sábado, 22 de julho de 2017

Patrulha Canina



Micas, Hulk e Max em acção de vigilância contra incêndios num eucaliptal.

Salvador Sobral - Nem Eu



“…
O amor acontece na vida
Estavas desprevenida e por acaso eu também
E como o acaso é importante, querida
De nossas vidas a vida fez um acaso também
…”

Ataques de Pânico


“O Pânico é Ansiedade máxima em situações inexplicáveis.”

Um estado de Pânico é um fenómeno físico resultante do processo de Ansiedade. Falamos em Pânico quando se sente um nível extremo de Ansiedade.

A Ansiedade é um fenómeno físico de reacção à emoção Medo, provocado pela libertação de várias hormonas no sangue pelas glândulas supra-renais, nomeadamente adrenalina.

Em momentos de Ansiedade, é libertada adrenalina em quantidades abundantes, preparando o organismo para grandes esforços físicos, através de estímulos ao coração, elevação da tensão arterial e do relaxamento de certos músculos e da contracção de outros.





CAUSAS DOS ATAQUES DE PÂNICO

Por vezes, como efeito secundário de medicação, drogas ou de debilidades físicas diversas, existe uma libertação de adrenalina em excesso, o que causa um colapso físico que se manifesta através de um estado semelhante a um Ataque de Pânico… Não sendo um ataque de Pânico, é tão traumático como os Ataques de Pânico. As pessoas podem sentir o primeiro episódio de Pânico em qualquer circunstância, como, por exemplo, a dormir, a conduzir, num centro comercial, em casa, entre outras situações.

Assim, quem sofre o primeiro evento traumático, associa inconscientemente os sintomas às circunstâncias onde estava, começando a fugir dessas circunstâncias para evitar sentir os sintomas. Como exemplo, se as pessoas têm um Ataque de Pânico a conduzir, desenvolvem um medo enorme de conduzir; se o primeiro Ataque de Pânico for num centro comercial, vão evitar espaços semelhantes no futuro; se tiverem um Ataque de Pânico e sentirem dificuldade em respirar, vão, no futuro, evitar espaços onde se sintam fechados sem arejamento, entre outras variadas situações normais que as pessoas com esta perturbação se sentem verdadeiramente impedidas de viver.

Quem sofre desta perturbação, sente uma Ansiedade máxima em situações inexplicáveis, não conseguindo reconhecer os medos que lhes são inerentes.

A maior parte das vezes, as pessoas que sofrem desta perturbação não são corretamente diagnosticadas devido à dificuldade que, muitas vezes, existe em detetar este distúrbio, o que leva frequentemente a pensar que são apenas episódios de Ansiedade simples ou meras fobias.


SINTOMAS MAIS FREQUENTES DOS ATAQUES DE PÂNICO



Dificuldade respiratória ou sensação de estar a sufocar
Vertigens, instabilidade ou desmaio
Palpitações ou ritmo cardíaco acelerado
Tremuras ligeiras ou acentuadas
Sudação
Falta de ar
Náuseas, dor de estômago ou diarreia
Sensação de irrealidade, estranheza ou separação do meio envolvente
Sensações de adormecimento ou de formigueiros
Ruborização ou calafrios
Dor ou incomodidade no peito
Medo de morrer
Medo de «tornar-se louco» ou de perder o controlo

Este distúrbio mental erróneo provoca uma Ansiedade elevadíssima todas as vezes que se está perante estas experiências consideradas agressoras. As pessoas perturbadas com este síndrome são levadas a pensar que têm fobias diversas quando, na verdade, o que sentem é um medo extremo de estar expostas a experiências potencialmente agressoras.

Na verdade, as pessoas com o Distúrbio Cíclico da Ansiedade, têm medo de sentir medo.


COMO SE PODE TRATAR OS ATAQUES DE PÂNICO?

Os Ataques de Pânico tratam-se na sua origem, ajudando as pessoas que sofrem a afastarem-se das emoções de medo traumático resultante do primeiro evento de pânico.

Coldplay gravity

quinta-feira, 20 de julho de 2017

India Arie - Ready For Love


"I am ready for love
Why are you hiding from me
I'd quickly give my freedom
To be held in your capitivity
I am ready for love
All of the joy and the pain
And all the time that it takes
Just to stay in your good grace
Lately I've been thinking maybe
You're not ready for me
Maybe you think I need to learn maturity
They say watch what you ask for 'cuz you might receive
But if you ask me tomorrow, I'll say the same thing
I am ready for love
Would you please lend me your ear
I promise I won't complain
I just need you to acknowledge I am here
If you give me half a chance
I'll prove this to you
I will be patient, kind, faithful and true
To a man who loves music
A man who loves art
Respect the spirit world and thinks with his heart
I am ready for love
If you'll take me in your hands
I will learn what you teach
And do the best that I can
I am ready for love
Here with an offering of my voice
My voice, my eyes, my soul, my mind
Tell me what is enough
To prove I am ready for love"

quarta-feira, 19 de julho de 2017

CIENTISTA DO MIT AVISA: NINGUÉM DEVIA SER VACINADO!

"Não sei se esta cientista ainda está viva, mas a estar (que eu desejo com imensa força) vai passar "as passas do Algarve". Quem se mete com a industria farmacêutica mete-se com uma das organizações mais perigosas do planeta. A senhora enfrentou-os de 'caras' tem o destino traçado.
Um destes dias surgirá a noticia de que se "suicidou" ou teve um "acidente" de carro, o costume.
Nunca o planeta teve tanto bandido à solta."

sábado, 15 de julho de 2017

Escrito por quem mudou de opinião


«O último sonho do toiro antes de morrer . . .

"Há qualquer coisa de profundamente degradante nas touradas. Não é só o sofrimento do animal, é o espanto com que ele observa os animais da bancada. A incredulidade de estar perante a maldade do mundo. O toiro leva nos olhos uma tristeza de estar assistindo à vileza do humano. Porte imponente, músculos fortes, cornos pontiagudos, nobreza de carácter, mas os olhos. É nos olhos do toiro que nós vemos a sua ingenuidade. Uma criança perdida no meio da multidão (...) Baixa a cabeça, com as patas tenta furar o chão como se pudesse abrir um alçapão que o fizesse cair da arena para um prado onde corresse e lambuzasse as bochechas de outro toiro. Um campo aberto a céu aberto. Sem cornetas, sem pessoas, sem gritos, sem bandarilhas coloridas, sem bigodes quase aristocráticos, sem ferros frios no lombo, sem rios de sangue pelo corpo, sem maldade. O último sonho do toiro antes de morrer..."»



A minha família nāo desgostava de touradas. Não que se babassem por ir ver o Tito Capristano à Moita ou o Nelo Cagarras a Santarém, mas lá em casa, se passava uma Corrida, a malta ficava a ver. Nas férias andaluzes, chegados ao apartamento com sal mediterrânico, o meu Pai punha na TVE e até ao jantar sorvíamos a cantilena espanhola dos comentadores especialistas e 8 ou 10 toiros de morte.

Não éramos aficionados mas gostávamos de ver. Do espectáculo. Da arte do matador. Da faena. Da orquestra. Do tribalismo. Só não podíamos ver os cavaleiros. Gajos de jaqueta brilhante montados num cavalo a espetar farpas que se transformavam em bandeirinhas que acenavam ao público. Degradante. O cavaleiro é o cobarde da tourada, é o puto que insulta e depois foge. Tínhamos, eu e o meu Pai, um sonho: unir a Ibéria numa só tourada: matadores espanhóis, forcados portugueses. Os cavaleiros passariam a alisar a areia, a limpar os estábulos e a dar água aos toiros.



Olho a televisão com o canal público a dar tourada. Aquelas mesmas caras de sempre de olhar bovino. Caras de gente laranja, de bigodes falsamente aristocráticos, as famílias da "tradição", os betos e os que querem passar por betos, as calças caqui, os penteados, as patilhas, uma portugalidade meio bizarra que parece advir de promíscuas relações entre primos e irmãos. Esta gente que ali está atrás das tábuas funde-se com as vacas em noites de Inverno: por isso aquele bovino olhar, a mansidão das carecas reluzentes, a lhaneza.

Pai, eu já não posso continuar a ver isto. Não é fácil questionarmos as coisas que enquanto crescemos eram naturais. Mais difícil quando as víamos junto aos que amamos. O meu Pai gostava de ver e eu via e também gostava porque gostava dele. Vamos continuar a ir aos nossos sítios a que íamos sempre juntos. Vamos a Moledo, a Ceuta, a Sevilha, a Mijas, ao Forte de Peniche, às Caldas do Luiz Pacheco, a Vilarelho ouvir o Maestro Coca-Cola Killer ensinar Bach às gentes do campo, vamos continuar a ir ao Estádio da Luz e a abraçarmo-nos dentro dos golos do Benfica, mas, Pai, a TVE para mim acabou.



Há qualquer coisa de profundamente degradante nas touradas. Não é só o sofrimento do animal, é o espanto com que ele observa os animais da bancada. A incredulidade de estar perante a maldade do mundo. O toiro leva nos olhos uma tristeza de estar assistindo à vileza do humano. Porte imponente, músculos fortes, cornos pontiagudos, nobreza de carácter, mas os olhos. É nos olhos do toiro que nós vemos a sua ingenuidade. Uma criança perdida no meio da multidão.

