domingo, 26 de julho de 2026

Convenceram-te de que o sol, o sal e a gordura te vão matar.




Criaram programas mentais baseados nos teus medos, para te encherem de substâncias sintéticas.
Foi assim que enriqueceram.

Entre 1976 e 2026, a taxa de obesidade triplicou, enquanto tu seguias as regras que eles impuseram.

Aqui estão algumas das “mentiras” que criaram uma epidemia:

1. A gordura faz-te engordar!

Cada célula do teu corpo é envolvida por gordura. O teu cérebro é composto em grande parte por gordura. As tuas hormonas são produzidas a partir de gordura.

No entanto, disseram-te que a gordura te deixava doente e convenceram-te a substituí-la por alimentos “sem gordura”, carregados de açúcar.

Quando o consumo de gordura diminuiu, a obesidade e a diabetes dispararam.

O verdadeiro perigo nunca foi a gordura; ela era uma mina de ouro.

Retiraram o combustível natural do organismo, substituíram-no por hidratos de carbono baratos provenientes do milho e da soja e criaram dependência.

2. A luz do sol provoca cancro!

A luz solar estimula o sistema imunitário, ajuda a equilibrar as hormonas, melhora o humor, fortalece os ossos e pode contribuir para uma vida mais longa.

Custo zero. Sem efeitos secundários.

Podes beneficiar dela todos os dias. Não existe nenhum comprimido que substitua isso.

Disseram-te para teres medo do sol e usares protetor solar.

Os protetores solares contêm substâncias químicas que podem interferir com o sistema hormonal e, bloquear a produção de vitamina D.

Não é sobre a tua saúde, é sobre lucro.

3. O pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia!

Durante grande parte da história da humanidade, o pequeno-almoço como o conhecemos hoje não existia.

As pessoas levantavam-se com o nascer do sol, trabalhavam, caçavam e comiam quando havia comida disponível, muitas vezes apenas ao meio-dia ou ao final do dia.

O verdadeiro perigo não é saltar o pequeno-almoço; é comer constantemente ao longo do dia.

As empresas de cereais precisavam de transformar cereais baratos em ouro, por isso disseram-te para começares cada dia com açúcar dentro de uma caixa!

4. A guerra contra o colesterol!

Metade das pessoas que morrem de ataque cardíaco têm níveis normais de colesterol.

Muitas pessoas com colesterol mais elevado vivem mais tempo.

Mesmo assim, disseram-te que esta molécula essencial era uma bomba-relógio.

O verdadeiro perigo nunca foi o colesterol. Foram o stress crónico e uma alimentação de má qualidade.

O colesterol é matéria-prima para as hormonas, para o funcionamento do cérebro e para a reparação das células.

Em vez de se abordar a alimentação e o estilo de vida, são prescritos milhões em medicamentos que bloqueiam processos do organismo.

Criou-se um mercado de milhares de milhões de euros com clientes para toda a vida.

5. O flúor protege os teus dentes!

Isto é uma estratégia de marketing!

Uma forma de eliminar resíduos industriais sem pagar pelo seu tratamento.

Doses elevadas podem estar associadas a alterações da tiroide, redução do QI e problemas ósseos.

6. O sal aumenta a tensão arterial!

Disseram-te que o sal iria destruir o teu coração e convenceram-te a eliminá-lo da alimentação.

Entretanto, populações que tiveram dietas ricas em sal durante séculos apresentaram taxas baixas de hipertensão.

Depois apareceram os alimentos processados e o açúcar.

Tudo mudou.

O verdadeiro perigo nunca foi o sal; foi a falta de minerais.

Enquanto tinhas medo do sal, incentivavam-te a consumir açúcar, óleos vegetais refinados e alimentos ultraprocessados — fatores associados a problemas cardiovasculares.

Eliminar o sal não foi proteção, mas sim uma forma de te induzir em erro.

Não estás doente, tens falta de nutrientes, acumulação de toxinas e emoções por resolver!

Tudo é tratado com medicamentos, apesar de o organismo poder recuperar o equilíbrio naturalmente.

Porque a indústria farmacêutica precisa de prosperar!

Enquanto isso, as pessoas estão cada vez mais doentes e dependentes de substâncias sintéticas.

Podes sair deste ciclo vicioso através de informação correta.

Apenas precisas de desconstruir os programas mentais que foram criados com base no teu MEDO DA MORTE.

No fundo, tudo se resume a isto: MEDO.

E para eles isso é muito simples.

Quando perceberes que existe outra forma de olhar para a saúde, serás uma pessoa diferente.

