quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

CUBA! PERSEGUIÇÃO IDEOLÓGICA, COM EMBARGO A TODOS OS NÍVEIS HA 67 ANOS! LER O ARTIGO TODO, PARA LER A VERDADE DOS FACTOS!


JCBoavida


Vitórias da Revolução Cubana



SE EM CUBA É TÃO BOM, POR QUE ALGUNS PARTEM EM BALSAS? Essa pergunta reaparece como um refrão sempre que imagens dramáticas cruzam as telas: homens e mulheres lançando-se ao mar em embarcações improvisadas, desafiando correntes, fome e morte rumo aos Estados Unidos. A travessia existe porque a geografia permite, pouco mais de 100 quilômetros separam a ilha de Miami. No mapa, é um traço curto. Na história, é um abismo cavado por décadas de hostilidade política. A partir daí nasce o slogan fácil: “se Cuba fosse boa, ninguém sairia”. Só que a vida real não cabe em slogans.
Primeiro, a honestidade: Cuba não é um paraíso, e os cubanos nunca disseram que fosse. O que a ilha construiu foi algo mais raro: um projeto social que garante saúde, educação, moradia e alimentação como direitos universais, não como mercadorias. Isso não elimina dificuldades. Há faltas pontuais, há limitações tecnológicas, há infraestrutura que precisa avançar. Mas essas carências não surgem do nada. Elas têm causa, nome e endereço.
Há mais de seis décadas, os Estados Unidos impõem a Cuba um bloqueio econômico que não é abstração: é cotidiano. Ele encarece tudo, restringe importações, dificulta acesso a tecnologia, corta crédito, trava transações financeiras e pune empresas de terceiros países que ousem negociar com a ilha. É uma política desenhada para asfixiar, não para “estimular reformas”. Mesmo assim, Cuba resiste, com alianças, criatividade e sacrifício. A ilha manteve cooperação e comércio com parceiros como Venezuela, China, Brasil e Rússia. Ainda assim, o cerco segue. E cobra seu preço.
É nesse contexto que surgem as balsas. Não como prova de “falência moral”, mas como consequência de um jogo desigual. Pouco se diz que Washington criou um incentivo legal exclusivo para cubanos: quem consegue chegar ao território norte-americano recebe benefícios automáticos, status privilegiado, portas abertas. Nenhum outro latino recebe isso. Hondurenhos, salvadorenhos, guatemaltecos e mexicanos enfrentam muros, jaulas, deportações. Por que, então, apenas os cubanos ganham tapete vermelho? Porque a migração vira arma de propaganda: cada chegada é explorada para sustentar a narrativa de que Cuba “expulsa” seu povo.
Mas a realidade teima em contrariar a caricatura.
Cuba eliminou ou reduziu drasticamente três chagas históricas da América Latina:
– fome estrutural,
– analfabetismo,
– criminalidade violenta.
Quem parte não foge de guerra civil, nem de terror, nem de fome generalizada. Parte, como milhões no mundo, em busca de consumo e renda, estimulados por uma política seletiva que transforma sua decisão individual em peça de xadrez geopolítico.
E aqui entra um ponto crucial e frequentemente silenciado: os Estados Unidos querem que a imigração esvazie Cuba de profissionais qualificados. O objetivo não é “acolher pessoas”, mas provocar colapso. Médicos, engenheiros, cientistas, professores, formados com investimento público cubano, são atraídos para fora para enfraquecer serviços essenciais na ilha. É uma drenagem planejada de cérebros. Um ataque indireto, porém eficaz, contra o coração do projeto social cubano.
O mesmo vale para o esporte. Atletas cubanos, treinados desde cedo em um sistema que prioriza o coletivo, são alvos constantes de assédio. Promessas de contratos, agentes oportunistas, pressões durante competições internacionais. Alguns cedem. Outros resistem. Quando saem, a narrativa é imediata: “fuga da liberdade”. O que não se diz é que muitos enfrentam precarização, contratos leoninos, invisibilidade após o auge, e a saudade de um país que os formou não apenas para vencer, mas para pertencer.
Há também os que chegam e descobrem, tarde demais, que o mito não garante dignidade. Em Miami, muitos cubanos viram mão de obra barata, úteis enquanto alimentam discursos políticos. Não são poucos os que sonham em voltar, ao perceber que o brilho prometido se apaga rápido quando a vida real cobra aluguel, saúde e pertencimento.
A verdade é simples e poderosa: todo país tem emigrantes. Brasileiros, argentinos, colombianos, mexicanos, europeus, todos partem. Só no caso cubano a migração é transformada em acusação ideológica. Só Cuba é julgada por um critério que ninguém mais suporta.
Quando o bloqueio cair, e ele cairá, cairá junto a distorção. Cairá a política que recompensa a travessia perigosa. Cairá a engrenagem que tenta quebrar a ilha roubando seus profissionais, seus atletas, sua esperança. E o mundo verá com mais nitidez o que sempre esteve ali: um povo tenaz, que resiste sem ódio, que constrói com pouco, que compartilha o que tem, que insiste em dignidade mesmo sob cerco.
Apoiar Cuba não é negar seus desafios. É reconhecer a coragem de quem, apesar de tudo, escolheu cuidar de gente em vez de acumular lucro; educação em vez de ignorância; vida em vez de desespero. É ficar do lado de um povo que, mesmo quando o mar parece a única saída, continua acreditando na terra que o formou.