O animal sorve a vida de forma natural. Passa anos a comer ervinhas, a ver pores-do-sol, a esfocinhar amorosamente com outros animais. Vive a vida em liberdade, em campos abertos de luz, por onde pode correr, parar, dormitar, ficar só a ver. Ficar só a viver. Recebe arco-íris com uma chuvinha que lhe molha a língua e as dentolas, afasta borboletas e mosquitos com um espirro, ressona e acorda os pássaros da árvore onde está encostado. O animal não reflecte sobre o mundo, mas vive-o. Sobretudo, sente-o. Os elementos da natureza são-lhe prazenteiros. É-lhe natural ir beberricar aquela água, comer este molhe de ervas, cagar ou mijar onde lhe apetecer. O céu é-lhe natural, as nuvens e o Sol, os caminhos de terra, as plantas, os passarinhos. Aquela brisa que vem em Agosto com cheiro a cereais. Ele levanta a cabeça, fecha os olhos e sente-a. Não pensa sobre ela, mas sabe-a.

De repente, uma arena! Um cubículo de areia com milhares de pessoas e vozes e urros! De repente, o horror. Chamam-no, assustam-no, dão-lhe palmadas na cabeça, espetam-lhe ferros frios no lombo. Encosta-se às tábuas, sente a madeira, procura um caminho para voltar para o campo. Está cercado. Cornetas, luzes, gritos. Rios de sangue escorrem-lhe pelo corpo. O peso das bandarilhas coloridas enquanto corre. Não entende aquilo, não sabe o porquê. Cansado, ofegante, em pânico, investe contra o carrossel de homens e cavalos que o rodeiam.



Baixa a cabeça, com as patas tenta furar o chão como se pudesse abrir um alçapão que o fizesse cair da arena para um prado onde corresse e lambuzasse as bochechas de outro toiro. Um campo aberto a céu aberto. Sem cornetas, sem pessoas, sem gritos, sem bandarilhas coloridas, sem bigodes quase aristocráticos, sem ferros frios no lombo, sem rios de sangue pelo corpo, sem maldade. O último sonho do toiro antes de morrer .

sexta-feira, 14 de julho de 2017

I Santo California -Torneró - Traduzido

O Silêncio dos Lobos


Pense em alguém poderoso.
Essa pessoa briga e grita como uma galinha ou olha em calmo silêncio, como um lobo?
Os lobos não gritam.
Eles têm uma aura de força e poder. Observam em silêncio.
Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.
Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.
Exactamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos.
Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis.
Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia e continua a trabalhar mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota.
Olhe… sorria… silencie… vá em frente.


Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar.
Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.
Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) ideia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques.
Não é verdade. Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir.
Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal.
Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.
Você pode escolher o silêncio.
Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenócrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar:
“Arrependo-me de coisas que disse, mas jamais de meu silêncio.”


Responda com o silêncio, quando for necessário.
Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais, use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não ter que responder em alguns momentos.
Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas.
E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.

Escrito por Aldo Novak

Beth Hart & Joe Bonamassa - Don´t Explain



"Hush now, don't explain
You're my joy and pain
I'm glad you're back
Don't explain

Quiet, don't explain
I'm missed with some dame
Skip that lipstick
Don't explain

You know that I love you
And what love endures
Nothing rates above you
And I'm so completely yours

Cry to hear folks chatter
And I know you cheat
Right and wrong don't matter
When you're with me, sweet

Hush now, don't explain
You're my joy and pain
I'm glad you're back
Don't explain

You know that I love you
And when love endures
All my thoughts are of you
When I'm so completely yours

Cry to hear folks chatter
And I know you cheat
Right and wrong don't matter
When you're with me, sweet

Hush now, don't explain
You're my joy and pain
My life's yours, love
Don't explain, don't explain"


quinta-feira, 13 de julho de 2017


O arquitecto Manuel Salgado, vereador da CML, com o pelouro do Urbanismo, autorizou a demolição do quartel de bombeiros mais moderno de Lisboa, que fica paredes meias com o Hospital da Luz (BES), pois este pretende expandir a sua área de construção...

Agora aqui vai o melhor, que são meras coincidências:

1º. O arquitecto Manuel Salgado é autor do projecto de expansão do Hospital da Luz!

2º. O arquitecto Manuel Salgado é primo direito do Ricardo Espírito Santo Salgado!

Este país é realmente uma pequena aldeia, não acham?!


Esta notícia necessita de alguma explicação da sua história:


1) O Hospital da Luz necessitava de terreno para expansão e com todo o direito, pelo valor que acrescenta à cidade, só podendo isto ser feito, para onde estava o quartel de bombeiros.

2) A opinião da estrutura dos bombeiros era de que aquele quartel era necessário. (Está tudo na Internet).

3) O óbvio seria o Hospital da Luz pagar a construção de um outro quartel naquela zona e trocá-lo pelo terreno que necessitava.

4) A CML necessitava de dinheiro.

5) O Arq. Manuel Salgado conseguiu a opinião de outra estrutura dos bombeiros em que era dito não ser necessário aquele quartel.

6) A CML fez um leilão do terreno onde estava o quartel em causa e o único licitante, é claro, foi o Hospital da Luz.

7) O Hospital da Luz contratou o escritório do filho do Arq. Salgado, que também é arquitecto, (o Arq. Salgado deixou de ser sócio quando entrou para a CML), para fazer o aumento do edifício principal.

8) Aprendam como se fazem as coisas nas câmaras municipais, porque assim ficaram todos contentes..., menos os bombeiros.

. . . porque me apeteces


Eu amo a Natureza e as coisas que vou conquistando , ao longo desta minha caminhada .
Amo o meu Cantinho , o quintal , os jardins , os gatos , os cães , a moto , a bicicleta . . .
Também amo os meus amigos , familiares (aqueles que gostam de mim , claro !) .
Amo o Sol , a Lua , as estrelas , o dia , a noite , o vento , a chuva . . .
Amo aquele que considero "o meu mundinho" . . . todas as minhas coisas estão lá .

Paixão é outra coisa . . . arrebata-me , transporta-me no espaço e no tempo , desassossega-me , desconjunta-me . . .
Posso apaixonar-me por alguma coisa ou alguém , mesmo sem o seu conhecimento ou , sequer , permissão . . .
Visitando uma Galeria de Arte , posso perfeitamente "apaixonar-me por uma obra" , mesmo que não tenha dinheiro para a adquirir . . . continuando , no entanto , a "amar as minhas coisitas" , por mais modestas e simples , que sejam .

Claro que acontecem paixões ( serão antes ilusões !?) fugazes , que se esfumam , com o tempo , com maior ou menor grau de dificuldade , acabando por serem substituíveis ou compensáveis . . . mas outras acontecem , que são para sempre .
Serão coisas do coração e não dos sentidos . . . eu acho !

Apenas posso amar aquilo ou aquele que me está próximo , visível e , por outro lado , consigo apaixonar-me por alguma coisa ou alguém , mesmo que me seja , de todo , inacessível .
Estou convicto de que o amor é coisa dos sentidos , não dependendo apenas de mim , enquanto as paixões . . . são coisas do . . . coração . . .

Sei , por experiência própria , que também se pode amar de paixão .
Eu amo-te de paixão .
És a minha Utopia !
. . . para que serve a Utopia !? Para continuar "caminhando" , acreditando sempre , que é possível alcançar . . .

e sim . . . sei que sou louco .

Alexandre

quarta-feira, 12 de julho de 2017


Alimentação saudável : comer sem pesticidas !


JOÃO MIGUEL DE FREITAS - MÉDICO

14 ABR 2017 / 02:00 H.

Estou a escrever-vos este artigo com um autêntico “nó” na garganta. Ainda que, tal como a maioria das pessoas, tenha contactado com informação relativa à produção massificada de alimentos, quer de origem animal, quer vegetal, neste passado fim de semana, pude realizar um módulo de formação subordinado à contaminação dos nossos alimentos, que me deixou ainda mais preocupado.

Quais são os alimentos que apresentam os maiores índices de pesticidas? O que fazer para consumir mantimentos com confiança e tranquilidade?

De uma forma comum, somos “bombardeados” com a importância do consumo de alface, tomate, pepino, maçã, peixe, frango... alimentos de que, de uma forma geral, gostamos. Mas o pior é que são esses os alimentos que, geralmente, contêm as doses residuais mais elevadas de pesticidas, como DDT, capazes de agir sobre o nosso sistema endócrino e imune, ou seja, substâncias que podem alterar o nosso normal funcionamento.

Este cocktail químico influencia-nos através de uma redução da fertilidade, de um aumento de alguns tipos de tumores, do aparecimento de diabetes mellitus e da obesidade. Estes componentes, infelizmente, estão também presentes em outros produtos que utilizamos diariamente, tais como: fármacos, cosméticos, embalagens, recipientes de plástico e até revestimentos de latas.

A questão não é, de todo, simples! Por um lado, necessitamos de alimentos para uma população em crescendo, mas, por outro lado, é fundamental garantir que os mesmos alimentos são submetidos a controlos mais ou menos severos para garantir a saúde do consumidor. Ainda não se conhece bem os efeitos no nosso organismo de todas estas substâncias utilizadas para evitar o ataque de pragas e insetos e para melhorar a aparência e a durabilidade do que consumimos. Sabemos, sim, que os alimentos em que foram encontrados mais resíduos de pesticidas são: alface, tomate, pepinos, maçãs, pêssegos, pimentos, morangos, peixe criado em viveiros e animais submetidos a alimentação à base de ração (contendo restos animais, hormonas de crescimento e antibióticos). Os menos contaminados são: banana, cenoura, ervilhas, legumes e hortaliças protegidos por uma casca mais grossa, peixe capturado “selvagem” e animais criados sem suplementação alimentar.

