sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Marmelada caseira da avó (o segredo)











Posted on Setembro 27, 2019 by Receitas Fáceis


O segredo de uma marmelada caseira e deliciosa à moda antiga!

Lave os marmelos, retire-lhe a casca e os caroços e corte-os em pedaços.
Leve-os a cozer com um pouco de água, uma casca de limão e um pau de canela.

Depois de cozidos, retire a casca do limão e o pau de canela e escorra-os bem. Reduza a puré no passe vite.

Pese a polpa e misture igual quantidade de açúcar. Leve ao lume, mexendo sempre, deixando ferver até fazer ponto estrada. Deite em tigelas.

Pincele o papel vegetal cortado pelo diâmetro das tigelas com aguardente e cubra com ele a marmelada.

Dicas Receita tradicional. A tendência actual é para reduzir a quantidade de açúcar.

Fonte http://invitaminerva45.blogspot.pt

A angústia de um médico a fazer Serviço de Urgência




18 setembro 2019

Nas Redes Sociais há grupos e páginas cuja temática das intervenções é o trabalho dos vários profissionais de Saúde nos nossos Serviços de Urgência.

Uma delas é o "Pérolas da Urgência", do qual reproduzimos uma intervenção que reflecte a realidade nua e crua

No meio de uma urgência caótica, às quatro da manhã, rodeado de doentes em choque séptico, familiares completamente descompensados e colegas mais novos que pedem autorização para prescrever um paracetamol (e bem!), dou por mim a pensar:

"É mesmo isto que eu quero para a minha vida ?"

Dou por mim a afogar-me no meio de um sistema viciado, corrompido, que serve apenas para servir os interesses de alguns, alguns esses que, por sinal, não incluem nem os doentes nem a maior parte dos profissionais que nele trabalham. Dou por mim a olhar à minha volta e a ver uma instituição moribunda, repleta de quintas, onde cada um se esforça acima de tudo para proteger a sua própria propriedade, desprovido de qualquer tipo de interesse em fazer com que as coisas mudem para melhor. Dou por mim envolvido numa engrenagem na qual são os piores de nós que se destacam. Os mais sacanas, aqueles que passam por cima de mais gente para chegar onde querem, aqueles que querem saber de tudo menos do bem estar dos doentes e utilizam a sua nobre arte para enaltecer o seu próprio ego frágil e alimentar as suas inseguranças. Aqueles que fazem tudo para silenciar os poucos que ainda se insurgem e tentam explicar que é possível fazer com que o Serviço Nacional de Saúde funcione melhor, para todos.

Dou por mim a trabalhar oitenta horas por semana quando poderia trabalhar no privado e ganhar o mesmo em metade do tempo. Dou por mim a ter de justificar a uma família furiosa porque é que a TAC que foi pedida há duas horas ainda não foi realizada quando se há alma que não tem culpa disso sou eu. Dou por mim a pensar que nessas mesmas duas horas, no privado, o doente já tinha feito a TAC e já se encontrava de receita na mão, desfeito em sorrisos e agradecimentos pelo bom tratamento que recebeu na instituição. Dou por mim a procurar infindavelmente doentes que não respondem à chamada e podem estar perdidos por esses corredores do Hospital a fora, simplesmente porque não existe nenhum profissional destacado e capaz de os orientar até ao meu gabinete de observação. Dou por mim a levar com os gritos de um doente com uma cólica renal, por estar há cinco minutos à espera que eu consiga sequer aproximar-me dele sem ser abordado por trinta pessoas que querem saber resultados de análises, onde fica o raio-X, quanto tempo falta para serem atendidos, etc.

Dou por mim a fazer o melhor que sei, que posso e que consigo com as condições que me são oferecidas, em nome dessa nobre criação que é o SNS. Dou por mim a achar que sou masoquista por continuar a achar que o meu futuro continua a ser o SNS, que lá é que se está bem, que não posso abdicar de uma carreira hospitalar, mesmo que não consiga justificar o porquê de achar isso. Dou por mim a olhar para os meus colegas e a ver gente acabada, farta, olheirenta, desmotivada, que se continua a arrastar pelos corredores a tentar fazer com que as coisas vão funcionando. Ou pior do que isso, acomodados. Esses são os piores, os acomodados. Aqueles que acham que está tudo bem, que o SNS tem pequenas falhas como qualquer sistema, mas que é nosso dever aguentar com e corrigir essas mesmas falhas, nem que seja em prejuízo da nossa própria saúde mental ou física. Aqueles que acham que sofrer faz parte da beleza de ser médico. Que abdicar de tempo de qualidade com a família e os poucos amigos são ossos do ofício. Que faz parte. É suposto. Sempre foi assim e, portanto, se eles tiveram de passar por isso nós também temos.

Dou por mim a fazer um paralelismo entre o SNS e o álbum conceptual dos Pink Floyd denominado Animals (por sua vez inspirado na obra de George Orwell, Animal Farm). Nele, a sociedade encontra-se dividida essencialmente em três escalões, ou castas. Os porcos são quem manda. Têm a seu mando as ovelhas, que são aquela franja da população que simplesmente se está nas tintas e não quer saber. Por fim, os cães são quem tenta agitar o sistema e retirar os porcos do poder, apenas para no fim perderem a batalha contra as ovelhas e terem de se retirar para evitar ser chacinados.

Pois bem, amigos e amigas, sinto-me um autêntico cão no SNS. Os poucos de nós que vão persistindo tentam aguentar as investidas dos porcos e das ovelhas até ao dia em que se fartam e abandonam o barco. Ou, neste caso, a quinta.

Começo a achar que chegou a minha hora de os acompanhar. Eu não preciso disto. Não preciso de me sujeitar a estas condições de trabalho que roçam o deplorável. Não preciso de continuar a dar a cara por erros e incompetências que não fui eu que cometi. Não preciso de continuar a ser vilificado por tentar mudar aquilo que acho que está mal, de forma a tornar o SNS um sítio minimamente agradável e motivante para todos, em vez de ser só para alguns. Não preciso de continuar a passar mais tempo no hospital do que em casa para poder almejar a ter um estilo de vida próximo daquele que sonhei ter e para o qual me esforcei. Não preciso de continuar a sentir que devo alguma coisa ao meu país, aos contribuintes ou aos doentes, porque já paguei o que devia. Com juros. Não preciso de me continuar a colocar a mim e aos meus em último lugar. Não preciso de continuar a sair mais tarde do que devia. Não preciso de continuar a fazer as funções de outros para que o sistema funcione. Não preciso de continuar a abdicar do meu bem-estar para que o sistema funcione. Não preciso de continuar a achar que para ser médico é preciso ser infeliz e miserável.

Estou desmotivado. Estou muito desmotivado. Ainda acredito no Serviço Nacional de Saúde. Até quando é que eu não sei.

Fonte: Pérolas da Urgência

domingo, 22 de setembro de 2019

Ágatha Félix, assassinada pelo estado terrorista brasileiro. As mãos do governador do Rio estão sujas de sangue. O que faremos? Temos que fazer algo. Essa matança racista do povo das favelas não pode continuar. Isso é #genocídio. As Favelas cariocas foram transformadas em campos de extermínio como os da Alemanha Nazista. Witzel/Hitler precisa ser controlado. Encontrei esse trecho de Adorno quando ele se perguntava por que Auschwitz não cessa de se repetir: “ Se a barbárie encontra-se no próprio principio civilizatório, então pretender se opor a isso tem algo de desesperador. A reflexão a respeito de como evitar a repetição de Auschwitz é obscurecida pelo fato de precisarmos nos conscientizar desse elemento desesperador, se não quisermos cair presas da retórica idealista. Mesmo assim é preciso tentar, inclusive porque tanto a estrutura básica da sociedade como os seus membros, responsáveis por termos chegado onde estamos, não mudaram nesses vinte e cinco anos. Milhões de pessoas inocentes - e só o simples fato de citar números já é humanamente indigno, quanto mais discutir quantidades - foram assassinadas de uma maneira planejada. Isto não pode ser minimizado por nenhuma pessoa viva como sendo um fenômeno superficial, como sendo uma aberração no curso da história, que não importa, em face da tendência dominante do progresso, do esclarecimento, do humanismo supostamente crescente. O simples fato de ter ocorrido já constitui por si só expressão de uma tendência social imperativa.”
Entendem onde estamos e para onde vamos? Estão cientes da nossa responsabilidade diante do fascismo? Ágatha está morta, assasinada, e não podemos aceitar isso. Nem o exterminador como governador! #genocide #blackgenocide /// Ágatha Félix, murdered by the Brazilian terrorist state. The hands of the governor of Rio are dirty with blood. What will we do? We have to do something. This racist killing of the people of the favelas cannot continue. This is #genocide. The Favelas cariocas were transformed into extermination camps like those of Nazi Germany. Witzel/Hitler needs to be controlled.




quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Jimi Hendrix , o melhor guitarrista da históriado rock .



