sábado, 21 de julho de 2018

Foi


Foi a noite mais bela
De tantas as noites
Em que me apetecias
E pelo escuro sorrias
Foi aquela noite tardia
Com palavras moucas
O tempo me acontecia
E as mãos eram loucas
Foi uma noite iluminada
Ou apenas uma miragem
Que nos trilhou a estrada
Que te retocou a imagem
Foi o sonho enlouquecido
Tão atrevido e destemido

AC............... Alice Coelho
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sexta-feira, 20 de julho de 2018



Sede

Tenho sede
A garganta seca
Lábios ressequidos
Calor desesperado
Gritos suados
Entre seios perdidos
Em mãos encontrados
Mata-me a sede
Em fonte cristalina
Encostada à parede
Canção de menina
Tenho sede
Dum poema que segrede


AC............... Alice Coelho
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Poema aos Homens Constipados

Publicado em Dezembro 14, 2015 por Maria do Céu Brojo


Fine Invisible Man – Jim Warren

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.

Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças

Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.

Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

António Lobo Antunes


Num "se"

Se num sonho me engasgas
Com o sabor dos momentos
Com as palavras me entregas
Todos os teus pensamentos
E pelo sonho ao céu subimos
Pelo mar nós vamos entrando
Num mundo que descobrimos
Tão diferente quanto estranho
Não desperdices teus poemas
Sentada no parapeito da janela
Ao decorar todos os teoremas
Ao escrever à luz de uma vela
Se num sonho me engasgas


AC............... Alice Coelho
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quinta-feira, 19 de julho de 2018


AVESSO DO DIA

Acordar e sentir
os teus lábios pousados
nos meus

Esvair-se a névoa
em figuras de estilo
sensuais e delineadas

Sentir no céu da boca
o saibo do cio
dos beijos molhados

A noite cair
a lua girar nos rodados
de um sonho acordado

É virar o avesso do dia
e deixar que renasça
o amor
ainda mais louco
intenso
e retesado.

nataliadinis
Direitos reservados de autor
Photo by, Maria Diniz
18/Julho /2018

Nicolás Maduro: AL deberá luchar contra el imperialismo de EE.UU.

terça-feira, 17 de julho de 2018



O Dicionário de Oxford elegeu o verbete “pós-verdade” como a palavra do ano. Segundo os autores, pós-verdade seria a circunstância em que fatos objetivos possuem menos importância que as crenças individuais. Num mundo dividido em bolhas virtuais, cada pessoa montaria sua realidade de acordo com as suas crenças e não como o resultado do confronto entre as ideias e a experiência sensível.

Penso que, pior que os boatos, que as mentiras, são as verdades selecionadas. É possível mentir dizendo apenas a verdades. Tal método não é novo, mas continua sendo um dos mais eficazes. Como no exemplo abaixo.

O site Spotinik é muito eficiente em fazer esse tipo de manipulação. A missão desse blog é bem simples: provar a qualquer custo que o liberalismo radical é a única forma aceitável de pensar a política. Mas e se a realidade mostrar algo diferente? Problema dela. Eles a adaptam a imagem e semelhança da teoria.

Poucos conferem os números apresentados, caso sejam do agrado do leitor, os dados são aceitos e ajudam a reforçar o universo ideológico que aprisiona e impede o pensamento crítico.

O texto abaixo é um belo exemplo desse método de manipulação. Nele, não há nenhuma referência bibliográfica. Apenas indicadores que contam com a fé do leitor. Como nunca fui muito afeito à religião, resolvi conferi-los.

Por sorte, descobri a fonte na qual os autores do blog se basearam. Trata-se da coleção História da América Latina da Universidade de Cambridge (Volume IX) Essa coleção é monumental (só o volume nove tem 1110 páginas). É o melhor estudo geral sobre a história da America Latina. Eles teriam dados suficientes para escrever um ótimo texto. Mas não era esse o objetivo. Na verdade, a intenção é defender o liberalismo a qualquer custo e não analisar a história da forma séria.

Vamos lá: na página 201 o manual diz que Cuba tinha uma das maiores rendas da América Latina (374 dólares). Diz tbm que somente México e Brasil superavam Cuba em número de rádios. A ilha tbm era a primeira do continente em quantidade de jornais, telefones e veículos a motor. Por fim, o livro diz, nesse mesma página, que o analfabetismo era de 20% (o Spotinik inverteu, não pega bem falar em analfabetismo, então eles colocaram 80% de letrados, não é mentira, mas o efeito é mais positivo. Tbm esqueceram de dizer que esse número é referente à capital Havana.).

Até aí tudo certo. O problema é que eles pinçaram esses números. Procuraram dados positivos no meio de uma série de outros negativos. O que é mais importante, número de rádios ou água corrente? Apenas 15% da população tinha água encanada. De fato, havia muitos rádios, mas só 9% dos lares do campo possuíam eletricidade. O analfabetismo no interior chegava a 50%. Em 1957 17% da população ativa estava desempregada e o subemprego chegava a 13%. Os que restavam empregados, em sua maioria, cortavam de cana. A profissão de boia fria, como nós brasileiros conhecemos bem, está longe de ser a mais desejada pelos jovens. Sem falar que o corte de cana é sazonal e apenas 30% dos trabalhadores conseguiam emprego o ano inteiro. Dois terços da renda de Cuba vinha das exportações para os EUA. O capital americano controlava 90% da telefonia (por isso o número alto de aparelhos telefônicos). A economia aberta fez de Cuba um país sem indústria. Caso um trabalhador pobre quisesse fugir da miséria, teria que trabalhar com o turismo. O problema é que essa atividade só existia em pouquíssimos lugares e era muito concentrada em Havana.

