quarta-feira, 28 de agosto de 2019
domingo, 25 de agosto de 2019
Quantas saudades , Carmen . . .
Ouço vozes
além de mim, abstraio
pincelo cores,
amores, sabores
luz de Ser
remendo o vão do pensamento…
e por tanto enganar o nada,
é que vivo …
Carmen Silvia Presotto
Vidráguas
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
Manuel Louzã Henriques
CAPAS DE REVISTAS
OPINIÃO|MEMÓRIA
O ouro e a lata
Jorge Seabra
POR JORGE SEABRATERÇA, 13 DE AGOSTO DE 2019
Não tenho esperança de ver a foto de Manuel Louzã Henriques, o velho leão da Liberdade, a ocupar toda a capa da revista do Expresso, a mesma que dá um contrastante destaque a uma extensa entrevista com José Miguel Júdice.
Manuel Louzã Henriques (1933-2019). Foto de arquivo.Créditos/ youTube
Após épocas de libertação, há, nas sociedades saídas de regimes ditatoriais ou dos sacrifícios das guerras, aquilo que se pode designar por «injustiça histórica» na descrição do passado, numa avaliação emocional que relega para segundo plano a frieza dos interesses e novas relações de poder, que recriam enviesamentos construindo um mundo virado ao contrário.
Vem isso a propósito das figuras que em cada época «oficialmente» se homenageiam ou destacam, e do significado político e cultural que esse facto tantas vezes reflecte, passando, numa mensagem de aparente normalidade, as mais extremas manifestações de intolerância e facciosismo.
Talvez o tema deste texto tenha começado por ser uma expressão da vontade de falar do desaparecimento de mais um pilar da cultura humanista do nosso país, símbolo de ouro dos valores que devem reger o mundo mais justo que todos dizem querer construir: Manuel Louzã Henriques.
A notícia do seu falecimento surgiu em alguns órgãos de comunicação social, repercutindo-se também nas redes sociais sem, no entanto, ter tido a devida relevância alargada e oficial que o próprio – com o «obstinado receio de ser vedetizado ou de construir a própria estátua», na escrita de Manuela Cruzeiro e Teresa Carreiro, coordenadoras-autoras do livro Manuel Louzã Henriques – Algures com meu(s) imão(s) – seguramente não desejaria.
«Manuel Louzã Henriques [foi um] espírito brilhante e animador do associativismo cultural e desportivo estudantil na transição dos anos 50-60 do século passado, preso e torturado pela PIDE ainda jovem, conhecedor dos cárceres do Aljube, de Caxias e de Peniche, médico proibido de integrar os hospitais públicos pela ditadura, candidato da Oposição em 62 e activo participante em muitas outras eleições e iniciativas ligadas ao progresso político e cultural do país»
Infelizmente, o apagamento de figuras de excepção meramente por razões políticas é já um hábito. Nada que não tenha acontecido com outras personalidades marcantes da sociedade portuguesa, que se diz querer culta e democrática, mas onde se diminui ou abafa alguns símbolos maiores da cultura e da resistência à ditadura, como Mário Sacramento, intelectual de primeira água, figura tutelar dos Congressos da Oposição em Aveiro (cujo cinquentenário da morte passou quase despercebido), e se estende até ao nosso único Nobel da Literatura, a quem, em tempos, a coligação PSD-CDS liderada por Rui Rio, negou dar o nome a uma rua da Cidade Invicta.
Explicação? Verdadeiro sectarismo político de quem se diz democrata, explorando velhos preconceitos anticomunistas.
É com isso que a direita dos grandes interesses se alimenta, qualquer que seja o nome mais ou menos civilizado ou social em que se acoberta para lhe roubar o apoio e o voto, manipulando a consciência da maioria da população que trabalha.
Sem fazer um juízo de valor (muito menos elogioso) sobre a qualidade dos programas, gostaria de ter visto Manuel Louzã Henriques em debates na TV, como os da «Quadratura do Círculo», do «Eixo do Mal», do «Último Apaga a Luz», do «Governo Sombra», ou em outros onde a esquerda marxista mais coerente está sempre excluída e os seus argumentos arredados do grande público.
Faleceu Louzã Henriques
LER MAIS
Teria sido certamente um privilégio ouvir, nesses debates, a visão aberta e tolerante do mundo de Louzã Henriques, o Manel ou o Louzã para os (imensos) amigos e admiradores, espraiando a sua enorme cultura e a alegria de transmitir as raízes, os interesses e as expressões do povo que tanto amou, com o dom da sua verve encantatória, sempre profunda e rigorosa, que convocava quem o ouvia a pensar.
«Afinal, num mundo tão agreste, soubeste passear-te por vidros partidos, aguentar os balanços, num roteiro ideológico e humanista de que nunca te desviaste, nem mesmo quando a vida te sujeitou a provações muito cruéis. Também por isso muitos são os que admiram a tua coragem, virtudes cívicas, coerência em todas as dimensões, não só a política (de que soubeste fazer um acto de amor ao Povo), mas de tantas outras que fazem de ti um guerreiro do inconformismo, das paixões, da generosidade, dos afectos, mas também da mágoa, da crítica, do desassossego».
Estes são apenas fragmentos soltos recolhidos das palavras das autoras do livro atrás citado, que não esgotam a densa personalidade de Manuel Louzã Henriques, espírito brilhante e animador do associativismo cultural e desportivo estudantil na transição dos anos 50-60 do século passado, preso e torturado pela PIDE ainda jovem, conhecedor dos cárceres do Aljube, de Caxias e de Peniche, médico proibido de integrar os hospitais públicos pela ditadura, candidato da Oposição em 62 e activo participante em muitas outras eleições e iniciativas ligadas ao progresso político e cultural do país.
Criterioso coleccionador de instrumentos musicais, de máquinas de escrever, de costura, de fotografia, de alfaias agrícolas e instrumentos de trabalho nos campos (os últimos expostos no Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques), da enorme perda dessa personalidade notável, fica-nos «a imagem de um leão benévolo, irónico, bem humorado», como escreveu Fernando Martinho, do «ilustre psiquiatra apaixonado pela Antropologia e Etnografia, formador de gerações de psiquiatras, senhor de uma cultura que se diria enciclopédica, melómano e músico, piloto-aviador, jogador de râguebi, generoso e solidário, militante clandestino do seu PCP de sempre. A ninguém, como a Louzã veste tão bem a consigna que Marx também fez sua: “nada do que é humano me é estranho”».
Foi esse saber enciclopédico e telúrico que permaneceu escondido do grande público pela comunicação social dominante que, em outras áreas, também exclui gente como Sérgio Ribeiro, Avelãs Nunes, Eugénio Rosa ou o saudoso Miguel Urbano Rodrigues (com obra internacionalmente firmada sobre a complexa realidade da América Latina ou do Afeganistão), prefigurando uma verdadeira estratégia de censura política.
«A transição autoritária começa quando se degrada a democracia. E quando termina? Termina quando não há democracia»
MANUEL LOFF, HISTORIADOR
Manuel Loff, conhecido historiador, refere, numa entrevista à Pública, agência brasileira de notícias: «Quando falamos de regimes fascistas e regimes democráticos, falamos de processos de construção permanente da democracia e do fascismo. (…) A transição autoritária começa quando se degrada a democracia. E quando termina? Termina quando não há democracia».
Como também afirma, «nunca, em momento algum, ele (o fascismo) nasceu ou se consolidou apenas com fascistas. Todas as soluções autoritárias se sustentam mais sobre o apoio, sobre a intimidação e o medo, ou a indiferença dos demais. (…) A indiferença é tão central na sustentação de um regime quanto é o nível de apoio».
É contando com essa indiferença que a revista do Expresso de 20 de Julho de 2019, dá um contrastante destaque a uma extensa entrevista com José Miguel Júdice, outro natural de Coimbra, a propósito de um acontecimento tão importante para os portugueses como o facto de o entrevistado ir abandonar a advocacia das empresas para se dedicar à lucrativa arbitragem de grandes negócios internacionais.
É sempre de evitar a «fulanização» na avaliação das sempre complexas expressões sociais e políticas da nossa sociedade, mas há situações que pela sua exemplaridade o merecem.
Na capa da revista do Expresso, a fotografia de José Miguel Júdice a corpo inteiro serve de fundo para a bombástica citação: «o que me preocupa é o combate entre a democracia e a liberdade». E a entrevista, que ocupa dez páginas interiores, arranca com nova fotografia e o subtítulo «a sua biografia atravessa e confunde-se com a democracia».
Poder-se-ia pensar que se estava a entrevistar um velho lutador pela liberdade, como Louzã Henriques.
Mas José Miguel Júdice, que agora insulta e dá lições de moral e de democracia na TV aos que mais se sacrificaram para que ela exista, foi um assumido dirigente da extrema-direita do antigo regime, vice-presidente, enquanto estudante, da detestada Comissão Administrativa nomeada por Salazar para tomar conta da Associação Académica de Coimbra, depois da prisão e expulsão, em 1965, dos seus dirigentes eleitos, alguns dos quais tiveram de fugir para o estrangeiro.