Um dia como hoje, em 1970, morreu o lendário guitarrista, cantor e compositor norte-Americano Jimi Hendrix, aos 27 anos, num hotel em Londres. De acordo com o médico que o atendeu inicialmente, Hendrix morreu sufocado em seu próprio vômito, composto principalmente de vinho tinto. No entanto, a sua morte é objeto de controvérsia até hoje. Nascido em 27 de novembro de 1942, em Seattle, (EUA). Uu. ), o hendrix é considerado pelos críticos e músicos como o melhor guitarrista da história do rock e um dos músicos mais importantes e influentes do seu tempo. Depois de chegar ao sucesso na Europa, alcançou a fama nos Estados Unidos com a sua atuação em 1967 no festival pop de monterrey. Três anos mais tarde hendrix liderou o lendário festival de woodstock em 1970. A sua carreira tinha começado a decolar em 1966, quando foi descoberto por chas chandler, baixista de grupo britânico the animals, que o levou para Inglaterra, onde Jimmy assinou um Contrato de produção e formou uma nova banda, the Jimi Hendrix Experience. As suas primeiras performances em Londres foram um sucesso. Com músicas como " Purple Haze ", " The Wind choro Mary " e " hey Joe ", alcançou o top 10 em 1967. Ao mesmo tempo, as performances do Hendrix se tornaram ainda mais explosivas. Em março desse ano, ele foi levado para o hospital com queimaduras depois de atear fogo a sua guitarra pela primeira vez no teatro astoria de Londres. No Festival Pop de monterrey, Hendrix voltou a queimar e quebrar a sua guitarra. O Hendrix tinha problemas sérios com drogas e álcool. Esta explosiva combinação deu lugar à sua detenção no início de 1968, em Estocolmo, depois de destruir um quarto de hotel. Pouco depois hendrix decidiu voltar para a América e criar o seu próprio estudo em Nova York, chamado "Electric Lady". antes de sua morte, hendrix começaria um novo projeto com uma banda chamada help (Hendrix, Emerson, Lake & Palmer).
Fonte: hoje na história.
Jimi Hendrix por Christopher Clark.




domingo, 15 de setembro de 2019

Alquimista de mim



As pessoas sensíveis são feitas de pedaços. Pedaços de dor e pedaços de ternura, de risos e lágrimas compostos.
Cada pedaço meu tem um nome, um nome próprio. Sei de cor os nomes de todos os meus pedacinhos. Aprendi-os bebendo do seu mel e do seu fel, colherada a colherada, até se converterem neste mar, misto salgado e doce, que há em mim. .
E porque as pessoas sensíveis são feitas de pedaços, só elas possuem poções mágicas e, com o tempo, ficam mais ricas. Mais ricas de lágrimas, mas de ternura também. E as lágrimas salgadas são o elixir, que lhes transforma e adoça a alma.
Agora, sempre que rio ou choro, os risos e as lágrimas que solto são porções dessa poção mágica que compõe a alquimia que existe em mim.
Por isso, não perguntes por quem rio ou choro. É sempre por ti, também!


Rosa Santos

Arte - Gustav Klimt




sábado, 14 de setembro de 2019

Billie Marten - Peach

Pink Floyd - Wish You Were Here (Eternal Sunshine of the Spotless Mind) ...

Commodores - Three times a lady (TRADUÇÃO)

As Vezes no Silencio da Noite.(Caetano veloso)



Porque há sonhos que nunca se cansam
alo-me na fome que aperta o peito
e faço-me ao mar, de feição.
Há voos que encontram o alimento
no pulsar do próprio coração.


De que matéria animada
se tece a vontade?


De que chama infinita se alimenta a esperança?

Rosa Santos




Tenho Fome da Tua Boca


Tenho fome da tua boca, da tua voz, do teu cabelo,
e ando pelas ruas sem comer, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desconcerta,
busco no dia o som líquido dos teus pés.

Estou faminto do teu riso saltitante,
das tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra das tuas unhas,
quero comer a tua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado na tua formosura,
o nariz soberano do rosto altivo,
quero comer a sombra fugaz das tuas pestanas

e faminto venho e vou farejando o crepúsculo
à tua procura, procurando o teu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratue.

Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor"

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

A Noite na Ilha


Dormi contigo toda a noite
junto ao mar, na ilha.
Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.

Os nossos sonos uniram-se
talvez muito tarde
no alto ou no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento agita,
em baixo como vermelhas raízes que se tocam.

0 teu sono separou-se
talvez do meu
e andava à minha procura
pelo mar escuro
como dantes,
quando ainda não existias,
quando sem te avistar
naveguei a teu lado
e os teus olhos buscavam
o que agora
— pão, vinho, amor e cólera —
te dou às mãos cheias,
porque tu és a taça
que esperava os dons da minha vida.

Dormi contigo
toda a noite enquanto
a terra escura gira
com os vivos e os mortos,
e ao acordar de repente
no meio da sombra
o meu braço cingia a tua cintura.
Nem a noite nem o sono
puderam separar-nos.

Dormi contigo
e, ao acordar, tua boca,
saída do teu sono,
trouxe-me o sabor da terra,
da água do mar, das algas,
do âmago da tua vida,
e recebi teu beijo,
molhado pela aurora,
como se me viesse
do mar que nos cerca.

Pablo Neruda, in "Os Versos do Capitão"

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Silvia Pérez Cruz canta a y con Joan Manuel Serrat 2018 (50´HD)

Posologia



da vida tenho provado
doses ousadas de paixões,
daquelas que marcam fundo,
mesmo que efémeras,


daquelas que abrem caminhos
mesmo quando não levam
a lugar algum

tenho provado da vida
doses amargas de solidão,
daquelas que fazem da paixão
relógio de ponteiros cansados

da vida tenho provado
doses de sentimentos confusos
que as noites me servem
em goles desesperados

daqueles que viram tudo
de pernas pro ar
e depois se vão
no lamento do vento

tenho provado da vida
doses ousadas de paixão
mas do sonho,
eu sempre bebo a dose exacta.

Ademir Antonio Bacca
em “O Relógio de Alice”




quarta-feira, 4 de setembro de 2019



"Deve existir algo extranhamente sagrado no sal: está em nossas lágrimas e no mar..."
Khalil Gibran

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Triste com a destruição da Amazônia, o escritor Milton Hatoum escreve poema sobre a floresta


1 de setembro de 2019 Mônica Nunes




“Não consigo olhar fotos que mostram incêndios na Amazônia”, desabafou o escritor Milton Hatoum para o jornalista Ubiratan Brasil, de O Estado de São Paulo, jornal do qual é colunista. Desde 1999, ele mora na capital paulista, mas seus livros revelam o quanto “suas raízes continuam fincadas” de forma profunda em Manaus, onde nasceu.

Como Hatoum contou na conversa, seus romances falam de uma cidade que não existe mais e também relatam os problemas da devastação. “O urbanismo em harmonia com a floresta acabou nos anos 1980. A cidade que está lá hoje é uma das mais desiguais do Brasil”.

Desde os anos 1970, aponta para os problemas da devastação. Em 1977, seus versos (livro Amazonas)também denunciavam a destruição das crenças, dos rituais e das aspirações da população amazonense.

Agora, para lamentar os incêndios que destroem a floresta, Hatoum escreveu o poema O Fim que Se Aproxima, publicado por O Estado em primeira mão e que reproduzimos abaixo. Em seguida, vídeo em que ele declama seus versos, editado por Everton Oliveira com fotos de Gabriela Biló.

Atento à realidade brasileira, esta não é primeira vez que Hatoum se engajado com seu talento. Em novembro de 2015, ele participou de uma mobilização pelo clima escrevendo e declamando poesia inspirada nas agruras das mudanças climáticas, mas principalmente na tragédia do Rio Doce, devastado pela lama tóxica da mineradora Samarco.
O fim que se aproxima



Amazonas: mito grego
menos antigo que os mitos da Amazônia.

Os que vivem no Cosmo há milênios
são perseguidos por mãos de ganância,
olhos ávidos: minério, fogo, serragem, fim.

Quem são vocês,
incendiários desde sempre,
ferozes construtores de ruínas?

Os que queimam, impunes, a morada ancestral,
projetam no céu mapas sombrios:
manchas da floresta calcinada,
cicatrizes de rios que não renascem.
atrás da humanidade amazônica?

Que triste pátria delida,
mais armada que amada:
traidora de riquezas e verdades.