Enfim, há mais números, mas eu acho melhor parar aqui. A minha pergunta é: pq os dados negativos foram ignorados pelo autor do texto? Essa coleção de Cambridge é umas das fontes mais confiáveis e certamente o Spotinik se baseou nela. Mas eles escolheram a dedo o que iria ser mostrado. Afinal, é preciso que as informações passem pelo filtro ideológico do blog antes de chegar ao rebanho. Não queriam informar, mas manipular. Reforçar verdades pré-fabricadas.

No dia 04 de dezembro de 2016, data do enterro do Fidel, dois milhões de pessoas foram às ruas se despedir do presidente. Fulgencio Batista morreu em 1973, exilado na Espanha. Nesse caso, não houve choro, vela e nem fita amarela. O reconhecimento também é um fato social importante e, muitas vezes, diz mais sobre um povo que os números frios.

Eduardo Migowski


domingo, 15 de julho de 2018



Quando

É tempo que despenteia
Vento que amacia a pele
É silêncio que desnorteia
Distância que nos repele
Quando
É poema que nos arranha
Rima que de desconcerta
É luxúria que nos assanha
Sinfonia que se desaperta
Quando
A vida tem sono de criança
Sonho acorda a esperança.


AC............... Alice Coelho
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. . . amo essa mulher . . . será que posso ?!

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Eugénio de Andrade

"Manoela D´ávila tem uma coisa perturbadora para uma candidata à presidente da República. Não é só o fato dela ser mulher, jovem, e ainda bonita, que impede corações e mentes deste Brasil violentamente varonil de ouvir a inteligência clara da candidata. É que ela é espontânea. E isso é insuportável. Tem que ser calado. Pouquíssimos políticos são autênticos, e Lula, o maior de todos, paga o preço desta autenticidade, no seu caso, multiplicado pela origem pobre. Há um ódio surdo, como aquelas notas graves quase inaudíveis de filmes de terror, que NÃO ACEITA que quem é oprimido seja autêntico. Não pode! O oprimido tem que se submeter ao olhar do opressor. Tem que se ater ao seu personagem. Em Os fuzis, o clássico imortal de Ruy Guerra, tem um momento no qual Gaúcho, o soldado desertor, está provocando os seus ex-colegas, no bar. Eles o mandam calar a boca. Ele cala, e ri para seus agora inimigos. Eles o mandam parar de rir. Ele responde, ainda sorrindo: "não vou rir, não vou falar...só vou beber". Poucos minutos depois, ele explode em rebelião, e é morto a tiros. Porque é inaceitável. É um ódio informulado, fundo, visceral, espesso. Por isso não a deixaram falar, no Roda Viva. Manuela é a face luminosa do que podemos ser. O reverso radical da cultura do estupro. Uma mulher que pode o que quiser, que é o que é, com brilho e desenvoltura, fora do quadro e dos esquadros deste mundo escroto, nojento, purulento como as tripas dos mortos-vivos que tomaram o país. Sobre as cabeças destes walking dead, Manuela dança. Temo por ela."

publicação de Leandro Saraiva.
15 de Julho de 2018 12:47




terça-feira, 10 de julho de 2018


O AMOR QUE SINTO

O amor que sinto
é um labirinto.

Nele me perdi
com o coração
cheio de ter fome
do mundo e de ti
(sabes o teu nome),
sombra necessária
de um Sol que não vejo,
onde cabe o pária,
a Revolução
e a Reforma Agrária
sonho do Alentejo.
Só assim me pinto
neste Amor que sinto.

Amor que me fere,
chame-se mulher,
onda de veludo,
pátria mal-amada,
chame-se "amar nada"
chame-se "amar tudo".

E porque não minto
sou um labirinto.

José Gomes Ferreira
(9 Jul,1900 - 8 Fev,1935)

Lino Réquio

terça-feira, 3 de julho de 2018

RAY CHARLES - I JUST CAN´T STOP LOVING YOU (LEGENDADO PT-BR)



NÃO É POR ACASO
Não é por acaso / Que existe um espaço / Entre dois braços / Lugar onde se semeiam / Germinam e crescem / Os abraços. ....

Alice Queirós / Jardim de Afectos


Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen

ESTA GENTE

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

sexta-feira, 29 de junho de 2018

terça-feira, 26 de junho de 2018

MULHER

Tu, Mulher-Mãe
mágica chave da vida,
raiz sonhadora
de todos os sonhos,
onde a injustiça dos tempos
é dor fustigada.

Tu, Mulher-Mãe coragem
flor e perfume
dos nossos sentidos,
semente futura
dos que estão por nascer,
grito renascido
do sobreviver.

Tu, Mulher-Mãe-Companheira e
Trabalhadora
NÃO TE DEIXES TOMBAR!
Porque Hoje e Sempre
És hino de luta,
dignidade e amor,
memória infinita
do nosso amanhã,
DE PÉ FICARÁS!
nesta Terra que é tua
(nossa)
e onde o sorriso do Sol,
te beijará cada dia.