Activista e líder da minoritária e radical ultra-direita estudantil da altura, que se exprimia através de panfletos de ódio assinados com siglas como «ANSA - Acção Nacional Socialista Académica» ou «Comité de Caça aos Comunistas», Júdice (que conforme confessa, alegando «uma estupidez total» do regime, foi «metido na função pública como informador da PIDE») foi também um destacado traidor na greve de 69, posicionando-se sempre do lado dos que prendiam e torturavam os seus colegas de Universidade.
«José Miguel Júdice, que agora insulta e dá lições de moral e de democracia na TV aos que mais se sacrificaram para que ela exista, foi um assumido dirigente da extrema-direita do antigo regime, vice-presidente, enquanto estudante, da detestada Comissão Administrativa nomeada por Salazar para tomar conta da Associação Académica de Coimbra, depois da prisão e expulsão, em 1965, dos seus dirigentes eleitos, alguns dos quais tiveram de fugir para o estrangeiro»
Com o 25 de Abril e a instauração das liberdades, Júdice, depois de transitoriamente preso pelo MFA, fugiu para Madrid para integrar a direcção (remunerada) do chamado «Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP)», organização terrorista de saudosistas da ditadura, financiada pela CIA e apoiada por organizações da ultra-direita internacional (como a «Gládio»1 e a «Aginter Press»2 ), que semeou o terror no Verão Quente de 75, ameaçando, agredindo e assassinando dirigentes e militantes de esquerda, incendiando e destruindo à bomba sedes de sindicatos, do PCP e de outras organizações antifascistas.
Foi dessa forma que a vida de Júdice «atravessou e confundiu-se com a democracia», nas palavras da entrevistadora Clara Ferreira Alves, uma das raras jornalistas lusas convidadas pelo mal-afamado Clube de Bildeberg, onde se traçam as grandes estratégias do império.
Com o restabelecimento das forças da direita depois do golpe de 25 de Novembro de 1975, Júdice regressou ao país e adaptou-se bem à reconstrução do domínio das grandes famílias que tinham constituído a base económico-financeira do «Estado Novo» (Mello, Espírito Santo, Ulrich, Champalimaud), nadando como um peixe no ambiente do novo business das devoluções e privatizações, continuando a defender o mesmo espírito de casta da alta finança e a constante agressão aos direitos dos trabalhadores.
«[A entrevista de José Manuel Júdice por Clara Ferreira Alves]: um festival delirante de afirmações falsas, contraditórias e confusas, que procuram baralhar o leitor mal informado ou que acredita em gambuzinos, criando uma cortina de fumo sobre o que foi, para facilitar uma melhor aceitação do que é»
E é com enorme lata que Júdice, na entrevista, relembra esse passado, afirmando ter sido «anarquista», «libertário», «resistente» (admirador de Álvaro Cunhal «por quem tive um fascínio»), dizendo que Salazar e Caetano «eram tudo aquilo de que discordava», que «odiava Franco», tendo feito uma biografia do líder fascista Primo de Rivera (fundador da criminosa Falange da estrema-direita espanhola) que considerava «antifranquista», referindo ainda ter tido «ideias radicais de esquerda e reputação de extrema-direita», e que «achava o colonialismo péssimo», como também «que devia haver uma reforma agrária».
Enfim, um festival delirante de afirmações falsas, contraditórias e confusas, que procuram baralhar o leitor mal informado ou que acredita em gambuzinos, criando uma cortina de fumo sobre o que foi, para facilitar uma melhor aceitação do que é.
Não tenho esperança de ver a foto de Manuel Louzã Henriques, o velho leão da Liberdade, a ocupar toda a capa da revista do Expresso, nem o seu busto na cidade de Coimbra (como o do bombista cónego Melo, em Braga), que, de resto, o próprio, com a modéstia dos grandes, seria o primeiro a não apreciar.
E não se trata, naturalmente, de pôr em competição gente de esquerda e de direita com as suas qualidades e defeitos, nem de analisar cada individuo sem olhar à complexidade do «eu e da sua circunstância», no dizer de Ortega e Gasset.
Mas a descarada adulteração do real, a troca de valores e a falta de pudor com que se lava um passado agressivo ligado à extrema-direita mais trauliteira, serve bem como amostra das opções ideológicas dos nossos media dominantes.
Na realidade, os falsos heróis que assim erigem e apregoam, enquanto apagam ou diminuem a vida e a memória dos que verdadeiramente o foram, abrem caminho às piores sombras do «populismo» reacionário que tanto dizem combater.
Como diz Manuel Loff, «a transição autoritária começa quando se degrada a democracia. E quando termina? Termina quando não há democracia».
Não podemos ficar indiferentes.
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
quarta-feira, 24 de julho de 2019
quarta-feira, 17 de julho de 2019
sexta-feira, 12 de julho de 2019
quarta-feira, 10 de julho de 2019
quarta-feira, 12 de junho de 2019
terça-feira, 11 de junho de 2019
Aprendi a não bater de frente com quem só entende o que lhe convém.

Por Marcel Camargo
Eu costumava bater de frente, quando entendiam errado o que eu dizia. Hoje, não perco mais tempo tentando provar nada a ninguém, de jeito nenhum. O meu tempo é precioso e resolvi aproveitá-lo fazendo o que eu gosto, junto com quem me faz bem.
Uma das coisas mais desagradáveis que ocorrem é sermos mal entendidos, quando o outro deturpa nossas palavras ou nossas atitudes, descontextualizando-as e utilizando-as em proveito próprio, enquanto nos coloca como o vilão da história. A gente acaba até ficando sem saber se nós é que não soubemos nos colocar ou se o outro é que não sabe interpretar um texto.
Infelizmente, quanto mais tentarmos provar o nosso ponto de vista, quanto mais nos explicarmos, pior ficaremos, porque quem não entende da primeira vez raramente compreenderá dali em diante.
Quem se faz de bobo e de vítima jamais será capaz de assumir seus erros, de se responsabilizar por seus atos, de se colocar no lugar de alguém.
Tentar fazê-los enxergar além de seu umbigo é inútil.
Na verdade, teremos que sempre ser verdadeiros e claros, com todo mundo, pois, assim, quem nos conhece de fato e gosta de nós não se abalará com as maledicências que alguém tentar espalhar sobre nossa pessoa. Temos que ter a tranquilidade de que vivemos de acordo com o que somos, sem dissimulações e meias verdades, para que a mentira alheia não nos atinja nunca, tampouco possa ser levada em conta por quem nos é importante.
Eu costumava bater de frente, quando entendiam errado o que eu dizia, quando maldiziam minhas atitudes. Hoje, não perco mais tempo tentando provar nada a ninguém, de jeito nenhum. O meu tempo é por demais precioso e resolvi aproveitá-lo fazendo o que eu gosto, junto com quem me faz bem.
Hoje, tenho a certeza de que muitas pessoas só entenderão aquilo que quiserem e da maneira que melhor lhes convier.
Não importa o que eu diga ou o que eu faça, muitas pessoas somente interpretarão minha vida de acordo com o nível de percepção delas mesmas, para que possam se justificar através dos erros que transferem ao mundo – segundo elas mesmas, elas nunca erram.
Não tenho muito tempo livre, portanto, não gastarei mais energia com quem não merece. Vivamos!
terça-feira, 4 de junho de 2019
A oração de uma mãe arrebenta as portas do céu

Por Prof. Marcel Camargo
Não dá para escrever sobre mães sem que as palavras enveredem por um viés deliciosamente piegas – ouso até dizer que toda mãe é babosa. Senão vejamos: quem é que fantasia o bebê para tirar fotos e mostrá-las às amigas, toda cheia de si? Quem chora nas apresentações da escolinha? Quem guarda o primeiro dentinho que cai, molda o pezinho, vibra com o primeiro “mama” – ou algo parecido – que ouve do filho? Pois é, mães são amor em estado puro, desprovido de censuras e etiquetas, de qualquer senso que possa existir. E é exatamente isso que as torna essenciais, indispensáveis, inesquecíveis e únicas em nossas vidas.
Nós recebemos tudo delas: sangue, matéria, existência, essência – quer elas tenham ou não nos gerado em seu ventre. Crescemos com elas ali, sempre presentes, e vez ou outra olhamos em busca de seu olhar de aprovação. Mãe é a segurança, o esteio, o porto-seguro para onde voltamos, mesmo que em memória, quando dos reveses da vida. Não existe cafuné mais gostoso, comida mais saborosa, cheiro mais penetrante ou voz mais acalentadora do que de nossas mães. Sabemos que, quando ninguém mais nos der razão, no colo das mães encontraremos repouso consolador.
Por outro lado, elas também sabem ser críticas, mordazes, ferinas, num primeiro momento, quando fugimos às suas expectativas. Porque precisam colocar pra fora todo aquele ranço acumulado, para que o encantamento de seu coração possa transbordar livre, trazendo-nos de volta à realidade. Ao final, elas sempre acabam nos aceitando como somos, em tudo o que nos define. Elas até tentam nos moldar e nos conduzir à sua imagem e semelhança, mas invariavelmente acabam nos deixando livres – e nos amando ainda mais por sermos nós mesmos e por termos nos tornado quem somos.