No dia-a-dia, e como consequência da crise económica que estamos a atravessar, sabemos que uma parte significativa da população consome de forma insuficiente frutas, verduras e legumes. Se a este aspeto associarmos alguns componentes tóxicos, esta situação sofre um claro agravamento que se vai refletir num aumento do número de casos de tumores, malformações congénitas, patologias endócrinas, neurológicas e mentais.

O ideal para a saúde pública seria evitar ou reduzir ao máximo o consumo dos pesticidas nos cultivos e na alimentação em geral, mas é preciso ser realista: compete a cada um de nós a missão de eliminar parte do risco. Alguns aspetos fundamentais passam por lavar os produtos antes do seu consumo, por exemplo, no caso dos morangos e tomate, como o tóxico utilizado é de superfície, temos de lavar bem a parte externa do alimento com água para eliminar o risco. Para outros alimentos em que o produto penetra e afeta o seu interior, o aquecimento pode inativar os efeitos adversos dos pesticidas, excetuando o zinco e o estanho, já que, nestes casos, o aquecimento não elimina o perigo.

Deixo 6 sugestões amigas para a sua mesa:

1. Comprar, sempre que possível, alimentos frescos provenientes da agricultura orgânica onde não são utilizados pesticidas ou fertilizantes químicos. Por exemplo, procurar conhecer os produtores que não utilizam estes componentes;

2. Lavar cuidadosamente as frutas e verduras com água e bicarbonato de sódio: não serve para remover completamente todos os pesticidas, porém ajuda na remoção de grande parte;

3. Tirar a casca aos alimentos antes de consumi-los – os pesticidas têm maior concentração na porção externa;

4. Comprar, de preferência, peixe “selvagem”;

5. Aderir, com outras pessoas, a grupos de compra de produtos biológicos, tais como: frango, carne de vaca, porco, ovos, frutas e legumes. A associação estimulará o aparecimento de mais produtores deste modelo de produção;

6. Sempre que possível, cultive alguma coisa, mantenha pequenas hortas no jardim, no quintal ou em zonas urbanas. Os resultados serão modestos, mas o tempo dedicado ao cultivo, para além de poder ser um ponto zero em tecnologias, feito apenas de convívio familiar, poderá possibilitar-lhe a produção de hortaliças e legumes com nenhum traço de pesticida, em condições controladas por si.

Proteja a sua saúde, não a envenene!


O presidente Lula é inocente. Por mais de três anos, Lula tem sido objeto de uma investigação politicamente motivada. Nenhuma evidência crível de culpa foi produzida, enquanto provas esmagadoras de sua inocência são descaradamente ignoradas. Este julgamento politicamente motivado ataca o Estado de Direito do Brasil, a democracia e os direitos humanos básicos de Lula. É uma grande preocupação para o povo brasileiro e para a comunidade internacional.

O juiz Moro deixou seu viés e sua motivação política claros desde o início até o fim deste processo. Seu julgamento envergonhou o Brasil ao ignorar evidências esmagadoras de inocência e sucumbir a um viés político, ao mesmo tempo em que dirige violações contínuas dos direitos humanos básicos e do processo legal. O julgamento prova o que argumentamos o tempo todo - que o juiz Moro e a equipe do Ministério Público na Lava Jato foram conduzidos pela política e não pela lei.

O presidente Lula tem sido vítima do lawfare, o uso da lei para fins políticos, famoso método foi usado com efeitos brutais em diversas ditaduras ao longo da história. Este julgamento politicamente e tendencioso mostra bem como os recursos judiciais do presidente Lula foram esgotados internamente e por que foi necessário encaminhar este caso para o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra.

Ninguém está acima da lei, mas ninguém está abaixo da lei. O presidente Lula sempre cooperou plenamente com a investigação, deixando claro para o juiz Moro que o local para resolver disputas políticas são as urnas, não as cortes de justiça. A investigação teve um impacto enorme na família de Lula, sem deixar de mencionar sua esposa Marisa Letícia, que morreu tragicamente este ano.

O processo foi um enorme desperdício do dinheiro dos contribuintes e envergonhou o Brasil internacionalmente. É tempo agora para reconstruir a confiança nas leis brasileiras e o juiz Moro deveria se afastar de todas suas funções.

Nós provaremos a inocência de Lula em todas as cortes não tendenciosas, incluindo as Nações Unidas.

Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins, advogados do ex-presidente Lula.

Morrissey - Everyday Is Like Sunday

Everyday Is Like Sunday
Trudging slowly over wet sand
Back to the bench
Where your clothes were stolen
This is the coastal town
That they forgot to close down
Armageddon - come Armageddon!
Come, Armageddon! Come!

Everyday is like Sunday
Everyday is silent and grey

Hide on the promenade
Etch a postcard
"How I Dearly Wish I Was Not Here"
In the seaside town
...that they forgot to bomb
Come! Come! Come - nuclear bomb!

Everyday is like Sunday
Everyday is silent and grey

Trudging back over pebbles and sand
And a strange dust lands on your hands
(And on your face...
On your face ...
On your face ...
On your face ...)

Everyday is like Sunday
"Win Yourself A Cheap Tray"
Share some greased tea with me
Everyday is silent and grey

https://www.youtube.com/watch?v=d0LeL9BUPtA

terça-feira, 11 de julho de 2017

O NOSSO MUNDO - Florbela Espanca



Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu amor eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos...


Os meus sonhos agora são mais vagos...
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno...
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!

A vida, meu Amor, quer vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor?... As nossas bocas juntas!...

art"fabian perez"

Ghost (O Espírito do Amor)Tradução HD



Oh,Meu amor,Minha querida
Eu tenho Ansiado por teu toque
Há um longo e solitário tempo
O tempo passa Tão devagar
E o tempo pode fazer tanto
Tu ainda és minha?
Eu Preciso do teu amor
Que Deus traga Rápido o teu amor para mim
Rios Solitários Correm
Para o Mar,para o Mar
Para os Braços abertos ao Mar
Yeah
Rios Solitários Suspiram
_Espera por mim_,Espera por mim
Eu vou voltar para casa
Oh,Meu amor,Minha querida
Eu tenho Ansiado por teu toque
Há um longo e solitário tempo
O tempo passa Tão devagar
E o tempo pode fazer tanto
Tu ainda és minha?
Eu Preciso do teu amor
Que Deus traga Rápido o teu amor para mim

Ghost (O Espírito do Amor)Tradução HD

segunda-feira, 10 de julho de 2017

VANGELIS - Conquest of Paradise (HQ Sound, HD 1080p) Lexi's

Nosso amor esfumou-se. Para além da curva do tempo. Como deserto feito de mar. Chega mais perto de mim, amor. Preciso de te falar de nós. Dos barcos que naufragam nas minhas lágrimas. Contar-te das velas que morrem deitadas no meu sal. Os teus lábios são água, a minha boca é sede. Mas tu estás longe e eu sedento. Sou espera e muita saudade. Procuro-te. Há uma mágoa que arde, arde, arde. Atrás dos montes, das cinzas. Quando as nossas mãos se enlaçavam eram livros e vinho. Beijos e desejo. Os teus olhos eram horizontes luminosos. Neles mergulhava sem sufocar. Espreitava a tua claridade sem cegar. Queria viver em ti. Ser o teu sonho mais puro. Agora, amor, sinto tanto os frios. E morrem-me as palavras no escuro da insónia. Chega mais perto de mim, amor.


Quando "partem teu coração"
em pedacinhos tão pequenos
que nem sabes
por onde começas a colar.
Vem a vida e te ensina
que podes fazer um tal "mosaico",
cujas emendas viram enfeite
e ele pode bem "bonitinho" ficar.
Mesmo que digam que "bonitinho"
é o feio melhorado, disfarçado de belo...
Não há como negar... "Mosaico de Coração"
não passa de cacos de dor
que a esperança teima em juntar.
CikaParolin


quinta-feira, 6 de julho de 2017

NÃO VÁS EMBORA



Posso tudo perder

Além do que já perdi.
Mas a ti não,
... Que és tudo para mim!


Mendigo com prazer
Apenas para te ter,
Que outra coisa não quero
Além de ti.

Tanto te quero que falta
Não sinto do que não tenho.
Tu me bastas em muito, em tudo!

Porque sem ti, as rosas murcham,
As flores caem, o Inverno chega,
O mundo acaba para mim.
Sinto um frio inconsolável...
Preciso de ti!

Fernando Figueirinhas


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Pink Floyd - Wish You Were Here

GARY MOORE - One Day

Poema dos Amigos


Pintor: Eugene de Blaas

Não posso dar-te soluções
Para todos os problemas da vida,
Nem tenho resposta
Para tuas dúvidas ou temores,
Mas posso ouvir-te
E compartilhar contigo.

Não posso mudar
O teu passado nem o teu futuro.
Mas quando necessitares de mim
Estarei junto a ti.

Não posso evitar que tropeces,
Somente posso oferecer-te a minha mão
Para que te sustentes e não caias.

As tuas alegrias
Os teus triunfos e os teus êxitos
Não são os meus,
Mas desfruto sinceramente
Quando te vejo feliz.

Não julgo as decisões
Que tenhas na vida,
Limito-me a apoiar-te,
A estimular-te
E a ajudar-te, sem que me peças.

Não posso traçar-te limites
Dentro dos quais deves actuar.
Mas sim, oferecer-te o espaço
Necessário para cresceres.

Não posso evitar o teu sofrimento
Quando alguma mágoa
Te parte o coração,
Mas posso chorar contigo
E recolher os pedaços
Para armá-los novamente.