APSilva (21-Março-2018)

pintura de Claudia Tremblay
Foto de Alice Capela.

quinta-feira, 21 de junho de 2018



Liberdade

Liberto os pensamentos
Arrumo as feridas secas
Esvoaçam os momentos
Arregaço as lembranças
Embainho as memórias
E conto muitas histórias
Liberto palavras enxutas
Na magia de mil poemas
Caminho árduo de lutas
A liberdade que espreita
No corpo nu e arrepiado
No dia a dia reinventado


AC............... Alice Coelho
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Sun's gone dim

Foy Vance - Make it rain



PULGÕES E PRAGAS NAS PLANTAS: 8 REMÉDIOS NATURAIS PARA SE LIVRAR DELES


DICAS.CO

PULGÕES E PRAGAS NAS PLANTAS: 8 REMÉDIOS NATURAIS PARA SE LIVRAR DELES


Para mim não é novidade, sempre o disse:


AS-MEDICINAS-ALTERNATIVAS.BLOGS.SAPO.PT

Estudo: Drogas e psiquiatria, não curam (Vídeo)
Uma série de reportagens e livros publicados ao longo de 25 anos pelo jornalista Robert Whitaker, especialista em questões de ciência e medicina convencional, abriu uma crise na prática médica da psiquiatria e na solução mágica de curar os transtornos ment...

segunda-feira, 18 de junho de 2018



Coimbra, 28 de Abril de 1977

Pátria

Foste um mundo no mundo,
E és agora
O resto que de ti
Já não posso perder:
A terra, o mar e o céu
Que todo eu
Sei conhecer.


Foste um sonho redondo,
E és agora
Um palmo de amargura
Retornada.
Amargura que em mim
Também nunca tem fim,
Por ter sido comigo baptizada.

Foste um destino aberto,
E és agora
Um destino fechado.
Destino igual ao meu, amortalhado
Nesta luz de incerteza
E de certeza
Que vem do sol presente e do passado.

TORGA, Miguel. Patria. In:___. Poesia Completa . Lisboa: Publicações
Dom Quixote, 2007. 2 v. v. II, 278 p. p. 375

(Poema recebido por email do meu Amigo José Carlos A. Teixeira*)

Ilustração: Miguel Torga - retrato a carvão de Isolino Vaz*


Anabela de Araújo


Mais um belo fruto:


AS-MEDICINAS-ALTERNATIVAS.BLOGS.SAPO.PT

A cereja e seus benefícios na saúde (Vídeo)
Foto: frutasdocavado Valor nutricional das cerejasEssas frutas minúsculas maravilhosamente deliciosas estão repletas de saúde que beneficia nutrientes e antioxidantes únicos. Eles caem na categoria de frutas mais nutritivas com seu alto teor de antio...


Os médicos tratam sintomas , por isso nunca curam . . .


NOVO-MUNDO.BLOGS.SAPO.PT

Reflexão e meditação: A Cura Real
Foto:slideplayer A Cura Real Não trate apenas dos sintomas, tentando eliminá-los sem que a causa da enfermidade seja também extinta. A cura real somente acontece do interior para o exterior…Sim, diga a seu técnico de saúde/médico/terapeuta que você tem d...

domingo, 17 de junho de 2018


Tens medo de fazer amor comigo?
- Tenho - respondeu ele.
- Por eu ser preta?
- Tu não és preta.
- Aqui, sou.
- Não, não é por seres preta que eu tenho medo.
- Tens medo que eu esteja doente...
- Sei prevenir-me.
- É porquê, então?
- Tenho medo de não regressar. Não regressar de ti.
Deolinda franziu o sobrolho. Empurrou o português de encontro à parede, colando-se a ele.
Sidónio não mais regressaria desse abraço.»

Mia Couto.

domingo, 10 de junho de 2018


Enquanto D. Sebastião era vivo lá ias recebendo um pequeno contributo e te mantinhas à tona, depois os espanhóis e os italianos levaram o rei e culparam os árabes de Alcácer Quibir. Andaram por aí cantando o regresso do Desejado, se possível numa manhã de nevoeiro (nunca percebi esta), mas tu que eras grande, maior que o monarca, foste comendo as sobras deste país que sempre tratou muito 'bem' os seus filhos. Já antes esquecido, desprezado pela nobreza e pela elite tugas, andaste por outras bandas à procura, nem tu sabias do quê, lá foste escrevendo as armas e os barões assinalados, marcaste as gajas que te desprezaram e cantaste os teus verdadeiros amores. Triste, magoado e a comeres o pão bolorento que a burguesia te dava como esmola, sucumbiste não se sabe bem quando, até que um oligarca tinhoso se lembrou de dizer que foi neste dia. Como estás morto é-lhes indiferente que seja este ou outro dia qualquer, escolheram este por conveniência, fingem que te dão valor como se isso agora tivesse importância. Outros portugueses te cantaram, cantam e te cantarão. Gosto dos que te cantam, Camões!
Por mim, obrigado poeta.

Fernando P. Pereira



sexta-feira, 8 de junho de 2018


Maria Andrea Niklasson
3 de Junho de 2016


MIS 15 ACUSACIONES

1. Acuso a la industria farmacéutica de haber convertido todos los procesos naturales de la mujer en enfermedades tremendamente rentables: menstruación, anticoncepción, embarazo, parto, lactancia, crianza y menopausia.


2. Acuso a la píldora anticonceptiva (y todos los productos hormonales en general en mujeres sanas) de haber alterado totalmente nuestro delicado equilibrio endocrino y de robarnos los mensajes intuitivos que llegan del inconsciente con las diferentes fases del ciclo menstrual femenino, por la relación entre ovarios, determinadas hormonas y actividades de hemisferios cerebrales. Este es uno de lo problemas de base sorprendentemente ocultado. Las mujeres no se desconectan en el parto de sí mismas por primera vez, sino que llevan años desvinculadas de la sabiduría femenina ancestral y más unidas a un laboratorio que a su propio cuerpo.

3. Acuso al negocio de la fecundación artificial de aprovecharse de las mujeres desesperadas por concebir y someterlas a dolorosos, caros y largos procesos, en vez de analizar las causas verdaderas (y subsanables) del fracaso en los embarazos, y que nos obligarían a replantearnos el ritmo y el estilo de vida que llevamos a todos los niveles.