Coração de mãe é uma couraça, nunca sucumbe, sustentando-a durante as noites insones e as horas de prece velando nossa febre, durante a madrugada sem fim de nossa adolescência, à espera de nosso telefonema, à espera de nossa voz viva, diariamente, a todo instante.
Mães têm uma fé absurda e a força de suas orações chega a gritar aos nossos ouvidos – Chico Xavier disse que a oração de uma mãe arrebenta as portas do céu: alguém duvida? Elas estão ali ao lado dos filhos, firmes, esperançosas, quando nada mais parece ter salvação, à cabeceira das sessões de quimioterapia, à porta dos prontos-socorros, em frente aos portões das prisões. Mãe é esperança sem fim, fé inconteste.
Mães não erram deliberadamente, posto que em razão do amor. O filho é seu projeto de vida, sua perpetuação nesse mundo, o legado que deixa à sociedade, por isso elas relutam tanto diante das falhas, dos vícios e dos erros de seu rebento. Aceitar as imperfeições do ser humano a quem outorga sua vida requer desconstruir-se, ressignificar paradigmas, abrir mão da felicidade completa e sofrer, frustando planos acalentados em vão. Mas nada é em vão, em se tratando de mãe e filho. Sorvemos tudo o que vem delas, mesmo que fique adormecido, aguardando o momento certo de vir à tona em nosso favor – sempre em nosso favor.
Mãe também é solidão. Porque ninguém, a não ser elas mesmas, conseguem compreender o que é tudo isso que lhes é tão peculiar. Um amor que transborda além do permitido, um amor que cura, acalma e alimenta a alma. Um amor que nunca desiste da esperança, presente ali nas casas de repouso e nos asilos, onde aguardam ansiosas pelas visitas esparsas, ou mesmo inexistentes. Mãe é persistência, é crença indelével na capacidade do ser humano. É aceitação e resignação, sem questionamento nem cobranças. E precisamos que elas assim o sejam, pois nos são exemplos da necessidade de nos entregar, de acreditar, de amar, de aceitar e de brigar por aquilo que se quer.
Mães não morrem como as outras pessoas – elas são tiradas de nós, abruptamente, sem aviso, porque nunca estaremos preparados para enfrentar a vida sem elas. E então vamos nos agarrando dolorosamente às memórias, às fotos, filmes, cartas e à certeza de que teria sido muito pior se tivéssemos sido nós tirados delas, tentando nos consolar e aprumar nosso navio que parece navegar à deriva de nós mesmos, enquanto experienciamos os ambientes sem a sua presença e nos consolamos com as suas visitas em nossos sonhos.
segunda-feira, 3 de junho de 2019
Na minha infância , a nossa rede social era a rua !

Por Prof: Marcel Camargo
Não existe quem, a certa altura da vida, não comece a nutrir saudosismo em relação à sua época de infância, de adolescência, de juventude. O tempo traz muita coisa boa, arruma, ajusta, acerta as contas e vem impregnado de saudades – saudades do que se viveu, do que se fez, dos gostos, dos cheiros, das cores, de gente. Nossas vidas são especiais e, por isso mesmo, permanecem junto a nós, aqui dentro, sempre e para sempre.
Quantas pessoas fazem parte da nossa jornada e vão embora, muitas vezes para nunca mais, e, mesmo assim, tornam-se inesquecíveis? Professores, colegas de escola, de rua, de clube, familiares, vizinhos, enfim, sempre sorriremos ao nos lembrarmos de gente querida que passou por nós e deixou magia conosco. Sempre teremos de seguir faltando um pedaço, com lembranças apertadas de quem nos tocou fundo o coração.
Lugares, casas de avós, lares, salas de aula, sítios, muitos ambientes preencherão nossas vidas, muitos deles ficando impressos em nossas almas. Quem nunca sentiu um cheiro, como de grama molhada, que evoca as mais tenras lembranças de algum lugar que volta dentro de nós, trazendo nitidamente cada canto, cada sofá, cada janela, cada recanto de jardim por onde fomos felizes, onde a alegria então era uma constante?
E, embora a infância passe rapidamente – enquanto, tolamente, somos crianças ansiando por nos tornarmos adultos -, ela nos deixa recordações do tamanho do mundo, como se uma vida toda não fosse suficiente para aquilo tudo.
A gente brincava na rua, sem medo, e a gente se virava com muito pouco – umas latinhas vazias, algumas bolinhas de gude, um pedaço de corda -, a gente era feliz por dentro, não importando a riqueza lá de fora.
Na verdade, embora nós sempre achemos que o nosso ontem foi o melhor, que nossas lembranças são mais especiais, cada pessoa levará sempre consigo recordações mágicas, lembrando-se com saudade do que viveu, junto de pessoas que valeram a pena. Porque a gente guarda o que alimenta o coração. Porque a gente leva junto do peito quem compartilhou alegria conosco, mesmo que por pouco tempo. É assim, afinal, que a gente se recarrega diariamente e continua seguindo, em busca de ser feliz, na esperança de reviver tudo o que deixou o nosso caminho mais iluminado.
sábado, 1 de junho de 2019
Carlos Tavares - O homem que não deixa que lhe lavem o cérebro.
Carlos Tavares (CEOA da PSA): " o Mundo é louco. O facto de as autoridades nos terem
pedido para ir numa direcção tecnológica, a do veículo eléctrico, é um grande ponto de
viragem.
Não gostaria que daqui a 30 anos se descobrisse algo que não é tão bonito como parece,
sobre a reciclagem de baterias, a utilização de matérias raras do planeta, sobre as
emissões electromagnéticas da bateria em situação de recarga?
Como é que vamos produzir mais energia elétrica limpa?
Como fazer para que a pegada de carbono do fabrico de uma bateria do veículo elétrico
não seja um desastre ecológico?
Como assegurar que a reciclagem de uma bateria não seja um desastre ecológico?
Como encontrar suficiente matéria-prima rara para fazer as pilhas e os químicos das
baterias na duração?
Quem trata a questão da mobilidade própria na sua globalidade?
Quem está agora a colocar a questão de forma suficientemente ampla de um ponto de
vista social para ter em conta todos estes parâmetros?
Preocupo-me como cidadão, porque, como fabricante de automóveis, não sou audível.
Toda esta agitação, todo este caos, vai virar-se contra nós, porque teremos tomado
decisões erradas em contextos emocionais."
Stéphane Homem, Director do Observatório da energia nuclear:
"O ciclo de vida de um veículo eléctrico torna-o tão poluente como um veículo térmico".
Subsidiar não faz sentido, explica Stéphane Homem.
O fabrico das baterias é tão emissor de Co2 que é necessário ter percorrido de 50 000 a
100 000 km de carro eléctrico.
Para começar a ser menos produtor de Co2 do que um carro térmico. 15 a 30 km por
dia, 365 dias por ano, durante 10 anos!
AFP / Daniel Roland: "Ora, ao contrário do que acreditam a maioria das pessoas, sujeito
a uma propaganda contínua das políticas e industriais, o carro elétrico não é mais
virtuoso para o clima do que o carro térmico, gasolina ou diesel". Estas são as
conclusões de um estudo, já antigo, da agência do ambiente e do controlo da energia
(ademe), ignorado deliberadamente pelo governo (elaboração de acordo com os
princípios da acv dos balanços energéticos, das emissões de gás em efeito de estufa e
outros impactos ambientais induzidos pelo conjunto das vias de veículos eléctricos e de
veículos térmicos até 2012 e 2020, (Novembro de 2013).
Sabendo que estes carros servem essencialmente para trajectos curtos, é provável que a
quilometragem necessária para se estimar "Virtuoso" nunca será atingida.
Além disso, todo o co2 emitido por um carro eléctrico é enviado para a atmosfera antes
mesmo de ter percorrido um quilómetro, enquanto que, por outro lado, está-se a tentar
fazer passar a ideia de que o carro eléctrico não emite partículas finas, mas, como
assinala a revista ciência e vida (Janeiro de 2015): "os pneus, os travões e o desgaste das
estradas emitem quase tantas micropartículas como os gases de escape.
O carro elétrico emite menos partículas do que o carro térmico, uma vez que não tem
um escape, mas tem muitos freios, pneus, e rola sobre o alcatrão!
No final, o carro eléctrico não é mais ecológico do que o carro térmico. O dinheiro
público consagrado ao seu desenvolvimento é, por conseguinte, totalmente
injustificado; trata-se de somas astronómicas:
• O GOVERNO LANÇOU UM PLANO DE INSTALAÇÃO DE 7 milhões de terminais de
recarga por cerca de 10 000 euros cada, ou seja, um custo de cerca de 70 mil milhões de
euros.
