sábado, 22 de outubro de 2022

OPÇÕES , CONSEQUÊNCIAS E RESPONSÁVEIS


Pedro Girão

Covid, hoje: 46 mortes na última semana - mas ninguém fala disso, porque agora não interessa, porque agora já não nos podemos dar ao luxo de ter medo, porque agora já não nos podemos dar ao luxo de pagar as consequências desse medo. Com estes mesmos números, no ano passado e há dois anos havia medidas duras, restrições absurdas, almirantes heróicos, campanhas de vacinação de crianças (que vergonha!), confinamentos, certificados digitais. Hoje… há uma realidade tranquila, como sempre deveria ter sido. Durante tanto tempo, foram ignoradas e silenciadas as vozes de quem relativizava o número de mortes, de quem duvidava da ciência instantânea, de quem alertava para a economia (porque a economia são as pessoas). Negacionismo, diziam eles.
Hoje, perante a manutenção do Covid, perante o agravamento da pobreza (saíram esta semana os números da Pordata), perante a ameaça da fome, perante o enorme aumento das mortes por outras causas, as pessoas podem dizer muitas coisas. (Mas estão curiosamente caladas.) Podem dizer muitas coisas, sim; o que não podem é negar que houve opções e há consequências. O que não podem é fazer de conta que não são responsáveis por essas consequências. Os responsáveis pelo estado actual das coisas são as autoridades e a maioria dos portugueses, os responsáveis são muitos dos que me lêem. O silêncio e o colaboracionismo (e o medo) são muito cómodos, mas matam. Alguém se importa agora com isso?
É a guerra, dizem alguns. Não, a primeira causa para o actual estado das coisas foi a gestão do Covid. E, com a absoluta falta de noção de que a gestão do Covid já tinha colocado a economia de joelhos, tomou-se partido num conflito regional que nada nos dizia. A decisão súbita da Europa de apoiar um país de quem no ano anterior todos diziam ser um ninho de terroristas e de nazis, a decisão de encarar como injustificada uma invasão que era de facto a escalada lógica de uma guerra regional que já durava há oito anos, essa decisão foi política. Política, errada e, mais uma vez, mediatizada até à náusea, de tal forma que se tornou impossível dizer o óbvio, fazer juízos críticos, relativizar, apelar ao bom senso. Um novo Covid, portanto, com opções, consequências e, para todos, uma quota-parte das responsabilidades. As pessoas não se podem agora queixar do caminho que escolheram ou com o qual transigiram.
O Inverno está a chegar, como se diz tanto ultimamente... Não tenho qualquer dúvida que a Primavera se seguirá - mas isso poucos dizem. Mas ela virá: as doenças são cíclicas, as guerras são cíclicas, o clima é cíclico, a vida é cíclica. Se ao menos houvesse a sabedoria para aceitar tudo isso, em vez da cegueira de o querer contrariar!…


domingo, 16 de outubro de 2022







Antonio Jorge
24 de Fevereiro de 2020 ·

Uma questão actual - O racismo é inumano
O Racismo pode combater-se de várias formas, como criminalizar o prevaricador.
Mas só se resolve pela erradicação nos nossos costumes, através da cultura e pelo conhecimento cientifico das razões, porque é que uns tem uma cor e outros outra, pela história que explica porque... ainda há racistas, e por uma pedagogia séria no nosso ensino... que ensine as crianças a perceberem... de que somos todos iguais.
- Nós portugueses - Depois de mais de 500 anos em África, deveria-mos saber; porque há racismo e desvalorização dos negros.
O racismo, é para os colonizadores uma aparente ideia construída pela confusão provocada pelo submissão... dos colonizados aos colonizadores.
Em que os europeus, mesmo pobres, e terem aos seu dispor empregados e empregadas negras, para fazerem as tarefas mais sujas e pesadas, a troco de pataco.
A confusão mental perversa, entre opressão colonialista por submissão e das capacidades humanas dos africanos.
A quem a civilização ocidental, deveria pedir desculpas à África e aos africanos, pelo sofrimento infligido durante séculos de escravatura e colonialismo, e que são a principal razão que explica o atraso do Continente africano, face aos outros.
Pelo que, nós portugueses, mais do que ninguém, deveria-mos de ter vergonha do racismo ainda presente na nossa sociedade.
Há duzentos anos, os europeus consideravam Portugal, um país de africanos e marranos!
O racismo consiste na atribuição de uma relação direta entre características biológicas e qualidades morais, intelectuais ou comportamentais, implicando sempre em uma hierarquização que supõem a existência de raças humanas superiores e inferiores. Factores como a cor da pele ou o formato do crânio são relacionados a uma série de qualidades aleatórias, como a inteligência ou a capacidade de comando. Discursos racistas historicamente têm servido para legitimar relações de dominação, naturalizando desigualdades de todos os tipos e justificando atrocidades e genocídios.
O racismo e as teorias racistas não surgiram do nada, elas possuem uma história própria. Os primeiros discursos racistas derivam de uma visão teológica, são baseados na leitura de uma série de episódios bíblicos, como aquele no qual Noé amaldiçoa seu único filho negro, afirmando que seus descendentes seriam escravizados pelos descendentes de seus irmãos. Essas interpretações serviram para justificar e naturalizar relações de exploração, como a escravização do povo africano pelos europeus.
Já no século XVIII surgem as primeiras teorias racistas de cunho científico. Da mesma forma como já fazia com as plantas e os animais, a ciência passa a classificar a diversidade humana e, para tal, usa como critério central a pigmentação da pele. O problema central dessa classificação é que ela conecta a essas características físicas atributos morais e comportamentais depreciativos ou valorativos, a depender de que “raça” se está tratando.
Carl Von Linné, naturalista sueco, foi um dos primeiros a sistematizar essa classificação racista. Ele divide os humanos em quatro raças: a asiática, de pele amarela e caráter melancólico; a americana, de pele morena e comportamento colérico; a africana, negra e preguiçosa; e a europeia, branca, engenhosa e inventiva.
Este tipo de teoria racista, que junta adeptos por décadas a fio, utilizou-se da sua autoridade científica para justificar o tratamento de populações não-europeias como inferiores, indignas de respeito e incapazes de governar a si mesmas, legitimando as empreitadas colonialistas sob a Ásia, a África e as Américas.
Obviamente que, o desenvolvimento da ciência foi completamente incapaz de provar qualquer tipo de ligação entre as quantidades de melanina de um ser humano e sua personalidade/capacidade intelectual.
No entanto, elementos dessa hierarquização seguiram intactos nos imaginários coletivos e se expressam até os dias de hoje.
Melanina (biologia)
A melanina é uma substância derivada do aminoácido tirosina que contribui para a pigmentação de determinadas partes do corpo. Algumas peles, pelos, cabelos e olhos recebem a melanina o que lhes confere a cor marrom e quando mais concentrada o preto. Assim, quanto maior for a concentração de melanina na pele, mais escura será a pessoa.
Assim, os loiros, de pele clara, olhos azuis ou verdes, possuem menos melanina que os morenos. Já os albinos, pessoas muito brancas que sofrem do albinismo, possuem falta de melanina no corpo.
Há ainda outro tipo de melanina de coloração avermelhada, que confere a cor ruiva. Note que além da melanina, a hemoglobina e os carotenoides contribuem para a pigmentação da pele.

António Jorge










Antonio Jorge
27 de Fevereiro de 2020 ·

Navio Negreiro
Castro Alves
I
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................
Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!
Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.
II
Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.
Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!
O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!
Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...
III
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!
IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
V
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .
São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.
Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...
Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...
VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

Palestina pede à ONU , protecção especial para as crianças .