Não posso decidir quem foste
Nem quem deverás ser,
Somente posso
Amar-te como és
E ser teu amigo.

Todos os dias, penso
Nos meus amigos e amigas,
Não estás acima,
Nem abaixo, nem no meio,
Não encabeças
Nem concluis a lista.
Não és o número um
Nem o número final.

E tão pouco tenho
A pretenção de ser
O primeiro
O segundo
Ou o terceiro
Da tua lista.
Basta que me queiras como amigo.

Dormir feliz.
Emanar vibrações de amor.
Saber que estamos aqui de passagem.,
Melhorar as relações.
Aproveitar as oportunidades.
Escutar o coração.
Acreditar na vida.

Obrigado, por seres meu amigo.

José Luís Borges.
http://youtu.be/MuhzV1Up4ys

segunda-feira, 3 de julho de 2017


Isto está bonito . . . está ! Continuem a votar na corja . . .

. . . é claro que Forças Armadas "armadas" poderiam ser um perigo para toda esta canalha que nos vem (des)governando . . .


AOFA - Associação de Oficiais das Forças Armadas

Coronel António Feijó - "DEIXEMO-NOS DE FANTASIAS"

O que aconteceu com o paiol de Tancos foi realizado por quem sabe e tem capacidade para o fazer, não olhando a meios, incluindo, muito provavelmente, a eliminação de quem, eventualmente, se lhes opusesse. Poder-se-á aventar a hipótese que, se por acaso, a ronda militar apanhasse em flagrante este grupo, muito provavelmente seria neutralizada ou até eliminada. E sabem porquê? É que as sentinelas nos nossos quartéis andam sem carregadores municiados nas armas e apenas dispõem de um outro, nas cartucheiras, com poucos cartuchos e lacrado. Em resumo: NÃO PODEM DEFENDER AS INSTALAÇÕES QUE LHES SÃO CONFIADAS, MESMO QUE O QUEIRAM: retirar o carregador vazio, deslacrar o que levam na cartucheira, colocá-lo na arma e disparar é uma impossibilidade, porque antes - já foram desta para melhor.
E isto a que é devido? A uma directiva política que proíbe os militares de defenderem o que é da sua responsabilidade. Não têm cobertura legal e, por conseguinte, há uma ausência de regras de empenhamento conformes que lhes dêem a capacidade de serem oportunos no cumprimento da a sua missão com eficiência e eficácia. Assim, actualmente, se uma sentinela, no exercício da sua missão, disparar a sua arma em defesa do pessoal, das instalações ou do material que lhe estão confiados, uma coisa é certa: está metido numa encrencada que pode resultar na sua prisão e pagar grossa indemnização ao(s) "coitado(s)" de um ou mais assaltantes.
Continuando: o Exército está a cumprir com grande dificuldade as suas missões - que lhes são cometidas pelo poder político -como deve ser - à custa de enormes sacrifícios dos seus militares - que os fazem devido ao seu inexcedível profissionalismo, ao espírito do Dever e, principalmente, ao seu amor à Pátria.
Este Ramo das FFAA está a trabalhar aquém dos mínimos em pessoal. Segundo consta, tem menos de uma dezena de milhar de homens nos quadros orgânicos aprovados. Mesmo assim, não regateia esforços e, exemplo disso, é a sua presença na Colômbia, no Mali, no Afeganistão, Iraque e em outras partes do Mundo. Por cá, encontramo-lo nos treinos operacionais para render os seus militares nos Teatro de Operações onde estão empenhados, apoiar as populações desprotegidas e a combater incêndios com grande eficiência e descrição.
A descredibilização da Defesa e a Segurança do País tem sido uma constante dos agentes políticos que têm exercido o poder, sejam de que partido forem. Olham para a estrutura do Estado, como uma sua quinta para colocarem os seus boys na manjedoura do orçamento. E se dúvidas houver, basta olhar para a Protecção Civil e SIRESP. Choram lágrimas de crocodilo. Já é tempo de dizer BASTA!

. . . num mundo de valores , não compro nem vendo . . . apenas troco . . .



Você pode controlar a diabetes, melhorar o fígado e tratar problemas nos rins de uma maneira muito simples.

Infelizmente, na maioria das vezes, as pessoas desconhecem os tratamentos naturais e gastam com remédios caros e com composição química nociva.

Neste post, você vai aprender um remédio caseiro com três maravilhosas sementes: alpiste, amêndoas e abóbora/jerimum.

No entanto, basta um pouco de conhecimento para saber que alpiste é uma das sementes mais milagrosas do mundo.

Experiências realizadas com pacientes voluntários mostraram que o alpiste pode combater várias doenças, graças à capacidade de gerar enzimas e proteínas para o corpo humano.

O melhor de tudo é que o alpiste é um perfeito anti-inflamatório para órgãos, como fígado, rins e pâncreas.

Além disso, ele pode curar doenças hepáticas, limpar o aparelho urinário e eliminar o excesso de líquido que se acumula no corpo.

Quer mais?

O alpiste é tão poderoso que normaliza a pressão arterial e cura gastrite e úlceras.

Ah, estamos falando do alpiste que também serve de alimento para aves, OK?

Agora aprenda a receita:




INGREDIENTES


1 litro de água mineral

40g de amêndoas descascadas

5 colheres (sopa) de alpiste

50g de sementes de abóbora

MODO DE PREPARO

Coloque num recipiente o alpiste, as amêndoas e as sementes jerimum de molho na água.

Feito isso, coe e leve as sementes para bater no liquidificador com 1 litro de água mineral ou filtrada.

Em seguida, passe a mistura numa peneira grossa.

Pronto!

A bebida já pode ser consumida.

Coloque na geladeira e vá consumindo durante o dia.

Crying In The Rain A-ha (TRADUÇÃO) HD (Lyrics Video)

domingo, 2 de julho de 2017

. . . claro que não julgo , né ?!

Heaven - tradução

Nicki Parrott - I Will Wait For You

If it takes forever I will wait for you
For a thousand summers I will wait for you
Till you're back beside me, till I'm holding you
Till I hear you sigh here in my arms

Anywhere you wander, anywhere you go
Every day remember how I love you so
In your heart believe what in my heart I know
That forevermore I'll wait for you

The clock will tick away the hours one by one
And then the time will come when all the waiting's done
The time when you return and find me here and run
Straight to my waiting arms

If it takes forever I will wait for you
For a thousand summers I will wait for you
Till you're here beside me, till I'm touching you
And forevermore sharing our love

Till you're here beside me, till I'm touching you
And forevermore I will wait for you

Fabrizio Paterlini - Conversation With Myself

sábado, 1 de julho de 2017


"Quero um amor que leia a pele. Que mergulhe pelos olhos e cause arrepios na Alma. Que faça canções aos meus ouvidos, que colheu nas notas da Música das Esferas. E quando me olhar eu sinta o sabor das manhãs ensolaradas. Que ao ouvir a sua voz, seja como se pisasse nas estrelas. Que o seu abraço tenha o aconchego das noites enluaradas. E que seu coração soe no compasso do som do meu coração. E quando em seus braços sentir que neste abraço é o melhor lugar do mundo para estar."

~ Rosiana Ni Carvalho


sexta-feira, 30 de junho de 2017

Bachman Turner Overdrive - You ain't seen nothing yet 1974


Changes - Black Sabbath (72)


Pedro Chagas Freitas

O mais curioso nos amores impossíveis é que por vezes acontecem.

Escolheu, depois de muito ponderar, a saia azul, bem justa, para levar ao momento mais importante da sua vida. Maquilhou-se com o cuidado de quem prepara uma bomba atómica, cada fio no seu lugar, escolheu as botas de cano alto para se sentir mais protegida, como se a pele tapada a protegesse do mundo, olhou-se a medo ao espelho no final, e esboçou o sorriso possível, os lábios trémulos e um aperto nos olhos, a ansiedade inteira a governar o corpo.

«Perdoa-me», frente ao espelho ele ensaiava o que tinha para dizer, «perdoa-me por algum dia ter acreditado que havia vida sem que houvesses tu», com ar confiante, seguro de si, «quero-te para sempre e tenho a certeza de que vai saber a pouco», e saiu para a rua, o fato impecável, os sapatos impecáveis, o amor impecável, a realidade, só ela, manchada de um erro que queria agora corrigir.

Encontraram-se no café de outrora, a mesa vazia como se os esperasse. Ele chegou primeiro, as palavras ensaiadas bem decoradas na sua cabeça, os gestos, até os gestos, pensados até ao mais último pormenor. Até que ela chegou, os passos como se pisassem pessoas, a saia azul justa e os homens todos a olhar. Ele disse o que tinha para dizer, ela ouviu o que tinha para ouvir. Quiseram os dois abraçar-se logo ali, antes que o mundo acabasse. Mas nenhum assumiu o risco. Ele esperou que ela dissesse «sim, perdoo-te», ela esperou que ele dissesse «desculpa mas vou abraçar-te toda mesmo que contra a tua vontade». E o tempo certo para o momento certo perdeu-se.

Em casa, ela despiu a saia azul, descalçou as botas de cano alto e cedeu, o corpo pousado na cama como se de repente sem sangue. Ele ainda ficou no café alguns minutos, apenas a despedir-se do que não fora capaz de fazer, antes de lentamente voltar para o quarto vazio, o cheiro dela e as roupas dela, se fosse um homem corajoso teria tido a cobardia de desistir da vida.

