quarta-feira, 17 de janeiro de 2018


Francisco Torres está com Poesia, Pintura & Música e Beirão Francisco.
21 de Fevereiro de 2014 ·
·



******** Calçada do Carriche ********

Luísa, sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobre a calçada.


Saiu de casa
de madrugada:
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa
uma golada,
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho,
a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
desce a calçada,
chega à oficina,
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

António Gedeão

em "Teatro do Mundo"
http://youtu.be/legjWFLBzak

Pintor: Paula Rego

​Texto de Carlos Mattos Gomes que desmonta a personalidade de Marcelo Rebelo de Sousa



"Populismo — de Pisistratus a Marcelo, a mesma cartilha

O grego (ateniense) Pisistratus é considerado pelos estudiosos da política como o primeiro populista demagogo na história ocidental. É o mais antigo populista demagogo. Marcelo Rebelo de Sousa não é o primeiro populista demagogo de Portugal, mas é o de maior sucesso, o mais activo e a funcionar 24 horas por dia.

Pisistratus pretendeu ser arconte de Atenas, o detentor dos poderes reunidos do basileu, o rei, e do comandante dos exércitos, o polemarco. Marcelo Rebelo de Sousa, além dos poderes do basileu e do polemarco pretende concentrar o poder do arconte tesmótetas, o que preparava as leis e velava pela sua execução.

Marcelo quer ser rei, general, chefe do governo e presidente da assembleia. Qualquer coisa entre um cocktail e um shot.

Pisistratus descobriu cedo que o povo era facilmente iludido por gestos simbólicos e a sua primeira medida como arconte foi transformar-se num “homem do povo”. Marcelo fez também a mesma descoberta com tenra idade, no início da carreira. Filho de ministro do Estado Novo, jornalista, professor de Direito, jurisconsulto, chefe partidário, administrador de casas ducais, amigo de banqueiros e comentador televisivo surgiu também como a voz do povo e um homem do povo que beija ao vivo velhinhas, dá de comer a sem-abrigo e bebe ginginhas no Barreiro, além de ir a Fátima em peregrinação e à bola para aclamação! São os afetos! Tão populares e consoladores como os coiratos à porta dos estádios.

Pisistratus, o pai do populismo, fazia campanha como herói triunfante, e era carregado aos ombros do povo como guerreiro vitorioso sem jamais ter participado numa batalha ou vivido um desafio. Marcelo também não possui no currículo nenhum feito heróico, nem de relevo que o ice ao Olimpo, a não ser o banho no Tejo e umas voltas em Lisboa ao volante de um táxi, mas fala como se tivesse soprado a Lua, saneado as contas públicas, apagado os incêndios infernais, enchido as barragens, canonizado os pastorinhos de Fátima, distribuído a raspadinha e impedido as invasões dos produtos chineses.

Ao longo dos séculos todos os Pisistratus fingiram demonstrar empatia para com os sofrimentos dos mais carentes e excluídos da sociedade, como Marcelo tão bem finge. Mas a comiseração dos populistas tem como único objetivo a obtenção do voto, do aplauso fácil, da aclamação. É o que faz mover Marcelo. Sempre que acreditarmos nos carinhosos abrações e nas selfies de Marcelo devemos ter a consciência de estar a ser hipnotizados por um Pisistratus moderno.

O populista apela à simpatia do povo para construir o seu poder. Baseia o seu discurso na denúncia dos males que as classes privilegiadas causam no povo. Apresenta-se como redentor dos humildes. O populista divide a sociedade em dois grupos homogéneos e antagónicos: o ‘povo simples’ e a ‘elite corrupta”. O populista assume-se como o único que representa o povo contra os corruptos, mesmo contra as leis. Aí temos de novo Marcelo, o sorriso de Marcelo, o palpite de Marcelo, o recado de Marcelo, a facada de Marcelo.

O populista universal é um narciso apaixonado por si, que se orgulha tanto da sua irresponsabilidade como da sua inimputabilidade. Marcelo é o demagogo que se coloca acima da lei da divisão de poderes em nome do povo que vota em quem tem o dever de elaborar as leis. O demagogo, como Marcelo, entende que fala directamente com o povo, que é a voz de deus, embora, logo de seguida, beije as mãos dos padres com beata genuflexão.

Um populista narcísico como Marcelo, se chegar à conclusão que alguém pode fazer-lhe sombra, tentará minar o seu prestígio e reputação. Balsemão e Portas queixam-se dessas caneladas que deixaram nódoas.

Marcelo Rebelo de Sousa está constantemente preocupado com fantasias de poder e sucesso. Crê ser especial e faz tudo para lhe reconhecerem essa qualidade. Exige admiração dos outros e sente “estar no seu direito” aproveitar-se dos outros para benefício próprio.

As acções e as aparições de Marcelo Rebelo de Sousa, os seus gestos e as suas expressões de afectos têm como finalidade fazer dele o centro das atenções.

Acredita que possui todas as qualidades. Prefere atuar sozinho, sem dar espaço aos outros ou delegar funções. Apenas exige que os outros façam o que lhe convém. É essa a razão do jogo perverso de gato e rato que impôs a António Costa após os incêndios do Verão. Os incêndios no centro do país mostraram Marcelo Rebelo de Sousa como um jogador com ases na manga e dados viciados.

Ele é e faz tudo para o ser o “funcionário do dia”, o “funcionário da semana”, do mês, do ano, “o funcionário modelo”. Na antiga União Soviética seria um herói do trabalho. Quer que a sua fotografia, a sua imagem fique pendurada nas paredes dos locais que visita, que todos saibam quem ele é e o que fez.

O populista, com a sua doentia necessidade de reconhecimento, é um tipo inseguro, que não confia em si próprio. Perigoso porque está à mercê dos sabujos que lhe preenchem o vazio, dizendo e gritando que ele é o bom, o capaz, o conseguidor, o salvador, ou que produzem os elogios que o fazem sentir-se inchado, diante do espelho.

Vemos Marcelo Rebelo de Sousa na televisão e podemos achá-lo engraçado, mas na verdade ele é um populista. Um populista simpático, mas um demagogo egoísta e narcísico.

Os portugueses votaram maioritariamente nele. Há que o aceitar como é e decifrá-lo."

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Leo Rojas - El Condor Pasa

Hanine - Arabia

Samvel Yervinyan - Yemu / SEVDA

. . . quanta sabedoria !



Amizade e o Amor

Perguntei a um sábio ,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas ,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.


William Shakespeare

sábado, 13 de janeiro de 2018



Vídeo censurado ! Este mundo está a tornar-se demasiado perigoso . . . os diferentes Estados estão a ser governados por "projectos de Gente" idiotas . . . aquilo não pode ser Gente ! ! !


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Pete Seeger - "Forever Young"

May God bless and keep you always
May your wishes all come true
May you always do for others
And let others do for you
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young

May you grow up to be righteous
May you grow up to be true
May you always know the truth
And see the lights surrounding you
May you always be courageous
Stand upright and be strong
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young

May your hands always be busy
May your feet always be swift
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift
May your heart always be joyful
May your song always be sung
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young

https://www.youtube.com/watch?v=Ezyd40kJFq0

Ed Sheeran - Perfect (Acoustic Version)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A consagração final de Lula será consumada por seus carrascos.


Por Carlos Fernandes

- 15 de dezembro de 2017

O trio do TRF 4

Para que um destino se cumpra, a vida exige seus sacrifícios.

Fato corrente na história da humanidade, os homens e mulheres que mudaram de alguma maneira a forma de se ver o mundo pagaram com a vida sua ousadia.

Talvez a primeira grande vítima de uma justiça parcial e previsível, o grego Sócrates preferiu sucumbir à cicuta a negar seus ensinamentos. Num entardecer, aos pés da Acrópole, um dos pilares da filosofia universal tombava injustiçado pelo medo, pela ignorância e pela cobiça de seus juízes.


Séculos mais tarde, outro revolucionário sentia na carne o gosto amargo dos cravos. Conta as Escrituras que, traído por um dos seus mais próximos discípulos, o homem que não fez outra coisa a não ser pregar a paz, a compreensão e o amor, agonizou até à morte em meio ao júbilo ensandecido de uma multidão.

Por lutar pela independência de seu país, Joana D’Arc, a jovem filha de camponeses, após 20 meses de julgamento, ardeu nas chamas da inquisição acusada de bruxaria.

A lista, como sabem, é interminável.

No Brasil não seria diferente. Zumbi dos Palmares, Tiradentes, Olga Benário, enfim, todos aqueles que lutaram por um país livre, justo e igualitário foram tachados de criminosos por uma sociedade ainda hoje servil e preconceituosa.

Na esteira da história, cobram de Lula – o primeiro operário a chegar à presidência desse país – o seu quinhão de culpa.

Responsável pela mais bem-sucedida política de combate à pobreza e à miséria que se teve notícia em toda a América Latina, o retirante nordestino que escapou da fome e da seca ousou querer para o seu povo um destino que não fosse de servidão e subserviência.

Ao incluir os pobres pela primeira vez nos interesses do Estado, o torneiro mecânico desmantelou uma estrutura secular de dominação e privilégio que remonta ao Brasil escravocrata.

Esse crime capital em particular não poderia ser perdoado.

Lula passou a ser odiado pela elite desse país que apesar de não ter tido um único privilégio subtraído, não suportou a ideia de ter de compartilhar os “seus” espaços com pessoas cuja posição social até então não as autorizava.

