terça-feira, 11 de junho de 2019

Aprendi a não bater de frente com quem só entende o que lhe convém.








Por Marcel Camargo

Eu costumava bater de frente, quando entendiam errado o que eu dizia. Hoje, não perco mais tempo tentando provar nada a ninguém, de jeito nenhum. O meu tempo é precioso e resolvi aproveitá-lo fazendo o que eu gosto, junto com quem me faz bem.

Uma das coisas mais desagradáveis que ocorrem é sermos mal entendidos, quando o outro deturpa nossas palavras ou nossas atitudes, descontextualizando-as e utilizando-as em proveito próprio, enquanto nos coloca como o vilão da história. A gente acaba até ficando sem saber se nós é que não soubemos nos colocar ou se o outro é que não sabe interpretar um texto.

Infelizmente, quanto mais tentarmos provar o nosso ponto de vista, quanto mais nos explicarmos, pior ficaremos, porque quem não entende da primeira vez raramente compreenderá dali em diante.

Quem se faz de bobo e de vítima jamais será capaz de assumir seus erros, de se responsabilizar por seus atos, de se colocar no lugar de alguém.

Tentar fazê-los enxergar além de seu umbigo é inútil.

Na verdade, teremos que sempre ser verdadeiros e claros, com todo mundo, pois, assim, quem nos conhece de fato e gosta de nós não se abalará com as maledicências que alguém tentar espalhar sobre nossa pessoa. Temos que ter a tranquilidade de que vivemos de acordo com o que somos, sem dissimulações e meias verdades, para que a mentira alheia não nos atinja nunca, tampouco possa ser levada em conta por quem nos é importante.

Eu costumava bater de frente, quando entendiam errado o que eu dizia, quando maldiziam minhas atitudes. Hoje, não perco mais tempo tentando provar nada a ninguém, de jeito nenhum. O meu tempo é por demais precioso e resolvi aproveitá-lo fazendo o que eu gosto, junto com quem me faz bem.

Hoje, tenho a certeza de que muitas pessoas só entenderão aquilo que quiserem e da maneira que melhor lhes convier.

Não importa o que eu diga ou o que eu faça, muitas pessoas somente interpretarão minha vida de acordo com o nível de percepção delas mesmas, para que possam se justificar através dos erros que transferem ao mundo – segundo elas mesmas, elas nunca erram.
Não tenho muito tempo livre, portanto, não gastarei mais energia com quem não merece. Vivamos!

terça-feira, 4 de junho de 2019

A oração de uma mãe arrebenta as portas do céu








Por Prof. Marcel Camargo

Não dá para escrever sobre mães sem que as palavras enveredem por um viés deliciosamente piegas – ouso até dizer que toda mãe é babosa. Senão vejamos: quem é que fantasia o bebê para tirar fotos e mostrá-las às amigas, toda cheia de si? Quem chora nas apresentações da escolinha? Quem guarda o primeiro dentinho que cai, molda o pezinho, vibra com o primeiro “mama” – ou algo parecido – que ouve do filho? Pois é, mães são amor em estado puro, desprovido de censuras e etiquetas, de qualquer senso que possa existir. E é exatamente isso que as torna essenciais, indispensáveis, inesquecíveis e únicas em nossas vidas.

Nós recebemos tudo delas: sangue, matéria, existência, essência – quer elas tenham ou não nos gerado em seu ventre. Crescemos com elas ali, sempre presentes, e vez ou outra olhamos em busca de seu olhar de aprovação. Mãe é a segurança, o esteio, o porto-seguro para onde voltamos, mesmo que em memória, quando dos reveses da vida. Não existe cafuné mais gostoso, comida mais saborosa, cheiro mais penetrante ou voz mais acalentadora do que de nossas mães. Sabemos que, quando ninguém mais nos der razão, no colo das mães encontraremos repouso consolador.

Por outro lado, elas também sabem ser críticas, mordazes, ferinas, num primeiro momento, quando fugimos às suas expectativas. Porque precisam colocar pra fora todo aquele ranço acumulado, para que o encantamento de seu coração possa transbordar livre, trazendo-nos de volta à realidade. Ao final, elas sempre acabam nos aceitando como somos, em tudo o que nos define. Elas até tentam nos moldar e nos conduzir à sua imagem e semelhança, mas invariavelmente acabam nos deixando livres – e nos amando ainda mais por sermos nós mesmos e por termos nos tornado quem somos.

Coração de mãe é uma couraça, nunca sucumbe, sustentando-a durante as noites insones e as horas de prece velando nossa febre, durante a madrugada sem fim de nossa adolescência, à espera de nosso telefonema, à espera de nossa voz viva, diariamente, a todo instante.

Mães têm uma fé absurda e a força de suas orações chega a gritar aos nossos ouvidos – Chico Xavier disse que a oração de uma mãe arrebenta as portas do céu: alguém duvida? Elas estão ali ao lado dos filhos, firmes, esperançosas, quando nada mais parece ter salvação, à cabeceira das sessões de quimioterapia, à porta dos prontos-socorros, em frente aos portões das prisões. Mãe é esperança sem fim, fé inconteste.

Mães não erram deliberadamente, posto que em razão do amor. O filho é seu projeto de vida, sua perpetuação nesse mundo, o legado que deixa à sociedade, por isso elas relutam tanto diante das falhas, dos vícios e dos erros de seu rebento. Aceitar as imperfeições do ser humano a quem outorga sua vida requer desconstruir-se, ressignificar paradigmas, abrir mão da felicidade completa e sofrer, frustando planos acalentados em vão. Mas nada é em vão, em se tratando de mãe e filho. Sorvemos tudo o que vem delas, mesmo que fique adormecido, aguardando o momento certo de vir à tona em nosso favor – sempre em nosso favor.

Mãe também é solidão. Porque ninguém, a não ser elas mesmas, conseguem compreender o que é tudo isso que lhes é tão peculiar. Um amor que transborda além do permitido, um amor que cura, acalma e alimenta a alma. Um amor que nunca desiste da esperança, presente ali nas casas de repouso e nos asilos, onde aguardam ansiosas pelas visitas esparsas, ou mesmo inexistentes. Mãe é persistência, é crença indelével na capacidade do ser humano. É aceitação e resignação, sem questionamento nem cobranças. E precisamos que elas assim o sejam, pois nos são exemplos da necessidade de nos entregar, de acreditar, de amar, de aceitar e de brigar por aquilo que se quer.

Mães não morrem como as outras pessoas – elas são tiradas de nós, abruptamente, sem aviso, porque nunca estaremos preparados para enfrentar a vida sem elas. E então vamos nos agarrando dolorosamente às memórias, às fotos, filmes, cartas e à certeza de que teria sido muito pior se tivéssemos sido nós tirados delas, tentando nos consolar e aprumar nosso navio que parece navegar à deriva de nós mesmos, enquanto experienciamos os ambientes sem a sua presença e nos consolamos com as suas visitas em nossos sonhos.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Na minha infância , a nossa rede social era a rua !








Por Prof: Marcel Camargo

Não existe quem, a certa altura da vida, não comece a nutrir saudosismo em relação à sua época de infância, de adolescência, de juventude. O tempo traz muita coisa boa, arruma, ajusta, acerta as contas e vem impregnado de saudades – saudades do que se viveu, do que se fez, dos gostos, dos cheiros, das cores, de gente. Nossas vidas são especiais e, por isso mesmo, permanecem junto a nós, aqui dentro, sempre e para sempre.

Quantas pessoas fazem parte da nossa jornada e vão embora, muitas vezes para nunca mais, e, mesmo assim, tornam-se inesquecíveis? Professores, colegas de escola, de rua, de clube, familiares, vizinhos, enfim, sempre sorriremos ao nos lembrarmos de gente querida que passou por nós e deixou magia conosco. Sempre teremos de seguir faltando um pedaço, com lembranças apertadas de quem nos tocou fundo o coração.

Lugares, casas de avós, lares, salas de aula, sítios, muitos ambientes preencherão nossas vidas, muitos deles ficando impressos em nossas almas. Quem nunca sentiu um cheiro, como de grama molhada, que evoca as mais tenras lembranças de algum lugar que volta dentro de nós, trazendo nitidamente cada canto, cada sofá, cada janela, cada recanto de jardim por onde fomos felizes, onde a alegria então era uma constante?

E, embora a infância passe rapidamente – enquanto, tolamente, somos crianças ansiando por nos tornarmos adultos -, ela nos deixa recordações do tamanho do mundo, como se uma vida toda não fosse suficiente para aquilo tudo.

A gente brincava na rua, sem medo, e a gente se virava com muito pouco – umas latinhas vazias, algumas bolinhas de gude, um pedaço de corda -, a gente era feliz por dentro, não importando a riqueza lá de fora.


Na verdade, embora nós sempre achemos que o nosso ontem foi o melhor, que nossas lembranças são mais especiais, cada pessoa levará sempre consigo recordações mágicas, lembrando-se com saudade do que viveu, junto de pessoas que valeram a pena. Porque a gente guarda o que alimenta o coração. Porque a gente leva junto do peito quem compartilhou alegria conosco, mesmo que por pouco tempo. É assim, afinal, que a gente se recarrega diariamente e continua seguindo, em busca de ser feliz, na esperança de reviver tudo o que deixou o nosso caminho mais iluminado.

sábado, 1 de junho de 2019

Carlos Tavares - O homem que não deixa que lhe lavem o cérebro.