11 DE OUTUBRO DE 2022

O governo palestiniano denunciou junto da ONU o assassinato de 44 menores, este ano, por soldados israelitas. Neste contexto, reclamou protecção para a infância e a responsabilização de Telavive.

Jovem palestiniano é detido pelas forças israelitas (imagem de arquivo) Créditos/ addameer.org


Numa carta enviada esta segunda-feira ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, o Ministério palestiniano dos Negócios Estrangeiros pediu protecção especial urgente para as crianças palestinianas, informa a agência Wafa.

Mahmoud Samoudi, de 12 anos, foi, ontem, a vítima mortal mais recente das forças israelitas, não resistindo aos ferimentos quase duas semanas depois de ter sido atingido por uma bala no abdómen, durante uma operação militar na cidade de Jenin (Norte da Cisjordânia ocupada).

Só nos últimos dias, «Israel, a potência ocupante, matou cinco crianças e jovens palestinianos, incluindo Adel Adel Daud (14 anos), Mahdi Ladadwa (17), Mahmoud Sous (17), Fayez Khaled Damdoum (17) e Ahmad Draghmeh (19)», indica o texto das autoridades palestinianas.




Desde 2014 que não eram mortas tantas crianças palestinianas


A carta afirma que as forças de ocupação estão a utilizar «a política infame de atirar a matar» – de que resultou a morte de centenas de crianças palestinianas –, ao apontarem «deliberadamente» para a parte superior dos seus corpos.

«Israel dispara deliberadamente contra os menores palestinianos com o objectivo declarado de os matar e mutilar, negando-lhes o direito à vida», lê-se no texto, sublinhando que «as crianças jamais devem ser mortas ou mutiladas», bem como a necessidade de medidas urgentes para as proteger da «escalada dos crimes israelitas».

Neste sentido, o governo palestiniano exigiu medidas contra Telavive, destacando que as «evidências dos seus crimes crescentes contra as crianças palestinianas são, sem dúvida alguma, esmagadoras», violando o direito internacional e as resoluções que constituem a base da protecção das crianças nos conflitos armados.

«A protecção das crianças é a maior obrigação moral, legal e política da humanidade», frisa o documento, no qual se pede à comunidade internacional que «ponha fim a este pesadelo intolerável que as nossas crianças vivem diariamente» e que tome medidas para responsabilizar Israel «pelos seus crimes horrendos».

A guerra é uma arte . . . Não é nem pode ser só carnificina .



Procurar perceber o que está em causa nesta guerra entre o Ocidente globalista e a Rússia… que não está só…
Não haverá empate… mas há dois vencedores:
- A Rússia e os Estados Unidos!
- Os dois derrotados, a Ucrânia e a UE!
A Europa involucrada e de joelhos… submetida e sem soluções e a caminho da sua… implosão económica, política e social!
- Diz-se que na política e na guerra, não existem almoços grátis… de uma forma ou de outra, tem de ser pagos.
A guerra vai levar a Ucrânia a ter de pagar a divida astronômica de muitos milhares de milhões ao ocidente que a usa… Como é que vai pagar destruída e sem infra-estruturas?
- Obviamente que será pela ocupação e exploração das suas riquezas naturais e o esforço e exploração pelo trabalho a submeter ao seu povo.
? Quantos anos serão precisos para pagar as dividas da guerra?
O fim da Ucrânia, será a sua redução física geográfica e a ser transformada em país TAMPÂO, para separar as fronteiras da NATO e da RÚSSIA!
- Se a guerra fosse para ganhar já… teria acabado com a vitória da Rússia desde há meses… Mas se acabasse… as sanções à Rússia, iriam continuar… É por isso que o suposto avanço dos exércitos da Ucrânia tanto badalado pela propaganda dos meios da mentira organizada a Ocidente, por vontade por um lado, e ingenuidade por outro… ainda acreditam, porque tem fé e proveitos mercenários.
A Rússia já provou de que quando quiser acabar com a guerra, ataca os meios vitais da vida, energia elétrica, água, infra-estruturas etc, e os combustíveis e meios militares que incomodarem.
- E quando isto acontecer… haverá uma nova debandada de muitos milhões de ucranianos para a Europa Ocidental, para fugirem à guerra e procurar apoio e segurança.
Com a integração de mais alguns milhões de ucranianos na Europa… as consequências económicas e sociais na UE, já em deriva, agravam-se drasticamente e vão determinar a revolta em massa das populações europeias… devido à carestia de vida, a fome e o frio, e já iniciada… devido à submissão da UE, e responsabilizar os políticos que venderam a Europa, a outros interesses perversos, militaristas globalistas, nesta guerra feita por procuração de quem os usa…
A Rússia por estratégia de guerra, só espera pela Europa a bater no fundo, para emergir vitoriosa… mais uma vez, sobre o Ocidente decadente, sem futuro e sem esperança… e que continua a sonhar em tomar ou retalhar a Rússia desde há séculos… e mais uma vez o sonho vai dar lugar a um pesadelo trágico!
- A dicotomia continua pelo confronto entre duas civilizações europeias e cristãs, a igreja do império romano do ocidente de novo em confronto com a igreja do oriente - A luta entre Roma e Constantinopla.
- É só trocar, o nome e lugar do império do ocidente… Roma, por Washington, D.C.
E entre o capital financeiro e rentista de Londres e principalmente de Nova Iorque e os detentores da riqueza real e das fontes de energia fundamentais, e das matérias primas especiais… insubstituíveis.
Constantinopla "cidade de Constantino” (1) antiga Bizâncio e atual Istambul, foi a capital do Império Romano (330–395), do Império Bizantino (ou Império Romano do Oriente) (395–1204 e 1261–1453), do Império Latino (1204–1261) e, após a tomada pelos turcos, do Império Otomano (1453–1922). Estrategicamente localizada entre o Corno de Ouro e o Mar de Mármara no ponto em que a Europa encontra a Ásia, a Constantinopla Bizantina havia sido a capital da Cristandade, sucessora das antigas Grécia e Roma. No decorrer da Idade Média, Constantinopla foi a maior e mais rica cidade da Europa.
Desde meados do século V até o início do XIII, Constantinopla foi fundamental no avanço do cristianismo durante os tempos romanos e bizantinos como o lar do patriarca ecumênico de Constantinopla e como o Guardião das relíquias mais sagradas da cristandade.
(1) Constantino, foi o fundador do catolicismo oficial como religião do império romano.

Imagem:
Conquista pelos muçulmanos de Constantinopla - Fausto Zonaro
 
António Jorge - editor
Porto e Luanda



quarta-feira, 12 de outubro de 2022

A Alemanha exporta a sua crise para uma Europa atlântica em dissolução Interessante Ponto de vista , vale a pena a sua leitura . . .