Bestas, homens e estádios: uma apologia da animalização

 



Confesso — e começo por onde dói — que estarei entre os menos habilitados a erguer o dedo acusatório quando o assunto é racismo. Não por virtude, mas por culpa antiga. No meu Brasil do século XIX, ainda de calções curtos e soberba longa, divertia-me a xingar e a infligir pequenas e grandes barbaridades ao meu moleque negro, Prudêncio. Chamavam-se travessuras – na verdade, eram crueldades. A consciência, essa, vinha depois, quando vinha, sempre atrasada e com ar de quem chegava por engano.

Libertei-o mais tarde, gesto que a minha vaidade registou como magnânimo. Anos passados, reencontrei Prudêncio que, para meu espanto, chicoteava o seu próprio escravo. A liberdade nunca erradica hábitos ruins – muda apenas de mãos.

Hoje, graças aos céus, às leis e a algum decoro público, o racismo mirrou, mesmo não se desenraizando, mesmo estando nas antípodas dos meus tempos. Viceja ainda como certas plantas daninhas em disfarces de flor respeitável. ↓


Com este lastro nas órbitas, olhei, sem pressa e com curiosidade clínica, o episódio recente de dois jogadores de bola em despique quente: um meu conterrâneo agora em terras madrilenas festeja o golo e, no tropel do momento, um argentino de cores encarnadas lança-lhe uma nefandice. Dizem que lhe chamou mono.

Em português de Portugal, mono serve para qualificar o feio, o insípido, o apalermado, o molengão, o sensaborão ou o macambúzio — como bem quis exprimir o vosso Eça. No meu Brasil, podendo significar tudo isso, a palavra evoca de imediato os muriquis, o que, em sentido moral, não é necessariamente ofensivo. Estas criaturas de selva e de convivência, caminham sem intriga, jamais usando os seus longos braços para se pendurarem no trabalho dos outros.

Eu, que sempre fui homem de salão, de coche e de sobrancelha levantada, que nunca cultivei gosto por expedições tropicais ou entusiasmos naturalistas, posso ainda assim garantir que, tendo conhecido Coimbra, Paris — onde gastei o tempo com elegância — e ainda Marcela — o que já representa fauna assaz respeitável —, conheci alguns homens que honrariam esses macaquinhos e outros tantos que, pelos seus actos, fariam por desonrá-los.

Já em castelhano estrito, convenhamos que mono é, sem rodeios, macaco. Percebo, pois, a subtileza — e a malícia — de recorrer à figura do primata para ofender um negro. Ainda assim, tratando-se de argentinos — esse povo de vocação para a grandiloquência, onde o banal se declama como épico e o exagero se protege como património nacional —, seria de esperar algo mais composto: um negro de mierda, um cabecita negra, ou mesmo um mono hueco. Nunca apenas mono – assim, dissilábico, tão só e tão pobre. Na terra das pampas, a ofensa sempre exigiu excesso.

Seja como for, o racismo não se consuma — nem se deve consumir — no simples uso do nome de um animal, reduzindo o humano a bicho como expediente de desqualificação sumária. Tal gesto é pobre, não por convocar o animal, mas por o fazer sem arte nem pensamento. Usar animais para ofender alguém pela cor da pele, pela origem ou pela condição de nascimento nada tem de sátira, nem de retrato, nem de inteligência: há nisso apenas preguiça moral e crueldade bruta.