Quando tudo for deserto,
o mundo ouvirá rugidos de fantasmas.

E todos vão escutar, numa agonia seca, o eco.

Não existirão mundos, novos ou velhos,
nem passado ou futuro.

No solo de cinzas:
o tempo-espaço vazio.

Por que destruíram a Líbia e mataram Gaddafi?


Publicado em julho 4, 2016 por LUIZ MÜLLER64 


A matéria a seguir foi originalmente publicada na revista SCHVEIZ MAGAZIN e a Tradução publicada pelo Nilson Lage no seu perfil no facebook. Ela é de 2011, época do início das tais “revoluções coloridas” patrocinadas por organizações internacionais e que destruíram países árabes inteiros e até agora destroem a Síria. Mas as revoluções coloridas continuam e agora tentam ceifar democracias e avanços sociais na América Latina, incluindo o Brasil, onde patrocinam o Golpe em andamento. Leia o artigo. Há alguma similaridade com o Brasil. Leia, pense e ajude a desconstituir o golpe em marcha e retomar a construção do Brasil com Inclusão Social, que esta agora suspenso pelo Golpe (Comentário do Blogueiro)







“Agora se sabe , item por item, tudo que o tirano Gaddafi fez com seu povo. Eis uma lista de atrocidades a que os líbios foram submetidos por quatro décadas:.
1. Não havia conta de luz na Líbia. A eletricidade era grátis para todos os cidadãos.
2. Não havia juros sobre empréstimos. Os bancos oficiais oferenciam subsídios iguais para todos. Era lei.
3. Ter uma casa era considerado direito humano.
4. Todos os recém-casados na Líbia recebiam US$ 50 mil, o bastante para aa compra de seu primeiro apartamento. Era o presente do governo às novas famílias.
5. Educação e tratamentos médicos eram grátis na Líbia. Antes de Gaddafi chegar ao poder 25 por cento dos líbios eram alfabetizados. hoje o número é de 83 por cento.
6. Terras aráveis, uma casa rural, ferramentas, sementes e gado livre eram oferecidos a quem quisesse ser agricultor.
7. Se um líbio não encontrasse escolas ou instalações médicas de que necessitasse poderia buscá-las no estrangeiro com a ajuda de fundos do Estado, que oferecia, para isso US $ 2.300 por mês destinados a alojamento e transporte.
.8. Se um líbio comprasse um carro, o governo subsidiava metade do valor.
9. A gasolina custava 12 centavos de dólar (cerca de R$0,40) o litro.
10. Se um líbio terminasse a graduação universitária e não achasse colocação, o estado pagava o salário médio de sua profissão em que ele encontrasse emprego tecnicamente adequado.
11. A Líbia não tinha dívida externa e as reservas, que totalizavam |US$ 150 bi, foram dividas pelas potências de ocupação entre si.
12. Uma parcela da venda de petróleo da Líbia era creditada diretamente nas contas de todos os cidadãos da Líbia.
13 Mães que davam à luz uma criança ganhavam US $ 5.000.
14. Um quarto dos líbios têm um diploma universitário.
15. O Grande Rio Artificial para abastecimento das lavouras e cidades líbias é o maior projeto de encanamento da água potável do mundo.
Graças a Deus Otan e os rebeldes devolveram a liberdade ao povo líbio.”
(fonte: Schweiz Magazin, Suíça)

domingo, 1 de setembro de 2019


Um abraço tão justo, tão justo

um kit ternura.

Vem composto
de um beijo molhado e aquecido
no ponto ideal.
Para não causar resfriado
nem queimadura de terceiro grau.

Uma mordiscada
para ser usada por perto da nuca,
de preferência sempre perfumada;
um sussurro na orelha,
no lado de trás,
onde o arrepio se satisfaz;

um abraço tão justo, tão justo,
que o coração pode levar um susto
com medo de ser atropelado;

um carinho tão preciso
que lhe faça desvestir o juízo,
e de tal habilidade,
que, a cada ausência minha
possa servir para matar a saudade.

Um aviso
para ser colado à testa
e em toda fresta que você tiver:

"Tem dono".

Flora Figueiredo




WITHOUT YOU ( Nilsson ) 1972.wmv Subtitulos en Español

sábado, 31 de agosto de 2019

Molotov de café



Preparação:


Ligue o forno a 180º C. Encha o tabuleiro do forno com água até meio.

Depois, coloque-o dentro do forno, para cozer o molotov em banho-maria.

Bata as claras em castelo firme; junte o açúcar e continue a bater, até obter um batido fofo.


Envolva o café, aos poucos e delicadamente.

Verta numa forma bem caramelizada e leve a cozer, em banho-maria, sobre o tabuleiro.


Depois de pronto, abra a porta do forno e só retire o molotov depois de arrefecer um pouco.

Desenforme e sirva com um pouco de café e caramelo líquido.





faz um tempo
Que percebo
Os sois
E girassois
De outra maneira
Faz um, que percebo
O peso da minha alma
Em meus olhos
Faz sim..
Um tempo
Que... Percebo
Que näo é
O tempo que passa
E sim nós
Que
Passamos.


Yanna Lilian




Ed Sheeran - Photograph • Me Before You

CONFIDÊNCIA



Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com suavidade
...para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça


Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno


Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci

Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos

No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome

Mia Couto

In My Secret Life - Leonard Cohen [LYRICS]

LEONARD COHEN ~ LOVE ITSELF



. . . yes , I love you . . . cause I need you . . .

domingo, 25 de agosto de 2019

Quantas saudades , Carmen . . .


Ouço vozes

além de mim, abstraio

pincelo cores,
amores, sabores

luz de Ser
remendo o vão do pensamento…

e por tanto enganar o nada,
é que vivo …

Carmen Silvia Presotto
Vidráguas

Emilú and I

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Mazzy Star - Full Concert - 10/02/94 - Shoreline Amphitheatre (OFFICIAL)

Manuel Louzã Henriques


CAPAS DE REVISTAS

OPINIÃO|MEMÓRIA

O ouro e a lata



Jorge Seabra

POR JORGE SEABRATERÇA, 13 DE AGOSTO DE 2019

Não tenho esperança de ver a foto de Manuel Louzã Henriques, o velho leão da Liberdade, a ocupar toda a capa da revista do Expresso, a mesma que dá um contrastante destaque a uma extensa entrevista com José Miguel Júdice.



Manuel Louzã Henriques (1933-2019). Foto de arquivo.Créditos/ youTube

Após épocas de libertação, há, nas sociedades saídas de regimes ditatoriais ou dos sacrifícios das guerras, aquilo que se pode designar por «injustiça histórica» na descrição do passado, numa avaliação emocional que relega para segundo plano a frieza dos interesses e novas relações de poder, que recriam enviesamentos construindo um mundo virado ao contrário.

Vem isso a propósito das figuras que em cada época «oficialmente» se homenageiam ou destacam, e do significado político e cultural que esse facto tantas vezes reflecte, passando, numa mensagem de aparente normalidade, as mais extremas manifestações de intolerância e facciosismo.

Talvez o tema deste texto tenha começado por ser uma expressão da vontade de falar do desaparecimento de mais um pilar da cultura humanista do nosso país, símbolo de ouro dos valores que devem reger o mundo mais justo que todos dizem querer construir: Manuel Louzã Henriques.

A notícia do seu falecimento surgiu em alguns órgãos de comunicação social, repercutindo-se também nas redes sociais sem, no entanto, ter tido a devida relevância alargada e oficial que o próprio – com o «obstinado receio de ser vedetizado ou de construir a própria estátua», na escrita de Manuela Cruzeiro e Teresa Carreiro, coordenadoras-autoras do livro Manuel Louzã Henriques – Algures com meu(s) imão(s) – seguramente não desejaria.

«Manuel Louzã Henriques [foi um] espírito brilhante e animador do associativismo cultural e desportivo estudantil na transição dos anos 50-60 do século passado, preso e torturado pela PIDE ainda jovem, conhecedor dos cárceres do Aljube, de Caxias e de Peniche, médico proibido de integrar os hospitais públicos pela ditadura, candidato da Oposição em 62 e activo participante em muitas outras eleições e iniciativas ligadas ao progresso político e cultural do país»

Infelizmente, o apagamento de figuras de excepção meramente por razões políticas é já um hábito. Nada que não tenha acontecido com outras personalidades marcantes da sociedade portuguesa, que se diz querer culta e democrática, mas onde se diminui ou abafa alguns símbolos maiores da cultura e da resistência à ditadura, como Mário Sacramento, intelectual de primeira água, figura tutelar dos Congressos da Oposição em Aveiro (cujo cinquentenário da morte passou quase despercebido), e se estende até ao nosso único Nobel da Literatura, a quem, em tempos, a coligação PSD-CDS liderada por Rui Rio, negou dar o nome a uma rua da Cidade Invicta.