A retórica de uma Europa unida, de respostas comuns e da solidariedade europeia indispensável para fazer face a emergências, estilhaça face ao plano de 200 mil milhões atribuído pela Alemanha para fazer face aos elevados preços da energia e proteger assim as famílias e as empresas alemãs dos efeitos do aumento dos preços da energia. Os 200 mil milhões de financiamento concedidos pela Alemanha contra os elevados preços da energia e a inflação (que actualmente rondam os 10%) constituem um programa unilateral de ajuda governamental. A soma de 200 mil milhões é equivalente ao total dos fundos do Plano Nacional de Recuperação e Resiliência concedidos à Itália durante 6 anos e excede em 40% os 140 mil milhões em receitas esperadas do imposto sobre os lucros extra das empresas de energia. Esta manobra será financiada pelo fundo de estabilização económica, mas será excluída do orçamento ordinário, tal como os 100 mil milhões de investimento destinados pela Alemanha para o rearmamento. Por conseguinte, de acordo com a prática bem estabelecida alemã de utilizar truques contabilísticos, este financiamento não constituirá uma nova dívida pública.
Quem irá sancionar a Alemanha?
No entanto, é difícil compreender o tumulto causado na UE pelo unilateralismo prevaricador da Alemanha, que sempre foi praticado na UE, em aberta violação dos regulamentos europeus e em detrimento dos seus outros parceiros. De facto, a supremacia alemã de 20 anos na Europa só poderia ser alcançada através da violação sistemática das normas europeias. A UE tornou-se de facto uma área unitária de expansão económica alemã.
As exportações alemãs invadiram a Europa e perturbaram as economias dos outros estados membros, ignorando os limites impostos aos excedentes comerciais pelos tratados europeus. As regras de concorrência e a proibição de auxílios estatais foram sempre contornadas pela Alemanha, que, ao recorrer ao financiamento público, salvou um sistema bancário já inundado de obrigações de “junk bonds” e próximo do incumprimento após a crise do subprime de 2008. A Alemanha, com ultrapassagens massivas dos parâmetros orçamentais da UE, em 2003, eliminou os subsídios inesperados para apoiar a sua indústria. A mesma Alemanha, com enormes concessões de “crédito fácil” aos países do sul da Europa, causou crises de dívida devastadoras, apenas para depois impor políticas de austeridade e rigor financeiro à Grécia, com os consequentes talhos sociais, a fim de pagar as dívidas pendentes.
O crescimento exponencial das exportações alemãs é também devido à adopção da moeda única europeia. Uma vez que a cotação do euro nos mercados cambiais depende do desempenho global das economias de toda a zona euro, as exportações alemãs puderam beneficiar de uma taxa de câmbio muito favorável, uma vez que o valor do euro é muito inferior ao que teria sido com o marco alemão. Em contraste, a moeda única penalizou as exportações italianas, que já não podiam beneficiar da flexibilidade cambial com o euro.
A UE não produziu crescimento e estabilidade na Europa, mas gerou uma transferência de riqueza do sul para o norte da Europa, pelo que o crescimento alemão foi igualado pela desclassificação dos países mais fracos.
A supremacia alemã é, portanto, o resultado de uma política económica fraudulenta implementada pela Alemanha. Mas quem, ontem como hoje, está em posição de sancionar a Alemanha?
O nacionalismo voraz alemão e a iminente dissolução da UE
O mesmo paradigma repete-se na emergência energética. O plano de financiamento alemão de 200 mil milhões é um flagrante desembolso de fundos públicos para apoiar a economia alemã em crise, dizimada pelos elevados preços da energia e pela inflação. Deve ser considerado que todos os países da UE em tempos de crise (tanto pandemia como energia) recorreram a programas de apoio público. O que emerge, contudo, é uma desproporção escandalosa no montante de financiamento público fornecido por países individuais entre setembro de 2021 e setembro de 2022: a Alemanha atribuiu 384,2 mil milhões, a Grã-Bretanha 238,4, França 81,3, Itália 73,2, Espanha 35,5.
Podemos, portanto, constatar que foi estabelecida uma verdadeira concorrência entre os auxílios estatais concedidos por países individuais, em que os efeitos de distorção da concorrência favoreceram as posições económicas dominantes da Alemanha e dos seus aliados, em detrimento dos países mais fracos. Na verdade, a Itália tem uma margem de manobra orçamental limitada devido à sua elevada dívida pública. A economia italiana, que faz parte da cadeia de valor da indústria alemã, é particularmente vulnerável, uma vez que será penalizada na sua competitividade devido aos custos energéticos mais elevados para as empresas italianas. A Alemanha justificou esta medida unilateral de apoio à economia com base no seu grande espaço de manobra orçamental, tornado possível pelo seu proverbial virtuosismo financeiro rigorista. Mas o que é certo é que o seu poder financeiro foi alcançado através da expansão das exportações e, portanto, em virtude dos excedentes comerciais produzidos à custa da Itália e de outros países.
A UE é assim subserviente aos egoísmos prevaricadores dos países economicamente mais fortes. A sua desunião foi evidente na recusa da Alemanha em aderir à iniciativa da Itália, França e outros países de estabelecer um limite máximo europeu para os preços do gás. De facto, a Alemanha, para além de apoiar a sua economia com um gigantesco plano de ajuda pública, pode beneficiar dos contratos de futuros ainda em vigor (mas que expiram no final do ano) com a Rússia para fornecimento de gás barato.
Os Países Baixos expressaram a sua rejeição tanto do preço máximo como da proposta de desalinhar o preço do gás com o preço da electricidade. A Holanda é obviamente intransigente, dados os enormes lucros especulativos obtidos com o aumento dos preços da energia na bolsa de Amesterdão. E a crise energética, como sabemos, não se deve à guerra, mas à especulação financeira sobre o preço do gás.
A Noruega, que não é membro da UE mas da NATO, aumentou o preço das exportações de gás até 70 por cento e o seu fundo soberano de riqueza obteve lucros de cerca de 80 mil milhões. Na guerra e na crise, existe assim uma parte da Europa que se enriquece à custa da outra.
A unidade da Europa face à crise pandémica tem sido frequentemente exaltada, com a criação de uma dívida europeia comum, ou seja, o lançamento do Fundo de Recuperação. Mas sombras escuras pairam sobre a política de vacinação da UE. A falta de transparência nas negociações entre Von der Leyen e o presidente da Pfizer Albert Bourla sobre a compra de vacinas foi revelada, o que teve lugar através de uma correspondência de texto cujo conteúdo foi inexplicavelmente apagado. Bourla não compareceu então para testemunhar perante a Comissão Covid do Parlamento Europeu, que está a investigar estas negociações. Também surgiu um claro conflito de interesses envolvendo Von der Leyen, cujo marido é director da Orgenesis, uma empresa de biotecnologia controlada pelos fundos de investimento Vanguard e BlackRock, que por sua vez também controlam a Pfizer. O Fundo de Recuperação foi também frustrado pela oposição dos Países Baixos e dos países frugais, que deram o seu consentimento em troca da concessão de benefícios fiscais por parte da UE.
Uma política semelhante não foi replicada durante a crise energética. Devido à oposição da Alemanha, nenhum fundo europeu será criado para apoiar países em dificuldade devido aos elevados preços da energia. Uma vez que nenhum fundo energético europeu comum surgirá, cada país europeu terá de fazer face à crise com os seus próprios recursos. Os países da UE não são produtores de mercadorias nem potências financeiras de classe mundial. A Europa construiu o seu poder económico sobre a manufactura. Por conseguinte, terá de lidar com a crise energética através de derrapagens orçamentais e manobras de défice. Mas o desequilíbrio dos recursos financeiros disponíveis por parte da Alemanha em comparação com outros países para implementar políticas fiscais para contrariar eficazmente o impacto desta crise é evidente.
É portanto justo descrever a política económica de Scholz como uma forma de nacionalismo fiscal voraz que conduzirá fatalmente à dissolução de facto da UE.
A Alemanha exporta a sua crise
A guerra entre os EUA e a Rússia na Ucrânia levou a um drástico declínio geopolítico e económico da Alemanha. O poder económico alemão conseguiu desenvolver-se através do crescimento das suas exportações, fornecimentos de gás russo barato e deslocalizações industriais para a Europa de Leste. A guerra e as subsequentes sanções impostas à Rússia estão gradualmente a levar ao fim dos laços económicos e energéticos entre a Alemanha e a própria Rússia. Ao mesmo tempo, a guerra na Ucrânia causou a ruptura da Rota da Seda através da ligação ferroviária entre a China e a Europa (via Ucrânia), e assim, tanto as exportações alemãs como as cadeias de fornecimento de semicondutores, materiais tecnológicos e infra-estruturas para a indústria sofreram um colapso drástico. O modelo económico alemão baseado nas exportações está em processo de dissolução.
Esta guerra levou portanto a Alemanha a levar a cabo o seu reposicionamento económico e geopolítico no seio da NATO. Scholz, tendo em conta a escolha do campo atlântico e a redução do papel económico e geopolítico da Alemanha, quer no entanto reafirmar a primazia alemã na Europa.
Com a crise energética, a Alemanha entrou em recessão. Devido ao aumento dos preços do gás, a inflação será de 8,4% em 2022 e de 8,8% em 2023. O PIB alemão está em declínio, o crescimento será reduzido para 1,4% em 2022 e 0,4% em 2023. O índice de confiança dos consumidores diminuiu 3,5 pontos e atingiu um mínimo histórico.
Scholz, portanto, face à recessão que se avizinha, à dissidência desenfreada da opinião pública, e aos prazos eleitorais que se aproximam em alguns länder alemães, lançou este plano de ajuda de 200 mil milhões de fundos públicos para empresas e cidadãos para fazer face aos elevados custos energéticos. Dada a desigualdade nos custos energéticos que irá ocorrer entre as empresas alemãs e as de outros países da UE, a Alemanha pôs em prática uma manobra de choque que toma a forma de uma gigantesca operação de dumping industrial e financeiro, em detrimento do resto da Europa. A intenção do Scholz é travar a degradação económica da Alemanha resultante do encerramento dos principais mercados de exportação alemães e a queda significativa da competitividade sofrida pela indústria alemã em relação ao mercado americano. Será o reforço das exportações alemãs na Europa, que tem sido realizado de forma a produzir distorções significativas da concorrência, suficiente para fazer face à recessão interna e compensar as perdas sofridas pelas exportações para a Rússia e para os mercados asiáticos? Certamente que não. Na realidade, o dumping alemão só terá o efeito de exportar a sua própria crise para a UE. A recessão europeia apenas produzirá diminuições na procura que também afectarão negativamente a economia alemã.
A Itália está particularmente exposta à concorrência desleal da Alemanha. Numa Itália cuja estrutura industrial já se encontra empobrecida há décadas por manobras agressivas franco-alemãs, podem ocorrer novas crises de dívida com a recessão que se aproxima, seguidas de novas políticas de austeridade. Neste contexto, haverá novas iniciativas agressivas por parte da Alemanha, que sempre desejou apropriar-se dos bens imobiliários e de poupança da Itália, que se encontram entre os mais elevados da Europa.
A estratégia americana de agressão contra a Europa
A Europa não será certamente desmembrada pela política de chantagem energética de Putin, mas por um processo de decomposição interna que já está bem avançado.
O silêncio voluntário de Von der Leyen em relação às iniciativas de nacionalismo predatório da Alemanha também deve ser notado. Limitou-se apenas a apelos retóricos à unidade da UE. O mesmo Von der Leyen que sancionou o soberanismo da Hungria de Orban e foi responsável por interferências graves e indevidas nas eleições italianas ao afirmar que “se as coisas correrem numa direcção difícil, temos os instrumentos para agir”, está agora calada em relação ao nacionalismo predatório de Scholz.
De facto, com o fim da Guerra Fria e a expansão da NATO para a Europa de Leste, a relevância do papel estratégico da Alemanha na contenção da Rússia diminuiu. Este papel é agora desempenhado pela Polónia e pelos países bálticos que fazem fronteira directa com a Rússia.
A guerra EUA-Rússia na Ucrânia levou ao reposicionamento geopolítico da Europa no seio da NATO, com uma função russofóbica. Mas, em perfeita coerência com a estratégia geopolítica dos EUA, a decomposição interna da UE está também a ter lugar. A Europa, privada de uma subjectividade geopolítica autónoma no contexto mundial, diminuída no seu poder económico e tornada dependente dos EUA no campo energético, só progressivamente se desmembrará, dilacerada por conflitos internos. O declínio do euro é uma prova clara disso mesmo. O euro está a depreciar-se face ao dólar devido à política anti-inflacionista implementada pelo Fed, que implica aumentos progressivos das taxas de juro. E os aumentos deliberados das taxas do BCE terão efeitos devastadores sobre uma economia europeia em recessão. Esta corrida do BCE aos aumentos das taxas dos EUA acabará por sangrar a Europa.
A estratégia imperialista americana de agressão contra a Eurásia implica a desconstrução da UE. A crise económica que se avizinha transformar-se-á em breve numa crise política e institucional envolvendo todos os países europeus. Um conflito social alimentado pelo aumento das desigualdades irá também irromper. A responsabilidade das classes políticas pelas escolhas atlantistas suicidas da Europa em breve emergirá. Só a partir da dissolução interna da UE e da implosão do modelo neoliberal poderá emergir a nova Europa dos povos e das pátrias europeias. É isto uma utopia? Bem, só esta utopia nos pode salvar.