Carlos Tavares (CEOA da PSA): " o Mundo é louco. O facto de as autoridades nos terem
pedido para ir numa direcção tecnológica, a do veículo eléctrico, é um grande ponto de
viragem.

Não gostaria que daqui a 30 anos se descobrisse algo que não é tão bonito como parece,
sobre a reciclagem de baterias, a utilização de matérias raras do planeta, sobre as
emissões electromagnéticas da bateria em situação de recarga?

Como é que vamos produzir mais energia elétrica limpa?

Como fazer para que a pegada de carbono do fabrico de uma bateria do veículo elétrico
não seja um desastre ecológico?

Como assegurar que a reciclagem de uma bateria não seja um desastre ecológico?

Como encontrar suficiente matéria-prima rara para fazer as pilhas e os químicos das
baterias na duração?

Quem trata a questão da mobilidade própria na sua globalidade?

Quem está agora a colocar a questão de forma suficientemente ampla de um ponto de
vista social para ter em conta todos estes parâmetros?

Preocupo-me como cidadão, porque, como fabricante de automóveis, não sou audível.

Toda esta agitação, todo este caos, vai virar-se contra nós, porque teremos tomado
decisões erradas em contextos emocionais."

Stéphane Homem, Director do Observatório da energia nuclear:

"O ciclo de vida de um veículo eléctrico torna-o tão poluente como um veículo térmico".

Subsidiar não faz sentido, explica Stéphane Homem.

O fabrico das baterias é tão emissor de Co2 que é necessário ter percorrido de 50 000 a
100 000 km de carro eléctrico.

Para começar a ser menos produtor de Co2 do que um carro térmico. 15 a 30 km por
dia, 365 dias por ano, durante 10 anos!

AFP / Daniel Roland: "Ora, ao contrário do que acreditam a maioria das pessoas, sujeito
a uma propaganda contínua das políticas e industriais, o carro elétrico não é mais
virtuoso para o clima do que o carro térmico, gasolina ou diesel". Estas são as
conclusões de um estudo, já antigo, da agência do ambiente e do controlo da energia
(ademe), ignorado deliberadamente pelo governo (elaboração de acordo com os
princípios da acv dos balanços energéticos, das emissões de gás em efeito de estufa e
outros impactos ambientais induzidos pelo conjunto das vias de veículos eléctricos e de
veículos térmicos até 2012 e 2020, (Novembro de 2013).

Sabendo que estes carros servem essencialmente para trajectos curtos, é provável que a
quilometragem necessária para se estimar "Virtuoso" nunca será atingida.

Além disso, todo o co2 emitido por um carro eléctrico é enviado para a atmosfera antes
mesmo de ter percorrido um quilómetro, enquanto que, por outro lado, está-se a tentar
fazer passar a ideia de que o carro eléctrico não emite partículas finas, mas, como
assinala a revista ciência e vida (Janeiro de 2015): "os pneus, os travões e o desgaste das
estradas emitem quase tantas micropartículas como os gases de escape.

O carro elétrico emite menos partículas do que o carro térmico, uma vez que não tem
um escape, mas tem muitos freios, pneus, e rola sobre o alcatrão!

No final, o carro eléctrico não é mais ecológico do que o carro térmico. O dinheiro
público consagrado ao seu desenvolvimento é, por conseguinte, totalmente
injustificado; trata-se de somas astronómicas:

• O GOVERNO LANÇOU UM PLANO DE INSTALAÇÃO DE 7 milhões de terminais de
recarga por cerca de 10 000 euros cada, ou seja, um custo de cerca de 70 mil milhões de
euros.

É também aliás vulgar, ver os eleitos de pequenos municípios, acreditando fazer um
gesto pelo ambiente, quebrar o mealheiro municipal para se oferecer um posto de
carregamento;

O BÓNUS "Ecológico" à compra de um carro eléctrico ultrapassa 10 000 € por veículo,
muitas vezes completado por um prémio da região.

Quase todos os compradores são famílias ricas, pois estes veículos são muito caros: uma
vez mais, o dinheiro de todos é oferecido aos mais privilegiados.

Na realidade, no país do átomo, todos os meios são bons para "impulsionar" o consumo
de electricidade, em baixa contínua há anos.

Porque o carro eléctrico em França pode ser considerado como um "carro nuclear":
quase todos os terminais de recarregamento instalados são ligados à rede eléctrica
normal, que é em cerca de 80 % nuclear.

Não devemos deixar-nos levar pelas declarações do Sr. Bolloré e os seus Autolib (Paris),
Bluecub (Bordéus) e Bluely (Lyon), que asseguram que as baterias são recarregadas com
recurso a energias renováveis, tratam-se apenas de jogos de escrita, a electricidade
utilizada é a mesma que noutros locais.

Não estamos a fazer aqui a promoção do automóvel térmico, ela própria uma
calamidade ambiental.

Mas, precisamente, ninguém teria a ideia de oferecer 10 mil euros à compra de um carro
diesel, reservar-lhe lugares de estacionamento e encher o seu tanque com preço
partido...

É uma análise muito boa que demonstra que as nossas políticas (e os verdes) fazem-nos
um espectáculo:

 A paranóia do diesel só diz respeito aos automobilistas!!!

 Os veículos pesados, autocarros, navios, estão excluídos!

Só para situar o grau de paranóia dos mais virulentos críticos do veículo diesel, é
necessário revelar-lhes os dados da indústria marítima que demonstrou que,
considerando o tamanho dos motores e a qualidade do combustível utilizado, os 40
maiores navios - Cargueiros do mundo poluem tanto como todos os 760 milhões de
automóveis do planeta.

Sabe, estes porta-contentores que nos alimentam em produtos que se fabricava nas
nossas fábricas deslocalizadas, hoje em dia, queimam cada um 10.000 toneladas de
combustível para uma viagem e regresso entre a Ásia e a Europa.

Estes infelizes 40 navios fazem parte de uma frota de 3.500, aos quais há que
acrescentar os 17.500 petroleiros que compõem o conjunto dos 100.000 navios que
percorrem os mares.

Para não deixar o domínio marítimo, recorde-se que a frota de recreio francesa é de
cerca de 500.000 unidades, dos quais 5.000 iates com mais de 60 metros, e que o mais
médio destes queima cerca de 900 litros de combustível em apenas uma hora, enquanto
os 24 % de lares franceses que se aquecem ao fuelóleo têm dificuldade em encher o seu
tanque para o inverno.

Para continuar no caminho da esquizofrenia paranóica, vamos ter em conta toda a frota
de pesca e os 4,7 milhões de veículos pesados em trânsito através da França e milhares
de aviões que percorrem o céu.

Para completar esta pequena fábula, não esqueçamos o indispensável domínio agrícola
em que o consumo médio de energia é de 101 litros de combustível por hectare.

Isso também prova que os jornalistas são comprados pelo poder para calar a boca e
lavar-nos os cérebros.


PLATEIA

Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

(Miguel Torga)




quinta-feira, 18 de abril de 2019


Almendrados

Como ando mais virada para fazer doces do que salgados aqui fica a receita dos melhores almendrados caseiros que já fiz!
Foi difícil encontrar uma receita que me fizesse lembrar os almendrados de uma famosa pastelaria aqui do sítio, mas descobri! Agora faço-os de quando a quando.
Ah! Se não encontrarem a folha de obreia façam na mesma, pois não interefe muito com a receita. Eu por acaso também não sei onde se pode encontrar à venda em Portugal, pois costumo comprar na vizinha Espanha.

Ingredientes:

2 claras
200g de açúcar amarelo
225g de miolo de amêndoa moído
25g de farinha
1clh café de canela
folha de obreia

Preparação:

Batem-se as claras em castelo, junta-se o açúcar, o miolo de amêndoa, a farinha e a canela e mexe-se bem.
Põe-se um montinho de massa em cima da folha de obreia e, por cima de cada montinho coloca-se uma amêndoa pelada inteira. Os montinhos devem estar suficientemente espassados, pois os almendrados alargam-se bastante.
Vai ao forno 20 minutos.

Bom Apetite!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

SAMBA DA UTOPIA (Jonathan Silva)



Se o mundo ficar pesado
Eu vou pedir emprestado
A palavra POESIA

Se o mundo emburrecer
Eu vou rezar pra chover
Palavra SABEDORIA

Se o mundo andar pra trás
Vou escrever num cartaz
A palavra REBELDIA

Se a gente desanimar
Eu vou colher no pomar
A palavra TEIMOSIA

Se acontecer afinal
De entrar em nosso quintal
A palavra tirania

Pegue o tambor e o ganza
Vamos pra rua gritar
A palavra UTOPIA

quinta-feira, 4 de abril de 2019



A NATO e sete décadas de mentiras, guerra e sangue

Por: José Goulão - 04 de Abril de 2019 - AbrilAbril

A NATO não nasceu para responder a qualquer acção contrária, uma vez que o Tratado de Varsóvia só foi fundado quatro anos depois, nem para defender a democracia, porque integrou, à nascença, uma ditadura fascista – a portuguesa.

Para assinalar o significado do 70º aniversário da NATO talvez fosse suficiente passar os olhos pela guerra que há 18 anos destroça o Afeganistão, ou pelo caos em que a Líbia continua mergulhada ou pelas violações do direito internacional patrocinadas pela organização nos Balcãs, designadamente o aterrador desmembramento da Jugoslávia.