É também aliás vulgar, ver os eleitos de pequenos municípios, acreditando fazer um
gesto pelo ambiente, quebrar o mealheiro municipal para se oferecer um posto de
carregamento;
O BÓNUS "Ecológico" à compra de um carro eléctrico ultrapassa 10 000 € por veículo,
muitas vezes completado por um prémio da região.
Quase todos os compradores são famílias ricas, pois estes veículos são muito caros: uma
vez mais, o dinheiro de todos é oferecido aos mais privilegiados.
Na realidade, no país do átomo, todos os meios são bons para "impulsionar" o consumo
de electricidade, em baixa contínua há anos.
Porque o carro eléctrico em França pode ser considerado como um "carro nuclear":
quase todos os terminais de recarregamento instalados são ligados à rede eléctrica
normal, que é em cerca de 80 % nuclear.
Não devemos deixar-nos levar pelas declarações do Sr. Bolloré e os seus Autolib (Paris),
Bluecub (Bordéus) e Bluely (Lyon), que asseguram que as baterias são recarregadas com
recurso a energias renováveis, tratam-se apenas de jogos de escrita, a electricidade
utilizada é a mesma que noutros locais.
Não estamos a fazer aqui a promoção do automóvel térmico, ela própria uma
calamidade ambiental.
Mas, precisamente, ninguém teria a ideia de oferecer 10 mil euros à compra de um carro
diesel, reservar-lhe lugares de estacionamento e encher o seu tanque com preço
partido...
É uma análise muito boa que demonstra que as nossas políticas (e os verdes) fazem-nos
um espectáculo:
A paranóia do diesel só diz respeito aos automobilistas!!!
Os veículos pesados, autocarros, navios, estão excluídos!
Só para situar o grau de paranóia dos mais virulentos críticos do veículo diesel, é
necessário revelar-lhes os dados da indústria marítima que demonstrou que,
considerando o tamanho dos motores e a qualidade do combustível utilizado, os 40
maiores navios - Cargueiros do mundo poluem tanto como todos os 760 milhões de
automóveis do planeta.
Sabe, estes porta-contentores que nos alimentam em produtos que se fabricava nas
nossas fábricas deslocalizadas, hoje em dia, queimam cada um 10.000 toneladas de
combustível para uma viagem e regresso entre a Ásia e a Europa.
Estes infelizes 40 navios fazem parte de uma frota de 3.500, aos quais há que
acrescentar os 17.500 petroleiros que compõem o conjunto dos 100.000 navios que
percorrem os mares.
Para não deixar o domínio marítimo, recorde-se que a frota de recreio francesa é de
cerca de 500.000 unidades, dos quais 5.000 iates com mais de 60 metros, e que o mais
médio destes queima cerca de 900 litros de combustível em apenas uma hora, enquanto
os 24 % de lares franceses que se aquecem ao fuelóleo têm dificuldade em encher o seu
tanque para o inverno.
Para continuar no caminho da esquizofrenia paranóica, vamos ter em conta toda a frota
de pesca e os 4,7 milhões de veículos pesados em trânsito através da França e milhares
de aviões que percorrem o céu.
Para completar esta pequena fábula, não esqueçamos o indispensável domínio agrícola
em que o consumo médio de energia é de 101 litros de combustível por hectare.
Isso também prova que os jornalistas são comprados pelo poder para calar a boca e
lavar-nos os cérebros.
PLATEIA
Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!
Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.
E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.
(Miguel Torga)
quarta-feira, 15 de maio de 2019
segunda-feira, 13 de maio de 2019
quinta-feira, 25 de abril de 2019
sábado, 20 de abril de 2019
quinta-feira, 18 de abril de 2019
Almendrados
Como ando mais virada para fazer doces do que salgados aqui fica a receita dos melhores almendrados caseiros que já fiz!Foi difícil encontrar uma receita que me fizesse lembrar os almendrados de uma famosa pastelaria aqui do sítio, mas descobri! Agora faço-os de quando a quando.
Ah! Se não encontrarem a folha de obreia façam na mesma, pois não interefe muito com a receita. Eu por acaso também não sei onde se pode encontrar à venda em Portugal, pois costumo comprar na vizinha Espanha.
Ingredientes:
2 claras
200g de açúcar amarelo
225g de miolo de amêndoa moído
25g de farinha
1clh café de canela
folha de obreia
Preparação:
Batem-se as claras em castelo, junta-se o açúcar, o miolo de amêndoa, a farinha e a canela e mexe-se bem.
Põe-se um montinho de massa em cima da folha de obreia e, por cima de cada montinho coloca-se uma amêndoa pelada inteira. Os montinhos devem estar suficientemente espassados, pois os almendrados alargam-se bastante.
Vai ao forno 20 minutos.
Bom Apetite!
quarta-feira, 10 de abril de 2019
SAMBA DA UTOPIA (Jonathan Silva)
Se o mundo ficar pesado
Eu vou pedir emprestado
A palavra POESIA
Se o mundo emburrecer
Eu vou rezar pra chover
Palavra SABEDORIA
Se o mundo andar pra trás
Vou escrever num cartaz
A palavra REBELDIA
Se a gente desanimar
Eu vou colher no pomar
A palavra TEIMOSIA
Se acontecer afinal
De entrar em nosso quintal
A palavra tirania
Pegue o tambor e o ganza
Vamos pra rua gritar
A palavra UTOPIA
quinta-feira, 4 de abril de 2019
A NATO e sete décadas de mentiras, guerra e sangue
Por: José Goulão - 04 de Abril de 2019 - AbrilAbril
A NATO não nasceu para responder a qualquer acção contrária, uma vez que o Tratado de Varsóvia só foi fundado quatro anos depois, nem para defender a democracia, porque integrou, à nascença, uma ditadura fascista – a portuguesa.
Para assinalar o significado do 70º aniversário da NATO talvez fosse suficiente passar os olhos pela guerra que há 18 anos destroça o Afeganistão, ou pelo caos em que a Líbia continua mergulhada ou pelas violações do direito internacional patrocinadas pela organização nos Balcãs, designadamente o aterrador desmembramento da Jugoslávia.
Talvez fosse suficiente… Mas estaríamos longe de fazer justiça à amplitude e longevidade de uma acção cada vez mais global e próxima de comportamentos gangsteristas como a que caracteriza a aliança. Sendo que a enxurrada de considerações épicas em torno dos mitos que a sustentam é de tal modo ameaçadora nestes dias que todas as oportunidades serão poucas para aprofundar o contraditório.
Não surpreende que a NATO seja o que é. O que poderá causar alguma perplexidade, sobretudo entre quem anda um pouco mais a par da realidade internacional e quem vai além da informação mainstream, é a desfaçatez com que dirigentes altamente posicionados em nações e no mundo tentam interligar os seus belos discursos sobre a aliança com as práticas sangrentas desta. Ou acreditam nas suas próprias mentiras ou confiam demasiado na propaganda e na consequente alienação do cidadão comum.
A NATO nasceu no meio de mentiras e de mitos propagandistas tão em vigor hoje como há 70 anos, apesar de serem facilmente desmontáveis. Mas os servidores da organização têm fé no efeito de repetição e num universo mediático reverente.
A NATO não nasceu para responder a qualquer acção contrária, uma vez que o Tratado de Varsóvia só foi fundado quatro anos depois. E também não veio para defender a democracia, porque fez questão de integrar, à nascença, uma ditadura fascista – a portuguesa – adoptando outras com o correr do tempo, como foi o caso da grega e da turca.
A «aliança defensiva»
Porém, o mito fundador que mais foi refinando com o tempo e a prática é o da «aliança defensiva», uma espécie de culto de Calimero a uma escala bastante viril.
A NATO nunca ataca; defende-se sempre de um qualquer inimigo, que trata de inventar quando não existe. Quando instala armamentos, cada vez mais exterminadores, é para defender-se; quando avança os seus meios militares pela Europa afora até às fronteiras russas, ou em África, ou agora na América Latina é em legítima defesa.
A melhor defesa é o ataque, argumenta-se em termos de táctica futebolística. A NATO adoptou-a ou vice-versa, é uma dúvida semelhante à do ovo e da galinha. O que interessa é saber-se que a NATO nunca ataca, defende-se.
Assim foi durante a Guerra Fria, por exemplo recorrendo a organizações terroristas clandestinas, como a Gládio, espalhando o sangue, o horror e o medo através de atentados sucessivos em Itália para impedir o acesso dos comunistas à esfera do poder, mesmo quando o povo assim o desejou em eleições legítimas e livres.
Ou não hesitando em conspirar para promover golpes de Estado e mudanças de regime, dentro e fora da guerra fria, como aconteceu em Portugal, na Grécia, na Turquia e mais recentemente na Ucrânia – não interessando, também neste caso, que o resultado seja um regime nazi-fascista. Sempre em nome da democracia e do mercado, a entidade que mexe os cordelinhos democráticos e sabe o que é melhor para os cidadãos, mesmo que estes desejem o contrário.
A NATO e o respeito pela própria palavra
A NATO tem uma relação complicada com a própria palavra. É o que acontece a quem vive da propaganda e não tem a coragem de assumir perante os povos as reais motivações da sua missão.
