segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Um tributo a Ahmad Fouad Najm - Raja Chemayel

Um tributo a
Ahmad Fouad Najm
meu mestre, pai e ídolo.

Subjuguem todos os Regimes Árabes,
Subornem-nos e domestiquem-nos.
Enganem as massas árabes
abortem quaisquer direitos nacionais
suprimam todas as aspirações de liberdade
e depois chamem-lhe Paz
Invadam qualquer país não colaborante
ameacem qualquer país desafiador
abafem qualquer economia emergente
protejam qualquer sistema corrupto
e depois chamem-lhe Democracia
Enforquem os nossos líderes
Bombardeiem as nossas escolas
Treinem os nossos carcereiros e o aparelho secreto
Armem os nossos Ditadores, Reis e Princesas
Bombeiem o nosso petróleo
e depois chamem-lhe Liberdade.
e vendam-no de volta a nós próprios, como plástico
Roubem a nossa cultura
e vendam-na de volta, como desenvolvimento.
Falsifiquem a nossa Bíblia e as Escrituras
e vendam-nas de volta a nós próprios, como Israel.

Raja Chemayel
um anão, à beira de Ahmad Fouad Najm.
no oitavo dia do sétimo mês de 2008

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Bolo Rei de Enchidos

Alegrem-se todos os que não são apreciadores do tradicional "Bolo Rei", pois este é uma excelente alternativa.

Ingredientes:





540 g de farinha de trigo T 65
100 ml de leite;
3 ovos + 1 gema;
50 ml de cerveja;
25 ml de água ardente;
100 g de manteiga;
50 ml de azeite;
raspa de 1 laranja;
8 g de sal marinho tradicional;
4 g de fermento seco de padeiro.
* Todos os ingredientes deverão estar à temperatura ambiente.

Recheio e Cobertura
100 g de chouriço;
100 g de presunto;
100 de salpicão;
100 g de moira;
100 g de chouriço de cebola;
100 g de bacon;
50 g de chouriço de porco preto;
folhas de salva q.b.
ramos de alecrim q.b.
100 g de amêndoas com pele:
75 g de pinhões;
50 g de azeitonas pretas;
50 g de azeitonas verdes;
orégãos q.b.
flor de sal q.b.
leite para pincelar.

Preparação:
Preparar a esponja, dissolvendo o fermento no leite morno e juntando 100 g de farinha, misturar bem. Se optar por usar fermento fresco necessita de 20 g (1 cubo). Tapar com película aderente e deixar levedar cerca de 30 minutos, até que duplique de volume e esteja “borbulhante”.
Colocar a restante farinha peneirada num recipiente e abrir um buraco ao centro. Juntar a esponja, os ovos, a manteiga (amolecida) a raspa de laranja; a cerveja, a água ardente, o azeite e o sal. Amassar muito bem, inicialmente a massa é pegajosa, mas aos poucos vai-se tornando elástica e descolando das beiras do recipiente. Formar uma bola e deixar levedar em local aquecido (pode ser dentro do forno no programa para levedar, ou a 40.º). Quando tiver duplicado de volume (após cerca de 2 horas, mas pode precisar de mais tempo) voltar a amassar bem, agora ao esticar a massa deve ser possível ficar bem fina, sem romper. Voltar a deixar levedar até de duplique ou triplique de volume.
  
Montagem:

Verter  a massa sobre uma bancada (ou sobre uma tábua de madeira), salpicada com um pouco de farinha e com as mãos estendê-la, esticando-a até obter um rectângulo.
Cortar o bacon, o presunto e todos  os enchidos em pedaços pequenos, reservando alguns maiores para a decoração.
Saltear o bacon.
Picar as folhas de salva e de alecrim. 
Espalhar sobre a massa o bacon , o presunto, os enchidos, as ervas aromáticas, os pinhões e as amêndoas.

Enrolar com se fosse uma torta.
Formar uma coroa, unindo bem as extremidades (meter uma dentro da outra e pressionar para que fiquem bem juntas).
Transferir para um tabuleiro enfarinhado.
Pincelar com leite.
Decorar com rodelas dos enchidos, tiras de presunto e de bacon, azeitonas, pinhões, amêndoas e ramos de alecrim.
Salpicar com orégãos e flor de sal.


Deixar levedar, num local aquecido (pode ser dentro do forno a 40.º) entre 30 a 45 minutos.
Cozer no forno, pré-aquecido a 200. º, coberto com papel de alumínio, durante 35 minutos. Retirar o papel de alumínio de cozer mais 10 minutos ou até que fique dourado.


domingo, 6 de dezembro de 2015

Portugal , País de idiotas . . . mesmo !




Vivo num país , onde um pouco mais de metade dos cidadãos são uns idiotas chapados , cúmplices deste sistema político , viciado e corrupto , a que teimam em chamar . . . Democracia ! Cúmplices , sim , pois . . . eleições após eleições , vão , com o seu voto , legitimando esta democracia de treta . . . apresentando-se , de livre vontade (o que é espantoso !) , afim de escolherem os "carrascos" que nos irão chicotear a todos , o que é de uma injustiça a toda a prova . . . eu acho .

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

LIBERTEM DEUS !