Casaram-se e foram quase felizes para sempre. Não um com o outro, claro. Ela encontrou um homem perfeito e ele encontrou uma mulher perfeita. Foram andando e, com o tempo, foram desaprendendo a maneira como um dia correram, o que um dia os fazia correr e saltar – mas nunca andar. Vieram os filhos, novos desafios, as rugas, os netos, a pele a ceder e o tempo todo a fazer-se de episódios cada vez mais raros de paixão.

Haveriam de morrer distantes, tão distantes quanto a geografia o permitia, até o tamanho insuportável de um mar a separá-los. Certo é que, estranhamente, as lápides de ambos continham o mesmo erro, uma gralha imperdoável», segundo os respectivos marido e mulher: a data do falecimento apontava para há mais de trinta anos, nunca ninguém conseguiu entender porquê. A inscrição, essa, imediatamente abaixo da data, é que não tinha qualquer falha.

«Não é parar que é morrer; é ir andando.»

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Tangos e Tragédias - Aquarela da Sbórnia



Nós nascemos na Sbørnia! (BAH!)
Nós nascemos na Sbørnia! (BAH!)
A Sbørnia era grudada ao continente por um istmo...(istmo!)
Após sucessivas explosões nucleares... mal sucedidas
Ai, ai, ai, ai...
A Sbørnia se desgrudou!
A Sbørnia se desgrudou! (do continente)
E hoje é uma ilha navegando pelos mares do mundo, mares do mundo, mares do mundo, mares do mundo!

Nós nascemos na Sbørnia! (BAH!)
Todos sabem que a Sbørnia é conhecida
internacionalmente, internacionalmente, internacionalmente!
Por ter uma grande lixeira, onde todo mundo deposita o lixo cultural,
o que não serve mais para nada, o que já saiu de moda...

Nós nascemos na Sbørnia! (BAH!)
O sistema político da Sbørnia é o Anarquistmo Hiberbólico!
Em época de grande indecisão o povo se reúne em uma praça pública
e fica naquele clima de indecisão, aquela coisa de indecisão...
Até que nasce uma flor,
maravilhosa flor, tão bonita flor...

Nós nascemos na Sbørnia! (BAH!)

Bolo de café


Ingredientes

8 ovos
2 chávenas de chá de açúcar
2 chávenas de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento
1 colher de café de baunilha
1 chávena de café forte (chávena = à da farinha)

Batem-se muito bem as gemas com o açúcar , até obter um creme leve e esbranquiçado
Juntam-se os ingredientes secos peneirados , alternadamente com o café , batendo bem , depois de juntar cada porção .
Por fim , deita-se a baunilha e as claras em castelo .

Envolve-se sem bater .

Coze-se em forno médio , numa forma redonda sem buraco .
Depois de cozido e frio , recheia-se e cobre-se com :
2 pacotes de natas batidas em chantilly com nescafé e salpica-se com amêndoa torrada

Pink Floyd - Wish You Were Here (1977-07-02) 24/96 legendado

Pink Floyd - Comfortably Numb (1980) legendado

terça-feira, 27 de junho de 2017

The War On Drugs - "Thinking Of A Place" [Official Audio]

It was back in Little Bend that I saw you 
Light was changing on the water 
Where birds above had flown 
There was pain in your eyes 
So you vanished in the night 
Missouri River in the distance 
So I lied upon the lawn
 
I remember walking against the darkness of the beach 
Love is like a ghost in the distance, ever-reached 
Travel through the night because there is no fear 
Alone but right behind until I watched you disappear 

[Chorus] 
I'm moving through the dark 
Of a long black night 
Just moving with the moon 
And the light it shines 
And I'm thinking of a place 
And it feels so very real 
Just moving through the dark 

Once I had a dream 
I was falling from the sky 
Coming down like running water 
Passing by myself alight In the morning, 
I would wake to the sound of summer falls 
Like little whispers through the signs
 
[Chorus] 
I'm moving through the dark 
Of a long black night 
And I'm looking at the moon 
And the light it shines 
But I'm thinking of a place 
And it feels so very real 
Oh, it was so full of love!
 
Come and take my hand, babe 
There's a turn in the road that we've been taking 
Let it set you free 
Because there's a rhythm in the way that we've been moving 
Yeah, there's a darkness over there, but we ain't going
 
See it through through my eyes 
Walk me to the water 
Hold my hand and something turns to me 
Love me every night 
Drown me in the water 
Hold my hand and there's something turning me 
See it through my eyes 
Love me like no other 
And hold my hand and something turns to me 
And turns me into you
 
Lead me through the light 
Pull me from the water 
Hold my hand and something turns to me 
Turns me into you 
Just see it through my eyes 
Love me like no other 
Hold my hand and something turns to me 
Turns me into you 
Turn to me 
Into you.

domingo, 25 de junho de 2017

Tom Waits - I Want You

I Want You,

"I want you, you, you
All I want is you, you, you
All I want is you
Give you the stars above, Sun on the brightest day
Give you all my love, if you would only say
I want you, you, you
All I want is you, you, you
All I want is you"

sexta-feira, 23 de junho de 2017

BOMBEIRO RESPONDE A AGNES ARABELA EM TEXTO EMOTIVO



Agnes Arabela, ex-concorrente de um reality show esteve envolvida numa grande polémica, depois de ter dito que os bombeiros “coçam os colh**s 9 meses por ano e trabalham 3”.

Muitas foram as mensagens de indignação, mas existe um texto emotivo de um bombeiro ganhou especial destaque:

“Começo esta publicação por lembrar á Agnes que vivemos em democracia, e que em 1974 se deu uma coisa em Portugal que nos permitiu o direito e liberdade de expressão, possivelmente ela não saberá o que foi isso, pois sendo Romena possivelmente nem estava a residir em Portugal ainda nessa altura.

Depois quero relembra-la que ela está em Portugal, vive em Portugal e é em Portugal que tem o seu vencimento para viver!! Não deve cuspir no prato onde comeu, pois a fome volta e ela pode não ter mais prato depois.E é do País que a acolheu que ela fala mal daqueles que dão a vida pela vida de outro!!

O direito de expressão NÃO TE DÁ o direito de faltares ao respeito a ninguém, porque o respeito é uma coisa que vem do Berço, e quem quer Respeito tem de se dar ao respeito, simples lei de cidadania!!

Não Jovem!!!

Nenhum de nós, Bombeiros Portugueses, precisámos de um reality show para ficarmos conhecidos, até pelo contrário, gostamos de permanecer desconhecidos!!
E então tendo em conta o meu caso, deixa-me que te coloque umas questões, de forma bem simples e prática, para que tu possas perceber dado o teu Q.I.:

– Tu sabes o que é acordar a meio da noite com o coração a bater-te na garganta do sobressalto de ouvires uma sirene a tocar?!

– Sabes o que é saíres de casa sem saberes para onde vais, nem quando voltas ou até mesmo se voltas?

– Sabes o que é teres filhos que não sabem o que é ir à praia com os pais, porque no verão os pais passam mais tempo a combater incêndios do que com eles?

– Sabes o que sente uma mãe, um pai, uma esposa ou um marido, quando nos vêem sair a correr pela porta fora, ou nos dizem adeus junto do quartel, como se fosse o último, enquanto a viatura desvanece no fundo da rua?!

– Sabes o que é saíres de casa e deixares os teus filhos a chorar e a pedir que não vás porque teem medo que seja a última vez que te vêem?

– Sabes qual é a sensação de levar um camarada irmão á última morada, prestar-lhe a última honra e continência, enquanto a sirene chora o adeus a par contigo?

– Sabes qual é a sensação de saberes que alguém faleceu porque tu, mesmo fazendo tudo o que te era possível, não conseguiste salvar a vida?

– Sabes o que é acordares sobressaltado de noite, com pesadelos de uma ocorrência ou de um susto que quase te tirou a vida se transforma em pesadelo todas as noites?

Esses bombeiros que os coçam como tu dizes, passam horas e horas, dias e dias, no combate aos incêndios, sem saber dizer que não. Muitas vezes comem a primeira alimentação a sério ao fim de 12/15h de combate. E sabes o que comem?! Sopa de pais com filhos, sabes o que é?! Não!! Tu é que és a celebridade…

Não sabes o que é estares a saborear a primeira refeição ao fim de muitas horas e teres de largar o prato, sem saberes quando voltas a comer, para ires depressa para uma frente que apareceu, ou um reacendimento que se deu!!

Não!! Tu é que és a celebridade…

Sabes o que é beberes água verde, puxada manualmente dum poço, com um garrafão que encontraste largado, porque a sede e o desgaste físico assim te obrigam para continuares a combater esses tais monstros que dizes que nos vão matar da forma mais ironica e estúpida na tua publicação?!

Não, não sabes!! Tu é que és a celebridade…

Mas garanto-te, nunca na minha vida bebi água tão fresca quanto aquela…

E no final pergunto-te eu, o que é que tu sabes?!

Diz-me, o que fazes tu por Portugal, para criticares quem dá a vida por ele?!

Diz-me, quantas vidas ja salvaste tu para acusares os bombeiros pelas vidas que eles não conseguem salvar?!

Diz-me…

Em que é que tu és melhor, ou mais do que eu para isso te dar o direito de te dirigires a QUEM REALMENTE FAZ ALGO PELO PAÍS (ao contrário de ti), e os humilhares, rebaixares, desceres ao ponto que desceste, possivelmente só para que a polémica faça lembrar o País que tu existes?!

DIZ-ME, QUEM ÉS TU PARA FALARES DOS BOMBEIROS PORTUGUESES?!…

Em que é que o País te pode agradecer a TI?!

Anda, diz-me!!!