Talvez fosse suficiente… Mas estaríamos longe de fazer justiça à amplitude e longevidade de uma acção cada vez mais global e próxima de comportamentos gangsteristas como a que caracteriza a aliança. Sendo que a enxurrada de considerações épicas em torno dos mitos que a sustentam é de tal modo ameaçadora nestes dias que todas as oportunidades serão poucas para aprofundar o contraditório.

Não surpreende que a NATO seja o que é. O que poderá causar alguma perplexidade, sobretudo entre quem anda um pouco mais a par da realidade internacional e quem vai além da informação mainstream, é a desfaçatez com que dirigentes altamente posicionados em nações e no mundo tentam interligar os seus belos discursos sobre a aliança com as práticas sangrentas desta. Ou acreditam nas suas próprias mentiras ou confiam demasiado na propaganda e na consequente alienação do cidadão comum.

A NATO nasceu no meio de mentiras e de mitos propagandistas tão em vigor hoje como há 70 anos, apesar de serem facilmente desmontáveis. Mas os servidores da organização têm fé no efeito de repetição e num universo mediático reverente.

A NATO não nasceu para responder a qualquer acção contrária, uma vez que o Tratado de Varsóvia só foi fundado quatro anos depois. E também não veio para defender a democracia, porque fez questão de integrar, à nascença, uma ditadura fascista – a portuguesa – adoptando outras com o correr do tempo, como foi o caso da grega e da turca.
A «aliança defensiva»

Porém, o mito fundador que mais foi refinando com o tempo e a prática é o da «aliança defensiva», uma espécie de culto de Calimero a uma escala bastante viril.

A NATO nunca ataca; defende-se sempre de um qualquer inimigo, que trata de inventar quando não existe. Quando instala armamentos, cada vez mais exterminadores, é para defender-se; quando avança os seus meios militares pela Europa afora até às fronteiras russas, ou em África, ou agora na América Latina é em legítima defesa.

A melhor defesa é o ataque, argumenta-se em termos de táctica futebolística. A NATO adoptou-a ou vice-versa, é uma dúvida semelhante à do ovo e da galinha. O que interessa é saber-se que a NATO nunca ataca, defende-se.

Assim foi durante a Guerra Fria, por exemplo recorrendo a organizações terroristas clandestinas, como a Gládio, espalhando o sangue, o horror e o medo através de atentados sucessivos em Itália para impedir o acesso dos comunistas à esfera do poder, mesmo quando o povo assim o desejou em eleições legítimas e livres.

Ou não hesitando em conspirar para promover golpes de Estado e mudanças de regime, dentro e fora da guerra fria, como aconteceu em Portugal, na Grécia, na Turquia e mais recentemente na Ucrânia – não interessando, também neste caso, que o resultado seja um regime nazi-fascista. Sempre em nome da democracia e do mercado, a entidade que mexe os cordelinhos democráticos e sabe o que é melhor para os cidadãos, mesmo que estes desejem o contrário.
A NATO e o respeito pela própria palavra

A NATO tem uma relação complicada com a própria palavra. É o que acontece a quem vive da propaganda e não tem a coragem de assumir perante os povos as reais motivações da sua missão.

A NATO esboça a sua realidade virtual nos mapas e nas mensagens que transmite aos cidadãos; e depois procede em conformidade mas de uma maneira real, agressiva, muitas vezes sanguinária, espezinhando os direitos humanos.

A mentira que esteve na génese da organização – a necessidade de responder a uma entidade de sinal contrário que viria a nascer apenas quatro anos depois – vigorou até ao colapso da União Soviética e do Tratado de Varsóvia, no início da década de noventa do ano passado.

Agora é altura de a NATO se dissolver, deixaram de existir razões para continuar, argumentaram então os ingénuos e os que ainda acreditam na boa-fé dos discursos político-militares e das instâncias que os produzem.

Não é bem assim… respondeu o atlantismo. Reparem nos inimigos que ameaçam o «nosso civilizado modo de vida», o Irão, Saddam Hussein, Khaddafi, a Coreia do Norte, Cuba, Assad, Chávez, al-Qaida, Bin Laden, os Talibã, eixos do mal cruzando-se, entrecruzando-se, exigindo a presença vigilante, dissuasora, sempre defensiva da NATO, ainda que alguns tenham sido amigos ou mesmo criados para bem do mercado e preservação da democracia.

Portanto, nesta guerra «entre a civilização e a barbárie», a NATO não pode dissolver-se; mas podem estar certos de que não vai crescer uma polegada, em território e número de membros. Quem assim falou foi James Baker, secretário de Estado norte-americano de George Bush pai.

E se bem o disse melhor o fez; ele, os sucessores, o chefe e herdeiros, no fundo toda a fina flor Atlântica.

Num ápice a NATO estava em «tempestades no deserto» invadindo o Iraque, destruindo a Jugoslávia numa das mais selváticas guerras modernas, invadindo o Afeganistão dando o pontapé de saída na «guerra contra o terrorismo», no âmbito da qual foi dizimar a Líbia em aliança com os terroristas islâmicos que dizia estar a combater.

E foi assim que o «nem uma polegada» se transformou em muitos mais biliões de polegadas; que a “guerra contra o terrorismo” descambou no recurso a informais braços terroristas como o Estado Islâmico e a al-Qaida, por exemplo na participação clandestina do atlantismo na agressão à Síria e, mais recentemente, na interminável invasão do Afeganistão – onde o inimigo a derrotar – os Talibã – já controla dois terços do país.

E onde se ouviu James Baker dizer nem mais um membro deve ler-se duplicação da família dos aliados, porque em meia dúzia de anos a NATO engoliu a maior parte dos países do antigo Tratado de Varsóvia mais os Estados nascidos da ex-Jugoslávia, sem esquecer os que lhe eram adjacentes nos Balcãs, como a Albânia.

A família defensiva já vai em 30 membros e não fica por aqui, porque ao Atlântico Norte juntam-se agora o Mediterrâneo, os mares Adriático, Báltico e Negro e também o Atlântico Sul. Graças a imaginativas normas de integração temos a caminho da NATO não só o narco-Estado terrorista da Colômbia mas também o Brasil, uma vez reconvertido ao fascismo. Porque a NATO sente urgência em defender-se da sempre ameaçadora Cuba e, sobretudo, da temível Venezuela de Maduro.

Pelo que abundam razões para acreditarmos piamente no que a NATO e os seus porta-vozes dizem e prometem. Claro como água.
O mito da defesa solidária

Outro dos mitos fundadores e base de propaganda da NATO é o da defesa solidária. Ou seja, qualquer Estado membro pode contar com os restantes no caso de ser agredido por um Estado terceiro ou organização inimiga. Todos acorrerão a defendê-lo…

Desde que…

O Estado em questão, como qualquer outro dos membros, tenha abdicado previamente de parte da sua independência; os seus governos se tenham submetido à autoridade económico-militar do complexo militar, industrial e tecnológico que governa os Estados Unidos da América – e a NATO, por inerência; e estejam dispostos a que o seu território seja utilizado para que a NATO, isto é, os Estados Unidos da América, se defendam atacando.

Em boa verdade, os Estados membros da NATO são protectorados da estrutura imperial norte-americana, que tem a aliança como seu braço armado: são obrigados a abdicar de uma política de defesa independente, a colocar vultosos fundos orçamentais à disposição do Ministério da Defesa dos Estados Unidos, a envolver-se em guerras por razões que lhes são alheias, ou mesmo contrárias, a manter relações hostis com Estados porque assim o exigem os interesses norte-americanos e não os interesses nacionais.

Numerosos estudos demonstram que os Estados Unidos da América têm entre 800 a mil bases militares em territórios ocupados no estrangeiro. Nessas áreas, em bom rigor, os Estados hospedeiros abdicam da sua soberania, cedem-na a Washington.

Ora estes estudos pecam por defeito, porque não consideram muitas das instalações militares dos Estados membros da NATO.

Estas instalações, em última análise, estão ao serviço dos Estados Unidos, mesmo que tecnicamente não sejam consideradas bases norte-americanas. As suas actividades não são independentes ou autónomas da estratégia militar da NATO, logo dos Estados Unidos. Os Estados membros da aliança não possuem instalações militares verdadeiramente próprias porque não têm uma política de defesa por eles definida tendo em conta os verdadeiros interesses dos seus povos.

Eis porque o Pentágono administra um império de instalações militares mundiais muito mais amplo que as cerca de mil unidades recenseadas.
Conflito constitucional

Na União Europeia entra-se mas não se sai ou, pelo menos, não se sai a bem, como estamos a perceber quotidianamente pelo caso do Reino Unido.

Acontece o mesmo com a NATO?

O assunto é académico, porque em relação à Aliança Atlântica apenas temos assistido a entradas, não a saídas ou tentativas de saída.

Na União Europeia ainda se realizam alguns referendos esporádicos para decidir o relacionamento entre as instituições centrais e Estados membros. Referendos, é certo, que têm sido repetidos quando não dão os resultados que deveriam dar – segundo a perspectiva da União – ou então sabotados.

Nada disso acontece na Aliança Atlântica. A NATO representa, em absoluto, a vontade dos povos, razão que torna qualquer consulta supérflua. Dir-se-ia um comportamento ditatorial, não soubéssemos nós que a NATO é a essência da democracia.