   Há dias, chocou-me a notícia segundo a qual um poeta palestiniano, preso há cerca de dois anos, foi condenado à morte por "insulto a Deus". Arrepiei-me com esta atitude. Não entendo que se mate em nome de Deus. Um poeta encerra em si a poesia do verdadeiro Deus. Sua graça? Ashraf Fayadh.
   Hoje, li que um físico iraniano foi suspenso por ter "voz demasiado aguda", como se isso fosse sinónimo de feminilidade e, consequentemente, motivo para o retirar do ensino. Ao ler a história verifico que a comissão cultural o questionou sobre que "lugar ocupa Deus nas suas aulas"? A resposta, científica, deve ter-lhe saído de chofre, "a universidade paga-me para dar aulas e, como profissional da matéria, só falo de Física". E faz muito bem, pensei eu. Sua graça? Qasem Exirifard. Não foi condenado à morte, mas não pode ensinar e está revoltado.
   No primeiro caso temos um poeta, no segundo um físico. Vítimas da "presença de um Deus". Mas que raio de Deus é este que mata poetas e expulsa cientistas? Só pode ser um Deus triste que foi aprisionado pelos homens. O mal dos homens foi terem agrilhoado Deus, impedindo-O de desfrutar a sua verdadeira essência, liberdade cheia de amor infinito.
   Comecei a ouvir a falar de Deus desde muito cedo, às tantas ainda não devia saber balbuciar as palavras mais simples. Com o tempo comecei a construir uma ideia a Seu propósito em contraste com o que ia ouvindo. Era comum ouvir que Deus castigava. Sempre que fazia uma "asneira", e deviam ser muitas, massacravam o meu pequeno cérebro com várias frases em que a ameaça e o castigo de Deus eram uma constante. Sempre que acontecia algo a alguém, nomeadamente tragédias, ouvia, invariavelmente,: - "Foi castigo de Deus"! Eu, apesar de não compreender bem o mundo e os homens que me cercavam, comecei a duvidar dessa ideia tenebrosa. Na altura não se podia refilar ou argumentar contra os adultos, padre, professor ou as beatas de farto buço e lenço na cabeça, sempre a ameaçarem, por tudo e por nada, as pobres crianças. Agora, a uma distância muito razoável, consigo analisar o meu sorriso a propósito desses comportamentos, um sorriso cínico a bailar nos lábios de uma criança. Para mim, Deus teria um outro significado, não podia ser nada do que diziam. "Confundia-O" com o cheiro intenso a erva fresca das manhãs de maio, o calor avermelhado que acompanhava o anoitecer prolongado dos dias compridos, quando no cimento brincava com as minhas caricas a fingir de ciclistas da volta a Portugal, ou as noites explosivas de estrelas em que os riscos de Deus se faziam sentir de vez em quando, misturando-se com a suave brisa, a saber a algodão doce, que subia do rio conjuntamente com os sons insistentes das cigarras nas noites de verão. Para mim, isso deveria ser Deus, algo livre, doce, quente, suave e tranquilizador.
   Nunca entendi por que razão O aprisionavam no sacrário. Diziam que Ele estava ali. Era a sua morada. Um dia, sabendo onde o sacristão colocava a chave, atrevi-me a libertá-Lo. Entrei sozinho no templo com dois objectivos, vê-Lo e libertá-Lo. No entanto, ao aproximar-me do altar, uma figura negra e monstruosa, onde conseguia ver apenas o cabeção branco, interpelou-me junto à porta da sacristia: - O que é que estás aqui a fazer? Surpreendido, disse: - Nada! - Nada? A sua voz, tonitroante, assustava qualquer um, até o diabo em pessoa. - Bem, vim ver o menino Jesus! - Tu? Vieste ver o menino Jesus? Desaparece daqui antes que leves uma bofetada. Xô! Fora daqui. Às arrecuas, batendo em tudo, inclusive escorreguei, ferindo um joelho já massacrado, consegui correr pelo templo e fugir. Depois, sentei-me nas escadas de granito, cujo calor conseguiu acalmar o frio que sentia e pensei: - Sacana do padre. Não deixou que libertasse Deus. Ele continua preso!
   Pois. Se os homens deixassem de O aprisionar, o mundo seria muito mais feliz. Deus acabaria por se manifestar de forma livre como só uma criança consegue saber, poupando poetas, físicos e...

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Você sabia isto , da Síria ? . . .


Por Áurea Braga (indicado por Amyra El Khalili)

A família Assad pertence ao Islã tolerante da orientação Alawita.
As mulheres sírias têm os mesmos direitos que os homens ao estudo, à saúde e à educação.
Na Síria as mulheres não são obrigadas a usar burca. A Chária (lei Islâmica) é inconstitucional.
A Síria é o único país árabe com uma constituição laica e não tolera os movimentos extremistas islâmicos.
Cerca de 10% da população síria pertence a alguma das muitas confissões cristãs presentes desde sempre na vida política e social.
Noutros países árabes a população cristã não chega a 1% devido à hostilidade sofrida.
A Síria é o único país do Mediterrâneo que continua proprietário da sua empresa petrolífera, que não quis privatizar.
A Síria tem uma abertura à sociedade e cultura ocidentais como nenhum outro país árabe.
Ao longo da história houve cinco Papas de origem síria. A tolerância religiosa é única na zona.
Antes da guerra civil era o único país pacífico da zona, sem guerras nem conflitos internos.
A Síria é o único país árabe sem dívidas ao Fundo Monetário Internacional.
A Síria foi o único país do mundo que admitiu refugiados iraquianos sem nenhuma discriminação social, política ou religiosa.
Bashar Al Assad tem um suporte popular extremamente elevado.
Sabia que a Síria possui uma reserva de petróleo de 2500 milhões de barris, cuja exploração está reservada a empresas estatais?
Talvez agora consiga compreender melhor a razão de tanto intere$$e da guerra civil na Síria e de quem a patrocina …

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

25/11/2015 Declaração política de Mariana Mortágua no dia seguinte a Cavaco Silva proceder à indigitação de António Costa para primeiro-ministro.

Pão Alentejano com alho e azeite


Ingredientes:
Fatias finas de pão Alentejano (ou semelhante)
Dentes de alho q.b.
Azeite q.b.
Salsa picada q.b. (opcional)

Preparação:
Comece por cortar as fatias de pão finas.
Regue-as com um fio de azeite, distribuindo-o bem por toda a superfície do pão.
Leve ao forno ou torradeira.
Em seguida, pegue num dente de alho e raspe-o (esfregue-o) bem na superfície do pão que contem azeite e leve ao forno por apenas alguns minutos.
Sirva de imediato com, ou sem, salsa picada.

