terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O LOUCO - Khalil Gibran



NO JARDIM dum manicómio
encontrei um rapaz
de rosto pálido e belo ,
cheio de espanto .

Sentei-me a seu lado
no banco , e perguntei-lhe :
- Porque estás aqui ?

Olhou-me assombrado ,
e disse :
- É uma pergunta indiscreta ,
mas vou responder .

Meu pai queria executar em mim
uma reprodução de si próprio ,
e o mesmo quis fazer meu tio .

Minha mãe queria converter-me
na imagem de seu ilustre pai .

Minha irmã fazia
do navegador seu esposo
o exemplo perfeito
que eu devia seguir .

Meu irmão pensava
que eu devia ser como ele ,
um excelente atleta .

Por sua vez os meus professores ,
o doutor em Filosofia ,
o mestre da Música ,
o de Lógica ,
estavam resolvidos ,
cada um deles ,
a que eu fosse apenas
o reflexo do seu rosto no espelho .

Foi assim que vim parar a este lugar .

Acho-o aliás mais cordato .

Pelo menos , aqui
posso ser eu próprio .

Depois , subitamente ,
voltou-se para mim e perguntou :
- Mas diz-me lá ,
também te trouxeram a este lugar
a educação e o bom conselho ?

- Não , respondi .
Eu sou um visitante .

Então ele disse-me :
- Ah ! Tu és um daqueles
que vivem no manicómio ,
do outro lado do muro .

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