Permitir que negros, mulheres, homossexuais, índios e minorias em geral passassem a ocupar um lugar de destaque e decisão seja nos altos escalões do poder, seja na vida cotidiana de cada brasileiro, caracterizou-se como uma afronta pessoal a cada machista, homofóbico, preconceituoso e elitista de nossa peculiar classe média.

Alimentados com o que de pior pôde ser produzido em matéria de jornalismo irresponsável praticado a exaustão pela grande mídia nacional, uma horda de analfabetos políticos, muitos deles diretamente beneficiados pelas políticas inclusivas de Lula, se autoproclamaram guardiões da moral tupiniquim e partiram para a mais insana defesa de um modelo de nação do qual eles próprios são excluídos.

Deposta ilegal e violentamente sua sucessora, a possibilidade real de Lula voltar ao poder fez com que todo e qualquer resquício da mínima aparência de normalidade institucional que tentaram manter fosse dado às favas.

A cada pesquisa divulgada de intenção de voto, mais urgente se mostra a “solução final”. Lula não pode, em hipótese alguma, ser candidato.

Os inquisidores modernos foram acionados. Danem-se as aparências, acelerem os processos, atropelem os ritos normais, forjem atalhos. Lula não pode ser candidato.

A fogueira já tem data para ser acesa. No dia 24 de janeiro de 2018, os torquemadas da era moderna iniciarão o mesmo processo que já foi de Sócrates, de Cristo, de Joana.

Não estarão julgando um crime propriamente dito, estarão julgando um homem. Mais do que isso, estarão julgando uma ideia, uma afronta ao establishment, uma desobediência ao estado “natural” das coisas.

Forjado por uma vida inteira de privações e necessidades, Lula faz exatamente o que se espera de um homem como ele: luta incansavelmente com as forças de um sertanejo que não admite ser injustiçado.

Lula sabe que não precisa mais da presidência da República para sua biografia. Duas vezes eleito e dono da maior aprovação que um presidente já teve em toda a história desse país, ele já entrou para a história. Lula precisa mesmo da presidência da República é para dá-la novamente ao povo brasileiro.

O resultado do seu julgamento já está dado. A justiça não estará presente no momento de seu pronunciamento. Não esteve em nenhum momento do processo. A única possibilidade de reversão seria uma brutal mobilização dos movimentos progressistas nas ruas a partir de já.

À parte tudo isso, a condenação de Lula por um Tribunal de Exceção servirá apenas para consagrar a história de um homem que dedicou a sua vida a uma causa improvável: um Brasil para todos.




OS MEUS AMIGOS

Amigos cento e dez e talvez mais
Eu já contei! Vaidades que eu sentia.
Pensei que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais.

Amigos cento e dez, tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia,
Que eu, já farto de os ver, me escapulia,
Às suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoeci profundamente,
Ceguei. Dos cento e dez, houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.

Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver…
Que cento e nove impávidos marotos!

Camilo Castelo Branco (1825-1890)

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Após 36 horas de trabalho de parto, mulher dá a luz em banheiro de sua casa "Nunca me senti tão poderosa e realizada em toda minha vida", revela Marissa Heckel em postagem feita nas redes sociais.


O nascimento do bebê é um momento muito esperado e inexplicável para todas as mamães. Há 3 anos, a americana Marissa Heckel sofreu complicações em um parto realizado no hospital. Por isso, ela decidiu que na segunda gestação o parto seria diferente, optando por parir em casa, sem ajuda médica.

Após 36 horas de trabalho de parto, Marissa conseguiu dar à luz a uma bebê super saudável. Para contar um pouco sobre sua experiência, ela compartilhou nas redes sociais uma foto do nascimento e a imagem ganhou rapidamente grande comoção dos internautas.

"Ficar sem assistência foi uma oportunidade pra provar que Deus fez nossos corpos para parir - hospitais nunca foram o normal. Dei à luz meu filho no meu banheiro depois de um trabalho de parto de 36 horas. O tempo exato que levei no nascimento da minha filha", disse.

No relato, a americana contou que durante o parto ela tentou aliviar as dores com banhos, mas não foi o suficiente. "Escolhi encarar a dor em pé, encostada na parede. Apenas dizia a mim mesma: 'a dor é apenas temporária'".

Além disso, ela disse que a bolsa estourou e o líquido amniótico jorrou, em 5 momentos diferentes, por toda sua cama. No entanto, no período expulsivo do parto, Marissa sentiu que ficar sobre a cama não parecia o melhor a fazer, portanto com a ajuda do marido ela se dirigiu até o banheiro quando sentiu vontade de fazer força.

Para ajudar no processo do nascimento, Marissa sentou no banheiro com o objetivo de fazer mais força. Quando o marido conseguiu ver a cabeça do bebê, incentivou Marissa a continuar fazendo força. "Ele me encorajou a seguir", afirma.

Então, ela se levantou para prosseguir no parto. "Segurei no porta-toalhas e deixei meu corpo dar o último empurrão e ele (bebê) estava finalmente fora. Meu marido ficou parado, em estado de choque, tirando as fotos. Nunca me senti tão poderosa e realizada em toda minha vida. Nossos corpos são realmente incríveis", relembra.

De acordo com Marissa, o processo não teria sido tão fácil sem o apoio que teve do marido: "Quando as contrações e a pressão começaram meu marido estava ao lado da cama, segurando minha mão. Na verdade, foi romântico, embora nesse ponto eu praticamente já estivesse rugindo".

Em entrevista ao site PopSugar, Marissa revelou um pouco sobre como foi o nascimento do seu primeiro filho e como esse momento acabou traumatizando ela. "Fui intimidada por não querer uma epidural e fui assediada durante todo meu trabalho para receber uma. Também fui forçada a deitar nas costas durante o parto e foi-me dito para "empurrar" contra o meu corpo. Meu marido e eu decidimos que um nascimento não assistido em nossa casa seria muito mais. Nunca tive medo durante todo o processo", comenta

A postagem feita por Marissa teve como intuito incentivar outras mães a optarem pelo parto natural. "Se você está com medo ou achando que não consegue fazer isso, (saiba que) você consegue! Não tenha medo, nossos corpos são feitos para isso".

domingo, 17 de dezembro de 2017

EU SEI QUE VOU TE AMAR.- Vinicius de Moraes y Maria Creuza (Letra y subt...



EU SEI QUE VOU TE AMAR
POR TODA A MINHA VIDA EU VOU TE AMAR
EM CADA DESPEDIDA EU VOU TE AMAR
DESESPERADAMENTE EU SEI QUE VOU TE AMAR

EM CADA VERSO MEU SERÁ
PRÁ TE DIZER
QUE EU SEI QUE VOU TE AMAR
POR TODA A MINHA VIDA

EU SEI QUE VOU CHORAR
A CADA AUSÊNCIA TUA EU VOU CHORAR
MAS CADA VOLTA TUA HÁ DE APLACAR
QUE ESSA AUSÊNCA TUA ME CAUSOU

EU SEI QUE VOU SOFRER
A ETERNA DESVENTURA DE VIVER
A ESPERA DE VIVER AO LADO TEU
POR TODA A MINHA VIDA

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O cativeiro psicológico e o medo de ir mais longe





Recentemente chegaram à minha casa dois gatos que passaram por uma situação peculiar. Após 4 anos vivendo em uma casa com total acesso a todos os espaços e convivendo ativamente com as pessoas com quem moravam foram, por motivos que não vêm ao caso aqui, confinados a um espaço único da casa, no caso, o quintal. O espaço era limitado e infinitamente menor do que o que eles estavam vivendo até então. O contato com as pessoas da casa passou a ser quase que somente nos momentos de troca de água, ração e limpeza da areia higiênica.

O que chamou minha atenção foi o seguinte: esses dois gatos estavam muito assustados e com muito medo justamente do que? Do excesso de espaço. O quintal aqui é bem amplo e eles simplesmente, ao chegarem, não tinham coragem de avançar no espaço inteiro. Limitavam-se a um pequeno espaço, que consideravam seguro, e agiam como se tivesse um campo de força invisível que os impedisse de avançar mais. Quando arriscavam-se, voltavam correndo para aquele espacinho que delimitaram como seguro.

Isso me fez refletir muito sobre isso: se gatos que viveram mais tempo com uma maior liberdade, tendo acesso a um mundo bem maior (antes, o mundo para eles era a casa inteira), ao serem confinados durante meses, acostumam-se com esse espaço menor e limitado, passando, então, a desconfiar de tudo que está fora desse espaço delimitado – ainda que esse espaço seja ruim e não apropriado para eles -, imagine só gatos que nascem e são criados já em um pequeno cativeiro?

Ora, isso se parece muito com a zona de conforto – ou de desconforto – em que nos instalamos tantas e tantas vezes e da qual temos tanto receio de sair. Muitas vezes, agimos como gatos assustados que, mesmo tendo um mundo muito mais amplo e interessante à sua disposição, não têm coragem de sair daquele pequeno espaço delimitado que os deixa seguros, mesmo que esse seja muitas vezes ruim e insuficiente.

Isso me lembrou o texto de Étienne de La Boétie, chamado Discurso da Servidão Voluntária. Esse texto, publicado por volta de 1570 e escrito quando ele tinha apenas 18 anos de idade, discute justamente essa questão: por que as pessoas obedecem determinadas regras se não tem, muitas vezes, nada nem ninguém que as faça obedecer de forma forçosa? Ele diz que mais do que tentar entender o que um tirano precisa ter e fazer para poder exercer poder sobre as massas, vale tentar entender por que as massas obedecem sem resistir.