A gastronomia como património cultural
https://www.facebook.com/republicoffoodies

terça-feira, 24 de novembro de 2015

PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NÃO!... (glosa sobre o poema de Ary dos Santos intitulado “Poeta Castrado, Não!”)


Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
cabeçudo, dromedário,
fantoche de eleição,
parvónio, salafrário,
mestre-escola aldrabão,
oportunista, falsário
malabarista, cabrão.
Chamem-lhe o que quiserem:
Presidente da República, não!...

Os que sabem, como ele,
as linhas com que se cose
vêem o interesse dele em manter a sua pose:
egoísta, trambiqueiro
distorce a realidade,
ao escrever cada “Roteiro”,
para ter visibilidade!...

Os que sabem, como ele,
governar-se e encher a pança
aceitam que seja dele
tanta sede de vingança:
Político vingativo e que,
disso, não se cansa,
não quer saber do aflitivo caos
da actual governança!...

O tipo não faz história.
- Sua morte lenta é fatal!...

Irá ficar na memória
como um mesquinho banal!...

O seu fim poderá ser uma penosa agonia!...

O Povo irá fazer dele escárnio, em cada dia!...

Vai acabar por morrer,
ao parir a ninharia só descrita,
a bem dizer,
nos “Roteiros” da fantasia!...

Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Chamem-no até p’lo nome,
Cavaco, sem coração,
ao ver que se passa fome
e nada faz p’la Nação!...

Chamem-lhe o que quiserem,
por justiça ou rejeição:
Demagogo, mau profeta,
falso professor, ladrão,
um narcisista pateta,
quando calado ou não.
Será tudo o que disserem!...

PRESIDENTE DA REPÚBLICA É QUE NÃO!...

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Diferenças: Anos 60 - Anos 2000

Férias.

Anos 1960:
Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, ou passar esses 15 dias na praia do Castelo do Queijo, terminam as férias. No dia seguinte vai-se trabalhar e os miúdos para as aulas.

Ano
s 2000:
Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago, terminam
 as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e caganeira.
Situação: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno.

Anos 1960:
Não se passa nada.

Ano
s 2000:
As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e caganeira.


Situação: O Pedro está a pensar ir até à mata depois das aulas, Assim que entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder cortar uns ramos e fazer uma fisga.

Anos 1960:
O professor vê, pergunta-lhe onde se vendem daquelas navalhas, e mostra-lhe a
 sua, que é mais antiga, mas que também é boa.

Ano
s 2000:
A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro
 para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta da escola.

Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas.

Anos 1960:
Os companheiros animam a luta, puxam por eles, e o Carlos ganha. Apertam as mãos e
 acabam por ir juntos jogar matrecos.

Ano
s 2000:
A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar.
 O Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste em colocar uma equipe de reportagem à porta da escola a apresentar o telejornal, mesmo debaixo de chuva.

Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os colegas.

Anos 1960:
Mandam o Jaime falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca
 de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.

Ano
s 2000:
Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime
 parece um zombie. A escola recebe um apoio financeiro por terem um aluno incapacitado.

Situação: O Luis parte o vidro dum carro do bairro dele. O pai caça um cinto e espeta-lhe umas chicotadas com este.

Anos 1960:
O Luis tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, vai à
 universidade e converte-se num homem de negócios bem-sucedido.

Anos 2000:
Prendem o pai do Luís por maus-tratos a menores. Sem a figura
 paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a sua irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo, bem como o Você na TV do Manuel Luís Goucha.

Situação: O Zezinho cai enquanto praticava atletismo, arranha um joelho. A professora encontra-o sentado na berma da pista a chorar  e abraça-o para o consolar.

Anos 1960:
Passado pouco tempo, o Zezinho sente-se melhor e continua a correr.


Anos 2000:
A professora é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego.
 Confronta-se com 3 anos de prisão. O Zezinho passa 5 anos de terapia em terapia. Os seus pais processam a escola por negligência e a professora por trauma emocional, ganhando ambos os processos.
A professora, no desemprego e cheia
 de dívidas, suicida-se atirando-se de um prédio. Ao aterrar, cai em cima de um carro, mas antes ainda parte com o corpo uma varanda. O dono do carro e do apartamento processam os familiares da professora por destruição de propriedade. Ganham. A SIC e a TVI produzem um filme baseado neste caso.

Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter chamado 'chocolate' ao outro.

Anos 1960:
Depois de uns socos de parte a parte, levantam-se e vai cada um para sua casa.
 Amanhã são amigos.

Anos 2000:
A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma
 grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial. A juventude skinhead finge revoltar-se a respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.

Situação: Fazias uma asneira na sala de aula.

Anos 1960:
O professor espetava-te duas valentes lambadas bem merecidas. Ao chegar a casa o teu pai dava-te mais duas porque 'alguma deves ter feito'

Ano
s 2000:
Fazes uma asneira. O professor pede-te desculpa. O teu pai pede-te
 desculpa e compra-te uma Playstation 3.
 É a vida J

Tango - Genial . . . um espectáculo de humor e criatividade !

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A cor do meu batuque
Tem o toque, tem o som da minha voz
Vermelho, vermelhaço
Vermelhusco, vermelhante
Vermelhão

O velho comunista se aliançou
Ao rubro do rubor do meu amor
O brilho do meu canto tem o tom
E a expressão da minha cor
Vermelho!