(Por Luigi Tedeschi, in Geopol.pt, 08/10/2022)

terça-feira, 4 de outubro de 2022

E assim começou , tudo por causa da fruta . . .





Giorgia Meloni Não venha nos dar lição de moral Macron

O confronto entre fascismos - E a deturpação democrática globalista para lá chegar



As diferenças entre o fascismo da Europa, tal como eu disse e publiquei, sobre a vitória da extrema-direita em Itália da “frattelli d’Itália” no passado dia 26 do mês de setembro, sob a liderança de Giorgia Maloni, e de que partilhei agora… apenas a algumas horas, um VIDEO (ver) aqui na minha página… de Giorgia Maloni a responder ao presidente francês globalista, Emmanuel Macron e que prova eloquentemente a minha tese sobre as diferenças entre fascismos… e a sua estratégia na Europa e no Mundo.
O fascismo europeu histórico e nacionalista de tradição inspirada em Benito Mussolini de Itália… e de que Salazar copiou e plasmou na Constituição Portuguesa e Fascista de 1933 como Estado Novo.
De que Giorgia Meloni se recorre também… como processo anti-centralista da Europa e do reforço do nacionalismo italiano e da sua autonomia e independência!
- E do fascismo de inspiração USA globalista de que no presente, o melhor exemplo na Europa é o regime policial e militar ucraniano, e cujos objectivos, além de visar atacar e querer cercear e destruir as liberdades democráticas essenciais e o Estado Social e Económico, visa a destruição do Estado Nação e os nacionalismos… pela ideia da imposição de um governo mundial a partir da América do Norte.
O estado do Estado… a que chegamos e as opções que temos são estas… se nada de importante se passar no plano internacional na defesa da Democracia e dos direitos económicos, sociais e políticos dos cidadãos europeus.
Nós os europeus da UE, somos dirigidos à distância de um Oceano… e que por tabela, chega a Londres e a Bruxelas… antes de chegar aqui.
Empurrados e inseridos numa estratégia global e de guerra e em defesa… sem disso a maioria ter consciência, na via sacra do projecto que nos é imposto e se USA… do fascismo global… e de que o diretório da UE, não eleito… e anti-democrático designado em Bruxelas… é seu fiel interprete e nos mandam fazer...
Vivemos alienados pela mentira organizada e a contra informação inventada… e sucessivamente reinventada e massivamente divulgada pelos meios da mentira organizada, nomeadamente pelos canais das televisões do lixo-informativo, para nos confundir, anularem a força do povo e vencerem.
A sociedade ocidental, criada e reciclada ao longo destes anos, desde meados do século passado, pelo poder de quem nos usa e abusa, pela formação de idiotas úteis e ainda a cavalgar pelo poder eleito… pela idiotocracia… cúmplice e traidora.
- Senão reagirmos de forma organizada, activa e significativamente… apoiados pelos povos europeus, seremos, nós e eles próprios, por omissão, descrença, conivência e falta de lucidez política e democrática, os coveiros da Europa e dos Estados Nação… como o nosso com quase nove séculos de independência!