É como se, inicialmente, fosse necessário fechar a porta impedindo a entrada dos gatos na casa, mas, depois de um tempo, não precisasse mais da barreira física. Cria-se um cativeiro psicológico, de forma que os gatos não saem mais de seu espaço mesmo que nada os impeça de fato. Eles se acostumam com os impedimentos e barreiras e passam a temer deixar aquela situação.

Tenho a impressão de que o mesmo acontece conosco. Parte desse processo já começa na educação: desde muito pequenos já somos colocados em salas de aula, somos obrigados a ficar sentados e a seguir diversas regras que, com o passar do tempo, interiorizamos como verdades inabaláveis. E quando enxergamos possibilidades de novos e infinitos mundos que poderíamos explorar, nós simplesmente paralisamos, como se houvesse o tal campo de força invisível. Não damos um passo a mais, mesmo que não haja nada nem ninguém nos impedindo.

“A liberdade é a única coisa que os homens não desejam; e isso por nenhuma outra razão (julgo eu) senão a de que lhes basta desejá- la para a possuírem; como se recusassem conquistá-la por ela ser tão simples de obter” (Étienne de La Boétie).

Criamos um roteiro de vida a ser seguido, criamos conceitos sobre nós mesmos, criamos crenças e pré-conceitos, criamos até mundos paralelos e virtuais, como o Facebook, por exemplo, onde não precisamos nem mais sair do lugar. O cativeiro está mais do que perfeito, porque não há ninguém obrigando ninguém a ficar com a cara grudada na tela do celular tendo o mundo inteiro ao seu redor, mas ficamos! E, incrivelmente, acreditamos que esse é o mundo.

Há um tempo, reduzi drasticamente meu uso do Facebook, passando a usar apenas profissionalmente e entrando muito esporadicamente com o intuito de “interagir” com os amigos. E é impressionante a quantidade de tempo que sobra no dia, tempo em que você levanta a cabeça do seu cativeiro psicológico e descobre que existe um quintal enorme à sua frente, esperando para ser explorado. E esse quintal pode ser seu quintal mesmo, literalmente, mas pode ser um livro, pessoas de carne e osso, pode ser uma música que você escuta prestando atenção, um hobby, um cachorro alegre na sua frente. E você sai desse espacinho e começa a explorar o quintal e descobre que não assusta tanto, mais. E você não quer mais voltar para aquele espaço limitado. Você volta a se acostumar com o mundo amplo à sua volta.

O mesmo ocorre quando você descobre que, apesar de ter se formado em uma faculdade, existe um mundo inteiro de outras coisas legais para aprender, estudar. Que o diploma de médica veterinária não me impede de estudar filosofia. Que o casamento às vezes não é vitalício e que a solteirice também não é. Que existem infinitos roteiros de vida que podem lhe satisfazer, assim como roteiros de viagens.

“Assim é: os homens nascem sob o jugo, são criados na servidão, sem olharem para lá dela, limitam-se a viver tal como nasceram, nunca pensam ter outro direito nem outro bem senão o que encontraram ao nascer, aceitam como natural o estado que acharam à nascença. Mas o costume, que sobre nós exerce um poder considerável, tem uma grande força de nos ensinar a servir e (tal como de Mitrídates se diz que aos poucos foi se habituando a beber veneno) a engolir tudo até que deixamos de sentir o amargor do veneno da servidão” (Étienne de La Boétie).

Então, você descobre, inclusive, que pode, se desejar, voltar para seu espacinho anterior quando quiser, passar um tempo lá, usar seu Facebook de vez em quando, mas já não teme mais afastar-se e explorar novos mundos. Vai ficando mais corajoso, vai gostando desse mundo que se abre e ficando cada vez mais resistente ao cabresto psicológico. Vai voltando a ser aquele gato explorador, livre, que às vezes se assusta, às vezes faz umas traquinagens, às vezes não gosta do que encontra em suas explorações, mas que não se deixa limitar mais.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O LOUCO - Khalil Gibran



NO JARDIM dum manicómio
encontrei um rapaz
de rosto pálido e belo ,
cheio de espanto .

Sentei-me a seu lado
no banco , e perguntei-lhe :
- Porque estás aqui ?

Olhou-me assombrado ,
e disse :
- É uma pergunta indiscreta ,
mas vou responder .

Meu pai queria executar em mim
uma reprodução de si próprio ,
e o mesmo quis fazer meu tio .

Minha mãe queria converter-me
na imagem de seu ilustre pai .

Minha irmã fazia
do navegador seu esposo
o exemplo perfeito
que eu devia seguir .

Meu irmão pensava
que eu devia ser como ele ,
um excelente atleta .

Por sua vez os meus professores ,
o doutor em Filosofia ,
o mestre da Música ,
o de Lógica ,
estavam resolvidos ,
cada um deles ,
a que eu fosse apenas
o reflexo do seu rosto no espelho .

Foi assim que vim parar a este lugar .

Acho-o aliás mais cordato .

Pelo menos , aqui
posso ser eu próprio .

Depois , subitamente ,
voltou-se para mim e perguntou :
- Mas diz-me lá ,
também te trouxeram a este lugar
a educação e o bom conselho ?

- Não , respondi .
Eu sou um visitante .

Então ele disse-me :
- Ah ! Tu és um daqueles
que vivem no manicómio ,
do outro lado do muro .

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Sonhos de Abóbora


Ingredientes

– 1 Kg de abóbora, em cru
– 250 gr de Farinha de trigo com fermento
– 1 Colher de café de fermento

– 1 ou 2 Colheres de sopa de açúcar (facultativo)
– 2 Ovos
– Casca de laranja, e raspa de laranja
– Pau de canela

– Água q.b. e uma pitada de sal
– 1 Colher de sopa de aguardente (não usei)
– Óleo para fritar
– Açúcar e canela q.b. para polvilhar

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Sei-te



Sei-te no cheiro que o vento espalha
e se me entranha nos poros.
Seja no aroma suave de uma flor
ou numa explosão dos sentidos,
o vento sempre apura
as partículas do teu odor.


E nos gemidos que o vento solta
soa o gosto de cada carícia tua.
Sabes-me...!

E imploro ao vento que retorne
a ti
e tatue na tua pele
todo o sabor que és em mim.

Rosa Santos

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Por não querer nem governo nem Estado. Para uma narrativa política dos 35 anos dos Xutos


No dia da morte do Zé Pedro, republicamos este artigo de Fernando Ramalho. A mundividência dos Xutos seguiu sempre muito a par do viver quotidiano dos seus membros que, por sua vez e como será natural que suceda, é inseparável dos altos e dos baixos, dos sucessos e fracassos, de um percurso de 35 anos, que no caso dos Xutos é tudo menos linear.
9 de Março, 2014 - 00:18h





Entre 25 e 29 de Julho de 1983 tinha lugar, no Carvalhal, em Tróia, o festival «Dêem uma Oportunidade à Paz», uma iniciativa de grande dimensão organizada por um movimento unitário que, na altura, intervinha em torno dos problemas da paz, com particular destaque para a luta contra as armas nucleares. Tinha fomentado, por exemplo, cerca de um mês antes, um forte movimento contra a instalação de material nuclear norte-americano na Base Aérea de Beja. Do cartaz do festival faziam parte uns então relativamente desconhecidos Xutos & Pontapés. Quando entraram no palco, depararam-se com um cenário desolador. Explica Kalú: «O público estava muito longe do palco. (…) em vez de porem as pessoas ali à frente, rodearam a zona da mesa de mistura com grade onde só deixaram entrar os jornalistas, que entretanto estavam todos na copofonia atrás do palco, onde era o bar. Aquilo parecia mesmo o deserto, com as luzes via-se um cabo enorme e preto em cima da areia, a mesa, e o público lá ao fundo a dormir…»i Face àquilo, Zé Pedro, assim que entra no palco, pega no microfone e diz: «A grande diferença que existe entre nós e vocês é que gente já não acredita na Paz!»ii Aquela declaração não só teve o condão de atrair para a frente do palco, perante a incapacidade da organização do festival para «resolver o problema», a enorme massa humana que se amontoava, a muitos metros de distância, em sacos-cama, como despertou a curiosidade dos jornalistas. Os Xutos conseguiram mesmo, pela primeira vez, ser capa do semanário Se7e, na semana seguinte, com uma entrevista a Belino Costa. Aí, pode ler-se: «"Fiquei espantado quando o Zé Pedro fez tais afirmações", conta o Tim. "Ele exprimiu, afinal, o pensamento do grupo. De facto, já não acreditamos em manifestações pacifistas. Para o poder é bem melhor a existência de um Festival da Paz do que uma greve de estivadores. Por outro lado, a questão da Paz não se resume ao nuclear. Quando, por exemplo, em França se despedem 9 mil trabalhadores da Renault isso é uma forma de violência e guerra. Em Almada por certo que vai haver problemas quando começarem a despedir gente na Lisnave. Não será isso tão agitador quanto a passagem de armas nucleares em Portugal? Estamos muito mais preocupados com a violência do dia-a-dia do que com as armas nucleares!"»iii

Vale a pena determo-nos um pouco sobre o Portugal de 1983. Cerca de um mês e meio antes do referido festival, tomara posse o IX Governo Constitucional, o chamado governo do Bloco Central, composto por uma aliança entre o PS de Mário Soares e o PSD de Carlos da Mota Pinto. A situação económica e social era caótica e, em meados de Agosto, o Governo assinou uma «carta de intenções» com o FMI, um acordo para o que seria a segunda intervenção em Portugal daquela instituição desde o 25 de Abril. O impacto conjugado da débil situação económica e financeira e das medidas ultra-austeritárias do FMI foi brutal: inflação à volta dos 30 por cento, congelamento de salários e do investimento público, falências e despedimentos em catadupa, dezenas de milhares de trabalhadores com salários em atraso, quebra abrupta do consumo interno, etc. Ficaram na memória algumas declarações do primeiro-ministro Mário Soares, como «Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos»iv ou a célebre «Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto»v.