4. Acuso a la industria de la alimentación de su macabra y eficaz estrategia para convencer a medio siglo de mujeres y conseguir que la leche de un animal (cuyo cerebro es mucho menor que el humano) tratada químicamente, suministrada en plástico, y por manos frías, muchas veces, haya suplido al calor, amor y el milagro de una teta blandita. Este triunfo económico ha significado una condena a muerte a millones de niños en países poco desarrollados, y alto riesgo de enfermedades, menos nivel cognitivo y desapego en los países ricos. Ausencia de lactancia significa ausencia de oxitocina y menos enamoramiento madre-hijo, y a partir de aquí una larga cadena de conductas artificiales.

5. Acuso al sistema obstétrico de haber convertido la normalidad del parto en patología, de haberlo medicalizado hasta el delirio de 50% de cesáreas en algunos países, de no haber respetado la extrema fragilidad del recién nacido y de haber convertido el sagrado acto del nacimiento en una mera extracción y manipulación de bebés.

6. Acuso a los pediatras de haber confundido sus creencias y prejuicios con la verdadera ciencia, de haber frustrado millones de potenciales lactancias exitosas con falsas normas, de haber convertido en enfermedad una pauta de sueño mamífera y de anteponer sus criterios a las recomendaciones de la OMS.

7. Acuso a los neurólogos y psiquiatras de sobre-diagnosticar la hiperactividad, y de drogar y anular a una generación de niños (a pesar de los constatados y denunciados efectos secundarios) con Ritaline/Rubifren: la cocaína pediátrica

8. Acuso a los psicólogos de medrar a costa de todos los errores del sistema en crianza, de no hacer honor a su nombre (psiqué=alma), de crear teorías que han justificado la continua domesticación de los niños anulando el leve instinto materno que quedaba (sobreprotección, falta de límites, permisividad por consentir demasiado, malcriar, etc.), y de haber inventado una falsa socialización temprana que no existe hasta mucho más tarde ( 6-7 años cuando queda establecida la lateralidad cerebral).

9. Acuso a los falsos gurús de crianza: Spock/Ferber/Valman/Estivill y secuaces conductistas de hacer apología de métodos de socio-tortura y vender insensibilidad, crueldad y falta de respeto hacia los niños. Si hubiese un Tribunal de la Haya Emocional, todos estos personajes habrían sido condenados por sufrimiento a la Humanidad.

10. Acuso a las feministas clásicas de haber mutilado a las mujeres humillando nuestra feminidad y maternidad, y de haber vendido a nuestros hijos por una falsa liberación que simplemente fue un cambio de lugar de opresión, y que perpetuó y potenció el sistema y los valores dominantes: masculinidad, competencia, depredación, jerarquía. Nunca hubo ninguna revolución social, sino un continuismo con otra cara. Sí es compatible el trabajo y la crianza, pero para eso hay que transformar el sistema y no abducirnos a nosotras y abandonar a las criaturas.

11. Acuso a las revistas femeninas de fomentar modelos de mujeres descerebradas, consumistas, siliconadas, hipersexuales que cuando tienen hijos se convierten en madres virtuales que atienden por control remoto a sus criaturas a golpe de Visa y continúan con su estresante vida sin inmutarse ni un tacón.

12. Acuso al sistema educativo de precocidad, de tener planes obsoletos que no responden a las verdaderas necesidades de aprendizaje a través del juego y la libertad de expresión, de fomentar la sumisión y obediencia e impedir los procesos de pensamiento independiente y creativos que permiten encontrar el propio camino en la vida .

13. Acuso a toda la sociedad de ser adultocentrista y haber excluido a los bebés y niños de la vida diaria, de infravalorar la maternidad y crianza considerándolo una pérdida del talento de la mujer pero sí valorar a ésta como productora dentro del sistema económico (ni como reproductora ni como cuidadora).

14. Acuso al estado de Bienestar de haber secuestrado la vida de los bebés encerrándolos en guarderías tempranas que se convierten así en una especie de “orfanatos de día” bien decorados, mientras obliga a sus dos padres a trabajar lejos de casa para subsistir en un modelo de vida asfixiante, de haber pasado del concepto de “se necesita una aldea para criar un niño” a la soledad y el desamparo de 8 bebés por cuidadora, de tener unas políticas de conciliación familiar-laboral miserables, de ausencia de ayudas familiares decentes, y evidentemente de haber creado una sociedad del malestar en la que según la OMS en el 2020 la depresión será la segunda enfermedad.

15. Y por supuesto, acuso a las mujeres de no escuchar su corazón ni su instinto, de haber sacrificado a sus hijos para que el sistema los devore (porque ellas ya lo estaban), de acceder a la maternidad y parto con muy poca información y por tanto con una actitud de niñas dóciles que delegan su papel en los demás, de no luchar o exiliarse de este injusto modelo económico ni siquiera dentro del hogar, sino de dirigir la rabia y frustración (consciente o no) contra sus hijos, insensibilizándose ante su llanto y llamadas nocturnas, de obsesionarse por el adiestramiento y las normas (que en el fondo les ayudan a ellas a tener una estructura y orden y a desculpabilizarse de su abandono real), y de centrar todas sus fuerzas en aspectos externos al hogar.

texto: Maria del Mar Jimenez Redal
foto: autorretrato 2012

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Saia rodada
Vento a rodopiar
Calça arregaçada
Cabelo a esvoaçar
Estrelas plantadas
Nuvens semeadas
Saia rodada
Sol espelhado
Calça arregaçada
Alma em reboliço
Peito encharcado
Sonho molhado
Saia rodada
Lua a dançar
Calça arregaçada
Poema por escrever
Música transmitida
Por luz perseguida

AC............... Alice Coelho
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terça-feira, 5 de junho de 2018

Desgarrada do peixe congelado



Há 50 anos era assim que se promovia o peixe congelado , na RTP


A Natureza


Última actualização do dicionário de língua portuguesa - novas entradas


Acrescento duas que acabei de ouvir, hoje, a dois jornalistas da TVI24:

“Eu assisti in lôco”; “Esse é um problema estatuário”, quando, evidentemente, queram dizer in loco e estatutário. Esta última foi dita duas vezes.