Portugal foi fundador da NATO com a ditadura de Salazar, continuou depois do 25 de Abril – que foi gravemente ferido no 25 de Novembro com a colaboração prestimosa da aliança – e continua a não questionar a presença, apesar da letra e do espírito da Constituição da República.

Em Portugal, a propósito da NATO, há um conflito constitucional latente, do qual todos os governos têm fugido como o diabo da cruz. Salazar dizia que “a pátria não se discute”; os governos de hoje assumem que a NATO não se discute ou, pelo menos, não se questiona.

Porque era isso que deveria fazer-se à luz da Constituição, que determina o envolvimento de Portugal nos esforços de paz e de dissolução dos blocos militares, isto é, da NATO.

Nada disso. O que fazem caças portugueses violando espaço aéreo da Finlândia, por exemplo? Nada contra este país, apenas uma sequela de uma presença agressiva, no âmbito da NATO, contra uma nação – a Rússia - com a qual Portugal poderia e deveria ter relações absolutamente naturais e normais, como acontece como tantas outras.

Essa presença em territórios bálticos, em si mesma, é uma agressão à Constituição da República.

Em termos de democracia, porém, a NATO sobrepõe-se à lei fundamental do país. A posição dos dirigentes nacionais de hoje em relação à aliança não é muito diferente da que há 70 anos era tão grata a Salazar: estão muito agradecidos pelo favor que a NATO faz em permitir que o país faça parte de tão grande e defensiva família.

Esqueçam a Constituição.

terça-feira, 2 de abril de 2019


Manuela D'Ávila

Caetano, eu sinto vontade de lhe abraçar e agradecer por ser um dos maiores brasileiros vivos. Lhe agradecer Por cada palavra em suas músicas, por cada Brasil descoberto em sua arte. Uma das coisas que mais me espanta nesses tempos terríveis que estamos vivendo é a vontade dessas forças das trevas de destruir tudo o que o nosso país tem de mais precioso. A expressão mais simbólica disso são os ataques contra vocês, nossos maiores artistas. Incrível eles lhe colocarem no centro dos ataques. Por outro lado, contraditoriamente, os ataques daquele bispo a você, Caetano, mostram a força incrível que as obras de arte tem. Como vivemos tempos tenebrosos, de cerceamento da liberdade, a música "É proibido proibir", a sua atitude à época e agora, a forma como você cantou em público na década de 70 e como enfrenta o obscurantismo agora fazem com que a música siga incomodando. Aquela canção já tem décadas mas está aqui, viva, em potência, e quando a a história a chama ela emerge novamente e bota raiva nos velhos novos donos do poder. Obrigada, Caetano, por ter sempre lutado pela sua liberdade. Pela nossa liberdade.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Snowy White Midnight Blues

Pink Floyd - Wish You Were Here Tradução Legendado


Pedro Barroso


ola Mario
Meu companheiro no TEC, colega, actor, cumplice, amigo e conterraneo. Partiste a 1 de Abril, como quem brincasse ao dia das mentiras. Isso faz-se, meu palerma?
Ainda hoje serias util. Tanto. Sempre. No teu dizer inimitável, no teu humor sarcástico, no teu destruir de barreiras e dogmas.
Um abraço, rapaz. Por aqui, sinceramente, tudo igual. A ironia continua a ser a arma. Como gostarias de continuar a apontar. E quantas vezes o fizemos juntos. Obrigado por teres dito a "aurora" q escrevi como nem eu proprio diria. https://www.youtube.com/watch?v=aByJ4wW-2V0&t=169s

E, já agora, no teu ramo e com a tua arte de dizer, nada de novo.





terça-feira, 26 de março de 2019


Desejo que respeitem minha liberdade,
sou incapaz de não respeitar a dos outros.
Nascemos para ser felizes,
não para ser perfeitos.

Françoise Sagan #SimplesmenteUmaRosa 🌹




sábado, 23 de março de 2019

JJ Cale - Stay Around (Official Music Video)


A PRIMAVERA

O pássaro chegou
e com ele a luz;
de cada trilo seu
nasce a água.


E entre água e luz que o ar desata
está a Primavera inaugurada já,
sabe a semente que já cresceu,
na corola desenha-se a raiz,
abrem-se por fim as pálpebras do pólen.

Tudo isto fez um simples pássaro
no alto dum verde ramo.

PABLO NERUDA

Há quem não me entenda.
Há quem nunca tentou.
Há quem sempre quis ler-me.
Há quem nunca se interessou.
Há quem leu e não gostou.
Há quem leu... e se apaixonou.
Há quem apenas busca em mim palavras de consolo.
Há quem só perceba teoria e objetividade.
Mas, tal como um livro, sempre trago algo de único: o melhor de mim."
(Desconheço autoria)

quarta-feira, 13 de março de 2019

A VERDADE SOBRE O COLESTEROL !


No
rasto das sombras
há um corpo
onde a tua boca mora


olhos que te fitam
e invocam
o teu rosto que brilha
entre as poeiras esmorecidas
e o fumo adormecido
da vontade (in)conformada de te sentir além

sou
(serei)
água turva
que respira a terra do teu ser
língua onde as palavras já não moram
silêncio presente na tua alma
a cruel existência dos meus dias

sem ti
o canto das aves permanece calado
como acorde errado...meu amor, meu amor!

Ⓜ mariAna

terça-feira, 12 de março de 2019


Um ventríloquo em turnê na Noruega

Um jovem ventríloquo está em turnê na Noruega e faz um show em uma pequena vila de pescadores.

Com seu boneco no colo, ele começa a fazer suas piadas idiotas e bobas.

De repente, uma loira na quarta fileira sobe na cadeira e começa a gritar:

"Já ouvi o suficiente de suas piadas estúpidas.

O que faz você pensar que pode estereotipar mulheres loiras norueguesas dessa maneira?

O que a cor do cabelo de uma mulher tem a ver com o seu valor como ser humano?


São homens como você que impedem que mulheres como eu sejam respeitadas no trabalho e na comunidade, e que alcancem todo o nosso potencial como pessoas.

Pessoas como você fazem os outros pensarem que todas as loiras são burras.

Você e sua espécie continuam a perpetuar a discriminação não apenas contra loiras, mas mulheres em geral, pateticamente, tudo em nome do humor!

O ventríloquo envergonhado começa a se desculpar, mas a loira interrompe gritando:

"Você fique fora disso ... estou falando com esse idiota no seu colo!"

Dono do Chelsea tem iate mais caro do mundo.

The Amazing iPad Magician

GIPSY KINGS "VOLARE " | Penelope Cruz






As 7 aldeias mais bonitas do Douro Vinhateiro

por VxMag



O Douro Vinhateiro é uma das mais belas paisagens de Portugal. Nas suas encostas produz-se um dos mais apreciados vinhos de Portugal, o vinho do Porto. O Douro é uma paisagem singular, notavelmente descrito por Miguel Torga nos seus poemas. Ao longo do vale deste rio, a população soube moldar e dominar as condições agrestes e proporcionar as melhores condições para que aqui nasça um produto com uma qualidade tão elevada como o vinho do Porto. É de facto notável este trabalho feito ao longo de vários séculos.

Douro

Nas encostas do Douro existem várias aldeias, pitorescas e tradicionais, cujas populações se dedicaram (e ainda dedicam) à produção do vinho. Estas aldeias, pela sua peculiaridade, foram recentemente catalogadas como aldeias vinhateiras e fazem agora parte de uma rede que pretende ser mais um motivo para visitar esta belíssima região. Além da beleza da paisagem com as suas vinhas em socalcos, um dos pormenores que melhor caracteriza estas aldeias vinhateiras são os seus solares, casas senhorias que pertenciam às grandes famílias que comercializavam o Vinho do Porto. Estas são as aldeias mais bonitas do Douro Vinhateiro.


1. Provesende

Provesende é uma encantadora freguesia localizada no belo concelho de Sabrosa, na fértil região demarcada do Douro, onde se produz o afamado vinho do Porto. Situada num pequeno plateau, com vista para o belo rio Pinhão , esta é uma região de grande beleza natural, pautada pela forte tendência rural que tem subsistido ao longo dos séculos, sobretudo desde a criação da região demarcada do Douro, no século XVIII. Este é um local de antiga ocupação humana, como atestam os vestígios de um Castro Lusitano, que ainda hoje vale a pena visitar pelo belo panorama que apresenta.

Provesende

Diz-se que o topónimo Provesende virá da antiga Lenda de Zaide. Zaide seria um Mouro, irmão de Jahia rei de Toledo, que habitaria no altaneiro Castelo de São Domingos, nas imediações de Provesende, antes conhecida como San Joanes. Certo dia o Castelo foi atacado pelas forças Cristãs, dando-se um massacre, perecendo todos os Mouros que ali habitavam, escapando-se o rei Zaide que, não obstante, foi apanhado mais à frente enquanto fugia, sendo torturado e assassinado. No momento de transe e sofrimento terá sido exclamado “Prove Zaide, prove Zaide!”, originando daí o topónimo “Provesende”. Vale a pena percorrer as típicas e calmas ruas de Provesende, onde encontramos o antigo Pelourinho, a barroca Igreja Matriz, a Fonte do século XVIII e as várias casas senhoriais e brasonadas, como as Casas da Praça, de Santa Catarina, do Campo, do Santo, dos Ribeiros, entre tantas outras que atestam o poderio económico dos férteis terrenos da região, que vêm na vinicultura a sua maior subsistência.