António Jorge - editor
Porto e Luanda



segunda-feira, 3 de outubro de 2022

"Deus criou vidas , não raças" . . .

Pode ser uma imagem de 1 pessoa, em pé e relva

Queremos um mundo onde cabem todos os mundos .



Onde todas os povos possam viver em paz e harmonia,
Onde todas as culturas e tradições sejam um valor,
Onde as diferentes crenças e religiões sejam respeitadas,
Onde o ser humano se sinta de novo parte da Mãe Natureza,
Onde o planeta seja visto como um lar,
Queremos e necessitamos com urgência um novo mundo!
Lutemos unidos por um Mundo Multipolar!





domingo, 2 de outubro de 2022

Hoje e sempre a minha homenagem a Marielle Franco ❤



Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
- Chico Buarque









Online

VLADIMIR PUTIN 30 DE SETEMBRO DE 2022



Apresentamos aqui, na íntegra, o discurso proferido pelo presidente russo Vladimir Putin, na ocasião de assinatura dos termos de reintegração das regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Khérson à Rússia.
Um discurso a ser lembrado, hoje e para sempre. Um monumento na luta pelo mundo multipolar, pela liberdade, pela justiça e pela revolução!
Cidadãos da Rússia; cidadãos das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk; residentes das regiões de Zaporíjia e Kherson; deputados da Duma; senadores da Federação Russa:
Como vocês sabem, referendos foram realizados nas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e nas regiões de Zaporíjia e Kherson. As cédulas foram contadas e os resultados anunciados. O povo fez sua escolha inequívoca.
Hoje vamos assinar tratados sobre a adesão da República Popular de Donetsk, República Popular de Lugansk, Região Zaporíjia e Região Kherson à Federação Russa. Não tenho dúvidas de que a Assembléia Federal apoiará as leis constitucionais para a adesão à Rússia e o estabelecimento de quatro novas regiões — nossas novas entidades constituintes da Federação Russa — porque esta é a vontade de milhões de pessoas.
É, sem dúvida, um direito delas, um direito inerente, selado no Artigo 1 da Carta das Nações Unidas, que declara diretamente o princípio de igualdade de direitos e a autodeterminação dos povos.
Repito: é um direito inerente do povo. É baseado em nossa afinidade histórica. E é esse direito que levou gerações de nossos ancestrais, aqueles que construíram e defenderam a Rússia durante séculos desde o período da Antiga Rus, à vitória.
Aqui em Novorossiya, [Pyotr] Rumyantsev, [Alexander] Suvorov e [Fyodor] Ushakov travaram suas batalhas; e Catarina, a Grande e [Grigory] Potyomkin fundaram novas cidades. Nossos avós e bisavós lutaram aqui, até o amargo fim, durante a Grande Guerra Patriótica.
Sempre lembraremos dos heróis da Primavera Russa, aqueles que se recusaram a aceitar o golpe de Estado neonazista na Ucrânia em 2014. Todos aqueles que morreram pelo direito de falar sua língua nativa, preservar sua cultura, tradições e religião, e pelo próprio direito de viver. Recordamos os soldados do Donbass, os mártires da “Odessa Khatyn”, as vítimas dos desumanos ataques terroristas perpetrados pelo regime de Kiev. Celebramos os voluntários e as milícias, civis, crianças, mulheres, idosos, russos, ucranianos, pessoas das mais diversas nacionalidades; o líder popular de Donetsk, Alexander Zakharchenko; comandantes militares Arsen Pavlov e Vladimir Zhoga, Olga Kochura e Alexei Mozgovoy; procurador da República de Lugansk Sergei Gorenko; paraquedista Nurmagomed Gadzhimagomedov e todos os nossos soldados e oficiais que morreram como heróis durante a operação militar especial. Eles são heróis. Heróis da grande Rússia. Por favor, acompanhem-me em um minuto de silêncio para honrar à memória deles.

