segunda-feira, 27 de março de 2017

Uma Prova de Vida . . .


OLÁ VELHOTE !

Só não tenho a certeza se os mais novos vão envelhecer…?
Se tal acontecer ainda bem para eles…!
Eu nunca trocaria os meus amigos surpreendentes, a minha vida maravilhosa, a minha amada família por menos cabelo branco ou por uma barriga mais lisa. À medida que fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Eu tornei-me o meu próprio amigo... Eu não me censuro por comer um cozido à portuguesa ou uns biscoitos extra, ou por não fazer a minha cama, ou por comprar algo supérfluo que não precisava.
Eu tenho o direito de ser desarrumado, de ser extravagante e livre. Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem me vai censurar se resolvo ficar a ler, ou a jogar no computador até as quatro horas da manhã, ou a dormir até meio-dia? Se me apetecer dançar ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60/70, e se, ao mesmo tempo, quiser chorar por um amor perdido... danço e choro.
Se me apetecer andar na praia com um calção excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, apesar dos olhares penalizados dos outros, os do jet set, aí vou eu.
Eles também vão envelhecer.
Eu sei que às vezes esqueço algumas coisas. Mas há mais algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu recordo-me das coisas importantes. Claro, ao longo dos anos o meu coração foi quebrado. Como não se pode quebrar o coração quando se perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum animal de estimação amado é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter os meus cabelos grisalhos e ter os risos da juventude gravados para sempre nos sulcos profundos do meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes dos seus cabelos virarem prata. Conforme se envelhece, é mais fácil ser-se positivo e preocupamos-nos menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Eu ganhei o direito de estar errado. Assim, para responder à sua pergunta, eu gosto de ser idoso.
A idade libertou-me. Eu gosto da pessoa em que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto cá ando, não vou perder tempo a lamentar-me do que poderia ter sido, e não me vou preocupar com o que será o futuro. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).
Que a nossa amizade nunca se quebre porque é directa do coração !

sexta-feira, 24 de março de 2017


AMAR É ACEITAR O OUTRO EXATAMENTE COMO ELE É
Iandê Albuquerque • 25 de setembro de 2015




O amor é simples, leve, libertador. O amor é companheirismo, presença, parceria. É reciproco, intenso e envolvente, onde só se ganha e nada se perde. Amar é doar-se por completo pra alguém sem medo do que esse alguém possa fazer com você. Amar é aceitar o outro por completo sem tirar nem alterar nada. Amor é aquele tempo que a gente nem tem e mesmo assim doa. Amor é chegar em casa, depois de um dia daqueles, e mesmo assim ter motivos pra sorrir porque o outro te olha como se não tivesse te visto há anos. Amor é segurar firme a mão do outro e sentir segurança suficiente pra entender que você estará presente não só enquanto tua mão envolver a dele, mas principalmente quando vocês estiverem distantes. Amor é mergulhar em um olhar que não te afoga, é transformar um abraço em um abrigo, é morar em alguém que mesmo com tantos defeitos e diferença, não te assusta.

Amar é dormir ao lado de alguém que te cura de qualquer preocupação, é acordar com alguém que te leva pra um lugar que cê não tem ideia, mas mesmo assim aceita o desafio, porque o amor é capaz de enfrentar e superar qualquer obstáculo na vida. Amar é saber que ninguém é dono de ninguém. É ficar mesmo quando a pipoca queimar, o refrigerante perder o gás ou quando o filme for repetitivo, porque o que realmente importa pro amor é selar o encontro, é eternizar o momento e fazer de um sentimento uma memória. Amar é aceitar que o outro é livre e que se pode partir a qualquer momento. É aceitar que se doer, melhor deixar ir. Se ficar confuso, melhor partir. Amor é poder ser quem você é, não precisar fingir e permitir que o outro seja quem ele é, sem aparências, sem disfarces.