Testículo: Texto pequeno
Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Estoiro: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão ( marca OMO ) em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Contribuir: Ir para algum lugar com vários índios
Aspirado: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine: Prender a namorada do Mickey Mouse
Vidente: Aquilo que o dentista diz ao paciente
Barbicha: Bar frequentado por gays
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado: do lado contrário a esse
Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
Coordenada: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão

E ...
Língua "perteguesa"... PORQUE O SABER NÃO OCUPA LUGAR!
"Prontus"
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um
'prontus'! Fica sempre bem.
"Númaro"
Também com a vertente 'númbaro'. Já está na Assembleia da República
uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a
qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!

"Pitaxio"

Aperitivo da classe do 'mindoím'.

"Aspergic"
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina
"Alevantar"
O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come
por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.
"Amandar"
O acto de atirar com força: 'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'
"Assentar"
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair
no cimento.
"Capom"
Tampa de motor de carros que quando se fecha faz POM!
"Destrocar"
Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.
"Disvorciada"
Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.

É assim...
Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não quer dizer
nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer
frase. Muito utilizado por jornalistas e intelectuais.

"Entropeçar"
Tropeçar duas vezes seguidas.
"Êros" ( mas também há quem diga "aéreos" )
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.
"Falastes, dissestes" ...
Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele
falou, TU FALASTES...
"Fracturação"
O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial.
Casa que não fractura... não predura.
"Há-des"
Verbo 'haver' na 2ª pessoa do singular: 'Eu hei-de cá vir um dia; tu
há-des cá vir um dia...'
"Inclusiver"
Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu
inclusiver acho esta palavra muita gira. Também existe a variante
'Inclusivel'.
"Mô"
A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à
língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?
"Nha"
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA.
Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma
poupança extraordinária.
"Parteleira"
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.
"Perssunal"
O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex.:
'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma rápida.
"Prutugal"
País ao lado da Espanha. Não é a Francia.
"Quaise"
Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos
pseudo-intelectuais... Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o
problema deve ser meu.
"Stander"
Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de
automóveis. O 'stander' é um dos grandes clássicos do 'português da
cromagem'...
"Tipo"
Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua
portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada,
pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo.
É assim... tipo, tás a ver?
"Treuze"
Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.

E ainda faltou a "Framácia" ...

Lulas Recheadas à Lagareiro

Lulas Recheadas à Lagareiro: Amanhe (tirar a pele e limpar) e lave bem as lulas, deixando os sacos inteiros. Recheie-os com uma fatia de presunto, a cabeça e tentáculos das lulas e prenda a abertura com palitos. Tempere as lulas recheadas com pouco sal (uma vez que o presunto já é salgado) e grelhe-as. Lave as batatas com a casca envolva-as em sal

Águia traz filhote de falcão para seu ninho como comida, mas ocorre algo impensável

Temos a certeza de que não temos população a mais ?


Por: Pedro Tadeu - 05 de Junho de 2018 - DN

No domingo à noite o atual comentador do regime, doutor Marques Mendes, protestava na SIC contra o líder do seu partido, o PSD: "Rui Rio não tem causas próprias, não tem uma agenda alternativa, não tem propostas diferentes das do governo", disse, no Jornal da Noite. "Parece uma muleta de António Costa", protestou.

Pois logo no dia seguinte a esta acusação, "bam!", o presidente do Partido Social-Democrata respondeu à crítica do antigo líder do mesmo partido e mandou cá para fora um slogan de campanha estrepitoso: o PSD propõe que, a partir de agora, os pais portugueses recebam dez mil euros por filho.

Lendo as letras miudinhas do documento elaborado por um conselho de sábios (explicado ontem pela jornalista Paula Sá, no Diário de Notícias) percebe-se que, afinal, estes dez mil euros seriam pagos faseadamente até a criança fazer 18 anos, o que diminui um bocado o entusiasmo inicial da ideia...

Ah!, também fui fazer as contas e como, afinal, Rui Rio pretende acabar com o abono de família, a conclusão é que as famílias mais pobres com direito a esse subsídio, se esta proposta fosse para a frente, passariam a receber, ao fim de 18 anos, menos seis mil e 700 euros pelo primeiro filho do que agora recebem, enquanto as mais ricas receberão mais 5200 euros... e isto já é um verdadeiro balde de água fria despejado sobre a bondade do articulado tricotado pelo "Conselho Estratégico do PSD", dirigido por David Justino.

Mas o projeto tem outros detalhes, relevantes, que incluem apoios ao aumento de creches em empresas, um pagamento de 429 euros às grávidas, aumento da licença de maternidade para 26 semanas e algumas outras ideias avulsas.

O pressuposto é este: combater o que Rui Rio define como "hemorragia demográfica".

Não podemos dizer que o tema da demografia seja propriamente inovador: todos os partidos portugueses, há anos, abordam o assunto e ainda há poucos dias o primeiro-ministro António Costa veio defender um aumento de imigração para ajudar a resolver a questão.