Essa forma de desumanização serve exclusivamente os espíritos menores, que necessitam de diminuir o outro para evitar o confronto com a própria pequenez. Conheci-os bem no meu século; reconheço-os hoje, embora muitos surjam agora de luvas calçadas e munidos de certificados de boas intenções.

Seria, porém, erro não menos grosseiro — e intelectualmente ainda mais pobre — lançar fora, com a água suja do racismo, toda a criança do bestiário. Importa, pois, judiciosas donzelas e sapientes cavalheiros, erradicar o racismo sem amputar a animalização: essa nobre arte de iluminar os vícios humanos; esse exercício antigo e exigente de esculpir defeitos morais; esse insigne ofício de rebaixar o homem à besta para impedir que a besta se finja homem.

A animalização satírica e moral nunca visa a pele, mas o carácter; não a origem, mas o vício; não a pessoa enquanto carne e osso, mas o comportamento enquanto gesto e hábito; não rebaixa o humano; eleva-o, desnudando-o; não inventa defeitos, concentra-os; não cria monstros; revela monstruosidades.

Por isto, quando Juvenal chamou porcos aos glutões de Roma, não praticou antropologia comparada: exerceu crítica moral. Quando Quevedo povoou a corte castelhana de cães e macacos, não fazia zoologia, mas anatomia do poder. Quando Ezequiel comparou governantes a pastores que se apascentavam a si próprios, não insultou ovelhas — acusou comportamentos humanos. Quando Esopo pôs raposas a discursar e lobos a julgar, não falava de bichos: descrevia vícios perenes. Quando Jonathan Swift fez dos Yahoos a caricatura do homem degradado, não desumanizou a espécie — devolveu-lhe um espelho. E quando George Orwell deixou os porcos governarem a quinta, não rebaixou os animais: denunciou a metamorfose moral do poder. A animalização, usada assim, não retira humanidade — retira máscaras.

A hipocrisia, quando dita em prosa, escapa – mas quando vestida de lobo em pelo de cordeiro, denuncia-se sozinha. A ignorância, quando discursada, disfarça-se – mas quando surge como asno de biblioteca, cai por terra. A subserviência, quando justificada, convence – mas quando aparece como cão de apito, humilha-se sem ajuda. Há nisto não ódio, mas economia; não violência, mas precisão.

Convenhamos, a animalização moral é uma forma de taquigrafia ética, porque dizem em três penadas aquilo que relatórios prudentes evitam escrever em trezentas páginas. A animalização não pergunta quem alguém é, mas sim o que alguém faz repetidamente.

Feita esta distinção necessária, posso regressar sem remorso a esse cortejo de bichos que atravessam os séculos com assento garantido nas assembleias, nos gabinetes e nos palanques. Vi-os funcionar no meu tempo, nos salões do Império e nos corredores da Corte; vejo-os agora, com renovada vitalidade, nas assembleias modernas, onde se mudam os trajes, mas persistem os bichos.

Desde tempos imemoriais, o bestiário serviu para condensar caracteres. O asno representa a ignorância, mas aquela que também é teimosa — conheci-o em Coimbra, bacharel em latim macarrónico e certezas definitivas. Já o jumento é aquele que persevera no erro com dignidade rural, enquanto o boi de canga se mostra como trabalhador diligente mas que pensa pouco, espécie abundante nos ministérios de outrora e de agora. Depois, temos a mula, que emperra por princípio; o touro de praça que avança sem razão; o camelo que suporta sem compreensão; a anta que, pachorrenta, transforma a estupidez em cerimónia oficial, com actas, selfies e coffee-break.

Também há quem seja gado, por aceitar a cerca — vi-o eu seguir docilmente o imperador; hoje anda atrás do algoritmo ou das autoridades sanitárias. Há quem seja cabra, oscilando entre lascívia e obstinação; ou bode, carregando a sujidade moral com ar sacrificial; ou porco, revirando-se no chiqueiro do interesse; ou leitão, mamando do orçamento com apetite juvenil; ou javali, investindo sem freio nem leitura prévia.