Amar é querer o bem do outro sempre, é torcer pelos sonhos e vibrar quando alcançá-los. Amar é sentir a alma do outro, e por isso, não fazer mal. Amar é não machucar porque, de alguma forma que a ciência não consegue explicar, isso vai te ferir também. Amar é sentir que às vezes será melhor ficar em silêncio e compreender com um só olhar o que a alma do outro quer dizer. Amar é não ter orgulho, se desfazer de todos esses joguinhos que usamos pra não ficar por baixo e não aparentar vulnerável demais. Mas amar é ser vulnerável, é se desfazer de todas as armaduras e se envolver de peito aberto. Amar não é se poupar, é doar-se por inteiro. É aceitar que nem sempre você estará certo, e se estiver, amar é reivindicar, relevar e perdoar também. O amor não tem a ver com alianças, expectativas, promessas ou contratos. Na verdade, se tem uma coisa pra te dizer é que não espere que alguém seja o seu modelo ideal. O ame enquanto for reciproco, e se for amor, será liberto, e se for liberto, você não vai querer moldá-lo ou transformá-lo em alguma coisa só pra te fazer bem. Se for amor, te fará bem exatamente do jeito que é. Sem egoismo, por favor!

sexta-feira, 17 de março de 2017


A arte de ir embora


Mariana Caramori -

12 jun, 2016

“Difícil não é lutar por aquilo que se quer,

e sim desistir daquilo que se mais ama.

Eu desisti.

Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer”. Bob Marley

É estranho como, às vezes, mesmo contra nossa vontade temos que partir. Seja de um lugar, seja de uma situação, seja de dentro de alguém… percebi então, de quantas coisas, lugares e situações eu tive que ir embora mesmo sem querer.

Seja porque era hora, seja porque existia um motivo relevante ou mesmo não tendo motivo algum aparente. É quando se tem a sensação de que é hora e não da mais pra ficar ali, mesmo querendo. É quando a gente quer ficar, mas o cansaço nos impulsiona a seguir novos rumos e alçar novos voos. Só quem já passou por situações semelhantes sabe do que estou falando: a arte de ir embora quando se quer ficar, de abrir mão quando se quer muito ainda, de deixar pra lá quando insiste em estar bem aqui. E quando eu digo arte é bem no sentido literal da palavra mesmo. Porque nem sempre as pessoas entendem quando você se vai. Aliás, elas quase nunca entendem… Não é qualquer um que é artista. E por isso, fica difícil explicar.

É difícil fazer as pessoas entenderem que nem sempre quando se quer é a hora certa. É difícil elas entenderem que a gente tira o time de campo, mas o pensamento ainda joga o tempo todo. E que, lidar com essa ambiguidade é também muito difícil. É difícil pra elas entenderem que a gente segue a vida porque a vida também sempre segue, mesmo que a gente não queira.

Mas isso pouco importa. Eu só vim mesmo aqui pra te dizer que eu não queria ter ido, mas fui. Pra te fazer entender que eu teria escolhido ficar se você tivesse me dado essa opção. Pra te contar que eu só fui porque você me permitiu ir embora. A gente sempre vai embora não é?

Encerrando Ciclos

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, apaixonados que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.


Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Como saber a hora de partir?

Chega um instante em que você tem que decidir o seu destino. Permaneço no meu querido sofá rasgado que já tem a forma do meu corpo? Ou pego a mochila, umas mudas de roupa, e saio de fininho antes do amanhecer? Todos passam por momentos de decisão onde um passo pode levar tanto para a glória, quanto para a beira de um abismo.

A sensação que tenho é que quanto mais amadurecemos, mais precisamos tomar as rédeas da nossa vida. Quando somos crianças sempre existe alguém que decide por nós; o que vamos comer, aonde ir, o que vestir… Com o passar do tempo o fato de ser pessoa começa a nos cobrar decisões. Vem bem de mansinho e sem que a gente se dê conta passamos a decidir com quem nos relacionar, que profissão escolher, fazer um plano de carreira.

Vamos pouco a pouco tomando o controle da nossa existência, conduzindo nossos caminhos, até que, num piscar de olhos, somos pilotos de Fórmula 1 disparados na carreira da vida, entre ultrapassagens e colisões lutando para chegar ao pódio. Você é o piloto, o condutor, quem tem a posse da direção.

A vida é representada pelo carro. Os seus adversários e companheiros de equipe são as pessoas que você interage. Todos buscam a vitória. A vitória afetiva, a vitória profissional, o reconhecimento, a recompensa. Mas cuidado, porque o percurso é escorregadio, chuvas torrenciais surgem sem trovoadas. Preste atenção quando houver neblina e tente não se dispersar com a paisagem.

