quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A minha priminha . . .


She ou E.L.A.

(1996- três anos antes da doença)

Uma das minhas músicas favoritas é "She", cantada pelo Charles Aznavour e sempre que falo na minha doença, apetece-me cantá-la...


Pois é... desde 1999 que convivo com E.L.A.!


Esclerose Lateral Amiotrófica
(Esclerose Lateral Amiotrófica significa, rigidez=esclerose, lateral porque geralmente ataca um dos lados primeiro e Amiotrófica porque provoca atrofia dos músculos. Na verdade o nome em si é um eufemismo porque com o tempo provoca a total paralisia do doente, incapacita a deglutição de alimentos e a capacidade de falar, por fim quando ataca os músculos respiratórios causa a morte do doente. A esperança de vida varia de individuo para individuo mas para mais de 60% dos doentes situa-se entre 2 a 5 anos. É talvez uma das doenças mais cruéis que existem porque o doente assiste impotente à semanal e progressiva perda das suas capacidades, sabendo que continua sem ser conhecida causa ou cura para a doença.)



Chamo-me Rosário Sarabando e desde Junho de 99 que convivo com uma doença neuromuscular.
É uma doença degenerativa, progressiva, rara, chamada Esclerose Lateral Amiotrófica (E.L.A.). Se não fosse tão grave, até tinha um nome simpático… ELA!!!
Até ao nascimento do meu primeiro filho (planeado e muito desejado), tive uma vida normal.
Estudei (11ºano), trabalhei numa perfumaria, pratiquei exercício físico num ginásio (para não engordar) … e desfrutava os pequenos prazeres da vida (felizmente que assim foi)!
Até ao dia…
20 de Junho 1999
O momento tão ansiado tinha chegado…
Durante 9 meses em «estado de graça», ia finalmente conhecer o meu filhote!
Durante 9 meses eu imaginei aquele momento (o milagre da vida), no qual o bebe é posto em cima da barriga da mãe…
Mas isso não aconteceu…
O João nasceu de cesariana com anestesia geral!
Mas esta era apenas uma contrariedade… o pior estava para vir!
15 dias depois…
Já não dormia desde o nascimento do João…
As dores nos músculos trapézios eram tão fortes e tão intensas que não aliviavam com nenhum analgésico.
Passei por um ortopedista no SAP de Aveiro…
Os sintomas confundiam-se, afinal, eu tinha acabado de ter um filho!
3 Meses depois
O meu andar tinha-se modificado (andava como os patos).
Subir ou descer escadas, escovar os dentes, abotoar uma blusa, calçar-me… nada disto era mais tarefa fácil!
Passei por mais um ortopedista, fiz fisioterapia… e piorava de dia para dia!
Janeiro 2000 (7 meses depois)
Com bastante dificuldade ainda fazia tudo…
As quedas aumentaram de frequência. O cansaço era inexplicável. Os tratamentos de fisioterapia não estavam a resultar! Porquê?!?
O meu bebé precisava de mim!
O meu marido trabalhava por turnos e quando trabalhava de noite, eu dormia no chão da sala (o meu quarto ficava no 1ºandar). E, para conseguir levantar-me, precisava de apoio…
Então, estando no chão arrastava-me até à banca da cozinha… aí agarrava-me à banca e levantava-me para preparar o biberão para alimentar o meu filho.
Ainda conduzia e apesar da dificuldade ainda caminhava sem apoio.
Foi em Janeiro de 2000 que tive a 1ªconsulta de Neurologia, em Aveiro, com o Dr. João Ramalheira.
Fevereiro 2000 (8 meses depois)
2ªconsulta com o Dr. João Ramalheira.
Após os inconclusivos exames, o Dr. João Ramalheira, encaminha-me para o Serviço de Neurologia do Hospital de Sto António, no Porto.
Março 2000 (9meses depois)
Fico internada para exames… dolorosos exames!
Punção lombar, biopsia do musculo, electromiografia, ressonância magnética, entre outros.
Dia 16/03/2000 (9 meses depois)
Neste dia o Sol já não brilhava e o Céu já não era azul…
A minha vida tinha viajado (só com bilhete de ida) e não me tinha avisado!!
Eu tinha uma doença altamente incapacitante e incurável, a ELA!
A esperança de vida era de 3 a 5 anos… e agora?