Num tal ambiente, era o conflito, e não a paz, que estava na ordem do dia. A «violência do dia-a-dia» de que falava Tim era o substrato da ressaca pós-revolucionária, com todo o seu cortejo de desilusões e frustrações. No lugar do sonho da «cidade sem muros nem ameias» instalara-se a sensação da ausência de futuro. E os Xutos, ainda longe da condição de «instituição» que atingiriam daí a uns anos, eram actores nesse cenário. É desse período a canção «Futuro» – embora tenha sido editada apenas em 1990, no álbum Gritos Mudos – que, traduzindo o ar dos tempos, dizia precisamente: «Futuro que era brilhante / Embaciou-se a pouco e pouco / Os passos ficaram lentos / Dando certezas de louco / O desencanto é tão seco / Como a luz que me rodeia / E as coisas que não fiz / Envolvem-me como a teia.»

Em 1983, reduzidos a trio, depois do fracasso comercial de um álbum e dois singlesvi, os Xutos carregavam o fardo do desencanto. E o desencanto resultava não apenas da circunstância de terem sido apanhados no refluxo do chamado «boom do rock português»vii, mas sobretudo porque esse refluxo era uma das componentes de um viver quotidiano cada vez mais castrador e claustrofóbico. A vida era dura, e a música dos Xutos reflectia essa dureza. Mais: os Xutos, eles próprios, eram personagens das suas canções. Em 1983, Tim saltava de emprego em emprego, enquanto tentava terminar a licenciatura em Agronomia, Zé Pedro era escriturário e Kalú trabalhava na pequena empresa corticeira da família. Este último, mais de 20 anos depois, quando perguntado sobre como surgira a canção «Homem do Leme», respondia: «Foi uma das primeiras músicas que o Tim fez para a banda. Não sei bem porque é que ele a escreveu, mas revela os problemas sociais daquela altura. Éramos da classe operária e sentíamos as dificuldades naturais dos trabalhadores.»viiiManter, naquele contexto, uma banda de rock com pretensões de perenidade, recusando concessões estéticas e políticas, pareceria naturalmente uma tarefa impossível. Mas era justamente a determinação de seguir por esse caminho, apesar do desencanto, que constituía a estratégia de intervenção no conflito. Esta história, porém, começa uns anos antes, ainda na segunda metade da década de 1970.

Dantes, o tempo corria lento

Costuma-se localizar o início da história dos Xutos em 13 de Janeiro de 1979, no célebre concerto nos Alunos de Apolo, mas vale a pena recuar uns meses, até ao momento em que Zé Pedro, no meio de um InterRail, assiste a um festival punk em Mont-de-Marsan, em França, onde viu, entre outros, os The Clash: «Cheguei lá uns dias antes, Mont-de-Marsan era quase uma aldeia e as pessoas trancaram-se em casa com medo. Quando os punks começaram a chegar foi a grande confusão, entravam nas poucas lojas que tinham ficado abertas e aviavam-se sem pagar. (…) No terceiro dia do festival foi o Lou Reed. Entrei à borla, foi uma sorte porque os franceses tinham uma segurança com um ar super-organizado que conseguia manter as pessoas cá fora a cinquenta metros das portas, tinham isolado os acessos às portas com grades… e, mal o espectáculo começou, fecharam as portas da praça de touros. Aí começou o assalto – cocktails Molotov a voar, bidões de gasolina a arder (…) Quando voltei rapei o cabelo todo, meti um alfinete na boca (…)»ix

Se em Inglaterra o chamado movimento punk explodia como reacção ao establishment cultural e político, e na verdade à decadência de toda uma civilização que via implodir as expectativas de um futuro radioso e de progresso em que assentara o capitalismo dos «30 anos gloriosos» do pós-guerra, as particularidades da situação portuguesa acrescentavam alguma complexidade ao problema. Se havia coincidência na sensação de ausência de futuro, em Portugal essa sensação decorria do impacto no quotidiano do percurso de uma revolução que, apenas quatro anos antes, se construíra justamente a partir de uma promessa de futuro. Se é verdade que só com alguma generosidade se pode falar de algo como um movimento punk em Portugal – na verdade, até faria mais sentido dizer Lisboa… – no final dos anos 1970, seria muito apressado concluir que a pequena movida de umas poucas dezenas de pessoas que formavam bandas, produziam fanzines, trocavam discos, etc., não tinha a capacidade de traduzir um sentimento que se generalizava muito para lá dos seus intervenientes. Era um profundo tédio a marca de uma vida quotidiana cuja expectativa mais optimista que era capaz de gerar era a de uma vidinha previsível e vazia, da escola para o trabalho, do trabalho para casa. «Submissão», uma das primeiras canções dos Xutos – ainda que só tenha sido editada mais tarde, no lado B do single «Se Me Amas», de 1989 –, cantada por Zé Pedro, dizia: «Eu deixei a escola e fui trabalhar / Mas é pior do que andar a estudar / São oito horas por dia, é muito a aturar / É tanto tempo que nem dá para pensar».

A tensão entre o risco de uma vida miserável e a possibilidade do remedeio do trabalhinho honesto expressava uma oposição que era recusada à partida, e o que se questionava era precisamente um modo de viver que fazia depender uma eventual felicidade futura do sacrifício castrador do presente. E, também por isso, perdia sentido sequer tentar imaginar o futuro; do que se tratava era, pelo contrário, da negação prática, quotidiana, do tédio do presente, da recusa das meias tintas. Como se cantava em «Quero Mais», lado B do single «Sémen», de 1981, «Eu sei lutar até ao fim / É tudo ou nada». Na sua primeira aparição na TV, em Agosto de 1981, no programa da RTP Haja Música, à pergunta «Além da música, em que é que acreditam: têm alguma ideologia, alguma religião?», Zé Pedro respondia: «Eu, quanto a mim, reajo em cima dos acontecimentos, não é preciso haver nada estabelecido. Um gajo apresentar-se como ele é. Não há padrões»; a que acrescentava Tim: «Não há linha de orientação.»x

Numa curta-metragem de 1987, Um dia destes…xi – em que os próprios Xutos são protagonistas, com Anamar, Manuel Mozos, entre outros –, Edgar Pêra traça um retrato impressivo de um dia banal na vida da cidade nos tempos da «normalização democrática». Por entre uma sucessão rocambolesca de mal-entendidos acerca do desaparecimento de 250 contos que o paquete de uma loja deveria depositar no banco, um grupo de pessoas prepara, para o fim do dia, uma festa com um concerto de uma banda de rock – os Xutos – numa oficina automóvel, aproveitando a circunstância da previsível ausência do patrão. As várias personagens vão-se cruzando, de uma forma ou de outra, ao longo do dia e mobilizando para a noite, acabando todos por se encontrar na festa. Na sequência de uma queixa pelo desaparecimento dos 250 contos, o dono da oficina acaba por aparecer com a polícia, e termina a festa. No subtexto da trama está a claustrofobia do quotidiano, do trabalho para ganhar a vida, e a estratégia de fuga, a supressão do tempo mecânico do dia-a-dia pela quimera voraz do gozo e da festa, com tudo o que isso implicava de conflito e cumplicidades, de polarização e de imprevisibilidade. Como afirma Zé Pedro, numa peça do jornal Blitz de 1985, «"Renunciar ao estado de gozo é o pior que pode acontecer" – diz. – "É a tal cena da ganza e da ressaca: há os que optam por não se ganzarem para não terem ressacas e há os outros"»xii. «Dantes, o tempo corria lento, meu / Dantes, matava-se o tempo teu / Mas tudo isso passou / Foi o tempo que me matou», cantava-se em «Dantes», segunda faixa do álbum 1978-1982.