Sendo assim, e aplicando os critérios de boa oposição definidos por Marques Mendes, estas propostas não podem ser catalogadas como "causas próprias" do PSD, não definem uma "agenda alternativa" às dos outros partidos mas podem ser consideradas "diferentes" das do governo. Rui Rio acerta, portanto, um em três.

Mas mais importante do que validar as estratégias da politicazinha cá de casa ou mesmo da apreciação do mérito de cada uma das propostas partidárias que venham a existir para combater a "hemorragia demográfica", gostava de perceber melhor a dimensão e a previsão de consequências que essa diminuição e envelhecimento da população podem trazer.

Não me parece rigoroso ver o que se passou na última meia dúzia de anos. Para perceber com rigor o que se passa, temos de analisar ciclos maiores. Vamos ver os últimos 30 anos.

É totalmente verdade que cada vez nascem menos crianças em Portugal: em 1987 foram 123 mil, em 2007 102 mil e no ano passado 86 mil. Mas a população não diminuiu: em 1987 éramos dez milhões, em 1997 dez milhões e cem mil e em 2017 serão dez milhões e 300 mil.

Já lemos uma explicação para isto: o aumento da esperança de vida justifica a subida populacional. Há mais idosos, muitos deles reformados e pensionistas e, como diminuem os jovens, a sustentabilidade da Segurança Social e a pressão financeira sobre o Serviço Nacional de Saúde fazem temer uma rutura desses sistemas.

Mas isto não é ver, apenas, uma parcela do problema? Não estamos a analisar o futuro com pressupostos do passado?

Por exemplo: num mundo revolucionado pela Inteligência Artificial (IA) e pela automação, que aí vêm a toda a velocidade e que vão comer milhões de empregos, de forma imediata, a motoristas, caixas de supermercado, maquinistas, bancários ou, até, cirurgiões, será melhor ter exércitos de desempregados de longa duração, muitos deles jovens, do que uma legião de idosos reformados? A contração demográfica não pode ser uma ajuda para solucionar estes novos problemas? O aumento de riqueza e do PIB que essas novas tecnologias proporcionarão não deveriam ajudar a pagar as reformas dos mais velhos, em vez de pagar a inatividade dos mais novos? Não será isso, do ponto de vista das relações sociais entre gerações, entre classes, muito mais suportável?

Imaginemos, otimistas, que essa mudança no mercado de trabalho é compensada por um aumento de qualificação da juventude de tal forma sofisticada que permite arranjar novos empregos onde a IA não atua. Esse mundo, quase ideal, será, à luz dos critérios dos nossos dias, um mundo de produtividade superlativa.

Será que, neste caso, a equação sobre a demografia portuguesa muda? Ou será que o problema da Segurança Social e da Saúde deixa de se colocar porque as contribuições e os impostos destes trabalhadores e das suas empresas, numa economia superacelerada, superprodutiva, super-rentável, pagará com facilidade esse custo, mesmo que o número de reformados suba exponencialmente?

O que vamos enfrentar no futuro não se trata, antes, de um problema clássico de divisão da riqueza criada, em vez de uma tragédia social suscitada por uma "hemorragia demográfica"? Não estamos aqui a iludir o verdadeiro problema?

Voltemos a olhar para o ciclo de 30 anos: acontece que a população ativa portuguesa, a que pode fazer descontos para a Segurança Social e pagar impostos para a Saúde, subiu, de 1987 até agora, 419 mil pessoas, enquanto a idosa, a que recebe pensões e reformas, subiu 917 mil. A diferença, numa população média de dez milhões, é de apenas 498 mil pessoas.

É assim uma diferença tão dramática que uma gestão assisada dos recursos existentes não possa acomodar?

Afinal, o PIB per capita em 1987 era de 3318 euros e agora é de 17 964 euros, quase cinco vezes e meia mais... Isto não conta para a análise do problema?

Em média as mulheres portuguesas têm 1,23 filhos. As angolanas 6,2. Prevê-se que a população portuguesa, em 2050, seja de nove milhões e cem mil pessoas, a mesma que teve em 1975. A angolana, que ronda os 30 milhões, será nessa altura de 68 milhões, um valor inimaginável na história do país. Este é um exemplo do que se passa no mundo sobre a diferença demográfica entre países ditos "desenvolvidos" e os ditos "emergentes".

O mundo tem atualmente 7600 milhões de habitantes e prevê-se que em 2100 chegue a 11 200 milhões. Os recursos do planeta Terra não estão a chegar para alimentar a população terrestre. Mesmo o aumento da produção agrícola previsto não evitará a fome que atinge, atualmente, 805 milhões de pessoas. E não sabemos claramente se todos terão acesso a água potável ou energia. Sabemos é que o planeta, desde o ano passado, entrou em défice e que gastamos mais recursos naturais do que a Terra é capaz de produzir.

E as alterações climáticas aumentam ainda mais a incerteza...

O mundo precisa de controlar o crescimento demográfico - querer aumentá-lo, aqui ou noutros países desenvolvidos, com população envelhecida, não pode ser um erro fatal?

Depois há outro aspeto que não vejo normalmente analisado, a não ser do lado avarento que ameaça com mais cortes de pensões ou com subidas de idade para reforma: com o aumento da esperança média de vida, um homem ou uma mulher de 67 anos têm ainda muito para dar.

O aproveitamento que a sociedade faz destas pessoas tem de ser outro: eles e elas têm todo o direito a reformar-se e a libertar-se de uma série de deveres que a organização formal do trabalho implica. Mas também muitos deles e muitas delas têm desejo de usufruir da reforma de uma forma produtiva, ativa, participativa na vida familiar e social, com uma intensidade que as gerações passadas não conseguiam oferecer.