O meu pequenino e o meu marido… precisavam de mim!
Eu queria ver o meu filho crescer!
Eu não tinha o direito de «prender» o meu marido ao meu lado! Com o meu coração apertadinho, dei-lhe liberdade de escolha! Ou optava por refazer a vida dele ou ficava comigo, tendo a consciência de que eu iria chegar à dependência total num curto espaço de tempo…
A resposta veio através de um…
- Chiiiiuuu!
O abraço que se seguiu, não precisou de palavras…
Os dados estavam lançados!
Apesar de eu estar confusa, fragilizada e magoada com esta valente partida que a vida tinha resolvido pregar-me, só me restavam duas alternativas: ou «carpia» a minha mágoa e revoltava-me infernizando a minha vida e a dos que me rodeavam, ou LUTAVA!!!
Optei pela 2ª… o meu filho e marido mereciam que eu o fizesse.
Um excerto (entre outros) do livro Maktub do Paulo Coelho não saia da minha cabeça.
Vou partilha-lo convosco…
«Milton Eriksson é o autor de uma terapia que começa a ganhar milhares de adeptos nos E.U.A. Aos doze anos de idade, foi vítima de poliomielite. Dez meses depois de contrair a doença, ouviu um médico dizer aos seus pais:
- O vosso filho não passa desta noite.
Eriksson ouviu, imediatamente, o choro da sua mãe. Quem sabe, se eu passar desta noite, ela talvez não sofra tanto pensou.
E decidiu não dormir até ao amanhecer.
De manhã, gritou para a mãe:
- Eh, continuo vivo!
A alegria em casa foi tanta que, a partir daí, resolveu resistir sempre mais um dia, para adiar o sofrimento dos pais.
Morreu aos 75 anos, em 1990, deixando uma série de livros importantes sobre a enorme capacidade que o homem possui para vencer as suas próprias limitações.»
Para adiar o sofrimento dos «Meninos dos Meus Olhos», não ‘durmo’ há 7 anos!
Maio 2000 (10 meses depois)
Uso uma bengala como apoio
Arrasto pelo chão a cadeirinha-auto do meu filho para conseguir levá-lo para o infantário
Setembro 2000 (15 meses depois)
Mudamos de casa, pois as escadas tornam-se muito perigosas para mim e para o João que tinha começado a andar
Da bengala passo para as canadianas
Deixo de conduzir
Ano 2001 (2 anos depois)
Das canadianas para o andarilho foi um passo
O medo de cair em cima do João faz-me entrar em pânico, mas não o demonstro
Durante a tarde uma senhora assegura as lidas domésticas (limpeza da casa e roupa) e eu com um esforço sobre-humano, estou a cozinhar o jantar (para o fazer, demoro a tarde inteira… pudera, com o andarilho atrás de mim!!!)
Das 18h às 20h uma ama dá banho e jantar ao João
Ano 2002 (3 anos depois)
A cadeira de rodas começa a fazer-me companhia, não a encaro como uma ameaça mas sim como um mal necessário… imaginem-me sem cadeira!!! Impensável!
A parte respiratória ainda não está comprometida, pelo que o meu filhote ouve tudo o que lhe digo com muita atenção!
O João começa a perceber que algumas vezes tem que ficar sozinho comigo durante a noite (o que lhe provoca insegurança), para que o pai vá trabalhar. Houveram episódios que, pela sua carga dramática, me fazem sofrer e por conseguinte não os quero reviver.
Ano 2003 (4 anos depois)
Enquanto eu fico mais dependente, o João fica mais independente…
As despesas com «mão-de-obra», começam a pesar e o «pé-de-meia» desaparece…
Depois de escrever uma carta à G.N.R., expondo todas dificuldades, o meu marido passa a trabalhar; ou das 7h às 13h ou das 13h às 19h
A ama do João vai embora porque o pai, agora e felizmente, assegura esse serviço (fica a Sra. da limpeza da casa e da roupa, de 2ª a 6ª)
Aos fins-de-semana, no entanto, o João continua sozinho comigo uma vez que o pai vai trabalhar e o infantário fecha
Ano 2004 (5 anos depois)
As despesas da empregada mais a prestação da casa são incomportáveis
O meu marido sob a minha orientação, assegura agora o serviço todo
A minha fala vem ficando bastante alterada
Sinto-me a ficar «trancada», completamente encarcerada no meu corpo
Ano 2005 (6 anos depois)
Foi um ano muito difícil… o meu marido anda esgotado! (é Homem!!!)