A história do segundo concerto da vida dos Xutos, que assinalava os 11 anos do Maio de 68xiii, em 5 de Maio de 1979, com os Raios e Coriscos, os Minas & Armadilhas e os Aqui d'El Rock – uma banda punk de marginais do Bairro do Relógio que chegou a editar dois singles, um deles, de 1978, com o significativo título «Há que Violentar o Sistema» –, no Liceu D. Pedro V, fornece uma imagem intensa da produção desse tempo suspenso, sem futuro, o tempo da cumplicidade, do gozo e da festa. Leia-se, por exemplo, o que escrevia Pedro Ferreira, na edição de Maio de 1979 da revista Música & Som, a propósito deste concerto: «Há quem não tome o fenómeno Punk a sério. O recente concerto no Liceu D. Pedro V, em Lisboa, pôs uma vez mais em causa essa atitude. O Punk tem uma vitalidade própria, como prova o aparecimento de novos (poucos, é pena) grupos do género, como o Raios e Coriscos, o Minas & Armadilhas SARL e o Xutos e Pontapés, que actuaram conjuntamente com o Aqui d’El Rock no Liceu referido. (…) Voltando ao concerto, foi significativo um dos verdadeiros rebeldes ter pedido o microfone para dar um grito; no fundo, o denominador comum daquela malta era o grito de "estamos vivos". Mas a comunicação entre o grupo no estrado e a audiência era unívoca, porque o som nebuloso e esmagador apagava a contestação, o pluralismo, ao mesmo tempo que criava a atmosfera intemporal do milagre: o cigarro que se pede, a cerveja que se bebe, os teus olhos nos meus olhos… milagre afectivo, comunicação outra entre indivíduos flutuando nas nuvens de ruído amigo, milagre musicalmente passivo, milagre na superfície… o Punk à superfície do milagre!»xiv Ainda a propósito desse concerto, relata Zé Pedro: «Estavam lá os punks da Amadora, gostaram tanto que não nos largaram porque queriam que fôssemos partir montras com eles para a Av. de Roma.»xv

Cercados na cidade

Há duas referências bastante recorrentes nas canções dos Xutos, sobretudo até ao terceiro quarto dos anos 1980: a cidade e o rio. Não é difícil imaginar que é do cenário concreto das suas vivências que se fala, da Zona Oriental de Lisboa, onde crescera e vivia Zé Pedro, a Almada, onde vivia Tim. Mas a verdade, porém, é que a cidade e o rio que surgem nas canções dos Xutos não são nunca nomeadosxvi. Se o rio é aqui visto como uma espécie de barreira que se interpõe entre duas margens sem esperança – por exemplo, em «Longa se Torna a Espera» (1984), «E quando eu apanhar finalmente / O barco para a outra margem / Outra que finde a viagem / Onde se espere por mim / Terei, terei mais uma vez a força / Para enfrentar tudo de novo / Como a galinha e o ovo / Num repetir de desgraças», ou em «Desemprego» (1987), «Sentado à beira do mar / Ouvindo as ondas rolar / E uma gaivota no ar / Flecte as asas ao virar / Dá-me um sinal p'ra voltar» –, já a cidade é a abstracção que designa o palco do conflito quotidiano – por exemplo, em «Cerco» (1985), «Quando o céu escurecer / E quando o chão reflectir / O colorido da cidade / Os ratos saem da esquadra / Defendendo a sociedade / E andam para a frente / E andam para trás / E o que magoa também satisfaz / E olham para um lado / E olham para o outro / E vêem-me a mim / Estou cercado / Na cidade», ou em «Esta Cidade» (1987), «A polícia já tem o meu nome / Minha foto está no ficheiro / Porque eu não me rendo / Porque eu não me vendo / Nem por ideais / Nem por dinheiro / E como eu sou e quero ser sempre assim / Um rio que corre sem princípio nem fim / O poder podre dos homens normais / Está a tentar dar cabo de mim».

A cidade abstracta das canções dos Xutos é então o cenário da repressão e do confronto com o poder, e os rostos desse poder são, em vários casos, como nos dois exemplos referidos, explicitamente o Estado e a polícia. Essa identificação clara do «outro lado da luta»xviiencontrava eco no posicionamento da banda face aos aspectos marcantes da situação política da época. Veja-se, por exemplo, a declaração de Zé Pedro, na abertura de um concerto no Rock Rendez-Vous, a 6 de Julho de 1984: «"Esquadrão da Morte", e nós lembramo-nos das FP-25 quando tocamos.»xviii E seguia a canção: «Por não querer aquilo que me é dado / Por não querer nem governo nem Estado / Por não ter nada e por tudo querer / Esquadrão da morte faz-me correr.» Note-se que, no mês anterior, tinha ocorrido aquela que ficou conhecida como a «Operação Orion», uma operação policial de grandes dimensões que resultou na detenção de cerca de 40 pessoas alegadamente associadas às FP-25.

A vida que se joga sem nenhuma razão

Para todos os efeitos, a mundividência dos Xutos seguiu sempre muito a par do viver quotidiano dos seus membros que, por sua vez e como será natural que suceda, é inseparável dos altos e dos baixos, dos sucessos e fracassos, de um percurso de 35 anos, que no caso dos Xutos é tudo menos linear. Quando, no início de 1987, editam o álbum Circo de Feras, o primeiro para uma editora multinacional e que abriria uma fase de enorme popularidade que duraria, grosso modo, até 1989/90, os tempos da banda de culto, de certa forma marginal, de combate, começavam a ficar para trás e inaugurava-se a era da banda profissional, reconhecida, tomada como uma espécie de porta-voz de uma geração tida como capaz de, com determinação e perseverança, enfrentar as dificuldades e ser bem-sucedida. Ainda que diferente do tom mais pop e optimista do álbum seguinte, 88, Circo de Feras é uma espécie de álbum de transição em que coexistem canções como «Esta Cidade» (já referida acima) e outras marcadas pela afirmação da esperança, como «Contentores» («É uma escolha que se faz / O passado foi lá atrás / E nasce de novo o dia / Nesta nave de Noé / Um pouco de fé») ou «Não Sou o Único» («E quando as nuvens partirem / O céu azul ficará / E quando as trevas se abrirem / Vais ver, o sol brilhará»). E, efectivamente, o sol brilhou. Ao longo de 1987, 1988 e grande parte de 1989, os Xutos percorrem o país com centenas de espectáculos, das aldeias recônditas do Interior aos pavilhões esgotados das grandes cidades. O 7.º Single, que inclui o mega-êxito «Minha Casinha», ultrapassa os 50 mil exemplares vendidos, tornando-se disco de platina, tal como sucede com os álbuns 88 e Ao Vivo. Os Xutos apanham finalmente o comboio da fama – uma geração inteira, rendida aos seus heróis, a cantar a «Casinha» e a «Maria».

E no entanto, quando nada o faria prever, o «repetir de desgraças» regressa. As vendas de discos desaparecem, os grandes concertos desaparecem, o público desaparece. Entre 1990 e 1995, os Xutos voltam a atravessar o calvário do desencanto. O álbum Gritos Mudos, editado em 1990, resulta num enorme flop comercial. O público já não aderia como antes, e os Xutos voltam às salas pequenas, com audiências que raramente ultrapassam as poucas centenas de pessoas. Tal como Circo de Feras, uns anos antes, Gritos Mudos é também um álbum de transição, mas desta vez ao contrário: enquanto o primeiro antecipava o sucesso, este parecia antecipar o abismo. Além de recuperar canções antigas nunca antes editadas como «Futuro» (já referida acima) ou «Gritos Mudos» («Gritos mudos chamando a atenção / Para a vida que se joga sem nenhuma razão»), o álbum incluía canções como «Gente de Merda» («Quero sair, mas não sei por onde / Não quero ficar, mas vou ficando / Vou arrastando toda esta angústia / Já não tenho forças») ou «Melga», uma crítica às políticas de Fernando Collor de Mello, presidente à época do Brasil, onde o álbum foi gravado («Já farto de ouvir promessas / Pensas que ainda vou nas conversas / De alguém que p'ra mim é uma melga»).

Numa entrevista ao Blitz, em Julho de 1990, as palavras de Tim transpiram um certo ambiente de amargura que a banda vivia, na decorrência quer do problema da queda das vendas e da popularidade quer das tensões internas que isso provocava: «(…) porque depois do trabalho que tivemos com a preparação do disco (…), agora que o disco está publicado, está tudo a bater ao lado… (…) Eu acho que o que faz o culto de uma banda é o trabalho dela. Quando isso é massificado, como no nosso caso, transforma-se em objecto de venda. Em certa fase foi isso que aconteceu. (…) Estou perfeitamente à vontade, até por não ter sido eu a criar esse culto, mas o público e a Imprensa. Por outro lado, no nosso caso, quero acreditar estarmos numa situação de transição. (…) os princípios nunca se devem expor, nunca se devem cristalizar. O que deve ser encarado é que há mudanças, ou para melhor ou para pior. Essas mudanças têm sempre contrapartidas e uma das contrapartidas que se tem é perder-se o culto ou uma certa franja de público.»xix

No Verão de 1990 estreia, no Clube Estefânia, a peça de 1978 Inimigosxx, do inglês Nigel Williams, encenada por José Wallerstein, com banda sonora dos Xutos, com a canção «Tu Aí». Numa escola de uma zona degradada dos subúrbios de Londres, meia dúzia de adolescentes são deixados entregues a si próprios numa sala de aula. Enquanto esperam a chegada do professor, inventam eles próprios estratégias de ocupação do tempo, acabando por traçar aquilo que, para uma classe média bem-sucedida, seria o retrato da forma como as classes desfavorecidas se viam a elas próprias. Explica o encenador: «Inimigos fala de uma sociedade democrática institucionalizada, com classe média desenvolvida, com operariado já instalado, é uma peça do "pré-Tatcherismo", não é? Aliás, eu acho que há um paralelismo entre essa situação e a situação política "cavaquista" que nós vivemos presentemente. Inimigos fala da massificação da INSTITUIÇÃO e dos problemas que se colocam às pessoas que vivem – e são a grande maioria – nas franjas das grandes cidades.»xxi De novo o tema da cidade, agora já numa situação diferente, perante novos problemas, que, no caso dos Xutos tinha de novo uma tradução na angústia de um futuro incerto: «Tu aí! / Espero alguém chegar / Queres assim / Alguém p'ra me orientar / Ficas aí? / Tenho que me aguentar / Até ao fim / Será que me vou salvar?»