Seja como consumidores, como excursionistas, como turistas, como voluntários, como conselheiros, como educadores, como trabalhadores em part-time, como diretores de clubes ou associações, como autarcas, seja como for, a participação ativa destes milhões de indivíduos na sociedade produz uma riqueza económica adicional e traduz um contributo para o equilíbrio da vida social que tem de entrar na conta na forma como vemos hoje a demografia e que, no passado, quando falávamos dos "mais velhos", não tinha, de facto, a mesma equação.

Um "velho" de hoje vale economicamente e socialmente muito mais do que um "velho" do passado e, por isso, não podemos olhar para a demografia do século XXI como analisávamos a do século passado.

Portugal teve sempre uma população inferior a nove milhões de pessoas. Só em 1995 chegou aos dez milhões. Temos a certeza de que não temos população a mais?



quarta-feira, 30 de maio de 2018

Maior que o pensamento - Primórdios - 1 de 3



Este primeiro episódio aborda as raízes de José Afonso, nascido em Aveiro em 1929, a sua infância em África com os pais e os irmãos, os seus estudos secundários em Coimbra, enquanto os pais estavam detidos pelas tropas japonesas que ocuparam Timor-Leste durante a II Guerra Mundial, o início da sua carreira artística como intérprete de fados de Coimbra, ao mesmo tempo que ingressava na universidade desta cidade, a sua experiência como professor do ensino secundário, a evolução do seu estilo musical para a balada e a criação das duas canções consideradas pioneiras do movimento da música de intervenção em Portugal: "Os vampiros" e "Menino do bairro negro".

Elkie Brooks - Pearl's a Singer (1977)

terça-feira, 29 de maio de 2018




A Paixão - Escritos e Demências por João Dórdio
24/5 às 8:07 ·
Eram mesas com pratos e talheres diferentes. Éramos a própria comida.
- Estamos a brindar ao quê?
- Isso importa? Abraça-me e beija-me novamente.
- Estes teus brindes são giros. E molhados...
E tínhamos todos os mais puros sentimentos e todas as sensações do mundo à sobremesa. Coloquei-nos numa mesa de uma cozinha de uma casa da minha própria casa de mente do meu próprio bairro de mente... desde o dia em que te conheci.
Mas esta noite sentei-me na cadeira de uma mesa sem pratos nem talheres. Só lá estava o copo e a garrafa de vinho. A casa vazia num bairro deserto.
Foram por aí dizer-vos que tinha desaparecido e entrado pela demência. Hoje todas as janelas do meu banco de jardim abrem-se para deixar entrar alvoradas, primaveras, galos andorinhas, muito sol, beijos, suspiros, gritos e gemidos. Coloquei uma toalha em cima da minha mesa de sonhos em forma de pesadelo ou de insónia onde ainda te conheço a primeira vez. Foram por aí dizer que nada valia já a pena.
- Porque beijas a garrafa?
- Ela está lá dentro...
- Ela? O vinho...
Cada garrafa tornou-se uma estrada e um novo caminho de mim. Para ti outra vez. Noutra vida. A mesma história.



domingo, 27 de maio de 2018


A maioria das pessoas não tem dinheiro para satisfazer as necessidades básicas fundamentais , muito menos para pagar 50 euros / hora a uma máquina para limpar os "pinhais" . Alguém me sabe dizer como vai conseguir pagar coimas de 280 euros a alguns milhares de euros ?! . . .

"A nossa sociedade é dirigida por loucos , com os seus objectivos loucos . Penso que estamos a ser governados por maníacos com propósitos maníacos e penso que serei considerado louco por expressar tal opinião .
Esta é a parte insana da questão."

John Lennon


MAIO DE 1968

Alguns filósofos e historiadores afirmaram que essa rebelião foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX, porque não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores e camponeses -que eram maioria-, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe.





Comentários


Teu corpo

Teu corpo é música ritmada
É a luz que trespassa a vida
É a pele suave e perfumada
É o abrigo sem a despedida


Teu corpo é refúgio e prazer
É aquele desejo sem pecado
É folha em branco a escrever
É sedução vestido ou pelado

Teu corpo é o tesouro de amor
É um desejo louco e escondido
É um escorrer suado com calor
É um contentamento cumprido.

AC............... Alice Coelho
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quinta-feira, 24 de maio de 2018



Há sempre.......

Há sempre um olhar que se expande
Num horizonte longo que se esconde
Num avivar de memórias em grande
E por mais que esperes não responde
Há sempre um alcançar que se perde
A palavra que num poema se acende
Uma história de vida que se antecede
Um tempo enfeitiçado que nos prende
Há sempre um chamamento silencioso
Um calar enraivecido de tanta saudade
Um pensamento tão ténue e libidinoso
Um ontem que se faz tarde num tempo
Um pensamento muito ténue e ofegante
Um calar enraivecido de tão abundante
Há sempre.......
Um Aqui
Um Ali
Um Além
Um lugar
Um momento
Um piscar de olho
Duração que escolho


AC............... Alice Coelho
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segunda-feira, 21 de maio de 2018

domingo, 20 de maio de 2018



Nunca me respondeste, quando te chamei,
E só Deus sabe como era urgente e aflita
A minha voz!
Mas, desgraçadamente sós,
Morrem os que se afogam
No mar da sua própria condição.
O meu, sem margens, é um descampado
Desabrigado.
Vagas e vagas de solidão,
E a tua imagem, litoral sonhado,
Sempre evocada em vão.
Nunca me respondeste, e foi melhor assim.
Um náufrago perpétuo é um pesadelo.
Dizer-me o quê?
Que, de longe, me vias afogar,
Mas que nada podias.
Pois sabias
Que os poetas jurados,
Humanas heresias,
Nascem condenados
A morrer afogados
Todos os dias
No tormentoso mar dos seus pecados.