Por trás da escolha de milhões de residentes das república populares de Donetsk e Lugansk e nas regiões de Zaporíjia e Kherson, está nosso destino comum e nossa história de mil anos. O povo transmitiu esta conexão espiritual a seus filhos e netos. Apesar de todas as provações que sofreram, carregaram o amor pela Rússia ao longo dos anos. Isto é algo que ninguém pode destruir. É por isso que tanto as gerações mais velhas quanto os jovens — aqueles que nasceram após o trágico colapso da União Soviética — votaram por nossa unidade, por nosso futuro comum.
Em 1991, em Belovezhskaya Pushcha, representantes da elite partidária de então tomaram a decisão de extinguir a União Soviética, sem perguntar aos cidadãos comuns o que eles queriam, e as pessoas de repente se viram isoladas de sua pátria. Isto rasgou e desmembrou nossa comunidade e desencadeou uma catástrofe nacional. Assim como o governo demarcou tranquilamente as fronteiras das repúblicas soviéticas, agindo nos bastidores após a revolução de 1917, os últimos líderes da União Soviética, ao contrário da expressão direta da vontade da maioria do povo no referendo de 1991, destruíram nosso grande país e simplesmente fizeram o povo das antigas repúblicas encarar tal coisa como um fato consumado.
Posso reconhecer que eles nem sequer sabiam o que estavam fazendo e quais conseqüências suas ações teriam no final. Mas isso não importa agora. Não existe mais União Soviética; não podemos voltar ao passado. Na verdade, a Rússia não precisa mais dela hoje — esta não é nossa ambição. Mas não há nada mais forte do que a determinação de milhões de pessoas que, por sua cultura, religião, tradições e língua, se consideram parte da Rússia, cujos ancestrais viveram em um único país durante séculos. Não há nada mais forte do que sua determinação de retornar à sua verdadeira pátria histórica.
Durante oito longos anos, o povo no Donbass foi submetido a genocídio, bombardeios e bloqueios; em Kherson e Zaporíjia, uma política criminosa foi adotada para cultivar o ódio pela Rússia, por tudo o que é russo. Agora também, durante os referendos, o regime de Kiev ameaçou com represálias e morte as professoras, mulheres que trabalhavam em comissões eleitorais. Kiev ameaçou milhões de pessoas que vieram para expressar sua vontade com repressão. Mas o povo de Donbass, Zaporíjia e Kherson não foi quebrado e tomou sua decisão.
Eu quero que as autoridades de Kiev e seus verdadeiros manipuladores no Ocidente me ouçam agora, e quero que todos se lembrem disto: as pessoas que vivem em Lugansk e Donetsk, em Kherson e Zaporozhye se tornaram nossos cidadãos, para sempre.
Exortamos o regime de Kiev a cessar fogo imediato e todas as hostilidades; a acabar com a guerra que desencadeou em 2014 e voltar à mesa de negociações. Estamos prontos para isso, como já dissemos mais de uma vez. Mas a escolha das pessoas em Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson não será discutida. A decisão já foi tomada, e a Rússia não a trairá. As atuais autoridades de Kiev devem respeitar esta livre expressão da vontade do povo; não há outra maneira. Este é o único caminho para a paz.
Defenderemos nossa terra com todas as forças e recursos que temos, e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir a segurança de nosso povo. Esta é a grande missão libertadora de nossa nação.
Nós reconstruiremos as cidades e vilas destruídas, os edifícios residenciais, as escolas, os hospitais, os teatros e os museus. Restauraremos e desenvolveremos empreendimentos industriais, fábricas, infraestrutura, bem como os sistemas de segurança social, previdência, saúde e educação.
Certamente trabalharemos para melhorar o nível de segurança. Juntos, garantiremos que os cidadãos das novas regiões possam sentir o apoio de todo o povo da Rússia, de toda a nação, de todas as repúblicas, territórios e regiões de nossa vasta Pátria Mãe.
Amigos, colegas,
Hoje gostaria de me dirigir aos nossos soldados e oficiais que estão participando da operação militar especial, aos combatentes de Donbass e Novorossiya, àqueles que foram aos escritórios de recrutamento militar depois de receberem uma convocação sob a ordem executiva de mobilização parcial, e àqueles que fizeram isso voluntariamente, respondendo ao chamado de seus corações. Gostaria de me dirigir aos pais, esposas e filhos deles, para dizer-lhes pelo que nosso povo está lutando, que tipo de inimigo estamos enfrentando e quem está empurrando o mundo para novas guerras, crises e colhendo benefícios manchados com o sangue desta tragédia.
Nossos compatriotas, nossos irmãos e irmãs na Ucrânia, que fazem parte de nosso povo unido, viram com seus próprios olhos o que a classe dominante do chamado Ocidente preparou para a humanidade como um todo. Eles deixaram cair suas máscaras e mostraram do que eles são realmente feitos.
Quando a União Soviética entrou em colapso, o Ocidente decidiu que o mundo e todos nós iríamos aderir permanentemente a seus ditames. Em 1991, o Ocidente pensou que a Rússia nunca se levantaria após tais abalos e que cairia em pedaços por si só. Isto quase aconteceu. Recordamos os horríveis anos 90, famintos, frios e sem esperança. Mas a Rússia permaneceu de pé, ganhou vida, se fortaleceu e retomou seu lugar de direito no mundo.
Enquanto isso, o Ocidente continuou e continua procurando outra oportunidade para nos dar um golpe, para enfraquecer e quebrar a Rússia, o que sempre sonharam, para dividir nosso Estado e colocar nossos povos uns contra os outros, e para condená-los à pobreza e à extinção. Eles não encontram paz, sabendo que existe um país tão grandioso, com este imenso território no mundo, com suas riquezas naturais, seus recursos e pessoas que não podem e não querem fazer a vontade de outrem.
O Ocidente está disposto a cruzar todas as fronteiras para preservar o sistema neocolonial que lhe permite viver do mundo, pilhá-lo graças ao domínio do dólar e da tecnologia, cobrar um tributo real da humanidade, extrair sua fonte primária de prosperidade não conquistada, o aluguel pago ao hegemônico. A preservação desta anuidade é sua motivação principal, real e absolutamente egoísta. É por isso que a dessoberanização total é de seu interesse. Isto explica sua agressão aos estados independentes, valores tradicionais e culturas autênticas, suas tentativas de minar os processos internacionais e de integração, novas moedas globais e centros de desenvolvimento tecnológico que não podem controlar. É extremamente importante para eles forçar todos os países a cederem sua soberania aos Estados Unidos.
Em alguns países, as elites governantes concordam voluntariamente em fazê-lo, concordam voluntariamente em tornar-se vassalos; outros são subornados ou intimidados. E se isto não funcionar, eles destroem estados inteiros, deixando para trás desastres humanitários, devastação, ruínas, milhões de vidas humanas destruídas e mutiladas, enclaves terroristas, zonas de desastre social, protetorados, colônias e semicolônias. Eles não se importam. Tudo o que lhes importa é seu próprio benefício.
Quero ressaltar novamente que sua insaciabilidade e determinação em preservar seu domínio sem restrições são as verdadeiras causas da guerra híbrida que o Ocidente coletivo está travando contra a Rússia. Eles não querem que sejamos livres; eles querem que sejamos uma colônia. Eles não querem cooperação igualitária; eles querem saquear. Eles não querem nos ver uma sociedade livre, mas uma massa de escravos sem alma.
Eles veem nosso pensamento e nossa filosofia como uma ameaça direta. É por isso que eles assassinam nossos filósofos. Nossa cultura e nossa arte representam um perigo para eles, por isso estão tentando bani-los. Nosso desenvolvimento e prosperidade são também uma ameaça para eles porque a concorrência está crescendo. Eles não querem ou precisam da Rússia, mas nós queremos.
Gostaria de lembrar que, no passado, as ambições de dominação do mundo se despedaçaram repetidamente contra a coragem e a resiliência de nosso povo. A Rússia será sempre a Rússia. Continuaremos a defender nossos valores e nossa pátria.
O Ocidente está contando com a impunidade, com a possibilidade de escapar de tudo. De fato, este era realmente o caso até recentemente. Os acordos estratégicos de segurança foram arruinados; acordos alcançados no mais alto nível político não passam de fábulas; promessas firmes de não expandir a OTAN para o leste deram lugar a subterfúgios assim que nossos antigos líderes os compraram; tratados de defesa antimísseis, de alcance intermediário e de alcance mais curto foram desmantelados unilateralmente sob pretextos rebuscados.
E tudo o que ouvimos é que o Ocidente insiste em uma ordem baseada em normas. De onde isso veio afinal? Quem já viu estas normas? Quem as aceitou ou aprovou? Ouçam, isto é apenas um monte de tolices, engano total, padrões duplos, ou mesmo padrões triplos! Eles devem pensar que somos estúpidos.
A Rússia é uma grande potência milenar, uma civilização inteira, e não vai viver de acordo com tais regras improvisadas e falsas.
