terça-feira, 29 de novembro de 2016

"Llegó el Comandante 
Quando os revolucionários chegaram ao poder, Cuba era um enorme casino, uma imensa casa de prostituição, uma gigantesca lavandaria de dinheiro, uma quinta dos EEUU e da Mafia, um profundo antro de corrupção.
E então chegou Fidel. Foi sobre esta situação que Carlos Puebla compôs e cantou: “se acabó la diversión, llegó el Comandante y mandó parar”. E não, como escreve um analfabeto num jornal de hoje, que o “catecismo da revolução” tenha proibido a música e o divertimento. Fidel só pôs fim à brincadeira que fazia de Cuba o paraíso da exploração.
Morreu Fidel Castro. Mas em vida fez o que entendeu que tinha a fazer."

Delícia(s) . . .

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Geometria Amorosa

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."

E falando descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar,
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos
Viciosos.
Ofereceu, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema, ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade.
Como aliás, em qualquer
Sociedade.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Caril de cogumelos e curgette


1 cebola média e 2 a 3 dentes de alho picados a refogar num pouco de azeite, assim que a cebola ficar transparente colocar um pouco de vinho branco e deixar o álcool evaporar. Junta-se uma maça reineta e o leite de coco (1 chávena) e 1 colher de sopa de caril, deixa-se cozinhar um pouco e tritura-se tudo. De seguida coloca-se os cogumelos frescos laminados e a curgette ás meias luas, se desejarem podem acrescentar um pouco mais de leite de coco (vai do gosto pessoal de cada um), deixa-se cozinhar um pouco mais para apurar os sabores e temperem como preferirem 
Nota: desta vez não usei a maça porque não havia o que fez com que ficasse um pouco mais liquido mas saboroso na mesma. Também podem experimentar com batata doce por exemplo, deve ficar óptimo e nada como experimentar 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Come over to the window, my little darling,
I'd like to try to read your palm.
I used to think I was some kind of Gypsy boy
before I let you take me home.
Now so long, Marianne, it's time that we began
to laugh and cry and cry and laugh about it all again.
Well you know that I love to live with you,
but you make me forget so very much.
I forget to pray for the angels
and then the angels forget to pray for us.
Now so long, Marianne, it's time that we began ...
We met when we were almost young
deep in the green lilac park.
You held on to me like I was a crucifix,
as we went kneeling through the dark.
Oh so long, Marianne, it's time that we began ...
Your letters they all say that you're beside me now.
Then why do I feel alone?
I'm standing on a ledge and your fine spider web
is fastening my ankle to a stone.
Now so long, Marianne, it's time that we began ...
For now I need your hidden love.
I'm cold as a new razor blade.
You left when I told you I was curious,
I never said that I was brave.
Oh so long, Marianne, it's time that we began ...
Oh, you are really such a pretty one.
I see you've gone and changed your name again.
And just when I climbed this whole mountainside,
to wash my eyelids in the rain!
Oh so long, Marianne, it's time that we began ...

Coisinha mai'linda p'ra hoje ! Que morreu . . . que nada . . . Leonard Cohen estará , para sempre , presente e bem vivo , em alguns/muitos corações , como o meu . . .


Like a bird on the wire
Like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free
Like a worm on a hook
Like a knight from some old-fashioned book
I have saved all my ribbons for thee
If I, if I have been unkind
I hope that you can just let it go by
If I, if I have been untrue
I hope you know it was never to you
For like a baby, stillborn
Like a beast with his horn
I have torn everyone who reached out for me
But I swear by this song
And by all that I have done wrong
I will make it all up to thee
I saw a beggar leaning on his wooden crutch
He said to me, "you must not ask for so much"
And a pretty woman leaning in her darkened door
She cried to me, "hey, why not ask for more?"
Oh, like a bird on the wire
Like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

"A las mujeres" (1936), canción anarquista - anarchist song

Publicado a 01/01/2014
A LAS MUJERES

(based on the melody of a famous waltz sung by Dolores del Rio in the movie "Ramona", 1928)

Ha de ser obra de la juventud
romper las cadenas
de la esclavitud.
Hacia otra vida mejor
donde los humanos
gocen del amor.

Debéis las mujeres colaborar,
en hermosa obre de la humanidad;
mujeres, mujeres, necesitamos vuestra unión
el día que estalle nuestra grande revolución.