Miguel Torga


sábado, 19 de maio de 2018



O sonho

O sonho prossegue
Por ruas e estradas
A vida me persegue
Contando segredos
Que no muro lemos
No papel escrevemos
O sonho contínua
Não se apaga
Vincado numa tábua
Não se desprende
É loucura que se sente
É vontade que consente
O sonho
É a viagem ao imaginário
Num pensamento solitário


AC............... Alice Coelho
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sábado, 12 de maio de 2018


Era uma noite estrelada
O amor por ti cavalgava
Em ti transpareci atolada
Onde o olhar se cruzava


Noite de sonho inventado
Adormecida por uma lua
Perfeita num emaranhado
Temperada com sal e nua.

Era numa noite estrelada
Tão fria naquele instante
Tão pura e tão imaculada
Lá perto do céu e distante.

AC............... Alice Coelho
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Adoro

quarta-feira, 2 de maio de 2018

CRAVOS DE ABRIL


Tinha um cravo na lapela
tinha outro cravo na mão
pus um cravo na janela
e mais um no coração.


Dei cravos a tanta gente
tanta gente os deu a mim
nesse dia de repente
tudo em volta era um jardim.

Dei um cravo ao soldadinho
outro cravo ao capitão
liberdade pão e vinho
e que viva a revolução.

Cravo em verso cravo em prosa
cravo nosso meu e teu
em Maio que é mês da rosa
choveram cravos do céu.

Passa o tempo e não demora
no que passou desde então
mas o cravo ainda mora
dentro do meu coração"

("CANTIGAS E CANTIGOS ii")

José Fanha


Amarrei(te)


Amarrei-te à minha memória
Perdida no tempo que passou
Cada rua e beco uma história
Cada frase que nunca acabou
Amarrei-te à minha memória
Em pensamentos escabrosos
Contornando numa trajectória
Todos os poemas mentirosos.
Amarrei-te à minha memória
À espera que o amor nos cante
Um hino de silêncio e de vitória.


AC............... Alice Coelho
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terça-feira, 1 de maio de 2018

(Só) Para os apreciadores de um bom vinho


Consta que, certa noite, anos atrás, um homem entrou com a namorada no restaurante Lucas Carton, em Paris e pediu uma garrafa de "Mouton Rothschild", colheita de 1928.

O sommelier, em vez de trazer a garrafa para mostrar ao cliente trouxe o decanter de cristal cheio de vinho e, depois de uma mesura, serve um pouco no cálice para o cliente provar.

O cliente, lentamente, leva o cálice ao nariz para sentir o aroma, fecha os olhos e cheira o vinho.

Inesperadamente, franze a testa e, com expressão muito irritada, pousa o copo na mesa, comentando rispidamente:

- Isto aqui não é um Mouton de 1928!

O sommelier assegura-lhe que é. O cliente insiste que não é.

Estabelece-se uma discussão e, rapidamente, cerca de 20 pessoas rodeiam a mesa, incluindo o chef de couisine e o gerente do hotel, que tenta convencer o intransigente consumidor de que o vinho é mesmo um Mouton de 1928.

De repente, alguém resolve perguntar-lhe como sabe, com tanta certeza, que aquele vinho não é um Mouton de 1928.

- O meu nome é Phillippe de Rothschild, diz o cliente modestamente,
e fui eu que fiz esse vinho.

Consternação geral.

O sommelier então, de cabeça baixa, dá um passo à frente, tosse, pigarreia, bagas de suor escorrem da testa e, por fim, admite que serviu na garrafa de decantação um Clerc Milon de 1928, mas explica seus motivos:

- Desculpe, mas não consegui suportar a ideia de servir a nossa última garrafa de Mouton 1928. De qualquer forma, a diferença é irrelevante.
Afinal, o senhor também é proprietário dos vinhedos de Clerc Milon, que ficam na mesma aldeia do Mouton. O solo é o mesmo, a vindima é feita na mesma época, a poda é a mesma e o esmagamento das uvas se faz na mesma ocasião, o mosto resultante vai para barris absolutamente idênticos. Ambos os vinhos são engarrafados ao mesmo tempo. Pode-se afirmar que os vinhos são iguais, apenas com uma pequeníssima diferença geográfica.

Rothschild, então, com a discrição que sempre foi a sua marca, puxa o sommelier pelo braço e murmura-lhe ao ouvido:

- Quando voltar para casa esta noite peça à sua namorada para se despir completamente. Escolha dois orifícios do corpo dela muito próximos um do outro e faça um teste de olfacto. Você perceberá a subtil diferença que pode haver numa pequeníssima diferença geográfica.

domingo, 29 de abril de 2018

Deus , segundo Spinoza


“Pare de ficar rezando e batendo no peito. O que eu quero que faças é que saias pelo mundo, desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Para de ir a estes templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nas praias. Aí é onde eu vivo e expresso o meu amor por ti.

Para de me culpar pela tua vida miserável; eu nunca te disse que eras um pecador.

Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar dos teus amigos, nos olhos de teu filhinho… não me encontrarás em nenhum livro…

Para de tanto ter medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem me incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te castigar por seres como és, se sou Eu quem te fez?

Esquece qualquer tipo de mandamento, são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita o teu próximo e não faças aos outros o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida; que teu estado de alerta seja o teu guia. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Para de crer em mim . . . crer é supor, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho de mar.

Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, da tua saúde, das tuas relações, do mundo. Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. Não me procures fora! Não me acharás.
Procura-me dentro…
Aí é que estou, dentro de ti.”

(Baruch Spinoza, filósofo holandês - Deus segundo Spinoza)