2. Favaios

Favaios é um aldeia pertencente ao concelho de Alijó, na região Norte do País, situada no sopé da bonita Serra do Vilarelho, tipicamente Transmontana. Esta aldeia de feição rural, de solos tão férteis, vê na viticultura a sua principal actividade, produzindo-se aqui um famoso vinho Moscatel que leva o nome da freguesia e desta região demarcada mais além. As origens desta freguesia são bem antigas e perdidas no tempo, pensando-se que aqui terá já existido durante os séculos I e II da nossa era uma comunidade Romana, provavelmente denominada de “Flavius”, tendo sido também povoada por Mouros, e posteriormente reconquistada nos inícios da formação da Nacionalidade Portuguesa.

Favaios

Esta aldeia orgulha-se do seu interessante Património, de onde se destacam o que resta ainda hoje do Castelo Romano, maioritariamente troços das muralhas, e também da Igreja Matriz de São Domingos do século XIX, das Capelas de São Paio do século XVII, da de Santo António também do século XVII, da do Senhor Jesus do Outeiro (século XIX), da de Santa Bárbara de onde se desfruta uma vista fenomenal, ou mesmo da Quinta de São Jorge que alberga uma interessante Capela Românica. De facto, na região de Favaios não faltam as muitas casas Brasonadas e Solares, marcando a importância dos terrenos férteis na economia da região, muitas delas pertencentes aos grandes produtores dos afamados vinhos. Na calmaria da Serra do Vilarelho, e respirando um ambiente puro e rural, Favaios é conhecida também pela produção de Pão de qualidade, a segunda principal actividade da aldeia, a seguir ao tão cotado Vinho.


3. Ucanha

Ucanha é uma aldeia pertencente ao concelho de Tarouca, e classificada em 2001 como Aldeia Vinhateira do Douro. O nome Ucanha deriva de Cucanha, forma usada até ao século XVII, e que significa casebre ou lugar de diversão. Ucanha foi vila e sede de concelho até 1836, quando foi integrada no concelho de Mondim da Beira. A integração no actual município de Tarouca data de 1898. A aldeia fica localizada numa encosta que desce até ao rio Varosa (ou Barosa). O vale limitado pelas colinas arborizadas da Serra de Santa Helena apresenta um bonito enquadramento paisagístico.

Ucanha

O principal ponto de interesse é a Torre de Ucanha, classificada desde 1910 pelo IPPAR como monumento nacional. A Torre proporcionava funções de defesa junto à ponte medieval, o controle de pessoas e bens e ainda a cobrança de portagens, cujos rendimentos beneficiavam o couto monegástico de Salzedas. As portagens foram contudo abolidas em 1504 e a torre perdeu grande parte da sua importância tendo o edifício entrado em declínio e usado como armazém de produtos. A ponte porém continuou a ser usada sendo um dos principais pontos de passagem do rio. Entre a antiga ponte e a nova existe uma praia fluvial.


4. Salzedas

Salzedas é uma freguesia portuguesa do concelho de Tarouca. O nome Salzedas provém do latim Saliceta que significa salgueiral, vegetação muito abundante nas margens do rio Varosa, que por ali corre. É de povoamento muito antigo. Por aqui passaram Lusitanos e Romanos, Suevos e Visigodos e, mais tarde, Muçulmanos.

Mosteiro de Salzedas, da Ordem de Cister

A génese da sua história remonta ao lugar a que hoje se dá o nome de Abadia Velha e a sua povoação cresceu em torno do Convento de Santa Maria de Salzedas. O grande ex-libris é o Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Salzedas mandado erigir por D. Teresa Afonso, mulher de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques. De estrutura românica, completamente remodelado no século XVIII e a sua igreja sagrada no século XIII, representa um dos mais ricos e emblemáticos mosteiros de Portugal.


5. Trevões

Localizada no concelho de São João da Pesqueira, distrito de Viseu, a aldeia de Trevões é uma povoação com cerca de 21,55 km² de área e 540 habitantes (2011) que faz parte do roteiro das Aldeias Vinhateiras do Douro. Este roteiro, lançado em 2001 teve como objectivo principal a regeneração e valorização das aldeias do Douro Vinhateiro, através da revitalização sócio-económica, da fixação da população e a aposta no turismo.

Trevões

Esta aldeia possui edifícios classificados como imóveis de interesse público e monumentos nacionais, como reflexo da sua outrora importância política na região, tendo sido sede de concelho entre o séc.XII e o séc. XIX, e constitui actualmente um interessante pólo turístico da região vinhateira do Douro, pela paisagem em que se insere e pela sua arquitectura que atravessa diversas épocas e estilos.


6. Barcos

Esta aldeia, famosa pelas suas belas vistas e pela igreja românica que ali existe, situa-se 10 km a sul do Douro e 5 km a oeste da sede do concelho, Tabuaço. Foi habitada desde tempos imemoriais, como comprova o castro de Sabroso, hoje dominado pela Capela de Nossa Senhora de Sabroso. Importante centro populacional na Idade Média, foi sede de concelho até ao século XIX e desse legado histórico guarda a Casa da Câmara, o Pelourinho e a Roda dos Expostos.

Barcos

A igreja matriz, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, é um dos melhores exemplos da arquitectura tardo-românica, apresentando interessantes pórticos, com especial relevo para aquele que se encontra virado a sul numa das fachadas laterais. Na Primavera, vale a pena apreciar a vista sobre os campos de cultura que descem para o Douro. A aldeia está abrangida pelo recente Programa das Aldeias Vinhateiras do Douro.


7. São Xisto

Situada no coração da região classificada pela UNESCO como Património Mundial, São Xisto é um local encantado sobre o rio Douro! Localizada em Vale de Figueira, concelho de São João da Pesqueira, a aldeia é dominada por uma paisagem de cortar a respiração! Para apreciar esta aldeia, bastaria olhar em redor para os montes e vales, o Douro ali tão perto, tradicionais muros de pedra e os socalcos típicos das vinhas nas margens deste rio. Mas os seus encantos não ficam por aqui…

São Xisto

Deixe-se deslumbrar, também, pelo património diverso desta bonita aldeia, que passam pela Capela de São Xisto, o Mirante Anjo Arrependido, a Fonte Centenária e as diversas casas típicas em xisto. Os locais a visitar, num passeio sem pressas, passam ainda pelos inevitáveis lagares de azeite e de vinho, ou não estivéssemos nas margens do Douro. O cais fluvial do Douro e a estação ferroviária de Ferradosa conferem ainda mais encanto a este local. A aldeia de São Xisto possui particularidades muito específicas ligadas à importância da vinha. Aqui domina, como o próprio nome indica, o xisto, a contrastar com o granito que toma conta da margem oposta.


Sheryl Crow & Eric Clapton - "Tulsa Time" (Live, 2007) with Albert Lee &...

Venice Carnival Grand Opening 2019 | Venezia Autentica

Quando um Juiz processa um país , é Carnaval !