Atreve-te!

quarta-feira, 22 de julho de 2026

 


Raquel Varela


Talvez o mais interessante testemunho seja o do aluno que teve 19 mas diz que não fez metade do exame, porém "não vai recorrer". A escola, locus do rigor, passa, com este processo, a catedral da mentira.
Todas as piadas são impossíveis porque o irracionalismo tomou conta da actualidade, a proximidade de Fernando Alexandre a Trump e à IL não é só partidária, é inesquecível aquele momento "se alguma coisa tivesse corrido muito mal", como distinguir de Trump e ganhámos as guerras todas enquanto somos derrotados? Não há nada a conversar com o Ministro porque, tal como Trump, trata-se do campo, amplamente estudado nestas décadas, da emergência de um novo tipo de filosofia dominante na burguesia, o irracionalismo. Não há verdade, razão, totalidade, apenas subjectividade, intuição, irrazão. Cada um diz o que quer porque cada um tem a sua verdade. É o túnel do obscurantismo. Não há debate possível com estas pessoas, porque não há critério de verdade.
Ontem o jornalismo Miguel Carvalho publicou uma crónica onde faz as ligações do Ministro Fernando Alexandre a grupos de lobby (thinktank) ultra liberais norte -americanos com o objectivo de lucrar com os impostos públicos que eram para a educação. Em Espanha e Brasil grupos de investigação na Universidade publicaram as ligações entre os thinktanks liberais e os fundos de investimento bancários norte-americanos na IA e na digitalização (trabalho que está por fazer em Portugal, onde só foi publicada a empresa que basicamente tira fotocópias, o mordomo), tentando fazer com que a bolha especulativa (apostas) dos donos da IA e tecnologia não rebente. O que, já volto aos exames, como demonstrou o economista Michael Roberts no Jornal Maio, é impossível já que o valor dos investimentos em que apostaram é muito superior à realidade. O que estou a dizer é que mesmo que acabassem com todos os professores e colocassem todos os alunos 8 horas por dia a carregar em botões doentes não conseguiram fazer dinheiro real para pagar as apostas que fizeram. A IA não é inovação, mas economia de guerra. (um dia voltarei ao tema).
Bom, mas agora o importante é dizer o seguinte, há muita gente chateada porque a digitalização correu mal, mas António Teodoro, que foi líder da Fenprof, recorda neste belíssimo e imperdível artigo que qualquer exame que possa ser digitalizador não é exame, não é educação, não é avaliação. Texto tão corajoso que diz o seguinte - avaliar é um processo subjectivo. Grande!
Teodoro está historicamente ligado a uma forma de sindicalismo de pacto social - o da Fenprof de que foi fundador a seguir à revolução- que não é o meu (o meu é o da independência dos sindicatos contra o Estado), mas este artigo demonstra bem como os sindicatos hoje estão a milhas do elementar que já foram em termos de ideias. E não falo só da Fenprof, quem não estude a fundo o que é a educação, não consegue pensar estrategicamente, mesmo lutando. Luta, mas não sabe para onde. Este é um artigo que subscrevo de alto a baixo e que devia ter orientado toda e qualquer comunicação dos sindicatos e partidos de esquerda. Andam a criticar a "incompetência" do processo quando a questão é só uma - exames digitais não medem nada na educação, são apenas e só a forma de acabar com o professor e com o aluno, e fazer da escola coutada privada de empresas.
"As dificuldades verificadas na realização digital dos exames nacionais desencadearam um intenso debate público. Falhas técnicas, plataformas instáveis, dificuldades de acesso e problemas organizativos ocuparam naturalmente o centro das atenções. Tudo isso merece ser discutido e corrigido. Mas concentrar o debate apenas nesses aspetos é correr o risco de confundir os sintomas com o problema principal.
Há muito que a investigação em educação chama a atenção para um aspeto essencial: o conhecimento não é uma simples acumulação de informações ou respostas corretas. Aprender implica estabelecer relações, construir coerência, desenvolver formas de pensamento e de argumentação. É precisamente por isso que a avaliação escolar nunca pode ser reduzida a um mero exercício técnico de medição. Ela envolve sempre uma determinada conceção do que significa conhecer, compreender e pensar.
A questão decisiva, portanto, não é a digitalização dos exames. É a conceção de avaliação que a digitalização tornou possível.
Até há poucos anos, a logística da correção impunha limites relativamente claros. Em regra, um professor lia integralmente a prova de um aluno, acompanhava o seu raciocínio e formulava um juízo global sobre o desempenho demonstrado. Hoje, a tecnologia permite outra realidade: a fragmentação da prova em múltiplos itens, distribuídos por diferentes classificadores. Um professor corrige apenas uma questão; outro, uma resposta de desenvolvimento; outro ainda, um conjunto específico de itens. Nenhum lê o exame na sua totalidade.
Esta transformação remete-nos para um conceito clássico da sociologia do trabalho: o taylorismo. No início do século XX, Frederick Taylor defendeu que qualquer processo complexo poderia tornar-se mais eficiente através da divisão do trabalho em tarefas simples, repetitivas e rigorosamente normalizadas. A produtividade aumentava, avariabilidade diminuía, mas o trabalhador deixava de dominar o processo global. Tornava-se especialista numa pequena parcela da produção.