A NATO esboça a sua realidade virtual nos mapas e nas mensagens que transmite aos cidadãos; e depois procede em conformidade mas de uma maneira real, agressiva, muitas vezes sanguinária, espezinhando os direitos humanos.
A mentira que esteve na génese da organização – a necessidade de responder a uma entidade de sinal contrário que viria a nascer apenas quatro anos depois – vigorou até ao colapso da União Soviética e do Tratado de Varsóvia, no início da década de noventa do ano passado.
Agora é altura de a NATO se dissolver, deixaram de existir razões para continuar, argumentaram então os ingénuos e os que ainda acreditam na boa-fé dos discursos político-militares e das instâncias que os produzem.
Não é bem assim… respondeu o atlantismo. Reparem nos inimigos que ameaçam o «nosso civilizado modo de vida», o Irão, Saddam Hussein, Khaddafi, a Coreia do Norte, Cuba, Assad, Chávez, al-Qaida, Bin Laden, os Talibã, eixos do mal cruzando-se, entrecruzando-se, exigindo a presença vigilante, dissuasora, sempre defensiva da NATO, ainda que alguns tenham sido amigos ou mesmo criados para bem do mercado e preservação da democracia.
Portanto, nesta guerra «entre a civilização e a barbárie», a NATO não pode dissolver-se; mas podem estar certos de que não vai crescer uma polegada, em território e número de membros. Quem assim falou foi James Baker, secretário de Estado norte-americano de George Bush pai.
E se bem o disse melhor o fez; ele, os sucessores, o chefe e herdeiros, no fundo toda a fina flor Atlântica.
Num ápice a NATO estava em «tempestades no deserto» invadindo o Iraque, destruindo a Jugoslávia numa das mais selváticas guerras modernas, invadindo o Afeganistão dando o pontapé de saída na «guerra contra o terrorismo», no âmbito da qual foi dizimar a Líbia em aliança com os terroristas islâmicos que dizia estar a combater.
E foi assim que o «nem uma polegada» se transformou em muitos mais biliões de polegadas; que a “guerra contra o terrorismo” descambou no recurso a informais braços terroristas como o Estado Islâmico e a al-Qaida, por exemplo na participação clandestina do atlantismo na agressão à Síria e, mais recentemente, na interminável invasão do Afeganistão – onde o inimigo a derrotar – os Talibã – já controla dois terços do país.
E onde se ouviu James Baker dizer nem mais um membro deve ler-se duplicação da família dos aliados, porque em meia dúzia de anos a NATO engoliu a maior parte dos países do antigo Tratado de Varsóvia mais os Estados nascidos da ex-Jugoslávia, sem esquecer os que lhe eram adjacentes nos Balcãs, como a Albânia.
A família defensiva já vai em 30 membros e não fica por aqui, porque ao Atlântico Norte juntam-se agora o Mediterrâneo, os mares Adriático, Báltico e Negro e também o Atlântico Sul. Graças a imaginativas normas de integração temos a caminho da NATO não só o narco-Estado terrorista da Colômbia mas também o Brasil, uma vez reconvertido ao fascismo. Porque a NATO sente urgência em defender-se da sempre ameaçadora Cuba e, sobretudo, da temível Venezuela de Maduro.
Pelo que abundam razões para acreditarmos piamente no que a NATO e os seus porta-vozes dizem e prometem. Claro como água.
O mito da defesa solidária
Outro dos mitos fundadores e base de propaganda da NATO é o da defesa solidária. Ou seja, qualquer Estado membro pode contar com os restantes no caso de ser agredido por um Estado terceiro ou organização inimiga. Todos acorrerão a defendê-lo…
Desde que…
O Estado em questão, como qualquer outro dos membros, tenha abdicado previamente de parte da sua independência; os seus governos se tenham submetido à autoridade económico-militar do complexo militar, industrial e tecnológico que governa os Estados Unidos da América – e a NATO, por inerência; e estejam dispostos a que o seu território seja utilizado para que a NATO, isto é, os Estados Unidos da América, se defendam atacando.
Em boa verdade, os Estados membros da NATO são protectorados da estrutura imperial norte-americana, que tem a aliança como seu braço armado: são obrigados a abdicar de uma política de defesa independente, a colocar vultosos fundos orçamentais à disposição do Ministério da Defesa dos Estados Unidos, a envolver-se em guerras por razões que lhes são alheias, ou mesmo contrárias, a manter relações hostis com Estados porque assim o exigem os interesses norte-americanos e não os interesses nacionais.
Numerosos estudos demonstram que os Estados Unidos da América têm entre 800 a mil bases militares em territórios ocupados no estrangeiro. Nessas áreas, em bom rigor, os Estados hospedeiros abdicam da sua soberania, cedem-na a Washington.
Ora estes estudos pecam por defeito, porque não consideram muitas das instalações militares dos Estados membros da NATO.
Estas instalações, em última análise, estão ao serviço dos Estados Unidos, mesmo que tecnicamente não sejam consideradas bases norte-americanas. As suas actividades não são independentes ou autónomas da estratégia militar da NATO, logo dos Estados Unidos. Os Estados membros da aliança não possuem instalações militares verdadeiramente próprias porque não têm uma política de defesa por eles definida tendo em conta os verdadeiros interesses dos seus povos.
Eis porque o Pentágono administra um império de instalações militares mundiais muito mais amplo que as cerca de mil unidades recenseadas.
Conflito constitucional
Na União Europeia entra-se mas não se sai ou, pelo menos, não se sai a bem, como estamos a perceber quotidianamente pelo caso do Reino Unido.
Acontece o mesmo com a NATO?
O assunto é académico, porque em relação à Aliança Atlântica apenas temos assistido a entradas, não a saídas ou tentativas de saída.
Na União Europeia ainda se realizam alguns referendos esporádicos para decidir o relacionamento entre as instituições centrais e Estados membros. Referendos, é certo, que têm sido repetidos quando não dão os resultados que deveriam dar – segundo a perspectiva da União – ou então sabotados.
Nada disso acontece na Aliança Atlântica. A NATO representa, em absoluto, a vontade dos povos, razão que torna qualquer consulta supérflua. Dir-se-ia um comportamento ditatorial, não soubéssemos nós que a NATO é a essência da democracia.
Portugal foi fundador da NATO com a ditadura de Salazar, continuou depois do 25 de Abril – que foi gravemente ferido no 25 de Novembro com a colaboração prestimosa da aliança – e continua a não questionar a presença, apesar da letra e do espírito da Constituição da República.
Em Portugal, a propósito da NATO, há um conflito constitucional latente, do qual todos os governos têm fugido como o diabo da cruz. Salazar dizia que “a pátria não se discute”; os governos de hoje assumem que a NATO não se discute ou, pelo menos, não se questiona.
Porque era isso que deveria fazer-se à luz da Constituição, que determina o envolvimento de Portugal nos esforços de paz e de dissolução dos blocos militares, isto é, da NATO.
Nada disso. O que fazem caças portugueses violando espaço aéreo da Finlândia, por exemplo? Nada contra este país, apenas uma sequela de uma presença agressiva, no âmbito da NATO, contra uma nação – a Rússia - com a qual Portugal poderia e deveria ter relações absolutamente naturais e normais, como acontece como tantas outras.
Essa presença em territórios bálticos, em si mesma, é uma agressão à Constituição da República.
Em termos de democracia, porém, a NATO sobrepõe-se à lei fundamental do país. A posição dos dirigentes nacionais de hoje em relação à aliança não é muito diferente da que há 70 anos era tão grata a Salazar: estão muito agradecidos pelo favor que a NATO faz em permitir que o país faça parte de tão grande e defensiva família.
Esqueçam a Constituição.
terça-feira, 2 de abril de 2019
Manuela D'Ávila
Caetano, eu sinto vontade de lhe abraçar e agradecer por ser um dos maiores brasileiros vivos. Lhe agradecer Por cada palavra em suas músicas, por cada Brasil descoberto em sua arte. Uma das coisas que mais me espanta nesses tempos terríveis que estamos vivendo é a vontade dessas forças das trevas de destruir tudo o que o nosso país tem de mais precioso. A expressão mais simbólica disso são os ataques contra vocês, nossos maiores artistas. Incrível eles lhe colocarem no centro dos ataques. Por outro lado, contraditoriamente, os ataques daquele bispo a você, Caetano, mostram a força incrível que as obras de arte tem. Como vivemos tempos tenebrosos, de cerceamento da liberdade, a música "É proibido proibir", a sua atitude à época e agora, a forma como você cantou em público na década de 70 e como enfrenta o obscurantismo agora fazem com que a música siga incomodando. Aquela canção já tem décadas mas está aqui, viva, em potência, e quando a a história a chama ela emerge novamente e bota raiva nos velhos novos donos do poder. Obrigada, Caetano, por ter sempre lutado pela sua liberdade. Pela nossa liberdade.
segunda-feira, 1 de abril de 2019
Pedro Barroso
ola Mario
Meu companheiro no TEC, colega, actor, cumplice, amigo e conterraneo. Partiste a 1 de Abril, como quem brincasse ao dia das mentiras. Isso faz-se, meu palerma?