Na vida a gente só muda diante do novo. Livros já lidos, músicas que a letra se sabe de cor, receitas que não precisamos mais espiar… Isso faz parte da nossa essência, do que construímos, são parte de nós e da nossa estrutura como indivíduo. No passado nós já arriscamos ao ler aquele livro, escutar aquela canção e preparar aquela receita.

Na maioria das vezes o que nos mantém em pé diante das dificuldades não é o que temos, mas sim, o que queremos ter. Temos quem nos ama, temos amigos. Essas pessoas são pivôs na nossa existência, pilastras que nos ancoram e nos escoram. Gratidão a parte, mas para exercer o ofício do novo é fundamental arriscar. O que nos faz sair do lugar é exatamente a busca pelo desconhecido, perseguir a melhoria, vislumbrar a mudança. É sonhar.

Como saber que é hora de mudar? Pergunta difícil, cheia de possibilidades. Ir ou ficar? Se ir, para onde? Esquerda, direita, em frente? Ficar é mais fácil porque não exige nada de nós. Entretanto é provável que, mais adiante, você terá que conviver com as dores do reumatismo por ter ficado tanto tempo no sofá da vida.

Eu costumo dizer que a hora de soltar as correntes e dar o primeiro passo é justamente quando se sentir incomodado. Atenção à luz amarela do semáforo. Quando ela começar a piscar e você se descobrir enfadado, molestado na situação na qual vive é hora de mudar o trajeto. O incômodo gera infelicidade, frustração, te sucumbe à sensação de incapacidade. Ele é como a febre que denuncia quando algo vai mal no organismo. É o pisca-alerta da vida.

Esse peso faz enxergar que aquilo que andava bem e te fazia feliz, já não te completa mais. O que era bom transformou-se em algo penoso, enfadonho, inoportuno. Chegou a hora de botar mais combustível, trocar o óleo, calibrar os pneus, ou talvez só mudar o trajeto para evitar um acidente de percurso lá na frente.

Portanto, segure firme o volante. Derrape, mas ultrapasse lá na frente. Esbarre, mas faça a curva com segurança. Tenha precaução em tempos de chuva, mas acelere nas retas quando o sol brilhar!

“Perdoa-me, folha seca,

não posso cuidar de ti.

Tu és folha de outono

voante pelo jardim.

Deixo-te a minha saudade

– a melhor parte de mim”.


Cecília Meireles

terça-feira, 7 de março de 2017

Palavra P.O.R.T.U.G.A.L...


        





De onde vem a palavra = P.O.R.T.U.G.A.L.?

Após aprofundados estudos de grandes historiadores, descobriu-se agora
o significado da palavra P.O.R.T.U.G.A.L. :
- País Onde Roubar, Tirar, Usurpar, Gamar e Aldrabar, é Legal!

SE CAMÕES FOSSE VIVO ESCREVERIA ASSIM OS LUSÍADAS:

I

As sarnas de barões todos inchados,
Eleitos pela plebe lusitana,
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana,
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram...!

II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando...!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte...!

III

Falem da crise grega todo o ano...!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram...!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta...?

IV

E vós..., ninfas do Coura onde eu nado,
Por quem sempre senti carinho ardente...!
Não me deixeis agora abandonado,
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente...!
Aqueles que já têm no seu gene,
A besta horrível do poder perene...!

(Luiz Vaz Sem Tostões e mais liões....?)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017


Carmen Silvia Presotto
23 de Fevereiro de 2015 ·



Meus momentos com Pessoa, que boa leitura!

" Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa sua essência. "

A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos. Enquanto sentimos os males e as injúrias de Hamlet, príncipe da Dinamarca, não sentimos os nossos – vis porque são nosso e vis porque são vis.

O amor, o sono, as drogas e intoxicantes, são formas elementares da arte, ou, antes, de produzir o mesmo efeito que ela. Mas o amor, sono e droga tem cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que serviram de estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o princípio. Da arte não há despertar, porque nela não dormimos, embora sonhássemos. Na arte não há tributo que paguemos por ter gozado dela.