Com os dois álbuns seguintes, Dizer Não de Vez e Direito ao Deserto – gravados em simultâneo mas editados, respectivamente, em 1992 e 1993 –, parece assistir-se a uma espécie de regresso dos Xutos às origens, a uma postura de combate e contestação, de amplificação dos problemas sociais e das lutas necessárias, mas igualmente de afirmação da determinação de, enquanto banda, não ceder à lógica do sucesso e às suas vicissitudes. Numa entrevista à revista Ritual, no início de 1993, afirmam: «É dizer NÃO a uma série de atitudes conformistas e passivas que nos têm estado a habituar a ter, como pessoas. Cada vez mais, as pessoas são iguais umas às outras, os problemas de uns são semelhantes aos dos outros, e anda-se a tentar oferecer às pessoas um ideal de vida que é casa-trabalho-trabalho-casa, e ainda por cima, compras um carro para ficares mais empenhado, teres que trabalhar mais… (…) Ainda nos incomoda essa posição de objectos de consumo. (…) Em certa medida, é um regresso às origens (…) Neste disco fizemos o que nos estava a apetecer fazer, o que nos deu na cabeça. (…) Conseguimos abstrair-nos da importância daquilo que estávamos a fazer e da importância que as pessoas lhe poderiam dar. E este tipo de abstracção só o conseguimos fazer até ao Cerco. A partir do Circo de Feras, todos queriam saber o que os Xutos & Pontapés iam fazer e isso começou a pesar de tal maneira que nos demos muito mal com essa história. (…) já não jogavas pelo prazer… Era só pela receita!»xxii

Os problemas sociais, mas também um certo sentido de luta e solidariedade, regressam em força às canções dos Xutos, como em «Dia de S. Receber» («Este dia a dia é duro / É duro de se levar / É de casa p'ró trabalho / E do trabalho p'ró lar // Já não chega o que nos tiram / À hora de pagar / É difícil comer solas estufadas ao jantar / De histórias mal contadas / Anda meio mundo a viver / Enquanto o outro meio / Fica à espera de receber»), «Velha Canção da Cortiça» («O sobreiro desnudado / Enfrenta o sol com a mesma estupidez / Com que um operário cansado / Regressa a casa mais uma vez / E tudo, tudo, se repete / E tudo, tudo, se repete / No ciclo da produção / Acelera-se o consumo / Para dar a sensação / De que esta vida tem rumo / E tudo, tudo, se repete / Seja em nove anos ou num só dia / Só nos velhos se reflecte / O extorquir da mais valia») ou «Direito ao Deserto» («Triste sina / De quem se julga mais fraco / A vossa sina / Ó carneirada mole / Ajudem-se / Ajudem-se / Não tenho medo dos lobos / Nem paciência para o teu pastor / Ovelha negra / Carneiro preto / Eu vou direito ao deserto»).

Evidentemente, os Xutos dos anos 1990 já não são os Xutos da década anterior. Não só toda a envolvente era diferente como o percurso sinuoso da banda até aí determinara problemas de outra natureza. Como é óbvio, estar atento aos problemas sociais, e reflectir essa observação nas canções que se escreve, não é a mesma coisa que ser actor do conflito quotidiano que esses problemas traduzem. Numa entrevista ao Independente no final de 1993, Zé Pedro explica o que mudou: «O que é que mudou na vida real? Agora somos profissionais da música e antigamente não éramos. De facto, agora as preocupações são outras. Sei lá, já não precisamos de andar de táxi.» E Tim acrescenta: «Nunca soubemos nem sabemos o que nos pode acontecer. As incertezas existem sempre. Dantes era o dinheiro para o táxi, agora é saber se temos dinheiro para fazer uma série de concertos em França. Coisas desse género.»xxiii

O que foi não volta a ser, mesmo que muito se queira

O final de 1995 marca o início de um novo percurso de sucesso que se mantém até hoje, com a edição do álbum Ao Vivo na Antena 3, uma revisitação de canções do já então vasto repertório da banda arranjadas em formato acústico. Uma momentânea inflexão estética revelou-se de grande eficácia do ponto de vista comercial. Mas esta nova fase de sucesso é fundamentalmente diferente da anterior, da do final dos anos 1980. Se nessa altura os Xutos eram vistos como uma espécie de porta-vozes de uma geração, dos seus anseios e expectativas, o que agora se iniciava era a elevação dos Xutos à condição de «instituição nacional». A partir daí, não era já apenas uma geração que os via como heróis, mas toda uma nação que os reconhecia como seus símbolos. O processo de «nacionalização» dos Xutos tem um ponto alto na comemoração dos 20 anos da banda, no início de 1999, com a edição de uma fotobiografia e da colectânea XX Anos XX Bandas, um álbum de tributo de 20 bandas e artistas nacionais, mas sobretudo com um concerto num praticamente esgotado Pavilhão Atlântico, a 20 de Março. Dois dias depois, no jornal Público, descreve-se o ambiente, numa peça significativamente intitulada «Uma festa portuguesa»: «Entre o público que quase encheu anteontem à noite o Pavilhão Atlântico, viu-se muita gente com a bandeira portuguesa pelos ombros. Afinal, era de uma celebração nacional que se tratava. Não eram apenas os 20 anos de uma banda, mas sim os 20 anos da mais portuguesa das bandas rock. Foi por isso apropriado que o concerto de aniversário dos Xutos & Pontapés tivesse acontecido no Parque das Nações, em Lisboa – tal como a Expo-98, os Xutos transformaram-se numa glória nacional. Não é que eles sejam uma banda nacionalista, ou que o concerto de sábado fosse concebido como uma exaltação patriótica. Mas, ao fim de 20 anos, os Xutos tornaram-se numa fonte de orgulho pátrio, alcançando um estatuto único no rock português. Há uma "portugalidade" intrínseca à banda de "Gritos Mudos" (…) Com toda a gente a seu lado e as luzes já acesas, os Xutos terminaram em apoteose com "A Minha Casinha", a mais lusitana das canções, cantada em coro pelo público. Depois do final, no caminho para casa, ainda se ouve no metropolitano um grupo de jovens a cantar o hino nacional e a gritar "Portugal, Portugal". Uma festa portuguesa, portanto.»xxiv

Cinco anos depois, a 10 de Junho de 2004, os Xutos seriam agraciados pelo Presidente da República Jorge Sampaio, em conjunto, entre outros, com a especialista em culinária Maria de Lurdes Modesto, com o grau de comendadores da Ordem de Mérito, que distingue «actos ou serviços meritórios que revelem desinteresse ou abnegação em favor da colectividade, no exercício de quaisquer funções, públicas ou privadas».

A partir daí, pode dizer-se, tudo o resto é história, e é uma história bem conhecida. O que, porventura, estará ainda por reflectir é o que terá sucedido para que uma banda cuja marca era o dissenso e a ruptura se tenha tornado símbolo de um consenso que, naturalmente, esbate as fronteiras que dividem os conflitos do quotidiano, que torna indistintos os «lados da luta». Não é fácil encontrar alguma indicação nesse sentido nas canções dos Xutos até ao final dos anos 1990 (nem mesmo depois disso…). Talvez uma análise mais aprofundada das condições políticas, sociais e culturais do Portugal da segunda metade dos anos 1990 possa fornecer algumas pistas, mas essa reflexão terá de ficar para uma próxima oportunidade.

Será então que podemos afirmar que os Xutos perderam a sua, digamos assim, veia contestatária e interventiva? Não necessariamente. Aliás, podemos encontrar esse olhar crítico em várias canções dos últimos anos. Veja-se, por exemplo, a canção «Ligações Directas», do último álbum da banda, Puro, sobre os recentes cortes de energia do Bairro do Lagarteiro, no Porto: «Quanto mais têm mais querem de mim / Como o gasóleo tudo pode subir / Só o teu salário continua a descer / Tu não crês em ligações directas / Olha aqui estas feridas abertas / Por onde escorreu o nosso dinheiro / E se derreteu um futuro inteiro / Tu, morrer de fome e de frio primeiro / Aqui no bairro do Lagarteiro.» Ou «Sem Eira nem Beira», do álbum homónimo de 2009: «Senhor engenheiro / Dê-me um pouco de atenção / Há dez anos que estou preso / Há trinta que sou ladrão / Não tenho eira nem beira / Mas ainda consigo ver / Quem anda na roubalheira / E quem me anda a foder.» É, porém, significativa a polémica que se gerou a propósito desta última canção quando, por razões que são óbvias pela referência ao «senhor engenheiro», foi vista como uma espécie de manifesto contra o primeiro-ministro de então, José Sócrates, intenção de imediato recusada pela banda. Pode ler-se numa peça do jornal Público: «Interpretar esta faixa, cantada pelo baterista Kalú, como um hino contra as políticas do Governo socialista é "deturpar" a intenção do grupo. "Não há aqui alvos a abater", diz [Zé Pedro], em resposta ao facto de o refrão começar com a frase Senhor engenheiro, dê-me um pouco de atenção. "Não queremos fazer um ataque político a ninguém. A letra exprime mais um grito de revolta. E é um alerta para o estado da Justiça e para uma classe política em geral que, volta e meia, toma atitudes que deixam os cidadãos desamparados", justifica. (…) Zé Pedro, que, diz, até "simpatiza" com o primeiro-ministro José Sócrates, aponta ainda que quando Tim, o vocalista, escreveu o texto para a música de Kalú, tiveram de optar entre "senhor engenheiro" e "senhor doutor": "Optámos por engenheiro por causa do actual primeiro-ministro, mas nunca quisemos fazer um ataque político directo."»xxv