Explicação? Verdadeiro sectarismo político de quem se diz democrata, explorando velhos preconceitos anticomunistas.

É com isso que a direita dos grandes interesses se alimenta, qualquer que seja o nome mais ou menos civilizado ou social em que se acoberta para lhe roubar o apoio e o voto, manipulando a consciência da maioria da população que trabalha.

Sem fazer um juízo de valor (muito menos elogioso) sobre a qualidade dos programas, gostaria de ter visto Manuel Louzã Henriques em debates na TV, como os da «Quadratura do Círculo», do «Eixo do Mal», do «Último Apaga a Luz», do «Governo Sombra», ou em outros onde a esquerda marxista mais coerente está sempre excluída e os seus argumentos arredados do grande público.



Faleceu Louzã Henriques

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Teria sido certamente um privilégio ouvir, nesses debates, a visão aberta e tolerante do mundo de Louzã Henriques, o Manel ou o Louzã para os (imensos) amigos e admiradores, espraiando a sua enorme cultura e a alegria de transmitir as raízes, os interesses e as expressões do povo que tanto amou, com o dom da sua verve encantatória, sempre profunda e rigorosa, que convocava quem o ouvia a pensar.

«Afinal, num mundo tão agreste, soubeste passear-te por vidros partidos, aguentar os balanços, num roteiro ideológico e humanista de que nunca te desviaste, nem mesmo quando a vida te sujeitou a provações muito cruéis. Também por isso muitos são os que admiram a tua coragem, virtudes cívicas, coerência em todas as dimensões, não só a política (de que soubeste fazer um acto de amor ao Povo), mas de tantas outras que fazem de ti um guerreiro do inconformismo, das paixões, da generosidade, dos afectos, mas também da mágoa, da crítica, do desassossego».

Estes são apenas fragmentos soltos recolhidos das palavras das autoras do livro atrás citado, que não esgotam a densa personalidade de Manuel Louzã Henriques, espírito brilhante e animador do associativismo cultural e desportivo estudantil na transição dos anos 50-60 do século passado, preso e torturado pela PIDE ainda jovem, conhecedor dos cárceres do Aljube, de Caxias e de Peniche, médico proibido de integrar os hospitais públicos pela ditadura, candidato da Oposição em 62 e activo participante em muitas outras eleições e iniciativas ligadas ao progresso político e cultural do país.

Criterioso coleccionador de instrumentos musicais, de máquinas de escrever, de costura, de fotografia, de alfaias agrícolas e instrumentos de trabalho nos campos (os últimos expostos no Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques), da enorme perda dessa personalidade notável, fica-nos «a imagem de um leão benévolo, irónico, bem humorado», como escreveu Fernando Martinho, do «ilustre psiquiatra apaixonado pela Antropologia e Etnografia, formador de gerações de psiquiatras, senhor de uma cultura que se diria enciclopédica, melómano e músico, piloto-aviador, jogador de râguebi, generoso e solidário, militante clandestino do seu PCP de sempre. A ninguém, como a Louzã veste tão bem a consigna que Marx também fez sua: “nada do que é humano me é estranho”».

Foi esse saber enciclopédico e telúrico que permaneceu escondido do grande público pela comunicação social dominante que, em outras áreas, também exclui gente como Sérgio Ribeiro, Avelãs Nunes, Eugénio Rosa ou o saudoso Miguel Urbano Rodrigues (com obra internacionalmente firmada sobre a complexa realidade da América Latina ou do Afeganistão), prefigurando uma verdadeira estratégia de censura política.

«A transição autoritária começa quando se degrada a democracia. E quando termina? Termina quando não há democracia»

MANUEL LOFF, HISTORIADOR

Manuel Loff, conhecido historiador, refere, numa entrevista à Pública, agência brasileira de notícias: «Quando falamos de regimes fascistas e regimes democráticos, falamos de processos de construção permanente da democracia e do fascismo. (…) A transição autoritária começa quando se degrada a democracia. E quando termina? Termina quando não há democracia».

Como também afirma, «nunca, em momento algum, ele (o fascismo) nasceu ou se consolidou apenas com fascistas. Todas as soluções autoritárias se sustentam mais sobre o apoio, sobre a intimidação e o medo, ou a indiferença dos demais. (…) A indiferença é tão central na sustentação de um regime quanto é o nível de apoio».

É contando com essa indiferença que a revista do Expresso de 20 de Julho de 2019, dá um contrastante destaque a uma extensa entrevista com José Miguel Júdice, outro natural de Coimbra, a propósito de um acontecimento tão importante para os portugueses como o facto de o entrevistado ir abandonar a advocacia das empresas para se dedicar à lucrativa arbitragem de grandes negócios internacionais.

É sempre de evitar a «fulanização» na avaliação das sempre complexas expressões sociais e políticas da nossa sociedade, mas há situações que pela sua exemplaridade o merecem.

Na capa da revista do Expresso, a fotografia de José Miguel Júdice a corpo inteiro serve de fundo para a bombástica citação: «o que me preocupa é o combate entre a democracia e a liberdade». E a entrevista, que ocupa dez páginas interiores, arranca com nova fotografia e o subtítulo «a sua biografia atravessa e confunde-se com a democracia».

Poder-se-ia pensar que se estava a entrevistar um velho lutador pela liberdade, como Louzã Henriques.

Mas José Miguel Júdice, que agora insulta e dá lições de moral e de democracia na TV aos que mais se sacrificaram para que ela exista, foi um assumido dirigente da extrema-direita do antigo regime, vice-presidente, enquanto estudante, da detestada Comissão Administrativa nomeada por Salazar para tomar conta da Associação Académica de Coimbra, depois da prisão e expulsão, em 1965, dos seus dirigentes eleitos, alguns dos quais tiveram de fugir para o estrangeiro.

Activista e líder da minoritária e radical ultra-direita estudantil da altura, que se exprimia através de panfletos de ódio assinados com siglas como «ANSA - Acção Nacional Socialista Académica» ou «Comité de Caça aos Comunistas», Júdice (que conforme confessa, alegando «uma estupidez total» do regime, foi «metido na função pública como informador da PIDE») foi também um destacado traidor na greve de 69, posicionando-se sempre do lado dos que prendiam e torturavam os seus colegas de Universidade.

«José Miguel Júdice, que agora insulta e dá lições de moral e de democracia na TV aos que mais se sacrificaram para que ela exista, foi um assumido dirigente da extrema-direita do antigo regime, vice-presidente, enquanto estudante, da detestada Comissão Administrativa nomeada por Salazar para tomar conta da Associação Académica de Coimbra, depois da prisão e expulsão, em 1965, dos seus dirigentes eleitos, alguns dos quais tiveram de fugir para o estrangeiro»

Com o 25 de Abril e a instauração das liberdades, Júdice, depois de transitoriamente preso pelo MFA, fugiu para Madrid para integrar a direcção (remunerada) do chamado «Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP)», organização terrorista de saudosistas da ditadura, financiada pela CIA e apoiada por organizações da ultra-direita internacional (como a «Gládio»1 e a «Aginter Press»2 ), que semeou o terror no Verão Quente de 75, ameaçando, agredindo e assassinando dirigentes e militantes de esquerda, incendiando e destruindo à bomba sedes de sindicatos, do PCP e de outras organizações antifascistas.





Foi dessa forma que a vida de Júdice «atravessou e confundiu-se com a democracia», nas palavras da entrevistadora Clara Ferreira Alves, uma das raras jornalistas lusas convidadas pelo mal-afamado Clube de Bildeberg, onde se traçam as grandes estratégias do império.

Com o restabelecimento das forças da direita depois do golpe de 25 de Novembro de 1975, Júdice regressou ao país e adaptou-se bem à reconstrução do domínio das grandes famílias que tinham constituído a base económico-financeira do «Estado Novo» (Mello, Espírito Santo, Ulrich, Champalimaud), nadando como um peixe no ambiente do novo business das devoluções e privatizações, continuando a defender o mesmo espírito de casta da alta finança e a constante agressão aos direitos dos trabalhadores.