O prazer que ela nos oferece, como em certo modo não é nosso, não temos nós que pagá-lo ou que arrepender-nos dele.

Por arte entende-se tudo que nos delicia sem que seja nosso – o rasto da passagem, o sorriso dado a outrem, o poente, o poema, o universo objetivo.

Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa sua essência.

Fernando Pessoa feito Bernardo Soares. In: Livro do desassossego. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 270.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Agressão de Roberto Freire a um escritor premiado choca imprensa internacional


Leia a opinião desta colunista portuguesa, publicada no mais prestigiado jornal de Portugal, sobre a agressão de Roberto Freire, ministro da Cultura do governo ilegítimo, a Raduan Nassar e plateia.
OPINIÃO
O ministro que se confundiu a si mesmo com um prémio
O ministro sumirá da história e a obra do premiado fica, enquanto houver alguma forma de livro no planeta.
Por Alexandra Lucas Coelho, no Publico
20 de Fevereiro de 2017, 7:59 AM
1. A cerimónia de entrega do Prémio Camões, o maior da língua portuguesa, sexta-feira passada, em São Paulo, foi um retrato do que está em curso no Brasil, mas não só. Revelou a que ponto um ministro não distingue Estado e governo, confundindo-se a si mesmo com um prémio. E como querer separar cultura e política leva a uma política sem cultura.
2. O premiado desta edição era o brasileiro Raduan Nassar. A decisão, unânime, foi tomada em Maio de 2016 por um júri composto por críticos e escritores de vários países de língua portuguesa. O anúncio coincidiu com o início do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas não era esse governo, ou um seu sucessor, que atribuía o prémio a Raduan Nassar, e sim um júri independente. Aos governos de Portugal e Brasil que na altura da entrega estivessem em funções competiria cumprir, em nome dos Estados, o compromisso que existe desde que o prémio foi instituído, assegurando o montante em dinheiro. Os premiados do Camões não são escolhas de nenhum governo. Qualquer confusão em relação a isto será um insulto à ideia do prémio, aos júris que já o atribuíram, a cada nome que o recebe, e a quem acredita na sua independência.
3. A obra de Raduan Nassar é daquelas que muda a língua e os leitores, e mantém-se tão breve quanto única. Foi publicada sobretudo nos anos 1960 e 1970, depois o autor largou a literatura, tornou-se fazendeiro, desapareceu do espaço público. Durante décadas esse silêncio tornou-se lendário. Mas em 2016, no início do impeachment, Raduan mandou a lenda às urtigas por achar que o impeachment era um golpe. Falou, foi a Brasília ter com Dilma, protestou na imprensa. Fez isso num Brasil dividido ao extremo, o que lhe valeu ser insultado aos 80 anos pelos que acima de tudo odiavam Lula, Dilma e o PT. Não se tratava apenas de discordar de Raduan, mas de o diminuir como anacrónico. Ele, que ao fim de décadas voltara para fazer o mais difícil, aparecer. E como teria sido tentador continuar fora da mortal turba humana. Mas Raduan deixou o olimpo para os livros e arregaçou as mangas.
4. O governo que ocupou o poder pós-impeachment já vai na sua segunda tentativa de ministro da Cultura. Seja por isso, seja porque Michel Temer & Cia receavam o que Raduan pudesse dizer, a entrega do Prémio Camões só aconteceu agora. Dado que Raduan quebrara várias vezes o silêncio em 2016 era de prever que aproveitasse para um discurso político. E foi o que aconteceu. Um breve discurso contundente em relação ao actual governo brasileiro, e ao sistema que o favorece. Depois de um par de frases para o outro lado do Atlântico (“Estive em Portugal em 1976, fascinado pelo país, resplandecente desde a Revolução dos Cravos no ano anterior. Além de amigos portugueses, fui sempre carinhosamente acolhido”), Raduan estabeleceu o contraponto com o Brasil de 2017: “Vivemos tempos sombrios, muito sombrios”. Deu exemplos de invasões em sedes do PT e em escolas de vários estados; de prisões de membros dos movimentos sociais, de “violência contra a oposição democrática ao manifestar-se na rua”, da responsabilidade governamental nas “tragédias nos presídios de Manaus e Roraima”, de um “governo repressor”: “contra o trabalhador, contra aposentadorias criteriosas, contra universidades federais de ensino gratuito, contra a diplomacia ativa e altiva”. Um “governo atrelado, por sinal, ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração da riqueza”, “amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal”. Um Supremo coerente “com seu passado à época do regime militar”, que “propiciou a reversão da nossa democracia: não impediu que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados e réu na Corte, instaurasse o processo de impeachment de Dilma Rousseff.” Aqui Raduan concluiu: “Íntegra, eleita pelo voto popular, Dilma foi afastada definitivamente no Senado. O golpe estava consumado. Não há como ficar calado.”