E há sempre os canídeos — e aqui Quevedo me ajudou. Temos o cão sarnento, mastim da vileza reincidente; o cão-de-fila, feroz apenas quando há dono por perto; o cão de câmara, submisso, tremendo de afecto remunerado; o lobo de sacristia, que reza com dentes à mostra e absolve conforme a conveniência. A estes, conheci-os em púlpitos barrocos; reconheço-os hoje em colunas de opinião e corredores institucionais.

Há depois os emuladores, muito do meu tempo e mais ainda do vosso: o macaco-de-imitação, que copia sem génio; o papagaio de serviço, que repete a ordem do dia com ar de descoberta; o pavão de protocolo, que abre penas vazias à custa do erário; o galo de poleiro, que canta uma coragem decorativa; a foca de plenário, que aplaude por reflexo condicionado…

Não faltam ainda as sevandijas da intriga: o rato de corredor, especialista em boatos; a ratazana de bastidor, que rói reputações; o piolho da insignificância, persistente; a mosca abelhuda, constante; o peixe morto, a inércia absoluta, tão comum em conselhos, comissões e task forces. E até, mais peçonhentos, os venenosos: a serpente da perfídia, calculada; a cobra da traição, silenciosa; o escorpião da malícia, administrativa — este último prosperando em gavetas, despachos e anexos técnicos.

Há ainda os oportunistas: o abutre do despacho, que vive do acidente; o urubu do contrato, que sobrevoa crises; a hiena que ri da desgraça alheia; o carrapato que não larga; a sanguessuga do parasitismo social; o corvo do mau augúrio, sempre pronto a anunciar o fim do mundo — desde que seja lucrativo. E, por fim, os pesos mortos: o elefante do gabinete; o hipopótamo institucional; o rinoceronte da força obtusa; o caracol burocrático; a ostra do mutismo, essa pérola interesseira; e a toupeira subterrânea, de cegueira voluntária.

Este é um desfile antigo, admito, mas que continua a trespassar as minhas cavidades oculares. Dir-me-eis: isto, que aqui apresentais, é crueldade. Vos respondo: não; é apenas inventário. E, como todo o inventário, concedo que incomode, sobretudo quem se reconheça na lista.

Adeus, e um piparote.

Brás Cubas

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Lembrei da manada que adora Donald Trump




 

Chegou a hora de dizer NÃO à OTAN, bases fora.