You say you don't want me you say you don't care
You say that your heart ain't got no room for me there
You say you don't need me
But I know that it's just a lie

'Cause you call me in the night
Tellin' me your life is better off without me
How come you're sleepin' all alone
Tellin' me you don't ever think about me

Hey you're givin' yourself away
It's there in every move you make
You can't hide your heartache away

Hey it's something you don't have to say
It's written in the tears on your face
I see through the part that you play
You're givin' yourself away

So you got all your freedom and you got all your time
So you got the illusion that you're doin' fine
So you smile in the mirror
Through the sadness your smile can't disguise

Why don't you come right out and say
"Baby you can't take another day without me?"
You know I'm runnin' through your blood
You need me like a drug and you can't live without me

Hey you're givin' yourself away
It's there in every move you make
You can't hide your heartache away

Hey it's something you don't have to say
It's written in the tears on your face
I see through the part that you play
You're givin' yourself away, you're giving yourself away

It doesn't matter what you say
You're givin' yourself away

And when you call me in the night
Tellin' me your life is better off without me
I know that you're lyin' there alone
Baby 'cause I know, you can't live without me

Hey you're givin' yourself away
It's there in every move you make
You can't hide your heartache away

Hey it's something you don't have to say
It's written in the tears on your face
I see through the part that you play
You're givin' yourself away, you're giving yourself away

It doesn't matter what you say
You're givin' yourself away

Hey it's something you don't have to say
It's written in the tears on your face
I see through the part that you play

Hey you're givin' yourself away...

https://www.youtube.com/watch?v=PlBPy...

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Carta dirigida pelo Dr. Frederico de Moura, Médico e Historiador de Vagos, ao Dr. Nogueira de Lemos, Médico Cirurgião de Aveiro


Meu caro Lemos,

É coisa axiomática que o pénis não obedece a freio; e é coisa de esperar que, a natureza o tenha dado a animal que lhe não obedece. Mas como a esta estuporada profissão que exercemos só aparecem anormalidades, aberrações e coisas em desacordo com a natureza, surgiu-me hoje no consultório esse rapazinho que lhe envio, com um freio de tal dureza e de tal conformação que o insubmisso pénis, tradicionalmente indomável, não teve outro remédio senão ceder. Calcule os mistérios e os paradoxos desta ladina natureza! Esse moço, na casa dos 20 anos com uns corpos cavernosos que devem estar isentos de qualquer esclerose ou de qualquer obstrução, e concerteza dispondo de uma libido afinada capaz de lhe fazer sair, erecto, o próprio umbigo, resolve ir para o casamento com os seus (dele) três vinténs e confirma, então a suspeita que já tinha, de que no auge da metálica erecção, o pénis fica em crossa como o báculo de um bispo, por incapacidade de vencer a brevidade e a dureza do freio que lho verga para a terra. Calculará o meu prezado Lemos, as acrobacias de alcova que este desgraçado terá de realizar para conseguir a penetração de um membro viril, quase tão torto como uma ferradura, na vagina suplicante da consorte. De modo que o rapazinho veio pedir-me socorro, e eu condoído peço-lhe a sua colaboração em favor da harmonia conjugal, com a certeza de que por isso ninguém nos irá acoimar de chegadores. Condoa-se a cirurgia de braço dado com a medicina que, por intermédio deste fraco servidor que eu sou, já se condoeu e endireitemos o pénis torto (e nada de confusões, que não é mole pelo que me afirma o proprietário). Lembremo-nos, sobretudo, ao praticarmos esta obra, que vem aí um tempo em que um pénis destes, mesmo em arco ou em forma de saca-rolhas, nos faria um jeitão, e ajudemos o pobre rapaz que se compromete comigo a fazer bom uso dele, emprenhando a mulher da primeira vez que o usar, depois da operação ortomórfica que o meu amigo lhe vai fazer sem sombra de dúvida. Desculpe mandar-lhe desta vez uma tarefa fálica! Ouvi uma mulher um dia dizer que um Phallus é um excelente amuleto e que dá sorte verdadeira. Se quiser tirar a prova não tem mais que endireitá-lo... e jogar a seguir na lotaria. Desculpe, pois, a remessa de bicho tão metediço que eu por mim prometo, logo que possa, e em compensação, mandar-lhe uma vulva virgem e nacarada como uma concha de madrepérola.

Um abraço do seu amigo certo
Frederico de Moura

P.S. – Como a minha letra é muito má segundo a sua opinião, e como o assunto desta carta é muito importante para duas pessoas, uma das quais do sexo fraco, entendi do meu dever dactilografá-la. Assim, não haverá nenhuma razão para que o meu amigo dizer que não entendeu o que eu queria e, por partida, deixar o aparelho na mesma ou pior ao rapaz.
Quero ainda dizer-lhe que para sua compensação, tenciono depois do êxito que o seu ferro cirúrgico vai alcançar, comunicar o seu nome à mulher beneficiada que, por certo, lhe ficará eternamente grata, ficando sempre com a sua pessoa presente na memória nos momentos – e oxalá que sejam muitos! – em que se sentir penetrada por um pénis que só o meu Amigo conseguiu endireitar. E nem sei se o Estado virá louvar a sua acção, se lhe for dado conhecimento que os filhos que saírem daquele casal são devidos em grande parte (não ao seu pénis) mas, sem dúvida, à sua mão.
E filhos com a mão nem toda a gente se poderá gabar de os fazer!

Creia-me seu afeiçoado,
Frederico

27/3/1958

domingo, 25 de outubro de 2015

A Boneca



PARA ONDE VAI O AMOR QUE SE PERDE?

Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência singular.
Passeando pelo parque de Steglitz, em Berlim, encontrou uma menina chorando porque havia perdido sua boneca.
Kafka ofereceu ajuda para procurar pela boneca e combinou um encontro com a menina no dia seguinte no mesmo lugar.
Incapaz de encontrar a boneca, ele escreveu uma carta como se fosse a boneca e leu para a garotinha quando se encontraram. “Por favor, não chore por mim, parti numa viagem para ver o mundo. ”.
Esta foi a primeira de muitas cartas que, durante três semanas, Kafka entregou pontualmente à menina, narrando as peripécias da boneca em todos os cantos do mundo : Londres, Paris, Madagascar…
Tudo para que a menina esquecesse a grande tristeza!
No fim, Kafka presenteou a menina com uma outra boneca.
Ela era obviamente diferente da boneca original.
Uma carta anexa explicava: “minhas viagens me transformaram…”.

Anos depois, a garota agora crescida encontrou uma carta enfiada numa abertura escondida da querida boneca substituta.
Em resumo, o bilhete dizia: “Tudo que você ama, você eventualmente perderá, mas, no fim, o amor retornará em uma forma diferente”.

Pedro Barroso , um resistente e , para mim , o grande trovador da actualidade

Todos os dias "Deus"(?) nos presenteia com o melhor.. E o melhor não está nas grandes coisas da vida. O melhor está na troca das simples alegrias. Está em tudo o que nos faz bem, em tudo o que nos faz feliz.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O LOUCO

NO JARDIM dum manicómio
encontrei um rapaz
de rosto pálido e belo ,
cheio de espanto .

Sentei-me a seu lado
no banco e perguntei-lhe :
— Porque estás aqui ?

Olhou-me assombrado
e disse :
— É uma pergunta indiscreta ,
mas vou responder .

Meu pai queria executar em mim
uma reprodução de si próprio
e o mesmo quis fazer o meu tio .

Minha mãe queria converter-me
na imagem de seu ilustre pai .

Minha irmã fazia
do navegador seu esposo
o exemplo perfeito
que eu devia seguir .

Meu irmão pensava
que eu devia ser como ele ,
um excelente atleta .

Por sua vez os meus professores ,
o doutor em Filosofia ,
o mestre de Música ,
o de Lógica ,
estavam resolvidos ,
cada um deles ,
a que eu fosse apenas
o reflexo do seu rosto no espelho .

Foi assim que vim parar a este lugar .

Acho-o , aliás , mais cordato .

Pelo menos , aqui ,
posso ser eu próprio .

Depois , subitamente ,
voltou-se para mim e perguntou :
— Mas diz-me lá ,
também te trouxeram a este lugar
a educação e o bom conselho ?

— Não , respondi .
Eu sou um visitante .

Então ele disse-me :
— Ah ! Tu és um daqueles
que vivem no manicómio ,
do outro lado do muro .

— Khalil Gibran —

domingo, 4 de outubro de 2015

DECLARAÇÃO de . . . "NÃO VOTO"


Depois deste triste espectáculo , tão lamentável quanto degradante , de actos "libidino- masturbatórios" , públicos e publicitados , que foi a campanha eleitoral e que culminará com os mais variados orgasmos . . .

eu , que sou louco , decidi e declaro que :
(atendendo a que aceitaram as regras do jogo . . .)

- os perdedores , deverão calar-se , amargar e arcar com a azia da derrota (o Kompensan . . . o Vingel e outros , aliviam ! . . .) e esperar quatro anitos , até às próximas eleições , quem sabe . . . terão mais sorte . . .

- os ganhadores continuem a fazer aquilo que melhor fazem . . . (des)governar , governando-se . . .

eu e os outros , que não aceitamos e jamais aceitaremos as regras deste vosso jogo imundo e viciado , continuaremos a "refilar"com toda a legitimidade que nos assiste e a pugnar por uma mudança das regras , mas sempre com uma réstia de esperança de que um dia voltaremos a frequentar uma mesa de voto , cumprindo sim o nosso dever , mas numa Democracia de Verdade . . .

Até lá . . . tudo o que esperamos é que este regime político , esta democracia de treta . . . IMPLUDA de vez !

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Estrumeira Imunda . . .

   Hoje , ao contrário do que vem sendo habitual nos últimos tempos , acordei com uma vontade enorme de me declarar vivo e de ir buscar forças , onde parece já não existirem , para enfrentar , de "peito aberto" , a . . . corja !
   Crise de refugiados . . . de desemprego . . . de ensino . . . de saúde . . . de valores . . . já não tenho pachorra para tanta "crise" ! A única e verdadeira crise , que consigo descortinar , e bem profunda , é a da inteligência e do bom senso , nestes "seres" arrogantes e auto-proclamados de (únicos) animais racionais .
   Sinto nojo e um desprezo muito grande mesmo , por todos esses projectos de gente , que tomaram de assalto e se apoderaram dos mais variados lugares de decisão , neste mundo que é de todos nós e onde , todos , poderíamos e deveríamos viver em perfeita harmonia . Utopia ? Claro que sim , pelo menos de momento , mas tão desejável quanto realizável , assim fosse a vontade de todos . . .

domingo, 20 de setembro de 2015

De onde vêm tantos refugiados? POR PATRICK COCKBURN





Nove guerras civis simultâneas devastam mundo islâmico. Há algo comum entre elas: a destruição dos Estados nacionais árabes e o estímulo ao ultra-fundamentalismo, promovidos por EUA e seus aliados

Por Patrick Cockburn | Tradução: Inês Castilho

São tempos de violência no Oriente Médio e Norte da África, com nove guerras civis acontecendo em países islâmicos, situados entre o Paquistão e a Nigéria. É por isso que há tantos refugiados tentando escapar para salvar suas vidas. Metade da população de 23 milhões da Siria foi expulsa de suas casas; quatro milhões transformaram-se em refugiados em outros países.