Ainda hoje serias util. Tanto. Sempre. No teu dizer inimitável, no teu humor sarcástico, no teu destruir de barreiras e dogmas.
Um abraço, rapaz. Por aqui, sinceramente, tudo igual. A ironia continua a ser a arma. Como gostarias de continuar a apontar. E quantas vezes o fizemos juntos. Obrigado por teres dito a "aurora" q escrevi como nem eu proprio diria. https://www.youtube.com/watch?v=aByJ4wW-2V0&t=169s
E, já agora, no teu ramo e com a tua arte de dizer, nada de novo.
terça-feira, 26 de março de 2019
Desejo que respeitem minha liberdade,
sou incapaz de não respeitar a dos outros.
Nascemos para ser felizes,
não para ser perfeitos.
Françoise Sagan #SimplesmenteUmaRosa 🌹
sábado, 23 de março de 2019
A PRIMAVERA
O pássaro chegou
e com ele a luz;
de cada trilo seu
nasce a água.
E entre água e luz que o ar desata
está a Primavera inaugurada já,
sabe a semente que já cresceu,
na corola desenha-se a raiz,
abrem-se por fim as pálpebras do pólen.
Tudo isto fez um simples pássaro
no alto dum verde ramo.
PABLO NERUDA
Há quem não me entenda.
Há quem nunca tentou.
Há quem sempre quis ler-me.
Há quem nunca se interessou.
Há quem leu e não gostou.
Há quem leu... e se apaixonou.
Há quem apenas busca em mim palavras de consolo.
Há quem só perceba teoria e objetividade.
Mas, tal como um livro, sempre trago algo de único: o melhor de mim."
(Desconheço autoria)
Há quem nunca tentou.
Há quem sempre quis ler-me.
Há quem nunca se interessou.
Há quem leu e não gostou.
Há quem leu... e se apaixonou.
Há quem apenas busca em mim palavras de consolo.
Há quem só perceba teoria e objetividade.
Mas, tal como um livro, sempre trago algo de único: o melhor de mim."
(Desconheço autoria)
sexta-feira, 22 de março de 2019
segunda-feira, 18 de março de 2019
sábado, 16 de março de 2019
sexta-feira, 15 de março de 2019
quarta-feira, 13 de março de 2019
No
rasto das sombras
há um corpo
onde a tua boca mora
há
olhos que te fitam
e invocam
o teu rosto que brilha
entre as poeiras esmorecidas
e o fumo adormecido
da vontade (in)conformada de te sentir além
sou
(serei)
água turva
que respira a terra do teu ser
língua onde as palavras já não moram
silêncio presente na tua alma
a cruel existência dos meus dias
sem ti
o canto das aves permanece calado
como acorde errado...meu amor, meu amor!
Ⓜ mariAna
terça-feira, 12 de março de 2019
Um ventríloquo em turnê na Noruega
Um jovem ventríloquo está em turnê na Noruega e faz um show em uma pequena vila de pescadores.
Com seu boneco no colo, ele começa a fazer suas piadas idiotas e bobas.
De repente, uma loira na quarta fileira sobe na cadeira e começa a gritar:
"Já ouvi o suficiente de suas piadas estúpidas.
O que faz você pensar que pode estereotipar mulheres loiras norueguesas dessa maneira?
O que a cor do cabelo de uma mulher tem a ver com o seu valor como ser humano?
São homens como você que impedem que mulheres como eu sejam respeitadas no trabalho e na comunidade, e que alcancem todo o nosso potencial como pessoas.
Pessoas como você fazem os outros pensarem que todas as loiras são burras.
Você e sua espécie continuam a perpetuar a discriminação não apenas contra loiras, mas mulheres em geral, pateticamente, tudo em nome do humor!
O ventríloquo envergonhado começa a se desculpar, mas a loira interrompe gritando:
"Você fique fora disso ... estou falando com esse idiota no seu colo!"
As 7 aldeias mais bonitas do Douro Vinhateiro
por VxMag
O Douro Vinhateiro é uma das mais belas paisagens de Portugal. Nas suas encostas produz-se um dos mais apreciados vinhos de Portugal, o vinho do Porto. O Douro é uma paisagem singular, notavelmente descrito por Miguel Torga nos seus poemas. Ao longo do vale deste rio, a população soube moldar e dominar as condições agrestes e proporcionar as melhores condições para que aqui nasça um produto com uma qualidade tão elevada como o vinho do Porto. É de facto notável este trabalho feito ao longo de vários séculos.Douro
Nas encostas do Douro existem várias aldeias, pitorescas e tradicionais, cujas populações se dedicaram (e ainda dedicam) à produção do vinho. Estas aldeias, pela sua peculiaridade, foram recentemente catalogadas como aldeias vinhateiras e fazem agora parte de uma rede que pretende ser mais um motivo para visitar esta belíssima região. Além da beleza da paisagem com as suas vinhas em socalcos, um dos pormenores que melhor caracteriza estas aldeias vinhateiras são os seus solares, casas senhorias que pertenciam às grandes famílias que comercializavam o Vinho do Porto. Estas são as aldeias mais bonitas do Douro Vinhateiro.
1. Provesende
Provesende é uma encantadora freguesia localizada no belo concelho de Sabrosa, na fértil região demarcada do Douro, onde se produz o afamado vinho do Porto. Situada num pequeno plateau, com vista para o belo rio Pinhão , esta é uma região de grande beleza natural, pautada pela forte tendência rural que tem subsistido ao longo dos séculos, sobretudo desde a criação da região demarcada do Douro, no século XVIII. Este é um local de antiga ocupação humana, como atestam os vestígios de um Castro Lusitano, que ainda hoje vale a pena visitar pelo belo panorama que apresenta.Provesende
Diz-se que o topónimo Provesende virá da antiga Lenda de Zaide. Zaide seria um Mouro, irmão de Jahia rei de Toledo, que habitaria no altaneiro Castelo de São Domingos, nas imediações de Provesende, antes conhecida como San Joanes. Certo dia o Castelo foi atacado pelas forças Cristãs, dando-se um massacre, perecendo todos os Mouros que ali habitavam, escapando-se o rei Zaide que, não obstante, foi apanhado mais à frente enquanto fugia, sendo torturado e assassinado. No momento de transe e sofrimento terá sido exclamado “Prove Zaide, prove Zaide!”, originando daí o topónimo “Provesende”. Vale a pena percorrer as típicas e calmas ruas de Provesende, onde encontramos o antigo Pelourinho, a barroca Igreja Matriz, a Fonte do século XVIII e as várias casas senhoriais e brasonadas, como as Casas da Praça, de Santa Catarina, do Campo, do Santo, dos Ribeiros, entre tantas outras que atestam o poderio económico dos férteis terrenos da região, que vêm na vinicultura a sua maior subsistência.
2. Favaios
Favaios é um aldeia pertencente ao concelho de Alijó, na região Norte do País, situada no sopé da bonita Serra do Vilarelho, tipicamente Transmontana. Esta aldeia de feição rural, de solos tão férteis, vê na viticultura a sua principal actividade, produzindo-se aqui um famoso vinho Moscatel que leva o nome da freguesia e desta região demarcada mais além. As origens desta freguesia são bem antigas e perdidas no tempo, pensando-se que aqui terá já existido durante os séculos I e II da nossa era uma comunidade Romana, provavelmente denominada de “Flavius”, tendo sido também povoada por Mouros, e posteriormente reconquistada nos inícios da formação da Nacionalidade Portuguesa.Favaios
Esta aldeia orgulha-se do seu interessante Património, de onde se destacam o que resta ainda hoje do Castelo Romano, maioritariamente troços das muralhas, e também da Igreja Matriz de São Domingos do século XIX, das Capelas de São Paio do século XVII, da de Santo António também do século XVII, da do Senhor Jesus do Outeiro (século XIX), da de Santa Bárbara de onde se desfruta uma vista fenomenal, ou mesmo da Quinta de São Jorge que alberga uma interessante Capela Românica. De facto, na região de Favaios não faltam as muitas casas Brasonadas e Solares, marcando a importância dos terrenos férteis na economia da região, muitas delas pertencentes aos grandes produtores dos afamados vinhos. Na calmaria da Serra do Vilarelho, e respirando um ambiente puro e rural, Favaios é conhecida também pela produção de Pão de qualidade, a segunda principal actividade da aldeia, a seguir ao tão cotado Vinho.