Algo semelhante parece estar a acontecer na avaliação escolar.Os defensores deste modelo invocam frequentemente a docimologia, a ciência dos exames, e fazem-no com fundamento. Desde os trabalhos pioneiros de Henri Piéron, sabemos que diferentes professores podem atribuir classificações distintas à mesma prova. A avaliação não é um ato puramente mecânico e está sujeita a variações de julgamento. A docimologia constituiu, por isso, um avanço importante ao chamar a atenção para a necessidade de critérios claros, formação dos classificadores e procedimentos que reduzam a arbitrariedade.Mas a lição da docimologia é mais complexa do que muitas vezes se admite. Os seus autores distinguiram sempre entre dois conceitos fundamentais: fiabilidade e validade.A fiabilidade refere-se à consistência dos resultados: diferentes classificadores atribuem classificações semelhantes à mesma prova? A validade coloca uma questão mais exigente: estamos efetivamente a avaliar aquilo que pretendemos avaliar?
Ora, as medidas destinadas a aumentar a fiabilidade podem, paradoxalmente, enfraquecer a validade.A correção fragmentada por itens tende, em princípio, a produzir maior uniformidade classificativa. Mas pode fazê-lo à custa da compreensão global do pensamento do aluno. O conhecimento não se apresenta sob a forma de respostas isoladas. Manifesta-se através da coerência de um raciocínio, da capacidade de estabelecer relações entre conceitos, de construir uma argumentação consistente ou de ultrapassar um erro inicial no desenvolvimento subsequente.Um professor que lê integralmente uma prova consegue, pelo menos potencialmente, apreender essa dinâmica. Pode distinguir uma formulação infeliz de uma incompreensão profunda, perceber a lógica interna de um argumento ou reconhecer formas de pensamento que escapam a uma leitura fragmentária.
Quem corrige apenas um item não dispõe dessa possibilidade. Avalia uma resposta, mas dificilmente avalia um pensamento.O paradoxo torna-se então evidente. Em nome da objetividade e da precisão técnica, corre-se o risco de perder precisamente aquilo que a escola deveria procurar reconhecer: a qualidade do raciocínio, a integração dos conhecimentos e a capacidade de pensar.
Esta questão remete-nos para um problema mais amplo: a transformação da própria profissão docente.
Durante muito tempo, o professor foi concebido como um profissional dotado de capacidade de julgamento. O seu trabalho implicava interpretação, deliberação e responsabilidade. Esse julgamento não era sinónimo de arbitrariedade; assentava em conhecimento especializado, experiência profissional e critérios partilhados.
Nas últimas décadas, porém, tem-se afirmado um paradigma diferente. Inspiradas pelas orientações da chamada Nova Gestão Pública, numerosas políticas educativas têm procurado substituir a confiança nos profissionais por sistemas de controlo baseados em indicadores, protocolos e procedimentos padronizados. A promessa é conhecida: reduzir a subjetividade, aumentar a transparência e tornar os processos mais eficientes.Mas permanece uma questão fundamental: será toda a subjetividade um defeito? Ou existirá uma forma de julgamento profissional — fundamentada, escrutinável e responsável — que nenhuma grelha de classificação consegue substituir?
A obsessão contemporânea pela medição tende a esquecer uma evidência simples: nem tudo o que é importante pode ser decomposto em unidades independentes sem perda de significado. Uma sinfonia não é apenas a soma das notas que a compõem. Um romance não se reduz à soma das suas frases. Também um exame não é apenas a soma dos seus itens.A digitalização dos exames não é, portanto, o verdadeiro tema deste debate. Ela constitui apenas o instrumento que tornou tecnicamente possível aplicar à avaliação escolar uma lógica de organização do trabalho baseada na fragmentação, na especialização e na estandardização dos procedimentos.
Está em discussão uma escolha política e pedagógica sobre o significado da avaliação e sobre o próprio lugar dos professores na escola. Queremos docentes capazes de exercer um julgamento profissional sobre o conhecimento dos alunos ou especialistas na aplicação uniforme de grelhas de classificação?
A questão que importa colocar é outra: quando nenhum professor lê integralmente uma prova, quem avalia verdadeiramente o pensamento do aluno?A resposta é, no mínimo, inquietante.Porque o que está em causa é mais do que uma inovação tecnológica ou um problema organizativo. Está em discussão uma escolha política e pedagógica sobre o significado da avaliação e sobre o próprio lugar dos professores na escola. Queremos docentes capazesde exercer um julgamento profissional sobre o conhecimento dos alunos ou especialistas na aplicação uniforme de grelhas de classificação?
A resposta a esta pergunta ajudará a definir não apenas o futuro dos exames, mas também o futuro da profissão docente. E da própria escola, enquanto espaço de formação do pensamento, de construção do conhecimento e de reconhecimento da complexidade humana que nenhum algoritmo ou grelha de classificação consegue inteiramente capturar." (Público)