«[A entrevista de José Manuel Júdice por Clara Ferreira Alves]: um festival delirante de afirmações falsas, contraditórias e confusas, que procuram baralhar o leitor mal informado ou que acredita em gambuzinos, criando uma cortina de fumo sobre o que foi, para facilitar uma melhor aceitação do que é»

E é com enorme lata que Júdice, na entrevista, relembra esse passado, afirmando ter sido «anarquista», «libertário», «resistente» (admirador de Álvaro Cunhal «por quem tive um fascínio»), dizendo que Salazar e Caetano «eram tudo aquilo de que discordava», que «odiava Franco», tendo feito uma biografia do líder fascista Primo de Rivera (fundador da criminosa Falange da estrema-direita espanhola) que considerava «antifranquista», referindo ainda ter tido «ideias radicais de esquerda e reputação de extrema-direita», e que «achava o colonialismo péssimo», como também «que devia haver uma reforma agrária».

Enfim, um festival delirante de afirmações falsas, contraditórias e confusas, que procuram baralhar o leitor mal informado ou que acredita em gambuzinos, criando uma cortina de fumo sobre o que foi, para facilitar uma melhor aceitação do que é.

Não tenho esperança de ver a foto de Manuel Louzã Henriques, o velho leão da Liberdade, a ocupar toda a capa da revista do Expresso, nem o seu busto na cidade de Coimbra (como o do bombista cónego Melo, em Braga), que, de resto, o próprio, com a modéstia dos grandes, seria o primeiro a não apreciar.

E não se trata, naturalmente, de pôr em competição gente de esquerda e de direita com as suas qualidades e defeitos, nem de analisar cada individuo sem olhar à complexidade do «eu e da sua circunstância», no dizer de Ortega e Gasset.

Mas a descarada adulteração do real, a troca de valores e a falta de pudor com que se lava um passado agressivo ligado à extrema-direita mais trauliteira, serve bem como amostra das opções ideológicas dos nossos media dominantes.

Na realidade, os falsos heróis que assim erigem e apregoam, enquanto apagam ou diminuem a vida e a memória dos que verdadeiramente o foram, abrem caminho às piores sombras do «populismo» reacionário que tanto dizem combater.

Como diz Manuel Loff, «a transição autoritária começa quando se degrada a democracia. E quando termina? Termina quando não há democracia».

Não podemos ficar indiferentes.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Aprendi a não bater de frente com quem só entende o que lhe convém.








Por Marcel Camargo

Eu costumava bater de frente, quando entendiam errado o que eu dizia. Hoje, não perco mais tempo tentando provar nada a ninguém, de jeito nenhum. O meu tempo é precioso e resolvi aproveitá-lo fazendo o que eu gosto, junto com quem me faz bem.

Uma das coisas mais desagradáveis que ocorrem é sermos mal entendidos, quando o outro deturpa nossas palavras ou nossas atitudes, descontextualizando-as e utilizando-as em proveito próprio, enquanto nos coloca como o vilão da história. A gente acaba até ficando sem saber se nós é que não soubemos nos colocar ou se o outro é que não sabe interpretar um texto.

Infelizmente, quanto mais tentarmos provar o nosso ponto de vista, quanto mais nos explicarmos, pior ficaremos, porque quem não entende da primeira vez raramente compreenderá dali em diante.

Quem se faz de bobo e de vítima jamais será capaz de assumir seus erros, de se responsabilizar por seus atos, de se colocar no lugar de alguém.

Tentar fazê-los enxergar além de seu umbigo é inútil.

Na verdade, teremos que sempre ser verdadeiros e claros, com todo mundo, pois, assim, quem nos conhece de fato e gosta de nós não se abalará com as maledicências que alguém tentar espalhar sobre nossa pessoa. Temos que ter a tranquilidade de que vivemos de acordo com o que somos, sem dissimulações e meias verdades, para que a mentira alheia não nos atinja nunca, tampouco possa ser levada em conta por quem nos é importante.

Eu costumava bater de frente, quando entendiam errado o que eu dizia, quando maldiziam minhas atitudes. Hoje, não perco mais tempo tentando provar nada a ninguém, de jeito nenhum. O meu tempo é por demais precioso e resolvi aproveitá-lo fazendo o que eu gosto, junto com quem me faz bem.

Hoje, tenho a certeza de que muitas pessoas só entenderão aquilo que quiserem e da maneira que melhor lhes convier.

Não importa o que eu diga ou o que eu faça, muitas pessoas somente interpretarão minha vida de acordo com o nível de percepção delas mesmas, para que possam se justificar através dos erros que transferem ao mundo – segundo elas mesmas, elas nunca erram.
Não tenho muito tempo livre, portanto, não gastarei mais energia com quem não merece. Vivamos!

terça-feira, 4 de junho de 2019

A oração de uma mãe arrebenta as portas do céu








Por Prof. Marcel Camargo

Não dá para escrever sobre mães sem que as palavras enveredem por um viés deliciosamente piegas – ouso até dizer que toda mãe é babosa. Senão vejamos: quem é que fantasia o bebê para tirar fotos e mostrá-las às amigas, toda cheia de si? Quem chora nas apresentações da escolinha? Quem guarda o primeiro dentinho que cai, molda o pezinho, vibra com o primeiro “mama” – ou algo parecido – que ouve do filho? Pois é, mães são amor em estado puro, desprovido de censuras e etiquetas, de qualquer senso que possa existir. E é exatamente isso que as torna essenciais, indispensáveis, inesquecíveis e únicas em nossas vidas.

Nós recebemos tudo delas: sangue, matéria, existência, essência – quer elas tenham ou não nos gerado em seu ventre. Crescemos com elas ali, sempre presentes, e vez ou outra olhamos em busca de seu olhar de aprovação. Mãe é a segurança, o esteio, o porto-seguro para onde voltamos, mesmo que em memória, quando dos reveses da vida. Não existe cafuné mais gostoso, comida mais saborosa, cheiro mais penetrante ou voz mais acalentadora do que de nossas mães. Sabemos que, quando ninguém mais nos der razão, no colo das mães encontraremos repouso consolador.

Por outro lado, elas também sabem ser críticas, mordazes, ferinas, num primeiro momento, quando fugimos às suas expectativas. Porque precisam colocar pra fora todo aquele ranço acumulado, para que o encantamento de seu coração possa transbordar livre, trazendo-nos de volta à realidade. Ao final, elas sempre acabam nos aceitando como somos, em tudo o que nos define. Elas até tentam nos moldar e nos conduzir à sua imagem e semelhança, mas invariavelmente acabam nos deixando livres – e nos amando ainda mais por sermos nós mesmos e por termos nos tornado quem somos.

Coração de mãe é uma couraça, nunca sucumbe, sustentando-a durante as noites insones e as horas de prece velando nossa febre, durante a madrugada sem fim de nossa adolescência, à espera de nosso telefonema, à espera de nossa voz viva, diariamente, a todo instante.

Mães têm uma fé absurda e a força de suas orações chega a gritar aos nossos ouvidos – Chico Xavier disse que a oração de uma mãe arrebenta as portas do céu: alguém duvida? Elas estão ali ao lado dos filhos, firmes, esperançosas, quando nada mais parece ter salvação, à cabeceira das sessões de quimioterapia, à porta dos prontos-socorros, em frente aos portões das prisões. Mãe é esperança sem fim, fé inconteste.

Mães não erram deliberadamente, posto que em razão do amor. O filho é seu projeto de vida, sua perpetuação nesse mundo, o legado que deixa à sociedade, por isso elas relutam tanto diante das falhas, dos vícios e dos erros de seu rebento. Aceitar as imperfeições do ser humano a quem outorga sua vida requer desconstruir-se, ressignificar paradigmas, abrir mão da felicidade completa e sofrer, frustando planos acalentados em vão. Mas nada é em vão, em se tratando de mãe e filho. Sorvemos tudo o que vem delas, mesmo que fique adormecido, aguardando o momento certo de vir à tona em nosso favor – sempre em nosso favor.

Mãe também é solidão. Porque ninguém, a não ser elas mesmas, conseguem compreender o que é tudo isso que lhes é tão peculiar. Um amor que transborda além do permitido, um amor que cura, acalma e alimenta a alma. Um amor que nunca desiste da esperança, presente ali nas casas de repouso e nos asilos, onde aguardam ansiosas pelas visitas esparsas, ou mesmo inexistentes. Mãe é persistência, é crença indelével na capacidade do ser humano. É aceitação e resignação, sem questionamento nem cobranças. E precisamos que elas assim o sejam, pois nos são exemplos da necessidade de nos entregar, de acreditar, de amar, de aceitar e de brigar por aquilo que se quer.

Mães não morrem como as outras pessoas – elas são tiradas de nós, abruptamente, sem aviso, porque nunca estaremos preparados para enfrentar a vida sem elas. E então vamos nos agarrando dolorosamente às memórias, às fotos, filmes, cartas e à certeza de que teria sido muito pior se tivéssemos sido nós tirados delas, tentando nos consolar e aprumar nosso navio que parece navegar à deriva de nós mesmos, enquanto experienciamos os ambientes sem a sua presença e nos consolamos com as suas visitas em nossos sonhos.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Na minha infância , a nossa rede social era a rua !