Não te bastou a publicação que fizeste, largando cá para fora toda a tua verborreia mental, num dia em que os Bombeiros Portugueses choravam a partida de um dos seus irmãos, agora ainda vens armada em Virgem Ofendida para a comunicação social?!

Quem diz o que quer, ouve o que não quer!!! Simples…

Porque a tua liberdade acaba quando começa a minha!!!

Porque eu, não sou celebridade, nunca apareci em Reality Show nenhum para ficar conhecido, eu não sou ninguém!!!

Sou um Bombeiro actualmente emigrado do país, que saiu daí dedicando 17 anos de serviço á população portuguesa!!

Eu jurei dar a minha vida pelo meu país, e tu que fizeste pelo país?!

Diz-me…

Agnes, as vezes mais vale estares calada e todos pensarem que és idiota, do que abrires a boca e prova-lo!!

E sabes porquê?

Porque o estrume da tua ignorância não chega para cultivar os campos férteis da inteligência dos Bombeiros Portugueses!!!”

Texto: Marco Francisco

terça-feira, 20 de junho de 2017

Gonçalo Ribeiro Telles: Esta entrevista tem 14 anos mas podia ter sido dada hoje




Nos primeiros 15 dias de agosto de 2003 arderam cerca de 300 mil hectares no nosso País. Passaram 14 anos e continuamos a falar do mesmo. Por isso esta entrevista que, na altura, a VISÃO fez a Gonçalo Ribeiro Telles, não perdeu um pingo de atualidade. Vale a pena voltar a ler as suas palavras e perceber como nada aprendemos com a História, continuando ano após ano na permissividade da celebração do eucaliptal



ALEXANDRA CORREIA

Jornalista


Nos primeiros 15 dias de agosto de 2003 arderam cerca de 300 mil hectares no nosso País. Os fortes incêndios de Oleiros, Sertã e Aljezur fizeram as manchetes dos jornais (e da VISÃO) e os temas são sempre os mesmos: a floresta de eucaliptos e pinheiros, as falhas da proteção civil, a falta de condições de trabalho dos nossos bombeiros. Passaram 14 anos e continuamos a falar do mesmo. Por isso esta entrevista que, na altura, fizemos a Gonçalo Ribeiro Telles, arquitecto paisagista e “pai” do ecologismo português, não perdeu um pingo de atualidade. Vale a pena voltar a ler as suas palavras e perceber como nada aprendemos com a História, nenhuma lição retiramos dos nossos erros, continuando ano após ano na permissividade da celebração do eucaliptal.

VISÃO: Quais são as causas desta calamidade?

GONÇALO RIBEIRO TELLES: A grande causa é um mau ordenamento do território, ou seja, a florestação extensiva com pinheiros e eucaliptos, de madeira para as celuloses e para a construção civil. O problema foi uma má ideia para o País, a de que Portugal é um país florestal. Lançou-se a ideia de que, tirando 12% de solos férteis, tudo o resto só tem possibilidades económicas em termos de povoamentos florestais industriais.

V: De onde vem essa ideia?

GRT: É uma ideia antiga que começou nos anos 30 com a destruição, também por uma floresta extensiva, das comunidades de montanha do Norte de Portugal, que tinham a sua economia baseada na pecuária. As dificuldades por que passava a agricultura deram origem a que se quisesse transformar grandes áreas do País já são 36% em florestas industriais. Esta campanha transformou a silvicultura, que era a profissão básica, numa profissão de florestal, para dar resposta aos grandes interesses económicos. Houve ainda outra campanha, a do trigo, em que se organizou o País em função desta cultura, que tinha por base o mito da independência de Portugal em pão. Além das terras para o trigo, tudo o resto, num sistema de agricultura economicista, tem que ser floresta, produção de madeira. O resultado está à vista.

V: Passámos então a ser um País florestal.

GRT: Os romanos dividiam o território em três áreas, além da urbe: o ager, que era o campo cultivado intensamente; o saltus, a pastagem, a agricultura menos intensiva; e a silva, a mata de produção de madeira e de protecção. Todo esse ordenamento foi transformado, acabou-se com a silvicultura e começou o culto da floresta, que não temos. Se formos ao campo perguntar onde fica a floresta, eles só conhecem a do Capuchinho Vermelho, porque o que têm na sua terra são matas, matos, etc. No século XIX, o pinheiro bravo veio para responder às necessidades do caminho-de-ferro que estava em lançamento. Mais tarde é que vem a resina, a indústria da madeira e a celulose. O pior é que se transformou o País num território despovoado e que, dadas as características mediterrânicas, arde com as trovoadas secas.

V: Como deve ser reordenado o território?

GRT: O País está completamente desordenado. Por um lado, uma política agrícola que não considera o mosaico mediterrânico, com agricultura, pecuária, regadio e horticultura, os matos, as matas, todo um mosaico interligado e ordenado. Em Mação, por exemplo, aquela população vivia tradicionalmente da agricultura que fazia nos vales e nas naves.

E na serra existiam os matos pastados pelas cabras, pelos bovinos. Dos matos retirava-se o mel, a aguardente de medronho, a caça e as aromáticas.
A França, nas zonas de mato, tem uma política de aromáticas de abastecimento da indústria de perfumes. A questão, hoje, é criar uma mata que produza madeira, mas que se integre nos agro-sistemas, uma paisagem sustentada, polivalente e nunca repetir, como já querem, a plantação de eucaliptos e de pinhal. As populações estão fartas disso e devem ser chamadas a depor. E tem que haver duas intenções ecológicas fundamentais: a circulação da água e a circulação de matéria orgânica, aproveitando-a para melhorar as capacidades de retenção da água do solo.

V: A excessiva divisão do território (em meio milhão de proprietários) dificulta as limpezas florestais?

GRT: A limpeza da floresta é um mito. O que se limpa na floresta, a matéria orgânica? E o que se faz à matéria orgânica, deita-se fora, queima-se? Dantes era com essa matéria que se ia mantendo a agricultura em boas condições e melhorando a qualidade dos solos. E, ao mesmo tempo, era mantida a quantidade suficiente na mata para que houvesse uma maior capacidade de retenção da água.

Com a limpeza exaustiva transformámos a mata num espelho e a água corre mais velozmente e menos se retém na mata, portanto mais seco fica o ambiente.

V: Se as matas estivessem bem limpas ardiam na mesma?

GRT: Ardiam na mesma e a capacidade de retenção da água não se dava, passava a haver um sistema torrencial. A limpeza tem que ser entendida como uma operação agrícola. Mas esta floresta monocultural de resinosas e eucaliptos, limpa ou não limpa, não serve para mais nada senão para arder. Aquela floresta vive para não ter gente. Se houvesse lá mais gente aquilo não ardia assim.

V: Defende uma mata com que tipo de madeiras?

GRT: Madeiras para celulose é difícil porque temos agora uma forte concorrência no resto do mundo. Os eucaliptais, para serem mais rentáveis, só poderiam sê-lo no Minho que é onde chove mais de 800 ml ao ano. O eucalipto precisa de muita água e Portugal não pode concorrer com o Brasil e a África em termos de custo. Só se transformarmos o Minho num eucaliptal. Pode-se optar pelas madeiras de qualidade da cultura mediterrânica como todos os carvalhos, o sobreiro, a azinheira e pinhais criteriosamente distribuídos.

V: Não são tão rentáveis...

GRT: O carvalho, por exemplo, acompanha toda uma panóplia de rendimento como a cortiça, a pecuária, a produção do mel, das aromáticas, a caça.

V: Há uma visão limitada do que pode ser rentável na floresta?

GRT: É muito bom para as celuloses e muito mau para as populações e para o País, que está devastado. O mundo rural foi considerado obsoleto, como qualquer coisa que vai desaparecer. Veja-se o disparate que foi a política de diminuição dos activos na agricultura. Contribuiu para o aumento dos subúrbios, dos bairros de lata, da emigração. Trouxe alguma coisa melhor para a província? Não. Apenas um grande negócio para as celuloses e para os madeireiros.

V: As populações estão alertadas para essa multiplicidade de culturas?

GRT: Completamente alertadas; quem parece que não está são os políticos e os técnicos. Porque se perderam numa floresta de «números». Quem conhece as estatísticas diz que somos o terceiro país da Europa em número absoluto de tractores, só ultrapassados pela Alemanha e pela França. Somos um país de tracto res porque os subsídios dão para isso, porque interessa à importação dessa maquinaria toda. As pessoas foram levadas a investimentos, em nome do progresso, que não tinham qualquer racionalidade.

V: No caso de se aumentarem as áreas agrícolas, temos agricultores para tratar delas?

GRT: Temos. Estão desviados, foram convencidos de que eram uns labregos. Houve toda uma política de desprestígio do mundo rural tendo por base a ideia de que era inferior ao mundo urbano. Despovoámos os campos e essa gente toda veio para a cidade. Hoje, enfrenta o desemprego. Esqueceram-se que o homem do futuro vai ser cada vez mais o homem das duas culturas, da urbana e da rural. Hoje, 30% das pessoas que praticam a agricultura económica na Europa não são agricultores. É gente que vive na cidade, tem lá o seu escritório e tem uma herdade no campo onde vai aos fins-de-semana. A expansão urbana aumenta e não podemos viver sem a agricultura senão morremos à fome.

V: Que pode fazer o Estado, uma vez que 84% da nossa floresta está nas mãos dos proprietários?