Foi o suposto Ocidente que pisou no princípio da inviolabilidade das fronteiras, e agora decide, a seu próprio critério, quem tem direito à autodeterminação e quem não tem, quem é indigno dela. Não está claro em que se baseiam suas decisões ou quem lhes deu o direito de decidir, em primeiro lugar. Eles simplesmente o assumiram.
É por isso que a escolha do povo da Crimeia, Sevastopol, Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson os deixa tão furiosamente zangados. O Ocidente não tem qualquer direito moral de se envolver, ou mesmo de pronunciar uma palavra sobre a liberdade da democracia. Não tem e nunca teve.
As elites ocidentais não apenas negam a soberania nacional e o direito internacional. Sua hegemonia tem características pronunciadas de totalitarismo, despotismo e apartheid. Elas dividem descaradamente o mundo entre seus vassalos — os chamados países civilizados — e todos os demais, que, de acordo com os desígnios dos racistas ocidentais de hoje, deveriam ser acrescentados à lista de bárbaros e selvagens. Falsos rótulos como “país vilão” ou “regime autoritário” já estão disponíveis e são usados para estigmatizar nações e estados inteiros, o que não é novidade. Não há nada de novo nisto: no fundo, as elites ocidentais continuam sendo os mesmos colonizadores. Elas discriminam e dividem os povos entre primeiro escalão e os demais.
Nunca concordamos e nunca concordaremos com tal nacionalismo político e racismo. O que mais, se não o racismo, está na russofobia sendo espalhada pelo mundo? Qual, se não o racismo, é a convicção dogmática do Ocidente de que sua civilização e cultura neoliberal é um modelo indiscutível a ser seguido pelo mundo inteiro? “Você ou está conosco ou contra nós”. Até soa estranho.
As elites ocidentais estão até mesmo transferindo o arrependimento por seus próprios crimes históricos para todos os outros, exigindo que os cidadãos de seus países e outros povos confessem coisas com as quais não têm nada a ver, por exemplo, o período das conquistas coloniais.
Vale lembrar ao Ocidente que ele iniciou sua política colonial na Idade Média, seguida pelo comércio mundial de escravos, o genocídio das tribos indígenas na América, o saque da Índia e da África, as guerras da Inglaterra e da França contra a China, que como resultado disso, foi obrigada a abrir seus portos para o comércio de ópio. O que eles fizeram foi viciar nações inteiras em drogas e exterminar propositalmente grupos étnicos inteiros em nome da apropriação de terras e recursos, caçando pessoas como animais. Isto é contrário à natureza humana, à verdade, à liberdade e à justiça.
Enquanto nós — estamos orgulhosos de que no século XX nosso país liderou o movimento anti-colonial, abriu oportunidades para muitos povos ao redor do mundo para progredir, reduzir a pobreza e a desigualdade, derrotar a fome e as doenças.
Enfatizo: uma das razões para a russofobia secular, a animosidade incontida das elites ocidentais em relação à Rússia, é precisamente o fato de não termos permitido que elas nos roubassem durante o período de conquistas coloniais e termos forçado os europeus a negociar conosco em termos mutuamente benéficos. Isto foi conseguido através da criação de um Estado centralizado forte na Rússia, que cresceu e se fortaleceu com base nos grandes valores morais do cristianismo ortodoxo, islamismo, judaísmo e budismo, assim como da cultura russa e da palavra russa que era aberta a todos.
Havia numerosos planos para invadir a Rússia. Tais tentativas vieram durante as atribulações do século XVII e no período de provações após a revolução de 1917. Todas elas fracassaram. O Ocidente só conseguiu agarrar a riqueza da Rússia no final do século 20, quando o Estado havia sido destruído. Eles nos chamaram de amigos e parceiros, mas nos trataram como uma colônia, usando vários esquemas para bombear trilhões de dólares para fora do país. Nós nos lembramos. Não nos esquecemos de nada.
Há alguns dias, as pessoas em Donetsk e Lugansk, Kherson e Zaporíjia declararam seu apoio à restauração de nossa unidade histórica. Obrigado!
Os países ocidentais vêm dizendo há séculos que trazem liberdade e democracia a outras nações. Nada poderia estar mais longe da verdade. Em vez de trazer democracia, eles suprimiram e exploraram, e em vez de dar liberdade, eles escravizaram e oprimiram. O mundo unipolar é inerentemente antidemocrático e não livre; é falso e hipócrita por completo.
Os Estados Unidos são o único país do mundo que usou armas nucleares duas vezes, destruindo as cidades de Hiroshima e Nagasaki no Japão. E eles criaram um precedente.
Recordem que durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha reduziram Dresden, Hamburgo, Colônia e muitas outras cidades alemãs a escombros, sem a menor necessidade militar. Isto foi feito ostensivamente e, para repetir, sem qualquer necessidade militar. Eles tinham apenas um objetivo, como no caso do bombardeio nuclear das cidades japonesas: intimidar nosso país e o resto do mundo.
Os Estados Unidos deixaram uma profunda cicatriz na memória dos povos da Coréia e do Vietnã com seus bombardeios, o uso de napalm e armas químicas.
Eles na verdade continuam a ocupar a Alemanha, Japão, República da Coréia e outros países, aos quais cinicamente se referem como iguais e aliados. Veja agora, que tipo de aliança é essa? O mundo inteiro sabe que os altos funcionários desses países estão sendo espionados e que seus escritórios e casas estão sob escuta. É uma vergonha, uma vergonha para aqueles que fazem isso e para aqueles que, como escravos, silenciosa e mansamente engolem esse comportamento arrogante.
Eles chamam de solidariedade euro-atlântica as ordens e ameaças endereçadas a seus vassalos, assim como a criação de armas biológicas com testes humanos, inclusive na Ucrânia, de nobres pesquisas médicas.
São suas políticas destrutivas, guerras e pilhagens que desencadearam a onda maciça de migrantes que vemos hoje. Milhões de pessoas sofrem privações e humilhações ou morrem aos milhares ao tentar chegar à Europa.
Eles estão exportando grãos da Ucrânia agora. Para onde estão levando isso, sob o pretexto de garantir a segurança alimentar dos países mais pobres? Para onde está indo? Eles estão levando para os mesmos países europeus. Apenas cinco por cento foram entregues aos países mais pobres. Mais trapaças e fraude.
Com efeito, a elite americana está usando a tragédia dessas pessoas para enfraquecer seus rivais, para destruir os estados nacionais. Isto vale para a Europa e para as identidades da França, Itália, Espanha e outros países com uma história secular.
Washington exige cada vez mais sanções contra a Rússia e a maioria dos políticos europeus obedientemente concordam com isso. Eles entendem claramente que ao pressionar a UE a desistir completamente da energia e de outros recursos russos, os Estados Unidos estão praticamente empurrando a Europa para a desindustrialização, numa tentativa de colocar suas mãos em todo o mercado europeu. Estas elites europeias entendem tudo — eles entendem, mas preferem servir aos interesses de outros. Isto não é mais servil, mas traição direta a seus próprios povos. Deus os abençoe, isso é com eles.
Mas os anglo-saxões acreditam que as sanções não são mais suficientes e agora eles se voltaram para a subversão. Parece incrível, mas é um fato — ao causar explosões nos gasodutos internacionais da Nord Stream passando pelo fundo do Mar Báltico, eles realmente embarcaram na destruição de toda a infraestrutura energética da Europa. É claro para todos quem lucra com isso. Aqueles que se beneficiam são os responsáveis, é claro.
Os ditames dos EUA são apoiados pela força bruta, pela lei do punho. Às vezes é tudo embrulhado de forma bonita, às vezes não há embrulho algum, mas a essência é a mesma — a lei do punho. Daí, a implantação e manutenção de centenas de bases militares em todos os cantos do mundo, a expansão da OTAN e as tentativas de empedrar novas alianças militares, tais como AUKUS e similares. Muito está sendo feito para criar uma cadeia político-militar Washington-Seul-Tóquio. Todos os Estados que possuem ou aspiram a uma verdadeira soberania estratégica e são capazes de desafiar a hegemonia ocidental, são automaticamente declarados inimigos.
Estes são os princípios que estão na base das doutrinas militares dos EUA e da OTAN que exigem domínio total. As elites ocidentais estão apresentando seus planos neocolonialistas com a mesma hipocrisia, alegando intenções pacíficas, falando sobre algum tipo de dissuasão. Esta palavra evasiva migra de uma estratégia para outra, mas realmente significa apenas uma coisa — minar todo e qualquer centro de poder soberano.
Já ouvimos falar sobre a dissuasão da Rússia, China e Irã. Acredito que a seguir irão para outros países da Ásia, América Latina, África e Oriente Médio, assim como os atuais parceiros e aliados dos EUA. Afinal, sabemos que quando estão descontentes, eles introduzem sanções também contra seus aliados — contra este ou aquele banco ou empresa. Esta é sua prática e eles vão expandi-la. Eles têm tudo em vista, inclusive nossos vizinhos — os países da CEI.