Por Prof: Marcel Camargo

Não existe quem, a certa altura da vida, não comece a nutrir saudosismo em relação à sua época de infância, de adolescência, de juventude. O tempo traz muita coisa boa, arruma, ajusta, acerta as contas e vem impregnado de saudades – saudades do que se viveu, do que se fez, dos gostos, dos cheiros, das cores, de gente. Nossas vidas são especiais e, por isso mesmo, permanecem junto a nós, aqui dentro, sempre e para sempre.

Quantas pessoas fazem parte da nossa jornada e vão embora, muitas vezes para nunca mais, e, mesmo assim, tornam-se inesquecíveis? Professores, colegas de escola, de rua, de clube, familiares, vizinhos, enfim, sempre sorriremos ao nos lembrarmos de gente querida que passou por nós e deixou magia conosco. Sempre teremos de seguir faltando um pedaço, com lembranças apertadas de quem nos tocou fundo o coração.

Lugares, casas de avós, lares, salas de aula, sítios, muitos ambientes preencherão nossas vidas, muitos deles ficando impressos em nossas almas. Quem nunca sentiu um cheiro, como de grama molhada, que evoca as mais tenras lembranças de algum lugar que volta dentro de nós, trazendo nitidamente cada canto, cada sofá, cada janela, cada recanto de jardim por onde fomos felizes, onde a alegria então era uma constante?

E, embora a infância passe rapidamente – enquanto, tolamente, somos crianças ansiando por nos tornarmos adultos -, ela nos deixa recordações do tamanho do mundo, como se uma vida toda não fosse suficiente para aquilo tudo.

A gente brincava na rua, sem medo, e a gente se virava com muito pouco – umas latinhas vazias, algumas bolinhas de gude, um pedaço de corda -, a gente era feliz por dentro, não importando a riqueza lá de fora.


Na verdade, embora nós sempre achemos que o nosso ontem foi o melhor, que nossas lembranças são mais especiais, cada pessoa levará sempre consigo recordações mágicas, lembrando-se com saudade do que viveu, junto de pessoas que valeram a pena. Porque a gente guarda o que alimenta o coração. Porque a gente leva junto do peito quem compartilhou alegria conosco, mesmo que por pouco tempo. É assim, afinal, que a gente se recarrega diariamente e continua seguindo, em busca de ser feliz, na esperança de reviver tudo o que deixou o nosso caminho mais iluminado.

sábado, 1 de junho de 2019

Carlos Tavares - O homem que não deixa que lhe lavem o cérebro.



Carlos Tavares (CEOA da PSA): " o Mundo é louco. O facto de as autoridades nos terem
pedido para ir numa direcção tecnológica, a do veículo eléctrico, é um grande ponto de
viragem.

Não gostaria que daqui a 30 anos se descobrisse algo que não é tão bonito como parece,
sobre a reciclagem de baterias, a utilização de matérias raras do planeta, sobre as
emissões electromagnéticas da bateria em situação de recarga?

Como é que vamos produzir mais energia elétrica limpa?

Como fazer para que a pegada de carbono do fabrico de uma bateria do veículo elétrico
não seja um desastre ecológico?

Como assegurar que a reciclagem de uma bateria não seja um desastre ecológico?

Como encontrar suficiente matéria-prima rara para fazer as pilhas e os químicos das
baterias na duração?

Quem trata a questão da mobilidade própria na sua globalidade?

Quem está agora a colocar a questão de forma suficientemente ampla de um ponto de
vista social para ter em conta todos estes parâmetros?

Preocupo-me como cidadão, porque, como fabricante de automóveis, não sou audível.

Toda esta agitação, todo este caos, vai virar-se contra nós, porque teremos tomado
decisões erradas em contextos emocionais."

Stéphane Homem, Director do Observatório da energia nuclear:

"O ciclo de vida de um veículo eléctrico torna-o tão poluente como um veículo térmico".

Subsidiar não faz sentido, explica Stéphane Homem.

O fabrico das baterias é tão emissor de Co2 que é necessário ter percorrido de 50 000 a
100 000 km de carro eléctrico.

Para começar a ser menos produtor de Co2 do que um carro térmico. 15 a 30 km por
dia, 365 dias por ano, durante 10 anos!

AFP / Daniel Roland: "Ora, ao contrário do que acreditam a maioria das pessoas, sujeito
a uma propaganda contínua das políticas e industriais, o carro elétrico não é mais
virtuoso para o clima do que o carro térmico, gasolina ou diesel". Estas são as
conclusões de um estudo, já antigo, da agência do ambiente e do controlo da energia
(ademe), ignorado deliberadamente pelo governo (elaboração de acordo com os
princípios da acv dos balanços energéticos, das emissões de gás em efeito de estufa e
outros impactos ambientais induzidos pelo conjunto das vias de veículos eléctricos e de
veículos térmicos até 2012 e 2020, (Novembro de 2013).

Sabendo que estes carros servem essencialmente para trajectos curtos, é provável que a
quilometragem necessária para se estimar "Virtuoso" nunca será atingida.

Além disso, todo o co2 emitido por um carro eléctrico é enviado para a atmosfera antes
mesmo de ter percorrido um quilómetro, enquanto que, por outro lado, está-se a tentar
fazer passar a ideia de que o carro eléctrico não emite partículas finas, mas, como
assinala a revista ciência e vida (Janeiro de 2015): "os pneus, os travões e o desgaste das
estradas emitem quase tantas micropartículas como os gases de escape.

O carro elétrico emite menos partículas do que o carro térmico, uma vez que não tem
um escape, mas tem muitos freios, pneus, e rola sobre o alcatrão!

No final, o carro eléctrico não é mais ecológico do que o carro térmico. O dinheiro
público consagrado ao seu desenvolvimento é, por conseguinte, totalmente
injustificado; trata-se de somas astronómicas:

• O GOVERNO LANÇOU UM PLANO DE INSTALAÇÃO DE 7 milhões de terminais de
recarga por cerca de 10 000 euros cada, ou seja, um custo de cerca de 70 mil milhões de
euros.

É também aliás vulgar, ver os eleitos de pequenos municípios, acreditando fazer um
gesto pelo ambiente, quebrar o mealheiro municipal para se oferecer um posto de
carregamento;

O BÓNUS "Ecológico" à compra de um carro eléctrico ultrapassa 10 000 € por veículo,
muitas vezes completado por um prémio da região.

Quase todos os compradores são famílias ricas, pois estes veículos são muito caros: uma
vez mais, o dinheiro de todos é oferecido aos mais privilegiados.

Na realidade, no país do átomo, todos os meios são bons para "impulsionar" o consumo
de electricidade, em baixa contínua há anos.

Porque o carro eléctrico em França pode ser considerado como um "carro nuclear":
quase todos os terminais de recarregamento instalados são ligados à rede eléctrica
normal, que é em cerca de 80 % nuclear.

Não devemos deixar-nos levar pelas declarações do Sr. Bolloré e os seus Autolib (Paris),
Bluecub (Bordéus) e Bluely (Lyon), que asseguram que as baterias são recarregadas com
recurso a energias renováveis, tratam-se apenas de jogos de escrita, a electricidade
utilizada é a mesma que noutros locais.

Não estamos a fazer aqui a promoção do automóvel térmico, ela própria uma
calamidade ambiental.

Mas, precisamente, ninguém teria a ideia de oferecer 10 mil euros à compra de um carro
diesel, reservar-lhe lugares de estacionamento e encher o seu tanque com preço
partido...

É uma análise muito boa que demonstra que as nossas políticas (e os verdes) fazem-nos
um espectáculo:

 A paranóia do diesel só diz respeito aos automobilistas!!!

 Os veículos pesados, autocarros, navios, estão excluídos!

Só para situar o grau de paranóia dos mais virulentos críticos do veículo diesel, é
necessário revelar-lhes os dados da indústria marítima que demonstrou que,
considerando o tamanho dos motores e a qualidade do combustível utilizado, os 40
maiores navios - Cargueiros do mundo poluem tanto como todos os 760 milhões de
automóveis do planeta.

Sabe, estes porta-contentores que nos alimentam em produtos que se fabricava nas
nossas fábricas deslocalizadas, hoje em dia, queimam cada um 10.000 toneladas de
combustível para uma viagem e regresso entre a Ásia e a Europa.

Estes infelizes 40 navios fazem parte de uma frota de 3.500, aos quais há que
acrescentar os 17.500 petroleiros que compõem o conjunto dos 100.000 navios que
percorrem os mares.