5. A plateia, em pé, aplaudiu. Os três anfitriões da cerimónia permaneceram quietos: embaixador de Portugal, Jorge Cabral, directora da Biblioteca Nacional, Helena Severo, e ministro brasileiro da Cultura, Roberto Freire, que então se levantou para ir ao púlpito. Com Raduan já sentado, Freire decidiu responder-lhe de improviso, numa longa intervenção gesticulante, que foi subindo de tom. “Lamentavelmente, o Brasil de hoje assiste perplexo a algumas pessoas da nossa geração, que têm o privilégio de dar exemplos e que viveram um efetivo golpe nos anos 60 do século passado, e que dão o inverso”, disse. “Que os jovens façam isso já seria preocupante, mas não causaria esta perplexidade”. Quando falou no “momento democrático que o Brasil vive” ouviram-se as primeiras gargalhadas e vaias da plateia. A partir daí foi uma escalada, com o ministro a levantar a voz para se impôr ao bruá, martelando palavras. Este prémio, afirmou, “é dado pelo governo democrático brasileiro e não foi rejeitado”. Adiante insistiu: “É um adversário recebendo um prémio de um governo que ele considera ilegítimo, mas não é ilegítimo para o prémio que ele recebeu.” Ou: “Quem dá prémios a adversário político não é a ditadura.” Ou: “É fácil fazer protesto em momentos de governo democrático como o actual.” Ignorou quando alguém da plateia o alertou para o óbvio: “Hoje é dia do Raduan!” Quando alguém pediu “Respeito a Raduan!”, devolveu: “Ele desrespeitou todos nós!” Respondeu sarcasticamente a autores na plateia. A dada altura, o professor da USP Augusto Massi disse: “Acho que você não está à altura do evento.” Massi disse à “Folha de S. Paulo” que Freire lhe chamou idiota depois, na saída. À “Folha, Freire disse que fizera aquele discurso dada a “deselegância” de Raduan: “Se ele viesse dizer que não aceitava o prémio, a crítica que ele fez até podia ser justa.” Mais tarde declarou: “Quem assinou, convidou e pagou o prémio foi este governo.” E ainda: “Tinha tantos que não foram ali para aplaudir um escritor, foram para [me] agredir, acho que até fui brando.”
6. Ou seja, para o ministro a) este prémio é dado por este governo b) quem critica este governo dá mau exemplo c) jovens críticos já é mau mas velhos ainda é pior d) se Raduan queria criticar não aceitava o prémio e) quem vaiara o ministro tinha vindo não por Raduan mas para o agredir a ele, ministro. E com tudo isto o ministro suplantou as críticas de Raduan na repercussão mediática. Em suma, não é de espantar que o megalómano ministro venha a dizer: o prémio, fui eu.
7. Claro que o ministro sumirá da história e a obra do premiado fica, enquanto houver alguma forma de livro no planeta. Para os livros de Raduan Nassar é indiferente o que passou na sexta. Mas a nós, contemporâneos, importa, sim, que um membro do poder político abuse do cargo, confundindo, distorcendo e agredindo um criador como Raduan, protagonista único da cerimónia, que lhe devia merecer, no mínimo, silêncio. Não cabe ao ministro aprovar ou reprovar o discurso do premiado, não lhe cabe responder. Tal como não é preciso alguém estar de acordo com Raduan politicamente para entender como foi absurdo o que se passou. O prémio não é deste governo, é patrocinado por dois Estados, e atribuído por um júri. A sua aceitação nunca deverá implicar um discurso bem-agradecido. Um ministro da Cultura que veja os criadores como estando ao serviço não entendeu nada. Idem para quem sugere que se pode tirar a política da cultura, e vice-versa. De resto, o que o actual governo brasileiro está a fazer na Cultura é um desmonte do muito que veio sendo construído. Se há áreas em que os anos de Lula deram frutos fortes, a Cultura é certamente uma delas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Lurdes Simões
10 amigos em comum, incluindo Aníbal Santos e Miguel Portas
Estudou Geografia em FLUC - Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - Portugal