3. Ucanha
Ucanha é uma aldeia pertencente ao concelho de Tarouca, e classificada em 2001 como Aldeia Vinhateira do Douro. O nome Ucanha deriva de Cucanha, forma usada até ao século XVII, e que significa casebre ou lugar de diversão. Ucanha foi vila e sede de concelho até 1836, quando foi integrada no concelho de Mondim da Beira. A integração no actual município de Tarouca data de 1898. A aldeia fica localizada numa encosta que desce até ao rio Varosa (ou Barosa). O vale limitado pelas colinas arborizadas da Serra de Santa Helena apresenta um bonito enquadramento paisagístico.Ucanha
O principal ponto de interesse é a Torre de Ucanha, classificada desde 1910 pelo IPPAR como monumento nacional. A Torre proporcionava funções de defesa junto à ponte medieval, o controle de pessoas e bens e ainda a cobrança de portagens, cujos rendimentos beneficiavam o couto monegástico de Salzedas. As portagens foram contudo abolidas em 1504 e a torre perdeu grande parte da sua importância tendo o edifício entrado em declínio e usado como armazém de produtos. A ponte porém continuou a ser usada sendo um dos principais pontos de passagem do rio. Entre a antiga ponte e a nova existe uma praia fluvial.
4. Salzedas
Salzedas é uma freguesia portuguesa do concelho de Tarouca. O nome Salzedas provém do latim Saliceta que significa salgueiral, vegetação muito abundante nas margens do rio Varosa, que por ali corre. É de povoamento muito antigo. Por aqui passaram Lusitanos e Romanos, Suevos e Visigodos e, mais tarde, Muçulmanos.Mosteiro de Salzedas, da Ordem de Cister
A génese da sua história remonta ao lugar a que hoje se dá o nome de Abadia Velha e a sua povoação cresceu em torno do Convento de Santa Maria de Salzedas. O grande ex-libris é o Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Salzedas mandado erigir por D. Teresa Afonso, mulher de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques. De estrutura românica, completamente remodelado no século XVIII e a sua igreja sagrada no século XIII, representa um dos mais ricos e emblemáticos mosteiros de Portugal.
5. Trevões
Localizada no concelho de São João da Pesqueira, distrito de Viseu, a aldeia de Trevões é uma povoação com cerca de 21,55 km² de área e 540 habitantes (2011) que faz parte do roteiro das Aldeias Vinhateiras do Douro. Este roteiro, lançado em 2001 teve como objectivo principal a regeneração e valorização das aldeias do Douro Vinhateiro, através da revitalização sócio-económica, da fixação da população e a aposta no turismo.Trevões
Esta aldeia possui edifícios classificados como imóveis de interesse público e monumentos nacionais, como reflexo da sua outrora importância política na região, tendo sido sede de concelho entre o séc.XII e o séc. XIX, e constitui actualmente um interessante pólo turístico da região vinhateira do Douro, pela paisagem em que se insere e pela sua arquitectura que atravessa diversas épocas e estilos.
6. Barcos
Esta aldeia, famosa pelas suas belas vistas e pela igreja românica que ali existe, situa-se 10 km a sul do Douro e 5 km a oeste da sede do concelho, Tabuaço. Foi habitada desde tempos imemoriais, como comprova o castro de Sabroso, hoje dominado pela Capela de Nossa Senhora de Sabroso. Importante centro populacional na Idade Média, foi sede de concelho até ao século XIX e desse legado histórico guarda a Casa da Câmara, o Pelourinho e a Roda dos Expostos.Barcos
A igreja matriz, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, é um dos melhores exemplos da arquitectura tardo-românica, apresentando interessantes pórticos, com especial relevo para aquele que se encontra virado a sul numa das fachadas laterais. Na Primavera, vale a pena apreciar a vista sobre os campos de cultura que descem para o Douro. A aldeia está abrangida pelo recente Programa das Aldeias Vinhateiras do Douro.
7. São Xisto
Situada no coração da região classificada pela UNESCO como Património Mundial, São Xisto é um local encantado sobre o rio Douro! Localizada em Vale de Figueira, concelho de São João da Pesqueira, a aldeia é dominada por uma paisagem de cortar a respiração! Para apreciar esta aldeia, bastaria olhar em redor para os montes e vales, o Douro ali tão perto, tradicionais muros de pedra e os socalcos típicos das vinhas nas margens deste rio. Mas os seus encantos não ficam por aqui…São Xisto
Deixe-se deslumbrar, também, pelo património diverso desta bonita aldeia, que passam pela Capela de São Xisto, o Mirante Anjo Arrependido, a Fonte Centenária e as diversas casas típicas em xisto. Os locais a visitar, num passeio sem pressas, passam ainda pelos inevitáveis lagares de azeite e de vinho, ou não estivéssemos nas margens do Douro. O cais fluvial do Douro e a estação ferroviária de Ferradosa conferem ainda mais encanto a este local. A aldeia de São Xisto possui particularidades muito específicas ligadas à importância da vinha. Aqui domina, como o próprio nome indica, o xisto, a contrastar com o granito que toma conta da margem oposta.
Quando um Juiz processa um país , é Carnaval !
“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.” Albert Einstein
Criticar Neto de Moura não é uma faculdade, é uma obrigação, é um imperativo de cidadania. Conseguir fazê-lo, ante a fundamentação dos seus Acórdãos sobre violência doméstica, com humor, é pura arte.
Ser-se processado por Neto de Moura, por criticar a fundamentação dos seus Acórdãos sobre violência doméstica eivada de considerações preconceituosas, desrespeitosas para com as vítimas, atávicas, subjectivas, misóginas, por verterem concepções de comunhões conjugais que acomodam a normalização de episódios de “pancadaria” dignos da Ultimate Fighting Championship, entre o mais, não é mau. Outrossim, só significa que o putativo Demandado tem a capacidade de se indignar com aquilo que é motivo, justo e justificado, de indignação.
E, ao contrário do que, segundo se percebe, o Senhor Desembargador Neto de Moura acredita, o poder judicial não actua no vazio, as Setenças e os Acórdãos são direccionados a seres humanos (sim, ainda que Neto de Moura não tenha notado, as mulheres são seres humanos!), que reclamam a tutela de um direito ante um Tribunal.
O poder judicial tem uma vertente pedagógica junto da comunidade para quem administra Justiça. Pelo que, ao contrário do que Neto de Moura parece acreditar, as partes – e a comunidade onde estas se inserem - também julgam o Juiz, sempre que lhes chega à mão uma Decisão. Donde, o cidadão – que é Desembargador – Neto de Moura, sempre que prolata uma Decisão está vinculado à responsabilidade de expressão, dever esse inerente à correspondente liberdade, a qual também tem limites, mesmo quando se trata da liberdade de Neto de Moura.
Mas há mais e mais relevante: Neto de Moura também acreditava que estava acima da critica e que o caminho dos epítetos era uma via de direcção única. Mas não! Neto de Moura escreveu o que quis. Ora, como costuma acontecer nesses casos, ouviu as críticas que não queria ter ouvido.
É normal que assim seja nos Estados de Direito Democráticos. E nem há possibilidade para que o putativo Demandante, Neto de Moura, possa dizer que o desconhecia sem ter obrigação de conhecer, porque não há magistrados judiciais sem o curso de Direito e Direito Constitucional é lecionado logo no primeiro ano.
Neto de Moura deveria estar agradecido, porque vivemos num país de brandos costumes e as reacções à fundamentação dos seus Acórdãos sobre violência doméstica, a qual configura verdadeiras afrontas, surgiram, sobretudo, sob a forma de humor. Poderia ter-se dado o caso de os portugueses, que pagam os impostos com os quais é pago o vencimento do Senhor Desembargador, a fazer luz semelhante Jurisprudência, terem acatado a desvalorização que o próprio Neto de Moura fez, ao longo das páginas dos seus arestos, da violência sobre um seu semelhante.
Ainda assim, Neto de Mouro está ofendido.
Curiosamente, Neto de Moura diz que há uma diferença entre a critica e a ofensa. O mesmo Neto de Moura que nunca compreendeu, até hoje, a diferença entre ofender e fundamentar uma Decisão Judicial.
Se não, vejamos alguns exemplos:
Neto de Moura não respeita a autodeterminação sexual de cada um/a: divide as mulheres entre honestas e desonestas (as adúlteras), quando escreve num seu Acórdão “são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras”. Apanhar com uma moca, reclamar tutela judicial e acabar-se julgada, catalogada como adúltera e desonesta é ser-se ofendida na sua honra. Mas Neto de Moura não hesitou em subscrever estas ofensas, perpetradas contra uma mulher, vítima de violência doméstica.
Quando Neto de Moura conduzia sem chapas de matrícula e foi interceptado por uma patrulha da GNR, por não ter obedecido, voluntariamente, a uma ordem de paragem, foi denunciado ao Conselho Superior da Magistratura, acusado por de ter adoptado uma postura “provocatória, intimidatória e ofensiva”, ante aquelas forças da autoridade. Chama-se o caso à colação, porque seria nesse âmbito que Neto de Moura proferiria a espantosa generalização sobre a, por si alegada, tendência marginal - muito acentuada - para a mentira, por banda da polícia. Ora, Neto de Moura também não se apercebeu, nessa ocasião, que subscrevia uma ofensa à honra e à integridade moral e profissional dos polícias, ao afirmar que estes profissionais “geralmente” mentem.