“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.” Albert Einstein

Criticar Neto de Moura não é uma faculdade, é uma obrigação, é um imperativo de cidadania. Conseguir fazê-lo, ante a fundamentação dos seus Acórdãos sobre violência doméstica, com humor, é pura arte.
Ser-se processado por Neto de Moura, por criticar a fundamentação dos seus Acórdãos sobre violência doméstica eivada de considerações preconceituosas, desrespeitosas para com as vítimas, atávicas, subjectivas, misóginas, por verterem concepções de comunhões conjugais que acomodam a normalização de episódios de “pancadaria” dignos da Ultimate Fighting Championship, entre o mais, não é mau. Outrossim, só significa que o putativo Demandado tem a capacidade de se indignar com aquilo que é motivo, justo e justificado, de indignação.
E, ao contrário do que, segundo se percebe, o Senhor Desembargador Neto de Moura acredita, o poder judicial não actua no vazio, as Setenças e os Acórdãos são direccionados a seres humanos (sim, ainda que Neto de Moura não tenha notado, as mulheres são seres humanos!), que reclamam a tutela de um direito ante um Tribunal.
O poder judicial tem uma vertente pedagógica junto da comunidade para quem administra Justiça. Pelo que, ao contrário do que Neto de Moura parece acreditar, as partes – e a comunidade onde estas se inserem - também julgam o Juiz, sempre que lhes chega à mão uma Decisão. Donde, o cidadão – que é Desembargador – Neto de Moura, sempre que prolata uma Decisão está vinculado à responsabilidade de expressão, dever esse inerente à correspondente liberdade, a qual também tem limites, mesmo quando se trata da liberdade de Neto de Moura.
Mas há mais e mais relevante: Neto de Moura também acreditava que estava acima da critica e que o caminho dos epítetos era uma via de direcção única. Mas não! Neto de Moura escreveu o que quis. Ora, como costuma acontecer nesses casos, ouviu as críticas que não queria ter ouvido.
É normal que assim seja nos Estados de Direito Democráticos. E nem há possibilidade para que o putativo Demandante, Neto de Moura, possa dizer que o desconhecia sem ter obrigação de conhecer, porque não há magistrados judiciais sem o curso de Direito e Direito Constitucional é lecionado logo no primeiro ano.
Neto de Moura deveria estar agradecido, porque vivemos num país de brandos costumes e as reacções à fundamentação dos seus Acórdãos sobre violência doméstica, a qual configura verdadeiras afrontas, surgiram, sobretudo, sob a forma de humor. Poderia ter-se dado o caso de os portugueses, que pagam os impostos com os quais é pago o vencimento do Senhor Desembargador, a fazer luz semelhante Jurisprudência, terem acatado a desvalorização que o próprio Neto de Moura fez, ao longo das páginas dos seus arestos, da violência sobre um seu semelhante.
Ainda assim, Neto de Mouro está ofendido.
Curiosamente, Neto de Moura diz que há uma diferença entre a critica e a ofensa. O mesmo Neto de Moura que nunca compreendeu, até hoje, a diferença entre ofender e fundamentar uma Decisão Judicial.
Se não, vejamos alguns exemplos:
Neto de Moura não respeita a autodeterminação sexual de cada um/a: divide as mulheres entre honestas e desonestas (as adúlteras), quando escreve num seu Acórdão “são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras”. Apanhar com uma moca, reclamar tutela judicial e acabar-se julgada, catalogada como adúltera e desonesta é ser-se ofendida na sua honra. Mas Neto de Moura não hesitou em subscrever estas ofensas, perpetradas contra uma mulher, vítima de violência doméstica.
Quando Neto de Moura conduzia sem chapas de matrícula e foi interceptado por uma patrulha da GNR, por não ter obedecido, voluntariamente, a uma ordem de paragem, foi denunciado ao Conselho Superior da Magistratura, acusado por de ter adoptado uma postura “provocatória, intimidatória e ofensiva”, ante aquelas forças da autoridade. Chama-se o caso à colação, porque seria nesse âmbito que Neto de Moura proferiria a espantosa generalização sobre a, por si alegada, tendência marginal - muito acentuada - para a mentira, por banda da polícia. Ora, Neto de Moura também não se apercebeu, nessa ocasião, que subscrevia uma ofensa à honra e à integridade moral e profissional dos polícias, ao afirmar que estes profissionais “geralmente” mentem.
Repristine-se, ainda, o caso em que as declarações da vítima, em juízo, são desconsideradas por Neto de Moura por não serem consideradas fidedignas já que se trata de declarações produzidas por uma mulher adúltera. Assim e como tal, o ser humano em causa é por este mesmo Juiz epitetada, numa sua Decisão, de “dissimulada, falsa, hipócrita, desleal, que mente, engana, finge. Enfim, carece de probidade moral”; “Não surpreende que recorra ao embuste, à farsa, à mentira para esconder a sua deslealdade e isso pode passar pela imputação ao marido ou ao companheiro de maus tratos.”. Mas uma vez mais o agora ofendido Neto de Moura não se apercebe que, com estas considerações, ofendeu a honra de alguém.
Que a conexão de Neto de Moura à realidade não era das melhores já todos/as tínhamos percebido, mormente porque os exemplos que supra se deixaram elencados davam conta disso mesmo, mas essa nossa convicção sai agora reforçada, quando percebemos que pretende amordaçar todo um país, que este Juiz considera que o ofende
Neto de Moura tem, obviamente, direito a lançar mão da via judicial, como qualquer cidadão/ã, conquanto não pretenda litigar de má fé, devido à sensibilidade que revela possuir em relação a si próprio, quando concomitantemente denota – nos seus Acórdãos - desprezar a daqueles que julga.
Não podendo negar que a sensibilidade existe, pelo menos a do primeiro tipo, resta desejar que, apesar da época ser carnavalesca, haja bom senso!

Ana Sofia de Sá Pereira
Advogada – Mestre em Direito
Porto, 04.03.2019

segunda-feira, 4 de março de 2019

Que vergonha , sotôra !


DIREITOS DAS MULHERES
A Mulher, o feminismo e a lei da paridade
Joana Bento Rodrigues
24/2/2019

Os movimentos feministas deviam inquietar-se com questões fundamentais, em especial as relacionadas com a vida laboral e a sua conciliação com o que é a natureza da mulher e as suas reais preocupações

A mulher dita feminista – a que integra as “tribos”, a que se deslumbra com as capas de revistas, a que se diz emancipada, a que não precisa de relações estáveis, a que não quer engravidar para não deformar o corpo nem perder oportunidades profissionais, a que frequentemente foge da elegância no vestir e no estar – optou por se objectificar, pretendendo ser apenas fonte de desejo em relações casuais, rejeitando todo o seu potencial feminino, matrimonial e maternal.

São estas três últimas, as características mais belas da mulher!

O potencial feminino refere-se a tudo o que, por norma, caracteriza a mulher. Gosta de se arranjar e de se sentir bonita. Gosta de ter a casa arrumada e bem decorada. Gosta de ver ordem à sua volta. Gosta de cuidar e receber e assume, amiúde, muitas das tarefas domésticas, com toda a sua alma, porque considera ser essa, também, a sua função.

O potencial matrimonial reside, precisamente, no amparo e na necessidade de segurança. A mulher gosta de se sentir útil, de ser a retaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem sucedido. Esse sucesso é também o seu sucesso! Por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário. Gosta, sim, que seja este a obtê-los, sendo para si um motivo de orgulho. Porquê? Porque lhe confere a sensação de protecção e de segurança. Demonstra-lhe que, apesar poder ter uma carreira mais condicionada, pelo facto de assumir o papel de esposa e mãe, a mulher conta com esse suporte e apoio do marido, para que nada falte. Por outro lado, aprecia a ideia de “ter casado bem”, como se fosse este também um ponto de honra. Naturalmente que o contrário não pode ser visto como menos meritório, em particular quando as oportunidades não são equivalentes. Assim, o casal, enquanto um só e actuando em uníssono, pode optar pela inversão destes papéis, que em nada diminuiu qualquer dos elementos, desde que movidos por objectivos comuns e focados no Amor.

O potencial da maternidade é algo biológico! A mulher é provida de um encanto, de uma ternura, que só se encontra na sua relação com os filhos. Ela é o porto de abrigo das crianças. Na maternidade, a mulher sente-se verdadeiramente realizada, pois percebe o que é o verdadeiro e incondicional Amor! Não espanta, pois, que não possa demitir-se dessa função e que a maternidade seja, por norma, um fortíssimo apelo, ainda que subconsciente. Mesmo quando não é mãe, a mulher é a “melhor tia do mundo”, a “melhor madrinha do mundo”. Nela reside a arte do cuidar e do mimar.

O feminismo, que lutou pela igualdade de direitos, pela possibilidade de a mulher poder votar, estudar e trabalhar fora de casa, deter iguais direitos laborais em relação ao homem, está longe de ser representado nos movimentos da atualidade. Pois, embora fazendo parte da natureza da mulher ser esposa e mãe, a “mulher moderna” revela também a necessidade de se completar com um papel social e de cidadania, que vê concretizado no trabalho e, se bem-sucedido, tanto melhor! Gosta de ver reconhecido o seu esforço e mérito profissionais, mas sabe também que poderá ter de fazer escolhas para cumprir com os restantes papéis.

Quantas mulheres estarão dispostas a abdicar da maternidade e de um casamento feliz, em nome de uma carreira de sucesso? Dificilmente poderão estar em pé de igualdade com o homem, que mais facilmente dedica horas extra ao trabalho, abdicando do tempo em Família, em nome da progressão laboral e, está claro, daquilo que é um apelo mais masculino, o do sucesso laboral. É isto discriminação? Não, são escolhas!

A sabedoria popular bem o diz: “Não se pode ter tudo”! Não espanta, assim, que haja menos mulheres em cargos políticos e em posições de poder. A mulher escolhe-o naturalmente, ao dedicar menos tempo que o homem às causas partidárias e ao estudo da História e da actualidade, enquanto conhecimento necessário para defender e representar uma Nação.

É certo que é mais difícil ascender profissionalmente num meio masculino, consequência inevitável desta dinâmica social, mas que na sociedade ocidental tanto se tem esbatido nas últimas décadas, em resultado do esforço de muitas mulheres que mostraram, na prática, o que conseguem fazer e alcançar, com a sua enorme inteligência social e emocional. Prova disso é a representatividade feminina no ensino superior no nosso País, na medicina e na advocacia, que já ultrapassa de forma preocupante a masculina!

Por isso, os movimentos feministas deveriam inquietar-se, sim, com questões fundamentais, particularmente as relacionadas com a vida laboral e a sua conciliação com o que é a natureza da mulher e as suas reais preocupações. Contudo, o activismo feminista actual não procura satisfazer o que as mulheres precisam, mas apenas o que pretende uma poderosíssima minoria de mulheres. Este activismo tornou-se, inclusivamente, desprestigiante para a mulher. Priva-a da possibilidade de ascensão social e profissional pelo mérito. Retira-lhe a doçura e candura. Nega-lhe o papel fundamental do matrimónio e da maternidade. Objectifica a mulher, enquanto presa para sexo fácil e espaço de diversão. Promove paradas onde se expõe o corpo de forma grosseira e agreste à visão. Claramente, não representa a “mulher comum”!

A mulher é um ser belíssimo e extraordinário, que já provou conseguir alcançar sonhos e objectivos, sem necessidade de leis movidas por comiseração. A mulher não precisa de quotas obrigatórias para poder aceder à participação na vida política.

Por tudo isso, declaro-me anti-feminista e contra a nova Lei da Paridade!

Médica. Membro da TEM/CDS.
A autora escreve em português correcto, rejeitando a grafia do AO90.

domingo, 3 de março de 2019


"O Arthur foi um menino que sofreu muito bullying na escola, porque era neto do Lula. Por isso, eu tenho um compromisso com você, Arthur: vou provar a minha inocência e quando eu for para o céu, vou levando o meu diploma de inocente. Vou provar quem é ladrão neste país e quem não é. Quem me condenou não pode olhar nos olhos dos netos como eu olhava para você."