Os Xutos que agora comemoram 35 anos de carreira são, evidentemente, diferentes dos Xutos que se lembravam das FP-25 quando tocavam «Esquadrão da Morte» ou que sentiam «as dificuldades naturais dos trabalhadores», tal como a realidade em que produzem a sua música mudou profundamente. Goste-se mais ou menos dos Xutos tornados símbolos nacionais, consensuais mesmo quando as suas canções são mais críticas, seria patético tanto qualquer tique saudosista quanto qualquer juízo moralista. Isso só poderia resultar de uma visão que atribui à arte e aos artistas um papel redentor que manifestamente não têm. Os Xutos de 1984 não salvaram a revolução e os Xutos de 2014 não salvarão a nação. O que porventura fará sentido, aproveitando a data redonda, é reflectir sobre a forma como a arte e os artistas se produzem em relação com a realidade quotidiana concreta, bem como, em sentido inverso, intervêm na produção dessa mesma realidade. E para essa reflexão, a história dos Xutos – toda a história dos Xutos – pode fornecer um excelente contributo.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Josh Groban - You Raise Me Up [Official Music Video]



When I am down and, oh, my soul, so weary;When troubles come and my heart burdened be; Then I am still and wait here in the silence, Until you come and sit awhile with me. You raise me up, so I can stand on mountains; You raise me up to walk on stormy seas; I am strong when I am on your shoulders; You raise me up to more than I can be. You raise me up, so I can stand on mountains; You raise me up to walk on stormy seas; I am strong when I am on your shoulders; You raise me up to more than I can be. There is no life - no life without its hunger; Each restless heart beats so imperfectly; But when you come and I am filled with wonder, Sometimes, I think I glimpse eternity. You raise me up, so I can stand on mountains; You raise me up to walk on stormy seas; I am strong when I am on your shoulders; You raise me up to more than I can be. You raise me up, so I can stand on mountains; You raise me up to walk on stormy seas; I am strong when I am on your shoulders; You raise me up to more than I can be. You raise me up to more than I can be.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O SAGRADO FEMININO . . .

"Fazendo uma retrospectiva histórica e mitológica do papel da Mulher ao longo dos tempos, constatamos seu papel milenar como mediadora entre os planos divino e humano. Desde os primórdios da humanidade, coube às mulheres a responsabilidade de perceber os avisos, os sinais e as manifestações sobrenaturais e transmiti-los à comunidade. Durante os pelo menos 35 mil anos em que Deus foi mulher, as mulheres –representantes da Deusa na Terra - foram respeitadas por seu poder de conceber e nutrir a vida e por sua profunda conexão com os planos sutis e a natureza.

As mulheres eram regidas pela Lua e a ela estavam conectadas por meio de seus ciclos menstruais. Considerada uma representação da Deusa, a Lua era honrada pelas mulheres por meio de reuniões nas Cabanas Lunares ou Tendas Vermelhas, durante a fase da Lua Negra ou em sua fase menstrual, nas quais se dedicavam à introspecção, ao silêncio, à cura, à conexão com o divino ou o contato com as suas ancestrais e Matriarcas dos clãs. Esse retiro visava não somente a renovação e o fortalecimento pessoal, mas era também uma oportunidade de trabalhar em benefício da comunidade.
A percepção sutil intrínseca à natureza feminina tornava-se muito mais ampla e aguçada durante a menstruação, permitindo às mulheres atravessarem mais facilmente os véus que separam os mundos. Ao retornarem de seu isolamento, as mulheres traziam mensagens e orientações dos ancestrais, dos seres da natureza e das Deusas, sendo assim reconhecidas e honradas como porta-vozes do além.
Nas culturas matriarcais do período neolítico, a mulher continuava desempenhando sua função de intermediária entre o sagrado e o profano, fosse como sacerdotisa, profetisa ou visionária. Ao visitar lugares sagrados em Malta, Sicília, Creta e Grécia, pude comprovar in loco a existência de inúmeras câmaras oraculares, de nichos para sonhos incubatórios e de janelas especiais nas paredes dos inúmeros templos, aonde a comunidade ia para ouvir a voz da Deusa, manifestada por meio das suas sacerdotisas.
Localizado na Grécia em Delfos, o mais famoso oráculo do mundo antigo era dedicado a Python, a grande serpente sagrada, filha partenogenética da Terra, que personificava o espírito profético de Gaia. Lá, após rigorosas purificações e preparações, as sacerdotisas oraculares – chamadas pitonisas – entravam em transe e transmitiam as mensagens para todos aqueles que as procuravam. Mesmo após a usurpação do templo pelos sacerdotes de Apollo, o oráculo continuou sendo atributo das sacerdotisas, pois Python transmitia seus segredos apenas às mulheres.
Com o advento das sociedades patriarcais, as mulheres perderam seus direitos, sendo dominadas, subjugadas, perseguidas e silenciadas. No Império Romano, as mulheres ainda desempenhavam funções sacerdotais, mas foram excluídas da vida social, não tendo permissão para estudar ou para falar em público. A educação era reservada apenas às cortesãs, para que pudessem entreter os homens com sua erudição. O cristianismo, por meio de seus dogmas, proscrições e proibições, marginalizou e aniquilou definitivamente os valores femininos, excluindo as mulheres do sacerdócio, relegando-as às funções procriadoras e ao serviço do lar, da família e da comunidade.
Nos dogmas cristãos por não ter sido criada à imagem e semelhança de Deus (mas da costela de Adão, um homem), por ter comido da Árvore do Conhecimento seguindo o conselho da serpente e por ter sido castigada com a expulsão do Paraíso e para parir com dores, a mulher tornou-se a origem de todos os males infligidos à humanidade, sendo vista como a fonte do pecado, do mal e da luxúria. A consequência foi sua total desconsideração, passando a ser julgada incapaz de pensar e proibida de falar. A repressão religiosa, familiar e social colocou vendas nos olhos e mordaças na boca das mulheres, que, outrora, representavam a origem da vida e a fonte da sabedoria.
Após os horrores da Inquisição, as mulheres levaram ainda alguns séculos para emergir da escuridão, até que, no início do século passado, conseguiram recuperar o direito de falar, trabalhar e votar. O século XX pode ser considerado a retificação dos dezenove séculos de opressão e silêncio forçado, facilitando a compreensão do movimento feminista como um pêndulo oscilando entre dois extremos.
Ávidas por expressão, as mulheres foram à luta na tentativa de recuperar o tempo perdido. Hoje ninguém mais duvida de sua capacidade, seja na área social, política, econômica ou científica, seja no setor literário, artístico, terapêutico ou místico. Pagando o alto preço da jornada dupla ou tripla de trabalho, a mulher saiu do anonimato e está conquistando um lugar ao sol, competindo de igual para igual com os homens. E é neste ponto que o pêndulo perde seu equilíbrio: as mulheres, ao assumir características que não são intrínsecas à sua natureza - imitando o comportamento e apropriando-se dos valores ou do linguajar masculino – exageram sua autoafirmação e querem ser ouvidas a qualquer custo.
Talvez por isso a mulher contemporânea fale demais, esquecendo-se que somente no silêncio pode ser ouvida sua voz interior; que sua força não vem da agressividade ou da combatividade, mas sim da compreensão, da sensibilidade, da criatividade, da ponderação e da sabedoria. Por mais que o mundo exterior a solicite, pressione ou agrida, a mulher moderna precisa relembrar como se proteger e como se fortalecer, buscando dentro de si seu verdadeiro eu, ouvindo sua sabedoria inata e expressando, com convicção e competência, seu potencial de maga: saber, querer, ousar... e calar."

~ Mirella Faur

sábado, 25 de novembro de 2017

SOMOS TODOS DESCARTÁVEIS?


Hoje acordei com o coração apertado. Final de ano, momento inevitável para reflexões. Me lembrei das pessoas que ficaram para trás. Mas me lembrei ainda mais daquelas, pelas quais eu fui deixada para trás.

Sabemos que a vida nos leva para lá e para cá como bem entende. Muito do que gostaríamos de decidir, não fica realmente em nossas mãos. Conhecemos pessoas e somos obrigados a nos despedir um dia. Vivemos a saudade dos momentos que tivemos com elas e temos que nos contentar com o contato em redes sociais ou com os valiosos telefonemas, tão raros hoje em dia.

Mas e quando percebemos que não tivemos valor para alguém que nos dedicamos tanto? Um amigo ou amiga, que pensávamos, ser para sempre? Um lampejo, uma possibilidade de um amor que pareceu estar chegando e mais uma vez nos damos conta de que vivemos um momento descartável?

É difícil aceitar como nos tornamos descartáveis uns para os outros. Em nome de uma sobrevivência forçada, de uma sociedade enlouquecida em seu ritmo alucinante. Entramos nessa onda de velocidade e as pessoas que passam em nossas vidas chegam e se vão como água, não importando mais o que acontece em seguida.

Esta semana minha sábia terapeuta me disse: “Quem vê você, vê uma mulher segura, disponível, cheia de si e não imagina como você é de verdade por dentro”. Ela se referia a isso, à minha não aceitação do ser descartável, simplesmente o ser mais uma na vida de alguém, enquanto que o meu comportamento seguro talvez demonstre o contrário. Pareço eu ser mais uma a tratar os demais de forma tão rasa?

A arte do desapego em relação às pessoas que passam em minha vida é algo que desconheço. Me apego sim. Gosto, curto, admiro e torço pela felicidade dos meus. E de preferência ao meu lado. Quando a vida é dura e leva de mim os que gosto, sofro, mas ao menos tenho a certeza de que foi a vida quem quis assim. Cruel é quando as pessoas nos descartam sem mais nem menos, sem ao menos ter a decência de nos dar um por que. Triste é ser desprezado e totalmente ignorado, como se nem tivéssemos existido.