Agora passo muito tempo sozinha e nem sequer posso ler… folhear um livro, falar ao telemóvel, alimentar-me… não são mais actos banais… são impossíveis, para mim
Ambos ficamos cada vez mais fragilizados e esgotados, mas… cada vez estamos mais fortes e unidos!
O João entra na escola
A parte respiratória começa a ficar comprometida e só o meu marido me entende a falar
O «Pai Natal» traz-nos um computador e eu fico a OLHAR para ele, com tristeza por não conseguir «teclar» (pensava eu!)SETE ANOS E MEIO DEPOIS…
Janeiro: Afinal consigo «teclar»! O meu indicad0r esquerdo fica em cima do botão esquerdo do rato e o indicador direito fica em cima do botão direito do rato…
Instalam-me um teclado virtual. Nem dou pelo tempo passar! Navego na Internet, leio, organizo a minha casa e (muito importante para mim) comunico com o meu filhote que passa para o 2ºano e já lê muito bem
O objectivo (a curto prazo, porque a longo, aprendi que não vale a pena) a que me propus, foi atingido – ver o Mundial de Futebol – E CONSEGUI! O anterior tinha sido o Euro 2004
A parte respiratória agravou bastante. Durante a noite durmo ligada a um ventilador
Já me é bastante penoso movimentar o rato (até aqui, já estou a escrever há 8 dias)
O NOSSO DIA
6h15m
O Paulo levanta-se (quando entra às 7h)
Faz a higiene pessoal e toma o pequeno-almoço
6h 40m
Muda-me de posição na cama (durante a noite já o fez 3 ou 4 vezes)
6h 50m
Sai de casa (o posto da GNR fica a 300m de nossa casa, felizmente!)
*Eu e o João ficamos sozinhos a dormir até às…
8h 20m
O Paulo vem a casa levantar e preparar o João para ir para a escola
Muda-me de posição mais uma vez
8h50m
Depois de saboroso beijo e de um ADORO-TE verbalizado pelo João e mimado por mim através do piscar de ambos os olhos, o João sai para a escola que começa às 9h (a escola também fica a 300m, invejável, não?!?)
Eu fico sozinha até…
11h/11h15m
Depois dos homens da casa é a minha vez de fazer a minha higiene pessoal que é assegurada pelo Serviço de Apoio Domiciliário da SCM de Ílhavo
12h 30m+-
Hora e meia depois, tenho a higiene feita e o pequeno-almoço tomado
Passei do cansaço ligeiro à exaustão extrema (um dos sintomas da doença)
Agora é hora de ir ver como vai o mundo…
18 de Agosto de 2007
Decorridos nove meses… não posso terminar “O Nosso Dia “, porque tudo mudou!!!
Nove meses antes…
Natal de 2006
Parei de escrever “A minha história”…
Sinto-me muito fraca!!!
Janeiro e Fevereiro de 2007
Emagreci bastante…
Comer torna-se bastante cansativo, além da falta de apetite!
Mas o pior é que quase não consigo beber líquidos!
Estou desidratada e bastante fraca!!!!
3 de Março de 2007
Sinto – me muito mal … é-me bastante difícil respirar …
Neste dia instalam-me um programa de voz …
No dia seguinte, o meu marido estava a trabalhar e através do computador, peço ao meu filhote para telefonar ao pai e dizer que eu não estava bem (valeu-me o programa de voz instalado no dia anterior).
6 De Março de 2007 (internamento no HGSA no Porto)
Depois de vários e complicados contratempos…
O INEM achou que a minha dificuldade respiratória aliada à ELA, não justificava a sua presença e mandaram vir os bombeiros!
Os bombeiros foram incansáveis… a ambulância não tinha uma ficha onde se pudesse ligar o ventilador (Bip-Bap), que por sua vez não tinha autonomia…
Pediram uma ambulância a Aveiro (esta sim, com ficha!!) e levaram-me na cadeira de rodas, em peso, escada abaixo com o ventilador ligado a uma extensão. Desceram quatro andares!
Destino: Hospital Geral de Santo António!);
E… de
Agora sei que não tinha chegado a minha hora!!
Quando cheguei ao hospital, logo de seguida entrei em coma!