GRT: Pode fazer planos integrados de ordenamento da paisagem. O Estado não domina totalmente a expansão urbana quando quer, não faz planos gerais de urbanização? Não se devia poder plantar o que se quer porque também não se pode construir o que se quer. Constrói-se mal porque, às vezes, o Estado adormece. Faltam planos gerais de ordenamento de paisagem, que a actual legislação não contempla, apesar de já ter instituído a Estrutura Ecológica Municipal através do Decreto-Lei 380/99. A Lei de Bases do Ambiente tem os conceitos e os princípios para um plano de ordenamento de paisagem, está lá tudo escrito, mas nunca foram regulamentados.

V: A actual legislação favorece as monoculturas?

GRT: Favorece porque a chamada «modernização» da agricultura é um escândalo de incompetência. As universidades de Agronomia em Portugal tiveram um período de grande pujança intelectual no fim do século XIX e no princípio do século XX. Agora, parece terem-se rendido ao economicismo.

V: Deve o Estado apoiar com subsídios e benefícios fiscais?

GRT: Com certeza. O proprietário está com a corda na garganta, faz aquilo que lhe der dinheiro já para o ano. Por isso, têm que se estabelecer limites e normas a sistemas, não a culturas, mas sem tirar às pessoas a liberdade de correr riscos.

V: E promover o associativismo florestal, como em Espanha, por exemplo?

GRT: Abrimos um bom caminho com as «comunidades urbanas» que estão na forja, pequenas áreas metropolitanas de freguesias e aldeias, acho muito bem. Estamos numa cultura mediterrânica e não se pode traduzir o desenvolvimento em unidades economicistas de produção em grande volume de dois ou três produtos. É da polivalência, da multiplicidade de produtos e da harmonia da paisagem que resulta a possibilidade de ter uma população instalada em condições de dignidade.

Essas comunidades é que deverão fazer a síntese de todos os interesses. Porque quando começamos a destacar os interesses por sector, a visão sistémica desaparece e os interesses da comunidade passam para empresas que ultrapassam as suas fronteiras comprometendo a sustentabilidade da região.

Não defendo que haja um sector agrícola e um sector florestal, para mim é exactamente o mesmo: a agricultura completa a floresta e a floresta completa a agricultura.

V: O Partido Socialista voltou a falar da regionalização como forma mais eficaz de ordenar o território. Concorda?

GRT: Defendi uma regionalização há muito tempo, que deu origem a um documento de que os grandes partidos fizeram muita troça. Dividia o País em cerca de 30 regiões naturais, áreas de paisagem ordenada, que estavam já organizadas histórica e geograficamente.
São as terras de Basto, as terras de Santa Maria, as terras de Sousa, a Bord'água do Tejo, etc. O País é isso e não é outra coisa. Esta regionalização podia contribuir para a efectivação dos planos de ordenação da paisagem, com uma participação democrática das respectivas populações.

V: O Governo acordou tarde para a calamidade dos incêndios?

GRT: Que podia o Governo fazer? O mal vem de longe. Mas não estou seguro de que se vá enveredar agora pelo caminho certo. Já estão a dizer que querem reflorestar tudo como estava. Fico horrorizado quando ouço isso. Significa que querem voltar aos pinheiros e aos eucaliptos. Perguntem às vítimas dos incêndios que ficaram sem as casas se querem outra vez pinheiros à porta. Destruíram as hortas... Porque ardem as casas? Porque o pinheiro está no quintal.

V: Olhando para o futuro, os incêndios podem constituir uma oportunidade para se reorganizar o território?

GRT: Também o terramoto permitiu que o Manuel da Maia, a mando do Marquês de Pombal, fizesse a Baixa lisboeta. Não desejo um terramoto, mas não percam esta oportunidade. O futuro do País e da sua identidade cultural e independência está em causa.

(Entrevista publicada na VISÃO 545, de 14 de Agosto de 2003)

Isto não é uma crónica, é um vómito de indignação






OPINIÃO

ANTÓNIO LOBO ANTUNES



Quando morrer, não quero a vossa hipocrisia em torno do meu caixão. Basta-me que a sombra de Cristo ou de um dos seus Anjos se apiede, mesmo de longe, ainda que de muito longe, da minha alma pecadora. Não quero nenhum fariseu junto ao nosso diálogo





Não perdoo à Igreja nunca ter pedido perdão aos portugueses pela sua colaboração activa com a Ditadura e as iniquidades decorrentes dela, a sua total indulgência, desde a primeira hora, com a injustiça, a crueldade, a desigualdade, a intolerância, os campos de concentração

(Tarrafal, São Nicolau)

a monstruosa polícia política, a violência da censura, o desprezo pelas mulheres, a guerra colonial, a perseguição aos estudantes, aos operários, aos camponeses, a desavergonhada defesa dos 
ricos, as missas para as criadas, as homilias em que exortavam à obediência aos patrões, a violência para com os sacerdotes e os bispos que ousaram levantar-se contra o Estado Novo, a forma como abençoaram as centenas de milhares de rapazes mandados para África combater as aspirações dos povos colonizados, mandando capelães abençoar aquele horror, apoiar aquele horror, santificar aquele horror

(eu estava lá e vi)

em nome da luta contra o comunismo ateu, em nome da defesa dos valores cristãos, em nome da tolerância, em nome de Cristo. Porque carga de água não tem sequer a simples dignidade de pedir desculpa? Porque carga de água finge esquecer-se? Porque carga de água este silêncio? Eu sou cristão e aprendi a ser fiel até à morte como está escrito no Livro e pergunto: como tem coragem de tocar na Bíblia, como tem coragem de ser hipócrita para com o Senhor? O capelão do meu batalhão em África era um pobre jesuíta que se queixava das instruções que o obrigavam a fazer a apologia do colonialismo em nome do Deus e não tenho a menor dúvida que Jesus o cuspiu da Sua boca. Porque não pede perdão por ter afastado tanta gente da Virtude com as suas atitudes, as suas homilias, até com a utilização ignóbil das pobres crianças de Fátima a quem Nossa Senhora pediu em português

(que outra língua saberiam elas?)

para rezarem pela conversão da Rússia comunista, elas que nem sabiam o que comunismo queria dizer, manobradas sem vergonha pela hierarquia eclesiástica. O que terá sofrido o nosso capelão

(Tenho de fazer isto, tenho de fazer isto, dizia ele)

obrigado a louvar a guerra santa, obrigado a prometer o Paraíso aos nossos mortos, criaturas inocentes condenadas a dois anos e tal de um sofrimento injusto. E a Igreja, passados mais de quarenta, permanece em silêncio, completamente alheada da sua culpa. Isto entende-se? Isto aceita-se? Isto apaga-se? Claro que os filhos das classes altas não iam para a guerra. Conheço filhos dessas classes altas poupados a África com desculpas inacreditáveis. Conheço os seus nomes e conheço as desculpas, desde “incompatibilidade psicológica com o Exército” (posso citar nomes) até “incontinência urinária” (posso citar nomes), até “pé chato” (posso citar nomes), até classificações aldrabadas durante a especialidade (posso citar nomes), e é impossível que a Igreja não soubesse disto. Soube, claro, colaborou. E até hoje nenhuma voz oficial dela se ergueu, nenhuma voz oficial dela protestou, nenhuma voz oficial dela pediu perdão a Portugal, nenhuma voz oficial dela pediu perdão aos portugueses, nunca os sucessivos cardeais roçaram sequer este assunto quanto mais falar nele. Pelo contrário: abençoaram o Estado Novo que perseguiu os sacerdotes que ousaram, ainda que só timidamente, levantar a voz contra isto tudo. Perseguiram-nos, expulsaram-nos fizeram-lhes a vida negra. Nem disso a Igreja a que pertenço tem vergonha? Um bocadinho de vergonha ao menos? Limitou-se a arranjar bispos castrenses que aceitaram, apadrinharam, foram cúmplices desta situação. Não temos uma Igreja de Cristo, temos, sob muitos aspectos, uma Igreja hipócrita e complacente. Cristo não foi nunca hipócrita nem complacente: Porque é que a Igreja portuguesa o é? Tenho o maior orgulho no meu País, não tenho o menor orgulho nesta Igreja. Se Cristo aqui estivesse vomitá-la-ia da sua boca por não ser fria nem quente. Meu Deus será que nem arrependimento existe? Será que pensa que a memória dos homens é curta? Será que pensa que os portugueses esquecem? Será que não se importa de ser vendilhão do Templo? Será que acredita que vai ficar impune aos olhos do Senhor? Será que imagina que o Senhor não sabe? Será que toma Deus por parvo? Será que cuida que São Paulo, por exemplo, não a varreria? Onde estão as palavras do Senhor? Os Seus ensinamentos? 
O Seu exemplo? Ainda que em linguagem aparentemente críptica Cristo foi sempre muito claro. E quem quiser ouvir que oiça. A ditadura acabou em 1974, há quarenta e três anos portanto. E nem uma voz até hoje? Nem um simples pedido de perdão, nem uma confissão fácil

– Errei

não existe nenhuma humildade honesta neste silêncio, não existe o simples assumir de uma culpa, de um erro formidável, de um silêncio indecente. Dói-me na alma que a minha Igreja, o meu Deus sejam amesquinhados e esquecidos pelos que se dizem Seus filhos. Tenho vergonha. Tenho nojo. Tenho pena de vós que pagareis por isto. Será que um simples pedido de desculpa não alivia a alma? Parece que não. Por isso, quando morrer, não quero a vossa hipocrisia em torno do meu caixão. Basta-me que a sombra de Cristo ou de um dos seus Anjos se apiede, mesmo de longe, ainda que de muito longe, da minha alma pecadora. Não quero nenhum fariseu junto ao nosso diálogo. Quereria um Homem Justo. Um Homem Justo bastava-me. Onde, na hierarquia da Igreja, da minha pobre Igreja, ele estará?