Ao mesmo tempo, o Ocidente está claramente engajado, há muito tempo, em ilusões. Ao lançar a blitzkrieg de sanções contra a Rússia, por exemplo, eles pensaram que poderiam mais uma vez alinhar o mundo inteiro ao seu comando. No entanto, como acontece, uma perspectiva tão brilhante não excita a todos — exceto os masoquistas políticos completos e admiradores de outras formas não convencionais de relações internacionais. A maioria dos Estados se recusa a “estalar uma saudação” e, em vez disso, escolhe o caminho sensato da cooperação com a Rússia.
O Ocidente claramente não esperava tal insubordinação. Eles simplesmente se acostumaram a agir de acordo com um modelo, a agarrar o que quisessem, por chantagem, suborno, intimidação, e se convenceram de que estes métodos funcionariam para sempre, como fósseis.
Tal autoconfiança é um produto direto não apenas do notório conceito de excepcionalismo — embora nunca deixe de surpreender — mas também da verdadeira “fome de informação” no Ocidente. A verdade foi afogada em um oceano de mentiras, ilusões e falsificações, usando propaganda extremamente agressiva, mentindo como Goebbels. Quanto mais inacreditável a mentira, mais rápido o povo acreditará — é assim que eles operam, de acordo com este princípio.
Mas as pessoas não podem ser alimentadas com dólares e euros impressos. Não se pode alimentá-las com esses pedaços de papel, e a capitalização virtual e inflada das empresas ocidentais de mídia social não pode aquecer suas casas. Tudo o que estou dizendo é importante. E o que acabei de dizer não é menos importante: você não pode alimentar ninguém com papel — você precisa de comida; e você não pode aquecer a casa de ninguém com essas capitalizações inflacionadas — você precisa de energia.
É por isso que os políticos na Europa têm de convencer seus concidadãos a comer menos, tomar menos banho e vestir algo mais quente em casa. E aqueles que começam a fazer perguntas justas como “Por que isso, afinal?” são imediatamente declarados inimigos, extremistas e radicais. Eles apontam seus dedos para a Rússia e dizem: essa é a fonte de todos os seus problemas. Mais mentiras.
Quero fazer uma nota especial do fato de que há todos os motivos para acreditar que as elites ocidentais não vão procurar caminhos construtivos para sair da crise global de alimentos e energia pela qual elas e só elas são culpadas, como resultado de sua política de longo prazo, que data muito antes de nossa operação militar especial na Ucrânia. Eles não têm a intenção de resolver os problemas de injustiça e desigualdade. Temo que eles prefiram usar outras fórmulas com as quais estão mais à vontade.
E aqui é importante lembrar que o Ocidente se salvou de seus desafios do início do século 20 com a Primeira Guerra Mundial. Os lucros da Segunda Guerra Mundial ajudaram os Estados Unidos a finalmente superar a Grande Depressão e se tornar a maior economia do mundo, impondo sobre o planeta o poder do dólar como moeda de reserva global. E da crise da década de 1980 — as coisas voltaram a se complicar nos anos 80 — o Ocidente emergiu incólume, em grande parte se apropriando da herança e dos recursos da desmoronada e extinta União Soviética. Isso é um fato.
Agora, para se libertar da mais recente teia de desafios, eles precisam, a todo custo, desmantelar a Rússia, bem como outros Estados que escolhem um caminho soberano de desenvolvimento, para poder saquear ainda mais as riquezas e usá-las para remendar seus próprios buracos. Se isso não acontecer, não posso descartar que eles tentem desencadear um colapso de todo o sistema, e culpem tudo sobre isso, ou, Deus me livre, decidam usar a velha fórmula do crescimento econômico através da guerra.
A Rússia está consciente de sua responsabilidade perante a comunidade internacional e fará todos os esforços para garantir que as cabeças mais frias prevaleçam.
O atual modelo neocolonial está, em última análise, condenado; isto é óbvio. Mas repito que seus verdadeiros mestres se agarrarão nele até o fim. Eles simplesmente não têm nada a oferecer ao mundo, exceto manter o mesmo sistema de saque e extorsão.
Eles não se importam com o direito natural de bilhões de pessoas, a maioria da humanidade, à liberdade e à justiça, o direito de determinar seu próprio futuro. Eles já passaram à negação radical dos valores morais, religiosos e familiares.
Vamos responder algumas perguntas muito simples para nós mesmos. Agora gostaria de voltar ao que disse e quero me dirigir também a todos os cidadãos do país — não somente aos colegas que estão na sala — mas a todos os cidadãos da Rússia: queremos ter aqui, em nosso país, na Rússia, “genitor número um, genitor número dois e genitor número três” (eles ficaram malucos!) em vez de mãe e pai? Queremos que nossas escolas imponham a nossos filhos, desde seus primeiros dias de escola, perversões que levem à degradação e à extinção? Queremos colocar na cabeça deles as ideias de que certos outros gêneros existem além de mulheres e homens, e oferecer-lhes uma cirurgia de mudança de sexo? É isso que queremos para nosso país e para nossos filhos? Tudo isso é inaceitável para nós. Temos um futuro diferente, próprio.
Deixe-me repetir que a ditadura das elites ocidentais visa todas as sociedades, incluindo os próprios cidadãos dos países ocidentais. Isto é um desafio para todos. Esta completa renúncia ao que significa ser humano, a derrubada da fé e dos valores tradicionais e a supressão da liberdade estão se assemelhando a uma “religião ao contrário” — o puro satanismo. Expondo falsos messias, disse Jesus Cristo no Sermão da Montanha: “Pelos seus frutos os conhecereis”. Estes frutos venenosos já são óbvios para as pessoas, e não apenas em nosso país, mas também em todos os países, incluindo muitas pessoas no próprio Ocidente.
O mundo entrou num período de uma transformação fundamental e revolucionária. Novos centros de poder estão surgindo. Eles representam a maioria — a maioria! — da comunidade internacional. Eles estão prontos não apenas para declarar seus interesses, mas também para protegê-los. Eles veem na multipolaridade uma oportunidade de fortalecer sua soberania, o que significa ganhar verdadeira liberdade, perspectivas históricas e o direito a suas próprias formas de desenvolvimento independentes, criativas e distintas, a um processo harmonioso.
Como já disse, temos muitas pessoas que pensam da mesma maneira na Europa e nos Estados Unidos, e sentimos e vemos seu apoio. Um movimento essencialmente emancipatório e anticolonial contra a hegemonia unipolar está tomando forma nos mais diversos países e sociedades. Seu poder só vai crescer com o tempo. É esta força que determinará nossa realidade geopolítica futura.
Amigos,
Hoje, estamos lutando por um caminho justo e livre, antes de tudo para nós mesmos, para a Rússia, a fim de deixar a ditadura e o despotismo no passado. Estou convencido de que os países e povos compreendem que uma política baseada no excepcionalismo de quem quer que seja e a supressão de outras culturas e povos é inerentemente criminosa, e que devemos encerrar este capítulo vergonhoso. O colapso contínuo da hegemonia ocidental é irreversível. E eu repito: as coisas nunca mais serão as mesmas.
O campo de batalha para o qual o destino e a história nos chamaram é um campo de batalha para nosso povo, para a grande Rússia histórica. Para a grande Rússia histórica, para as gerações futuras, para nossos filhos, netos e bisnetos. Devemos protegê-los da escravidão e as experiências monstruosas que são projetadas para aleijar suas mentes e suas almas.
Hoje, estamos lutando para que nunca ocorra a ninguém que a Rússia, nosso povo, nossa língua ou nossa cultura possa ser apagada da história. Hoje, precisamos de uma sociedade consolidada, e esta consolidação só pode ser baseada na soberania, na liberdade, na criação e na justiça. Nossos valores são a humanidade, a misericórdia e a compaixão.
E quero encerrar com as palavras de um verdadeiro patriota, Ivan Ilyin: “Se eu considero a Rússia minha pátria, isso significa que amo como um russo, contemplo, penso, canto e falo como um russo; que acredito na força espiritual do povo russo. Seu espírito é meu espírito; seu destino é meu destino; seu sofrimento é minha tristeza; e sua prosperidade é minha alegria.”
Por trás destas palavras está uma gloriosa escolha espiritual que, por mais de mil anos de Estado russo, foi seguida por muitas gerações de nossos antepassados. Hoje, estamos fazendo esta escolha; os cidadãos das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e os residentes das regiões de Zaporíjia e Kherson fizeram esta escolha. Eles fizeram a escolha de estar com seu povo, de estar com sua pátria, de compartilhar seu destino e de ser vitoriosos juntos.
A verdade está conosco, e atrás de nós está a Rússia!
Fonte: Kremlin
Tradução: Augusto Fleck









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