, desde 1998. Nada tem que ver com os planos do governo norteamericano a defesa dos direitos humanos, a implantação da liberdade e a luta contra a pobreza, e outros falsos argumentos que tanto Trump como os seus aliados de direita na América e na Europa estão a esgrimir. Entre outros, os ilustres líderes do PP e Ciudadanos, que nada dizem dos governos tirânicos da Arabia Saudita, do Kuwait, dos Emiratos árabes, do genocídio palestiniano por parte de Israel, dos continuados massacres no Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, da guerra no Iémen.

Como se fabricam as condições para justificar o golpe de Estado na Venezuela.

Desde o fracasso do golpe de 2002, os EUA e os seus aliados, e ante as evidentes dificuldades para proceder a uma invasão militar, decidiram bloquear a economia do país. A primeira medida foi baixar repentinamente o preço do petróleo, com o que prejudicavam também o Irão e a Rússia. Boicotou-se a produção e importação dos produtos de primeira necessidade. Tendo em conta a permissividade do governo bolivariano com os seus inimigos, os cinco grandes setores de produção fundamentais para a sobrevivência do país permanecem em mãos privadas sem que tenham sido confiscados e socializados, entre as quais se encontram as grandes empresas norteamericanas.

A comida que produz, importa, processa e distribui a empresa venezuelana La Polar, mantendo o monopólio que sempre teve, permite-lhe esconder e retirar do mercado os abastecimentos alimentares, provocando carestia e mal-estar na população. A roupa, o calçado, os tecidos, que se fabricam ou importam por várias multinacionais, são também objeto de sequestro por parte dessas corporações. Os productos farmacêuticos, os cosméticos, de higiene e de limpeza. O telefone fixo e móvel. E o petróleo, que apesar de ter sido nacionalizado somente se pode comercializar quando extraiu, refinou e transportou. Tudo operações que estão em mãos das empresas estadounidenses.

Dependente, portanto, o governo venezuelano do abastecimento e distribuição dos produtos de primeira necessidade por parte das empresas privadas, a contínua sabotagem e a ocultação de insumos causaram a pobreza e o mal-estar da população venezuelana, da mesma forma que no governo de Allende se sequestraram os alimentos, se confiscou o cobre e se mobilizaram certos setores, como os transportadores, contra o seu governo, antes de proceder ao golpe militar e assassinarem-no.

Ao mesmo tempo, faz-se uma campanha continuada contra o governo de Maduro em todos os meios de comunicação da oposição, imprensa escrita e digital, televisão, rádio, que ele nunca impediu, apesar do que transmitem as informações da direita.

A CIA organizou uma guerra de baixa intensidade na fronteira com a Colômbia com guerrilheiros sem ocupação, narcotraficantes e evasores de divisas, o que levou o governo a deslocar muitas forças armadas para os millares de quilómetros da fronteira com o país vizinho, provocando o desgosto das populações, da mesma maneira que organizou uma guerra na fronteira entre as Honduras e a Nicarágua que arruinou o governo sandinista.

Este é um resumo sumário e incompleto do papel do Departamento de Estado e da CIA estadounidenses no golpe de Estado que se está a perpetrar na Venezuela. Por isso é ainda mais infame o apoio que vários países europeus estão a dar ao usurpador Guaidó, e o ultimatum dado por Pedro Sánchez, absolutamente ridículo em termos de imposição sobre a soberania de outro país e que somente beneficia a direita do nosso país e a imposição imperialista.

Madrid, em 27 de janeiro 2019.

Texto disponível em https://blogs.publico.es/…/como-se-fabrica-un-golpe-de-est…/

Lidia Falcón é licenciada em Direito, em Arte Dramática e Doutora em Filosofia. Nomeada doutora Honoris Causa pela Universidade de Wooster, Ohio. É fundadora das revistas Vindicación Feminista, e Poder y Libertad, que atualmente dirige. Criadora do Partido Feminista de Espanha e da Confederação de Organizações Feministas do Estado Espanhol. Participou no Tribunal Internacional de Crimes contra a Mulher de Bruxelas, no congresso Sisterhood Is Global de Nova York, em todas as Feiras Internacionais do Livro Feminista e noutros Foruns Internacionais da Mulher.

É colaboradora de numerosos jornais e revistas de Espanha e dos Estados Unidos. Tendo 42 livros publicados, destacam-se no ensaio Mujer y Sociedad, La Razón Feminista, Violencia contra la mujer, Mujer y Poder Político e Los Nuevos Mitos del Feminismo e na obra narrativa Cartas a una idiota española, Es largo esperar callado, Los hijos de los vencidos, En el Infierno, El juego de la piel, Rupturas, Camino sin retorno, Postmodernos, Clara, Asesinando el Pasado, Memorias Políticas, Al Fin estaba Sola, Una Mujer de nuestro Tiempo, Ejecución Sumaria e o livro de poesias Mirar Ardiente y Desgarrado.

Seleção e tradução de Francisco Tavares

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019



Manuela D'Ávila



Meu querido amigo Jean,

Li sua entrevista para a Folha com o coração na garanta e os olhos molhados. Coração e lágrimas que marcam nossa amizade e militância comum. São anos de uma amizade linda marcada por nossas dores comuns: a dor da solidão em Brasília, a dor da violência das mentiras, do preconceito, do machismo, da homofobia. Da raiva que provocamos com nossa simples existência e luta nos vermes que tomaram a política em nosso país.
Leio essa notícia e me lembro de nossas mensagens recentes. Da felicidade de podermos existir - frações de segundo - sem a quantidade de ódio que projetam sob nos. Difícil explicar a eles porque não suportamos a pretensa segurança dos carros blindados, das escoltas. Eles não sabem como lutamos pela nossa liberdade! Como nossa existência é construída em cada vivência! Não sabem como o menino Jean “apanhou” pra brilhar e para não morrer de fome. Não sabem que, se tivermos que andar com o vidro fechado, sem tomar o vento na cara, já morremos um pouco. E não queremos morrer nada!!!
Você foi meu ombro amigo quando eu decidi voltar pra perto de casa, abrindo mão de Brasília. Eu vivia o meu limite e queria estar perto daquilo que amo.
Fico feliz que agora você tenha optado por cuidar de si diante da enxurrada de ameaças que sofre. Você, corajoso como sempre, ao decidir abrir mão do mandato e sair do Brasil desnuda por todos nós, meu amigo querido, o terror em que vivemos, o ambiente fascistoide que tomou conta da sociedade brasileira.


Fico Feliz que cuide De sua cabeça e de seu coração. De sua saúde. De sua sanidade. Só assim você brilhará com a intensidade que tem. E sua luz, meu amigo querido, deixa cego aqueles que carregam apenas ódio e preconceito dentro de si.

Te amo. Seguimos juntos.

Dedico a você “Ela e eu”, a música que você cantou lindamente para mim no lançamento de minha candidatura

Há flores de cores concentradas
Ondas queimam rochas com seu sal
Vibrações do sol no pó da estrada
Muita coisa, quase nada
Cataclisma, os carnaval
Há muitos planetas habitados
E o vazio da imensidão do céu
Bem e mal, e boca e mel
E essa voz que Deus me deu
Mas nada é igual a ela e eu
Lágrimas encharcam minha cara
Vivo a força rara dessa dor
Clara como a luz do sol que tudo anima
Como a própria perfeição da rima para amor
Outro homem poderá banhar-se
Na luz que com essa mulher cresceu
Muito momento que nasce
Muito tempo que morreu
Mas nada é igual a ela e eu