Para não deixar o domínio marítimo, recorde-se que a frota de recreio francesa é de
cerca de 500.000 unidades, dos quais 5.000 iates com mais de 60 metros, e que o mais
médio destes queima cerca de 900 litros de combustível em apenas uma hora, enquanto
os 24 % de lares franceses que se aquecem ao fuelóleo têm dificuldade em encher o seu
tanque para o inverno.

Para continuar no caminho da esquizofrenia paranóica, vamos ter em conta toda a frota
de pesca e os 4,7 milhões de veículos pesados em trânsito através da França e milhares
de aviões que percorrem o céu.

Para completar esta pequena fábula, não esqueçamos o indispensável domínio agrícola
em que o consumo médio de energia é de 101 litros de combustível por hectare.

Isso também prova que os jornalistas são comprados pelo poder para calar a boca e
lavar-nos os cérebros.


PLATEIA

Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

(Miguel Torga)




quinta-feira, 18 de abril de 2019


Almendrados

Como ando mais virada para fazer doces do que salgados aqui fica a receita dos melhores almendrados caseiros que já fiz!
Foi difícil encontrar uma receita que me fizesse lembrar os almendrados de uma famosa pastelaria aqui do sítio, mas descobri! Agora faço-os de quando a quando.
Ah! Se não encontrarem a folha de obreia façam na mesma, pois não interefe muito com a receita. Eu por acaso também não sei onde se pode encontrar à venda em Portugal, pois costumo comprar na vizinha Espanha.

Ingredientes:

2 claras
200g de açúcar amarelo
225g de miolo de amêndoa moído
25g de farinha
1clh café de canela
folha de obreia

Preparação:

Batem-se as claras em castelo, junta-se o açúcar, o miolo de amêndoa, a farinha e a canela e mexe-se bem.
Põe-se um montinho de massa em cima da folha de obreia e, por cima de cada montinho coloca-se uma amêndoa pelada inteira. Os montinhos devem estar suficientemente espassados, pois os almendrados alargam-se bastante.
Vai ao forno 20 minutos.

Bom Apetite!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

SAMBA DA UTOPIA (Jonathan Silva)



Se o mundo ficar pesado
Eu vou pedir emprestado
A palavra POESIA

Se o mundo emburrecer
Eu vou rezar pra chover
Palavra SABEDORIA

Se o mundo andar pra trás
Vou escrever num cartaz
A palavra REBELDIA

Se a gente desanimar
Eu vou colher no pomar
A palavra TEIMOSIA

Se acontecer afinal
De entrar em nosso quintal
A palavra tirania

Pegue o tambor e o ganza
Vamos pra rua gritar
A palavra UTOPIA

quinta-feira, 4 de abril de 2019



A NATO e sete décadas de mentiras, guerra e sangue

Por: José Goulão - 04 de Abril de 2019 - AbrilAbril

A NATO não nasceu para responder a qualquer acção contrária, uma vez que o Tratado de Varsóvia só foi fundado quatro anos depois, nem para defender a democracia, porque integrou, à nascença, uma ditadura fascista – a portuguesa.

Para assinalar o significado do 70º aniversário da NATO talvez fosse suficiente passar os olhos pela guerra que há 18 anos destroça o Afeganistão, ou pelo caos em que a Líbia continua mergulhada ou pelas violações do direito internacional patrocinadas pela organização nos Balcãs, designadamente o aterrador desmembramento da Jugoslávia.

Talvez fosse suficiente… Mas estaríamos longe de fazer justiça à amplitude e longevidade de uma acção cada vez mais global e próxima de comportamentos gangsteristas como a que caracteriza a aliança. Sendo que a enxurrada de considerações épicas em torno dos mitos que a sustentam é de tal modo ameaçadora nestes dias que todas as oportunidades serão poucas para aprofundar o contraditório.

Não surpreende que a NATO seja o que é. O que poderá causar alguma perplexidade, sobretudo entre quem anda um pouco mais a par da realidade internacional e quem vai além da informação mainstream, é a desfaçatez com que dirigentes altamente posicionados em nações e no mundo tentam interligar os seus belos discursos sobre a aliança com as práticas sangrentas desta. Ou acreditam nas suas próprias mentiras ou confiam demasiado na propaganda e na consequente alienação do cidadão comum.

A NATO nasceu no meio de mentiras e de mitos propagandistas tão em vigor hoje como há 70 anos, apesar de serem facilmente desmontáveis. Mas os servidores da organização têm fé no efeito de repetição e num universo mediático reverente.

A NATO não nasceu para responder a qualquer acção contrária, uma vez que o Tratado de Varsóvia só foi fundado quatro anos depois. E também não veio para defender a democracia, porque fez questão de integrar, à nascença, uma ditadura fascista – a portuguesa – adoptando outras com o correr do tempo, como foi o caso da grega e da turca.
A «aliança defensiva»

Porém, o mito fundador que mais foi refinando com o tempo e a prática é o da «aliança defensiva», uma espécie de culto de Calimero a uma escala bastante viril.

A NATO nunca ataca; defende-se sempre de um qualquer inimigo, que trata de inventar quando não existe. Quando instala armamentos, cada vez mais exterminadores, é para defender-se; quando avança os seus meios militares pela Europa afora até às fronteiras russas, ou em África, ou agora na América Latina é em legítima defesa.

A melhor defesa é o ataque, argumenta-se em termos de táctica futebolística. A NATO adoptou-a ou vice-versa, é uma dúvida semelhante à do ovo e da galinha. O que interessa é saber-se que a NATO nunca ataca, defende-se.

Assim foi durante a Guerra Fria, por exemplo recorrendo a organizações terroristas clandestinas, como a Gládio, espalhando o sangue, o horror e o medo através de atentados sucessivos em Itália para impedir o acesso dos comunistas à esfera do poder, mesmo quando o povo assim o desejou em eleições legítimas e livres.

Ou não hesitando em conspirar para promover golpes de Estado e mudanças de regime, dentro e fora da guerra fria, como aconteceu em Portugal, na Grécia, na Turquia e mais recentemente na Ucrânia – não interessando, também neste caso, que o resultado seja um regime nazi-fascista. Sempre em nome da democracia e do mercado, a entidade que mexe os cordelinhos democráticos e sabe o que é melhor para os cidadãos, mesmo que estes desejem o contrário.
A NATO e o respeito pela própria palavra

A NATO tem uma relação complicada com a própria palavra. É o que acontece a quem vive da propaganda e não tem a coragem de assumir perante os povos as reais motivações da sua missão.

A NATO esboça a sua realidade virtual nos mapas e nas mensagens que transmite aos cidadãos; e depois procede em conformidade mas de uma maneira real, agressiva, muitas vezes sanguinária, espezinhando os direitos humanos.

A mentira que esteve na génese da organização – a necessidade de responder a uma entidade de sinal contrário que viria a nascer apenas quatro anos depois – vigorou até ao colapso da União Soviética e do Tratado de Varsóvia, no início da década de noventa do ano passado.

Agora é altura de a NATO se dissolver, deixaram de existir razões para continuar, argumentaram então os ingénuos e os que ainda acreditam na boa-fé dos discursos político-militares e das instâncias que os produzem.

Não é bem assim… respondeu o atlantismo. Reparem nos inimigos que ameaçam o «nosso civilizado modo de vida», o Irão, Saddam Hussein, Khaddafi, a Coreia do Norte, Cuba, Assad, Chávez, al-Qaida, Bin Laden, os Talibã, eixos do mal cruzando-se, entrecruzando-se, exigindo a presença vigilante, dissuasora, sempre defensiva da NATO, ainda que alguns tenham sido amigos ou mesmo criados para bem do mercado e preservação da democracia.

Portanto, nesta guerra «entre a civilização e a barbárie», a NATO não pode dissolver-se; mas podem estar certos de que não vai crescer uma polegada, em território e número de membros. Quem assim falou foi James Baker, secretário de Estado norte-americano de George Bush pai.

E se bem o disse melhor o fez; ele, os sucessores, o chefe e herdeiros, no fundo toda a fina flor Atlântica.

Num ápice a NATO estava em «tempestades no deserto» invadindo o Iraque, destruindo a Jugoslávia numa das mais selváticas guerras modernas, invadindo o Afeganistão dando o pontapé de saída na «guerra contra o terrorismo», no âmbito da qual foi dizimar a Líbia em aliança com os terroristas islâmicos que dizia estar a combater.

E foi assim que o «nem uma polegada» se transformou em muitos mais biliões de polegadas; que a “guerra contra o terrorismo” descambou no recurso a informais braços terroristas como o Estado Islâmico e a al-Qaida, por exemplo na participação clandestina do atlantismo na agressão à Síria e, mais recentemente, na interminável invasão do Afeganistão – onde o inimigo a derrotar – os Talibã – já controla dois terços do país.