Ou fazia uma traqueostomia ou não sobreviveria… o meu marido optou pela primeira hipótese.
Depois dos cuidados intensivos (onde fui muitíssimo bem tratada), passei para o Serviço de Medicina D.
A Equipa Médica, de Enfermagem e Auxiliar foram extremamente fantásticas comigo… carinho, simpatia e profissionalismo amenizaram o meu sofrimento (e como sofri, meu Deus!!!) xxx
Quarenta e quatro longos dias de dores físicas (as menos importantes);
A dor da saudade do “Meu Moranguinho” (a mais importante e dolorosa repente tenho que enfrentar que estou muda!!
Nem um som sai da minha boca!
Ouço o meu moranguinho falar no telemóvel e “grito desesperada dentro da minha prisão: Amo-te tanto filhinho querido! Estou aqui por ti, pelo pai!!!”
Mas… ninguém me ouve!!!
Só eu!
Quarenta e quatro longos dias a repetir mentalmente…
“O tempo não pára!... “
“O tempo não pára!...”
“O tempo não pára!...”
E não parou!!!
Quando…
A meio do internamento me foi diagnosticado…
CANCRO DA MAMA!!!
Não adiantava chorar…
Não adiantava martirizar-me com a ideia de que tinha um cancro…
Não adiantava fazer-me de vítima…
NADA… por muito que eu desejasse, iria alterar e inverter esta e outras situações!!!
A única coisa que eu queria: não fazer sofrer o meu marido!
Escondi de todos durante algum tempo.Mas por muito que eu quisesse esconder, era impossível, uma vez que tinha consentido fazer uma Mastectomia! Acabei por desistir da ideia, estava farta de sofrer! Acabei por me entregar nas mãos de Deus…
A adaptação à minha nova condição foi extremamente dolorosa e difícil!!
Nada era mais como dantes…
- Eu não falava…
Logo não podia responder ao meu filhote!
Nem conversar com ele…
UM ABRAÇO APERTADINHO não era mais possível, devido ao ventilador e traqueostomia!!
- Eu não saboreava a comida nem fazia as refeições à mesa…
Tinha feito uma gastrostomia (um tubo directamente ligado ao estômago), agora as minhas refeições eram liquidas e através de uma seringa alimentar “enfiadas” directamente no estômago…
Logo, não participava nas refeições familiares (um dos meus prazeres favoritos).
- Eu estava demasiadamente fraca para estar muito tempo sentada…
Logo, podia comunicar muito pouco tempo… só o tempo que eu estava no computador! Mais ou menos quatro horas… e a partir daí regressava novamente ao meu cárcere, um muro invisível erguido à minha volta… eu ouço, eu vejo e eu sinto, mas, eu FALO e NINGUÉM me ouve!!!
- A higiene diária e pessoal passou de prazer a tortura…
A água que corria deliciosamente pelo meu corpo através do chuveiro dentro da banheira, foi substituída por um por um par de bacias com água…
O banho agora é-me dado na cama… Banho?!?
Nada, nada, nada me dava prazer!
Uma tristeza profunda invadiu todo o meu ser e eu só desejava partir!!!
Testemunhos disto são os emails que escrevi à minha médica e amigas …
----- Original Mensagem -----
From: Rosário Sarabando
To: Dra. Elga
Sent: Sunday, April 29, 2007 1:17 PM
Subject: Por favor ajude-me
Olá Dra. Elga!
Dentro do possível, estou bem!
Mas... nada é como antes...
Estes tubos sempre agarrados a mim dão comigo em doida!
Não consigo estar muito tempo no computador, porque me canso rápido...
Dantes estava o dia inteiro, conseguia fazer muita coisa...
Agora não consigo escrever durante muito tempo, fico extremamente cansada!
O que me fazia continuar deixou de existir...
Ou seja...
Ser parte activa na educação do meu filhote... e da minha casa!
A falta de comunicação enlouquece-me!
Se eu não estiver no computador fico trancada no meu corpo!
E é muito difícil viver com traqueostomia... nunca pensei!
Já não é viver é sobreviver...
Por favor, ajude-me a morrer!
Todos os dias pela manhã, apetecia-me não ter acordado...
Viver passou a ser uma tortura...
Para cada movimento, preciso de ajuda...
Não como à mesa com os meus homens... nem saboreio a comida
Não consigo comunicar em tempo real... olho à minha volta e estou mais encarcerada do que nunca.