Repristine-se, ainda, o caso em que as declarações da vítima, em juízo, são desconsideradas por Neto de Moura por não serem consideradas fidedignas já que se trata de declarações produzidas por uma mulher adúltera. Assim e como tal, o ser humano em causa é por este mesmo Juiz epitetada, numa sua Decisão, de “dissimulada, falsa, hipócrita, desleal, que mente, engana, finge. Enfim, carece de probidade moral”; “Não surpreende que recorra ao embuste, à farsa, à mentira para esconder a sua deslealdade e isso pode passar pela imputação ao marido ou ao companheiro de maus tratos.”. Mas uma vez mais o agora ofendido Neto de Moura não se apercebe que, com estas considerações, ofendeu a honra de alguém.
Que a conexão de Neto de Moura à realidade não era das melhores já todos/as tínhamos percebido, mormente porque os exemplos que supra se deixaram elencados davam conta disso mesmo, mas essa nossa convicção sai agora reforçada, quando percebemos que pretende amordaçar todo um país, que este Juiz considera que o ofende
Neto de Moura tem, obviamente, direito a lançar mão da via judicial, como qualquer cidadão/ã, conquanto não pretenda litigar de má fé, devido à sensibilidade que revela possuir em relação a si próprio, quando concomitantemente denota – nos seus Acórdãos - desprezar a daqueles que julga.
Não podendo negar que a sensibilidade existe, pelo menos a do primeiro tipo, resta desejar que, apesar da época ser carnavalesca, haja bom senso!
Ana Sofia de Sá Pereira
Advogada – Mestre em Direito
Porto, 04.03.2019
segunda-feira, 11 de março de 2019
sexta-feira, 8 de março de 2019
segunda-feira, 4 de março de 2019
Que vergonha , sotôra !

DIREITOS DAS MULHERES
A Mulher, o feminismo e a lei da paridade
Joana Bento Rodrigues
24/2/2019
Os movimentos feministas deviam inquietar-se com questões fundamentais, em especial as relacionadas com a vida laboral e a sua conciliação com o que é a natureza da mulher e as suas reais preocupações
A mulher dita feminista – a que integra as “tribos”, a que se deslumbra com as capas de revistas, a que se diz emancipada, a que não precisa de relações estáveis, a que não quer engravidar para não deformar o corpo nem perder oportunidades profissionais, a que frequentemente foge da elegância no vestir e no estar – optou por se objectificar, pretendendo ser apenas fonte de desejo em relações casuais, rejeitando todo o seu potencial feminino, matrimonial e maternal.
São estas três últimas, as características mais belas da mulher!
O potencial feminino refere-se a tudo o que, por norma, caracteriza a mulher. Gosta de se arranjar e de se sentir bonita. Gosta de ter a casa arrumada e bem decorada. Gosta de ver ordem à sua volta. Gosta de cuidar e receber e assume, amiúde, muitas das tarefas domésticas, com toda a sua alma, porque considera ser essa, também, a sua função.
O potencial matrimonial reside, precisamente, no amparo e na necessidade de segurança. A mulher gosta de se sentir útil, de ser a retaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem sucedido. Esse sucesso é também o seu sucesso! Por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário. Gosta, sim, que seja este a obtê-los, sendo para si um motivo de orgulho. Porquê? Porque lhe confere a sensação de protecção e de segurança. Demonstra-lhe que, apesar poder ter uma carreira mais condicionada, pelo facto de assumir o papel de esposa e mãe, a mulher conta com esse suporte e apoio do marido, para que nada falte. Por outro lado, aprecia a ideia de “ter casado bem”, como se fosse este também um ponto de honra. Naturalmente que o contrário não pode ser visto como menos meritório, em particular quando as oportunidades não são equivalentes. Assim, o casal, enquanto um só e actuando em uníssono, pode optar pela inversão destes papéis, que em nada diminuiu qualquer dos elementos, desde que movidos por objectivos comuns e focados no Amor.
O potencial da maternidade é algo biológico! A mulher é provida de um encanto, de uma ternura, que só se encontra na sua relação com os filhos. Ela é o porto de abrigo das crianças. Na maternidade, a mulher sente-se verdadeiramente realizada, pois percebe o que é o verdadeiro e incondicional Amor! Não espanta, pois, que não possa demitir-se dessa função e que a maternidade seja, por norma, um fortíssimo apelo, ainda que subconsciente. Mesmo quando não é mãe, a mulher é a “melhor tia do mundo”, a “melhor madrinha do mundo”. Nela reside a arte do cuidar e do mimar.
O feminismo, que lutou pela igualdade de direitos, pela possibilidade de a mulher poder votar, estudar e trabalhar fora de casa, deter iguais direitos laborais em relação ao homem, está longe de ser representado nos movimentos da atualidade. Pois, embora fazendo parte da natureza da mulher ser esposa e mãe, a “mulher moderna” revela também a necessidade de se completar com um papel social e de cidadania, que vê concretizado no trabalho e, se bem-sucedido, tanto melhor! Gosta de ver reconhecido o seu esforço e mérito profissionais, mas sabe também que poderá ter de fazer escolhas para cumprir com os restantes papéis.
Quantas mulheres estarão dispostas a abdicar da maternidade e de um casamento feliz, em nome de uma carreira de sucesso? Dificilmente poderão estar em pé de igualdade com o homem, que mais facilmente dedica horas extra ao trabalho, abdicando do tempo em Família, em nome da progressão laboral e, está claro, daquilo que é um apelo mais masculino, o do sucesso laboral. É isto discriminação? Não, são escolhas!
A sabedoria popular bem o diz: “Não se pode ter tudo”! Não espanta, assim, que haja menos mulheres em cargos políticos e em posições de poder. A mulher escolhe-o naturalmente, ao dedicar menos tempo que o homem às causas partidárias e ao estudo da História e da actualidade, enquanto conhecimento necessário para defender e representar uma Nação.
É certo que é mais difícil ascender profissionalmente num meio masculino, consequência inevitável desta dinâmica social, mas que na sociedade ocidental tanto se tem esbatido nas últimas décadas, em resultado do esforço de muitas mulheres que mostraram, na prática, o que conseguem fazer e alcançar, com a sua enorme inteligência social e emocional. Prova disso é a representatividade feminina no ensino superior no nosso País, na medicina e na advocacia, que já ultrapassa de forma preocupante a masculina!
Por isso, os movimentos feministas deveriam inquietar-se, sim, com questões fundamentais, particularmente as relacionadas com a vida laboral e a sua conciliação com o que é a natureza da mulher e as suas reais preocupações. Contudo, o activismo feminista actual não procura satisfazer o que as mulheres precisam, mas apenas o que pretende uma poderosíssima minoria de mulheres. Este activismo tornou-se, inclusivamente, desprestigiante para a mulher. Priva-a da possibilidade de ascensão social e profissional pelo mérito. Retira-lhe a doçura e candura. Nega-lhe o papel fundamental do matrimónio e da maternidade. Objectifica a mulher, enquanto presa para sexo fácil e espaço de diversão. Promove paradas onde se expõe o corpo de forma grosseira e agreste à visão. Claramente, não representa a “mulher comum”!
A mulher é um ser belíssimo e extraordinário, que já provou conseguir alcançar sonhos e objectivos, sem necessidade de leis movidas por comiseração. A mulher não precisa de quotas obrigatórias para poder aceder à participação na vida política.
Por tudo isso, declaro-me anti-feminista e contra a nova Lei da Paridade!
Médica. Membro da TEM/CDS.
A autora escreve em português correcto, rejeitando a grafia do AO90.
domingo, 3 de março de 2019
"O Arthur foi um menino que sofreu muito bullying na escola, porque era neto do Lula. Por isso, eu tenho um compromisso com você, Arthur: vou provar a minha inocência e quando eu for para o céu, vou levando o meu diploma de inocente. Vou provar quem é ladrão neste país e quem não é. Quem me condenou não pode olhar nos olhos dos netos como eu olhava para você."
Lula, 02/03/2019

EX-GUITARRISTA DOS PINK FLOYD APOIA NICOLÁS MADURO
VENEZUELA 01-03-2019 10:33
O músico e ativista Roger Waters voltou a ser comentado nas redes sociais, depois de assumir o seu posicionamento em relação ao conflito político na Venezuela.
Roger gravou um vídeo, que publicou no Twitter, para o show «Hands Off Venezuela», organizado por Nicolás Maduro, numa resposta a um outro evento, em território colombiano, pelo autoproclamado presidente Juan Guaidó
«Quero dizer algo para vocês, povo da Venezuela. Admiro vocês desde 1998 e até antes disso. Sou um grande advogado das ideias de Simon Bolívar, um grande pensador, revolucionário, progressista, humanista, homem e líder. Daqui de longe, vejo-vos a resistir a todas as tentativas de poderes imperiais de destruir a revolução», disse Waters.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





Douro
Provesende
Favaios
Ucanha
Mosteiro de Salzedas, da Ordem de Cister
Trevões
Barcos
São Xisto