7 de janeiro de 2026 

O sequestro de Maduro marca o ponto de não retorno: a Europa precisa romper com Washington.
Juanlu González (biTs rojiverdes)
— O sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos não é apenas um golpe disfarçado. É uma declaração formal de que Washington abandonou definitivamente qualquer pretensão de respeitar o direito internacional. Sabemos que nunca o fez de verdade, mas pelo menos manteve as aparências. O que testemunhamos nestes últimos dias foram as ações de um Estado pária que se arroga o direito de sequestrar chefes de Estado legítimos, violar a soberania das nações e atropelar todas as normas que supostamente regem as relações internacionais.
E o pior é que isso é só o começo. Trump já deixou claro que a Venezuela é apenas o aperitivo. Cuba, Nicarágua, Colômbia, México… e sim, Groenlândia também. A lista de alvos para o novo imperialismo trumpista está sobre a mesa, sem qualquer disfarce ou eufemismo. Estamos diante de uma administração que decidiu que as regras não se aplicam a ela, que a força é o único argumento válido e que quem tiver os recursos de que Washington precisa será o próximo da lista. É uma verdadeira demonstração de fraqueza absoluta, de decadência, mais um monstro no sentido do conhecido aforismo de Gramsci.
Se o mundo não parar com isso agora, caminhamos direto para o caos global, para a lei do mais forte, para uma guerra total pelos recursos naturais do planeta. Este é o momento da verdade. Ou agimos agora, ou nos tornamos cúmplices silenciosos no estabelecimento de uma ordem mundial baseada na pirataria institucionalizada.
Não se pode negociar com um presidente louco.
Sejamos claros: não se pode apaziguar um presidente que age como um criminoso internacional. Palavras gentis, declarações tímidas e apelos diplomáticos por "preocupação" não valem nada. Trump só entende uma linguagem: a linguagem da ação forte, enérgica e decisiva. Qualquer outra coisa é perda de tempo e, pior ainda, um sinal de fraqueza que só incentivará mais agressões.
A União Europeia e cada um dos seus Estados-Membros devem agir imediatamente com medidas decisivas:
Rompimento imediato das relações diplomáticas com os Estados Unidos. Não é possível manter relações comerciais normais com um país que sequestra presidentes. Os embaixadores americanos devem ser expulsos de nossos países e nossos representantes retirados de Washington.
Rejeitamos veementemente o aumento dos gastos militares da OTAN e a compra de armamentos americanos. Cada euro gasto em armas, conforme ditam Washington, é um euro que financia sua máquina de guerra imperial, que poderia ser usada contra o nosso próprio povo. Chega de F-35, chega de sistemas de defesa antimísseis, chega de subsídios para a indústria militar americana.
Imposição de tarifas e sanções econômicas contra os Estados Unidos. Se Washington só entende a linguagem do comércio, falemos com eles nessa linguagem. Tarifas de 100% sobre todos os produtos americanos, congelamento de ativos, proibições de investimento. Que sintam o preço de seu comportamento criminoso em sua própria economia.
Expulsão imediata de todas as bases militares americanas do território europeu. Na Espanha, Rota e Morón devem ser fechadas agora. Não podemos ter forças militares estrangeiras em nosso território que possam ser usadas contra o nosso próprio povo amanhã, se a situação assim o exigir. É hora de ativar o protocolo para a rescisão do acordo sobre as bases americanas e emitir imediatamente uma denúncia formal do tratado.
Saída da OTAN. A Organização do Tratado do Atlântico Norte tornou-se o braço armado das aventuras imperialistas dos EUA. Não faz sentido a Europa continuar financiando e legitimando uma aliança militar que serve apenas aos interesses de Washington. Como temos denunciado há algum tempo , a OTAN não é uma aliança defensiva: é uma ferramenta de dominação imperial que deve ser desmantelada.
A linguagem que Trump entende.
Os Estados Unidos precisam avaliar suas ações em termos de perdas econômicas e da diminuição de sua influência global. Essa é a única linguagem que Trump entende. Portanto, palavras, por mais duras que soem, são inúteis. Somente as realidades econômicas — a perda de mercados e a redução de sua influência global — podem forçá-lo a mudar de rumo.
Se a Europa suspender suas compras de armas americanas, se romper acordos comerciais, se fechar seus mercados para produtos dos EUA, Washington começará a calcular o verdadeiro custo de seu comportamento criminoso. Trump é um homem de negócios (um medíocre, mas ainda assim um homem de negócios): ele só entende de números no vermelho e no azul.
Um mundo mais perigoso para todos