Vivemos numa sociedade onde as pessoas “ficam”, trocam suas energias mais fortes e profundas com desconhecidos. Fogem de relações que somam em troca das que aparentemente não fazem diferença alguma, quando na verdade subtraem sim. Subtraem nossos sentimentos, nossos valores, nossas possibilidades de evolução emocional, de valorizar o outro, de conhecer o próximo e a si mesmo de forma mais profunda.

Nos tornamos uma sociedade doente, onde o conhecer pessoas em sua essência se tornou algo raro. O olhar ao outro com o coração é estranho e não natural como deveria ser. Amigos já não parecem ser tão amigos assim. Amores, só de final de semana ou fim de festa. Somos todos bem-vindos à era do coleguismo e dos relacionamentos virtuais. Centenas de mensagens no Whatsapp até a cama e um provável adeus logo em seguida.

Fico feliz ao não me encaixar nessa modernização das relações humanas. Gosto e faço questão da visita em casa, do encontro pessoalmente, do ouvir a voz e o olhar nos olhos. O abraço apertado e uma conversa franca sobre quem eu sou, além do que aparento ser. Aprecio o conhecer o outro na sua mais profunda intimidade, desde suas qualidades até as fraquezas mais escondidas. Admiro o buscar de afinidades. E o respeito pelas diferenças. Vivo o longo momento do conhecer e do se reconhecer no outro. Que para mim, vai bem além das centenas de mensagens via telefone celular. Começa no olhar e dura uma vida inteira.

Vivemos numa era de pessoas descartáveis, quando aceitamos ser tratados assim. E pior, quando olhamos para os demais de forma tão superficial. Se não nos encaixamos, acabamos por nos sentir sozinhos, por ainda possuirmos algo de tamanho valor e esquecido pela maioria: o amor ao próximo como a nós mesmos. Ainda que nos sintamos sozinhos, não estamos sós de verdade. Apenas ficou difícil encontrar os que sobraram da mesma espécie. Sejamos nós, os que sobraram, a perpetuar o que é duradouro. Que amizade e amor não entrem em extinção!

"É improvável que alguém consiga esquecer o primeiro amor. Não me refiro ao primeiro namoro ou ao primeiro relacionamento, me refiro àquele amor que a gente traz na lembrança mesmo que não faça mais parte da vida da gente.

Aquele sentimento que causou um impacto transformador e sem precedentes, que deu origem ao primeiro “tudo” nas nossas vidas – o primeiro olhar, o primeiro encontro, o primeiro beijo, a primeira noite sem dormir – e que nos proporcionou muitas alegrias, lágrimas, lutas e recompensas. Eu acredito que o fato de não vivermos mais esse amor, não quer dizer que tenhamos que esquecê-lo; e que muitas pessoas são infelizes porque não acreditam o amor, ou não investiram de forma plena nesse sentimento, outras acreditam tanto quanto em Papai Noel ou Coelho da Páscoa.

As sensações que sentimos ao amar pela primeira vez, se diferem obviamente do primeiro namoro. No primeiro caso, muitas vezes, usamos frases curtas e penetrantes para demonstrar esse amor que emana de forma simples e natural, ao passo que o namoro denota uma carência que não seria demonstrada num texto inteiro, o que torna tudo muito mais racional.

Atentamos para o primeiro amor, que nos parece ser muito breve, mas tem o peso de um amor eterno. E quando ele chega, vemos que com o que trouxe, pode voltar que continua sendo amor, mesmo quando acabou. (Entenda…)

Muitas pessoas ingressam num relacionamento usando a máxima de que “um novo amor fará esquecer o anterior”.

Entretanto julgo que isso seja impossível acontecer, caso contrário, é porque não era amor. Não podemos pensar evidentemente, que há a obrigação de se manter isolado para manter vivo esse amor. Muitas pessoas pensam, de forma errónea, que é impossível aprender a amar, quando passamos pela experiência de perder quem amamos, mas a verdade é que em muitos casos, a desistência revela o verdadeiro amor, quando se abre mão da presença da pessoa amada, apenas para vê-la feliz. Porque nem sempre há compatibilidade entre as pessoas para que haja reciprocidade na sua vida pessoal, como no amor. Nem sempre há entre as pessoas a realização de chegarem ao matrimónio com o seu “grande amor”. O problema em si, não é a beleza do romance ou a falta de amor de uma das partes, mas as incompatibilidades ou os problemas inerentes ao dia a dia das pessoas.

Mas devemos nos lembrar de que o primeiro amor chega quando não se espera. Quem sabe ele se lembre de que à beira daquele rio, havia uma menina que estava brincando e que por um momento, esboçou um sorriso que marcou para sempre? Ou que ela no parque, quando viu aquele menino sentado na grama, sorrindo, ficou encantada e desde aquele dia ela guardou o seu sorriso e tentou nunca mais se esquecer. Então eles se separam. Com o tempo se casaram, e um dia, distantes, se lembraram, cada um no seu mundo, do seu primeiro amor. Eles então sorriem, e dizem a si mesmos: Eu vivi meu primeiro amor, quando tinha tantos anos…

As histórias de amor são sempre parecidas. As pessoas se amam se desejam, mas dificilmente podem viver a realidade de um conto de fadas, O primeiro amor é a loucura que vivemos com louvor. Podemos dizer que nele, há um sentimento muito verdadeiro, mas que depende de muitos fatores para que seja vivido. Entretanto em muitos casos, ficará apenas na lembrança, como um amor marcante, e que será descrito apenas como cartas de poemas."

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Plantas Amigas - Consorciação de Culturas

Consorciação de Culturas é uma técnica agrícola de conservação que visa um melhor aproveitamento a longo prazo do solo. As espécies escolhidas proporcionam entre si vantagens recíprocas, quando o seu crescimento se efectua simultaneamente na mesma área agrícola.

domingo, 19 de novembro de 2017


"Esqueça os políticos. Os políticos são colocados lá para te dar a impressão de que você tem liberdade de escolha... mas você não tem. Você não tem escolha. Você tem donos. Eles são seus donos. Eles são donos de tudo. Eles são donos de todas as terras que importam. Eles são donos das corporações e as controlam. Eles já compraram a muito tempo o Senado, o Congresso, os governos estaduais, as prefeituras, os fórums, eles têm os juízes guardados nos bolsos e eles são donos de todas as grandes empresas de mídia, então eles controlam todas as notícias e informações que você recebe. Eles te pegaram pelo saco. Eles gastam bilhões de dólares todo ano fazendo lobby... para conseguir o que querem... Bom, nós sabemos o que eles querem. Eles querem mais para eles mesmos e menos para todo o resto das pessoas, mas eu vou te dizer o que eles não querem... eles não querem uma população de cidadãos capazes de pensamento crítico. Eles não querem pessoas bem educadas e bem informadas capazes de pensamento crítico. Eles não estão interessados nisso... isso não ajuda eles. Isso vai contra os interesses deles. É isso aí. Eles não querem pessoas espertas o suficiente para se sentarem em volta de uma mesa e pensarem sobre como eles estão sendo sacaneados por um sistema que os deixou na mão há uns 30 anos atrás.Eles não querem isso. Sabe o que eles querem? Eles querem trabalhadores obedientes... Trabalhadores obedientes, pessoas que são espertas o suficiente apenas para operar as máquinas e cuidar da papelada. Mas burras o suficiente para aceitarem passivamente seus empregos cada vez piores com salários cada vez menores, com cada vez mais horas de trabalho, benefícios reduzidos, sem hora-extra, e agora eles querem tirar a sua previdência social também. Eles querem a grana da sua aposentadoria. Eles querem pegar de volta para dar para seus amigos criminosos em Wall Street, e quer saber? Eles vão pegar... eles vão tirar tudo de você mais cedo ou mais tarde, porque eles são donos disso aqui. É um grande clube, e você não é sócio dele. Eu e você não estamos no clube. E eles te batem na cabeça o dia inteiro dizendo no que você tem que acreditar. O dia inteiro batendo na sua cabeça com a mídia dizendo no que você deve acreditar, o que você deve pensar e o que deve comprar. Esse jogo está sendo roubado e ninguém parece se importar. Parece que ninguém se importa. Pessoas honestas que trabalham duro... continuam elegendo esses filhos da puta ricos que não estão nem aí pra você. Eles estão pouco se fodendo pra você. Eles não ligam nem um pouco, e ninguém parece se importar. É com isso que os donos contam. Com o fato de que os americanos provavelmente vão continuar se mantendo ignorantes a respeito do grande caralho vermelho azul e branco que come o rabo deles todo santo dia, porque os donos desse país sabem a verdade. Eles chamam isso de Sonho Americano porque você tem que estar dormindo para acreditar nele."
(George Carlin - sobre eleições e voto)

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Foto de Manifesto Visionário.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017


Um recado a todos os DESAJUSTADOS: Sejam bem vindos!

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Foi-nos dito "não", não temos importância, somos secundários. "Obtém um diploma, consegue um emprego, consegue isto, consegue aquilo..." E então és um jogador, mas tu não queres jogar este jogo. Tu queres recuperar a tua mente e tirá-la das mãos dos engenheiros culturais, que querem transformar-te num idiota chapado, consumidor de todo este lixo que está a ser fabricado a partir dos ossos de um mundo agonizante.
(Terence McKenna)

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