Hermanas que amáis con fe la libertad
habéis de crear la nueva sociedad
El sol de gloria que nos tiene que cubrir
a todos en dulce vivir.

Por una idea luchamos,
la cual defendemos
con mucha razón.
Se acabarán los tiranos,
guerras no queremos
ni la explotación.

Debéis las mujeres colaborar, ecc.

Todos nacemos iguales,
la naturaleza
no hace distinción;
comunistas libertarios,
luchad con firmeza
por la revolución.

Debéis la mujeres colaborar, ecc...

Yo Soy un Anarquista


Publicado a 13/05/2015
This is a song written in support of today's Anarchists in Spain who are facing a major clampdown on their civil rights. Spain has a proud history of anarchist organisation and direct action and today's anarchists are again under serious attack from the right wing. This song relates back to the heroes of the Spanish revolution who fought Franco and his Fascist/Nationalist forces between 1936 and 1939, while at the same time managing industry and agriculture in an equal, libertarian, non-hierarchical way- a great inspiration to Anarchists ever since.
SOLIDARITY WITH SPANISH ANARCHISTS!...for tomorrow, the same laws will be applied to us.
For more info on the 'Ley Mordaza' law -
revolution-news.com/spain-congress-…conian-gag-law/
autonomies.org/en/2014/12/yo-tam…-spanish-pandora/

Yo Soy un Anarquista

In the 30s a general called Franco proclaimed,
The people had no right to run their own Spain.
So he turned on his country and its freedom he tore,
And set Spains own army on her people in war.
Under Hitlers bombs towns like Guernika fell,
And Mussolinis shells, blasted 'em to hell,
While Franco claimed victory and looked on with pride,
The governments of Europe just turned a blind eye.

But they came from all nations, no state to their name,
To fight against the Fascists with the people of Spain.
Through frozen sierras and deserts parched,
The Anarchist militias marched.
No masters, no gods, no kings and no prison,
the factories owned by the workers within them,
And the fields that they sowed
With the seeds of their souls
That cried out for freedom
For one and for all.

(Chorus)
Those warriors of conscience
Who chose to insist
On the right to their freedom
and the right to resist
and today their grand-children
are raising a fist
Yo soy un Anarquist-, yo soy un anarquist-,
yo soy un anarquista.

No medals, no honours, November parade.
No recognition of the warriors so brave.
No white cross for the ones that remained,
To die in the fields of Spain.
Betrayed from all sides, stood in a line,
The firing squad bullets, ending their time.
Though their bodies in ditches lie bloodied and stained,
Like the Black and Red flag
Their spirits remain.

(Chorus)

Muerte a todos los fascistas (death to all Fascists)
Yo soy un Anarquista.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Um dos mais antigos instrumentos musicais electrónicos, aprecie esta beleza !!! Estranhíssimo. Um instrumento que produz som sem ser tocado!!!

É incrível, eu sempre pensei que era uma voz que produziu o som ...

Muito impressionante e belo!
Leia a explicação antes de clicar para ouvir e assistir.

Ennio Morricone - O Theremin . * Interpretado por Katica Illenyi O Theremin é um dos mais antigos instrumentos musicais eletrônicos, inventado em 1919 pelo russo Lev Sergeyevich Termen. Consistindo de uma caixa eletrônico com duas antenas, o instrumento tem a distinção de produzir música sem ser tocado pelo jogador. Na sua versão mais comum, o lado direito controla o tom da nota, variando a sua distância da antena vertical. A antena horizontal, em forma de laço, é usado para variar o volume de acordo com a sua distância a partir do lado esquerdo.





Https://www.youtube.com/embed/ lY7sXKGZl2w


Olha a Noiva se Vai Linda - TAIS QUAIS

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Carta para Josefa , minha avó - José Saramago




No ano de 1968, José Saramago publicou no jornal A Capital, de Lisboa, a crónica Carta a Josefa, minha avó. Anos mais tarde, ela seria publicada no livro Deste Mundo e do Outro. Abaixo segue a reprodução da página do jornal A Capital em que foi originalmente publicado o texto.


Carta para Josefa, minha avó

Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo — e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água.

Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira — sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.

Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja.(Contaste-mo tu, ou terei sonhado que o contavas?)

Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém. Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrugada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos — e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Quem to roubou? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti — e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava. Não teremos, realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas — e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, por que te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: «O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!»

É isto que eu não entendo — mas a culpa não é tua.