O mundo hoje é um lugar muito mais perigoso do que era há uma semana. Se alguém pode agir como um criminoso com total impunidade, sequestrando presidentes e violando a soberania nacional sem quaisquer consequências, muitos outros poderão fazer o mesmo em qualquer lugar do planeta.
O que impede a China de retomar Taiwan de uma vez por todas, mesmo que isso leve a uma guerra regional? Claramente, nada. Os Estados Unidos mostraram como as coisas devem ser feitas na era Trump. A China é perfeitamente capaz de aniquilar a ilha em questão de minutos, e ninguém virá em seu auxílio porque ela poderia sofrer o mesmo destino da Venezuela. Por que Pequim deveria respeitar normas internacionais que Washington desrespeita diariamente?
A lógica é implacável: se o direito internacional não existe para os Estados Unidos, por que deveria existir para outros países? Trump abriu a caixa de Pandora, e as consequências serão catastróficas para a estabilidade global.
A ONU precisa agir.
A Assembleia Geral das Nações Unidas deve agir imediatamente, visto que o Conselho de Segurança está sendo mantido refém por um de seus supostos garantes com poder de veto, um órgão que abandonou completamente suas obrigações. Não podemos continuar permitindo que um sistema concebido para prevenir guerras e garantir o direito internacional seja bloqueado pela própria entidade que o viola de forma mais flagrante.
Devemos exigir o julgamento imediato de Trump e de toda a sua administração perante o Tribunal Penal Internacional ou o Tribunal Internacional de Justiça por crimes contra a paz, sequestro de um chefe de Estado e violações sistemáticas do direito internacional. Que fique registrado na história que esses atos não ficarão impunes, nem mesmo moralmente.
As bases estão fora de jogo, agora.
Na Andaluzia e em toda a Espanha, as bases americanas representam uma ameaça direta à nossa segurança. Não são instalações defensivas: são plataformas de projeção imperial que nos transformam em alvos militares e nos arrastam para conflitos que não são nossos.
Se não demonstrarmos força agora, eles virão atrás da Groenlândia e não poderemos fazer nada a respeito. E isso já inclui a Europa, território que consideramos dentro da nossa esfera de influência. Mais importante ainda, a Groenlândia possui elementos de terras raras, minerais estratégicos que Trump quer controlar. Alguém realmente acredita que ele fará de tudo para consegui-los?
Europa sem os Estados Unidos: o único caminho viável
A Europa precisa urgentemente encontrar um caminho a seguir sem os Estados Unidos. E esse caminho envolve necessariamente a normalização das relações com a Rússia. Putin está ansioso para fazer as pazes com a Europa e retomar as relações econômicas e comerciais normais com a União Europeia.
A prosperidade da Europa devia-se precisamente à segurança energética russa e aos baixos preços dos hidrocarbonetos que ela garantia. Desde que rompemos essa relação sob pressão dos EUA, a Europa tem estado em recessão económica, com a indústria sufocada pelos elevados custos da energia e pela inflação descontrolada.
Chegou a hora de olhar para as coisas com perspectiva e sem as vendas ideológicas que Washington nos impôs. Precisamos parar de ameaçar as fronteiras da Rússia com expansões da OTAN e exercícios militares provocativos. Precisamos estabelecer uma arquitetura de segurança europeia de longo prazo que facilite, mais uma vez, a recuperação da recessão econômica.
Precisamos simplesmente planejar um futuro sem os Estados Unidos. Um futuro em que a Europa seja soberana, em que não dependamos da proteção militar daqueles que nos chantageiam economicamente, em que possamos negociar livremente com quem quisermos, sem precisar da permissão de Washington.
OTAN NÃO, bases fora: Mais urgente do que nunca
A hora é agora. Não amanhã, não quando a tempestade passar, não quando Trump se acalmar. Agora. Cada dia que permitimos que essa situação continue é um dia em que legitimamos o comportamento criminoso dos Estados Unidos e nos tornamos cúmplices.
As mobilizações contra as bases americanas devem se intensificar. Os movimentos pela paz e soberania devem pressionar os governos europeus a tomarem medidas. Os cidadãos devem exigir que seus representantes coloquem os interesses de seu povo acima da submissão a Washington.
Chegou a hora de dizer NÃO à OTAN, chega de bases militares. Chegou a hora da dignidade europeia, da verdadeira soberania, de construir um mundo baseado no direito internacional e não na lei do mais forte. Chegou a hora de dizer basta.
Se não agirmos agora, amanhã será tarde demais. O sequestro de Maduro não é o fim de nada: é apenas o começo de uma era de barbárie imperial que, se não a detivermos, nos arrastará a todos para o abismo.
A decisão está em nossas mãos. Ou agimos agora, ou nos resignamos a ser escravos de um império criminoso para o resto da vida. Não há uma terceira opção.