Cerca de 2,6 milhões de iraquianos foram deslocados pelas ofensivas do Estado Islâmico, o Isis, no último ano, e se espremem em tendas ou edifícios inacabados. Invisíveis para o mundo, cerca de 1,5 milhão de pessoas foram deslocadas no sul do Sudão, desde que os combates recomeçaram por lá, no final de 2013.

Outras partes do mundo, notadamente o sudeste da Ásia, tornaram-se mais pacíficas nos últimos 50 anos, mas na grande faixa de terra entre as montanhas Hindu Kush e o lado ocidental do Saara, conflitos religiosos, étnicos e separatistas estão destroçando os países. Em toda parte há Estados em colapso, enfraquecidos ou sob ataque; e em muitos desses lugares, as insurgências islâmicas radicais sunitas, em ascensão, usam o terror contra civis para provocar fuga em massa.

Outra característica dessas guerras é que nenhuma delas parece estar próxima do fim, de modo que as pessoas possam voltar para suas casas. A maioria dos refugiados sírios que fugiram para a Turquia, Líbano e Jordânia em 2011 e 2012 acreditava que a guerra acabaria em pouco tempo e elas poderiam voltar. Só perceberam nos últimos dois anos que isso não vai acontecer e que precisam buscar refúgio permanente em outro lugar. A própria duração destas guerras significa uma destruição imensa e irreversível de todos os meios de se ganhar a vida, de modo que os refugiados, que a princípio buscavam apenas segurança, são também movidos por necessidade.



Guerras estão sendo travadas atualmente no Afeganistão, Iraque, Síria, Sudeste da Turquia, Iêmen, Líbia, Somália, Sudão e Nordeste da Nigéria. Algumas começaram há muito tempo, a exemplo da Somália, onde o Estado entrou em colapso em 1991 e nunca foi reconstruído, com senhores da guerra, jihadistas radicais, partidos rivais e soldados estrangeiros controlando diferentes partes do país. Mas a maioria desses conflitos começou após 2001, e muitos depois de 2011. A guerra civil total no Iêmen só começou no ano passado, enquanto a guerra civil turco-curda, que matou 40 mil pessoas desde 1984, recomeçou em julho com ataques aéreos e de guerrilha. É rápida a escalada: um caminhão carregado de soldados turcos foi explodido há poucas semanas por guerrilheiros do PKK curdo.

Quando a Somália caiu, num processo que os EUA tentaram reverter em uma tentativa fracassada de inteverção militar, entre 1992-1994, parecia ser um evento marginal, insignificante para o resto do mundo. O país tornou-se um “Estado fracassado”, frase usada para exprimir pena ou desprezo, à medida em que ele se tornava o paraíso dos piratas, sequestradores e terroristas da Al-Qaeda. Mas o resto do mundo deveria olhar para esses Estados fracassados com medo, além de desprezo, porque foi nesses lugares – Afeganistão nos anos de 1990 e Iraque desde 2003 – que foram incubados movimentos como o Talibã, o Al-Qaeda e o Isis. Os três combinam crença religiosa fanática e conhecimento militar. A Somália pareceu um dia ser um caso excepcional, mas a “somalização” mostrou-se destino de uma série de países — notadamente Líbia, Iraque e Síria — onde até recentemente as pessoas tinham acesso a comida, educação e saúde.

Todas as guerras são perigosas, e as guerras civis sempre se notabilizaram pela impiedade, sendo as religiosas, as piores. É o que está acontecendo agora no Oriente Médio e Norte da África, com o Isis – e clones da Al-Qaeda como Jabhat al-Nusra ou Ahrar al-Sham na Síria. Assassinam ritualmente seus opositores e justificam suas ações alegando o bombardeio indiscriminado de áreas civis pelo governo de Assad.

O que é um pouco diferente nessas guerras é que o Isis faz publicidade deliberada das atrocidades que comete contra xiitas, yazidis ou qualquer outra pessoa que considere seu inimigo. Isso significa que as pessoas apanhadas nesses conflitos, particularmente desde a declaração do Estado Islâmico, em junho do ano passado, sofrem uma carga extra de medo, o que torna mais provável que fujam para não voltar. Isso é verdade tanto para professores da Universidade de Mosul, no Iraque, quanto para moradores dos vilarejos da Nigéria, Camarões ou Mali. Não por acaso, os avanços do Isis no Iraque têm produzido grandes ondas de refugiados , os quais têm uma perfeita ideia do que acontecerá a eles se não fugirem.


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No Iraque e na Siria, estamos de volta a um período de drástica mudança demográfica, jamais vista na região desde que os palestinos foram expulsos ou forçados a fugir pelos israelenses em 1948, ou quando os cristãos foram exterminados ou empurrados para fora do que hoje é a Turquia, na década que se seguiu a 1914. As sociedades multiconfessionais do Iraque e da Síria estão se esfacelando, com consequências terríveis. Potências estrangeiras não sabiam ou não se importavam com os demônios sectários que estavam liberando, nesses países, ao quebrar o velho status quo.

O ex-conselheiro de Segurança Nacional do Iraque, Mowaffaq al-Rubaie, costuma dizer aos líderes políticos norte-americanos, que levianamente sugeriram que os problemas coletivos do Iraque poderiam ser resolvidos dividindo o país entre sunitas, xiitas e curdos, que eles deviam compreender como seria sangrento esse processo, provocando inevitavelmente massacres e fuga em massa “semelhantes aos da partilha da Índia em 1947 “.

Por que razão tantos desses Estados estão caindo aos pedaços e gerando essas ondas de refugiados? Que falhas internas ou insustentáveis pressões externas têm em comum? A maioria conquistou autodeterminação quando as potências imperiais se retiraram, depois da Segunda Guerra Mundial. No final dos anos 1960 e início dos 1970, foram governados por líderes militares que dirigiam Estados policiais e justificavam seus monopólios de poder e riqueza alegando que eram necessários para estabelecer a ordem pública, modernizar seus países, assumir o controle dos recursos naturais e resistir às pressões separatistas sectárias e étnicas.