E onde se ouviu James Baker dizer nem mais um membro deve ler-se duplicação da família dos aliados, porque em meia dúzia de anos a NATO engoliu a maior parte dos países do antigo Tratado de Varsóvia mais os Estados nascidos da ex-Jugoslávia, sem esquecer os que lhe eram adjacentes nos Balcãs, como a Albânia.

A família defensiva já vai em 30 membros e não fica por aqui, porque ao Atlântico Norte juntam-se agora o Mediterrâneo, os mares Adriático, Báltico e Negro e também o Atlântico Sul. Graças a imaginativas normas de integração temos a caminho da NATO não só o narco-Estado terrorista da Colômbia mas também o Brasil, uma vez reconvertido ao fascismo. Porque a NATO sente urgência em defender-se da sempre ameaçadora Cuba e, sobretudo, da temível Venezuela de Maduro.

Pelo que abundam razões para acreditarmos piamente no que a NATO e os seus porta-vozes dizem e prometem. Claro como água.
O mito da defesa solidária

Outro dos mitos fundadores e base de propaganda da NATO é o da defesa solidária. Ou seja, qualquer Estado membro pode contar com os restantes no caso de ser agredido por um Estado terceiro ou organização inimiga. Todos acorrerão a defendê-lo…

Desde que…

O Estado em questão, como qualquer outro dos membros, tenha abdicado previamente de parte da sua independência; os seus governos se tenham submetido à autoridade económico-militar do complexo militar, industrial e tecnológico que governa os Estados Unidos da América – e a NATO, por inerência; e estejam dispostos a que o seu território seja utilizado para que a NATO, isto é, os Estados Unidos da América, se defendam atacando.

Em boa verdade, os Estados membros da NATO são protectorados da estrutura imperial norte-americana, que tem a aliança como seu braço armado: são obrigados a abdicar de uma política de defesa independente, a colocar vultosos fundos orçamentais à disposição do Ministério da Defesa dos Estados Unidos, a envolver-se em guerras por razões que lhes são alheias, ou mesmo contrárias, a manter relações hostis com Estados porque assim o exigem os interesses norte-americanos e não os interesses nacionais.

Numerosos estudos demonstram que os Estados Unidos da América têm entre 800 a mil bases militares em territórios ocupados no estrangeiro. Nessas áreas, em bom rigor, os Estados hospedeiros abdicam da sua soberania, cedem-na a Washington.

Ora estes estudos pecam por defeito, porque não consideram muitas das instalações militares dos Estados membros da NATO.

Estas instalações, em última análise, estão ao serviço dos Estados Unidos, mesmo que tecnicamente não sejam consideradas bases norte-americanas. As suas actividades não são independentes ou autónomas da estratégia militar da NATO, logo dos Estados Unidos. Os Estados membros da aliança não possuem instalações militares verdadeiramente próprias porque não têm uma política de defesa por eles definida tendo em conta os verdadeiros interesses dos seus povos.

Eis porque o Pentágono administra um império de instalações militares mundiais muito mais amplo que as cerca de mil unidades recenseadas.
Conflito constitucional

Na União Europeia entra-se mas não se sai ou, pelo menos, não se sai a bem, como estamos a perceber quotidianamente pelo caso do Reino Unido.

Acontece o mesmo com a NATO?

O assunto é académico, porque em relação à Aliança Atlântica apenas temos assistido a entradas, não a saídas ou tentativas de saída.

Na União Europeia ainda se realizam alguns referendos esporádicos para decidir o relacionamento entre as instituições centrais e Estados membros. Referendos, é certo, que têm sido repetidos quando não dão os resultados que deveriam dar – segundo a perspectiva da União – ou então sabotados.

Nada disso acontece na Aliança Atlântica. A NATO representa, em absoluto, a vontade dos povos, razão que torna qualquer consulta supérflua. Dir-se-ia um comportamento ditatorial, não soubéssemos nós que a NATO é a essência da democracia.

Portugal foi fundador da NATO com a ditadura de Salazar, continuou depois do 25 de Abril – que foi gravemente ferido no 25 de Novembro com a colaboração prestimosa da aliança – e continua a não questionar a presença, apesar da letra e do espírito da Constituição da República.

Em Portugal, a propósito da NATO, há um conflito constitucional latente, do qual todos os governos têm fugido como o diabo da cruz. Salazar dizia que “a pátria não se discute”; os governos de hoje assumem que a NATO não se discute ou, pelo menos, não se questiona.

Porque era isso que deveria fazer-se à luz da Constituição, que determina o envolvimento de Portugal nos esforços de paz e de dissolução dos blocos militares, isto é, da NATO.

Nada disso. O que fazem caças portugueses violando espaço aéreo da Finlândia, por exemplo? Nada contra este país, apenas uma sequela de uma presença agressiva, no âmbito da NATO, contra uma nação – a Rússia - com a qual Portugal poderia e deveria ter relações absolutamente naturais e normais, como acontece como tantas outras.

Essa presença em territórios bálticos, em si mesma, é uma agressão à Constituição da República.

Em termos de democracia, porém, a NATO sobrepõe-se à lei fundamental do país. A posição dos dirigentes nacionais de hoje em relação à aliança não é muito diferente da que há 70 anos era tão grata a Salazar: estão muito agradecidos pelo favor que a NATO faz em permitir que o país faça parte de tão grande e defensiva família.

Esqueçam a Constituição.

terça-feira, 2 de abril de 2019


Manuela D'Ávila

Caetano, eu sinto vontade de lhe abraçar e agradecer por ser um dos maiores brasileiros vivos. Lhe agradecer Por cada palavra em suas músicas, por cada Brasil descoberto em sua arte. Uma das coisas que mais me espanta nesses tempos terríveis que estamos vivendo é a vontade dessas forças das trevas de destruir tudo o que o nosso país tem de mais precioso. A expressão mais simbólica disso são os ataques contra vocês, nossos maiores artistas. Incrível eles lhe colocarem no centro dos ataques. Por outro lado, contraditoriamente, os ataques daquele bispo a você, Caetano, mostram a força incrível que as obras de arte tem. Como vivemos tempos tenebrosos, de cerceamento da liberdade, a música "É proibido proibir", a sua atitude à época e agora, a forma como você cantou em público na década de 70 e como enfrenta o obscurantismo agora fazem com que a música siga incomodando. Aquela canção já tem décadas mas está aqui, viva, em potência, e quando a a história a chama ela emerge novamente e bota raiva nos velhos novos donos do poder. Obrigada, Caetano, por ter sempre lutado pela sua liberdade. Pela nossa liberdade.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Snowy White Midnight Blues

Pink Floyd - Wish You Were Here Tradução Legendado


Pedro Barroso


ola Mario
Meu companheiro no TEC, colega, actor, cumplice, amigo e conterraneo. Partiste a 1 de Abril, como quem brincasse ao dia das mentiras. Isso faz-se, meu palerma?
Ainda hoje serias util. Tanto. Sempre. No teu dizer inimitável, no teu humor sarcástico, no teu destruir de barreiras e dogmas.
Um abraço, rapaz. Por aqui, sinceramente, tudo igual. A ironia continua a ser a arma. Como gostarias de continuar a apontar. E quantas vezes o fizemos juntos. Obrigado por teres dito a "aurora" q escrevi como nem eu proprio diria. https://www.youtube.com/watch?v=aByJ4wW-2V0&t=169s

E, já agora, no teu ramo e com a tua arte de dizer, nada de novo.





terça-feira, 26 de março de 2019


Desejo que respeitem minha liberdade,
sou incapaz de não respeitar a dos outros.
Nascemos para ser felizes,
não para ser perfeitos.

Françoise Sagan #SimplesmenteUmaRosa 🌹




sábado, 23 de março de 2019

JJ Cale - Stay Around (Official Music Video)


A PRIMAVERA

O pássaro chegou
e com ele a luz;
de cada trilo seu
nasce a água.


E entre água e luz que o ar desata
está a Primavera inaugurada já,
sabe a semente que já cresceu,
na corola desenha-se a raiz,
abrem-se por fim as pálpebras do pólen.

Tudo isto fez um simples pássaro
no alto dum verde ramo.

PABLO NERUDA

Há quem não me entenda.
Há quem nunca tentou.
Há quem sempre quis ler-me.
Há quem nunca se interessou.
Há quem leu e não gostou.
Há quem leu... e se apaixonou.
Há quem apenas busca em mim palavras de consolo.
Há quem só perceba teoria e objetividade.
Mas, tal como um livro, sempre trago algo de único: o melhor de mim."
(Desconheço autoria)