diario-octubre.com

Es la hora del OTAN NO, Bases Fuera

CHINA–RÚSSIA–IRÃ SALVAM VENEZUELA E ACABAM COM A HEGEMONIA ENERGÉTICA DO...

TIRANDO FORA OS 59 CASOS ABAIXO, OS ESTADUNIDENSES NUNCA SE METERAM NO PAÍS DOS OUTROS.


Por Rogério Guimarães Oliveira


1. Japão (1945–1952, ocupação militar direta, invasão, ataque atômico)
2. Itália (1947–1948, interferência eleitoral massiva e operações da CIA contra a esquerda)
3. Grécia (1947–1949, apoio militar e financeiro na guerra civil e consolidação de regime aliado)
4. China (1945–1953, apoio militar aos nacionalistas, confronto indireto na Guerra da Coreia)
5. Coreia do Sul (1945–presente, ocupação inicial, guerra, bases militares e tutela estratégica)
6. Coreia do Norte (1950–1953, guerra total com bombardeios em larga escala)
7. Irã (1953–presente, golpe de Estado, sanções, operações encobertas, assassinato seletivo)
8. Guatemala (1954–presente, golpe de Estado, repressão prolongada e apoio a regimes militares)
9. Tibete (1955–1970, financiamento, armamento e treinamento de insurgência via CIA)
10. Taiwan (1950–presente, apoio militar, diplomático e estratégico contínuo)
11. Filipinas (1946–presente, contrainsurgência, apoio militar interno e bases estratégicas)
12. Indonésia (1958–1965, apoio a rebeliões, golpe militar e massacres em massa)
13. Cuba (1959–presente, invasão fracassada, sabotagens, bloqueio econômico e operações encobertas)
14. Congo (1960–1965, desestabilização, apoio a golpe e assassinato de Patrice Lumumba)
15. República Dominicana (1961–1966, intervenção política seguida de invasão militar direta)
16. Vietnã (1961–1975, guerra em larga escala, invasão terrestre e bombardeios massivos)
17. Brasil (1961–2016, apoio ao golpe militar, tutela durante ditadura e lawfare institucional)
18. Guiana (1964, interferência eleitoral e desestabilização política)
19. Laos (1964–1973, guerra secreta e bombardeios massivos)
20. Peru (1965–presente, interferência política, pressão diplomática e cooperação militar)
21. Grécia (1967–1974, apoio político ao regime militar)
22. Camboja (1969–1990, bombardeios em massa e apoio indireto a forças armadas)
23. Chile (1964–1973, interferência eleitoral, sabotagem econômica e golpe de Estado)
24. Argentina (1976–1983, apoio político, militar e de inteligência à ditadura)
25. Uruguai (1973–1985, apoio à repressão estatal e cooperação em inteligência)
26. Angola (1975–1992, financiamento e apoio a forças armadas na guerra civil)
27. Moçambique (1977–1992, apoio indireto a forças insurgentes)
28. Etiópia (1977–1978, envolvimento estratégico indireto na guerra regional)
29. Turquia (1980–presente, apoio e legitimação de golpe militar e regime aliado da OTAN)
30. Polônia (1980–1989, financiamento e apoio político a movimentos oposicionistas)
31. El Salvador (1980–1992, apoio militar e financeiro durante guerra civil)
32. Nicarágua (1981–1990, financiamento, treinamento e coordenação dos Contras)
33. Honduras (1980–presente, base regional, apoio a golpe e cooperação militar)
34. Líbano (1982–1984, intervenção militar direta)
35. Granada (1983, invasão militar)
36. Líbia (1986–2011, bombardeios, sanções, desestabilização e mudança de regime)
37. Panamá (1989–1990, invasão militar e deposição de governo)
38. Filipinas (1989, apoio militar interno contra levantes)
39. Iraque (1991–presente, guerra, sanções, bombardeios, invasão e ocupação)
40. Kuwait (1991, intervenção militar no contexto da Guerra do Golfo)
41. Haiti (1991–2004, pressão diplomática, intervenções e mudança de governo)
42. Somália (1992–presente, intervenção militar, bombardeios e operações especiais)
43. Bósnia (1995, bombardeios da OTAN liderados pelos EUA)
44. Sudão (1998, ataques aéreos contra alvos estratégicos)
45. Sérvia / Iugoslávia (1999, bombardeios da OTAN e desintegração estatal)
46. Kosovo (1999–presente, ocupação indireta e tutela internacional)
47. Afeganistão (2001–2021, invasão, ocupação militar e mudança de regime)
48. Paquistão (2004–presente, ataques com drones e operações encobertas)
49. Iêmen (2002–presente, bombardeios, drones e apoio militar)
50. Somália (2006–presente, ataques aéreos contínuos)
51. Haiti (2004–presente, tutela política e intervenções recorrentes)
52. Síria (2011–presente, apoio a grupos armados, sanções e bombardeios)
53. Paraguai (2012, apoio diplomático ao impeachment relâmpago)
54. Ucrânia (2014–presente, apoio político, militar, financeiro e guerra por procuração)
55. Brasil (2013–2016, interferência institucional indireta e lawfare)
56. Bolívia (2019, apoio político e diplomático à derrubada do governo)
57. Irã (2020, assassinato do general Qasem Soleimani)
58. Palestina (Israel/Gaza) (1967–presente, apoio militar, financeiro, diplomático e logístico dos EUA à ocupação israelense e às operações militares em Gaza)
59. Venezuela (2014–presente, sanções econômicas, invasão, sequestro)
(Esqueci de algum?)