Eram geralmente regimes nacionalistas e com frequência socialistas, cuja perspectiva era esmagadoramente secular. Por essas justificativas para o autoritarismo serem geralmente hipócritas e auto-interessadas; por mascararem a corrupção generalizada da elite dominante, frequentmente se esquecia que países como o Iraque, a Síria e a Líbia tinham governos centrais muito poderosos por alguma razão – e se desintegrariam sem eles.

São esses regimes que vêm enfraquecendo e estão entrando em colapso em todo o Oriente Médio e Norte da África. Nacionalismo e socialismo não oferecem mais o cimento ideológico para manter juntos Estados seculares ou para motivar as pessoas para lutar por eles até a última bala — ao contrário do que fazem os que creem, em relação ao islamismo sunita de tipo fanático e violento incorporado pelo Isis, Jahat AL-Nusra e Ahrar AL-Sham. As autoridades iraquianas admitem que uma das razões por que o exército de seu país desintegrou-se em 20014 e nunca foi reconstituído com êxito é que “muito poucos iraquianos estão dispostos a morrer pelo Iraque.”

Grupos sectários como o Isis cometem deliberadamente atrocidades contra os xiitas, sabendo que isso irá provocar retaliação contra os sunitas — o que os deixará sem alternativa senão ver no Isis seus defensores. Fomentar o ódio comunal trabalha a favor do Isis, e está contaminando as comunidades, umas contra as outras, como no Iêmen, onde anteriormente havia pouca consciência da divisão sectária, embora um terço de sua população de 25 milhões pertencessem à seita xiita Zaydi.

A probabilidade de fugas em massa torna-se ainda maior. No início deste ano, quando houve rumores de um ataque do exército iraquiano e de milícias xiitas, para recapturar a cidade de Mosul, esmagadoramente sunita, a Organização Mundial de Saúde e o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) começaram a estocar comida para alimentar um milhão de pessoas a mais, que calcularam em fuga.

Os europeus foram sacudidos pelas fotos do pequeno corpo inerte de Alyan Kurdi numa praia na Turquia e por sírios quase mortos de fome amontoados em comboios húngaros. Mas no Oriente Médio, a nova diáspora miserável dos impotentes e despossuídos é evidente há três ou quatro anos. Em maio, eu estava prestes a cruzar o rio Tigre entre a Síria e o Iraque, num barco com uma mulher curda e sua família, quando ela e seus filhos foram colocados pra fora por causa de uma letra errada em um nome, em seus documentos.

“Mas estou há três dias com minha família na beira do rio!”, ela gritou desesperada. Eu estava indo para Erbil, a capital curda, que até um ano atrás aspirava ser “a nova Dubai”, mas agora está cheia de refugiados amontoados em hotéis inacabados, shoppings e quarteirões de luxo.

O que precisa ser feito para deter tais horrores? Talvez a primeira pergunta seja como evitar que fiquem piores, recordando que cinco das nove guerras começaram a partir de 2011. A presente crise dos refugiados na Europa é muito mais o impacto real, sentido pela primeira vez, do conflito na Siria sobre o continente. É verdade: o vácuo de segurança da Líbia significou que o país é agora o canal de fuga, para as pessoas dos países empobrecidos e atingidos pela guerra às margens do Saara. É pela costa libia, de 1,8 mil quilêmetros, que 114 mil refugiados passaram até agora, este ano, em direção à Italia, sem contar os vários milhares que se afogaram pelo caminho. Ainda assim, embora tão ruim, a situação não é muito diferente da do ano passado, quando 112 mil fizeram essa rota para a Itália.

Bem diferente é a guerra na Síria e no Iraque, onde saltou de 45 mil para 239 mil, no mesmo período, o número de pessoas que tentam alcançar a Grécia pelo mar. Por três décadas o Afeganistão produziu o maior número de refugiados, de acordo com a Acnur. Mas no ano passado, a Siria tomou seu lugar, e um em cada quatro novos refugiados, um agora é sírio. Uma sociedade inteira foi destruída, e o mundo fez muito pouco para deter esses acontecimentos. Apesar de uma recente onda de atividade diplomática, nenhum dos muitos atores na crise síria mostra urgência na tentativa de acabar com eles.

A Síria e o Iraque estão no centro das crises atuais de refugiados também de uma outra maneira. É lá que o Isis e grupos tipo al-Qaeda controlam parte significava do território e conseguem espalhar seu veneno sectário para o resto do mundo islâmico. Eles revigoram as gangues de matadores que operam mais ou menos do mesmo modo — estejam na Nigéria, no Paquistão, no Iêmen ou na Síria.

A fuga em massa de pessoas vai continuar enquanto a guerra na Síria e no Iraque continuarem.

Medo dos refugiados? Tenho é medo de idiotas.


September 10, 2015



A ignorância nem sempre é uma bênção. A ignorância misturada com uma boa dose de medo face ao estranho, facilmente se torna e desemboca num ódio pouco fundamentado mas fundamentalista que tantas vezes ao longo da história deu, e passando a expressão, em “merda”.

E esse ódio que por aí vejo, que por aí se sente e que por aí se tem levantado leva-me hoje a escrever sobre a onda de migração para a europa resultante de conflitos bélicos que de uma ou de outra forma estamos todos a par. Esta obrigação ou sentimento de obrigação de partilhar o meu ponto de vista, resulta, não só do meu interesse geral nos problemas sócio e geopolíticos que se apresentam contemporaneamente e do meu gosto para discutir e partilhar visões mas sobretudo, desta vez, pela vergonha que senti ou que sinto em ser parte da humanidade.