(Crónica publicada na VISÃO 1266, de 8 de junho de 2017)

Bob Marley-Africa Unite (Traduzione in Italiano) live in Santa Barbara 1...



Os deuses não abdicam de ganhar a guerra , e , para isso , vão-se rodeando dos melhores . . .

ASCENSÃO E TOMBO

Hoje vim trazer-lhes flores
Com pétalas disformes
Flores secas sem olores
E também sem pólen
Para separar as páginas
Da biografia trágica
Que retrata o assombro
Da história com o título:
‘O Presidente ilegítimo
Ascensão e tombo’.
.
Um parasita contumaz
E mero ser decorativo
Acostumado a ficar atrás
Dos poderosos políticos
Para longe das câmaras
Fazer tramóias e chicanas
Mantendo a nefasta figura
De vampiro monetário
Que suga o erário
Passando longe das urnas.
.
Traidor-mor da República
Que como reles facínora
Superou o miserável Judas
Ao dar um beijo em Dilma
Entregando-a aos criminosos
Que com acordos ardilosos
Abreviaram o seu mandato
Para em troca de favores
Retirarem dos trabalhadores
Os direitos conquistados.
.
Ao ver-se envolto em denúncias
E execrado pela plateia
Negociou a sua renúncia
Para safar-se da cadeia
Propôs entrar para a história
Como ícone da escória
Contanto que longe do cárcere
Mas o povo disse sem medo:
‘De Judas faça arremedo
E pendure-se numa árvore’.
.
Eduardo De Paula Barreto

“Agora Nunca É Tarde”
Cada um de nós nasce com um artista lá dentro.
Um poeta, um escultor, um aventureiro... um cientista, um pintor, um arqueólogo, um estilista, um astronauta, um cantor, um marinheiro.
E o sonho e a distância, e o tempo e a saudade deram-nos vida, amor, problemas, mentiras e verdade; e damos por nós mesmos descobrindo que agora, se calhar, já é um pouco tarde.
E nas memórias velhas e secretas da menina morou sempre aquele sonho de um dia ser...
bailarina, actriz, modelo, princesa, muito rica; eu sei lá!
Mas os anos correram num assombro, e a vida foi injusta em qualquer jeito para a chama indelével que ainda arde. E os filhos são bonitos no seu peito.
Pois é...
mas agora...
agora já é tarde.
E nos papéis antigos que rasgamos há sempre meia dúzia que guardamos.
São os planos da conquista do Pólo Norte que fizemos aos sete anos, escondidos no sótão uma tarde, e estiveram perdidos trinta anos.
E agora, se calhar, maldita sorte!
Por desnorte, acaso ou esquecimento, alguém já descobriu o Pólo Norte e agora...
agora pronto, agora já é tarde.
Há sempre nas gavetas escritores secretos, cientistas e doutores, desenhos e projectos construtores feitos em meninos de tudo o que sonhámos fazer quando fosse a nossa vez!
Cientistas em busca de Plutão, arqueólogos no Egipto, viajantes sempre sem destino, futebolistas de sucesso no Inter de Milão.
E o curso da vida foi traidor, e o curso da vida foi cobarde, e o ciclo do tempo completou-se, e agora... e agora pronto, paciência, agora já é tarde...
Agora é tarde.
Emprego, casa, filhos muito queridos, algum sonhar ainda com amigos, às vezes sair, beber uns copos p'ra esquecer ou p'ra lembrar, e fazer ainda um certo alarde, talvez para esconder ou para abafar, como é já tão demasiado e tão impiedosamente tarde... Não... mas não, não; nunca é tarde para sonhar!
Amanhã partimos todos para Istambul, Vladivostock, Alasca, Oslo, Dakar!
Vamos à selva a Timor abraçar aquela gente e às montras de Amsterdam (que eu afinal também não sou diferente).
Chegando a Tóquio são horas de jantar, depois temos de voltar a Bombaim, passando por Macau e Calcutá, que eu encontro Portugal em todo o lado e mesmo fugindo nunca saio de mim.
E se esse marinheiro, galã, aventureiro, esse, que já não há, pois que me saiba cumprir com coerência, nos limites decentes da demência, nos limites dementes da decência; e cumpramo-nos todos, já agora, até ao fim, no que fazemos, na diferença do que formos e dissermos!
E perguntando, criando rebeldias, conferindo aquilo que acreditamos e que ainda formos capazes de sonhar!
E se aquilo, aquilo que nos dão todos os dias não for coisa que se cheire ou nos deslumbre, que pelo menos nunca abdiquemos de pensar com direito à ironia, ao sonho, ao ser diferente.
E será talvez uma forma inteligente de, afinal, nunca... nunca, nunca ser tarde demais para viver, nunca ser tarde demais para perceber, nunca ser tarde demais para exigir, nunca ser tarde demais para ACORDAR.
(Pedro Barroso)

domingo, 18 de junho de 2017

É PROIBIDO NÃO CONHECER PABLO NERUDA


publicado em literatura por Jéssica Carvalho

O poeta Nereu, Pablo Neruda, é o capitão da poesia chilena. Militante político expressivo e amante das coisas simples, seu amor pela vida foi a sua embarcação mais usada.
Nas águas da vida, não reconheceu fronteiras e adotou o mundo como sua morada.
Não há onda que apague sua história tão pulsante.
Por isso, é proibido não conhecer Pablo Neruda.



Na alegria e leveza de suas palavras de amor ou na franqueza e paz invocada em suas palavras políticas, Pablo Neruda, originalmente batizado como Neftalí Ricardo Reyes, é um poeta que soube viver e encher o mundo de vida.

Antes de personificar-se como a poesia Chilena, Neruda era um estudioso e admirador de escritores de todo o mundo. Assim, quando mudou seu nome de batismo em ação de modificação de nome civil, homenageou os poetas tcheco Jan Neruda e o francês Paul Verlaine, reafirmando seu caráter de cidadão do mundo.

De tão cidadão do mundo era que, em 1927, começou sua carreira diplomática. Lutou contra o franquismo na Espanha ao lado do também poeta Federico García Lorca, assassinado pelos fascistas; o que lhe rendeu o poema "Espanha no coração".

Espanha no coração

Madrid isolada e solene, Julho te surpreendeu com tua alegria de colmeia pobre: tua rua era clara, claro era teu sonho. Um desejo negro de generais, uma vaga de sotainas raivosas rompeu entre teus joelhos suas lodosas águas, seus rios de escarro.

Todavia, com os olhos feridos de sono, com escopeta e pedras, Madrid, recém-ferida, defendeste-te. Corrias pelas ruas deixando estelas de teu santo sangue, reunindo e chamando com uma voz de oceano, com um rosto mudado para sempre pela luz do sangue, como uma vingadora montanha, como uma sibilante estrela de facas.

Quando nos tenebrosos quartéis, quando nas sacristias da traição entrou tua espada ardendo, não houve senão o silêncio do amanhecer, não houve senão teu passo de bandeiras, e uma gota de sangue em teu sorriso.



Foi ativista do Partido Comunista do Chile, foi Senador, foi candidato à presidência do Chile, apoiou Salvador Allende, homenageou Luis Carlos Prestes no Estádio do Pacaembu, recebeu o Prêmio Lênin da Paz, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, escreveu, encantou, inspirou, emocionou, se apaixonou.

Uma de suas paixões mais fortes era o mar. "La Chascona" é o museu em que fora transformada sua casa em Santiago do Chile, na qual podemos sentir a suavidade e firmeza em que levou sua vida. Com diversas peças e mobiliário que fazem menção ao mar, era assim que Pablo Neruda vivia: como quem navega amando o balanço, mas não perde a direção de seu barco nas ondas fortes.

A casa também possui diversos jardins, bibliotecas que afirmam seu amor pela leitura, fotos com amigos poetas, pequenas salas de reuniões e bares para receber amigos e fotos de sua amante Matilde, a quem havia dedicado "Os Versos do Capitão".

Ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Além disso, tudo em sua casa é muito colorido e diversos objetos de decoração são presentes de amigos e lembranças dos vários lugares em que esteve. Sua casa é um verdadeiro santuário de arte mundial e uma prosopopeia de felicidade, amizade e amor.

O que, ademais, desperta interesse é perceber que em diversos alpendres de portas e portais e em algumas árvores percebemos pingentes de desenhos de olhos.



São os olhos do poeta que, sempre vigilantes e sensíveis, foram capazes de ver o bonito e admirá-lo, capazes de enxergar o feio e neutralizá-lo, desarmando-o.

Foi através desses olhos que Neruda viu o mundo; e através de sua escrita que o reformulou, analisou, sentiu e viveu.

Por isso, mas na verdade por muito mais, é proibido não conhecer Pablo Neruda. É proibido não ver um pouco a vida pelos seus olhos. Nos versos seguintes, somos brindados com uma verdadeira lição de vida, de quem a viveu cheio de suavidade e delicadeza:

É proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.

É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.

É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.

É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.

É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.

É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.

É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Mesmo com a vida abreviada por uma doença, não foi breve sua lida nem sua lição.

É um presente conhecer seus versos e sua história. Apaixonar-se por suas linhas, encher o coração de paz, não se envolver por qualquer outro sentimento que não sejam aqueles que inspirem amor e amizade.

Desta forma, é um desperdício não navegar por estas águas poéticas que Pablo Neruda nos proporciona. Estes versos que resgatam sonhos e fazem crer que tudo pode ser muito mais belo, se vistos com os olhos certos.