Lurdes Simões
Lurdes
Então o Grande Alex , meu ilustre colega e amigo, fomos da mesma turma no DD enão me aceita como amiga aqui no Face, não me digas que e por estar a ficar velha😃Beijinhos rapaz do meu tempo, aceita lá o meu pedido😝

Aceitaste o pedido de Lurdes.
Alexandre
Olá , Lurdes ! Na minha pequena lista de amigos , jamais poderão figurar , fascistas (que não será o teu caso . . .) nem . . . anti-benfiquistas ! Tenho amigos sportinguistas e portistas que tolero perfeitamente . . . não podem é desrespeitar o meu clube ! Sempre que isso acontece por aqui , pego na vassoura e "varro" . . . foi o que aconteceu contigo , claro que me custou imenso , mas . . . se conseguires pôr de lado , futebolices e outras tolices . . . quem sabe , né , "amiga" ?! . . . aquele abraço , sempre 🙂

Lurdes Simões
Lurdes
Pois é amigo, pegaste na vassoura outra vez, mas fizeste bem, porque eu, fascista jamais, a esses calço-lhe os patins, agora um Homem da tua classe ser fanático por um clube a ponto de excluir ex colegas ? Isso não é normal,é falta de tollerância. E é exatamente por isso, pelos fundamentalistas como tu, que mundo anda em guerra; vai a um bom psiquiàtria, ele trata-te essa fobia! Com é que é possivél que quisesses limitar a minha liberdade de expressão ? Isso é um proposta de um pequeno ditador, logo essa tipologia de pessoas, não as quero como amigas, nem mesmo por perto! Passa bem! E um abraço, trata-te
Alexandre
. . . só podes estar bêbada , Lurdes e . . . ainda é tão cedo ! Guardei para memória futura ! Espero que sejas feliz . . . abraço amigo sempre
Lurdes Simões
Lurdes
Chamaste-me bêbada! Ok. 2ª feira o meu companheiro vai aprestar queixa contra ti, por difamação. O DIAP - Coimbra, a seu tempo vai-te contactar.
Alexandre
. . . olha que chamar-me fundamentalista e culpar-me pelas guerras do mundo , não será difamação menor , Lurdes , mas faz o que a tua consciência te mandar ! Tenho pena que seja assim . . .
Lurdes Simões
Lurdes
Não te culpei pelas guerras do Mundo, apenas referi que são obra de pessoas fanáticas, aliás, como tu assumes
Alexandre
Penso que foste muito injusta comigo , naquilo que escreveste atrás , Lurdes . mas é claro que te devo um pedido de desculpas , por ter respondido daquela maneira , foi instintivo e peço-te desculpas por isso ! Não te difamei , apenas escrevi que "só podias estar . . ." atendendo à forma como me tinhas "destratado". . . fiquei muito triste por isso . . . mas a vida é assim ! Aquele abraço sempre
Alexandre
. . . e outra coisa , Lurdes , tenho muitos bons amigos na vida real que não os quero no facebook , precisamente por causa das clubites ! Se reparares eu nunca posto ou partilho nada sobre futebol , pois acho que não estou aqui para isso ! Tenho a minha clubitesita mas é do coração apenas , não vou em futebóis e não entro em confrontações algumas sobre tais assuntos . Aqui , elimino os amigos que postam assuntos de futebol e similares mas não deixamos de ser amigos por esse facto .
Lurdes Simões
Lurdes
Alexandre
. . . e o meu benfiquismo só me dá para ficar contente quando ganha e triste quando perde ! Nunca me chateio e muito menos me revolto com assuntos clubísticos , pois cada um curte a sua ! Não é um tema que me apaixone . . . existem muitos outros aqui no face que me agradam . . . música , poesia e muitas outras lutas . . . é por isso que estou aqui , enquanto me fizer bem e o futebol não me faz bem . . . será que entendes ? . . .
Lurdes Simões
Lurdes
Já chega, claro que entendo, mas continuo a dizer que cada um tem o direito de escrever ou partilhar o que lhe apatece ! Qunto a outras lutas, olha é para isso que estou aqui, não fora isso e já me tinha fartado. Fica bem Alexandre, mas voltes sequer a insinuar que bebo! Aliás, bebo, àgua e muita! Logo o que escreveste, ofendeu-me mesmo, porque nunca nunguém me tinha chamado tal. Tu não me conheces, eu não te conheço a ti, encintámo-nos por acaso há décadas no Liceu e depois disso já se passou uma vida, que nos moldou, que nos fez gente. Não vamos insistir nisto, a seu tempo os nossos advogados hão-de conversar. Repito a mim, ninguém sequer insinua que sou bêbeda e o senhor fê-lo. Fique bem e não me incomode mais.
Alexandre
Os meus amigos conhecem-me , sabem perfeitamente que não "esse" que tu indicaste , não acertaste em nada , Lurdes . . . mas não admira . . . são muitos anos . . .
Lurdes Simões
Lurdes
A única coisa em queria acertar era no totoloto, maas estamos aqui para caretar ? Isto é algum jogo ?
Lurdes Simões
Lurdes
😰😰😰😰😡😡😡😮😮😮😭
Alexandre
. . . e continuo a dizer que foste muito injusta , comigo , Lurdes , eu não sou "esse" com tantos defeitos como me atribuis , podias pedir desculpas , como eu fiz , de imediato , não achas ?
Lurdes Simões
Lurdes
Ok, descupa de me excluires do face, porque eu sou anti benfica e tu não convives com essas pessoas ! Desculpas pedidas, as tuas, não aceites ! Mas vais pedir no devido lugar, garntido!