Estou desesperada! Por favor diga-me o que pode fazer por mim.
Por favor ajude-me… Beijinhos
Rosário Sarabando”
E esta foi a resposta...
"Rosário
Compreendo que a adaptação à nova situação seja muito difícil.
Contudo, a sua presença continua a ser importante para o seu filho e para o seu marido e estou certa que eles compreendem e aceitam.
Os motivos que a faziam continuar são os mesmos, quem mudou foi a Rosário. Contudo, continua a comunicar e estas mensagens são prova disso.
Pense nisto.
Beijos
Elga"
Um outro e-mail enviado à minha ex-fisioterapeuta e grande amiga, Ana Meirelles…
From: Rosário Sarabando
To: Ana Meireles
Sent: Friday, May 04, 2007 6:16 PM
Subject: ajude-me com os seus sábios conselhos...
D.Ana Maria
Como está?
Vou ver se consigo escrever durante algum tempo... o que está muitíssimo difícil!
Não consigo levantar o meu astral! E sabe Deus como tento...
Todos as manhãs desejo não ter acordado...
Estou a dar imenso trabalho para justificar a minha qualidade de vida... não consigo encontrar motivos que me deixem continuar...
O meu filho e o meu marido são dois bons motivos mas...
Já não consigo dar – lhes nada excepto trabalho e presença... e isso para mim não chega!
Acredite que estou a sofrer muito!
Por favor D.Ana Maria ajude-me com os seus sábios conselhos...
Beijinhos
Rosário Sarabando
Eis a resposta!
----- Original Mensagem -----
From: Ana Meireles
To: Rosário Sarabando
Sent: Saturday, May 05, 2007 1:24 PM
Subject: Coragem!
Olá Rosário!
Fiquei confrangida com a sua mensagem. Quem me dera ter o poder de a aliviar no seu sofrimento! Compreendo-a tão bem... toda a vida lidei com as deficiências e as limitações das outras pessoas e me dediquei a minorar as suas incapacidades.
Que fazer no seu caso? Há uma frase muito portuguesa que diz que o que não tem remédio remediado está. Quando não está na nossa mão o remédio para o nosso sofrimento temos de aprender a lidar com isso, o que não é nada fácil. Temos de aprender a aceitar e manter a calma nos momentos mais difíceis. A Rosário tem fé, sabe que Cristo a espera para lhe dar a recompensa por tudo o que está a passar, mas... é preciso não deixar que a revolta se apodere de si, diga baixinho para si que Cristo sofreu tanto...e era inocente, enquanto que nós não somos perfeitos, temos sempre algo para pedir perdão. Ofereça o seu sofrimento a Deus não só para perdão de algumas imperfeições suas, mas também pelos pecados de todos nós. Vai ver que isso vai dar algum sentido ao que está a passar.
Por outro lado, há que agradecer. Quantas pessoas amigas se têm manifestado disponíveis para a ajudar! E já não falo do Paulo, que se tem excedido nas suas habilidades para se adaptar à situação. E que apesar de todo o trabalho não quer encarar o dia que vai ter de passar sem si! Por ele, pelo João, tem de ser forte, e pensar que só lhe é pedido para se manter viva, pelo seu amor! Algum momento de desabafo do Paulo, só reflecte o cansaço de quem não tem uma noite de descanso completo.
Falei com a Rosa. Sei que os fins de dia são os momentos mais críticos. Hoje vou passar por aí por volta das 18 horas para ver o que é preciso. Tenho de ir à Missa às 19 porque amanhã vou passar o dia com o meu sogro, estamos “de serviço”.Mas depois da Missa vou outra vez aí para ajudar o Paulo nos cuidados que a Rosário precisa. Sei que a Ana não está e que a Rosa tem doces para fazer, então vou eu ajudar. Diga isto ao Paulo para ele gerir as tarefas.
Não quis deixar de lhe mandar esta mensagem, vá reflectindo e se tiver algo para me dizer escreva ou vamos até ao computador quando aí estiver.