Lula, 02/03/2019







EX-GUITARRISTA DOS PINK FLOYD APOIA NICOLÁS MADURO
VENEZUELA 01-03-2019 10:33


O músico e ativista Roger Waters voltou a ser comentado nas redes sociais, depois de assumir o seu posicionamento em relação ao conflito político na Venezuela.

Roger gravou um vídeo, que publicou no Twitter, para o show «Hands Off Venezuela», organizado por Nicolás Maduro, numa resposta a um outro evento, em território colombiano, pelo autoproclamado presidente Juan Guaidó

«Quero dizer algo para vocês, povo da Venezuela. Admiro vocês desde 1998 e até antes disso. Sou um grande advogado das ideias de Simon Bolívar, um grande pensador, revolucionário, progressista, humanista, homem e líder. Daqui de longe, vejo-vos a resistir a todas as tentativas de poderes imperiais de destruir a revolução», disse Waters.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019



"Pegaram um dia um operário e disseram-lhe:
Senta-te no banco dos réus.
És acusado de haveres nascido com sonhos na cabeça. És acusado de teres os cabelos
encaracolados. És acusado de teres bigodes vastos, negros, provocativos.
És acusado de teres alguns pedaços de dedos a menos que o comum dos mortais, podados pelas engrenagens das máquinas.
És acusado de ficares pelas esquinas conversando em voz baixa com amigos enquanto a luz dos postes te ilumina o suor do rosto. És acusado de terem te visto no bar dando gargalhadas.
És acusado de tua casa ter um pequeno jardim com grama e flores.
És acusado de conheceres a sinfonia das sirenes das fábricas anunciando a aurora do primeiro turno. És acusado de seres reconhecido na portaria e todos te cumprimentarem, e te baterem levemente nas costas com alegria, e te dizerem: olá, meu chapa.
És acusado de inventares um partido que não é o único, mas não se confunde com siglas e teorias de alfarrábios envelhecidos.
És acusado de fazeres discursos de improviso com vigor e garra que nascem do fundo das vísceras do espírito.
És acusado de não seres magro nem raquítico como teus irmãos deviam ser.
És acusado de jogares baralho e dares dores de cabeça aos homens sérios deste país. És acusado de usares gravata em vez de macacão, vestindo-te com roupas só permissíveis no enterro do melhor amigo. És acusado de freqüentar reuniões e discutires com sábios e iluminados sem pedir licença nem apresentar diploma. És acusado de te haverem visto com ministros, criaturas importantes, e não te ocorrer submeter-se a elas.
És acusado de não teres te colocado no lugar cavado para o oprimido. És acusado de haveres gritado com toda a força de teus pulmões fuliginosos.
És acusado de teres filhos bonitos e uma mulher doce, que devia ser feia e talhada a foice.
És acusado de não seres rapaz comportado, meigo, gentil, acetinado.
És acusado de conheceres a prensa, e não te afugentar o ronco que ela faz na madrugada.
És acusado de quereres a pátria livre, e livre, também, o coração e os sentimentos do homem.
És acusado de rezares e de pôr a boca no trombone quando todos se calam e descrêem de Deus e
dos homens.
És acusado de teres o desplante de ser líder num país desnaturado onde quem levanta a fronte é triturado.
És acusado de haveres perdido a paciência de esperar pelo futuro que não chega nunca.
És acusado de usares sapatos 42, de couro, quando o normal é sandália havaiana.
És acusado de romperes as cadeias invisíveis que amarram teus braços peludos e tuas mãos penadas.
És acusado de atraíres os operários com tua voz, teu berro, teu silêncio, teu olhar, tua dor, tua ânsia, teu mistério, e saberes contar, sorrindo, tristes histórias recolhidas em barracos e cômodos-e-cozinhas.
És acusado de estares em pé, quando devias estar de bruços, de borco, exangue e vencido.
És acusado de não seres o que queriam que tu fosses.
Meu caro operário sentado no banco dos réus, por favor, recebe este recado:
Se existir mesmo essa senhora difusa e vaga a que chamam Justiça, confia nela.
Não creio que essa matrona seja cega."


* Texto de Lourenço Diaféria , publicado no Jornal Folha de São Paulo, no dia 15/09/80.

https://fpabramo.org.br/…/texto-ilustrativo-bilhete-pra-um…/






Dois! Eu e Tu, num ser indispensável! Como
Brasa e carvão, centelha e lume, oceano e areia,
Aspiram a formar um todo,--em cada assomo
A nossa aspiração mais violenta se ateia...


Como a onda e o vento, a lua e a noute, o orvalho e a selva
--O vento erguendo a vaga, o luar doirando a noute,
Ou o orvalho inundando as verduras da relva--
Cheio de ti, meu ser de eflúvios impregnou-te!

Como o lilás e a terra onde nasce e floresce,
O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,
O vinho e a sede, o vinho onde tudo se esquece,
--Nós dois, de amor enchendo a noute do degredo,

Como partes de um todo, em amplexos supremos
Fundindo os corações no ardor que nos inflama,
Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos,
Como se eu fosse o lume e tu fosses a chama...
*
António Feijó
Portugal, Ponte de Lima 1859 – Suécia, Estocolmo 1917
in “ Sol de Inverno “ seguido de vinte poesias inéditas
Introd. Álvaro Manuel Machado
Editor: Imprensa Nacional-Casa da Moeda
*
Arte: Richard Macneil..

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Desnudo






Poema inédito de Alice Coelho


Desnudo meu corpo
Pele salgada
Arrepiada
Nevoeiro esculpido
Delineado e lambido
Frágil
Desnudo minha alma
Em versos em brasa
Em noite fria e calma
Pássaros sem asa
Débil
Partidas sem contorno
Poemas com retorno.
Desnudo(me)

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Os sociopatas e os seus seguidores



Por: José Goulão - 08 de Fevereiro de 2019 - AbrilAbril

Para os países alinhados com Washington já não se trata apenas de violar grosseiramente a democracia. Os governos que seguem de braço dado com a administração Trump enveredaram pela carreira do crime.

Houve ocasiões – raras – em que os principais governos da União Europeia se distanciaram do comportamento boçal, truculento e neofascista da administração norte-americana gerida por Donald Trump. É certo que as razões nem eram louváveis, uma espécie de escrever direito por linhas tortas porque contrapor à política de fortaleza comercial de Washington o neoliberalíssimo «comércio livre» global, que serve meia dúzia de grandes conglomerados económico-financeiros, não é propriamente um comportamento honroso.

Ainda assim, essa situação foi suficiente para os que fazem política e comunicação navegando à vista nas vagas do oportunismo situacionista tentarem fazer crer que entre Washington e alguns dos principais aliados existiam saudáveis divergências, recomendáveis pelo facto de «parecer mal» estarem associados aos desmandos trumpistas.

Porém, o que tem de ser tem muita força, a realidade impôs os factos, as máscaras caíram, o globalismo ditou as suas leis, embora já periclitantes, e deixou de haver lugar para disfarces.

A harmonia entre Washington e os aliados restabeleceu-se quando foi preciso por mãos à obra e cuidar do que interessa a quem manda: o domínio sobre as matérias-primas e a vantagem militar planetária para, em última instância, assegurá-lo.

Bastou o aparecimento de provas de que a superioridade militar da NATO e respectivas ramificações pode estar em causa; eis que entra na ordem da actualidade uma disputa mais cerrada pelas riquezas naturais do mundo – e logo a boçalidade e o desprezo militante de Trump por qualquer coisa que tenha a ver com democracia e direitos humanos deixaram de ser problema.
A harmonia chegou com os psicopatas

Esbateram-se os limites, desapareceu a vergonha. Se o caminho mais eficaz para garantir a sobrevivência do «nosso civilizado modo de vida» é o recurso à autocracia, então que seja, desde que o discurso oficial assegure as melhores intenções democráticas e humanistas.

Mesmo que a harmonia entre a NATO e a gestão do Pentágono, a comunhão de ideais entre quem manda na União Europeia e a administração de Washington se tenham restabelecido no momento em que, depois de muitos tumultos e convulsões, a equipa que traça a doutrina Trump seja agora um sólido núcleo de psicopatas.

John Bolton, o conselheiro de Segurança Nacional do presidente; Michael Pompeo, o secretário de Estado, por inerência o tutelar dos Negócios Estrangeiros; Michael Pence, o vice-presidente, formam um triunvirato de fascistas com provas dadas em carreiras onde o recurso ao terrorismo político, declarado ou clandestino, nunca foi um problema.

Se lhes associarmos as figuras de um comprovado assassino e fora-da-lei como Elliott Abrams, agora escolhido como enviado especial para gerir o golpe na Venezuela; e de um expoente da «supremacia branca» como Steve Bannon, que corre mundo unindo as hordas fascistas, xenófobas, populistas e nacionalistas para manter a pressão, de modo a que o neofascismo seja a solução e nunca um problema, teremos um quinteto de psicopatas à altura de Trump, de tal modo que torna o próprio presidente descartável.

Pois foi precisamente na hora da estabilização do fascismo e da sociopatia como doutrina norte-americana que a NATO e a União Europeia – com o governo de Portugal fazendo questão de destacar-se – decidiram prestar-lhe vassalagem. Certamente não foi para que o governo português encarreirasse na esteira do terrorismo político e da guerra nuclear que os portugueses votaram.