Alexandre
Lurdes , é claro que não te vou bloquear , pois não deixei de ser teu amigo (fora do facebook !) , apenas vou guardar uma cópia desta nossa conversa e desactivá-la , de imediato . Fica bem . Abraço amigo sempre

Lurdes Simões
Lurdes
Desculpa Alexandre,já conversámos cá em casa e decidimos não apresentar queixa nenhuma, Fora do face continuaremos, não direi amigos, porque não sou hipócrita, o que se passou aqui foi demasido grave. Também ... amigos, como? Pois até no Liceu fomos meros conhecidos ? Eu sou no face o que sou na vida real, daí que os meus amigos do face, sejam amigos re
Lurdes Simões
Lurdes
, digo maioritáriamente aamigos reais, colegas e outros conhecidos por quem renho alguma estima. Fica descansado, aceito as tuas descupas, e também te peço que me descupes, eu e tu, ambos nos excedemos, portanto estamos quites. Fica bem, beijinho e até um dia.
Vista por Lurdes Simões às Domingo 15:55

Alexandre
Olá Lurdes . . . bom dia !
Alexandre
Ontem não andei por aqui , só já bastante tarde , passei pràcticamente a tarde toda , aqui ao lado , na casa da minha irmã , pois a minha mãe fazia 87 aninhos ! Fiquei contente , claro , quando aqui cheguei e li a tua mensagem . Penso que fizeste bem , que tomaste a atitude correcta , mas quem sou para achar ou deixar de achar coisa alguma , n'é Lurdes ?! Bem ou mal ,terá que ser sempre a nossa própria consciência a indicar-nos os caminhos . . . é o que eu acho ! Uma coisa que gostaria que acreditasses , é que , tal como tu , eu sou gente de "bem" e de "paz" , com muitos defeitos , claro , mas que prezo muito , valores como a amizade , mais que o amor até ! Gosto de gostar dos meus amigos e quero dizer-te também que os meus melhores amigos (se é que há disso . . .) nem têm facebook ! Sempre que nos dá na telha e sem qualquer motivo especial , visitamos-nos o telefonamos-nos . Olha , amiga . . . permite-me que te trate assim . . . se algum dia te lembrares , ou andares por estes lados , terei todo o gosto de te receber aquinomeucanto . Terei o meu feitio ( mau ? . . . bom ? . . . quem sabe , n'é Lurdes ?!) , mas uma coisa te garanto , sou gente simples mas de bem . Não quero terminar sem te felicitar pela atitude que tomaste (estou certo que ambos a merecíamos !) e dizer-te que sempre serás bem vinda aquinomeucanto ! Beijinho muito grande e . . . aquele abraço amigo , sempre . Até um dia e fica bem , também

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Também foi o Trump que interrompeu o Sócrates?