Não obstante, e acabado este género de prólogo, a minha opinião sobre o tema, e fácil será de perceber que está muito longe de ser a mesma de aqueles que com quem infelizmente partilho um código genético suficientemente semelhante para me encontrar agrupado na mesma espécie, é resumida a uma frase: A Europa e o mundo ocidental tem uma obrigação moral e civilizacional para abrir as fronteiras e ajudar em todas as vertentes todos, e sem exceção, refugiados de guerra de todos os países que se encontrem sobre contingências bélicas. Esta obrigação resulta por um lado da responsabilidade humanística da questão e por outro da própria interferência do ocidente nestes cenários de guerra e até por questões históricas de ingerência política e estrutural de todo o continente africano e médio oriente.

O ato de abrigar todos os homens, mulheres e crianças que fogem a um conflito armado deveria ser argumento único para uma sociedade ficar satisfeita de estar na vanguarda da defesa da humanidade no geral e em particular na defesa dos oprimidos e mais desfavorecidos. Mas não o é e não o sendo vemo-nos todos, todos os humanistas, a ter de descer a um nível na escada da evolução para explicar a ignorantes, fascistas, racistas, xenófobos, intolerantes, cristãos radicais entre outros, a necessidade de fazer valer sempre a maior de todas as virtudes que é a defesa intransigente da vida humana. E que da mesma forma que nós os democratas e humanistas temos de ser tolerantes perante a idiotice crónica, eles também o vão ter de ser com os refugiados acolhidos porque assim nós o exigimos. Caso contrário, a justiça deve ser implacável com qualquer movimento extremista e qualquer tipo de ofensa gratuita, verbal ou física a quem aqui vem tentar refazer a vida.

Na generalidade todas as forças e instituições de esquerda, onde eu próprio milito ativamente têm cumprido o seu papel na defesa desta causa, mas congratulo-me ainda por ver responsáveis por entidades com as quais não me identifico como a Igreja Católica através do seu papa ou a Alemanha de Angela Merkel a tomarem posições firmes na defesa aos refugiados. Nem tudo é e chega a ser tão mau e assim se restaura um pouco a fé na humanidade.

Mas tudo o resto volta a fazer com que chegue a ter vergonha de ser humano e não fossem as opiniões e argumentos que leio tão graves que pensaria que se trataria de um qualquer fraco sketch de humor. E de facto só a falta de perspicácia ou inteligência pode justificar certos argumentos que se tornam fatalmente irónicos e que acabam por fazer escárnio dos próprios autores. Argumentos do revivalismo fascista a apelar a um sebastianismo de Salazar ou Hitler para defender uma pátria livre sem multiculturalismo, percebem a ironia? Talvez não porque muitos dos que proferem eventualmente não estariam dentro dos padrões étnicos e raciais requisitados sobretudo por Hitler ou fariam parte da vaga migrante que saiu do país com o Salazar ao comando. Ou argumentos de uma possível islamização do continente europeu apoiados em estatísticas mirabolantes de que 10% (já li dos 10% a 100%) dos muçulmanos são terroristas, ou que nos vão obrigar a usar todos burcas e violar as nossas mulheres e crianças ou melhor, que nos vão obrigar a construir mesquitas e converter tudo e todos às suas formas de vida, tornam-se ridículos e fazem dos que proferem estas anormalidades fundamentalistas religiosos, percebem a ironia? Talvez não porque o cristianismo é que é a verdadeira religião e o resto são terroristas. Aliás, na cabeça destes seres humanos, com o devido respeito a quem como eu pertence à mesma espécie, é que um cristão que cometa um homicídio é um criminoso, um muçulmano é um terrorista independentemente dos motivos criminais de um e de outro. Chamar lixo humano a migrantes quando vimos dum país que em toda a sua história migrou pelas mais variadíssimas razões (e sim também chegámos a sair do país para fugir da guerra ou da ditadura) torna a quem usa estes argumentos no lixo humano, uma espécie de “quem o diz é quem o é”, percebem a ironia? Talvez não. Ah! e não, os sírios e os restantes islamitas não nascem de AK47 numa mão e bomba na outra.

É triste ler e ler e continuar a ler notícias de gente, pessoas, humanos, homens, mulheres e crianças que morrem todos os dias a atravessarem o mar a fugir de uma guerra que não é deles. Mais triste, muito mais triste é ler e ler e continuar a ler que se refugiam nos seus medos e levantam as bandeiras neofascistas e falsamente patrióticas para defenderem coisas que no século XXI são indefensáveis. E sim, xenófobas e racistas é exatamente o que este tipo de gente é e é por isso que são acusados de tal e portanto não há que ter medo de chamar os bois pelos nomes, passando ou não a expressão.

A acrescentar aproveito para chamar a atenção às fontes de informação que citam para suportar os vossos medos xenófobos; porque ir à internet e ler em blogs que entraram 4.000 soldados do estado islâmico ou que na Noruega 100% dos violadores são estrangeiros ou que até 2020 haverá um califado em Portugal, é só e mais uma vez idiotice e fica-vos mal, sejam mais inteligentes.

Para terminar, gostaria de acreditar que nós somos mais e melhores do que eles, e com eles refiro-me aos fascistas, racistas e xenófobos (sim, não vou parar de vos catalogar só porque esse fascismo, racismo ou xenofobia advém da ignorância) e que portanto continuo a ter fé na humanidade e que caminhamos sempre numa melhor direção e para um futuro melhor. Sempre com a premissa e dou-me orgulhoso por isso, que posso chamar irmão seja a quem for independentemente da sua religião, raça, etnia ou opção política. É isto que faz de mim livre e é isto que faz de mim feliz mas acima de tudo é o que faz de mim humano. E porra, deve ser tão triste ser tão limitado e tão pequeno.


Um abraço a todos.


Alexandre Hoffmann
em Ala Magna