Para os devidos efeitos e para memória futura registemos o desprezo assumido pela equipa de António Costa em relação à democracia, aos direitos humanos, à paz e ao direito internacional. Não existe outra interpretação possível do apoio ao golpe contra a Venezuela; não há hipótese de concluir outra coisa do alinhamento pleno com a NATO nos caminhos da guerra nuclear que estão a ser abertos por Washington.
É terrorismo, não é democracia

Aquilo que está a acontecer na Venezuela, e que tem proactivamente a mão do governo de Portugal, é terrorismo, é tentação fascista, é jogar com a vida de milhões de pessoas.

Não se trata apenas da entronização como «presidente interino» de um arruaceiro que os Estados Unidos treinam e pagam há 15 anos para servir como instrumento numa operação de golpe de Estado. Juan Guaidó é um entre vários que se formaram numa escola de terrorismo na Sérvia financiada pelos Estados Unidos, conhecida como Otpor/CANVAS1, para organizar «revoluções coloridas» e mudanças de regime em geral, de que são exemplos casos como o da Ucrânia, Geórgia, Egipto, Líbia, Síria, Honduras, Paraguai, Brasil.

E não se trata igualmente do recurso ao pretexto das supostas «irregularidade» e «ilegitimidade» das eleições presidenciais de Maio do ano passado, que decorreram segundo normas democráticas comprovadas por entidades independentes e de reconhecida idoneidade que acompanharam todo o processo. Ao contrário do que fizeram, por exemplo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a alta comissária europeia, Federica Mogherini, que recusaram os convites para serem ou enviarem observadores, partindo do princípio de que as eleições seriam fraudulentas muito antes de se realizarem.

O que está verdadeiramente em causa como consequência do comportamento das personalidades, entidades e organizações que apoiam a estratégia de mudança de regime montada pela equipa de psicopatas de Trump é a tragédia que paira sobre todo o povo venezuelano – comunidade portuguesa obviamente incluída.

Uma tragédia anunciada, uma vez que os promotores da operação tiveram o cuidado de não deixar margem de recuo. A parada é alta e todo o processo foi montado de modo a que não haja outra saída que não seja a destruição da Revolução Bolivariana, sufragada em mais de uma vintena de consultas populares legítimas realizadas durante os últimos 20 anos.
Solução: banho de sangue

Ora a capitulação do governo de Nicolás Maduro – que não tem de se demitir ou de convocar eleições porque a Constituição, a única lei pela qual responde, não o obriga – só pode ser alcançada por estas vias: golpe militar interno, agressão estrangeira directamente pelos Estados Unidos ou por procuração (Brasil, Colômbia e Argentina estão prontos), ou colapso absoluto do Estado devido às sanções, extorsão e roubo de que os bens do povo venezuelano são vítimas – a começar pelas 31 toneladas de ouro de que entidades bancárias estrangeiras se apropriaram abusivamente, também com responsabilidade do Banco Central Europeu, para que conste.

Sejam quais forem os caminhos seguidos pelos responsáveis do golpe, o resultado será um banho de sangue com extensão imprevisível. Esse é o preço que Estados Unidos e aliados estão dispostos a pagar para deitarem as mãos aos 300 mil milhões de barris de petróleo venezuelano – as maiores reservas mundiais conhecidas – às poderosas reservas de ouro, nióbio, tântalo e outros elementos e metais preciosos.

Não há pretextos e máscaras que sirvam para a ocasião. O que, através do golpe, os Estados Unidos, a União Europeia e aliados puseram em andamento foi a compra que um valiosíssimo lote de riquezas naturais e estratégicas pago com sangue humano, na quantidade que for precisa. Afinal, tal como no Iraque, na Líbia, na Síria ou Afeganistão.
O caminho para a guerra nuclear

A fuga para a frente com o objectivo de garantir a sobrevivência do neoliberalismo, conduzida pelo gang de tiranos sociopatas de Washington, não hesita, como se vê, perante a repugnante e desumana traficância em curso na Venezuela.

Fuga essa que começa a adquirir velocidade própria numa outra direcção até aqui vedada pelos mais compreensíveis instintos de sobrevivência colectiva: a da guerra nuclear.

Não há outra leitura para a decisão norte-americana de abandonar o Tratado de Armas de Médio Alcance (INF2), assinado há 30 anos pelos Estados Unidos e a União Soviética.

Não há outra leitura do apoio a essa posição manifestado pela NATO e pelo sempre «bom aluno», o governo de Portugal.

Os pretextos invocados para o abandono do Tratado são falsos ou, no mínimo, desconhecidos. Nem os Estados Unidos nem a NATO apresentaram, até ao momento, qualquer prova de que a Rússia estaria a violar esse acordo. Em paralelo, também não se regista qualquer interesse, tanto dos dirigentes norte-americanos como da NATO – e da comunicação social com eles sintonizada – em aceitarem os convites de Moscovo para visitarem os locais onde supostamente estariam a ser construídas as armas que violam o Tratado.

Ao invés, a parte russa já divulgou provas de que os Estados Unidos estão a produzir armas proibidas pelo Tratado há pelo menos dois anos.

É objectivo dos Estados Unidos instalar os novos mísseis em países europeus como a Itália, a Alemanha e a Holanda, onde também está prevista a disponibilização de bombas nucleares de nova geração3.

Trata-se de engenhos ditos de potência reduzida, isto é, com uma capacidade de destruição calculada em metade ou mesmo menos dos largados sobre Hiroxima e Nagasaki. Este facto tem ajudado a consolidar a tese perigosíssima segundo a qual as novas bombas poderão ser utilizadas em conflitos limitados e sem provocarem respostas equivalentes, o que as torna uma vantagem decisiva.

Torna-se evidente que o recurso a essas bombas implica a existência de mísseis vocacionados para transportá-las – e daí a quebra do Tratado INF.

Deduz-se, pois, que pelas cabeças doentes e sanguinárias de figuras como Bolton – que pretende enviar Maduro para Guantánamo – Pence e Pompeo passa, de facto, a ideia de vir a utilizar essa nova combinação de mísseis de médio alcance com armas nucleares de «potência reduzida» e tendo a Europa como um dos cenários de operações. Pelo que os países europeus sintonizados com os tiranos sociopatas de Washington não desprezam apenas a vida dos venezuelanos, mas também a dos seus próprios povos4.

Já não se trata apenas de violar grosseiramente a democracia. Os governos que seguem de braço dado com a administração Trump enveredaram pela carreira do crime.

1.
Estas e outras revelações podem ser lidas no esclarecedor artigo «Para saber tudo sobre o golpista Juan Gaidó», publicado numa tradução exclusiva para Portugal pelo jornal digital O Lado Oculto, que se apresenta como um «antídoto para a propaganda global» e é dirigido pelo nosso colaborador José Goulão.
2.
A sigla INF provém do nome do tratado em inglês, habitualmente designado, nessa língua, por INF Treaty (de Intermediate-Range Nuclear Forces Treaty). Esta entrada da Wikipédia refere 20 de Outubro de 2018 como o ponto de partida para a derrogação do tratado INF, quando Donald Trump acusou a Rússia de «violá-lo há muitos anos». Na verdade, desde o início de Fevereiro de 2018 que os EUA tinham revisto a sua postura estratégica sobre a utilização de armas nucleares (Nuclear Posture Review). Nesse documento os EUA não descartam um ataque nuclear inicial por sua iniciativa e designam a Rússia e a China como inimigo principal. Na altura, o nosso colaborador André Levy alertou para os riscos desta agressiva evolução, que recolocou o perigo de holocausto nuclear na ordem do dia («A dois minutos da meia-noite», 16 de Fevereiro de 2018). Recentemente, também o nosso colaborador António Abreu se pronunciou sobre o tema («A guerra nuclear limitada, de novo», 4 de Fevereiro de 2019).
3.
Um relatório do grupo de analistas militares Southfront, «INF Is Dead. Europe Is One Step Closer To Nuclear War», coloca como verdadeira razão para o abandono do INF não uma eventual ameaça russa ou chinesa mas a necessidade de a administração estado-unidense voltar a financiar massivamente o complexo militar-industrial americano, afim de este produzir avançados sistemas de mísseis e anti-mísseis que poderão vir a ser vendidos a alto preço no cenário europeu afectado pela «febre da ameaça russa». Pode ler e ouvir o relatório aqui.
4.
A prestigiada ONG International Campaign to Abolish Nuclear Weapons (ICAN), que recebeu em 2017 o Prémio Nobel da Paz, considerou que a retirada dos EUA do tratado põe, antes do mais, a Europa em grave risco, dada a natureza da aliança militar entre aquele país e a União Europeia, consubstanciada na NATO. Se a Rússia for atacada nuclearmente os seus sistemas de Mútua Destruição Assegurada (Mutual Assured Destruction, ou MAD, acrónimo que tem a particularidade de significar «louco», em inglês) dispararão em segundos. Os sistemas MAD prevêm o disparo automático de todos os mísseis e armas nucleares disponíveis contra os potenciais atacantes (previamente definidos) mesmo que os sistemas de comando e a direcção político-militar do país tenham sido completamente destruídos. Tanto os EUA como a Rússia dispõem de um arsenal nuclear para destruir várias vezes o planeta.


sábado, 2 de fevereiro de 2019


Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.

Vladimir Maiakóvski