(Por Estátua de Sal, 03/02/2017, 22h:30m)
gf
A SICN, de novo ao nível do Correio da Manhã, no Jornal da Noite que acabo de ver. O Gomes Ferreira é o homem dos sete instrumentos. Um autêntico enciclopedista. Não é sequer licenciado em economia e perora sobre economia como um grande catedrático. Fala de finanças e de finanças nem sequer tem a frequência da matéria ao nível do liceu.
Hoje veio abalançar-se numa nova área do saber,  o Direito, como sendo um grande jurisconsulto, um verdadeiro juiz encartado, tentando rebater os argumentos que Sócrates apresentou na conferência de imprensa que hoje deu, a propósito do processo que intentou contra o Estado português, por ultrapassagem de todos os prazos processuais na Operação Marquês.
Uma vergonha, este tipo. A sua prestação uma sabujice. A SICN continuou o jornal da noite por aí fora numa peça toda ela um nojo, avançando com dados do processo que, ao que parece, nem sequer aos advogados de defesa de Sócrates é dado acesso. Um julgamento a céu aberto e sem contraditório. Uma verdadeira peça inquisitorial. É este o país que temos, a Justiça que temos, a comunicação social que temos.
E mais. A conferência de imprensa de Sócrates teve a sua transmissão interrompida na SICN e em todos os outros canais de informação, depois das declarações iniciais. A fase de respostas às perguntas dos jornalistas, em que Sócrates se defendeu de acusações várias, não mereceu transmissão em directo, não fosse o ex-primeiro ministro desintoxicar a opinião pública dos venenos tóxicos com que a comunicação social a vai alimentando.
Se fosse uma conferência de imprensa do Bruno de Carvalho, do Luís Filipe Vieira ou do Pinto da Costa não perderiam sequer um sussurro dos ditos cujos porque a bola é que educa e é o assunto mais importante para entretém do povo. Ou se fosse o Passos ou a Dona Cristas, a SIC até lhe lamberia os perdigotos todos para que nada se perdesse.
São cada vez mais nojentos os critérios editoriais da comunicação social e cada vez mais se conclui que não vendem só publicidade. Vendem a informação que difundem de forma tendenciosa a quem lhes paga para a orientar de forma enviesada e manipuladora.
Depois não venham dizer que o populismo campeia, porque se campeia é porque os media tudo fazem para o incentivar com estas práticas.
E já agora, neste caso de tirarem a palavra a Sócrates, não transmitindo na íntegra a conferência de imprensa, quem foi, e a que título, que vos deu ordens para o fazer? Não me venham dizer que foi o Trump. O homem anda, nos últimos tempos, a ser acusado de tudo e mais alguma coisa, mesmo daquilo que aconteceu antes de ocupar o cargo.
O mais grave é que o Trump, no seu estilo desabrido, vai dando a cara. Enquanto que noutras decisões há outros Trumps ocultos, maquiavélicos, e que só não são tão perigosos porque não são presidentes dos EUA.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Alentejanos… sempre à frente !!!

Em noite de feroz inspiração, o poeta foi passear pelo campo e, topando com um Alentejano que contemplava o luar, disse-lhe :

- És um amante do belo ! Acaso já viste também os róseos-dourados dedos da aurora tecendo uma fímbria de luz pelo nascente, ou as sulfurosas ilhotas de sanguíneo vermelho pairando sobre um lago de fogo a esbrasear-se no poente, ou as nuvens como farrapos de brancura obumbrando a lua, que flutua esquiva, sobre um céu soturno ?
- Ultimamente, não !... respondeu o Alentejano pasmado. Há mais de um ano que não me meto nos copos !