Beijinhos da sua sempre Amiga
Ana Maria Meireles
Eu queria LEVANTAR_ME e não conseguia…
Até que uma oração e o 8ºaniversário do meu filhote me ajudaram a seguir em frente…
A ORAÇÃO…
“QUANDO TUDO PARECE PERDIDO”
Quando tudo parece perdido,E a esperança desaparece,Procure por mim, Estou a teu lado,Embora não me vejas.Quando lágrimas,Insistirem em cair de teus olhos,Lembra do sangue que derramei,Para que fosses feliz,
Quando o desejo de morrer,Tomar conta de teu ser,Lembra que tua morte será em vão,Eu morri para salvar os homens,E mesmo assim não consegui.Eu tenho meu tempo,Eu sou dono da vida e da morte,E só morrerás em meu tempo,
Quando tudo parecer breu,Os desamores,As descrenças,As desesperanças,Insistirem em tomar conta,De teu coração,Me busca, nunca abandoneiQuem de mim precisa,E não serás tu, que confias em mim,Que deixarei desamparada(o),
Vamos coloque um sorriso,Nesse rosto,Erga a cabeça e siga em frente,Logo, logo, sentirás minha presença,E tudo se resolverá.
Tristezas, não cabem em meu mundo,E se te provo em coisas da vida,É porque sei, Tens força suficiente,Para enfrenta-las. Eu sou teu Deus,Jamais te abandonarei... Portanto filha (o),Espera, e confia... Em meu tempo...Tudo resolverei. Entrega-te a mim sem medo...
Pai nenhum deste mundo,Abandona um filho,Aceite então as provações a que te submeto,Estas só servirão, para engrandecer teu espírito,E te tornares, Mensageira(o) de minhas palavras,e de meus atos em tua vida.Será testemunha viva,Do meu poder, E do meu amor,Por aqueles que confiam em mim!
“Eu sou a luz do mundo, aquele que me segue jamais andará nas trevas.”
EU TE AMO!
Jesus Cristo
Este email enviado à minha médica e Amigos são o testemunho e o resumo da minha Luta e da minha Vitória (depois de muito sofrimento)
----- Original Mensagem -----
From: Rosário Sarabando
To: Dra. Elga
Sent: Monday, July 02, 2007 7:11 PM
Dra. Elga
Finalmente estou de volta!!!
Já me adaptei à minha nova condição... foi difícil, mas consegui "levantar-me "!
Graças ao amor do meu marido e filhote complementado pela dedicação dos grandes amigos que tenho a sorte de ter... a minha "obrigação " era e é LUTAR !!!!
A minha cuidadora é fantástica... sinto – me bem e a minha ansiedade em relação ao ventilador passou... consigo estar sem ele mais ou menos quatro horas seguidas!
Durmo toda a noite, e acordo agradecendo a Deus todas as bênçãos que tenho recebido!!!!!
Pelo oitavo aniversário do meu filhote (veja fotografias que mando em anexo) senti remorsos por querer partir...a alegria dele ao apresentar-me aos amiguinhos foi imensa...
Mas o importante é que estou de volta e para ficar!!!
Obrigada por tudo Dra. Elga...
Beijinhos à Equipa de Enfermagem e Médica
E para a Dra. Elga um beijinho muito especial
Rosário Sarabando
A resposta…
----- Original Mensagem -----
From: Elga Freire
To: Rosário Sarabando
Sent: Thursday, July 05, 2007 7:02 AM
Rosário
Foi com muita alegria que li o seu mail e vi a fotografia da família.
A Rosário e a sua família são um exemplo de coragem e amor.
Para mim é um privilégio poder compartilhar um pouco da vossa vivência.
Beijinhos
Elga
Quando finalmente venci, tudo voltou a ser como antes, com duas diferenças…
Mais força
Mais vontade de Viver
Agora, passado um ano depois de ter sido internada…
Oriento, através do computador, a minha casa…
As refeições…
O meu filhote…
Faço questão que tudo passe por mim…
A escolha da minha roupa é e sempre foi feita por mim…
“Os Meninos dos Meus Olhos” são orientados por mim…
Estou VIVA!!!
Sinto-me Abençoada!!!
Sinto-me rodeada de Amor e Carinho!!! Pelos meus dois Amores e pelos meus Grandes Amigos!!!
Apesar de tudo, sou muitíssimo Feliz…
Assisti e orientei a Primeira Comunhão do meu filhote…
Quero e vou assistir ao 9º Aniversário dele …
Amanhã é outro dia… Objetivo???
QUERO VER O MEU FILHO CRESCER!!!
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Publicada por Rosarinho em 4:37 PM

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